domingo, 30 de junho de 2013


"Não há como se escapar da expressão do amor. Por ele vivemos, com ele estamos, por ele passamos. O amor é sina e passagem. Encontro e Desencontro. Vida e Morte. Causa e Efeito”.
 
(Simone de Beauvoir)

Pedro FC, nosso mais novo seguidor

Nossas boas vindas ao internauta Pedro FC, o nosso mais novo seguidor. Muito obrigado por acessar este espaço virtual que é de todos nós.
 
Seja bem vindo e sinta-se em casa.

Escrever pensando

Os neurocientistas afirmam (http://bit.ly/10GJfrT) que quando a gente escreve estimula mais áreas do cérebro (lobo frontal, lobo parietal, sistema de ativação reticular, etc) do que quando está apenas lendo, ouvindo ou falando. O ato de escrever a mão ou num teclado mobiliza diferentes áreas motoras e sensoriais. E isso contamina o que se passa pela nossa mente. Por isso se diz aos escritores profissionais: não fique pensando, escreva; não fique só imaginando, escreva; não queira ter a história toda pronta na cabeça antes de escrever. Porque quando chegar o ato de escrever, você vai estar pensando, em termos práticos, com um cérebro mais amplo do que o cérebro que pensava antes. Treino é treino, e jogo é jogo.
 
Não sei quanto aos cientistas, mas como escritor eu vejo assim. Digamos que você está escrevendo uma história de um casal que, viajando à noite numa estrada deserta, tem um problema no motor do carro. Discutem --- devem esperar socorro? Sair andando à procura de uma casa próxima? Se eu estou deitado na rede imaginando a cena, tudo fica num plano vagamente mental de imagens visuais superpostas, antes, depois, fragmentos de diálogos semi-imaginados, ocupando uma área relativamente limitada do cérebro. Mas é diferente se enquanto imagino a cena total eu estou escrevendo.
 
“—Puxa vida, disse Sandra, você quer que a gente saia andando nesse escuro? – Meu amor, disse Fernando, melhor do que ficarmos aqui no carro, numa estrada onde não passa ninguém, porque na última meia hora a gente não ultrapassou nenhum carro. – Mas é uma estrada, disse Sandra, cedo ou tarde vai passar alguém. Mas quando ela disse isso Fernando já tinha partido a passos largos, e ela, mesmo engolindo a raiva, tirou as sandálias altas e o seguiu”.
 
Escrever isso ativa (através das mãos e dos olhos) centros motores que não são ativados pelo mero devaneio, e daí começa um feedback em que esses centros começam a xeretar o texto e dar palpite. O diálogo acima foi improvisado agora, em meio minuto; eu pensava em escrever apenas as falas, e de repente me vi fazendo Fernando meter o pé na estrada e a mulher segui-lo, com esse detalhe que eu não antevira (mas para mim plausível) de tirar as sandálias de salto alto.
Envolver o corpo na escrita é um segredo que alguns resolvem ditando em voz alta para um gravador ou uma secretária; outros, escrevendo em pé (Hemingway), outros escrevendo à mão num caderno; outros, usando a máquina de escrever como se fosse um piano de ragtime. Falar em voz alta. Gesticular. Caminhar pelo escritório. Ativar os cinco sentidos, a percepção espacial, a coordenação motora. Eles nos ajudam a imaginar melhor.
 
 
Braulio Tavares
(O mundo fantasmo)

sábado, 29 de junho de 2013

Máscaras

Há mulheres que, por mais que as pesquisemos, não têm interior, são puras máscaras. É digno de pena o homem que se envolve com estes seres quase espectrais, inevitavelmente insatisfatórios, mas precisamente eles são capazes de despertar da maneira mais intensa o desejo do homem: ele procura a sua alma - e continua procurando para sempre.
 

Murar o medo

O medo foi um dos meus primeiros mestres. Antes de ganhar confiança em celestiais criaturas, aprendi a temer monstros, fantasmas e demónios. Os anjos, quando chegaram, já era para me guardarem, servindo como agentes da segurança privada das almas. Nem sempre os que me protegiam sabiam da diferença entre sentimento e realidade. Isso acontecia, por exemplo, quando me ensinavam a recear os desconhecidos. Na realidade, a maior parte da violência contra as crianças sempre foi praticada não por estranhos, mas por parentes e conhecidos. Os fantasmas que serviam na minha infância reproduziam esse velho engano de que estamos mais seguros em ambientes que reconhecemos. Os meus anjos da guarda tinham a ingenuidade de acreditar que eu estaria mais protegido apenas por não me aventurar para além da fronteira da minha língua, da minha cultura, do meu território.
 
O medo foi, afinal, o mestre que mais me fez desaprender. Quando deixei a minha casa natal, uma invisível mão roubava-me a coragem de viver e a audácia de ser eu mesmo. No horizonte vislumbravam-se mais muros do que estradas. Nessa altura, algo me sugeria o seguinte: que há neste mundo mais medo de coisas más do que coisas más propriamente ditas.
 
No Moçambique colonial em que nasci e cresci, a narrativa do medo tinha um invejável casting internacional: os chineses que comiam crianças, os chamados terroristas que lutavam pela independência do país, e um ateu barbudo com um nome alemão. Esses fantasmas tiveram o fim de todos os fantasmas: morreram quando morreu o medo. Os chineses abriram restaurantes junto à nossa porta, os ditos terroristas são governantes respeitáveis e Karl Marx, o ateu barbudo, é um simpático avô que não deixou descendência.
 
O preço dessa construção [narrativa] de terror foi, no entanto, trágico para o continente africano. Em nome da luta contra o comunismo cometeram-se as mais indizíveis barbaridades. Em nome da segurança mundial foram colocados e conservados no Poder alguns dos ditadores mais sanguinários de que há memória. A mais grave herança dessa longa intervenção externa é a facilidade com que as elites africanas continuam a culpar os outros pelos seus próprios fracassos.
 
A Guerra-Fria esfriou mas o maniqueísmo que a sustinha não desarmou, inventando rapidamente outras geografias do medo, a Oriente e a Ocidente. E porque se trata de novas entidades demoníacas não bastam os seculares meios de governação… Precisamos de intervenção com legitimidade divina… O que era ideologia passou a ser crença, o que era política tornou-se religião, o que era religião passou a ser estratégia de poder.
 
Para fabricar armas é preciso fabricar inimigos. Para produzir inimigos é imperioso sustentar fantasmas. A manutenção desse alvoroço requer um dispendioso aparato e um batalhão de especialistas que, em segredo, tomam decisões em nosso nome. Eis o que nos dizem: para superarmos as ameaças domésticas precisamos de mais polícia, mais prisões, mais segurança privada e menos privacidade. Para enfrentar as ameaças globais precisamos de mais exércitos, mais serviços secretos e a suspensão temporária da nossa cidadania. Todos sabemos que o caminho verdadeiro tem que ser outro. Todos sabemos que esse outro caminho começaria pelo desejo de conhecermos melhor esses que, de um e do outro lado, aprendemos a chamar de “eles”.
 
