quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Pombal/PB: O Ministério Público do Estado da Paraíba entra com ação civil pública para regularizar serviço de segurança privada dos eventos festivos promovidos pela AABB em Pombal – PB

A Promotoria de Justiça de Pombal – PB ingressou, no mês de outubro do corrente ano, com uma ação civil pública, com pedido de liminar (processo nº 0002728-39.2013.815.0301; 2A. VARA DE POMBAL/PB), objetivando a regularização do serviço de segurança privada fornecido pela Associação demandada (AABB – Pombal/PB) por ocasião dos eventos festivos por ela promovidos , tendo em conta que inúmeros consumidores sofreram e sofrem sérios riscos com a inadequação do serviço em questão.

Instaurado procedimento ministerial para apurar notícia de supostas irregularidades no âmbito da segurança privada fornecida pela AABB (Inquérito Civil Público nº 005.2012.000056/Promotoria de Justiça de Pombal/PB/MPVIRTUAL02), constatou-se que a atividade aludida estava sendo desempenhada de forma alheia aos parâmetros normativos pertinentes.
 
De fato, restou incontroverso que o serviço referenciado era prestado mediante a contratação verbal de pessoas físicas dedicadas a tal atividade, a despeito da necessidade de contratação de empresas cujas atividades de segurança privada estejam previamente autorizadas pelo Departamento de Polícia Federal – DPF.
 
Também pode ser verificado que a AABB em Pombal – PB não possuía nenhum registro formal dos seguranças/vigilantes (nome e outros dados identificadores), com a consequente inviabilização do acesso a tais dados pelos consumidores e a registro das ocorrências com a atuação da segurança privada.

Ademais, os seguranças/vigilantes trajavam uniformes, sem constar apito com cordão e plaqueta de identificação do vigilante, autenticada pela empresa, constando o nome, o número da CNV, fotografia colorida em tamanho 3 x 4 e a data de validade, sendo que nunca foi exigido que estes portassem a CNV (Carteira Nacional de Vigilante), constando seus dados de identificação e as atividades a que estão habilitados.

A conduta combatida violou a Constituição da República (art. 5º, “caput”), o Código de Defesa do Consumidor (art. 4º, II, “d”; art. 6º, I e III), a Lei Federal nº 7.102/83 (art. 17) e a Portaria nº 3.233/2012-DG/DPF (art. 1º, §1º; art. 13, §4º; art. 149; art. 157; art. 159 e art. 164).

Mister destacar que, na cidade de Pombal – PB, que a Associação demandada promove regularmente eventos festivos/sociais com grande quantidade de pessoas, aflorando necessária a efetividade do serviço de segurança privada para a manutenção da ordem do local, a integridade física dos participantes e a inocorrência de danos patrimoniais.

Foi intentada a resolução amistosa do caso, mediante a proposta de termo de ajustamento de conduta [TAC], mas não se consolidou o deslinde amigável.

No processo, os pedidos do Ministério Público foram os seguintes: “o reconhecimento da procedência do pedido para: "[d.1] condenar o(a) demandado(a) ao pagamento de indenização pelos danos morais/extrapatrimoniais coletivos aludidos nos autos e [d.2] sob pena de multa diária no valor de R$100.000,00 (cem mil reais) para cada evento realizado irregularmente, determinar que o(a) demandado(a), cumulativamente, nos eventos festivos realizados na AABB/Pombal/PB, [d.2.1] abstenha-se de contratar segurança privada, armada ou desarmada, desenvolvida por pessoa(s) física(s) e/ou por empresas (pessoas jurídicas) cujas atividades de segurança privada não estejam previamente autorizadas pelo Departamento de Polícia Federal – DPF (alvará/autorização emitida pelo Coordenador-Geral de Controle de Segurança Privada) e/ou cujo alvará/autorização não esteja vigente, [d.2.2] só possa realizar evento festivo mediante a prévia contratação formal (por escrito) de segurança privada, armada ou desarmada, em quantitativo compatível com o público esperado, sendo a atividade de segurança desenvolvida exclusivamente por empresas (pessoas jurídicas) cujas atividades de segurança privada estejam previamente autorizadas pelo Departamento de Polícia Federal – DPF e cujo alvará/autorização esteja vigente, [d.2.3] admita, na segurança privada armada ou desarmada regularmente contratada, exclusivamente vigilantes portando a CNV vigente (Carteira Nacional de Vigilante; constando seus dados de identificação e as atividades a que está habilitado) e trajando uniformes possuidores de características que garantam a sua ostensividade (com os seguintes elementos: I - apito com cordão; II - emblema da empresa; e III - plaqueta de identificação do vigilante, autenticada pela empresa, com validade de seis meses, constando o nome, o número da Carteira Nacional de Vigilante - CNV e fotografia colorida em tamanho 3 x 4 e a data de validade), [d.2.4] fiscalize o cumprimento dos deveres dos vigilantes e comunique oficialmente, por escrito, à empresa contratada eventuais infrações cometidas (Art. 164, Portaria nº 3.233/2012-DG/DPF), e [d.2.5] garanta a todos os consumidores o livre acesso às informações/dados/documentos referentes às eventuais infrações cometidas pelos vigilantes, bem como à documentação contratual pertinente à segurança privada, nomes dos vigilantes/seguranças, relatórios sobre ocorrências, etc. (art. 6º, III, CDC)”.

De fato, a presente ação aflorou imprescindível para garantir a efetividade das normas de proteção à vida, à segurança e à propriedade, núcleos essenciais do postulado da dignidade da pessoa humana, previsto no art. 1º, III da Constituição Federal.



Fonte: Ministério Público/Promotoria de Pombal

Pat Metheny - And I Love Her


Black Bloc, codinome pernóstico de uma ramificação dos fora-da-lei

Num parágrafo do artigo que publicou em seu blog neste domingo, ilustrado por vídeos que documentam a ação abjeta dos agressores e a reação exemplarmente sensata do coronel Reynaldo Simões Rossi, da PM de São Paulo, o jornalista Josias de Souza fez o resumo da ópera: “Já passou da hora de definir melhor as coisas. Está nas ruas uma estudantada corpulenta, de cara coberta e violenta. Esse grupelho adquiriu o vício orgânico de tramar contra o sossego alheio. Vândalos? É muito pouco! Black Blocs? O escambau! Traduza-se para o português: bandidos, eis o que são”.
Coronel Reynaldo Simões Rossi é agredido por Black Blocs. Foto: Iacio Teixeira / Coperphoto / Estadão Conteúdo
 
Perfeito: bandidos, é isso o que são os integrantes dessa ramificação da grande e prolífica família dos fora-da-lei. Em sua versão brasileira, Black Bloc é o nome pernóstico de uma quadrilha sem chefe.
 
