sábado, 31 de maio de 2008

À cabidela


Dizem que “o que os olhos não vêm o coração não sente”. A regra atribuída aos amantes, de certo, não se aplica ao paladar nem ao olfato que quase sempre nos enche de saudades sem nenhuma ajudazinha dos olhos. Isso mesmo, uma das formas mais autênticas de se sentir saudade é se notar a falta de alguns sabores. Se os olhos traem o coração, a língua não!

A degustação nos é agradável até por pensamento. Quem já não encheu a boca de água só em pensar naquela delícia que mais nos apetece. O ato de comer, de uma boa garfada, de saborear um bom prato ainda é um dos nossos grandes prazeres e de grandes significados.

Outro dia li num noticioso que se pode definir uma época ou o padrão de uma sociedade com base apenas na culinária servida àquele povo.

A mesma fonte informava ainda que restos de alimentos encontrados “fossilizados” são suficientes até para determinação daquela civilização, seus aspectos culturais, gastronômicos e religiosos.

Mas o que eu quero dizer mesmo é que ultimamente, ou melhor, há alguns anos, embora os olhos não vejam o paladar, venho sentindo saudades de alguns sabores próprios à minha infância. Hábitos interioranos, herdados de nossos pais e avós, a exemplo da família reunida na mesa de jantar e até a geografia da disposição dos pratos sobre a mesa. Tudo em sua ordem, inclusive os talheres. As refeições ganhavam um “ar” quase que sagrado, uma áurea de respeito e agradecimento a Deus pelo alimento posto à mesa, dominava aquela cena.

Não só os alimentos se alinhavam à mesa, as pessoas também. O patriarca sentava-se à cabeceira do móvel e num sentido horário seguia-se D. Mariinha, e os três filhos, além da nossa ajudante de cozinha que, por pura adoção afetiva, compunha a nossa família.

O almoço era servido cedo. O apito da Brasil Oiticica era quem ditava o início da refeição: 11 horas em ponto. Lembro ainda que o grito da Oitica também servia para ajustarmos os relógios. Era mais confiável e pontual que o horário anunciado pela rádio globo no motorádio portátil que tínhamos.

A variedade dos pratos era de encher a boca: “arroz solto” e arroz de leite com pedacinhos de queijo coalho, feijão em caroço temperado com coentro, manteiga de garrafa e carne de charque (há época havia a suspeita de que se tratava de carne de jegue), macarrão tipo espaguete (pilar) feito ao molho de tomate (o molho era feito em casa, esmagando o tomante comprado na feira), vez por outra tinha “mala-assada” atualmente conhecida como omelete, o ovo era de galinha capoeira. Às vezes, servia-se também mungunzá salgado com mocotó de boi e farofa molhada ou com manteiga da terra, acompanhada de umas folhas de alface e batata-doce. Havia ainda o ki-suco de groselha como refresco e o arroz de festa (cozido no caldo da galinha).

Em dias de festas ou aos domingos então era a vez dela: a inigualável e indefectível galinha à cabidela e seus acompanhamentos. Até hoje lembro a receita que me fazia brilhar os olhos, e o estômago, claro:1 galinha de capoeira grande e gorda, 2 colheres de sopa de vinagre, 4 limões, sal, pimenta do reino e cheiro verde a gosto, 2 dentes de alho socados, 1 cebola ralada, 2 colheres de sopa de óleo ½ pimentão cortado em tiras finas, 4 tomates picados sem pele e sem sementes, porção de sangue da galinha e 2 folhas de louro. Era isso que compunha aquela provocação ao pecado da gula.

À tarde, lá pelas 15h30min, novamente estávamos à mesa. Era a hora do lanche. Nada de iogurtes, hambúrgueres, pizzas, todinhos, refrigerantes nem salgadinhos. Um bule de café e um amontoado de tapiocas com manteiga nos aguardavam esparramadas feito guardanapos enrolados um por cima dos outros em um dos pratos, no outro, bolinhos de caco (também chamados de orelha-de-pau). Do outro lado, meia-dúzia de pão aguado com creme de leite batido. Uma iguaria onde só no sertão se tem notícia.