Aos adversários políticos e militares, juntam-se agora o clima, a demografia e as epidemias. O sentimento que se criou é o seguinte: a realidade é perigosa, a natureza é traiçoeira e a humanidade é imprevisível. Vivemos – como cidadãos e como espécie – em permanente situação de emergência. Como em qualquer estado de sítio, as liberdades individuais devem ser contidas, a privacidade pode ser invadida e a racionalidade deve ser suspensa.
 
Todas estas restrições servem para que não sejam feitas perguntas [incomodas] como, por exemplo, estas: porque motivo a crise financeira não atingiu a indústria de armamento? Porque motivo se gastou, apenas o ano passado, um trilião e meio de dólares com armamento militar? Porque razão os que hoje tentam proteger os civis na Líbia são exatamente os que mais armas venderam ao regime do coronel Kadaffi? Porque motivo se realizam mais seminários sobre segurança do que sobre justiça?
 
Se queremos resolver (e não apenas discutir) a segurança mundial – teremos que enfrentar ameaças bem reais e urgentes. Há uma arma de destruição massiva que está sendo usada todos os dias, em todo o mundo, sem que sejam precisos pretextos de guerra. Essa arma chama-se fome. Em pleno século 21, um em cada seis seres humanos passa fome. O custo para superar a fome mundial seria uma fracção muito pequena do que se gasta em armamento. A fome será, sem dúvida, a maior causa de insegurança do nosso tempo.
 
Mencionarei ainda outra silenciada violência: em todo o mundo, uma em cada três mulheres foi ou será vítima de violência física ou sexual durante o seu tempo de vida… A verdade é que… pesa uma condenação antecipada pelo simples facto de serem mulheres.
 
A nossa indignação, porém, é bem menor que o medo. Sem darmos conta, fomos convertidos em soldados de um exército sem nome, e como militares sem farda deixamos de questionar. Deixamos de fazer perguntas e de discutir razões. As questões de ética são esquecidas porque está provada a barbaridade dos outros. E porque estamos em guerra, não temos que fazer prova de coerência nem de ética nem de legalidade.
 
É sintomático que a única construção humana que pode ser vista do espaço seja uma muralha. A chamada Grande Muralha foi erguida para proteger a China das guerras e das invasões. A Muralha não evitou conflitos nem parou os invasores. Possivelmente, morreram mais chineses construindo a Muralha do que vítimas das invasões do Norte. Diz-se que alguns dos trabalhadores que morreram foram emparedados na sua própria construção. Esses corpos convertidos em muro e pedra são uma metáfora de quanto o medo nos pode aprisionar.
 
Há muros que separam nações, há muros que dividem pobres e ricos. Mas não há hoje no mundo muro que separe os que têm medo dos que não têm medo. Sob as mesmas nuvens cinzentas vivemos todos nós, do sul e do norte, do ocidente e do oriente… Citarei Eduardo Galeano acerca disso que é o medo global:
 
“Os que trabalham têm medo de perder o trabalho. Os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho. Quem não têm medo da fome, têm medo da comida. Os civis têm medo dos militares, os militares têm medo da falta de armas, as armas têm medo da falta de guerras.”
 
E, se calhar, acrescento agora eu, há quem tenha medo que o medo acabe.
 
 
Mia Couto
"Eu só finjo ser escrava das suas vontades, no fundo eu tô satisfazendo são as minhas".
 
 Gabriela Stacul

Prelado é preso em investigação sobre Banco do Vaticano

Monsenhor Scarano é acusado de retirar cerca de € 600 mil de conta bancária. Religioso trabalhava como contador da Santa Sé e era conhecido como Monsenhor 500 pelas notas altas na carteira

Um monsenhor suspeito de tentar ajudar amigos ricos a levar milhões de euros para a Itália ilegalmente foi preso nesta sexta-feira, como parte de uma investigação no Banco do Vaticano.
 
O monsenhor Nunzio Scarano, conhecido como Monsenhor 500 pelas notas altas na carteira, trabalhava como contador da administração financeira do Vaticano e já estava envolvido em outra investigação realizada por juízes do Sul da Itália.
 
A detenção acontece dois dias depois de o Papa Francisco ter nomeado uma comissão especial de inquérito para investigar as atividades da instituição, que é formalmente conhecida como o Instituto para Obras de Religião (IOR), e tem sido atingida por vários escândalos nas últimas décadas.
 
 
Leia mais clicando aqui
 
 
O Globo

Quanto vai custar o plebiscito

A pedido da Presidência da República, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está realizando estudo sobre a viabilidade e os custos da realização de um plebiscito para discutir reforma política em todo o país. A princípio, os técnicos do TSE utilizam duas cifras para estimar o custo do plebiscito: R$ 252 milhões e R$ 395 milhões. O primeiro valor foi atualizado em 2010 e refere-se ao custo do referendo do desarmamento, realizado em 2005. O segundo valor é o custo das eleições municipais de 2012.
 
 
Fonte: O Globo

Piada

O marido vai ao médico do convênio para exames de rotina. Após várias perguntas, vem a clássica:
- Como anda a vida sexual?
- Tudo bem doutor, em torno de 6-7 vezes por mês.
O médico estranha:
- Ué, mas sua esposa esteve na última consulta e me disse que tem em média 30 relações por mês!
- Ah, mas isso aí doutor é assim até pagarmos as prestações do apartamento, depois volta ao normal!

O Brasil nas ruas - Pra não dizer que não falei das flores (Geraldo Vandré)


Hora do recreio: O eterno instinto masculino


sexta-feira, 28 de junho de 2013

Humor



Corrupção passa a ser crime hediondo

O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (26) o projeto de lei que altera o Código Penal para aumentar a punição para corrupção e tornar esse tipo de delito crime hediondo, considerado de maior gravidade.
 
O texto aprovado determina que a corrupção ativa (quando é oferecida a um funcionário público vantagem indevida para a prática de determinado ato de ofício) passa ter pena de 4 a 12 anos de reclusão, além de multa – atualmente, a reclusão é de 2 a 12 anos. A mesma punição passa a valer para a corrupção passiva (quando funcionário público solicita ou recebe vantagem indevida em razão da função que ocupa).
 
A proposta também inclui entre crimes hediondos a prática de concussão (ato de exigir benefício em função do cargo ocupado).
 
A proposta segue agora para a Câmara – se alterada pelos deputados, voltará para o Senado antes de ser sancionada pela presidente da República.

Comercial russo de absorvente entra pra lista dos mais bizarros

Só os russos para fazerem um comercial assim.Uma propaganda de absorvente interno tem dado o que falar na Rússia e na internet. O vídeo da propaganda já espalhou pela rede. No comercial, duas mulheres estão entrando no mar, uma usa o absorvente da marca, a outra não.
 
