domingo, 17 de junho de 2018

Copa 2018

Brasil prova do queijo suíço. Tava amargo!

Brasil 1 x 1 Suíça

Copa da Rússia

 Alemanha provou das tortillas mexicanas e não gostou!

Alemanha 0 x 1 México

Brasil estreia hoje na Copa.



Vaidade

(A um grande poeta de Portugal)

Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade !


Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo ! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade !
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita !


Sonho que sou Alguém cá neste mundo …
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a Terra anda curvada !


E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho … E não sou nada! …


Florbela Espanca

Meus planos para a Copa do Mundo

Vieram me perguntar se eu ia torcer pela Seleção Brasileira nesta Copa do Mundo. Eu respondi: “Vou torcer para que Salah fique bom da contusão, jogue, o Egito enfrente a Espanha e ele faça o gol da vitória”.

Para quem não sabe: Salah é o jogador egípcio que foi deslealmente machucado por um jogador espanhol, no jogo decisivo da Liga dos Campeões.

Quanto à Seleção Brasileira, desejo-lhe boa sorte, pelas inocentes alegrias que suas prováveis vitórias darão aos que encontram, nessas vitórias, uma razão para festejar.

Li dias atrás uma coluna de Luiz Antonio Simas, no Globo, onde ele cita o folclórico sambista Beto Sem Braço: “O que espanta a miséria é festa”. É uma grande verdade; e é uma frase que só vale na boca de quem sabe o que é a miséria. Nós, do lado de fora, podemos usá-la apenas entre aspas.

Vou acompanhar a Copa, sim. Vou ver os jogos no bar da esquina ou na casa dos amigos. (Não tenho mais televisão em casa.)

Quem se der o trabalho de vasculhar meu blog verá o quanto já me deixei arrastar pelo entusiasmo futebolístico. Tanto em função dos meus times de coração (Treze, Flamengo, Sport, Atlético Mineiro) quanto pela Seleção.

Continuo gostando de futebol. Gosto de ver “the beautiful game”, que nós brasileiros estamos praticando cada vez menos. O futebol bem jogado é uma mistura de balé e xadrez: o balé dos jogadores e o xadrez dos técnicos. Mas existe uma versão contemporânea que é um misto de arruaça e burocracia, respectivamente.

Gosto de ver as grandes decisões, as situações-limite em que pessoas de talento fora do comum dão tudo de si para conquistar um título numa disputa leal.

E gosto de ver quando um daqueles joguinhos chinfrins de meio de semana, noite chuvosa, dois times da série C, se transforma – por circunstâncias do momento – numa batalha épica de emoções fortes, de heroísmo, de façanhas impossíveis.

O bom do futebol é que mesmo no jogo mais medíocre entre os times mais fuleiros pode surgir a qualquer instante um lance perfeito, inesquecível, tão extraordinário quanto o gol de bicicleta de Gareth Bale naquela mesma final da Liga dos Campeões. É como na poesia: no meio de um livro totalmente banal pode brotar a qualquer instante um verso de gênio. Por isso a gente não desiste.

O futebol está cada vez mais se transformando em “Big Business” – um Business que só interessa a quem é Big. Não é o meu caso. Gosto do lado plebeu do futebol, porque sou de origem plebéia. Pra ser sincero, futebol só presta com laranja chupada ou bola de meia. Esse negócio de chuteira e bola de couro estragou o jogo. (Tou brincando.)

Futebol está no sangue da gente lá em casa. Fui jornalista esportivo com 16 anos, fui membro dos Esporões do Galo (a torcida (des)organizada do Treze), fui secretário do Treze (era eu quem datilografava os contratos e pagava o bicho dos jogadores, na gestão Zé Agra). Ainda hoje sou capaz de me interessar por um videoteipe de Ituano x Bragantino às 3 da manhã.

A Copa de 2014 contribuiu para arrefecer esse meu entusiasmo, sem extingui-lo. Não por causa do 7x1, que pra mim foi uma derrota previsível (apenas o placar foi “um tanto elástico”, como dizem os coleguinhas da crônica). Mas naquela vez parece que tudo que tem de ruim no futebol se juntou.

Foi a rapinagem deslavada, as propinas, os conchavos políticos, a repressão aos protestos, os elefantes brancos e inúteis que estão aí até hoje dando prejuízo dos Estados que caíram no conto do vigário das “coisas de Primeiro Mundo”. Millôr Fernandes dizia que transformar sua cidade em atração turística é o mesmo que botar a mãe na zona.

