terça-feira, 22 de agosto de 2017


"Quand la mort est si belle,
Il est doux de mourir " (V.Hugo)
.............
Amemos! quero de amor
Viver no teu coração!
Sofrer e amar essa dor
Que desmaia de paixão!
...
Quero em teus lábios beber
Os teus amores do céu,
Quero em teu seio morrer
No enlevo do seio teu!
...
E entre os suspiros do vento
Da noite ao mole frescor,
Quero viver um momento,
Morrer contigo de amor!

Álvares de Azevedo


Frase

O maior é o espaço porque dentro dele cabe tudo.O mais veloz é o intelecto porque passa através de tudo.A mais forte é a necessidade porque tudo domina.O mais sábio é o tempo porque tudo revela."

 Tales de Mileto

Ah! Se o mundo inteiro me pudesse ouvir
Tenho muito pra contar
Dizer que aprendi

Tim Maia

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Nacional de Pombal vence e avança no Campenonato Paraibano da 2ª Divisão



O Nacional de Pombal entrou em campo na tarde de ontem (20.08), no Estádio Municipal “O Pereirão”, para  enfrentar a equipe do Femar da vizinha cidade de Teixeira-PB, jogo válido pelo Campeonato Paraibano da 2ª Divisão, chave do Sertão.


Sem nenhum ponto somado até então, o Camaleão foi escalado pelo Técnico Betão numa formação mais ofensiva variando ora num esquema 4-3-3, ora numa formação 4-2-4, sem, necessariamente ter um homem fixo de referência pelo meio. Manu se movimentava de forma a finalizar a jogada bem ainda a possibilitar a formação do pivô para quem vinha de trás.

Os laterais apoiaram e tiveram a cobertura eficiente do meio de contenção  e do miolo de zaga, que diga-se de passagem, atuou muito bem. 


Por sua vez, a equipe do Femar que também não tinha pontuado no Campeonato e precisava de um resultado positivo em Pombal. Começou a partida adotando uma marcação alta, no campo do Nacional. A atitude do adversário, embora ousada, revelou-se por demais  perigosa pois possibilitou inúmeras vezes o contra-ataque do Camelão. Eles aconteceram e foram fatais para a formação do resultado do Jogo:  Nacional 3 x 1 Femar.

O goleiro Danilo, após falhar feio no gol do Femar, se redimiu durante a partida fazendo duas defesas importantes. 


A equipe do Camaleão, embora tenha apresentado avanços táticos, ainda peca na formação da jogada  trabalhada  pelo meio. Foram inúmeras as vezes em que o goleiro Danilo buscava, num chutão direto, a presença dos atacante lá na frente.

O Nacional fez o seu dever de casa, somou 3 pontos e isso é importante e é o que vale, entretanto, parece-nos  relevante registrar que alguns jogadores ainda não alcançaram a sua plena condição física isso ficou claro no jogo  e precisa ser corrigido com a realização de trabalho físico especifico.


As triangulações, outrora ausentes, apareceram modestadamente no segundo tempo de jogo. 

É importante ressaltar ainda que falta a alguns atletas a compreensão que o futebol moderno é sobretudo coletivo. O jogador precisa entender que é mais importante ter uma boa leitura do jogo do que sair querendo driblar todo mundo até ser desarmado.  

Por fim, devo dizer que a torcida fez a sua parte. Compareceu em campo e apoiou a equipe o tempo todo.
Até um drone, nos céus, parecia dar tonalidade exata da importante vitória do Camaleão Verde do Sertão.

Agora, é partir para a próxima batalha, de preferência, com outra vitória.

Teófilo Júnior 


Definição sobre boato

Ora, um boato é uma espécie de enjeitadinho que aparece à soleira duma porta, num canto de muro ou mesmo no meio duma rua ou duma calçada, ali abandonado não se sabe por quem; em suma, um recém-nascido de genitores ignorados. Um popular acha-o engraçadinho ou monstruoso, toma-o nos braços, nina-o, passa-o depois ao primeiro conhecido que encontra, o qual por sua vez entrega o inocente ao cuidado de outro ou de outros, e assim o bastardinho vai sendo amamentado de seio em seio ou, melhor, de imaginação em imaginação, e em poucos minutos cresce, fica adulto - tão substancial e dramático é o leite da fantasia popular - começa a caminhar pelas próprias pernas, a falar com a própria voz e, perdida a inocência, a pensar com a própria cabeça desvairada, e há um momento em que se transforma num gigante, maior que os mais altos edifícios da cidade, causando temores e às vezes até pânico entre a população, apavorando até mesmo aquele que inadvertidamente o gerou. 
 

Ivete canta Roberto

Charge


Idealização da Humanidade

Futura Rugia nos meus centros cerebrais
A multidão dos séculos futuros
— Homens que a herança de ímpetos impuros
Tornara etnicamente irracionais!–
Não sei que livro, em letras garrafais,
Meus olhos liam!No húmus dos monturos,
Realizavam-se os partos mais obscuros,
Dentre as genealogias animais! 
Como quem esmigalha protozoários
Meti todos os dedos mercenários
Na consciência daquela multidão... 
E, em vez de achar a luz que os Céus inflama,
Somente achei moléculas de lama
E a mosca alegre da putrefação


Augusto dos Anjos 

domingo, 20 de agosto de 2017


Retrato do artista quando coisa

A maior riqueza
do homem
é sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado.
Palavras que me aceitam
como sou
— eu não aceito.
Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas.