No País do Futebol, o time vestido de preto é o primo mais idiota da pior das torcidas uniformizadas. No País do Carnaval, é o filhote poltrão do Comando Vermelho, que cobre o rosto com máscaras para fazer em liberdade o que os colegas engaiolados fazem de cara lavada.
 
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Fonte
Blog de Augusto Nunes

Câmara aprova PEC do Estatuto dos Servidores do Judiciário

A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta terça-feira, por 400 votos favoráveis a 4 contrários, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 190/2007, que dá prazo de um ano para o Supremo Tribunal Federal enviar ao Congresso um projeto de lei que estabeleça o Estatuto dos Servidores do Judiciário. Este foi o segundo turno da votação. Para ser aprovado, o texto precisava de 308 votos favoráveis. Agora, o texto vai tramitar no Senado.
 
Todos os partidos orientaram suas bancadas a aprovarem a PEC. Falou contra a proposta o deputado Marchezan Júnior (PSDB-RS), que disse ter pedido "licença" para o líder de seu partido, Carlos Sampaio (PSDB-SP), para contrariar a bancada.
 
"O STF vai definir a carga horária, as funções, a nomenclatura, o horário dos servidores estaduais. E também a sua remuneração. Estaremos equiparando 240 mil servidores estaduais aos 36 mil servidores federais", disse Marchezan. Segundo ele, a proposta terá como consequência uma conta para os Estados bancarem, uma vez que a remuneração dos servidores estaduais deverá subir, afirmou.
 
Apesar de o texto da PEC não estipular essa equiparação salarial, disse Marchezan, a justificativa da proposta mostra que esse conteúdo deve estar na proposta de estatuto.
 
Defensora da proposta, a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), disse que, da forma como o texto foi aprovado hoje, não foi aberto nenhum impasse com governadores. A PEC 190, segundo ela, permite que o STF encaminhe "regras que levem a uniformização de cargos, funções, e salários, se for o caso". Ela disse que é possível "partir de um piso" e, depois, "a saúde financeira de cada Estado dita as escadarias que levam ao teto."
 
A pauta de votações da Câmara está trancada pelo Marco Civil da Internet, que tem urgência constitucional, um regime especial de tramitação pedido pela presidente da República. O trancamento da pauta, no entanto, não afeta as votações de propostas de emenda à constituição, que foram diferenciadas dos outros projetos de lei por decisão do ex-presidente da Câmara Michel Temer, atual vice-presidente da República.
 
Ele estabeleceu durante sua gestão que o trancamento da pauta não impede a votação de projetos que não podem ser objeto de medida provisória e que não podem tramitar em regime de urgência constitucional.
 
 
O Globo

Polêmica: Deputado apresenta PEC sobre mudança na punição de menores

PEC prevê que o menor responda pelo crime cometido após completar 18 anos.
 
A apresentação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), do deputado Carlos Souza do (PSD-AM), reacendeu a discussão acerca da redução da maioridade penal na Câmara dos Deputados.
 
A PEC possui como objetivo permitir que o magistrado determine por sentença, que o menor infrator, até completar dezoito anos, cumpra medida socioeducativa e, após, continue a responder pelo crime cometido nos termos da legislação penal vigente.
 
A medida é polemica, cosiderando que os doutrinadores, juristas e a população possuem opiniões divergentes sobre o assunto.
 
Apesar de controversa, a PEC recebeu 191 assinaturas de apoio, ou seja, 21 a mais do que era efetivamente necessário. Pela proposta, o art. 228 da Constituição Federal (CF), que trata da inimputabilidade dos menores de 18 anos, será alterado, mas de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente.
 
O objetivo da proposta é que os menores, ao cometerem atos infracionais, e que forem submetidos até 3 anos de medidas socioeducativas, continuarão a pagar pelos seus atos mesmo depois de completar 18 anos.
 

 
 
Diário do Poder

Biografias: há dois Robertos, um não faz nexo

Há dois Robertos sobre o palco. Um deles foi à Justiça para arrancar das livrarias a biografia ‘Roberto Carlos em detalhes’, sob censura há seis anos e meio. O outro diz ser “a favor” do projeto de lei que autoriza a publicação de biografias não autorizadas. Juntos, esses dois Robertos não fazem sentido.
 
O segundo Roberto é recentíssimo. Foi ao ar no programa ‘Fantástico’, na noite deste domingo. Para que ele fizesse nexo, o primeiro Roberto, conhecido desde abril de 2007, teria que sair de cena. A entrevistadora Renata Vasconcellos tentou abrir a porta de saída:
 
— Você permitiria a biografia que foi feita a seu respeito há alguns anos?
 
Roberto, o primeiro, pensou por alguns segundos. E deu uma resposta que faz de Roberto, o segundo, um personagem desconexo:
 
— Isso tem que ser discutido.
 
Chama-se Paulo César de Araújo o autor do livro retirado das prateleiras. Que pecados teria cometido para merecer o banimento editorial? Imaginou-se que, ao se dispor a enfrentar o tema sob holofotes, Roberto 1º exporia suas razões em profundidade. Não foi o que sucedeu. Ele preferiu ziguezaguear ao redor do tema:
 
— O biógrafo também pesquisa uma história que está feita. Que está feita pelo biografado. Então, ele na verdade não cria uma história. Ele faz um trabalho e narra aquela história que não é dele. Que é do biografado. E a partir do que ele escreve, ele passa a ser dono da história. E isso não é certo.
 
— [Não é certo] por uma questão também comercial?, a repórter tentou entender.
 
Nesse ponto, Roberto 1º saiu-se com uma declaração que abre um mar de reticências que, de tão profundo, pode ser atravessado por uma formiga –com água na altura da canela:
 
— Por tudo, ele se limitou a dizer.
 
De repente, ganharam viço as indagações que Ruy Castro dirigiu à ministra Marta Suplicy (Cultura) na Feira do Livro de Frankfurt. Escritor refinado, Ruy também já foi vítima dos artigos do Código Civil que permitem aos famosos e aos seus parentes requerer a censura prévia de livros. “Eu perguntei [à ministra] se o biógrafo vai ter que pagar um dízimo ao biografado”, contou Ruy Castro dias atrás. “Pagar esse dízimo vai garantir nossa liberdade? Eu posso pagar um dízimo ao Roberto Carlos e falar da perna mecânica?”
 
Sempre se imaginou que o caso da perna, mencionado pelo jornalista Paulo César de Araújo na obra proibida, fosse o motivo da revolta de Roberto 1º. Curiosamente, ele negou essa versão. Revelou à plateia que vem aí uma novidade.
 