E agora a polícia e a imprensa descobriram, finalmente, que havia corrupção na CBF.  Engraçado, eu sabia disso desde que era a CBD de João A-Ver-Longe.

O futebol se igualou ao rock, ao cinema blockbuster. É big business. A arte é um efeito colateral, que eles incluem como isca e ainda não descobriram como descartar, mas o farão, quando descobrirem um modo de ganhar mais grana com isso.

Minha primeira Copa como torcedor foi a de 1962, que ouvi pelo rádio. E nem sempre torci pelo Brasil. Em 1974, por exemplo, torci pela Holanda, e comemorei na casa de Jakson e Marcos Agra a vitória da Laranja Mecânica sobre o Escrete Canarinho por 2x0. Por causa da ditadura? Em parte. Mas porque a Holanda era o futebol, e eu gosto mais do futebol do que dos meus times.

A Copa me irrita porque grande parte da imprensa aproveita para se lambuzar de ufanismo ilusório, de servilismo diante dos ricos e mandões. Na Copa, muito jornalista tenta compensar nosso “complexo de vira-lata” afirmando que não somos vira-latas, somos lulu de madame.

É uma época que deveria nos ensinar alguma coisa, mas acaba revolvendo camadas profundas do nosso inconsciente coletivo e revelando o lixão de História mal resolvida sobre o qual estamos edificando nossos shoppings e nossas arenas.


Bráulio Tavares
Mundo Fantasmo

Canção do amor imprevisto

Eu sou um homem fechado.
O mundo me tornou egoísta e mau.
E minha poesia é um vicio triste,
Desesperado e solitário
Que eu faço tudo por abafar.
Mas tu apareceste com tua boca fresca de madrugada,
Com teu passo leve,
Com esses teus cabelos...
E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender
nada, numa alegria atônita...
A súbita alegria de um espantalho inútil
Aonde viessem pousar os passarinhos! 


Mário Quintana

Versículos do dia

Então Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o Senhor fez retirar o mar por um forte vento oriental toda aquela noite; e o mar tornou-se em seco, e as águas foram partidas.
 
Pela fé passaram o Mar Vermelho, como por terra seca; o que intentando os egípcios, se afogaram.

O que leva magistrados e membros do MP a deixarem a carreira pública?

O que leva juízes e membros do Ministério Público a abandonarem a carreira pública – que está entre as mais cobiçadas por milhares de concurseiros país afora? Ao JOTA, três ex-juízes federais e um ex-procurador da República resumiram suas motivações para deixar o serviço público e migrar para a advocacia.

Entre as principais razões estão a vontade de ter o próprio escritório, a remuneração baixa quando comparada com a de sócios de grandes escritórios, excesso de processos repetitivos e maior capacidade de crescimento na carreira. “Mas foi uma escolha difícil”, diz o ex-juiz federal Arnaldo Penteado Laudísio.

Laudísio foi juiz federal em São Paulo, na 4ª Vara Cível e atuou no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), como juiz substituto, durante quatro meses. Para ele, a remuneração foi um motivador para pendurar a toga.

“O salário de juiz na época era pequeno e estava sem reajuste há anos. Eu precisava dar aulas no período da noite para complementar a minha renda. Não era uma qualidade de vida muito boa. Muitos outros colegas prestaram concursos para cartórios [que têm melhor remuneração]”, afirma.

Apesar do prestígio associado à magistratura, ele conta que sofreu uma desilusão ao ingressar na carreira pública. Para ele, muitos dos desafios que acreditava ter na carreira de juiz não foram realizados. “A atividade jurisdicional é maravilhosa. Mas isso é somente uma parte de seu dia. As funções administrativas também ocupam muito do tempo do profissional”, disse.

Outro problema que contribuiu para a decisão de Laudísio foi a grande quantidade de processos repetitivos que chegava em seu gabinete. “Nove em dez causas eram repetitivas e comuns. Isso instiga pouco o profissional intelectualmente, é mais uma atividade administrativa do que jurídica”, declarou.

Para o ex-magistrado, quando um candidato é aprovado em um concurso normalmente tem a expectativa de que somente julgará grandes casos e processos interessantes, capazes de mudar paradigmas. “Até existem casos interessantes, mas a porcentagem é muito pequena”, disse.

Após abandonar a carreira pública, Laudísio atuou como diretor jurídico dos bancos Santander e Citibank, até que abriu o próprio escritório, em 2015. Para o ex-desembargador, advogar possui vantagens como exercer mais de uma atividade, podendo somar à função a sociedade de uma empresa ou ter um comércio.