Veja o que acontece com a mulher que não usa o absorvente no vídeo abaixo:
 

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Leandro Gomes de Barros

(...)
Se eu conversasse com Deus
iria lhe perguntar
por que é que sofremos tanto
quando viemos pra cá
que dívida é essa
que a gente tem que morrer pra pagar.

Perguntaria também
como é que ele é feito
que não dorme, que não come
e assim vive satisfeito
porque é que ele não fez
a gente do mesmo jeito.

Por que existe uns felizes
e outros que sofrem tanto
nascendo do mesmo jeito
morando no mesmo canto
quem foi que temperou o choro
e acabou salgando o pranto.


Leandro Gomes de Barros

Versos do poeta pombalense Leandro Gomes de Barros em que retrata muito bem o enigma do mal e do sofrimento do mundo.
"O homnem começa a morrer na idade em que perde o entusiasmo.”
 
 
"Eu sei muito bem que nenhuma democracia vive sem partidos. Mas há formas de mitigar essa influência, de introduzir pitadas de vontade popular, de consulta direta à população
 
 
Joaquim Barbosa, presidente do STF
Sou construída por emoções secretas. Podem até comentar sobre mim, mas me capturar… Só com minha permissão!
 
 
by Martha Medeiros

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Hora do recreio: Contribuições patriotas

O sujeito está andando pela estrada quando de repente o trânsito pára e a situação não muda por alguns minutos. Todos os motoristas descem dos carros pra esticar as pernas e tentar descobrir o que está acontecendo, até que uma mulher aparece correndo, ofegante e um dos motoristas tenta tranqüilizá-la:
- Calma moça! O que aconteceu?
- Uns seqüestradores pegaram a Dilma como refém e estão pedindo mil reais pra soltá-la! Se ninguém der o dinheiro eles vão jogar gasolina nela e atear fogo! Então nós estamos passando de carro em carro para pedir donativos.
- E quanto que vocês já conseguiram? - perguntou um outro senhor, aflito.
- Ahhh... uns vinte litros!
Reblogged from naturesdoorways

Coisas do Banco do Brasil

Há muito tempo, quando o Banco do Brasil era considerado o maior banco rural do mundo, mantinha em sua Carteira Agrícola um quadro de avaliadores (também conhecidos por "fiscais") que eram pessoas com conhecimentos na área, contratadas para verificar "in loco" se os pedidos de financiamento estavam em ordem, etc, etc.

Ocorre que nem sempre eram pessoas com bom nível de escolaridade. O que valia era o conhecimento prático. Daí nos relatórios constarem algumas "batatadas" que alguns gaiatos, como não poderia deixar de ser, anotaram para gáudio de todos nós:

- "O sol castigou o mandiocal. Se não fosse esse gigante astro, as safras seriam de acordo com as chuvas que não vieram".

- "Mutuário triste e solitário pelo abandono da mulher não pode produzir".

- "Acho bom o Banco suspender o negócio do cliente para não ter aborrecimentos futuros".

- "Vistoria perigosa. As chuvas pluviais da região inundaram o percurso, que foi todo feito a muito custo".

- "Mutuário faleceu. Viúva continua com o negócio aberto".

- "O contrato permanece na mesma, isto é, faltando fazer as cercas que ainda não ficaram prontas".

- "Foi a vistoria feita a lombo de burro com quase 8 km".

- "A máquina elétrica financiada era toda manual e velha".

- "Financiado executou trabalho braçalmente e animalmente".

- "O curral todo feito a capricho, bem parecendo um salão de baile a fantasia".

- "Visitamos o açude nos fundos da fazenda e depois de longos e demorados estudos constatamos que o mesmo estava vazio".

- "Os anexos seguem em separado".

- "A lavoura nada produziu. Mutuário fugiu montado na garantia subsidiária".

- "Era uma ribanceira tão ribanceada que se estivesse chovendo e eu andasse a cavalo e o cavalo escorregasse, adeus fiscal!".

- "Tendo em vista que o mutuário adquiriu aparelhagem para inseminação artificial e que um dos touros holandeses morreu, sugerimos que se fizesse o treinamento de uma pessoa para tal função".

- "Assunto: Cobra. Comunico que faltei ao expediente do dia 14 em virtude de ter sido mordido pela epigrafada".
 

(Fonte: anotações diversas de vários funcionários - Releituras).



"Ás vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido".

"I Giorni" Ludovico Einaudi feat D. Hope


terça-feira, 25 de junho de 2013

Rubem Braga

Nesta terça-feira, 25 de junho: a exposição "Rubem Braga - O Fazendeiro do Ar" chega ao Museu da Língua Portuguesa trazendo textos, documentos, correspondências, desenhos, pinturas, fotografias, objetos, depoimentos em vídeos e publicações do autor, em comemoração ao seu centenário.


A mostra "Rubem Braga - O Fazendeiro do Ar" conta a história do escritor a partir de espaços temáticos que transportam o visitante ao universo que o inspirou e o tornou criador da moderna crônica brasileira.

De 25 de junho a 2 de setembro, no primeiro andar do Museu da Língua Portuguesa.


Ousar é perder o equilíbrio momentaneamente. Não ousar é perder-se.
 
Milhares de crianças brasileiras têm a infância destruída. Elas não podem ir para Estádios bilionários gritar gol e cantar "eu sou brasileiro com muito orgulho / com muito Amor". Caso tivessem opção elas iriam preferir morar no País da Justiça Social, no País da qualidade de vida, no País da Educação, mas moram no país do futebol. (DL)
 


 Prof. Dimas Lucena

Eu aceito, eu aceito, eu aceito - Grupo ABBA


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Somente o amor vence barreiras


Construção do ser humano se realiza na sociedade, mas não é só isso

Em 1845, Karl Marx escreveu suas famosas 11 teses sobre Feuerbach, publicadas somente em 1888, por Engels. Na sexta tese, Marx afirma algo verdadeiro, mas reducionista: “A essência humana é o conjunto das relações sociais”. Efetivamente, não se pode pensar a essência humana fora das relações sociais, mas ela é muito mais que isso, pois resulta do conjunto de suas relações totais.

Descritivamente, sem se querer definir a essência humana, ela emerge como um nó de relações voltadas para todas as direções. O ser humano se constrói à medida que ativa esse complexo de relações. Sente em si uma pulsão infinita, embora encontre somente objetos finitos. Daí a sua permanente implenitude e insatisfação.

Não se trata de um problema psicológico que um psicanalista ou um psiquiatra possa curar. É sua marca distintiva, ontológica, e não um defeito. Mas, aceitando a indicação de Marx, boa parte da construção do humano se realiza, efetivamente, na sociedade. Daí a importância de considerarmos qual seja a formação social que melhor cria as condições para o ser humano poder desabrochar mais plenamente nas mais variadas relações. Sem oferecer as devidas mediações, diria que a melhor formação social é a democracia: comunitária, social, representativa, participativa, de baixo para cima e que inclua todos.