— Eu estou escrevendo a minha história. E informando muito mais a essas pessoas sobre a minha vida, sobre as minhas coisas, muito mais do que qualquer outra fonte.
 
Em vez de pagar dízimo a terceiros, o dono da perna mecânica como que reivindica o monopólio do culto à sua autoimagem:
 
— Pessoas têm dito que eu sou contra [a biografia] por causa do meu acidente, que foi contado, essa coisa toda. Não é isso, não. Eu, quando escrever meu livro, eu vou contar do meu acidente. Ninguém poderá contar do meu acidente melhor que eu. Ninguém poderá dizer aquilo que aconteceu com todos os detalhes que eu posso. Porque ninguém poderá dizer o que eu senti e o que eu passei. Desculpa a rima, porque isso aí só eu sei.
 
Roberto 1º tem todo o direito de escrever sobre si mesmo. Ele é dono da própria vida. Construiu uma biografia edificante. Mas isso não o torna dono da história. Tampouco o biógrafo, ao narrar “uma história que está feita”, vira proprietário dela. A história é um bem coletivo. E a privacidade de quem optou por viver na vitrine é um direito relativo. A vacina contra eventuais calúnias, difamações ou mentiras é o processo judicial, não a censura prévia.
 
— Quem escreveria a biografia do Roberto Carlos com as bênçãos do Rei?, quis saber a entrevistadora.
 
— Eu. Detalhes que, com certeza, não vão estar em outras biografias.
 
— Mas às vezes o biografado não quer contar tudo, né, Roberto?
 
— Sim, mas eu vou contar tudo que eu realmente acho que tem sentido de contar em relação àquilo que eu senti, que eu vivi.
 
Levando-se Roberto 1º ao pé da letra, confirma-se a suspeita de que toda tentativa de relato historiográfico, a começar pelo texto inaugural de Heródoto, o ‘pai da história’, é uma lenda. Só que muito mais mentirosa. O que salva o passado do esquecimento são as autobiografias.
 
Assim, nenhum brasileiro deve entrar em pânico se, ao folhear uma obra chapa-branca sobre a história da música popular brasileira e dos seus maiores ídolos, sentir uma sensação estranha. A sensação de um passageiro que viaja num avião sabendo que sua bagagem, com tudo o que possui, viaja em outro.
 
O direito à informação estaria mais garantido se Roberto 2º, aquele que se diz “a favor” das biografias não autorizadas, prevalecesse sobre o outro, que condiciona o fim da censura prévia à realização de “alguns ajustes”. O diabo é que Roberto 1º se nega a detalhar os “ajustes”.
 
— Que ajustes seriam esses?, perscrutou a repórter.
 
— Isso aí tem que se discutir. São muitas coisas. Tem que haver um equilíbrio e alguns ajustes para que essa lei não venha a prejudicar nem um lado, nem outro. Nem o lado do biografado, nem o lado do biógrafo. E que não fira a liberdade de expressão e o direito à privacidade.
 
Moral da “história”: em terra de cego, biógrafo que tem um olho foge do rei.

 
 
Josias de Souza

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Educação/Transformação: Tristeza e Alegria

Participamos atualmente de um momento de muita tristeza e ressentimento no campo da educação. O cenário político é o da inibição, do medo e da impotência. Precisamos pensar nisso, buscar entender o que isso tem significado em nossas vidas enquanto somos professores, educadores, estudantes ou gestores em educação. Toda ética possível em educação depende de nossa capacidade de estarmos presentes como cidadãos nesse momento em que a violência física e simbólica vividas atingem de algum modo a todos nós dedicados à profissão de ensinar.
 
A tristeza é o que o poder tem provocado nos cidadãos. Sabemos que a tristeza é um afeto negativo. Aquele afeto que, segundo Spinoza, filósofo holandês do século 17, produz apatia e inibe a vontade de ser que é própria a todo o ser que vive. Spinoza sabia que os governos e os sacerdotes precisavam da tristeza de seus “súditos”. Hoje, podemos dizer que conhecemos a tristeza quando temos um mau encontro com as pessoas e as coisas com as quais nos deparamos na vida. Reconhecemos o mau encontro quando, em dada circunstância, temos vontade de fugir. Vontade de parar, de abandonar o barco… Quando algo nos acontece e queremos nos esconder debaixo do tapete…
 
Podemos dizer que o ressentimento tem tudo a ver com isso. O ressentimento é justamente o afeto que nasce da nossa impossibilidade de fugir, de encontrar o tapete onde enfiar o nariz sangrando nos embates do dia a dia. Nietzsche, filósofo alemão do século 19, viu no ressentimento um afeto negativo, que aprisiona e não liberta. Aquele afeto não resolvido comum a quem não consegue esquecer alguma coisa ruim que aconteceu, de algum mau encontro que permanece em nosso sentimento como uma torneira mal fechada. É o afeto típico daquele a quem chamamos de “mal resolvido”. Talvez porque não tenha conseguido fazer nenhum tipo de acordo com aquilo que o maltrata, mas isso só significa o quanto a coisa toda lhe pesa.
 
O que não conseguimos resolver só permanece atuando em nossa afetividade porque não soubemos esquecer e seguir vivendo justamente em nome da alegria de viver que nos trouxe até aqui. Sim, é a alegria de viver que nos faz viver. É o sentimento da vida simplesmente acontecendo que nos enche de vontade de viver, ou seja, que nos toma como alegria pura e simples. Difícil falar disso em uma sociedade em que a depressão parece epidemia, em que as pessoas só se alegram por meio de algum tipo de entorpecimento.
 
Mas assim como a tristeza não é ingênua, a alegria também não é. A alegria de que falamos filosoficamente não é a alegria boba, aquela alegria de plástico vendida pela publicidade; não é a alegria da indústria cultural que nos ilude de uma vida sem sofrimento, sem trabalho, com abundância de capital, cheia de riquezas materiais. Esta seria a alegria falsa, a alegria que o sistema nos promete para mascarar a sua própria pobreza espiritual. A alegria de que falamos é filosófica, no melhor sentido do termo. Ela diz respeito à capacidade de esquecer, de sair do ressentimento, de buscar outras formas de vida. A capacidade de agir na direção da emancipação em relação à barbárie pode ser sua tradução. O desejo de simplesmente estar no mundo também é uma forma de alegria. A alegria é sempre uma irrupção criativa contra a oferta de tristeza de um mundo de opressão e medo.
A alegria de sentir que existimos, de experimentar a vida como uma forma de potência geradora e auto-criativa é o contrário do entristecimento promovido pelo poder, pela violência, pela ordem econômica opressora que pretende apenas manter-se a si mesma como está e onde está. Desconsiderando, certamente, a existência humana que estamos aqui, neste mundo, para experimentar.
 