“Uma desvantagem é que a advocacia é insegura. Você pode ser mandado embora a qualquer momento. Outra desvantagem é que um recém-formado, que foi aprovado em concurso, terá uma remuneração superior à de um advogado recém-formado em um escritório”, disse.

Entretanto, Laudísio afirma que a advocacia permite, com a evolução da carreira, ter uma remuneração superior à de juízes. “Depois de um certo período, o advogado fica conhecido, agrega clientes para o escritório e tem capacidade de ganhar muito mais, apesar de ser uma carreira mais longa até chegar nesse patamar”, afirmou.

Como principais dicas para estudantes e recém-formados que estão com dúvidas sobre qual carreira seguir, Laudísio afirma que é necessário conhecer profundamente cada área. “Conversar com magistrados, promotores e outros profissionais é bom para o estudante analisar se possui a vocação para a magistratura e carreira pública. Não é somente uma decisão financeira”, disse.

“Decisão anormal”

O advogado Luciano Godoy também deixou de atuar como juiz federal no Tribunal Regional Federal da 3ª Região, cargo que ocupou de 1998 a 2007. Para ele, a decisão de largar a magistratura levou em consideração a natureza e o perfil da atuação dos advogados.

“O juiz vive de desafios intelectuais, sua função é um estudo intelectual do Direito. O advogado tem o perfil comercial. Sua disputa é na inciativa privada, contra uma grande quantidade de outros advogados e outros escritórios, prontos a captar clientes”, disse.

Apesar da reputação do cargo de juiz federal e um salário do qual “não reclamava”, Godoy afirmou que não queria essa função pelo resto de sua vida. “Queria ter os meus casos, com liberdade e autonomia para atuar, ter o meu próprio escritório. Foi uma decisão profissional”, afirmou.

Para ele, que possui seu próprio escritório desde 2013, a mudança para a carreira privada não foi tranquila. A transição envolve um “processo de autoconhecimento muito grande”. “É tudo muito radical, o profissional precisa de um período de adaptação com os novos códigos, a nova maneira de agir e de se comunicar. Largar a carreira pública é uma decisão anormal”, disse.

Para estudantes e recém-formados, Godoy recomenda que experimentem a advocacia, principalmente aqueles que têm o objetivo de ser juízes. “É importante para entender o funcionamento e dilemas dos casos e dos clientes”, ressalta.

Além disso, ele afirmou ser importante estudar qual o tipo de concurso que o recém-formado ou estudante pretende prestar. “Há muitos candidatos que prestam e passam em um concurso, mas depois percebem que não é a atividade que gostariam de exercer. Ao se formar em Direito, há muitas opções de atuações no mercado. Logo, também existem dúvidas sobre qual carreira seguir”. declarou.

“Chaplin no filme ‘Tempos Modernos'”

Eduardo Caiuby, sócio do escritório Pinheiro Neto e ex-juiz federal em Santos, largou a magistratura devido ao número “imenso” de processos que chegava em seu gabinete e também ao “baixo salário” de juiz nos final dos anos 90. “Atualmente, o salário dos juízes é bem diferente”, afirmou.

“Chegavam 400 novos processos por mês e havia mais 2.700 aguardando julgamento. Para dar conta de tudo isso, era necessário analisar uma quantidade imensa de processos por dia. O horário de trabalho era das 13h às 19h, mas chegava às 10h só para ler processo”, disse.

A rotina se tornou robótica: em sua descrição, como a do personagem imortalizado por Charles Chaplin no filme ‘Tempos Modernos'”. Caiuby decidiu, então, abandonar o trabalho como juiz federal. “De todos os casos para analisar, se aparaceram 500 interessantes foi muito”, pondera.

Para ele, a magistratura oferece uma vida “regrada” e com controle social. “Você já sabe como será a sua carreira. Atuará como auxiliar, depois juiz titular e desembargador “, diz.

Apesar dos problemas apontados, Caiuby também destacou a insegurança que há na advocacia. “O profissional não tem segurança do seu cargo, precisa lutar todos os dias. Apesar disso, ainda acredito que essa carreira possibilite maiores horizontes”, avalia.Para estudantes, ele analisa que a decisão sobre qual carreira seguir deve levar em conta o “jeito de ser” e o estilo de vida que cada profissional deseja ter.