Participação.
Na formulação de Boaventura de Souza Santos, a democracia deve ser um ser sem fim. Como numa mesa, vejo quatro pernas que sustentam uma democracia mínima e verdadeira.

A primeira perna reside na participação: o ser humano, inteligente e livre, não quer ser apenas beneficiário de um processo, mas ator e participante. Só assim se faz sujeito e cidadão. Essa participação deve vir de baixo para não excluir ninguém.

A segunda perna consiste na igualdade. É a igualdade no reconhecimento da dignidade de cada pessoa e no respeito a seus direitos que sustenta a justiça social.

A terceira perna é a diferença. Ela é dada pela natureza. Cada ser, especialmente o ser humano, é diferente. São as diferenças que nos revelam que podemos ser humanos de muitas formas, todas elas humanas e, por isso, merecedoras de respeito e de acolhida.

A quarta perna se dá na comunhão. Aqui aparece a espiritualidade como aquela dimensão da consciência que nos faz sentir parte de um Todo e como aquele conjunto de valores intangíveis que dão sentido às nossas vidas pessoal e social e também a todo o universo.

Equilibrio.

Essas quatro pernas vêm sempre juntas e equilibram a mesa – sustentam uma democracia real. Esta nos educa para sermos coautores da construção do bem comum. Em nome dela, aprendemos a limitar nossos desejos por amor à satisfação dos desejos coletivos.

Essa mesa de quatro pernas não existiria se não estivesse apoiada no chão e na terra. Assim, a democracia não seria completa se não incluísse a natureza, que tudo possibilita. Ela fornece a base físico-química-ecológica que sustenta a vida e a cada um de nós.

Pelo fato de terem valor em si mesmos, independentemente do uso que fizermos deles, todos os seres são portadores de direitos. Merecem continuar a existir, e a nós cabe respeitá-los e entendê-los como concidadãos. Serão incluídos numa democracia sem fim sociocósmica.

Esparramado em todas essas dimensões, realiza-se o ser humano na história, num processo ilimitado e sem fim.
 
 
Leonardo Boff 

Médicos vão as ruas contra Dilma nesta quarta



A importação de médicos estrangeiros, um dos projetos invocados por Dilma Rousseff para fazer a rua voltar para casa, levará mais gente ao asfalto. Entidades médicas organizam para as 16h desta quarta-feira (26) um protesto nacional em defesa da valorização dos profissionais brasileiros e investimentos no SUS.

 
Em reação ao pronunciamento feito por Dilma em rede nacional de rádio e tevê, as entidades divulgaram uma “carta aberta aos médicos e à população brasileira”. No texto, anotam que o projeto do governo “é de alto risco” e “simboliza uma vergonha nacional.” Subscrevem o documento quatro entidades. Entre elas a Associação Médica Brasileira e o Conselho Federal de Medicina, que formulou proposta para levar médicos aos fundões do país.

 
Para essas entidades, a iniciativa do governo seria arriscada porque exporia a população brasileira “à ação de pessoas cujos conhecimentos e competências não foram devidamente comprovados.” Seria vergonhosa porque “tem valor inócuo, paliativo, populista e esconde os reais problemas que afetam o SUS.”

 
Que problemas? Falta de leitos e de medicamentos, ambulâncias paradas por falta de combustível, infiltrações nas paredes e goteiras nos hospitais, infraestrutura precária e baixa valorização dos médicos. Provocativo, o texto recorda o câncer que levou Dilma a tratar-se no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

 
“Há alguns anos, a presidente Dilma Rousseff foi vítima de grave problema de saúde”, anota a carta. “O tratamento aconteceu em centros de excelência do país e sob a supervisão de homens e mulheres capacitados em escolas médicas brasileiras. O povo quer acesso ao mesmo, e não quer ser tratado como cidadão de segunda categoria, tratado por médicos com formação duvidosa e em instalações precárias.”

 
As entidades informam que tomarão “todas as medidas possíveis, inclusive as jurídicas” para tentar barrar o projeto do governo. Além do protesto prevista para esta quarta-feira, as entidades organizam para o dia 3 de julho uma “paralisação nacional” dos médicos.
 
 
Josias de Souza

Internautas são maioria entre os brasileiros pela 1ª vez, diz pesquisa

Brasileiros conectados representaram 49% da população em 2012.País tem 40% das residências com acesso à internet, mostra Cetic.br
 
O número brasileiros que acessam a internet superou, em 2012, pela primeira vez o número de pessoas que nunca acessaram a web, segundo a pesquisa “TIC Domicílios”, realizada pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br) e divulgada nesta quinta-feira (20).
 
Os brasileiros que acessaram a internet ao menos uma vez em três meses representam 49% do total da população em 2012, enquanto os cidadãos desconectados representam 45%. Em 2011, as porcentagens eram trocadas.
 
O Cetic, órgão vinculado ao Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (Nic.br), elaborou a pesquisa com mais de 17 mil domicílios. Em 2012, 40% das residências já possuíam acesso à internet, acima dos 36% registrados no ano anterior.
 
Depois de superar as lan houses como o principal ponto de acesso à web, em 2009, os domicílios se consolidaram na liderança. Em 2012, 74% dos usuários acessavam a web em casa.
 
Apesar da queda de oito pontos percentuais, para 19% dos usuários, entre 2011 e 2012, o volume de acessos à web nos telecentros ainda é o principal ponto majoritário de acesso para as classes D e E.
O uso diário da internet no Brasil é frequente para 69% dos internautas. Em 2008, este comportamento era comum entre 53% dos pesquisados.

 
Celular e notebook
 
Entre os usuários de celulares no país, 24% acessaram a internet em 2012 – em 2011 foram 18%.
Computadores portáteis, como notebooks, estão presentes em metade dos domicílios com computador no país. Em 2011, o índice era de 41%.

 
Regiões urbana e rural
 
A discrepância entre o acesso à internet em áreas urbanas (54%) e rurais (18%) persiste. Entre os brasileiros que nunca usaram a internet, 77% vivem na zona rural.

 
 
Fonte: G1
Só quem tem filhos sabe como é, precisa de muita criatividade e energia

domingo, 23 de junho de 2013

Versículo do dia

Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito.  (João 15:7)
"Se um homem marcha com um passo diferente do dos seus companheiros, é porque ouve outro tambor."
 
 

Livro de brinquedo para adulto

Em sua Visão do livro infantil, Walter Benjamin escreve que “diante de seu livro ilustrado, a criança coloca em prática a arte dos taoístas consumados: vence a parede ilusória da superfície e, esgueirando-se por entre tecidos e bastidores coloridos, adentra um palco onde vive o conto maravilhoso”. Benjamin fala a propósito da festiva participação que as crianças conseguem ter com as histórias dos livros infantis. A leitura é, para elas, algo como ir a um baile de máscaras, como tornar-se cenógrafo. De um lado se está convidado a uma festa curiosíssima, de outro é preciso trabalhar para que ela aconteça.
 