A educação deve ser uma prática de promoção de um certo modo de alegria, a alegria da emancipação. Ela é, portanto, a teoria-prática da liberdade que se baseia na lucidez que está para além de toda simples racionalização, pragmatismo ou utilitarismo. A educação é para o educador a vontade de trazer a alegria, de partilhar a alegria, de democratizar a alegria. A relação com o conhecimento é uma forma de alegria, a relação com o outro também. O conhecimento por sua vez se confunde com a educação enquanto campo de experiência: prática-teórica da vida ou teoria-prática da vida cuja razão é a alegria. Ora, a alegria é uma força revolcuionária.
 
Por isso, precisamos urgentemente nos perguntar: o que pode a educação? O que a educação tem significado em nossa época? Como vemos a educação? Como nos relacionamos com ela? Responder a estas perguntas pode parecer fácil para quem, atuando como professor, educador, reflete diariamente sobre sua própria prática. No entanto, mesmo que o profissional da educação saiba muito bem o que faz, o que nem sempre é verdade, sabemos que no nível da cultura, a educação é uma área muito desvalorizada. Estas perguntas são importantes, portanto, para qualquer cidadão. Também para aquele que não se pergunta sobre isso por que pensa que a educação não lhe diz respeito. No entanto, sabemos que a educação é para a vida toda. Que nos educamos todos os dias até o fim de nossas vidas.
 
A desvalorização da educação na esfera cultural, social e econômica, resulta em ignorância geral e em desconhecimento sobre o próprio sentido da educação em escala social. Essa desvalorização ajuda apenas a promover o entristecimento e o ressentimento que tem nos devorado a todos. Vivemos no círculo cínico de um sociedade antiética e antipolítica no qual a educação é vítima de todas as mentiras dos poderosos. A tarefa de cada educador é, hoje, tentar interrompê-lo.
 
Mas como conseguiremos isso se, no âmbito social, político e econômico, a educação é rebaixada à mercadoria? Como podemos tratar aquilo de mais precioso que temos em termos de transformação social, aquilo que dá significado à nossa existência como educadores, como uma mercadoria? A infelicidade que vemos hoje no campo da educação tem a ver com esse rebaixamento à mercadoria. E com a concomitante humilhação que professores e estudante, bem como cada escola, sofre sob as lides do sistema que produz este tipo de processo. Do mesmo modo, é como mercadoria que a família, que poderia aliar-se à educação, se serve dela. Para muitos pais, a escola é um investimento, para vários outros, nem sequer é isso. A desvalorização generalizada da educação na esfera da cultura pode vir a ser introjetada pelos próprios professores que, muitas vezes entristecidos com o rumo de sua profissão, se entregam ao “mais do mesmo”, ao conformismo e à apatia. Do mesmo modo que os estudantes que deveriam ser emancipados por meio da escola e da educação voltadas para a vida e a exuberância criativa que caracteriza o ser humano.
 
Contra esse estado de coisas, podemos voltar ao sentido mais profundo da educação enquanto teoria-prática em que está em jogo a nossa alegria de viver enquanto esta alegria de viver implica estar em contato com o outro. Conviver e ensinar a conviver é o exercício diário dos professores. E, neste sentido, a educação é sempre uma ética. Ética, pois por meio da educação aprendemos a respeitar o outro, a reconhecê-lo. Educação é o nosso caminho social e pessoal para a transformação do todo e de cada um. Transformação que é a própria ética que pode refazer desde dentro o cenário político aviltado de nosso tempo. Certamente a educação é o único caminho para sociedades inteiras e para nosso país em especial. Falta-nos, no entanto, projeto. Ou melhor, vontade política para que a educação realize sua potência mais íntima. No entanto, esta vontade política só pode nascer no âmbito de cada um no encontro com os outros com os quais fazemos “comunidade”.
 
Enquanto profissionais da educação, mas também enquanto cidadãos que desejam ser felizes por meio daquilo que fazem e vivem, podemos fazer das nossas práticas de educação, dentro e fora da sala de aula, o bom encontro que nos há de transformar. E não o mau encontro enganador que muitos desejam que a educação venha a ser. Uma educação contra o ressentimento, contra a tristeza, em nome do conhecimento, da liberdade de ser e estar, da arte, de nossa exuberância criativa, é isso o que desejamos e aquilo pelo que temos que lutar no cenário sombrio de nossa época.
 
 
Márcia Tiburi

Pica-flor

A uma freira que satirizando a delgada fisionomia do poeta lhe chamou "Pica-Flor".


Se Pica-Flor me chamais,
Pica-Flor aceito ser,
Mas resta agora saber,
Se no nome que me dais,
Meteia a flor que guardais
No passarinho melhor!
Se me dais este favor,
Sendo só de mim o Pica,
E o mais vosso, claro fica,
Que fico então Pica-Flor.


Gregório de Matos Guerra


segunda-feira, 28 de outubro de 2013


Cuecas e calcinha a prova de odores

A empresa britânica Shreddies está experimentando uma explosão no seu negócio após o lançamento de uma linha de cuecas e calcinhas destinada a filtrar os odores da flatulência. O segredo é um filtro de algodão e carbono instalado na parte posterior da peça íntima.
 
"Os americanos são os maiores compradores até agora", disse Ianthe Betts-Clarke, porta-voz da companhia, ao "Huffington Post".

A Shreddies aumentou o seu volume de vendas em 400%
desde o lançamento dos produtos, poucos dias atrás.

As cuecas custam entre R$ 86 e R$ 99
. As calcinhas são vendidas por R$ 68 e R$ 75.
Pescado do face da amiga Marcia Almeida

Relembrando o velho Cine Lux


Uso diário de aspirina é arriscado para pessoas saudáveis, diz estudo

Serviço Nacional de Saúde britânico afirma que é preciso ter mais dados sobre benefícios antes de fazer uso contínuo do remédio.
 
Uma das mais amplas análises já feitas sobre o assunto, encomendada pelo Serviço Nacional de Saúde britânico (National Health Service - NHS), aconselha que pessoas saudáveis não usem aspirina para evitar ataques cardíacos ou câncer.
 
O levantamento, realizado pelo setor de pesquisas do NHS, afirma que o remédio não deve ser consumido em doses diárias até que sejam levantadas mais provas de seus benefícios.
 
A aspirina faz com que o sangue fique menos espesso e, por isso, reduz as chances de formação de coágulos que podem causar um ataque cardíaco ou derrame.
 
Já foram feitas até pesquisas que sugerem que o remédio pode diminuir o risco de alguns tipos de câncer, o que levou a discussões sobre as possíveis vantagens do uso de aspirinas por pessoas saudáveis.
 
