domingo, 31 de janeiro de 2010

Formigas doentes preferem ir morrer na solidão


Quando sente que vai morrer, a formiga abandona o formigueiro. Passa os últimos momentos na solidão.

Quase tão inesperado quanto o comportamento dos animais é o dos cientistas alemães responsáveis pela descoberta. O trabalho deles é passar o dia acompanhando um "Big Brother Formiga" e, depois, procurar explicar as atitudes dos animais.

O responsável pelo estudo é Jürgen Heinze, da Universidade de Regensburg (Alemanha), uma espécie de Pedro Bial do formigueiro. No caso das formigas moribundas solitárias, a explicação que ele propõe parte da ideia de que quase ninguém, na natureza, morre de velho.

Grandes grupos de seres idosos são uma anomalia histórica criada recentemente pelos humanos. Na vida selvagem, morre-se muito antes de envelhecer. Em geral, a razão é alguma doença, muitas delas transmissíveis. Imagine quantas vezes você já teria ficado à beira da morte se, como as formigas, não tivesse acesso à medicina.

A questão é que sociedades são o cenário perfeito para que doenças transmissíveis se espalhem. Como formigas são seres que vivem em complexas sociedades, afastar-se durante a doença é uma maneira muito eficiente de evitar que mais animais se contaminem no formigueiro. Em termos evolutivos, formigas que tinham esse comportamento beneficiavam a sobrevivência de toda a comunidade e, assim, de vários dos seus próprios genes.

Os cientistas não observaram as formigas doentes sendo atacadas por outras ou forçadas a abandonar os formigueiros. Elas simplesmente iam embora por "vontade" própria.

O trabalho foi feito com uma espécie em particular de formiga (a Temnothorax unifasciatus), mas os cientistas acreditam que encontrariam o mesmo altruísmo em outras espécies com a mesma estrutura de sociedade (leia mais ao lado), como abelhas ou vespas.

Espiadinha


Os cientistas retiraram os formigueiros de seus lugares de origem, no meio do mato, e os levaram para o laboratório. Eles foram delicadamente colocados em caixas de plástico, que facilitavam a observação de cada um dos animais.

"Foi algo bem fácil de fazer. Nós simplesmente sentamos em um microscópio e vemos o que está acontecendo. As colônias de T. unifasciatus [a espécie de formiga utilizada] são bastante pequenas, então, de poucos em poucos minutos, é possível rastrear o estado comportamental de todas as formigas", diz Heinze.

Foram vários os experimentos, que serão publicados na revista "Current Biology". Em um, os pesquisadores infectavam algumas formigas com fungos fatais e marcavam os animais destinados à morte com arame. Em outro, observavam formigas que morriam sozinhas, sem interferência humana. Em ambos os casos, os animais iam, salvo raras exceções, morrer no exílio.

Para Heinze, ainda há muito a pesquisar sobre as formigas, como o seu comportamento de acasalamento e os meios de resolução de conflitos, que podem acabar em lutas fatais.


Fonte: bol
http://noticias.bol.uol.com.br/ciencia/2010/01/30/formigas-doentes-preferem-ir-morrer-na-solidao.jhtm


Houve um tempo em que os jovens dançavam agarradinhos. Isso parece estranho hoje mas foi assim um dia. Na nossa cidadezinha do interior, acorríamos todos em direção da AEUP, sem grana, sem carro, sem documento, sem nada, estudantes provincianos apenas.

Na época, ainda resistia o costume do rapaz tirar uma bela garota para dançar (hoje parece que é o contrário) ao som de "No more boleros" (com Gerard Joling), sob o testemunho do céu estrelado pela luz negra da velha boate universitária de Pombal-PB.

A cidade inteira dormia e íamos a madrugada a dentro, quase sempre em companhia uma senhorita de singular beleza.

O dilúvio de São Paulo

Foto: Felipe Araújo /Agência Estado/G1

Segundo dados registrados pelo Inmet, durante todo o mês de janeiro/2010 a cidade de São Paulo acumulava (até ontem) a medição de 480,5mm de chuva. O maior registro pluviométrico de sua história ocorrido no mês de janeiro foi em 1947, com 481,4 mm.

Mobilização anti-Brasil ecoa no Haiti após terremoto

Acuada e radicalizada, uma franja da sociedade haitiana aproveita o caos pós-terremoto para aumentar o volume de uma demanda que completa seis anos: brasileiros, voltem para casa! São na maioria simpatizantes do ex-presidente Jean-Bertrand Aristide, deposto em 2004 por uma ação norte-americana (para a qual a ONU fez vistas grossas) e hoje exilado na África do Sul.

Vivem em bairros miseráveis de Porto Príncipe, como Cité Soleil e Bel Air, onde Aristide aparece em grafites nos muros ao lado de Bob Marley e Martin Luther King. "Aristide construiu tudo por aqui, e os brasileiros destruíram", disse um homem que se identificou apenas como Jean, tomando cerveja e fumando maconha às 10h numa rua em ruínas em Bel Air. A seu lado, outro que se apresentou como "Matador" disse que os brasileiros não têm o que fazer no país. "Eles nunca construíram nem um banheiro aqui", queixou-se.

Muitas pessoas na região nutrem ressentimento pelas operações de "pacificação" conduzidas pelos militares do Brasil entre 2004 e 2007, que desarmaram gangues pró-Aristide após duros combates. "Eles [os soldados brasileiros] não são nossos amigos. Eles matam nosso povo", diz Vanel Louis Paul, dirigente do Massa Popular, uma agremiação de base pró-Aristide que tem sede na gigantesca favela de Cité Soleil, a maior de Porto Príncipe.

Emile Wilnes, integrante do mesmo grupo e membro do conselho da Fundação Aristide, ONG assistencialista mantida por aliados do ex-presidente, diz que hoje o Brasil é um dos responsáveis por dificultar o retorno de seu líder do exílio. "Nós achávamos que [Luiz Inácio Lula da Silva] fosse um democrata. Mas hoje, vendo o que aconteceu aqui, não achamos mais", declara ele.

Ao longo de dez dias em Porto Príncipe, a Folha percebeu bem mais demonstrações de apreço aos brasileiros entre a população do que o contrário. O Brasil lidera militarmente a Minustah, a força de paz da ONU, que em geral é bem aceita pelos haitianos.

Mas a franja radicalizada existe e é atuante, não apenas nas favelas, mas também no movimento estudantil. O pior cenário para o Brasil seria o de uma aliança entre as massas empobrecidas das favelas e essa elite politizada. "Não deixamos de acompanhar atentamente e com preocupação a atuação dos partidários de Aristide, mesmo com a situação de fraqueza deles", diz o coronel Alan Santos, chefe da comunicação social do batalhão brasileiro da Minustah.

Marcha anual

Todos os anos, em 28 de fevereiro (aniversário da queda de Aristide), pelo menos 5.000 pessoas marcham pelas ruas de Porto Príncipe para lembrar o que qualificam como um golpe de Estado. Pichações pedindo a saída da Minustah são poucas, mas visíveis em alguns muros do centro da capital.

Nunca houve violência nessas manifestações, pelo próprio fato de que as gangues ligadas ao ex-presidente foram desarmadas, e seus líderes, presos. Mas cerca de 5.500 ex-integrantes desses grupos paramilitares escaparam da prisão no terremoto e estão à solta.

Aristide quer voltar ao Haiti e promete nunca mais concorrer à Presidência. Não há no Haiti pesquisas sobre a popularidade de seu partido, o Família Lavalas, mas é certo que continua forte nos principais bolsões de pobreza do país. "Estamos no país todo. O nosso é o partido da maioria", disse à Folha a presidente do partido e principal representante de Aristide no Haiti, Maryse Narcisse.

Ex-ministra no governo do presidente deposto, Narcisse é mais diplomática ao falar dos brasileiros. Pede claramente, no entanto, um cronograma para a saída das tropas estrangeiras, algo que a ONU já disse que só acontecerá daqui a "muitos anos".

"Não podemos achar que a Minustah vai ficar aqui para sempre. Está na hora de sabermos quando seu trabalho vai terminar", diz ela. "Precisamos de solidariedade internacional, mas tem que haver dignidade para nós."

Divisão

A resposta dada pela Minustah, Brasil à frente, ao terremoto serviu para aumentar o golfo entre os que defendem e os que se opõem à presença estrangeira no Haiti. Aplausos e polegares levantados em sinal de positivo costumam saudar brasileiros em operações de distribuição de alimentos. Mas quem é contra não se convence.

"A Minustah não tem sido capaz de responder de maneira adequada ao terremoto. Minha impressão é que as tropas não sabem bem o que fazer", diz Narcisse.


FÁBIO ZANINI
enviado especial da Folha de S.Paulo a Porto Príncipe

sábado, 30 de janeiro de 2010

Resgate Culinário III - Pão com Creme

Vir ao sertão e não provar do nosso famoso pão com creme é como ir a Roma e não ver o Papa. A união de sabores entre o pão francês e o creme de leite de vaca é algo de dar água na boca de qualquer caboclo. Muito apreciado no lanche das tardes das cidades do interior da Paraíba, o pão com creme é facilmente encontrado em mercearias e fiteiros e dificilmente se encontra nas grandes cidades.

Em Pombal-PB, o mais famoso é o de "Toinho da Bodega", mas tem ainda o da "Bodega do Firme" e o da padaria da "Neta".

Para quem quer se aventurar no mundo gastronómico do interior, pode tentar fazer o seu próprio "creme", para isso basta seguir a receita abaixo:

Ingredientes:
3 litros de leite de vaca in natura
Sal

Modo de preparar:
Deixe o leite de vaca in natura em repouso até o surgimento de uma camada de nata em sua superfície. Em seguida retire a nata do leite, ponha sal a gosto e bata bastante até a nata se transformar em uma consistência pastosa.

De preferência, não conservar em geladeira.

Sirva como manteiga no pão francês (quentinho). Como acompanhamento é bem vindo um café fresco ou suco bem gelado.

Mas o bom mesmo é acompanhá-lo com o velho ki-suco gelado em garrafinhas.

Caso precise de um gourmet para atestar a receita, sinta-se a vontade em convidar-me.

A morte do vaqueiro - Luiz Gonzaga


"(...)Fabiano se orgulha de vencer as dificuldades tal qual um bicho. Agora ele era um vaqueiro, apesar de não ter um lugar próprio para morar. A fazenda aparentemente abandonada tinha um dono, que logo aparecera e reclamara a posse do local. A solução foi ficar por ali mesmo, servindo ao patrão, tomando conta do local. Na verdade, era uma situação triste, típica de quem não tem nada e vive errante. Sentiu-se novamente um animal, agora com uma conotação negativa. Pouco falava, admirava e tentava imitar a fala difícil das pessoas da cidade. Era um bicho."