Esse era o lanche, digamos, oficial, porque o oficioso era o que a gente comia na rua: do cardápio se via rosário de coco-catolé, alfininho, consolo de açúcar, broa preta, cocorote, pirulito enrolado em papel de seda vendido na tradicional “tábua de pirulito”, quebra-queixo (que podíamos trocar por garrafas, meia-garrafa e litro vazios), din din e refresco em garrafinhas de vidro não descartáveis.

Hoje o que se percebe é que aqueles pratos tradicionais das famílias nordestinas têm se distanciado da predileção dessa nova geração. A galinha a cabidela deu lugar ao galeto “bombado” de hormônios, o pão com creme foi trocado pelo rodízio de pizza e o ki-suco não resistiu às investidas da Coca-Cola.

O tempo e a propaganda consumista cuidaram de modificar a nossa mesa e hoje os sabores são outros, muito menos saudáveis, obviamente.

A galinha à cabidela com certeza é estranha ao paladar dessa juventude, logo a galinha à cabidela que, historicamente, era tida como alimento nobre, comida de alguns brancos privilegiados, importada pelos portugueses embora as suas origens mais remotas nos conduzam à cozinha francesa, do poulet en barbouille, nas batalhas entre César e os gauleses.

Sobre amor e filosofia


Para quem se coloca a pergunta “o que é o amor?” a resposta pode ser a mais animadora: o amor é um “calor que aquece a alma” na música de Nando Reis, o encontro com a alma então gêmea, com o seu príncipe encantado, com a mulher da sua vida, com um ser que é objeto de religião como acreditava o romântico Novalis que amava Sofia cedo morta. Há quem responda ser o encontro dos casais Dirceu e Marília, Romeu e Julieta, Tristão e Isolda. Um amor idealizado que ultrapassa a morte, que vai além dos limites do corpo. Nesses casos, está em cena o amor como experiência do erotismo, do desejo pelo corpo belo, e que sempre, na história, faz rememorar a cena do Banquete platônico em que o belo é o ideal que conduz além do corpo, ou o amor-cortês medieval que serviu para dar espaço a uma visão da mulher como mais que mulher, santa à imagem da Virgem Maria, e, por fim, ao amor romântico que ainda alimenta o imaginário de novelas e filmes, da literatura da alta cultura e das mercadorias da indústria cultural. O amor como narrativa do ideal é onipresente. O erotismo com o qual ele se confunde é, no seu limite, possibilitado pela morte que o nega. A morte é o limite que define o erótico como além do limite e, todavia, a ele circunscrito.

O amor romântico, como a forma super especializada do amor platônico, oferece uma experiência de transcendência, de loucura, de exacerbação e delírio. O amor romântico é sempre trágico, ele nos leva a saber a morte como experiência do limite físico da existência. Por isso, ele faz sofrer, mas sem o sofrimento ele não pode ser compreendido, pois assim ele foi culturalmente introjetado por cada um.

Mas a resposta sobre a verdade ou a essência do amor pode continuar esperançosa: o amor pode ser um sentimento natural e universal que nos salva da frieza da racionalidade, um princípio metafísico que sustenta nossa existência, ou teológico, que segura nossa fé, ou o lugar exato da felicidade que está no cerne de um pensamento utópico que tantos se esforçam por realizar, ou uma das razões do coração desconhecidas da razão propriamente dita como pensava Pascal. O amor pode ser pensado como a capacidade humana do enlace, da união, da relação com a vida, a natureza, a espécie humana, com uma causa privada ou pública; como no famoso texto de Coríntios 13 o amor pode ser a capacidade de tudo aceitar, esperar e suportar, ou o que, no Evangelho de João, deveríamos oferecer uns aos outros junto com nossas vidas, se fôssemos verdadeiramente amigos, se aceitássemos a idéia de que o amor é um mandamento. Como para Kierkegaard que, no século XIX, escreveu As Obras do Amor, para quem o amor poderia ser um pleno cumprimento da lei, uma questão de consciência. O amor é amor pelos outros (a caridade cristã, ágape em grego): amor sem interesses. Quase nem nos parece amor. Não aprendemos a viver com essa definição.