Diante de novos questionamentos sobre o assunto, o NHS pediu a uma equipe da Universidade de Medicina de Warwik que avaliasse estudos sobre os efeitos do medicamento.
 
Segundo os pesquisadores, dar aspirina a todos para evitar ataques cardíacos e derrames "causaria danos, devido ao aumento do potencial de sangramentos".
 
Quanto à prevenção do câncer, os pesquisadores avaliam que as provas não são fortes o suficiente para que se chegue a uma conclusão, mas os testes com aspirina feitos atualmente darão resultados mais claros nos próximos cinco anos.
"Os riscos estão em um equilíbrio delicado e, no momento, não há provas para aconselhar as pessoas a tomar (o remédio)", diz Aileen Clarke, que liderou a análise na Universidade de Medicina de Warwik.
 
"Seria ótimo falar que pessoas acima dos 50 anos devem tomar uma aspirina por dia e terão menos casos de câncer, mas a pesquisa ainda não foi concluída e devemos ser cautelosos."
 
"Temos que ser extremamente cuidadosos com a promoção em excesso da aspirina", acrescentou a pesquisadora.

 
Fonte: G1

domingo, 27 de outubro de 2013

Charge

Radialista pombalense vai receber medalha "honra ao mérito" da Assembléia Legislativa da Paraíba

Após seis anos de tramitação na Assembleia Legislativa, no próximo dia 7 de novembro, em sessão especial, o Parlamento deverá entregar ao radialista Clemildo Brunet de Sá, a medalha de Honra ao Mérito Jornalístico Assis Chateaubriand,uma propositura do ex-deputado Dr. Verissinho, aprovada por unanimidade, em novembro de 2007.

Mas em 2010, Clemido Foi agraciado e recebeu a medalha Epitácio Pessoa, a mais importante do Legislativo, propositura do ex-deputado Dinaldo Wanderley, isso no dia 10 de junho. Agora, seis anos depois, a AL vai entregar a primeira honraria ao radialista Clemildo Brunet, um dos precursores da radiofonia no município de Pombal e região.
 
Inspirador e formador de dezenas de jornalistas e radialistas com destaque na mídia paraibana, Clemildo se destaca, ainda hoje, como uma referência do rádio paraibano. Suas ações precursoras e empreendedoras no final dos anos 1960 e início da década seguinte são consideradas inovadoras sob o ponto de vista da linguagem radiofônica, numa simples difusora – o Lord Amplificador. A partir desse ponto de difusão, Clemildo inspirou e influiu na formação de futuros jornalistas e radialistas e hoje alguns com funções acadêmicas.
 
A entrega dessa primeira honraria a um dos ícones do rádio paraibano, é do presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia, deputado Janduhy Carneiro.
 
Jornalistas e intelectuais, como Carlos Abrantes, Otacílio Trajano, Paulo Abrantes, além de destacadas personalidades pombalenses, já confirmaram presenças no evento, que vai ocorrer no dia 7 de novembro Dia do Radialista no plenário da Assembleia legislativa da Paraíba.

 
 
João Costa – Jornalista. 

Párias europeus: ciganos enfrentam pobreza, preconceito e perseguição

Há três meses, a romena Giulia Ilinca, de 26 anos, foi recepcionada na França por sua irmã, que já morava há dois anos no acampamento de ciganos em Ivry-sur-Seine, no subúrbio de Paris.
 
— Cheguei aqui e desatei a chorar sem parar. Perguntava para a minha irmã como ela podia viver neste lugar há tanto tempo. Ela me dizia: “Você acaba se acostumando”. E é verdade, de uma certa forma, você se habitua — diz.
 
Cerca de 300 romenos, adultos e crianças, ciganos em sua grande maioria, estão alojados em condições precárias num terreno abandonado na rua Truillot, pertencente à Assistência Pública dos Hospitais de Paris (AP-HP). Corpulentas ratazanas transitam sem cerimônia em plena luz do dia no solo lamacento, em meio às cabanas improvisadas e às brincadeiras das crianças.
 
 
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Fernando Eichemberg, O Globo

Rilke na aula

           Trabalhando com as "Cartas a um jovem poeta", de Rainer Maria Rilke, em uma oficina literária, deparo com um trecho que me chama especial atenção. Um trecho que me ajuda e me ampara. Trata-se de uma crítica ao pensamento crítico que, segundo Rilke, deveria ser substituído pelos escritores pelo "amor". Essas reflexões, quase sempre, provocam um susto nos alunos. Motivo pelo qual a elas retorno aqui.

        Diz Rilke a seu jovem poeta, Franz Kappus, em palavras bastante duras: "Obras de arte são de uma solidão infinita, e nada pode passar tão longe de alcançá-las quanto a crítica". A crítica (a teoria), de fato, pode _ pode _ se transformar em inimiga de um escritor. Pode paralisá-lo. Pode impedi-lo de pensar. Pode atacar sua espontaneidade e danificar seu caminho pessoal.

        Prossegue Rilke: "Apenas o amor pode compreendê-las, conservá-las e ser justo em relação a elas". A relação que um leitor tem com um livro, o poeta tem razão, passa por uma via afetiva. Ou o livro o "toca", ou o repugna _ ou a ele se sente indiferente e o larga pelo meio. Pois bem: o autor é o primeiro leitor de si mesmo. Deve, portanto, emprestar atenção a esses fatores afetivos. Deve, sobretudo, valorizá-los.  Observá-los e nunca deixá-los de lado como se fossem uma "bobagem sentimental".

        Com um juiz rigoroso dentro de si, um escritor pode não conseguir avançar. Ou, pior ainda, pode simplesmente destruir o que tem de bom e ficar assim paralisado. Tornar-se pedra. Pode destruir uma vocação. Por isso, sugere ainda Rilke: "Dê razão sempre a si mesmo e a seu sentimento, diante de qualquer discussão, debate e introdução; se o senhor estiver errado, o crescimento natural de sua vida íntima o levará lentamente, com o tempo, a outros conhecimentos".

         Significa, até onde eu posso entender: um escritor (um poeta) deve ter paciência consigo mesmo, inclusive com seus defeitos. Deve saber esperar a hora em que conseguirá distinguir, por si mesmo, seus acertos de seus erros. E mais: a hora em que conseguirá, enfim, preferir os erros! Deve ser, em resumo, o único juiz de si mesmo. "Algo que, como todo avanço, precisa vir de dentro, e não pode ser forçado, nem apressado por nada", Rilke insiste. "Tudo está em deixar amadurecer e então dar à luz".