(Vidas Secas - Graciliano Ramos)

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Agente funerário abre caixão para pegar relógio e vê que ‘morto’ estava vivo

Polonês Dario Wysluchato notou que Josef Guzy ainda tinha pulso.

Após algumas semanas de tratamento, Guzy recebeu alta do hospital.

O agente funerário polonês Dario Wysluchato levou um susto em Katowice, na Polônia, ao abrir o caixão e descobrir que um homem de 76 anos que seria enterrado estava vivo, segundo o jornal inglês "Daily Mail".

Wysłuchato estava prestes a selar a tampa do caixão quando a mulher do suposto morto, Ludmila, pediu para ele retirar o relógio. Mas, ao tentar pegar o objeto, ele tocou na artéria do pescoço do homem e notou que ele tinha pulso.

Segundo o porta-voz do serviço regional de ambulância de Katowice, Jerzy Wisniewski, o apicultor Josef Guzy teve a morte atestada por um médico.

"Não havia sinais de vida quando sua mulher chamou a ambulância. Um médico constatou que o paciente não estava respirando, não tinha batimentos cardíacos e o corpo estava frio, todas as características de morte", disse Wisniewski.

Após o agente funerário descobrir que o homem estava vivo, Guzy foi levado às pressas para um hospital e recebeu alta depois de algumas semanas de tratamento. Ele disse que é extremamente grato a Wysluchato.


Do G1 em São Paulo

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A lição dos gansos


" Quando um ganso bate as asas, cria um vácuo para o pássaro seguinte voando na formação "V", o bando inteiro tem um desempenho 71% melhor do que se a ave estivesse voando sozinha."


Lição 1 - É preciso acontecer um revezamento das tarefas pesadas e dividir a liderança. As pessoas, assim como os gansos, são dependentes umas das outras.

"Os gansos de trás, na formação, grasnam para incentivar e encorajar os da frente e aumentar a velocidade."

Lição 2 - Se tivermos tanta sensibilidade quanto um ganso, nós permaneceremos em formação com aqueles que se dirigem para onde pretendemos ir e nos disporemos a aceitar a sua ajuda, assim como prestar a nossa aos outros.

"Quando o ganso líder se cansa, muda para trás na formação e, imediatamente, outro ganso assume o lugar, voando para a posição de ponta".

Lição 3 - Pessoas que compartilham uma direção comum e senso de comunidade podem atingir seus objetivos mais rápida e facilmente.

"Sempre que um ganso sai da formação, sente subitamente a resistência por tentar voar sozinho. Rapidamente, volta para a formação, aproveitando a "aspiração" da ave imediatamente à sua frente".

Lição final - Quando um ganso fica doente, ferido, ou é abatido, dois gansos saem da formação e seguem-no para ajudá-lo e protegê-lo. Ficam com ele até que esteja apto a voar de novo ou morra. Só assim, eles voltam ao procedimento normal, com outra formação, ou vão atrás.


Texto extraído do Blog: http://facaadiferenca.blogspot.com/

Versículos do dia

O SENHOR empobrece e enriquece; abaixa e também exalta. (1 Samuel 2:7)

E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado. (Mateus 23:12)

Charge - Eramos6

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Reluz - Marcos Sabino



Anos 80. A única boate da cidadezinha do interior da Paraíba agrupava os jovens adolescentes sob a magia das melosas canções de Marcos Sabino.

A AEUP (Associação dos Estudantes Universitários de Pombal-PB) era o nosso porto, território de caça e caçadores.

Nós éramos felizes e sabíamos.

O sono dos inocentes

Tivemos um dia cheio hoje. Brincamos pelo chão, rolamos pelos tapetes, podamos as folhas do quintal, alimentamos as galinhas, patos e perus, realizamos peripécias não programadas (principalmente por mim). Incursões pela casa entre brinquedos, cavalinhos e esconde-esconde.

Ao final da tarde Yan não resistiu ao pesinho dos olhos e acalmou-me o espírito com o sono dos justos e inocentes, ali mesmo, no sofá da sala, onde antes fora palco de nosso mais incontido picadelo.

- Dorme meu filho, dorme!

Tribunais não podem cobrar por certidão de antecedentes criminais

A partir de agora, tribunais de Justiça de todos os estados terão de emitir gratuitamente as certidões de antecedentes criminais. Por unanimidade, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu que a cobrança de taxas para emitir as certidões é irregular.

O CNJ pediu informações sobre a cobrança para os 27 tribunais de Justiça e descobriu que 14 estados não cobravam a taxa, mas outros 13 ainda cobravam. Os valores variavam de R$ 1,00 em Roraima até R$ 76,50 em Mato Grosso. O pedido para que as certidões fossem emitidas de graça foi feito pelo promotor de Justiça André Luis Alves de Melo, de Minas Gerais. O tribunal mineiro cobrava R$ 5,00 para emitir a certidão.

Segundo o relator do processo no CNJ, ministro Ives Gandra Martins Filho, a cobrança fere a Constituição. O ministro explicou que a Constituição Federal garante “a obtenção de certidões, em repartições públicas, para defesa de direitos ou esclarecimento de situações de interesse pessoal, independentemente do pagamento de taxas”.

Ives Gandra também afirmou que o Conselho já decidiu em processo anterior que a cobrança é inconstitucional. Por isso, propôs que o CNJ atribuísse à sua decisão “caráter geral e normativo”. A proposta foi acolhida por todos os conselheiros. Com isso, os tribunais estão proibidos de cobrar qualquer taxa para emitir as certidões.

Confira os estados que ainda cobravam pelo documento:

Roraima: R$ 1,00

Alagoas: R$ 2,20

Bahia: de R$ 2,50 a R$ 3,90

Amazonas: R$ 4,00

Paraná: R$ 4,20 (com acréscimo por folha)

Minas Gerais: R$ 5,00

Espírito Santo: R$ 19,55

Tocantins: R$ 20,00

Goiás: R$ 20,00

Mato Grosso do Sul: R$ 20,94

Rio Grande do Norte: R$ 23,42

Rio de Janeiro: R$ 35,82

Mato Grosso: de R$ 33,00 a R$ 76,50


Fonte: IG

Resgate Culinário II - Bolo de Caco


No sertão, café da manhã que se preze tem que trazer o tradicional e inconfundível sabor do "Bolo de Caco", curiosamente também apelidado de "Orelha de Pau". Uma iguaria que se incorporou a tradição culinária não apenas das famílias mais humildes do sertão mas de todo o Nordeste.

Fácil de fazer e simples em sua composição, o Bolo de Caco, fez e faz, embora hoje em menor escala, parte da vasta cozinha sertaneja, em especial a do homem do campo.

Assim como o Bolo Baeta (outro manjá dos deuses), a Orelha de Pau ainda pode ser encontrada nos tabuleiros espalhados pelas feiras livres e em improvisados cafés que compõem o cenário tipico das cidades interioranas em dia de feira.

Particularmente a minha relação com o Bolo de Caco é de imorredoura paixão antiga. Durante anos aquele bolinho fez parte da minha opção alimentar. D. Mariinha com aquele cuidado e devoção próprio das mães cuidava de preparar alguns para eu saborear na hora do recreio escolar do velho Colégio Josué Bezerra onde cursei todo o primário. Foram anos assim. Todos os dias estavam lá bem guardados na minha lancheirinha de plástico azul em formato de elefante, os bolinhos de caco devidamente arrumado e embrulhados feito tapioca. Esse era o lanche do menino pobre que não trocava a iguaria feita em casa por nenhuma garafa de Coca-Cola, um luxo impensável para minhas parcas finanças naquela época.

Hoje crescido não me divorciei do costume e do sabor do petisco. A difuldade que encontro é de tê-lo de dividir com o meu pequeno Yan de 3 anos que, assim como o pai, se delicia com a Orelha de Pau.

Para os amantes do Bolo de Caco, segue a sua receita:

Igredientes:
2 ovos (de galinha de capoeira)
2 xícaras de leite
1 xícara de farinha de trigo
1/2 xícara de fubá de milho
2 colheres de açucar
1 pitada de sal


Modo de fazer:
Bata todos os ingredientes no liquidificador e asse numa frigideira untada com manteiga da terra.

- Ah, fiquem a vontade para convidar-me a um cafezinho em sua casa, não faço cerimônias em aceitar de pronto.

Se - Djavan

Americana de 136 kg mata namorado de 54 kg ao sentar em cima dele em briga


Casal morava junto em Cleveland, Ohio, e tinha três filhos.

Mia Landingham disse que não teve a intenção de matar.

Segundo a polícia dos EUA, o crime ocorreu em agosto passado.

Durante a briga, Mia sentou em cima de Mikal e acabou matando-o involuntariamente. O casal morava junto e tinha três filhos.

Mia recebeu uma sentença de três anos de liberdade condicional e 100 dias de serviço comunitário. Ela saiu da prisão imediatamente depois do julgamento, na quarta-feira (20).

Seu advogado argumentou que ela havia sido vítima de abuso doméstico durante um bom tempo. Ele pediu clemência à corte e lembrou que a acusada não tinha antecedentes criminais.

Ela disse que não teve intenção de cometer o crime. Mia disse que sentia por ter esmagado o pai de seus filhos.

"Eu só queria dizer que eu sinceramente sinto muito por esta situação", disse à TV local. "Eu queria poder trazê-lo de volta."

Uma irmã da vítima reclamou da sentença. "Você basicamente senta em cima de alguém e mata e fica em liberdade condicional? Isso é justiça?", argumentou.


Do G1, em São Paulo

Gripe A: vacinção começa em março


Vacinação contra nova gripe no Brasil começa em março por agentes de saúde.

O Ministério da Saúde apresentou nesta terça-feira (26) a estratégia nacional de enfrentamento da segunda onda da pandemia de nova gripe no país, que prevê a compra de 83 milhões de doses da vacina para imunizar a população brasileira a partir de março deste ano.

Dados do ministério mostram que o vírus H1N1 matou 1.705 pessoas no Brasil e mais de 14 mil em todo o planeta . Foram registrados no território brasileiro 39.679 casos graves da doença.

Calendário de vacinação

O calendário de vacinação foi dividido em seis grupos prioritários. Trabalhadores de saúde, gestantes, indígenas, população com doenças crônicas de base, crianças saudáveis entre seis meses e dois anos de idade e adultos saudáveis entre 20 e 29 anos de idade . O ministério não recomenda a vacinação para os que não estiverem nesses grupos.

O plano de vacinação vai ser realizado em quatro etapas. Na primeira, que será realizada entre os dias 8 e 19 de março, trabalhadores da rede de atenção à saúde e profissionais envolvidos na resposta à pandemia e indígenas serão vacinados.


Gestantes serão imunizadas na sequência, entre 22 de março e 21 de maio, em um prazo que vai durar até a quarta etapa da estratégia. Ainda como parte da segunda etapa, crianças de seis meses a dois anos de idade e doentes crônicos serão imunizados entre os dias 22 de março e 2 de abril.