Nossa crença mais comum é a de que o amor é cego. Não se escolhe a quem amar nem como amar. É como se o amor fosse maior que nós, uma força que nos domina, a desmedida, um excesso além de nossa capacidade racional. Aí o amor-paixão-adrenalina aparece com sua força de permissão realizando sua função: a de dar lugar à demanda trágica de cada indivíduo (que sempre promete um sentido para a existência pela experiência da morte). Não escapamos novamente da ilusão romântica.

A dúvida que paira sobre a cabeça de todos os apaixonados e amantes –ou quem lhes assiste - é que uma coisa tão boa não deveria fazer sofrer. Neste ponto é que pode surgir a resposta decepcionante para a questão “o que é o amor?”: o amor é brega como na canção de Cazuza, ou o que faz as cartas ridículas em Fernando Pessoa. Algo démodé como nos casamentos de príncipes e princesas com vestidos bordados a miçangas ainda que pedras preciosas e bolos confeitados com lua-de-mel no Caribe. O amor é o quadro da decepção com o amor. E o sentimento é o do luto pelo que não se pode ter.

Aqueles que reclamam do amor, muitas vezes estão a reclamar o amor: mesmo brega, ainda que ridículo, o amor é um objeto do desejo. Talvez ele seja como em Platão (tão antigo e tão atual) o próprio desejo. Ninguém quer não desejar, pois quem não deseja ou vive a inveja - o desejo impedido de ser - ou está morto. Quer-se amar, não importa quem, não importa como. Mas queremos mesmo amar? Ou: podemos, de fato, amar? O problema é o amor que vem antes de alguém para se amar. Desejar o desejo é uma das doenças da nossa cultura, pois nos afasta da vida como a plena mediação nos afasta dos objetos, ela abandona sua função de ponte. Por isso, quando amar é um verbo intransitivo ele pode também ser autofágico. O amor é bom porque pode ser dado a outro, ser um laço que une, do contrário, ele pode inverter-se em ódio.

Quando inventamos o padrão do amor romântico e acreditamos na sua ilusão sem poder realizá-la, estragamos o amor, pois o romantismo é apenas uma das formas do amor e pode custar muito caro, o preço de sua contradição: a infelicidade pelo desvio do padrão. Se o amor é um padrão, uma gaveta na qual devemos nos encaixar, ele produz infelicidade e nega seu propósito original e, por isso, já não é amor, mas degeneração do amor.

Um dia inventamos o amor. E foi uma boa invenção, uma invenção sem a qual permaneceríamos na barbárie, na guerra de todos contra todos. O amor foi feito contra a guerra, mas ele precisa, para continuar sua função negativa, ser sempre refeito por cada um.

Marcia Tiburi


* Originalmente publicado na Revista Cult. Ano 8, número 98. p.12-13. São Paulo, 2005

Notas históricas sobre o ousado ataque cangaceiro de 27 de julho de 1924 à cidade de Sousa (PB)


Quando dos festejos do reveillon, em Triunfo (PE), acalorada discussão envolvendo Marcolino Pereira Diniz e o magistrado local, de nome Dr. Ulisses Wanderley, resultou em tragédia, pois o primeiro, filho do poderoso “Coronel” Marçal Florentino Diniz, também sobrinho e cunhado do “Coronel” José Pereira Lima, chefe político de Princesa, alvejou o juiz, seguindo-se ainda disparo efetuado por homem da confiança do caboclo Marcolino, conhecido por Tocha. O magistrado ainda conseguiu reagir, atirando em Marcolino.