Do texto benjaminiano, cito mais um trecho absolutamente necessário: “que se indiquem quatro ou cinco palavras determinadas para que sejam reunidas em um curta frase, e assim virá à luz a prosa mais extraordinária: não uma visão do livro infantil, mas um indicador de caminhos”. Antes, Benjamin tinha comparado as palavras que “revolteiam confusamente no meio da brincadeira como sonoros flocos de neve”; é com elas, penso eu, que as crianças leitoras aprenderão o caminho mágico do livro.
 
Brinquedo gracioso

A verdadeira história do alfabeto, de Noemi Jaffe,parece seguir um desses caminhos benjaminianos. Transforma-nos, seus leitores, em crianças para devolver-nos o prazer da leitura. Aquele prazer da imaginação de certo modo proibido em nosso contexto social e que, alcançado, permite a cada um inventar o seu próprio modo de sonhar. O sonho tornou-se prática impossível em tempos de atrofia da imaginação; a leitura como experiência despretensiosa é a salvação da liberdade de uma fantasia que nos torna mais felizes.
 
O livro de Jaffe surpreendeu-me como leitura graciosa. Digo “graça” porque é bem-humorado, mas de um humor infantil no melhor sentido, da ironia que só percebe aquele que sabe usar um brinquedo. Um humor que Jaffe compartilha com o Jorge Luis Borges de O livro dos seres imaginários, também ele organizado em ordem alfabética, como uma enciclopédia ou dicionário cujo objetivo é ser um brinquedo para adultos, ou mesmo para crianças que possam passear pela experiência de linguagem da idade adulta. Temos que lembrar que as idades (criança, adolescente, adulto, velho) nada mais são do que fantasias de intenção exata bancadas pela ciência — da medicina à psicologia — e pela moral.
 
Assim, enquanto Borges conta a história de seres imaginários como a quimera ou o mirmecoleão, dando-nos sua versão de quem sejam pela descrição, Jaffe, autora que pertence ao tempo da virada lingüística da cultura e das ciências humanas, transforma as letras em seres que transitam entre o cotidiano e o transcendental investindo no absurdo de “ser” alguma coisa num mundo orientado pelo “estar”. A letra é uma coisa que bate à nossa porta exigindo um lugar histórico muito especial, um lugar de ser e estar enquanto brinquedo. Ou seja, onde o sentido das coisas pode — e deve — ser inventado, senão não há brincadeira possível e a vida é tomada pela tristeza adulta, a tristeza que vem com a idade da razão, a tristeza de quem se tornou incapaz de sonhar.
 
Regra do jogo

A oposição — ou mesmo tensão — entre ser e estar — estes verbos de realidades muito abstratas — tem sua solução dialética e redentora na fantasia. O modo de ser dessa fantasia não é apenas o devaneio cujos limites são imprecisos. A fantasia de Noemi Jaffe é também “imagem” de uma palavra. Um desenho feito de palavras em um livro brincante. Assim, a letra é, em primeiro lugar, algo que cola os mundos do transcendental (as letras poderiam ser números) e o real mais imediato por meio da fantasia na precisão da imagem de um brinquedo, como se fosse uma ilustração infantil — só que para adultos.
 
Um exemplo nos permitirá compreender o “método” (ou o caminho) de Jaffe. Analisemos a história da letra B, em que o processo de composição do texto se expõe como que musicalmente. A autora nos conta que:
 
Em 1725, Johann Sebastian Bach se preparava para compor sua cantata número 1 em si bemol maior, na igreja luterana se São Tomás, em Leipzig, onde matinha uso exclusivo e solitário de um órgão adquirido pelo arcebispo de Leipzig, a seu pedido, dezoito anos antes, diretamente de um fabricante que por ali passara e comentara a existência do órgão, quando ocorreu um grave problema.
 
Tomados pelo “problema” como em uma história convencional, os leitores seguirão para ver o que acontece. Então, saberemos que Bach estava cego, que havia especulações sobre sua cegueira, mas, sobretudo, apesar da maldade dos homens, ninguém duvidava dos anjos presentes em seus ensaios. Problema mesmo será o si bemol que não soava para completar a composição de Bach até que Jaffe decide especular sobre a “esfera intermediária” onde habitam os anjos companheiros de Bach. O exemplo que ela nos dá para que saibamos a importância dessa esfera intermediária é que neste mundo os anjos não se ocupam de “assuntos propriamente celestes”, nem dos “estritamente mundanos, como doenças e afogamentos”. Percebi que o livro era um brinquedo logo que vi estes pequenos tópicos do absurdo, palavrinhas colocadas na intenção de nonsense que nos encaminham não à criação de um senso desejável, mas à aceitação de uma regra do jogo: às vezes não há sentido algum e essa é a parte mais importante da história. Se na esfera mundana assuntos mundanos são “doenças e afogamentos” sem que haja menção a afogamento algum…
 
Teoria da palavra

É então que Jaffe conta do encantamento de Bach com a teoria musical de Guido D’Arezzo e o Hino de São João Batista e nos faz saber que “Como em todas as outras vezes, o músico se emocionava com a precisão das palavras que praticamente justificavam a existência da música; um elogio claro à força e ao milagre de Deus e a mais perfeita absolvição de nossas impurezas”. Este é o momento bachiano do livro, auto-referencial (lembremos Hofstadter e seu sublime Gödel, Escher, Bach). Momento em que podemos vê-la como Bach, debruçada sobre seu dicionário, absolvendo as impurezas da nossa idade adulta e, como um anjo, nos dando a chance da experiência da linguagem da infância.
 
A solução para a história bachiana da nota silenciosa resolve-se com um pouco de heresia e paganismo para o compositor que, segundo Cioran, teria inventado Deus. Bach resolve a complicada notação com a nota B, ou si bemol maior, e é por isso que conseguimos entender que “com uma intervenção pitagórica das esferas cósmicas em meio à devoção piedosa das notas cristãs, nasceu a letra B, que se mantém até os dias de hoje em coisas e seres religiosos e profanos, como as bétulas, os bichos e as bolas”.
 
É assim também que, em segundo lugar, Noemi Jaffe transforma a história em fantasia. Mas, como dizia Adorno a propósito de Bacon e Leibniz, trata-se de “ars inveniend” que depende daquela “fantasia exacta”. A autora usa a ciência e a história enquanto ciência como um brinquedo, agindo nos detalhes mínimos sem desmontá-la. Assim, o “progresso da ciência” comprometido com uma idéia de verdade totalmente falsa dá lugar ao ser humano que imagina e encontra um outro estatuto da verdade. Este que nos permite saber da vida a parte de ficção.
 