Obesidade mórbida, doenças respiratórias, cardíacas, imunodeprimidos, diabetes e doenças hepáticas, renais e hematológicas são fatores do grupo de doentes crônicos. Grávidas em qualquer período de gestação poderão tomar a vacina.


A população com idade entre 20 e 29 anos será vacinada entre os dias 5 e 23 de abril.


Por último, idosos com mais de 60 anos com e com doenças crônicas serão vacinados entre 24 de abril e 7 de maio.


ETAPAS GRUPOS DATAS 1ª Etapa Profissionais de saúde 08/3/2010 a 19/3/2010 1ª Etapa Povos indígenas 08/3/2010 a 19/3/2010 2ª Etapa Gestantes 22/3/2010 a 21/5/2010 2ª Etapa Doentes crônicos 22/3/2010 a 02/4/2010 2ª Etapa Crianças de seis meses a dois anos 22/3/2010 a 02/4/2010 3ª Etapa População com idade entre 20 e 29 anos 05/4/2010 a 07/5/2010 4ª Etapa Idosos com mais de 60 anos 24/4/2010 a 07/5/2010

Investimentos

O gasto para aquisição da vacina contra a nova gripe, R$ 1,006 bilhão, será liberado pelo governo a partir do Ministério da Saúde. Os recursos estão vinculados ao Programa Nacional de Imunizações, que também oferece vacinas contra outras doenças.

Os recursos foram previstos pela abertura de crédito suplementar de R$ 2,1 bilhões, aprovado em outubro de 2009, por medida provisória, para ações de enfrentamento da gripe pandêmica.

O ministério também adquiriu 83 milhões de seringas e agulhas, ao custo de R$ 40 milhões. Os insumos serão distribuídos às secretarias estaduais de todo o país, durante a vacinação. No final de 2009 já foram repassados R$ 11 milhões para os governos estaduais iniciarem a preparação para a estratégia de vacinação.

Estratégia

O ministério deve divulgar maiores detalhes da estratégia de vacinação até o final de fevereiro. Até que a estratégia seja deflagrada em todo o país, nenhuma dose da vacina será distribuída nas unidades de saúde.


A pasta comandada pelo ministro José Gomes Temporão argumenta que o objetivo da estratégia não é evitar a disseminação do vírus, que já está presente em 209 países, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mas manter os serviços de saúde funcionando e reduzir o número de casos graves e óbitos.

Os 26 estados e o Distrito Federal vão receber um número de doses proporcional à população dos grupos prioritários especificados no calendário do Ministério da Saúde.


As secretarias estaduais terão a responsabilidade de repassar as vacinas aos municípios obedecendo ao mesmo critério. Secretarias estaduais e municipais vão definir conjuntamente os locais de vacinação.

O calendário brasileiro é divulgado no momento em que a OMS se defende de uma série de reclamações sobre a forma como conduziu o combate ao vírus H1N1. Mas também aqui as autoridades não estão imunes a certos constrangimentos. Depois de assegurar que a produção nacional, a cargo do Instituto Butantan, começaria em janeiro , o governador de São Paulo, José Serra, declarou no último dia 5 que a fabricação deve iniciar em meados de 2011 . Isso significa que todas as doses que serão usadas na campanha anunciada nesta terça-feira (26) são importadas .


G1

Charge Néo Correia


Papa João Paulo II se auto flagelava


Papa João Paulo II se autoflagelava regularmente para imitar o sofrimento de Cristo e se sentir mais perto de Deus, revela o livro "Why a Saint?" (Por que um santo?), lançado nesta terça-feira, na Itália.

Escrito pelo defensor da beatificação de João Paulo II, Slawomir Oder, com a ajuda do jornalista Saverio Gaeto, a obra também inclui alguns documentos inéditos, como a carta que o Papa deixou por escrito, em 1989, expressando sua vontade de renunciar à missão de Pontífice caso alguma "enfermidade incurável" o impedisse de exercer suas funções.

"Tanto em Cracóvia como no Vaticano, Karol Wojtyla se flagelava", escreve Oder no livro, citando depoimentos de pessoas do círculo mais próximo de João Paulo II na época em que ainda era bispo em seu país de origem, a Polônia, e depois de ser eleito papa, em 1978. "Em seu armário, em meio a suas vestimentas, um tipo especial de cinto ficava pendurado num cabide, e ele o usava como açoite".

Segundo os autores, o Papa seguia com extremo rigor preceitos católicos, sobretudo no período da Quaresma, quando sua alimentação se reduzia a somente uma refeição completa por dia. Além disso, às vezes dormia diretamente no chão nu.

O Globo

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Ana Paula - Naquela Mesa

Veja o que muda com a nova Lei do Inquilinato

A nova Lei do Inquilinato entra em vigor nesta segunda-feira. Na verdade, ela não é exatamente nova. São 14 artigos que atualizam a lei que já está em vigor há 18 anos.

Um dos pontos mais polêmicos da nova legislação está na agilidade com que o inquilino poderá ser despejado.

Pela regulamentação antiga, um inquilino que ocupasse um imóvel comercial ou residencial poderia atrasar o pagamento do aluguel duas vezes durante um ano. Só depois disso é que o proprietário entrava na Justiça com uma ação de despejo – o que poderia ser feito com um dia de atraso na segunda vez. O inquilino pagava a dívida e no terceiro atraso o dono rescindia o contrato.

Agora, o novo artigo da lei determina que um atraso em dois anos já pode ser levado à Justiça. “Isso é perverso. O inquilino pode ter tido algum problema de saúde ou ter esquecido de pagar”, diz o advogado Mário Cerveira, professor de pós-graduação em direito empresarial do Mackenzie e especialista em direito imobiliário.

Cerveira acrescenta ainda que, para muitos lojistas as mudanças podem ser desastrosas. “Se um lojista for despejado em primeira instância e a sentença for proferida de maneira equivocada, o comerciante vai perder o ponto e os clientes e terá de demitir funcionários. Se depois ele retoma o endereço, o estrago já foi feito”, afirma.

Bom para os donos

Já a diretora da Lello Imóveis, Roseli Hernandes, acredita que, do ponto de vista dos proprietários, a agilidade do despejo pode melhorar o mercado.

“Até então o dono do imóvel tinha de esperar 14 meses para tirar um inquilino inadimplente. Enquanto isso, ele pagava o condomínio e o IPTU. A expectativa é de que este tempo caia para quatro meses”, afirma.

Outra novidade refere-se ao fiador. “Ele pode deixar de ser fiador, desde que comunique sua decisão quatro meses antes”, diz o advogado Marcelo Manhães, presidente da Comissão de Direito Imobiliário e Urbanístico da OAB-SP.

De um modo geral, os especialistas na área acreditam que as mudanças na lei foram boas para todos os lados. Para os donos, porque confere novas garantias, e para os inquilinos, que têm regras mais claras. “No final das contas vai ser melhor para todo o mercado”, diz Manhães.

Aluguéis mais baratos

Roseli Hernandes, da Lello, já observa otimismo entre donos de imóveis. “Tinha gente esperando as mudanças serem aprovadas para voltar a alugar.” Então, os valores dos aluguéis podem cair? “Tudo vai depender de uma maior oferta, o que já está acontecendo”, diz Hernandes.

As mudanças valem para todo o Brasil e incidem mesmo sobre contratos firmados antes do dia 25 de janeiro.


Do Uol

domingo, 24 de janeiro de 2010

Entre Aspas

- "(...) Suponho ter sido a única vez que, em qualquer parte do mundo, um sino, uma câmpula de bronze inerte, depois de tanto haver dobrado pela morte de seres humanos, chorou a morte da Justiça. Nunca mais tornou a ouvir-se aquele fúnebre dobre da aldeia de Florença, mas a Justiça continuou e continua a morrer todos os dias. Agora mesmo, neste instante em que vos falo, longe ou aqui ao lado, à porta de nossa casa, alguém a está matando. De cada vez que morre, é como se afinal nunca tivesse existido para aqueles que nela tinham confiado, para aqueles que dela esperavam o que da Justiça todos temos o direito de esperar: justiça, simplesmente justiça. Não a que se envolve em túnicas de teatro e nos confunde com flores de vã retórica judicialista, não a que permitiu que lhe vendassem os olhos e viciassem os pesos da balança, não a da espada que sempre corta mais para um lado que para o outro, mas uma justiça pedestre, uma justiça companheira cotidiana dos homens, uma justiça para quem o justo seria o mais exato e rigoroso sinônimo do ético. (...) Uma justiça exercida pelos tribunais, sem dúvida, sempre que a isso os determinasse a lei, mas também, e sobretudo, uma justiça que fosse a emanação espontânea da própria sociedade em ação, uma justiça em que se manifestasse, como um iniludível imperativo moral, o respeito pelo direito a ser que a cada ser humano assiste".

José Saramago

A castidade com que abria as coxas



A castidade com que abria as coxas
e reluzia a sua flora brava.
Na mansuetude das ovelhas mochas,
e tão estreita, como se alargava.

Ah, coito, coito, morte de tão vida,
sepultura na grama, sem dizeres.
Em minha ardente substância esvaída,
eu não era ninguém e era mil seres

em mim ressuscitados. Era Adão,
primeiro gesto nu ante a primeira
negritude de corpo feminino.

Roupa e tempo jaziam pelo chão.
E nem restava mais o mundo, à beira
dessa moita orvalhada, nem destino.


Carlos Drummond de Andrade (Poema extraído do livro "O amor natural" )



*"Das infinitas faces que um poeta pode ter, Carlos Drummond de Andrade, de muito bom grado, dispôs-se a mostrar-nos ao menos sete. Sacramentadas. Esses lados, essas faces, não são simples traços de estilo, certamente nem convicções quanto às formas, são algo além disso: o homem Drummond, o corpo além do poeta e, como todos os demais corpos, susceptível às passagens, mudanças e afetos do tempo. Sua passagem nos recoloca, nos re-escreve e, no poeta mineiro, haveria de fazê-lo admitir uma derrota diante de suas consumições eróticas. Nos conflitos entre as dores, a morte e a vida, o sexo aparece como peça atraente, extrapolação da vida em direção ao fim sem que necessite ser, de fato, o fim. É dessa forma que melhor se compreende a conversão do comedido mineiro em militante póstumo da sacanagem.

O Amor Natural não nasceu de um desvario momentâneo. O livro de poemas pornográficos, lançado em 1992, choque entre as mocinhas e senhores desavisado, expôs contornos radicais do poeta, mas o assunto já costumava aparecer em um ou outro poema, insinuadamente, fosse no embalo da união amorosa, fosse nos tons de poesia-piada, usuais no Modernismo (Era manhã de Setembro/ e/ ela me beijava o membro). Mas nesse há um desfile pelas páginas, uma galeria recheada de vulvas, línguas, falos, lambidas, pêlos.... O que mais houvesse para haver na cama entre homens e mulheres, está lá. Mas como? Aquele velhinho...?