          Em minhas oficinas literárias, vejo muitos alunos que lutam ferozmente para ser isso ou aquilo. Para espelhar-se, ou ao contrário evitar, este ou aquele caminho. São alunos impacientes, que encaram a escrita como um cãozinho amestrado que segue as ordens de seu dono. Esses pobres cãezinhos, muitas vezes, perdem toda a alegria. Lutam "para agradar" e não "para ser", e por isso se parecem menos com animais e mais como
máquinas, ou fantoches. 

         Prossegue ainda Rilke: "Ser artista significa: não calcular nem contar; amadurecer como uma árvore que não apressa a sua seiva e permanece confiante durante as tempestades de primavera, sem o temor de que o verão não possa vir depois". Melhor a árvore _ que não se domestica e cresce e se amplia indiferente a essas exigências _ do que o cãozinho, que pode ser adestrar demais, até se humanizar demais, e fugir de si mesmo. Bela a imagem da árvore, que cresce paciente, lentamente, buscando apenas matar sua fome com o sol. Buscando a luz _ aquela que corresponde ao que ela necessita, e não ao que os outros necessitam.

        Difícil explicar isso a muitos alunos. Difícil levá-los a entender que não adianta forçar as coisas e que mais importante do que acertar, ou "escrever bem", é chegar a si. Cair em si. Por isso sempre funciona muito bem trabalhar as cartas de Rilke Kappus nas oficinas literárias. Elas devolvem meus alunos a si mesmo. E eu, como "mestre", o que faço então? Apenas facilito esse encontro, oferecendo-me como ponte, e mais nada. O que é o máximo que posso fazer. E, quando chego a fazer, já é muita coisa.  
 
 
Jose Castello
 
 
 
Sugestão de postagem do amigo Adauto Neto

A malvada pinga


Época de ouro

Não é qualquer literatura que permite exaltar numa semana um poeta como Vinicius de Moraes e, na outra, um cronista como Fernando Sabino. Agora, em outubro, o primeiro faria 100 anos e o segundo, 90.
 
Houve uma época — de ouro — em que se podia esbarrar com os dois numa mesma noite num bar da cidade ou na cobertura de Rubem Braga, outro cujo centenário acaba de ser comemorado.
 
Há pouco participei em Belo Horizonte de uma mesa em que a cantora Verônica Sabino contou divertidas histórias do pai, que criou tantas sobre o dia a dia que às vezes o cotidiano parece inspirar-se nele. Há casos que a gente ouve e diz: “Isso é coisa do Fernando Sabino.”
 
Estou me lembrando de uma cena que parece ter saído de uma crônica do criador de “O homem nu”. Aconteceu no seu enterro, o mais demorado de que se tem memória no São João Batista. Esbaforido, o jovem repórter chega atrasado e sem saber muito bem quem é o morto e muito menos quem são os amigos a entrevistar, pergunta:
 
— E onde eu posso encontrar o Hélio Pellegrino?
 
— Aqui mesmo — respondeu o informante, apontando para as sepulturas. O psicanalista estava morto havia 16 anos.
 
Além dos debates, uma exposição organizada pelo filho Bernardo em forma de um labirinto de painéis de fotos e frases possibilitava mergulhar no universo do autor de “Encontro marcado”, o emblemático romance de várias gerações. Ele aparece em várias fases da vida.
 
Aqui, com Jorge Amado ou com Louis Armstrong, ali tocando bateria ou numa praia do Rio (aliás, espera-se que a mostra venha para cá, já que Fernando foi o mais carioca dos cronistas mineiros).
 
Nos textos, uma síntese de suas ideias e opiniões: “O otimista erra tanto quanto o pessimista, mas não sofre por antecipação.” “No fim tudo dá certo, e se não deu certo é porque não chegou ao fim.” “Não confio em produto local; sempre que viajo, levo meu uísque e minha mulher.” “Ser mineiro é não dizer o que faz, nem o que vai fazer; é fingir que não sabe aquilo que sabe; é falar pouco e escutar muito, é passar por bobo e ser inteligente.”
 
Há uma que soa como um projeto de vida: “Antes de mais nada, fica estabelecido que ninguém vai tirar meu bom humor.” Gozador, Fernando gostava de passar trotes e implicar com os amigos.
 
De Vinicius de Moraes, por ter se bandeado para a música popular, ele dizia: “Quem fez o Soneto de Fidelidade não pode ficar escrevendo ‘Vai, vai, vai, vai/ Não vou/ Vai vai, vai, vai,/ não vou’.” Também parodiava o poeta da paixão, fazendo uma substituição. Em vez de “infinito enquanto dure”, ele dizia que o amor só é infinito “enquanto duro”.
 
Esse lado irreverente, brincalhão, meio infantil, essa recusa de se levar a sério talvez seja o melhor retrato daquele que escolheu como epitáfio: “Aqui jaz Fernando Sabino, que nasceu homem e morreu menino.”

 
Zuenir Ventura é jornalista,

Ainda bem - Marisa Monte


sábado, 26 de outubro de 2013

Versiculos do dia

Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele.

Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes.

Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína.

Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.
"Respiro devagar, estou unida ao mundo pela boca. O hálito é um sopro, o sopro do vento. Partilho-o com o vasto horizonte em volta, faço parte dele como ele de mim."
 
(Teolinda Gersão)

Humor

Bélgica pode aprovar eutanásia para crianças e adolescentes

O Senado da Bélgica (foto abaixo) entra na reta final do debate sobre a legalização da eutanásia para menores de 18 anos. A polêmica prática, que tem amparo da lei em poucos locais, é permitida para adultos desde 2002 no país. Também está em discussão, mas com menos força, a adoção do procedimento para pacientes de Mal de Alzheimer.
 
Apesar de controversa, a eutanásia para menores de idade tem apoio de 74% da população, segundo pesquisa divulgada pelo jornal “La Libre Belgique”. No caso dos pacientes de Alzheimer, o percentual sobe para 79%. Em paralelo ao debate, o país bateu seu recorde de mortes assistidas, com 1.432 casos em 2012 - 1% de todos os óbitos em território belga no ano passado. Em 2011, foram 1.133 casos de eutanásia. No momento, a prática é permitida para pacientes adultos que convivam com um sofrimento físico ou psicológico que não pode ser tratado.
 
Leia mais clicando aqui
 
O Globo

Cortina de ouro

Em uma noite morreram 359 pessoas tentando atravessar o Mediterrâneo, de países pobres para ricos. Estima-se que 280 morrem, em um único ano, tentando atravessar a fronteira entre a América Latina e os Estados Unidos, contra 809 que morreram tentando pular o muro de Berlim em todos os 28 anos de sua história.
 
O número de mortes é muito maior se considerarmos milhões que morrem por não terem dinheiro para saltar os muros dos bons hospitais em busca de atendimento médico com qualidade.