Grande autonomia do MP

O ex-procurador da República Gustavo Tepedino atuou no Ministério Público Federal durante 14 anos. Em 2004, pediu exoneração de seu cargo. Uma das razões foi o excesso de funções repetitivas no trabalho. Além disso, o ex-procurador, que abriu o seu próprio escritório em 2006, ficou desmotivado com a “grande autonomia” que foi atribuída ao MP.

“No Ministério Público, cada uma fazia o que queria sem uma diretriz institucional. Cada pessoa é um ser autônomo. Isso gerou uma perda de prioridades institucionais para definir uma linha de ação em conjunto. Fiquei frustado com isso e decidi seguir o meu caminho, com novos desafios”, afirmou.

Após a exoneração, Tepedino abriu um instituto de Direito Civil e, posteriormente, inaugurou seu escritório. Para ele, a carreira na advocacia proporcionou um reconhecimento mais “genuíno” de suas ações. Apesar disso, destacou a maior segurança da carreira pública.

Outro problema da advocacia é lidar com as instituições brasileiras e com o Judiciário. No MP, uma dificuldade encontrada era o limite orçamentário e dependência de verbas”, disse.

Como sugestão a estudantes, o ex-procurador da República afirmou ser necessário analisar a vocação profissional e evitar seguir uma carreira devido à possibilidade de grandes retornos financeiros. “Para o estudante que gosta de ajudar pessoas e a sociedade, de maneira geral, e quer se manter estável, sem riscos, a carreira pública é ótima”, disse.

Por outro lado, Tepedino afirmou que o profissional da advocacia possui um perfil de defender interesses de clientes. Ele destacou a maior remuneração e também a insegurança na vida profissional. Apesar disso, defendeu a função do advogado de defender seus clientes. “É uma atividade muito bonita”, disse.
 
Alexandre Leoratti – Jota

Principal estrela do Flamengo, Vinícius Jr. participa de jogo beneficente em João Pessoa

A principal estrela do Flamengo-RJ, equipe que lidera a Série A do Campeonato Brasileiro, estará na próxima segunda-feira, em João Pessoa. Vinicius Júnior, que se encontra de malas prontas para o Real Madrid, da Espanha, participa às 19h, no CT Ivan Tomaz, no Valentina Figueiredo, de jogo beneficente entre os amigos dos paraibanos Victor Ferraz x Douglas Santos. A entrada será 2kg de alimentos não perecíveis.
Murílio Ferraz, pai de Victor Ferraz (lateral direito do Santos-SP), organizador do jogo beneficente, confirmou também as presenças de Hulk (Shangai SIPG), Elano, ex-seleção brasileira; Gabigol, Santos-SP; Durval, Sport-PE; David Braz, Santos-SP; Vanderley, goleiro do Santos-SP; Rafael Thyere, zagueiro da Chapecoense-SC; Valber, Santa Cruz-PE; Jean Mota, Santos-SP; Yuri, Santos-SP; Yan, Santos-SP; e Otávio, Porto-Portugal.
“Fizemos este jogo beneficente em dezembro do ano passado, estamos repetindo na próxima segunda-feira e vamos, mais uma vez, realizar no final do ano”, disse Maurílio Ferraz, informando que “o jogo beneficente é uma promoção do Projeto VF4, instalado em João Pessoa, iniciativa do jogador Victor Ferraz, que trabalha com escolinhas com crianças carentes da Capital”.
De acordo com o pai de Victor Ferraz, os torcedores presentes ao “Jogo das Estrelas” terão a oportunidade de participarem de vários sorteios. “Estaremos rifando a chuteira de Victor Ferras e as camisas de jogo em seus respectivos clubes dos jogadores Venicius Júnior, Gabigol, Otávio, Douglas Santos, dentre outros”, afirmou Maurílio Ferraz.
O Projeto VF4 (Victor Ferraz 4) foi implantado em João Pessoa pelo paraibano Victor Ferraz desde que o mesmo atuava no Coritiba. Ao ser transferido para o Santos-SP, ele intensificou os investimentos no seu projeto que, de acordo com o pai Maurílio Ferraz, vista dá oportunidade, através do esporte, a crianças e adolescentes de várias comunidades, principalmente carentes.
 