Lendo com atenção, veremos que a cada letra cuja história é narrada o livro contém sua própria teoria. Chegando na letra M, por exemplo, teremos uma belíssima exposição do problema filosófico da verdade em Boécio, sujeito que escreveu o famoso A consolação da filosofia quando foi acusado de traição contra o império romano e também de magia, e que nos serve para entender o que pretende Jaffe com seu livro de areia: “o supremo bem possível consiste no conhecimento da verdade, na prática do bem e no deleite em ambos os tratados dos aspectos do significar”.O Boécio de Jaffe é salvo como não poderia deixar de ser neste livro que tem como esperança salvar o mundo pelas palavras. Penso que ela conseguiu.
 
 
Marcia Tiburi

Varal

Pequenas coisas

Um jovem tinha acabado de se formar em direito e instalou seu escritório de advocacia, orgulhoso de poder exibir sua placa na frente. Em seu primeiro dia de trabalho, sentou-se à mesa e deixou a porta aberta, imaginando como conseguiria seu primeiro cliente. Ouviu, então, o ruído de passos no corredor em direção ao escritório.
 
Evitando que seu cliente potencial percebesse que era o primeiro, o jovem advogado pôs o fone no ouvido e falando em voz alta simulou uma conversa com se alguém estivesse telefonado. “Oh, sim senhor! Tenho muita experiência em direito comercial...experiência em tribunais? Sim, claro, tenho trabalhado em vários casos”.
 
O ruído dos passos se aproximou de sua porta. “Tenho ampla experiência em quase todas as categorias do direito trabalhista”, continuou, falando alto o bastante para seu iminente visitante ouvir.
 
Finalmente, com os passos já chegando à sua porta, respondeu à hipotética pergunta: “Caro? Oh, não senhor, sou muito razoável. Estou informado de que meus honorários são os mais baixos da cidade”.
 
O jovem advogado pediu desculpas por sua “conversação” e, tapando o fone para não ser ouvido pelo “cliente que estava no outro lado da linha”, atendeu o visitante que já estava diante da porta. Confiante e amável disse: “Sim, senhor, posso servi-lo?”
 
“Bem, o senhor pode”, disse o visitante com um sorriso maroto. “Sou da companhia telefônica e estou aqui para ligar o seu aparelho!”
 
Quantas vezes agimos assim em diversas áreas da nossa vida, demonstrando uma auto-suficiência que não existe.
 
Prof. Menegatti

(R)evolução


sábado, 22 de junho de 2013

Porte de drogas para consumo é legalizado no Equador

A partir desta sexta-feira, os consumidores de drogas no Equador poderão portar maconha, cocaína, heroína, ecstasy ou anfetaminas em quantidades fixadas pelo governo sem serem sancionados. A resolução, publicada no Diário Oficial, explica ainda que o ministério da Saúde preparou uma “análise técnica” sobre quantidades referenciais com fins de consumo.

De acordo com as regras fixadas, os consumidores poderão portar até 10 gramas de maconha e 2 gramas da pasta base de cocaína, entre outras quantidades. O procurador-geral do Estado, Diego García, explicou na quinta-feira que a Constituição e a lei permitem e consideram que o consumo não seja criminalizado.
 
 
O Globo

O Brasil nas ruas


Sinto

Sinto
que em minhas veias arde
sangue,
chama vermelha que vai cozendo
minhas paixões no coração.


Mulheres, por favor,
derramai água:
quando tudo se queima,
só as fagulhas voam
ao vento.



Federico García Lorca, in ‘Poemas Esparsos’
Tradução de Oscar Mendes

Interlúdio


"Há quem receba dinheiro. Ou palavras. Ou diários íntimos. Há quem não receba nada. Eu recebi como testamento do meu avô esta poesia muda das últimas fotografias que tirou, recolhidas durante mais de uma década no interior da sua antiquíssima Rolleiflex. Quase em jeito de epitáfio, como se pretendesse transmitir por imagens ao neto que nunca mais veria: não procures mais, o essencial da vida é isto." [excerto]
 
 
"Devagar, desato a corda que fecha a saca. Lá dentro, um papel, na letra da mãe: “Nesta casa, só as andorinhas de barro podem voar”. Por baixo, os cacos das andorinhas que um dia enfeitaram a casa."
 

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Forrozão danado de bom

Aconteceu ontem a comemoração dos festejos de São João do Fórum Francisco Nelson da Nóbrega em Pombal-PB. O arraiá danado de bom teve inicio às 14h após o expediente forense dessa última quinta-feira e contou com a presença de vários servidores do judiciário além de Magistrados e Promotores de Justiça.
 
Além da animação, não faltaram comidas tipicas e muito forró pé de serra, inclusive, com a participação especial nos vocais dos companheiros Reinaldo, Pedro Nóbrega e Suedja que deram uma palhinha no trio sertanejo.
 
Foi danado de bom !   
"Nossas dúvidas são traidoras, e nos fazem perder o que, com frequência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar.”


William Shakespeare

Over The Ocean


quinta-feira, 20 de junho de 2013

Amor a perder de vista


Ninguém é insubstituível

Sala de reunião de uma multinacional. O CEO nervoso fala com sua equipe de gestores. Agita as mãos mostra gráficos e olhando nos olhos de cada um ameaça: “ninguém é insubstituível” .
 
A frase parece ecoar nas paredes da sala de reunião em meio ao silêncio. Os gestores se entreolham, alguns abaixam a cabeça. Ninguém ousa falar nada.
 
De repente um braço se levanta e o CEO se prepara para triturar o atrevido:
 
- Alguma pergunta?

- Tenho sim. E o Beethoven?

- Como? – o CEO encara o gestor confuso.

- O senhor disse que ninguém é insubstituível e quem substitui o Beethoven?
 
Silêncio.
 
Quem substitui Beethoven? Tom Jobim? Ayrton Senna? Ghandi? Frank Sinatra? Dorival Caymmi? Garrincha? Michael Phelps? Santos Dumont? Monteiro Lobato?Faria Lima ? Elvis Presley? Os Beatles? Jorge Amado? Paul Newman? Tiger Woods? Albert Einstein? Picasso?
 
Todos esses talentos marcaram a História fazendo o que gostam e o que sabem fazer bem – ou seja – fizeram seu talento brilhar. E portanto são sim insubstituíveis.
 
Cada ser humano tem sua contribuição a dar e seu talento direcionado para alguma coisa. Está na hora dos líderes das organizações reverem seus conceitos e começarem a pensar em como desenvolver o talento da sua equipe focando no brilho de seus pontos fortes e não utilizando energia em reparar “seus gaps”.
 
Ninguém lembra e nem quer saber se Beethoven era surdo, se Picasso era instável, Caymmi preguiçoso, Kennedy egocêntrico, Elvis paranóico.
 
O que queremos é sentir o prazer produzido pelas sinfonias, obras de arte, discursos memoráveis e melodias inesquecíveis, resultado de seus talentos.
 