Mario de Andrade costumava dizer que a culpa era toda da timidez. Faz todo sentido. Mas é igualmente coerente acreditar que as mudanças de comportamento que viu observar - naqueles anos de 1950, os comerciais já expunham muito mais pedaços de pele que na época dos bondes, nos anos 20, quando um tornozelo de fora era o auge do erotismo público - somadas ao avanço da idade, tenham feito nosso poeta alargar as brechas para o erotismo que já cultivava desde sempre. Mas, apesar disso, fato é que Drummond preferiu-se, num pedido compreendido e atendido, morto à época da publicação do livro. Morto quando admitisse que a pornografia venceu. Melhor assim que deixar-se entrever à frente de todos seus acessos delirantes por contornos passantes em bondes, camas ou moitas, de coxas, pernas e peitos femininos, sempre femininos. Sobre dores do ser, sobre a política e sobre as palavras, estaria a glória de um convulsivo orgasmo.

É assim que no livro, escrito em meado dos anos setenta, Drummond rende-se a produção de poemas que vão do erótico ao pornográfico, passando pelo completo despudor; versos milvalentes onde ato sexual não eleva nem rebaixa, mas sim, aceita exultante a condição simples, o exposto cru, bastante cru, de ser humano. Animal sem meias palavras: ato, suor, lugar, sémen, gemido, mamilos, modo."

*Texto extraído do site: http://obviousmag.org/archives/2008/04/o_amor_natural.html#ixzz0dWmpobM1

Operadoras de celulares lucram com a pornografia


As operadoras de telefones celulares lucram com os serviços de valor acrescentado a que os clientes não aderiram e que têm conteúdos de caráter sexual explícito, segundo a edição de hoje do jornal Correio da Manhã.

Ao que o jornal apuraou, várias queixas-crime foram apresentadas por familiares de crianças depois dos menores terem recebido mensagens de teor pornográfico sem terem sido solicitadas.

De acordo com o jornal, em causa pode estará a venda ilegal de listas de clientes entre operadoras. O CM recorda que já é possível bloquear a recepção de mensagens não solicitadas através do Portal do Consumidor em http://www.consumidor.pt/.


Texto extraído do site Diario Digital

Resgate culinário


Sem dúvida, um pecado! O bolo baeta é uma das iguarias mais populares da região do sertão paraibano. Embora componho o típico do cardápio junino, come-se o bolo o ano inteiro.

Com frequência, ele é encontrado em bodegas, lanchonetes, vendedores ambulantes, fiteiros, tabuleiro e especialmente em feiras-livres do nordeste.

Para quem se habilita a prepará-lo ai vai a receita:

Ingredientes:
- 2 xícaras de chá de farinha de trigo
- 700 ml de leite
- 2 colheres de sopa de manteiga
- 2 1/2 xícaras (chá) de açúcar
- 4 ovos

Modo de preparo:
Coloque no liquidificador os ovos, o açúcar e a manteiga. Em seguida, junte alternadamente o leite e a farinha de trigo e bata mais um pouco. Coloque para assar em fôrma untada, devidamente polvilhada, em forno pré-aquecido a uma temperatura de 200ºC.

Quando esfriar, desenforme e sirva-se a vontade. Um cafezinho passado na hora é um bom acompanhamento.

Papa convoca padres a criarem Blogs

"Por de Deus, tenham um blog!", asseverou o papa Bento XVI aos padres católicos de todo o mundo. O papa enfatizou que os sarcedotes precisam se dedicar a conhecer e utilizar as mais novas e diversas formas de comunicação para espalhar as mensagens do evangelho.

Por ocasião de sua mensagem para a Igreja Católica no Dia Mundial da Comunicação, Bento XVI, 82 anos e também conhecido por não ter afinidade com o universo dos micros nem com a grande rede da Internet, reconheceu que os padres devem aproveitar ao máximo essas ferramentas disponibilizadas pelas novas tecnologias.

Veja o Blog do papa: http://thepopeblog.blogspot.com/

sábado, 23 de janeiro de 2010

CNJ divulga lista provisória de 319 cartórios extrajudiciais da Paraíba com cargos de titulares declarados vagos


A Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou nesta sexta-feira (22/01), no Diário Oficial e no site do CNJ, uma relação provisória de 7.828 cartórios extrajudiciais de todo o País cuja titularidade foi declarada vaga e que, por isso, poderão ser submetidos a concurso público. A lista inclui 319 cartórios da Paraíba (veja relação abaixo), conforme levantamento feito pela Corregedoria Geral da Justiça do Estado, encaminhado ao CNJ.

As decisões, assinadas pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Gilson Dipp, dão cumprimento à Resolução 80 do CNJ, que prevê a vacância dos serviços notariais e de registro ocupados em desacordo com a Constituição Federal de 1988. "Estamos cumprindo a Constituição", afirmou o ministro.

A Corregedoria do CNJ também publicou, nesta mesma data, decisões considerando regulares as delegações de 6.301 outros cartórios. Desses, exitem na Paraíba, 179 cartórios providos. A publicação visa garantir transparência aos trabalhos e permite amplo controle da sociedade sobre os cartórios extrajudiciais.

De acordo com a Agência CNJ de Notícias, a situação de cada cartório foi analisada de forma individualizada, a fim de se garantir a observância dos direitos preservados pela própria Constituição Federal e de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).

Eventuais impugnações contra as decisões que reconheceram as vacâncias ou os provimentos regulares poderão ser apresentadas à Corregedoria Nacional de Justiça no prazo de 15 dias.

Serviços normais - A Corregedoria Nacional salienta que todos os cartórios, inclusive aqueles incluídos na relação provisória de vacâncias, continuam prestando os serviços regularmente. Conforme prevê a Resolução 80, os interinos que respondem pelas serventias que serão submetidas a concurso permanecerão à frente dos cartórios até a posse de novo delegado aprovado em concurso público.

De acordo com a Constituição Federal de 1988 (parágrafo 3º, do artigo 236), "o ingresso na atividade notarial e de registro depende de concurso de provas e títulos, não se permitindo que qualquer serventia fique vaga, sem abertura de concurso de provimento ou de remoção, por mais de seis meses". Muitos cartórios, contudo, nunca foram submetidos a concurso público regular, circunstância que determinou a ação do CNJ.



Fonte: Da Coordenadoria e Agência CNJ de Notícias

Estranheza: Solteirão monta harém de boneca infláveis

Cansado de brigas e ciúmes dos últimos namoros, o japonês Ta-Bo radicalizou. O engenheiro de 45 anos, que não revela o sobrenome nem mostra o rosto nas fotos - talvez porque o hospício local esteja sempre alerta -, montou um harém. Não um harém com mulheres especialistas em dança do ventre. Ele gastou R$ 307 mil para comprar 20 bonecas infláveis – brinquedos que fazem muito sucesso no Japão.

Todos os modelos, garante Ta-bo, são top de linha. Parecem de verdade. O solteirão é viciado em videogames, HQs e eletrônicos, além das sex dolls. Ele é bem fanático, mas não está sozinho. Tem muito japonês com os mesmos hábitos. São chamados de otaku 2-D Lovers – uma versão nipônica xiita de um nerd.

Segundo Ta-bo, um otaku pode sentir amor pelas bonequinhas e ter muito sentimento pelos games e quinquilharias de última geração. São solitários ao extremo. Mas vivem como se morassem com namoradas de verdade. Ta-bo explica melhor a história, ou tenta:

- Uma mulher real dá muita dor de cabeça. Brigam, têm TPM, reclamam, traem. As bonecas pertencem totalmente a mim, diz o desvairado japonês.

Cada boneca tem um nome – e o homem conta que decorou o de todas. Ta-bo troca as roupas delas, faz carinho e assiste TV ao lado delas.

A devoção do homem é total. Ninguém pode visitá-lo porque ele fica com ciúmes. Sim, ciúmes de boneca.

- É porque eu as trato como se fossem gente de verdade. Só que são pessoas especiais, baba o malucão, que perdeu a virgindade aos 30 anos. Virgindade com mulheres de verdade, é bom informar. Mas agora só quero bonecas.

Melhor para as mulheres de verdade, pelo jeito.


Fonte: Do R7

O velho do espelho


Por acaso, surpreendo-me no espelho: quem é esse
Que me olha e é tão mais velho do que eu?
Porém, seu rosto...é cada vez menos estranho...
Meu Deus, Meu Deus...Parece
Meu velho pai - que já morreu!
Como pude ficarmos assim?
Nosso olhar - duro - interroga:
"O que fizeste de mim?!"
Eu, Pai?! Tu é que me invadiste,
Lentamente, ruga a ruga...Que importa? Eu sou, ainda,
Aquele mesmo menino teimoso de sempre
E os teus planos enfim lá se foram por terra.
Mas sei que vi, um dia - a longa, a inútil guerra!-
Vi sorrir, nesses cansados olhos, um orgulho triste...


Mário Quintana

Súplica com Jorge Maciel - Programa Sr. Brasil da TV Cultura

Charge - Eramos6


sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Para que servem a geografia e o trabalho do geógrafo nos dias de hoje?

Podemos dizer que foi para servir à guerra e á alienação das pessoas que surgiu a geografia moderna, na Alemanha do século XIX, voltada para a formação de um estado poderoso que conseguisse rivalizar com a Inglaterra e a França.

Mas a geografia foi remodelada, redesenhada em seus contornos, sendo que hoje existem preocupações mais humanas, sociais, voltadas para a busca holística da compreensão das coisas, dos fatos, das formas como os homens constroem seus espaços, como se relacionam com a natureza.

A geografia e o trabalho do geógrafo devem estar intercalados com o compromisso com o desenvolvimento da sociedade, com o planejamento e gestão do meio ambiente, pois a natureza não suporta mais a forma como a intervenção vem sendo feita.

A natureza protesta cotidianamente e cabe ao geógrafo estudar e alertar sobre a melhor forma de como esse protesto não deve ser soado de forma insistente, evitando impactos ambientais irreversíveis e calamitosos. A natureza segue o princípio da física de que toda ação corresponderá reação igual e em sentido contrário, prova disso talvez encontremos na relação entre devastação na Amazônia e a catástrofe da inundação que houve em Nova Orleans, ou então entre explosões atômicas na Índia e no Paquistão e o terremoto no fundo do mar que originou a tsunami que inundou boa parte da costa do sudeste asiático, tendo chegado até a África, matando mais de cem pessoas na Somália.