Manoel de Barros 
João Carlos Pecci
O poeta pode contar ou cantar as coisas, não como foram mas como deviam ser; e o historiador há-de escrevê-las, não como deviam ser e sim como foram, sem acrescentar ou tirar nada à verdade.

Miguel de Cervantes

A vida é sonho

É certo; então reprimamos
esta fera condição,
esta fúria, esta ambição,
pois pode ser que sonhemos;
e o faremos, pois estamos
em mundo tão singular
que o viver é só sonhar
e a vida ao fim nos imponha
que o homem que vive, sonha
o que é, até despertar.
Sonha o rei que é rei, e segue
com esse engano mandando,
resolvendo e governando.
E os aplausos que recebe,
Vazios, no vento escreve;
e em cinzas a sua sorte
a morte talha de um corte.
E há quem queira reinar
vendo que há de despertar
no negro sonho da morte?
Sonha o rico sua riqueza
que trabalhos lhe oferece;
sonha o pobre que padece
sua miséria e pobreza;
sonha o que o triunfo preza,
sonha o que luta e pretende,
sonha o que agrava e ofende
e no mundo, em conclusão,
todos sonham o que são,
no entanto ninguém entende.
Eu sonho que estou aqui
de correntes carregado
e sonhei que em outro estado
mais lisonjeiro me vi.
Que é a vida? Um frenesi.
Que é a vida? Uma ilusão,
uma sombra, uma ficção;
o maior bem é tristonho,
porque toda a vida é sonho
e os sonhos, sonhos são.  


Calderón de la Barca

Uma nação só vive porque pensa

Uma nação só vive porque pensa. Cogitat ergo est. A força e a riqueza não bastam para provar que uma nação vive duma vida que mereça ser glorificada na História - como rijos músculos num corpo e ouro farto numa bolsa não bastam para que um homem honre em si a Humanidade. Um reino de África, com guerreiros incontáveis nas suas aringas e incontáveis diamantes nas suas colinas, será sempre uma terra bravia e morta, que, para lucro da Civilização, os civilizados pisam e retalham tão desassombradamente como se sangra e se corta a rês bruta para nutrir o animal pensante. E por outro lado se o Egipto ou Tunis formassem resplandescentes centros de ciências, de literaturas e de artes, e, através de uma serena legião de homens geniais, incessantemente educassem o mundo - nenhuma nação mesmo nesta idade do ferro e de força, ousaria ocupar como um campo maninho e sem dono esses solos augustos donde se elevasse, para tornar as almas melhores, o enxame sublime das ideias e das formas. 

Só na verdade o pensamento e a sua criação suprema, a ciência, a literatura, as artes, dão grandeza aos Povos, atraem para eles universal reverência e carinho, e, formando dentro deles o tesouro de verdades e de belezas que o Mundo precisa, os tornam perante o Mundo sacrossantos. Que diferença há, realmente, entre Paris e Chicago? São duas palpitantes e produtivas cidades - onde os palácios, as instituições, os parques, as riquezas, se equivalem soberbamente. Porque forma pois Paris um foco crepitante de Civilização que irresistivelmente fascina a Humanidade - e porque tem Chicago apenas sobre a terra o valor de um rude e formidável celeiro onde se procura a farinha e o grão? 

Porque Paris, além dos palácios, das instituições e das riquezas de que Chicago também justamente se gloria, possui a mais um grupo especial de homens -Renan, Pasteur, Taine, Berthelot, Coppée, Bonnat, Falguières, Gounot, Massenet - que pela incessante produção do seu cérebro convertem a banal cidade que habitam num centro de soberano ensino. Se as Origens do Cristianismo, o Fausto, as telas de Bonnat, os mármores de Falguières, nos viessem de além dos mares, da nova e monumental Chicago - para Chicago, e não para Paris, se voltariam, como as plantas para o Sol, os espíritos e os corações da Terra. 

Se uma nação, portanto, só tem a superioridade porque tem pensamento, todo aquele que venha revelar na nossa pátria um novo homem de original pensar concorre patrioticamente para lhe aumentar a única grandeza que a tornará respeitada, a única beleza que a tornará amada; - e é como quem aos seus templos juntasse mais um sacrário ou sobre as suas muralhas erguesse mais um castelo.

Eça de Queirós, in 'A Correspondência de Fradique Mendes'

*Mantida a grafia original 

Quem ama inventa

Quem ama inventa as coisas a que ama...
Talvez chegaste quando eu te sonhava.
Então de súbito acendeu-se a chama!
Era a brasa dormida que acordava...
E era um revôo sobre a ruinaria,
No ar atônito bimbalhavam sinos,
Tangidos por uns anjos peregrinos
Cujo dom é fazer ressurreições...
Um ritmo divino? Oh! Simplesmente
O palpitar de nossos corações
Batendo juntos e festivamente,
Ou sozinhos, num ritmo tristonho...
Ó! meu pobre, meu grande amor distante,
Nem sabes tu o bem que faz à gente
Haver sonhado... e ter vivido o sonho!


Mário Quintana
Quem gosta de escrever cartas para os jornais não deve ter namorada.

Carlos Drummond de Andrade