Cabe aos líderes de sua organização mudar o olhar sobre a equipe e voltar seus esforços em descobrir os pontos fortes de cada membro. Fazer brilhar o talento de cada um em prol do conjunto.
 
Se você ainda está focado em “melhorar as fraquezas” de sua equipe corre o risco de ser aquele tipo de líder que barraria Garrincha por ter as pernas tortas, Albert Einstein por ter notas baixas na escola, Beethoven por ser surdo e Gisele Bündchen por ter nariz grande.
 
E na sua gestão o mundo teria perdido todos esses talentos.
 
 
Prof. Menegatti

quarta-feira, 19 de junho de 2013


A sutileza do pensamento consiste em descobrir a semelhança das coisas diferentes e a diferença das coisas semelhantes.
 
 
Duas reivindicações das ruas contam com o apoio deste que vos fala. Eis o panfleto da hora: que abaixem os preços das passagens, que levantem o moral dos velhos.
 
Sem essa de vovô viu a uva. Vovô viu o Viagra. Mais do que legítima essa bandeira nova dos idosos.
 
 
O Sindicato Nacional dos Aposentados pede a inclusão de medicamentos para a chamada disfunção erétil na cesta básica ou, no mínimo, a que estes remédios tenham desconto na rede de farmácias populares.
 
É uma questão de saúde pública. Se você melhora a vida sexual, melhora tudo. Não precisa ser um Freud de botequim para saber dessa tremenda obviedade.
 
Não deixa de ser também uma maneira de lutar pelo meu futuro desde agora. Ai de nós, Copacabana.
 
 
Nem só de gamão e resmungos contra a humanidade vive um velho.
 
Não custa nada, porém, aproveitar os avanços da ciência, a química a serviço da vida.
 
 
Mesmo sabendo, meu caríssimo e centenário Vinícius de Moraes (foto), da bela lição que nos deixaste: “Enquanto eu tiver língua e dedo/, mulher nenhuma me põe medo”.

 
 
Xico Sá

De que vale no mundo ser-se inteligente, ser-se artista, ser-se alguém, quando a felicidade é tão simples! Ela existe mais nos seres claros, simples, compreensíveis e por isso a tua noiva de dantes, vale talvez bem mais que a tua noiva de agora, apesar dos versos e de tudo o mais. Ela não seria exigente, eu sou-o muitíssimo. Preciso de toda a vida, de toda a alma, de todos os pensamentos do homem que me tiver. Preciso que ele viva mais da minha vida que da vida dele. Preciso que ele me compreenda, que me adivinhe. A não ser assim, sou criatura para esquecer com a maior das friezas, das crueldades. Eu tenho já feito sofrer tanto! Tenho sido tão má! Tenho feito mal sem me importar porque quando não gosto, sou como as estátuas que são de mármore e não sentem.
 
 
Florbela Espanca, in “Correspondência (1920)”

terça-feira, 18 de junho de 2013


"Vós que sofreis, porque amais, amai ainda mais. Morrer de amor é viver dele.”
 

E eles saíram do Facebook

O que distingue a época em que eu corria dos PMs montados a cavalo nas ruas centrais do Recife, desta quando escrevo sobre os jovens vítimas da violência da PM de São Paulo, é que há 45 anos vivíamos sob o tacão da ditadura militar inaugurada em março de 1964 e só concluída formalmente em março de 1985. De resto, agora como antes, o que os jovens tentam fazer é somente política. E nada mais.
 
Aqueles obrigados a conviver com a ditadura eram chamados pelas autoridades de subversivos, comunistas e, mais tarde, terroristas. Assim também eram apresentados pela imprensa em geral.
 
Enfrentavam a repressão com paus e pedras e derrubavam cavalarianos com bolas de gude.
(Ilustração extraída do Facebook Sou Designer)
 
Até dezembro de 1968 apenas apanhavam e eram presos por pouco tempo. Dali para frente passaram a ser torturados e mortos.
 
Muitos eram "filhos órfãos de pais vivos - quem sabe... Mortos, talvez... Órfãos do talvez e do quem sabe".
 
 
Ou de "viúvas de maridos vivos, talvez; ou mortos, quem sabe? Viúvas do quem sabe e do talvez", como denunciou o cearense Alencar Furtado, líder do PMDB na Câmara dos Deputados, em discurso que lhe custou o mandato cassado em junho de 1977 pelo presidente-general Ernesto Geisel.
 
Um objetivo unificava as diversas tendências e organizações que atraíam os jovens: a luta pela liberdade.
 
Quando a ditadura tirou a máscara e exibiu sua carranca medonha, os jovens se dividiram entre duas formas de combatê-la: pela via legal do prudente exercício cotidiano da política e pela via armada.
 
Quando a ditadura chegou ao fim, os que ainda eram jovens foram terminar seus estudos e cuidar da vida.
 
O ambiente estudantil, as entidades juvenis que restaram e os partidos que passaram a atuar livremente depois da redemocratização do país foram incapazes de seduzir as gerações que sucederam àquelas sacrificadas ou brutalizadas pela ditadura de 64.
 
Quem se encarregou de fazê-lo foi a sociedade de consumo com todas as suas formidáveis invenções. Os jovens só se animaram a sair às ruas para ajudar a derrubar Collor e a eleger Lula. Desanimaram ao vê-los mais adiante de mãos dadas como bons aliados.
 
As redes sociais começaram a funcionar como seu ponto de encontro e sua tribuna.
 
Manifesto eletrônico tomou o lugar dos antigos abaixo-assinados. Nunca se produziu tanto manifesto como nos últimos 10 anos. Basta colar ali o nome previamente digitado e sair para a balada.
 
Ainda é assim. Talvez ainda seja assim por muito tempo. Talvez esteja deixando de ser assim. É cedo para saber. E, no entanto...
 
No período de apenas uma semana, alguns milhares de jovens marcharam pelas ruas de uma dezena de cidades protestando contra o aumento das passagens de ônibus, os milionários gastos públicos com a Copa do Mundo, e o Estatuto do Nascituro.
 
Foram recepcionados com bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta, balas de borracha e policiais furiosos capazes de baixar o cacete em quem apenas a tudo assistia assustado.
 
O epicentro dos protestos foi a capital de São Paulo. Ali, e em mais três ou quatro capitais, esta noite promete novos confrontos entre o novo e o velho, o aprendiz e o sabe tudo, o insatisfeito e o conformado.
 
Pouco importa que os jovens disparem suas exigências em todas as direções sem priorizar nenhuma, que careçam de líderes amadurecidos, e que acolham em seu meio uma minoria de baderneiros e de vândalos.
 
Desde quando foi diferente no passado?
 
Somente a experiência ensina. E não há porque imaginar que os jovens de hoje não aprenderão.
 
Por mais legítimo que seja, o poder existe para ser contestado. Se não for pode virar tirania.
 
A natureza do poder é conservadora.
 