A geografia e o trabalho do geógrafo devem ser voltados para a formação de novas consciências, novos paradigmas, cujos princípios devem nortear as bases do comportamento humano, livres de infrações violentas contra os semelhantes, fomento de injustiças sociais, bem como de alterações profundas no meio ambiente, cujos impactos recrudescem as incertezas quanto à permanência da vida em um planeta seriamente ameaçado, sobretudo quando o capitalismo e o capital globalizado ditam de forma draconiana regras e leis que no futuro irão redundar em calamidades inenarráveis.

A geografia e o trabalho do geógrafo devem ser desprendidos, sempre voltados para o bem-estar do próximo, para a luta por um mundo melhor, assim como fez Josué de Castro em sua batalha fabulosa em prol de um mundo sem fome e em paz, como fez Milton Santos, ao estudar e denunciar o espaço como lócus das injustiças sociais, como lócus da reprodução das relações sociais de produção.

Geografia deve rimar com justiça, com solidariedade, com amor, nunca com guerras, alienação ou ocultação de realidades. A geografia e o trabalho do geógrafo devem estar em consonância com a realidade de cada lugar, sempre mostrando causas e conseqüências, as condições de existência negadas ao longo da evolução do pensamento geográfico, apenas percebido a partir da década de setenta do século passado.

Antes do advento da geografia crítica, o conhecimento geográfico era algo sem a menor serventia, a não ser para a manutenção das estruturas de poder, para a efetivação dos interesses do capital, quando a geografia teorético-quantitativa ganhou status impecável para os interesses do planejamento público e privado, para os interesses do capital transnacional que na época, em meados da década de cinquenta, começava a migrar para o terceiro mundo e precisava de reconhecimento espacial em moldes matemático-estatísticos.

A geografia é a única ciência que pode responder às indagações quanto ao futuro da humanidade, do planeta terra, da biodiversidade, pois ao analisar de forma combinada o social e o físico permite visão panorâmica sobre os desafios lançados pelo atual estágio alcançado pelo desenvolvimento técnico, e, para tanto, cabe ao geógrafo prescrever e buscar ordenar de forma racional os rumos trilhados pela humanidade.


José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte.

Candidata a Rainha do Carnaval de Salvador-BA


Na foto, Larissa Maria, 32 anos, uma das candidatas ao título de Rainha do Carnaval de Salvador (Foto: Divulgação/Patrick Silva)


As concorrentes ao cargo de Rainha do Carnaval de Salvador passaram a utilizar a rede web para assegurar alguns votinhos. Em busca de suas eleições, recorrem a sites de relacionamento, e-mails e até carros de som pelas ruas de Salvador.

A final do concurso acontece em 28 de janeiro e a votação dos internautas termina dia 27.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Made in Brasília

Danos Morais contra o ex-cônjuge

O casamento é uma sociedade formada entre duas pessoas de sexo diferente que concordam em se unir pelos laços de amor e afetividade. Em nossa cultura monogâmica, preponderam os deveres de fidelidade recíproca, respeito, coabitação com o cônjuge amado, bem como todos os preceitos culturais, morais e religiosos que fundamentam o casamento.

Na sociedade contemporânea, o matrimônio e a entidade familiar vêm sofrendo alterações no seu conceito tradicional. A mídia, como mecanismo condutor de informação à população, apresenta, através da televisão e rádio, um modelo de sociedade colidente com os princípios religiosos e morais inerentes ao casamento. Com isso incute na cabeça das pessoas conceitos e opiniões que geram nos casamentos crises amorosas e sentimentais cada vez mais freqüentes. Essa influência vem contribuindo para destruir o amor dos cônjuges prematuramente, levando à separação e ao divórcio cada vez mais cedo.

Não podemos negar que todo casamento teve ou tem suas crises conjugais. Muitas vezes, são situações comuns na vida das pessoas, como desemprego, alcoolismo, crises financeiras ou mesmo fatores psicológicos, mas, quando essas crises atingem a vida do casal, assumem uma conotação negativa ou positiva, a depender da compreensão de cada um dos consortes. Quando as crises conjugais se tornam insuportáveis, a separação aparece como remédio para sarar uma ferida sentimental que não cura naturalmente.

Decidindo o casal, ou um dos cônjuges, pela separação ou divórcio, abre-se para ambos uma seqüência de dificuldades a serem superadas. Dentre elas, podemos considerar como as mais freqüentes os efeitos patrimoniais decorrentes da partilha dos bens do casal, a obrigação de alimentar o cônjuge necessitado e os filhos do casal, o direito de guarda dos filhos menores, além de outros problemas da mesma natureza.

O problema do dano à moral de um dos cônjuges surge nesta fase crítica do casamento, ou em momentos precedentes ao fim do matrimônio. Não raro, um dos cônjuges perde a estima pelo outro e lança-se a enfrentá-lo sem consideração ou compaixão, sem controle emocional ou sem respeito, atingindo-o duramente com agressões, atos e palavras desprovidas de moral e razão social. Esse tipo de comportamento gera em seu consorte matrimonial uma situação de depressão, humilhação ou desgosto frente ao comportamento da pessoa em quem depositou toda sua confiança sentimental.

Nessas crises são comuns os casos de agressões de maridos contra suas esposas. Também as mulheres, indignadas com seus maridos, cometem injúrias ou calúnias, numa total falta de respeito para com o cônjuge. São agressões, físicas, psíquicas ou morais que ultrapassam os limitem e provocam a separação ou divórcio. Atos e fatos desnecessários para justificar o fim do casamento são usados como forma de vingança, de desprezo contra o parceiro, com o qual, em tempo recente, dividia o leito conjugal. Esses atos praticados por um dos cônjuges têm gerado processos na justiça, nos quais a vítima pleiteia uma indenização por danos morais.

Alguns tribunais de justiça vêm reconhecendo, em favor do cônjuge que não deu causa à separação, o direito à indenização por danos morais por atos ilícitos praticados pelo companheiro ou companheira. Também a doutrina vem se posicionando no mesmo sentido.

O dano moral não é novidade em nosso direito. Desde o advento da Constituição Federal de 1988, foi assegurada a inviolabilidade da intimidade, honra e vida privada. A preocupação dos doutrinadores no caso é se esse direito seria ou não aplicável aos cônjuges por danos sofridos na constância do casamento.

Durante muito tempo, o direito brasileiro relutou em aceitar as novas tendências jurídicas e aplicar o dano moral contra um dos cônjuges. Entendia-se não ser aplicável esse instituto ao direito de família. Alegava-se que os deveres do cônjuge que deu causa à separação exauriam-se nas obrigações alimentares para com o outro e seus filhos, perda do direito de guarda dos filhos menores, pagamento de custas processuais e honorários advocatícios.

A Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, X, assegura a inviolabilidade à intimidade e à vida privada, a honra e a imagem das pessoas, garantindo o direito à indenização por dano material e moral decorrente da violação a esse direito. Por sua vez, o novo Código Civil estabelece em seu art. 186: “Aquele que, por omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito ou causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito”. Portanto fica obrigado a ressarcir o dano decorrente do seu ato. Atualmente, alguns doutrinadores renomados entendem que o cônjuge responsável pela separação tem obrigação de indenizar o consorte atingido pela dor, vergonha, sofrimento ou desespero causado pelo parceiro.

Sustenta Caio Márcio da Silva Pereira, apud Vivaldo Pinheiro: “Afora os alimentos, que suprem a perda de assistência direta, poderia ainda ocorrer a indenização por perdas e danos (dano patrimonial e dano moral), em face do prejuízo sofrido pelo cônjuge inocente”. No mesmo sentido, Mário Moacyr Porto, em sua obra “Responsabilidade civil entre marido e mulher” assevera: “Para um melhor esclarecimento, imaginemos a seguinte hipótese: o marido (e excepcionalmente a mulher) sevicia ou pratica uma lesão corporal no parceiro, ofensa que ocasionou uma redução na capacidade para o trabalho. O delito não justifica, apenas, a dissolução contenciosa da sociedade conjugal e a conseqüente fixação de uma ‘pensão’ de alimento. O cônjuge responsável responde, ainda, cumulativamente, pelo prejuízo à saúde do cônjuge agredido, nos termos do disposto nos arts. 159 e 1.539 do Código Civil (atuais arts. 927 e 950) sem prejuízo das sanções penais.”

Em excelente trabalho publicado na revista eletrônica Júris Síntese, Vivaldo Pinheiro, juiz do Estado do Rio Grande do Norte, demonstra, com clarividência, a preocupação doutrinária sobre o tema, além de colacionar outros doutrinadores como José de Castro Bigi, Yussef Said Cahali, Regina Beatriz Tavares da Silva Papa dos Santos, José de Aguiar Dias, etc.

Os tribunais superiores vêm decidindo a matéria ainda com timidez. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento da 3ª Turma, no Resp 37.051, de 17/04/01, sob relatório do Ministro Nilson Naves, consagrou esse entendimento, ao proclamar: “O sistema jurídico brasileiro admite, na separação e no divórcio, a indenização por dano moral. Juridicamente, portanto, tal pedido é possível: responde pela indenização o cônjuge responsável exclusivamente pela separação. Caso em que, diante do comportamento injurioso do cônjuge varão, a turma conheceu do especial e deu provimento ao recurso, por ofensa ao art. 159 do Cód. Civil, para admitir a obrigação de se ressarcirem danos morais”. O tribunal de Justiça de São Paulo possui julgados condenando o marido a pagar indenização por haver feito contra a mulher denúncia infundada de adultério, bem como em favor do marido por haver a mulher simulado gravidez.

É importante ressaltar que simples aborrecimentos comuns do dia-dia não justificam ressarcimento por dano moral. Como se sabe, entre humanos, são comuns os pequenos desentendimentos como situações de rua, de trânsito, de trabalhos, etc. Até mesmo discussão política ou religiosa pode levar as pessoas a perderem a paciência. Com muito mais freqüência, esses pequenos desentendimento são observados entre pessoas casadas. Tais aborrecimentos entre marido e mulher devem ficar na órbita dos deveres de coabitação em que se deve respeitar e compreender um ao o outro.

Quando tais aborrecimentos tornam-se insuportáveis, um dos cônjuges pode mover ação de separação ou divórcio litigioso, Nesse caso não cabe a justiça obrigar um cônjuge a indenizar o outro por fatos ensejadores da dissolução da união conjugal, quando estes não se revelam violentos para quem dividia o leito conjugal. A própria doutrina reconhece que não são todas as situações que justificam o divórcio e, ao mesmo tempo, obrigam indenização por dano moral. Assim, cada caso deve ser analisado ponderadamente para que não se crie, no direito de família, uma fórmula mágica de um dos cônjuges locumpletar-se às custas do outro.

O valor a ser indenizado, quando cabível, é outra questão que desafia a justiça. O dano moral, por si só, não tem valor mensurável. Todavia, deve o juiz da causa aplicar ao caso concreto um valor justo, de modo a ressarcir o sofrimento da vítima e punir o causador do dano.