O mundo derrubou a Cortina de Ferro, separando a escassez nos países socialistas dos benefícios nos capitalistas, e construiu uma Cortina de Ouro, que serpenteia o planeta por dentro de cada país, separando as necessidades dos pobres dos privilégios dos ricos.

O que aconteceu à margem da Ilha de Lampedusa chamou atenção pelo tamanho da barbaridade concentrada em uma noite sobre emigrantes tentando sair da pobreza da África para a riqueza da Itália.

Mas todos os dias morrem muito mais pessoas por não conseguirem saltar os muros que fazem parte da Cortina de Ouro, que cercam as boas escolas para impedir que nelas entrem crianças de famílias de baixa renda.

De um lado do muro, uma famosa foto mostra o edifício de apartamentos de luxo no bairro Higienópolis de São Paulo e, no outro, uma favela chamada Paraisópolis.

A escada que permitiria o salto de um lado para o outro seria colocar as crianças dos dois lados em escolas com a mesma qualidade.

Mas a Cortina de Ouro está sendo consolidada entre países, por muralhas ou polícia de fronteira; e, dentro de cada país, visíveis ou não, pelos muros de shopping-centers, escolas, hospitais e condomínios. Mas, em vez de espalhar os benefícios construídos pela modernidade, a civilização parece estar preferindo fazer uma humanidade dividida. O Brasil é um exemplo. Somos um país dividido, com a população separada por uma Cortina de Ouro.

A tarefa dos abolicionistas foi derrubar, por meio de uma lei, o muro que separa escravos-negros de livres-brancos. A Cortina de Ferro foi derrubada pelos martelos nas mãos dos moradores de Berlim Oriental.

A derrubada da Cortina de Ouro só será possível com leis que assegurem ao professor brasileiro ser tratado com o reconhecimento máximo.

Mas parece que estamos longe disso. Talvez não seja coincidência que, no mês em que morrem africanos fugindo para a Itália, nas vésperas do Dia do Professor, tenhamos mestres em greve no Brasil, em busca de pequenos aumentos salariais. Alguns deles sendo vítimas de violência policial.

Ao cometer o crime de depredar bens públicos ou privados, os manifestantes, ao lado dos professores, estão provavelmente sem saber e por caminhos errados lutando para derrubar a Cortina de Ouro, como os berlinenses fizeram com a cortina de ferro.



Cristovam Buarque é senador (PDT-DF).

Tem gente que vê sexo em tudo


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Sem a música, a vida seria um erro.
 
Friedrich Nietzsche

Soube que vocês não querem aprender

Soube que vocês nada querem aprender
Então devo concluir que são milionários.
Seu futuro está garantido – á sua frente
Iluminado. Seus pais
Cuidaram para que seus pés
Não topassem com nenhuma pedra. Neste caso
Vocês nada precisam aprender. Assim como estão
Podem ficar.



Havendo dificuldades, pois os tempos
Como ouvi dizer, são incertos
Vocês têm seus líderes, que lhes dizem exatamente
O que têm a fazer para que fiquem bem.
Eles leram aqueles que sabem
As verdades válidas para todos os tempos
E as receitas que sempre funcionam.
Onde há tantos a seu favor
Vocês não precisam levantar um dedo.
Sem dúvida, porém, se fosse diferente
Vocês teriam muito o que aprender.




Eugen Berthold Friedrich Brech, ou Bertolt Brecht (Augsburg, Alemanha, 10 de fevereiro de 1898 - Berlim, Alemanha, 14 de agosto de 1956) - Além de poeta, foi um dos mais influentes dramaturgos e encenadores do século XX. Seu trabalho contribuiu profundamente com o teatro moderno que é estudado e montado até hoje. Criou e dirigiu o grupo mundialmente conhecido Berliner Ensemble. As traduções dos poemas foram feitas por Paulo César de Souza

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso

Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)

E talvez de meu repouso...
 
 
Mario Quintana
O amor é o objetivo último de quase toda preocupação humana; é por isso que ele influencia nos assuntos mais relevantes, interrompe as tarefas mais sérias e por vezes desorienta as cabeças mais geniais.
 
 

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O papel não morreu


Comercial francês muito bem bolado
"Há homens que têm patroa.
Há homens que têm mulher.
E há mulheres que escolhem o que querem ser.”
 
 

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Estudar muito deixa você deprimido

Tudo na vida tem limites. Até estudar. Palavra da ciência.
 
Um grupo de sociólogos da Bélgica entrevistou 16,6 mil trabalhadores, entre 25 e 60 anos, em 21 países europeus. Eles queriam saber o grau de educação de cada um – e o nível de depressão. E, olha só, quem havia passado muuuitos anos na faculdade, atrás de títulos de pós-graduação, MBA, mestrado (…) tendia a mostrar mais sinais de depressão.
 
O problema, segundo a pesquisa, é que eles se matam de estudar, aprendem uma porção de coisas, mas não têm como usar esse conhecimento todo no trabalho. Ou seja, tudo parece muito fácil, sem grandes desafios.
 
Gostou da desculpa? Corre lá e avisa seus pais. Só não leve isso muito a sério… ou você vai ficar deprimido por não conseguir um bom emprego.
 
(Aliás, em tempo: outras pesquisas indicam que pessoas sem grandes oportunidades de estudo também correm grandes riscos de entrar em depressão. Por motivos óbvios).
 
 
Fonte: Superinteressante

Testamento: Toquinho e Vinicíus de Morais


FRANGO AO WHISKY.... !!! Delicia ... !!

Ingredientes:
- UM FRANGO DE MAIS OU MENOS 2KG
- 1KG DE BATATAS
- 500ML DE AZEITE EXTRA VIRGEM
- CHEIRO VERDE E PIMENTA À GOSTO
Modo de Preparo:
- GRATINE ÀS BATATAS
- BEBA UMA DOSE DE WHISKY...
- TEMPERE O FRANGO COM CHEIRO VERDE, PIMENTA E O AZEITE
- TOME MAIS DUAS DOSES DE WHISKY
- JUNTE ÀS BAATATASS NO FRANGO E LEVE AO FORNO
- TOMA OOOOOUTRA DOSE DE UISSSKI
- ACOMPANHE VISUALMENTE O PATO
- QUER DIZER O VRANGO PRA NUM QUEIMÁ
- MAIS UMA DOSE DE UVISKE
- DEIXA ELE NO VORNO UMAS 04 HORAS BRA ELE ZI VUDÊ DE CALOR E BEBE O VISKE NA GAAAARRAAAAVA MEMO
- TIRA O BICHO DAQUELA POOORRRA DE VORNO
- PEGA O VRANGO QUE CAIU NO JÃO E LIMPA GAMISA MEMO
- BEBE MAIS UMA
- DESLIGA A BÓÓÓÓSTA DO VOGÃO, GARAIO!
- ZI VODA QUE QUEIMO, CE NEM GOSSTA MUITO DESSSTA PORRRA DE BATO
- LEVANTA A CARÇA QUE TÁ NO MEIO DA BUNDA.
- PEGA O QUE ZOBRO DO VISKI, LIGA A TEVESISÃO, DEITA NO ZOFÁ E DORMI....kkkkkkkkkkk
Inté!