Raciocinando sobre a dimensão do fato, não restou outra alternativa ao guarda-costa de Marcolino a não ser escapar da grande enrascada em que se meteram. Marcolino foi preso e constantemente ameaçado pelos familiares e amigos do magistrado assassinado.

Pressentindo o imenso perigo que o filho corria, o “Coronel” Marçal Florentino Diniz recorreu aos préstimos de Virgulino Ferreira Lampião para retirar Marcolino da cadeia em Triunfo. Lampião e seu séqüito composto de oitenta homens cercaram Triunfo e exigiram a imediata libertação do prisioneiro, o que foi prontamente atendido pelas autoridades locais.

Levado a Princesa, Marcolino recuperou-se do tiro que sofreu. Recrudescia a antiga amizade entre Lampião e Marcolino. Fotos históricas retrataram Lampião e seus cabras, no ano de 1922, na Fazenda da Pedra de Laurindo Diniz, irmão do “Coronel” Marçal Florentino Diniz. Portanto, era bem firmada a relação de coiterismo que foi estabelecida na região serrana, fronteira do Estado da Paraíba com o Estado de Pernambuco.

Nos meses seguintes, já no ano de 1924, houve combates intensos entre cangaceiros e volantes pernambucanas. Entre Conceição do Piancó (PB) e São José do Belmonte (PE) Lampião foi ferido no tornozelo, passando péssimos momentos em razão da gravidade do estrago que o projétil provocou.

Dias se passaram até que chegou ao conhecimento de Marcolino a situação que o importante aliado estava passando. Foi enviado grupo de resgate, comandado por Sabino Gório, para resgatar o cangaceiro.

Lampião foi levado para o reduto de Marcolino, o lugarejo de Patos de Irerê, localizado a cerca de 18 km de Princesa, no sopé da serra do Pau Ferrado. Duas propriedades de Marcolino – a Manga e o Saco dos Caçulas – eram antigos valhacoutos de Lampião e seu bando, há tempos imemoriais.

O cangaceiro-mor, substituto de Sinhô Pereira no comando do grupo que liderava antes da retirada para o Estado do Goiás, foi tratado por dois médicos contratados por Marcolino. Chamavam-se Dr. José Cordeiro e Dr. Severiano Diniz, sendo este último parente próximo do homem que foi imortalizado com a esposa por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira em belíssimo baião por título “Xanduzinha”.

Distante de princesa, a cidade de Sousa vivia clima de ebulição. Disputas políticas resultaram em tragédias, como a que envolveu o embate no barracão do “Coronel” João Pereira, em Nazarezinho, então distrito sousense.

Filho do “Coronel” João Pereira, de nome Francisco Pereira Dantas, sentiu o peso da moral sertaneja, desprezando conselhos do pai, o qual faleceu exigindo que não se vingassem. Assassinou o único sobrevivente dos que atacaram o velho patriarca em seu estabelecimento comercial.

Conversas a boca miúda diziam que os mandantes da morte do “Coronel” João Pereira eram pessoas importantes da sociedade sousense, como o destacado e influente cidadão de nome Otávio Mariz.

Em um dia de feira em Sousa, Otávio Mariz notou animada conversa entre um bodegueiro de Nazarezinho, de nome Chico Lopes, e um cabra da inteira confiança de Chico Pereira, de nome Chico Américo. A duração da conversa despertou a desconfiança de Otávio Mariz.

Nas bancas da feira procurou uma chibata para comprar, indo ao encontro dos dois palestrantes. Encontrou apenas Chico Lopes. Aplicou-lhe uma surra magistral e pediu-lhe para ir à fazenda Jacu, reduto dos Pereira Dantas em Nazarezinho, avisar a Chico Pereira que tinha outra prometida para ele.