Dr. Francisco Bezerra Vieira Filho
Advogado

Soldados britânicos no Afeganistão receberão fuzis com mensagens bíblicas


Os soldados britânicos no Afeganistão receberão fuzis com uma mira telescópica que terá referências bíblicas, uma decisão que os críticos temem que seja aproveitada pelos talibãs.

O ministério da Defesa (MoD) assinalou que fez um pedido de 400 visores à empresa americana Trijicon, acrescentando que não sabia do significado das inscriçoes.

O partido opositor Liberal Democrata criticou a medida, enfatizando que os rebeldes que lutam contra as Otan e as forças dos Estados Unidos no Afeganistão poderão fazer uso disso.

"Isso será para alguns de nossos inimigos uma prova para convencer seus seguidores de que estamos mergulhados numa guerra religiosa entre o cristianismo e o Islã", afirmou o porta-voz do partido.

Os visores ópticos de combate exibem a sigla JN8:12, em referência ao capítulo 8, versículo 12, do livro de João.

Esta passagem da Bíblia, na versão do Rei James, diz: "Então Jesus lhes falou outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo: quem me segue, não andará nas trevas, e sim terá a luz da vida".

O ministério da Defesa esclareceu que a Trijicon foi escolhida por oferecer miras ópticas de melhor rendimento.

Por sua parte, a Trijicon declarou que coloca referências das Escrituras em seus produtos há mais de duas décadas.

O Reino Unido tem atualmente cerca de 10.000 soldados no Afeganistão.

Fonte: AFP

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Chuva em Pombal-PB


Na noite/madrugada de ontem (19.01), na sede de nossa redação, registramos um índice pluviométrico de 48mm.

A casa

Entre Aspas

Fracassei em tudo que tentei na vida. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu.


Darcy Ribeiro

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Meia Noite e o fogo da casa de farinha do sítio Tataíra


Cangaceiro remanescente do bando de Sinhô Pereira, Antônio Augusto Feitosa ganhou o apelido de “Meia Noite” em razão que após as tarefas diárias nos engenhos de rapadura do “Major” Floro Florentino Diniz, em Princesa, Estado da Paraíba, ganhava a caatinga altas horas da madrugada, assaltando propriedades rurais localizadas nas quebradas do sertão.

Na composição do grupo bandoleiro que passou a ser liderado por Virgulino Ferreira da Silva depois do ano de 1922, quando o vingador do Pajeú saiu em direção ao Estado do Goiás para se encontrar com o primo Luiz Padre, encontramos “Meia Noite” entre destacados cangaceiros que acompanharam o novo chefe.

“Meia Noite” compôs o grupo de dezessete cangaceiros enviados por Lampião do valhacouto nos Patos de Irerê, localizado a dezoito quilômetros de Princesa, a fim de realizar vingança pretendida por humilde bodegueiro de nome Chico Lopes, da localidade de Nazarezinho, então distrito de Sousa, Estado da Paraíba.

Humilhações perpetradas por poderoso oligarca de nome Octávio Mariz contra o até então inofensivo sertanejo motivou ousado ataque bandoleiro à cidade de Sousa, em 27 de julho de 1924.

Quando o grupo bandoleiro chegou ao sítio Jacu, em Nazarezinho, reduto da família Pereira, foi engrossado por mais gente perfazendo total de oitenta e quatro homens, entre os quais se encontrava pessoa da região, conhecida por “Paizinho”, cujas queixas contra o juiz de Sousa, Dr. Archimedes Soutto Maior, eram por demais repisadas.

“Paizinho” acusava o juiz de tê-lo em certa ocasião o condenado injustamente. Foi à casa do magistrado que grupo de cangaceiros, liderado por “Paizinho”, em um total de dezessete bandidos, alvo principal da vingança pretendida pelo atrevimento da horda bandoleira. “Meia Noite” estava entre os invasores, sendo o mais afoito, pois o juiz foi retirado de casa ainda em roupa de dormir, humilhado, espancado e, comentam, coisas piores aconteceram. O bandido do grupo de Lampião cavalgou o homem da lei, enfiou-lhe as esporas e obrigou-o a ensaiar galopes pelas ruas de Sousa.

O destacamento comandado pelo então Tenente Antônio Salgado nada pôde fazer, resumindo-se a assistir passivamente aos atos de vandalismo patrocinados pelos cangaceiros. Saques, depredações, humilhações e muita bagunça foram feitos naquele fatídico dia 27 de julho de 1924 na cidade de Sousa.

O juiz foi salvo pela intervenção oportuna de Francisco Pereira Dantas, que se tornaria o famoso cangaceiro Chico Pereira, pois os homens comandados por “Paizinho” intuíam assassinar o magistrado como ato final da vingança acalentada pelo desacatado sertanejo.

Lampião dispunha de eficaz rede de informações e logo as notícias do ocorrido em Sousa chegaram ao Saco dos Caçulas, propriedade de Marcolino Pereira Diniz nos Patos de Irerê. Enlouquecido com o que havia sido feito em Sousa, Lampião rodopiava pelo calcanhar ferido pelos disparos da tropa volante do Major Teófanes Ferraz Torres, na certeza de que a ousadia e a ferocidade contra o juiz de Sousa seria motivo de perseguição sem trégua das forças militares paraibanas, até então acomodadas por ordens superiores.

Dr. Archimedes Soutto Maior declarou guerra particular aos cangaceiros, elegendo os invasores de sua residência, responsáveis pela humilhação passada, como alvos prioritários de suas investidas. “Paizinho” caiu varado de balas em São João do Rio do Peixe, enquanto os demais eram literalmente caçados por ordens do juiz.

De regresso à região de Princesa, o grupo bandoleiro foi demovido por Marcolino Pereira Diniz a continuar sob sua proteção. Era o que Lampião pressentia quando soube da forma como tinha sido realizada a investida contra o magistrado lotado em Sousa.

“Meia Noite” regressou com o grupo, mas foi expulso quando reclamou a Lampião que Antônio Ferreira o havia “roubado”. O chefe cangaceiro exigiu do bandido a entrega de armas e munição, ao que o cangaceiro retrucou dizendo que se no bando houvesse homem fosse tomar. Ninguém se atreveu, pois bem conheciam a fama de valente que acompanhava imemorialmente “Meia Noite”.

Raptando moça da localidade conhecida apenas por Maria, o cangaceiro estava de saída para destino ignorado quando foi interceptado descansando em uma casa de farinha no sítio Tataíra, fronteira com a cidade pernambucana de Triunfo. Dezoito “cachimbos”, civis contratados para dar caça a cangaceiros, foram inicialmente ludibriados por “Meia Noite”, pois ao disfarçar a voz buscava tempo para se equipar a fim de enfrentar prova inaudita de fogo que o imortalizaria nas crônicas do cangaço, tornando-o respeitado entre seus antigos companheiros.

A tropa de “cachimbos” foi surpreendida por tiroteio intenso vindo de dentro da casa de farinha, o qual despertou a atenção da força volante comandada pelo então Tenente Manuel Benício, famoso por guardar rosário de orelhas de cangaceiros mortos em combates.

A força militar foi ao encontro dos civis em armas, perfazendo total de oitenta e dois homens. “Meia Noite” lutou a madrugada inteira contra absoluto desigual número beligerante.

O fogo da casa de farinha do sítio Tataíra era ouvido nas imediações, pois como fera acuada “Meia Noite” lutava sem desanimar, carregando, recarregando e disparando contra os oponentes, sem titubear ou sem esmorecer.

A coitada sertaneja raptada pelo intrépido cangaceiro assistiu tudo, cada momento de terror passado na madrugada de fogo quando o valente cangaceiro resolveu enfrentar quem estivesse pela frente, na base das armas, como na velha tradição do sertão sangrento e violento.

Vendo que não conseguiria romper a barreira formada pelos civis e militares que o cercaram na casa de farinha do sítio Tataíra, “Meia Noite” usou estratégia do cangaço para novamente ludibriar os adversários, jogando tamborete por uma janela, fingindo pular a mesma, mas saindo por outra. Por azar, “Meia Noite” pulou em cima de moita de quipá, ferindo seriamente o pé direito. Mesmo assim, debaixo de verdadeira saraivada de balas, após ferir quinze oponentes, o cangaceiro ainda conseguiu furar o cerco e chegar ao Saco dos Caçulas, propriedade de Marcolino Pereira Diniz, grande coiteiro de cangaceiros, mas que estava de mãos e pés atados devido à forma como se processou o ataque a Sousa. O governo João Suassuna (1924-1928) e o empenho do cunhado e tio de Marcolino, “Coronel” José Pereira Lima, era dar combates aos cangaceiros, pois, para tanto, eram invocadas as claúsulas do convênio anti-banditismo firmado em Recife (PE) em 1922, do qual o Estado da Paraíba participou e referendou, embora só passasse a cumpri-lo eficazmente depois do ataque cangaceiro à cidade de Sousa.

Conforme Érico de Almeida, autor de livro por título “Lampeão, sua história”, primeira edição de 1926, segunda e terceira de 1996 e 1998, pela Editora Universitária da Universidade Federal da Paraíba, foram recolhidas de dentro da casa de farinha do sítio Tataíra quatrocentas e noventa e duas cápsulas de balas de fuzil mauser DWN, modelo 1912. Isso atesta a razão da imortalidade de “Meia Noite” no mundo bandoleiro.

“Meia Noite” foi conduzido a um lugar ermo na serra do Pau Ferrado e executado por Manuel Lopes Diniz, conhecido por “Ronco Grosso”, e por homem da confiança de Marcolino, conhecido por “Tocha”, de cuja arma partiu projétil que matou o magistrado de Triunfo (PE), Dr. Ulisses Wanderley, no revéillon de 1923.

“Meia Noite” tornou-se nome tão respeitado entre os cangaceiros que em 1936, doze anos após sua morte, Lampião encontrou na área que atuava, no sertão de Alagoas, antigo companheiro de nome Joaquim Laurindo de Sousa, conhecido por “Moreno” no grupo liderado por Sinhô Pereira. Havia suspeita de que o antigo cangaceiro que lutou em Princesa, ao lado do “Coronel” José Pereira, havia participado da morte de “Meia Noite”. “Moreno” teve a casa invadida, sendo amarrado e inquirido a noite inteira sobre sua participação no assassinato do cultivado cangaceiro que enfrentou mais de oitenta homens na mais fantástica brigada do cangaço. Não satisfeito com as resposta, Lampião ordenou que bandoleiro conhecido por “Chumbinho” executasse o ex-companheiro de armas na frente da mulher e dos filhos.

Talvez “Meia Noite” tenha sido encomendado pelo juiz de Sousa, pois o empenho em buscar todos os cangaceiros que invadiram sua residência e o humilharam, quando do formidável ataque de 27 de julho de 1924 tornou-se questão pessoal a fim de fazer valer respeito à lei quando o sertão se mostrava terra de ninguém naqueles turbulentos idos dos anos vinte do século passado.