A natureza da rebeldia é destrutiva.
 
O progresso social e humanístico é filho legítimo do eterno confronto entre a rebeldia e o poder.
 
Que assim seja!

 
 
Ricardo Noblat

Aposentados lutam para incluir viagra na lista dos remédios fornecidos pelo governo

Entidades que representam os aposentados querem que mais remédios, entre eles o Viagra, indicado para impotência, sejam incluídos na lista de medicamentos do programa Farmácia Popular, do governo federal.
 
Hoje, 112 itens são oferecidos à população com descontos de até 90%, sendo que remédios para asma, diabetes e hipertensão são gratuitos. A nova lista teria mais de 150 remédios e outros produtos.
 
O assessor de saúde do Sindicato Nacional dos Aposentados, Diógenes Sandim, explicou que o objetivo principal da proposta é aumentar a lista de remédios oferecidos com descontos nas farmácias credenciadas ao programa. Hoje, as drogarias só oferecem 24 itens da lista. "A rede própria é pequena, tem cerca de 500 locais no país".
 
Diógenes disse que a lista considerou os medicamentos mais prescritos para os idosos, como insuficiência cardíaca e hipertensão. Além disso, eles querem aumentar o número de princípios ativos para tratar a mesma doença, para aumentar o leque de opções do médico.
 
O presidente do sindicato, João Inocentini, disse que a lista foi entregue ao ministro da Previdência, Garibaldi Alves Filho, e ao ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência na quarta. No dia 3 de julho haverá uma reunião entre sindicatos e governo sobre a inclusão. Os ministérios não comentaram.

O poeta e o fogo

Folheando um livro sobre o Romantismo, deparo-me com "O poeta pobre", óleo sobre tela do pintor alemão Carl Spitzweg (1808-1885). Imediatamente, como se uma mão invisível me agarrase, eu me detenho: simplesmente não posso avançar mais. Por que? O que me segura? Procuro a resposta na própria tela. Onde mais poderia estar? Ela mostra um velho poeta em um sótão miserável que lhe serve de quarto. Um guarda-chuva aberto junto ao teto encobre uma rachadura e o protege da tempestade. Velhos livros, imensos como cães de guarda, se espalham, em torno dele pelo chão. Com uma pena, que aperta entre os dentes em uma mistura de fraqueza e fúria, o poeta, mesmo deitado e tremendo de frio, continua a escrever.

Mas eis que encontro, enfim, o que me impede de avançar. O fogão tinha se apagado e, para aquecer-se um pouco, o poeta nele queima parte dos poem as que acabou de escrever. Sim, ele imola sua arte para não morrer de frio. A poesia o aquece, a poesia o mantém vivo. Ela é o seu sangue. Ela o salva. Objetos dispersos pelo chão, um móvel de canto, uma garrafa e uma bacia completam o cenário de pobreza. Indiferente, o poeta permanece muito concentrado em seus escritos. Escreve não para se exibir, ou para enriquecer, ou para se consagrar, mas para se salvar.

Surge em minha mente, em contraste, a imagem das galerias urbanas, em que quadros de pintores célebres são negociados como formas de investimento. Ou para adornar salões requintados, ou ainda _ é verdade _ para corresponder à paixão de algum comprador solitário. A arte como negócio, como objeto de status, ou como gozo. Em nenhum dos três casos, ela se relaciona com a sobrevivência. Mesmo que esses aspectos, de alguma forma, sempre se infiltrem na arte de hoje, mesmo na melhor delas, nada sustentam se não existe a presença do fogo. E o que interessa é este fogo.

Penso em Gaston Bachelard, tão esquecido. Penso, logo depois, nas mega livrarias em que os livros de poemas são cada vez mais largados pelos cantos. Há poucos dias, visitei uma delas, no centro de Curitiba. Percorri as estantes _ de romances estrangeiros e brasileiros, de filosofia, dicionários, auto-ajuda, culinária, livros de viagens. E a poesia? Não consegui encontrá-la. Já tinha na mente a tela de Spitzweg e logo entrevi o poeta pobre sob o vão da escada que leva ao setor escolar, respirando com dificuldades, escrevendo seus poemas não para lucrar com eles, ou para deles gozar, mas para sobreviver. Para queimá-los dentro de si, como alimentos.

Inevitável lembrar de Franz Kafka que, antes de morrer, pediu ao amigo Max Brod que queimasse todos os seus originais. Não era, no caso de Kafka, um pedido de sobrevivência, mas de desistência. Ai nda assim, nesse pedido o fogo permanece como imagem central. O fogo como destino da escrita. Trata-se de uma imagem eloqüente para o leitor ideal. Ideal, ou sentimental - como prefiro? O leitor sentimental "queima" junto com o livro que lê. As palavras formam labaredas. As histórias, devaneios, pensamentos, metáforas sopram seu alimento. Elas o aquecem. De novo: elas são sua energia. São a sua vida.

O escritor (o poeta) também queima enquanto escreve. Nesse sentido, não se pode atribuir o gesto do óleo pintado por Spitzweg só à pobreza extrema, embora ela seja evidente. Há algo na tela que ultrapassa as condições materiais _ ou melhor ainda: que é uma resposta às demandas materiais. Queimar, na pobreza ou na opulência, é escrever. Não são só os manuscritos que ardem: o escritor também. Nesse sentido, o guarda-chuva que protege o poeta no óleo de Carl Spitzweg é uma arma com a qual ele se defende das interferências ex ternas, protegendo, assim, o fogo de sua liberdade. Parece meio ridículo que um poeta fale, hoje, em liberdade. Parece estúpido. E, no entanto, ela permanece no centro de sua escrita.

Muito útil pensar na tela de Spitzweg nos dias de hoje. Ela deveria estar exposta à entrada de todas as livrarias das grandes avenidas, ou dos shoppings. Ilude-se quem acredita que ali entra para comprar, para presentear, para colecionar, para se divertir. Cada vez sinto mais repugnância pela ideia da literatura como status, ou como diversão. Livros não são sagrados - vejam os meus, que rabisco sem piedade alguma. Contudo, no mundo em que vivemos, cada vez mais a ideia da literatura como "jóia" (valor)parece mais "razoável". Quanto vale um best seller? Quantos milhões de exemplares vendeu um livro? É o que se deseja saber e mais nada.
 
A literatura, porém, não garante nada a ninguém: nem saber, nem autoridade, nem mestria. Ela não diverte, mas nos adverte. A advertência que nos faz é não só a respeito da realidade que nos cabe viver, mas do lugar que nela lutamos para ocupar. Não é fácil viver como o poeta pobre de Spitzweg, não faço aqui a apologia da pobreza. Mas sem alguma miséria interior, algum vazio, algum deserto, ninguém escreve para valer. A pobreza está na origem da criação literária, ou não faria sentido algum escrever.

 
José Castello

 
Sugestão de postagem do amigo Adauto Neto