No Jacu, Chico Lopes detalhou todo acontecido. A família do “Coronel” assassinado perguntou-lhe o que ia fazer, tendo Chico Lopes respondido estar decidido ir até Princesa, conversar com Lampião sobre o melindroso e humilhante assunto. Havia um irmão de Chico Lopes que integrava o bando de Lampião há alguns anos. Isso facilitou a decisão do chefe supremo do cangaço em enviar dezessete homens de sua confiança para Nazarezinho. Antônio e Levino Ferreira, bem como Meia-Noite e Sabino Gório, também integravam o grupo que iria se responsabilizar pela mais aviltante ação cangaceira no Estado da Paraíba.

Notícias corriam céleres, dando conta dda aproximação do grupo cangaceiro. Em Sousa alguns aventavam a hipótese de organizar defesa, mas como não acreditaram na possibilidade de tamanha ousadia, relaxaram completamente.

Ao chegar ao Jacu, os dezessete homens foram recepcionados efusivamente. O número final de bandidos prontos a atacar Sousa, aumentado com muitos da região, somava oitenta e quatro quadrilheiros dispostos.

Antes do amanhecer do dia 27 de julho de 1924, os bandidos cortaram a linha do telégrafo e invadiram Sousa, cuja maioria da população foi pega totalmente desprevenida. Pequena resistência partiu da residência de Otávio Mariz, principal alvo dos atacantes. Experiente e tarimbado sertanejo, Otávio Mariz escapuliu quando viu que não poderia resistir ao implacável ataque.

Tudo em Sousa virou alvo de saque, os cangaceiros roubaram o comércio, residências, tudo, prejuízo incalculável que marcou indelevelmente a história sousense.Feras endiabradas davam vazão a todos os instintos selvagens possíveis e imagináveis. O destacamento local, comandado pelo então Tenente Salgado, não conseguiu realizar qualquer ação de defesa em Sousa, verdadeiro suicídio se tivesse havido consumação.

Grupo composto de quase duas dezenas de bandidos, liderados por cangaceiro conhecido por “Paizinho”, teve como alvo principal a residência do juiz local, de nome Dr. Archimedes Soutto Mayor. “Paizinho” tinha queixas pessoais contra o magistrado, a quem acusava de tê-lo condenando injustamente. Retirado ainda com roupas de dormir, o Juiz foi submetido a todo tipo de suplicia e humilhação, sendo forçado a andar de cangalha e em posição vexatória pelas ruas de Sousa. O ato final seria o assassinato do magistrado, mas Chico Pereira interveio e evitou a consumação do ato extremo.

O magistrado, depois de tudo, no ensejo dos desdobramentos do audacioso ataque cangaceiro à cidade de Sousa, assumiu a responsabilidade de fazer merecida justiça contra àquelas feras que o atacaram.

A rede de informações montada por Lampião era impecável e precisa. Logo ele ficou sabendo dos estragos em Sousa e, principalmente, do que fizeram com o juiz. Rodopiava nos calcanhares, ainda sentindo dores terríveis, empunhando Parabellum e raciocinando sobre o futuro dali para frente. Homem de raciocínio rápido, Lampião sabia que em breve enfrentariam duras batalhas contra as forças volantes paraibanas, extremamente tolerantes devido ao respeito ao “Coronel” José Pereira Lima e a Marcolino Pereira Diniz.

Lampião estava certo. A providência inicial do recém instalado governo de João Suassuna foi a instalação do segundo batalhão da Polícia Militar Paraibana na cidade de Patos das Espinharas, com absoluto aval para dar caça ininterrupta aos cangaceiros. A responsabilidade pela iniciativa maior de efetivar a campanha paraibana contra o cangaço liderado por Lampião coube, naturalmente, ao “Coronel” José Pereira Lima.

Não obstante a proteção que Lampião desfrutou em Princesa, seria inadmissível que o chefe político das terras da lagoa da perdição tolerasse tamanha afronta, principalmente em razão da forma como o magistrado sousense foi humilhado pelos cangaceiros.