Feliphe Rojas - ParaíbaJá

sábado, 16 de junho de 2018

O poder do sonho

O físico John N. Bahcall disse certa vez: “As descobertas mais importantes trazem respostas para perguntas que ainda não tínhamos condições de formular, e dizem respeito a objetos que não tínhamos como imaginar até então”. Parece irônico, mas na Ciência a gente muitas vezes encontra a resposta antes de ter uma pergunta para ela. Quando Einstein propôs sua Teoria Especial da Relatividade, em 1905, faltava-lhe uma formulação matemática adequada (consta que ele não era um grande matemático; suas descobertas eram mais intuitivas do que formais). Então seu ex-professor Hermann Minkowski mostrou que esse arrazoado matemático já existia, independentemente das descobertas no campo da Física. Era, de certo modo, um raciocínio já pronto e clarificado, só que não tinha aplicação prática. Era uma resposta em busca de uma pergunta – que foi fornecida pela Física.

O trabalho criador do cientista (porque um cientista faz outros trabalhos que não são criadores) parece muito com o do artista; ele avança meio cegamente, guiado pela imaginação, associação de ideias, intuição, palpite, obsessão maníaca, o que for. Vai descobrindo coisas que não sabe o que são.  Uma das melhores descrições desse impulso criador coletivo é de Nietzsche em A Gaia Ciência (1882; trad. Paulo César de Souza):

“Então vocês acham que as ciências teriam surgido e progredido, se os feiticeiros, alquimistas, astrólogos e bruxas não as tivessem precedido, como aqueles que tinham antes de criar, com suas promessas e miragens, sede, fome e gosto por potências escondidas e proibidas? Não veem que foi preciso prometer infinitamente mais do que era possível realizar, para que algo se realizasse no âmbito do conhecimento? – Talvez, da mesma forma como nos aparecem hoje os prelúdios e exercícios prévios da ciência, que não foram praticados e percebidos como tais, também a religião inteira se apresente como exercício e prelúdio para alguma época distante: ela poderá ter sido o meio singular de alguns indivíduos poderem fruir toda a autossuficiência de um deus e toda sua força de autorredenção. Sim – é lícito perguntar --, teria o ser humano aprendido, sem a escola e pré-história da religião, a sentir fome e sede de si e encontrar saciedade e plenitude em si? Foi preciso que Prometeu imaginasse antes haver roubado a luz e pagasse por isso – para finalmente descobrir que havia criado a luz, ao ansiar por ela, e que não apenas o ser humano, mas também a divindade fora obra de suas mãos e argila em suas mãos? Tudo apenas imagens do formador de imagens?  -- assim como a ilusão, o furto, o Cáucaso, o abutre e toda a trágica Prometeia dos homens do conhecimento?”

Bráulio Tavares
Mundo Fantasmo 

Perdoa-me, Visão dos meus Amores

Perdoa-me, visão dos meus amores,
Se a ti ergui meus olhos suspirando! ...
Se eu pensava num beijo desmaiando
Gozar contigo uma estação de flores!
De minhas faces os mortais palores,
Minha febre noturna delirando,
Meus ais, meus tristes ais vão revelando
Que peno e morro de amorosas dores...
Morro, morro por ti! na minha aurora
A dor do coração, a dor mais forte,
A dor de um desengano me devora...
Sem que última esperança me conforte,
Eu - que outrora vivia! - eu sinto agora
Morte no coração, nos olhos morte!


Álvares de Azevedo 
"Lógica e razão são coisas da terra. Eu divido as coisas da terra, coisas do universo e coisas da coisa. E as coisas da coisa, minha filha, essas é que são o negócio, entende? Quem é que pode explicá-las?"

Raul Seixas 

O boi

(trecho de "Carta do morto pobre") 

5

Vai o animal no campo; ele é o campo como o capim, que é o campo se dando para que haja sempre boi e campo; que campo e boi é o boi andar no campo e comer do sempre novo chão. Vai o boi, árvore que muge, retalho da paisagem em caminho. Deita-se o boi, e rumina, e olha a erva a crescer em redor de seu corpo, para o seu corpo, que cresce para a erva. Levanta-se o boi, é o campo que se ergue em suas patas para andar sobre o seu dorso. E cada fato é já a fabricação de flores que se erguerão do pó dos ossos que a chuva lavará, quando for tempo. 

Ferreira Gullar
O Canadá com apenas 2% do Nióbio do mundo, financia a saúde e educação do País.

O Brasil com 98% de Nióbio, não vê a "cor" dessa riqueza.

Afinal, cada país com suas prioridades.
Nos demais,
todo mundo sabe,
o coração tem moradia certa,
fica bem aqui no meio do peito,
mas comigo a anatomia ficou louca,
sou todo coração.

Vladimir Maiakóvski

sexta-feira, 15 de junho de 2018