José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professor da UERN.

Isso sim é que é um gato de energia

Foto (flagra) de Novinho Formiga, aspirante a repórter do fantástico.

Entrevista - José Ribeiro da Silva, presidente do CEMAR Pombal-PB


José Ribeiro da Silva é ex-educando do antigo Clube do Menor Trabalhador, hoje Centro de Educação Integral “Margarida Pereira da Silva” (CEMAR) onde hoje é o Presidente. Antes fora eleito Conselheiro Tutelar do município de Pombal tendo larga militância no trabalho com crianças e adolescente atuando também como educador social do MNMMR (Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua) desde 1985, foi ex-educador social da Prefeitura de Santo André – São Paulo, ex-chefe de equipamentos sociais do município de Mauá-SP e ex-educador social do projeto meninos e meninas de rua de São Bernardo do Campo - SP. Há anos vem desempenhando suas atividades a frente do CEMAR, dando continuidade ao profícuo trabalho de Margarida Pereira da Silva. Esta semana, José Ribeiro da Silva recebeu a equipe do Blog e concedeu esta entrevista.

Blog - O seu trabalho está diretamente ligado a criança e ao adolescente. Sabemos que o Brasil tem uma das melhores legislações nessa área, entretanto, apesar do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), a situação do menor no nosso país ainda é de desalento. Por que isso acontece ?

José Ribeiro – Passa creio eu, inicialmente pela falta de distribuição de renda, em detrimento de uma memória, sacrificando os mais carentes prioritariamente, crianças, adolescente e suas famílias que tem se tornado vulnerável à violência urbana, maus-tratos, e na desvalorização do ser humano. Há uma injustiça muito visível em nosso país, e muitas vezes cruzamos os braços a tal realidade.

Blog – Constantemente é denunciado o abuso de trabalho envolvendo crianças em várias esferas. No tocante ao trabalho infantil, quais os avanços já conseguidos até hoje no Brasil e em nossa cidade?

José Ribeiro – podemos dizer que com a promulgação do ECA – estatuto da criança e do adolescente lei federal 8.069/90, o Brasil avançou muito no trato com a questão do trabalho infantil. Com criação dos conselhos de defesa dos direitos da criança e do adolescente, conselhos de assistências sociais e conselhos tutelares que lidam diretamente com o sistema de garantia de direitos infanto-juvenil e os programas de transferências de Renda à exemplo; PETI – Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, bolsa família e tantos outros, minimizou o problema, e chamo à atenção da sociedade para está questão. Mais ainda existem problemas de trabalho infantil em nosso município, como os meninos e meninas que são carregadores de feiras aos sábados, catadores de materiais recicláveis no lixão da cidade. É notório está realidade em pombal. O Trabalho infantil ainda é um problema de nossa cidade, e nos calamos diante deste fato. Não ao trabalho infantil.

Blog – Por que o Estatuto da Criança e do Adolescente sofre tantos ataques por uma parcela da população e parte da mídia brasileira?

José Ribeiro – acho que a falta de conhecimento e o fato primordial que faz boa parte da sociedade criticar o estatuto da Criança e do adolescente. A mesma sociedade que critica o ECA, que exclui, e o marginaliza. É mesma que tornará vitima da criança e do adolescente em sua frase adulta, por não ter tido a proteção integral por parte da família do estado e da sociedade que criminaliza com preconceitos e nem faz dialogo da infância/juventude que são muitos. A mídia por outro lado manipula a cabeça das pessoas afirmando que o Estatuto veio para proteger o chamado trombadinhas, meninos infratores. Quando na verdade ela a própria mídia deveria apresentar programas educativos, incentivá-lo a cultura, esporte, lazer e a leitura, ao invés de fazer auto-critica sensonalista ao estatuto da criança e do adolescente. A idéia de potencializar o uso de ferramentas de comunicação em prol dos direitos das novas gerações já está na Lei 8069/90, o Estatuto da criança e do adolescente, que recomenda como uma de suas diretrizes da política de atendimento “a mobilização da opinião pública, no sentido da indispensável participação dos diversos segmentos da sociedade” (Artigo 88, inciso VI).

Blog – Hoje um jovem de 16 anos, pela nossa legislação eleitoral, tem o discernimento e maturidade para escolher pelo voto um Presidente da República. Qual a sua opinião a respeito da diminuição da idade penal ?

José Ribeiro – a questão da legislação quando é permitida ao adolescente de 16 anos de ter o discernimento, maturidade para escolha aos 16 anos. Difere no meu entendimento e de muitas opiniões que não são favoráveis a redução da maioridade penal. O jovem aos 16 anos no Brasil é compreendido como massa de manobra, presa fácil ao mundo do crime organizado, a mídia e outros meios o faz alienado para consumo desacelerado tanto de algo sem nem um valor como o consumo de drogas. Não vejo tanta maturidade do jovem de 16 anos que pode votar e não ser punido com firmeza caso venha à redução da maioridade penal. Ocorre que o adolescente segundo o ECA, o mesmo estar no processo peculiar de desenvolvimento. O estatuto da criança e do adolescente o puni quando o mesmo comete ato infracional no art. 121 sobre internação trata exatamente desta medida preventiva. Redução no meu entendimento hoje, não traria a solução dos problemas da criminalidade praticada por adolescentes que muitas vezes são presas fácil do sistema que o corrompe. “A Miséria anda solta, a impunidade anda solta, e ainda tem gente querendo prendar a vitima”.

Blog - Não é fácil dirigir o CEMAR. Quais as maiores dificuldades enfrentadas por aquele Centro?

José Ribeiro – O não reconhecimento por parte das autoridades locais e de esferas do governo estadual e federal na manutenção da instituição CEMAR. Há uma burocracia muito grande hoje, para a captação de recursos. Ocorre também muitas das vezes em alguns setores o apadrinhamento com destinação de recursos à ONG `s que correspondam aos seus interesses particulares em troca de favores no Brasil. Está sem dúvida e a grande dificuldade enfrentadas pelas instituições sérias como o CEMAR, que tem uma definição clara de seu papel na sociedade. Um outro fator que vejo com dificuldade é encontrarmos pessoas comprometidas com a causa, militância e engajamento na área da infância e adolescência. A luta pela causa dos que mais precisam estar distante dos olhares de sociedade. Em nosso município não temos projeto de lei que assegure ao CEMAR - Centro de Educação Integral “Margarida Pereira da Silva”, um projeto de lei que assegure a manutenção e sustentabilidade institucional.

Blog – Hoje você não é mais Conselheiro Tutelar, mas já esteve atuando em Pombal nessa área especifica. Na sua opinião, quais os avanços do Conselho de Pombal? E suas dificuldades, são semelhantes ao que infrenta o CEMAR?

José Ribeiro – Avançamos pouco com o conselho tutelar em nosso município, mais algumas ações foram implantadas e estão sendo pensadas. A Exemplo disto foi a criação de uma associação de conselheiros e ex: conselheiros Tutelares do sertão ACONTESSER, uma forma de fortalecer no enfrentamento dos problemas de ordem jurídica,formativa e com assessória. E a visível penetrada do conselho na cidade. Considero estes pontos importante,s mais, acho ainda que a grande dificuldade do órgão conselho tutelar e nosso município é a falta de conhecimento por parte da sociedade digo, consciência, em não saber o seu papel enquanto protetores dos que violam direitos. E o conselho neste contexto precisa agir de forma eficaz. Mais também vem a falta de estrutura do órgão que não dispõem muitas vezes de equipamentos, um carro para as diligências, mal remunerado, e tem pouca atenção por parte do poder público, vara da infância e adolescência, ministério público. Não sabendo para onde encaminhar o acompanhar os casos de violações de direitos humanos. Eu diria que o conselho tutelar e um agente social político para fiscalizar, propor e sugerir políticas públicas para criança e adolescente. Já a entidade CEMAR, as dificuldades são diferentes por se tratar de uma instituição no seu art. 90 - do estatuto da criança e do adolescente trata especificamente da política de atendimento a criança e ao adolescente, e nossas dificuldades muitas das vezes é não dispor de recursos local, para atual em algumas frentes de atendimento em casos de violações de direitos, e um atendimento de qualidade.

Blog – Quais as principais atividades do CEMAR hoje?

José Ribeiro – O CEMAR atualmente desenvolve atividades em 07 frentes distintas que são; Ação - 1 -Esporte, cultura e lazer;ação 02-complementação escolar e escola, informática e teatro do oprimido; Ação 03- Articulação Política e Social Ação 04 – Protagonismo Infanto-juvenil ação 05 captação de Recursos ação 06 capacitação de recursos humanos ação 07 acompanhamento sócio familiar e comunitário. Todas estas ações sintonizam o nosso desejo de missão institucional que é “Atuar na construção e promoção do protagonismo de crianças, adolescentes, jovens e suas famílias facilitando a conquista e exercício de sua cidadania”. e na intervenção das políticas públicas: participação e intervenção nos conselhos setoriais e controle social; manter e articular como os movimentos socais e ONG`s; organização de base juvenis e articulação e discussão da política de promoção de igualdade racial e as lutas de classes. Além de qualificação profissional e emprededorismo para as famílias carentes, e o fortalecimento de entidades e clubes de serviços, associações comunitárias no fortalecimento institucional e político.

Blog – Uma das características do novo CEMAR é "aproveitar a sua prata da casa" para, no futuro, gerir as suas atividades gerenciais e administrativas. Isso é uma experiência que tem dado certo ao longo dos anos ?

José Ribeiro – sim, as crianças e adolescentes atendidos pelo CEMAR, tem sido a geração futura e presente na atualidade das ações desenvolvida pelo CEMAR. Uma prova disto foi meu ingresso longo com 03 anos de idade na creche pequeno príncipe juntamente com os meus 04 quatro irmãos. A entidade desperta em cada um de nós, aspecto como idealismo, valores humanos, ética e acima de tudo fazer o bem se olhar a quem. Durante estes 33 anos de existência com a fundação da creche pequeno príncipe, e ramificando com a criação do Clube do Menor Trabalhador hoje, CEMAR. Muitas crianças e adolescente mudaram de vida. Tiveram a oportunidade de uma alimentação o que antes não tinha. Formos acolhidos, respeitados e tratados dignamente e tivemos o lugar no mundo.

Blog – No aspecto infracional, qual o maior problema infrentado pelas entidades que cuidam e trabalham com a proteção das crianças e adolescentes em nossa cidade?