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Fonoaudiólogo pombalense desenvolve software que identifica câncer a partir da voz

Dr. Leonardo Lopes é filho do médico pombalense Ugo Ugulino Lopes
 
Um fonoaudiólogo da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) desenvolveu, em parceria com engenheiros elétricos do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia (IFPB), um software capaz de identificar, com até 90% de precisão, disfunções na voz. O trabalho “Análise da Dinâmica Não Linear de Vozes Infantis: Nova Proposta de Avaliação e Monitoramento Vocal”, coordenado pelo professor e fonoaudiólogo Leonardo Wanderley Lopes, recebeu menção honrosa no 21º Congresso de Fonoaudiologia, que aconteceu de 22 a 25 de setembro, em Porto de Galinhas.
 
A pesquisa foi realizada com crianças de 3 a 10 anos de idade. Através de um simples exame da voz é possível saber se a criança possui alguma disfunção vocal. As vozes das crianças foram gravadas em um programa de computador que, ao processar os sinais digitais, mostra se aquela voz apresenta ou não alterações. “O programa funciona como uma triagem, mostrando quem está em risco e quem não está. Se for identificada uma alteração na voz é necessário fazer exames mais completos, como a laringoscopia, para descobrir qual é o problema”, explicou Leonardo.
 
O programa serve para pessoas de todas as idades de acordo com o fonoaudiólogo, a pesquisa com crianças foi apenas o começo. “Agora estamos gravando vozes de adultos, e depois devemos começar o trabalho com idosos também”, disse ele. O próximo passo é criar um banco de dados com vozes alteradas por diversas patologias. O banco vai servir como parâmetro de comparação, assim, quando uma voz for inserida no programa, ela vai ser comparada com vozes de diversas patologias para ver se tem alguma que combine.
 
“Será possível dizer se aquele distúrbio está relacionado a um nódulo, um cisto, um edema, ou até mesmo um tumor maligno. A pesquisa ainda está em desenvolvimento, mas temos conseguido ótimos resultados”, contou a professora do curso de Engenharia Elétrica do IFPB, Silvana Costa. Além dela, também participaram da construção do programa os professores Washington Costa e Suzete Correia, e o aluno de mestrado Vinícius Jefferson Vieira, todos do curso de Engenharia Elétrica. Eles são responsáveis pela parte mais técnica do projeto.
 
O trabalho dos professores deu origem a diversas publicações, como no XXXI Simpósio Brasileiro de Telecomunicações (SBrT), que aconteceu em Fortaleza de 1º a 4 de setembro. A pesquisa também foi apresentada no Congresso Brasileiro de Inteligência Computacional, realizado de 8 a 11 de setembro em Porto de Galinhas.
 
Vantagens

 
O fonoaudiólogo Leonardo Lopes lembrou, no entanto, que o programa não deve substituir outros exames, como a laringoscopia, que é mais invasiva, porém mais completa. “O programa é um auxílio na hora do diagnóstico. Se a pessoa apresentar alguma alteração certamente vai precisar fazer mais exames, mas se não, qualquer outro exame é desnecessário”, explicou.
 
Outra vantagem do projeto, é que o programa poderá levar diagnóstico para pessoas que não têm oportunidade de fazer nenhum tipo de exame de voz. “Em uma cidade do interior, por exemplo, que às vezes não tem os equipamentos adequados para exames, a voz da pessoa pode ser gravada e enviada para cá, onde será processada pelo programa. A partir do resultado dá para definir se será necessário a pessoa procurar uma assistência pessoalmente ou não”, disse Leonardo.
 
De acordo com Leonardo, um laringoscópio, aparelho que realiza o exame que mostra detalhadamente a situação da laringe, custa entre R$40mil e R$50mil. Pela rede SUS é possível realizar o exame no Hospital Edson Ramalho, em João Pessoa. Para pagar o exame, o paciente gastaria de R$150 a R$400 dependendo da clínica.

 
 
Fonte
Jornal Correio da Paraíba
Eu defendo o imaginário como antídoto da crise. Não para a "imaginação no poder", que é o grito dos perversos que aspiram a lei. Mas por uma saturação dos poderes e contrapoderes pelas construções imaginárias: fantasmáticas, ousadas, violentas, críticas, exigentes, tímidas... Fale quem quiser, os ETs viverão. O imaginário vence ali onde o narcisismo esvazia e o paranóico malogra.


Ora, o imaginário é um discurso de transferência: de amor.

Julia Kristeva in Histórias de Amor.


Charge

Sou totalmente favorável a casamentos gays, desde que sejam só entre os políticos do PT Tudo o que venha contribuir para que eles não se reproduzam... é bom para o Brasil e o mundo!
 
Mário Ascenso
"(...) eu não sei se o senhor já viu que a caneta corre no papel assim sem freio. Aí se agente erra e quer arrumar, aí emporcalha tudo. Fica aquela disenteria de tinta. Agora o lápis, não! O Lápis é maravilhoso, porque ele agarra o papel, ele aceita a borracha. Ele obedece a mão e ao pensamento da gente. Aliás, EU SOU UM HOMEM QUE PENSA A LÁPIS".
 

 (Antonio Piá. Narradores de Javé)
 
 
P.S. Pescado do face da Vanessa Spinosa

domingo, 20 de outubro de 2013

Roxette


"(...)porque sou inimiga pessoal da tal ortografia velha coroca que complica a vida da gente com coisas inúteis... Não entendo essas viscondadas, não... Queremos estilo de clara de ovo, bem transparentinho, que não dê trabalho para ser entendido."
 
 
Emília, em A Reforma da Natureza, de Monteiro Lobato

Curiosidade

O sinal tipográfico de arroba já existia antes de virar uma espécie de síntese virtual da internet. Era sinônimo de peso, equivalente a 15 quilos, e veio do árabe ar-rub ("a quarta parte"). Ociosa nas máquinas de escrever, a tecla de @ foi associada aos endereços de e-mail por obra de Ray Tomlinson, da BBN Technologies, em 1971, como forma de separar o nome do usuário do nome do servidor. Em inglês, o sinal pronunciar-se at, que remete ao latim ad, sinônimo de "em", "para".  
 
 
Fonte
Revista Língua Portuguesa
Ano 8. n. 92. pag. 19