terça-feira, 20 de agosto de 2019

Cecília Meireles

Eu não tinha este rosto de hoje, 
assim calmo, assim triste, assim magro, 
nem estes olhos tão vazios, 
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força, 
tão paradas e frias e mortas; 
eu não tinha este coração 
que nem se mostra. 

Eu não dei por esta mudança, 
tão simples, tão certa, tão fácil: 
- Em que espelho ficou perdida 
a minha face?

As amizades invisíveis

Existem muitos capítulos da História sobre as amizades e as parcerias entre grandes artistas. A amizade de Gauguin e Van Gogh, por exemplo, uma amizade mixada com competição e irritabilidade de parte a parte. Ou a relação parecida entre os poetas Rimbaud e Verlaine, neste caso misturada a uma paixão homossexual.
O que a gente muitas vezes não fica sabendo são aqueles episódios meio obscuros em que um artista famoso foi ajudado por outro sem que isso, de certa forma, tivesse muita repercussão. Ou então dois amigos de infância ou juventude que no futuro viriam a seguir caminhos opostos e se tornarem famosos em universos quase incompatíveis entre si.
Por exemplo: li certa vez no Facebook um depoimento do músico Ivan Conti, do célebre grupo Azymuth, dizendo:
Nunca falei sobre isso! Fazendo uma entrevista agora para a DownBeat, lembrei me de algo muito importante, ao meu ver, na carreira do AZYMA!!
E não éramos ainda AZYMA!!
Com isso trazíamos novidades em instrumentos e corríamos para ensaiar logo e usar tudo aquilo, pois era uma festa!!. Imagina bateria, baixo e teclados novos? Sempre!!
Valeu Ivon!
Nós tivemos um grande aliado e gostaria de agradecer, porque o cantor/artista Ivon Cúri nos levava para tocar em suas viagens patrocinadas pela VARIG, e íamos para para USA e Canadá.
Gostei desse depoimento porque se você perguntar a 50 críticos ou músicos qual a relação entre a música do Azymuth e a música de Ivon Cúri, provavelmente todos vão dizer que nenhuma.


(Ivon Cúri)

Existe uma lenda de que roqueiro só ajuda roqueiro, cineasta só ajuda cineasta. De que as simpatias artísticas prevalecem 100% sobre a possibilidade de simpatias pessoais, ou de mera atividade conjunta e harmoniosa entre pessoas que pertencem a universos culturais diferentes.
Pesquisando meu livro sobre Luís Buñuel (O Anjo Exterminador, Rocco, 2002) fiquei sabendo de uma amizade improvável entre o cineasta espanhol e o artista plástico Alexander Calder, o famoso inventor dos “mobiles”.
Parece que quando Buñuel fugiu da Europa durante a guerra e foi para Nova York, Calder e sua família o hospedaram no amplo apartamento onde moravam. Os dois foram apresentados por Iris Barry, diretora da cinemateca do MoMa e fã do surrealismo. Buñuel se mudou para o apartamento do escultor com a esposa Jeanne e o filho pequeno Jean Luis; foi ali que nasceu o segundo filho, Rafael, em maio de 1940.
Jean-Luis Buñuel lembra de quando era pequeno e Calder conversava com seus pais enquanto fazia para ele brinquedos de cortiça e arame. O próprio Jean Luis acabou se tornando escultor depois de adulto.


(postal de Calder e Jean-Luis Buñuel para Jeanne)

Todo mundo pensa que os dois reis do romance policial hardboiled, Dashiell Hammett e Raymond Chandler, ou eram grandes rivais ou grndes amigos. Nem uma coisa nem outra. Na verdade, os dois se encontraram pessoalmente apenas uma vez na vida, numa reunião dos escritores que colaboravam com a revista Black Mask (há uma foto famosa). Nunca foram próximos, e ao que consta nunca sequer se escreveram cartas. Não conheço nenhum depoimento de Hammett sobre Chandler, mas este último escreveu numa carta, a respeito do mestre, que era aliás seis anos mais novo do que ele (embora começasse a publicar mais cedo), que o admirava muito como escritor e como bebedor de uísque.
Amizade meio improvável foi a que Chandler acabou tendo com Ian Fleming, o criador de James Bond, com repercussão na Inglaterra, onde Chandler era considerado um escritor de primeira linha (muito mais do que nos EUA) e Fleming um mero autor de best-sellers. Os dois acabaram se dando bem, Chandler elogiava o domínio de Fleming sobre o idioma norte-americano, e há uma gravação famosa dos dois num programa de rádio, que pode ser ouvida no YouTube.
Amizade improvável mesmo é a que descobri num artigo de Ruy Castro. Em meados dos anos 1960 o poeta João Cabral de Melo Neto, que na época era cônsul brasileiro em Barcelona, estava jantando com amigos na cantina Fiorentina, no Leme, quando se ouviu um zum-zum-zum lá fora, com a chegada de um grupo. Os amigos disseram que era Chacrinha, e Cabral perguntou quem era. “Um apresentador de TV, bem popularesco,” responderam, “e que está no auge do sucesso”.
Nesse instante Chacrinha entrou no restaurante, olhou para a mesa deles e abriu os braços gritando: “Cabral!”. E o cônsul ergueu-se, abrindo os braços e gritando: “Abelardo!”. Os dois se abraçaram aos soluços. Tinham estudado juntos quando eram meninos, no Recife, e não se viam há mais de trinta anos. E Ruy Castro encerra dizendo: “É o Brasil.”
Bráulio Tavares
Mundo Fantasmo

Versículos do dia

Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que o teu rei virá a ti, justo e Salvador, pobre, e montado sobre um jumento, e sobre um jumentinho, filho de jumenta.
 
Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos.


segunda-feira, 19 de agosto de 2019

A menina mais inteligente do mundo é Angolana


Ela tem apenas 19 anos e acaba de entrar para o seleto clube das pessoas com quociente de inteligência mais alto do planeta.

#Elizângela_Júnior é a primeira jovem africana e angolana a fazer parte desta lista. Pra dar uma ideia da inteligência dessa menina, o físico alemão Albert Einstein (1879-1955), considerado um dos homens mais inteligentes da história, tinha um QI (quociente de inteligência) equivalente a 160 pontos. Também dono de uma mente brilhante, o físico britânico Stephen Hawking ostenta a mesma pontuação, 160. Apesar de figurarem no panteão dos maiores gênios do planeta, os dois acabam de ser superados por uma menina de apenas 19 anos. Elizângela Júnior, natural de Luanda, em Angola, atingiu impressionantes 162 pontos em seu teste de QI, máxima pontuação possível.

Filha de uma dona de casa, Elizângela provém de uma comunidade de humilde de Luanda e sempre teve uma rotina normal. Sua mãe, no entanto, notou que a menina apresentava habilidade para resolver problemas lógicos e quebra-cabeças, por isso incentivou a filha a fazer o teste da Mensa, comunidade que reúne as pessoas mais inteligentes do mundo. “Eu esperava que ela se saísse bem, mas quando vi o resultado pensei ‘uau, essa pontuação é muito alta’”, disse sua mãe. A própria Elizângela se surpreendeu com seu desempenho na prova. “Eu nunca esperei esse resultado. Fiquei chocada”, afirmou.

O QI médio de um adulto bate na casa dos 100 pontos. Resultados acima de 140 são considerados excepcionais e caracterizam gênios ou superdotados. A Mensa, que só aceita participantes com QI de mais de 148 pontos, reúne atualmente 120 mil membros de 100 países. Destes, 35 são mulheres e apenas 8 têm menos de 16 anos, caso da jovem angolana. “A pontuação a coloca confortavelmente no grupo de pessoas mais inteligentes do planeta, que representa somente 1 da população mundial”, diz Ann Clarkson, porta-voz da Mensa.

O desempenho de Elizangela é raro, mas outros jovens já chegaram bem perto do feito da menina. Em 2013, uma garota, então com 17 anos, da região da Estados Unidos, atingiu 161 pontos no teste de QI. Ainda surpresa com a própria inteligência, a angolana promete continuar a viver uma vida típica de adolescente. Ela diz gostar muito de música e leitura e espera um dia se formar Engenharia de Geologia e Minas.

Frase

A admiração parece-me ser a primeira de todas as paixões.

René Descartes

domingo, 18 de agosto de 2019


Tudo é uma questão de concentração e de confiar em si mesmo e é daí que surge também o equilíbrio não só físico, como espiritual e mental.


Fernando Pessoa



Manuel Bandeira



Finalmente Pasárgada

A morte ameaçava-o há bem uns cinquenta anos. Só agora ganhou a parada. Enquanto ele folgou, nesse longo entremês para o último ato, continuou manipulando a matéria prima do seu pensamento, de onde sangrava os poemas.

E assim se fez rico, riquíssimo esse pernambucano ermitão, que acaba de desencarnar. Mas "almaticamente" — para usar do lindo neologismo recém criado por Tom Jobim — continua conosco, na cinza de todas as horas, até a consumação dos tempos.

Sua riqueza declarada são seus versos. O preço pago foi morrer, morrer sempre, sem parar, esvaindo-se, "dando à angústia de muitos uma palavra fraterna", como ele mesmo disse faz pouco tempo.

— "Eu faço versos como quem morre".

"Agora a morte pode vir — essa morte que espero desde os dezoito anos: tenho a impressão de que ela encontrará, como em Consoada está dito, a casa limpa, a mesa posta, com cada coisa em seu lugar".

Manuel Bandeira, poeta imenso, passou a limpo a história de sua vida nos poemas que cometeu. Sempre na mesma linguagem: a da poesia, em que se diz o que não se pode dizer.

Imagino que Bandeira nunca teve inimigos. Só implicava com as coisas absolutamente implicáveis.

— "Há três coisas que incompatibilizam a gente com uma pessoa. Uma é o esperanto. As outras duas são o positivismo e o xarope de groselha"!

Era um simples e um santo (há santos complicadíssimos). Seu Aqueronte seria assim: uma porção de diabinhos pregando o positivismo em esperanto e uma forte redolência de groselha, menu único em todas as refeições.

O poeta inventou a sua cidade, para onde se foi. Quem não sonha com a sua Pasárgada, numa Pérsia intangível, que a magia dos versos traz para tão perto de nós?

Lá, ele é amigo do rei. Aqui, seus milhões de herdeiros universais (basta que saibam a língua portuguesa) continuarão desfrutando o cabedal infinito da beleza que ele criou. À luz da sua poesia, espero purificar-me o suficiente para um dia merecer Pasárgada, ser amigo do rei, ter a mulher que eu quero, na cama que escolherei. E Joana a Louca da Espanha, rainha e falsa demente, virá a ser contraparente da nora que nunca tive".

Que lindo é ser Manuel Bandeira! Que eu seja amigo do amigo do Rei, é o quanto me basta.

 

Carlos Coqueijo

A ideia

De onde ela vem?! De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!
Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!

Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas do laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica ...
Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No mulambo da língua paralítica.


Augusto
de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Versículos do dia

Não admitirás falso boato, e não porás a tua mão com o ímpio, para seres testemunha falsa.
 
Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condenado.

sábado, 17 de agosto de 2019

Fotografia

Foto: Beth
Não sei quanto às outras pessoas, mas quando me abaixo para colocar os sapatos de manhã, penso, Deus Todo-Poderoso, o que mais agora?