José Ribeiro - Falta de uma política tanto do Conselho Municipal de Defesa dos direitos da criança e do adolescente de Pombal, e de pessoas qualificadas para o atendimento nesta área especifica para lhe dar com adolescentes em conflito com a lei. Uma outra questão é o não funcionamento do fundo municipal dos direitos da criança e do adolescente que não há destinação por parte do poder público e nem a sociedade civil organizada que deveria cobra e realizar campanhas, através do conselho paritário. A sociedade civil organizada se cala diante dos problemas sociais. Em nosso município é precário ao trabalho com adolescente em conflito com a lei, e o município não dispõem de uma política atualmente que lidem com está situação.

Blog - Se você pudesse, num único instante, deixar um recado para todas as crianças e adolescentes infratoras, o que diria?

José Ribeiro – na vida há sempre uma segunda, terceira e quarta chance para poder concertar os erros cometidos no passado. Corrigia hoje, para no futuro não se tornar um “ser amargo”. A vida nos proporciona ser diferente com virtudes.

Blog - Parabéns pelo seu trabalho e muito obrigado pela entrevista!

José Ribeiro – eu, quem agradeço à você Teófilo Júnior pela oportunidade de expor minhas idéias neste blog. Espero sempre contribuir de forma pontualmente repassando informações precisas e necessárias sobre o trabalho da entidade Centro de Educação Integral “Margarida Pereira da Silva CEMAR, que este ano completa 24 anos fazendo valer direitos humanos.

"Minino, larga essa jega!"

Sertão da Bahia, década de 70, calor de 40 graus, passava do meio dia, era uma sexta-feira da paixão. A mãe com a barriga no encostada na pia descascava uma cebola que em seguida seria acrescentada ao tempero daquela traíra ovada que estava no fogo, seria a ceia santa.

De relance, ela espia pro riba da janela e fica chocada com a cena:

Seu filho caçula, malunguinho de uns 15 anos, magrelo que só um pau de virar tripa, se equilibra em cima de dois tijolos segurando no rabo da jumenta “bela roxa”, o calção arriado até as canelas atrapalha aquela intensa e frenética tentativa de efetivação da chamada “zoofilia”.

Eis que a mãe, com todo o desdém que lhe é peculiar, retruca lá de dentro da cozinha escurecida pela fumaça do fogão à lenha:

- Minino, larga essa jega, essa infiliz solta uma bufa e istraga seu imbigo

O menino, suado que só pano de cuscuz, revirando os olhinhos, ignorando completamente a censura da mãe, responde:

- Péra mãe, dex’um meno dá o “gosto”.

Dr. Tarciso Rômulo
Advogado

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Arte como pensamento e ação


Podemos dizer: “a arte ensina a pensar”, “a arte é um meio para a reflexão”. Podemos chegar a algo mais extremo: “a arte substituiu o pensamento na tarefa da interpretação do mundo”. Frases como estas correm soltas em nossos meios, sejam eles intelectuais ou não; conhecemos a idéia da arte como “medium” de reflexão no romantismo alemão que veio fazer escola no século XX influenciando artistas, filósofos e até a figura do curador de exposições que veio a se tornar enfática na atualidade. Sua verdade, porém, só será compreendida se analisarmos a ambigüidade que veiculam. Um bom método para buscar a compreensão de algo é sempre ver o que cada frase, cada idéia ou preposição, oculta. E é sempre útil desconfiar que perguntas camuflam perguntas e respostas prontas podem evitar ou interromper o processo do pensamento.

Neste contexto é importante uma crítica sobre a questão “a arte faz pensar” capaz de mostrar sua pertinência e limites.

Tais preposições estão extremamente vinculadas à questão da falência da filosofia. Desde Marx, segundo a famosa 11ª Tese sobre Feuerbach, “os filósofos até agora se ocuparam da interpretação do mundo enquanto cabe transformá-lo”. Marx fazia do pensamento um trabalho cuja responsabilidade era a modificação das condições materiais da existência. A filosofia não poderia ser mera teoria no sentido da contemplação desligada da realidade social e política e sem função prática. Neste sentido Marx apenas conclamava os filósofos, aqueles que se davam à tarefa do pensamento especializado e qualificado como até hoje, a que, como os proletários do seu tempo - objetos de relações de poder, mas artífices dos meios de produção - tomassem em suas mãos o poder de que dispunham e realizassem sua excelência e natureza: que cada um efetivasse sua função social, que os filósofos fizessem o pensamento valer revolucionando a vida concreta e que os trabalhadores fizessem seu trabalho valer como poder que ele de fato era. Mas o que não estava dito era que a falência da filosofia era igual, neste contexto, à falência do trabalho e ambos deveriam ressurgir como poderes transformadores.

Neste ponto, a arte aparece como uma atividade capaz de fazer o que a filosofia não foi capaz, a saber, oferecer uma reflexão mais profunda e mais crítica da realidade. É interessante que não tenha se tornado uma questão tão levada a sério a capacidade da arte em revolucionar o mundo trabalho. A crítica da arte jamais colocou a questão sobre a pertinência da arte na transformação do mundo que a filosofia teria deixado a desejar. Uma transformação da ação por meio da arte equivalia a uma transformação do trabalho que estava na esteira da crítica de Marx à filosofia. Apenas Marcuse, em meados do século XX, acreditará que a arte é capaz de ser trabalho não alienado, trabalho que realiza subjetivamente quem o promove. Mas é curioso que hoje a arte venha reivindicar o lugar especial frente ao pensamento. Quem defende a idéia de que arte realiza o papel da filosofia tem em mente esta falência do pensamento no que concerne à sua vocação prática abandonada. Vocação que não pode, a propósito, ser perdida de vista, devendo - a cada vez e com urgência - ser recuperada. Filósofos como Theodor Adorno (autor da Teoria Estética, a maior obra a relacionar arte e filosofia no século XX) dirá que a arte é autônoma no que concerne à sua lei formal em relação à sociedade e que isso constitui sua maior crítica ética e política. O que a arte veio ensinar à filosofia deve ser compreendido nos termos do que a sensibilidade é capaz de ensinar à razão, processo cujo reconhecimento é absolutamente necessário desde que a razão iluminista demonstrou sua necessidade de crítica ao perder-se nos descaminhos de uma existência separada da sensibilidade.

Seguindo tal caminho, desde Schopenhauer, Nietzsche e Kierkegaard, pelo menos entre os mais conhecidos, a filosofia tem tentado ser arte no sentido da aventura criativa do pensamento que deixa revelar suas sombras e luzes, expandindo-se como consciência e inconsciência, emoção e lógica num arranjo dialético, ou seja, capaz de entrelaçar facetas opostas. A arte mostrou e ainda mostra à filosofia os limites do pensamento meramente racional e lógico. A evolução da filosofia dependia de que objetos, as obras de arte, devessem ser enfrentados pela racionalidade e que, na oferta de um choque de sensibilização dado pelas obras de arte, o pensamento evoluísse rumo ao reconhecimento de seus limites. Isso, de fato, ocorreu no século XX. A obra de arte mostra o limite da explicação racional e lógica e evidencia-se como algo “mais” em relação à linearidade do pensamento lógico.

Mas não é possível dizer que a arte substitui o pensamento, antes a relação é dialética e Adorno tinha razão: se a arte auxilia o pensamento, o pensamento também auxilia a arte. Outra coisa, no entanto, é dizer que o pensamento substitui a arte. Diante dessa idéia o que encontramos é a ausência de dialética que promove um retrocesso no trabalho do pensamento tanto quanto no das artes. A dialética é o método que permite reconhecimento na relação entre opostos, que não elimina polaridades na intenção de hierarquizar um deles oferecendo uma resposta rápida e fácil ás dificuldades imanentes ao processo do conhecimento.

É necessário, entretanto, voltar à questão do trabalho e pensar por que ninguém pergunta sobre a falência da arte, enquanto a falência da filosofia parece dada. Por que pensamos a arte como tendo o direito de ser “mais adequada” para a reflexão do que a filosofia, do que o trabalho especializado com o pensamento que ela quer promover? Se ela promove pensamento, podemos dizer que ela tem razão ao interferir no método, colocando a sensibilidade no lugar onde antes estava apenas a lógica. Mas, por outro lado, não seria de devolver à arte a pergunta sobre a sua própria incapacidade em transformar o mundo do trabalho, da prática, da ação? Optar pelo pensamento só tem sentido se carregamos junto dele a ação.

Se a filosofia produziu pensamento alienado enquanto tentava produzir pensamento qualificado, o fato de que a arte venha interferir no pensamento é relevante e fundamental, pois ela alcança para a filosofia algo que ela mesma era incapaz. Mas isto não transforma a arte na verdade das verdades, o novo tribunal onde o pensamento qualificado pode ser julgado.

Resta a pergunta sobre o fato de que a arte não tenha se ocupado com a esfera da prática e do trabalho, afinal, que espécie de “pensamento” ela pretende ser ou produzir? O que a arte mostra é a possibilidade de mudar o mundo mudando o pensamento. Adorno interpretou assim a vantagem da arte diante da filosofia. Tal possibilidade, todavia, possui um limite atroz: a crença da arte no pensamento (a arte como cosa mentale de Da Vinci e como artefato conceitual no século XX) mostra também a incompetência da arte em mudar o mundo do trabalho, da ação.

***

Há que se colocar uma questão camuflada: é preciso suspeitar da arte quando ela procura esquivar-se de uma tarefa que é imanente ao seu sentido enquanto coisa social: a tarefa da sensibilização.

Aquilo que a arte critica, o pensamento, define o objeto sobre o qual ela deseja interferir e certamente o fará ao dar sensibilidade ao pensamento, mas isso não é nenhuma garantia de que a arte, por si só e simplesmente, possua como absoluto a sensibilidade como algo que a obra carrega espontaneamente. Este é o grande limite da arte, a crença na onipotência da sensibilidade como se esta não fosse formada e educada, instrumento do poder e da ideologia.

E devemos perguntar: quando a arte se propõe a substituir a filosofia quem realizará a ação de sensibilização? Não podemos tomar a sensibilidade como dada, ela precisa ser construída, tanto quanto o pensamento. Assim como o pensamento é uma tarefa complexa e árdua, do mesmo modo o é a sensibilidade. Neste ponto, a filosofia avança para além da arte: enquanto a filosofia está procurando chegar à prática, ter relevância para o mundo da ação após a dura autocrítica que levou a cabo, a arte, com todas as tentativas revolucionárias promovidas no século XX, também não chegou onde prometia. É preciso reformular o juízo: a falência da filosofia é concomitante à falência das artes. Mas se aquela se revisa desde o século XIX, esta ainda não promoveu a própria autocrítica. O avanço da filosofia nasceu de sua autocrítica, os artistas e as artes ainda não realizaram esta auto-avaliação até as últimas conseqüências.


Márcia Tiburi – Prof. de filosofia (Unisinos e Unilasalle)
Autora de Filosofia Cinza (Escritos, 2004) e Diálogo sobre o Corpo (Escritos, 2004).


Publicado no Jornal do Margs, n° 105, Dezembro 2004. Página 8.