No ensejo da caçada movida contra os bandoleiros, há fato digno de registro, referente à resistência efetivada pelo cangaceiro Meia-Noite em uma casa de farinha no sítio Tataíra, fronteira entre os estados da Paraíba e de Pernambuco. Na companhia da esposa, Meia-Noite, embora a mulher não tenha participado do combate, enfrentou combinado de volantes, comandados pelo então Tenente Manuel Benício, e tropa de cachimbos (civis em armas) contratada pelo “Coronel” José Pereira. Meia-Noite lutou contra oitenta e dois homens, ferindo dezoito. Escapuliu do tiroteio, mas a esposa ficou no local em que se entrincheirara, sendo depois conduzida à cadeia de Princesa. No local, conforme Érico de Almeida, primeiro biógrafo de Lampião, autor do livro “Lampeão, sua história” (1926(1ª ed.), 1996( 2ª ed.), 1998(3ª ed) ), foram encontradas quatrocentas e noventa e duas balas de fuzil mauser DWN, modelo 1912.

Em seguida, devido às volantes paraibanas estarem assanhadas com a ordem capital de darem combates violentos aos cangaceiros, inúmeros enfrentamentos foram registrados, como a batalha do Tenório, no ano de 1925, quando Levino Ferreira foi assassinado pelo volante Belarmino Morais, comandado pelo então cabo José Guedes. Como forma de se vingar do “Coronel” José Pereira, a quem culpava pela morte do irmão, Lampião e seu bando invadiram humildes propriedades em princesa, como a do Caboré, assassinando diversas pessoas, incluindo entre essas um ancião de provecta idade de noventa e dois anos e um garoto de apenas doze anos.

O governo paraibano invocou o convênio anti-banditismo, firmado no ano de 1922 em Recife (PE), obtendo permissão para que suas forças de segurança pública em perseguição aos bandoleiros adentrassem os territórios de outros estados nordestinos.

O grupo cangaceiro, em certa ocasião no ano de 1925, foi localizado na região de Serrote Preto. Desprezando as mais elementares táticas militares, os volantes paraibanos atacaram irresponsavelmente o valhacouto de Lampião. As estratégias guerrilheiras foram implementadas impecavelmente pelos cangaceiros, resultando em horrível carnificina, na qual pereceram os comandantes Tenentes Joaquim Adauto e Francisco de Oliveira, além de mais de uma dezena de soldados.

Abalado com a perseguição tenaz que as volantes paraibanas realizavam, Lampião evitou a Paraíba, pois seus antigos protetores não estavam mais propensos a desafiar as ordens do governo paraibano, bem como a decisão irredutível do “Coronel” José Pereira Lima em buscar erradicar o cangaço liderado por Lampião, pelo menos em terras paraibanas.

Para Chico Pereira não houve outra saída, em razão da gravidade dos fatos ocorridos em Sousa, a não ser acompanhar o grupo de Lampião pelas adustas plagas sertanejas. Travou combate em Areias do Pelo Sinal, entre Princesa e o distrito de Alagoa Nova (Hoje Manaíra), depois, vítima de picada de cascavel, em território pernambucano, amargou provações inenarráveis.

O extenso processo elaborado pelo Dr. Archimedes Soutto Mayor mostrou-se simpático a Chico Pereira, eximindo-o de algumas culpas e louvando diversas interferências realizadas quando do ataque cangaceiro do dia 27 de julho de 1924 à cidade de Sousa.

Perseguido, embora tolerado discretamente, Chico Pereira era, no entanto, alvo de olhares vingativos, sobretudo em razão de suas práticas donjuanescas. Sedutor, Chico Pereira desafiava importante elemento da moral sertaneja. Ao que tudo indica, houve a sedução de uma sobrinha do governador norte-riograndense Juvenal Lamartine, em Serra Negra (RN).

Provavelmente houve um conluio entre Juvenal Lamartine e seu colega João Suassuna para eliminar Chico Pereira. João Suassuna, através de irmão de nome Antônio, empenhou a palavra sobre a total liberdade do homem que foi obrigado a se tornar cangaceiro devido à morte do pai, motivada pela política acirrada dos turbulentos anos da década de vinte do século passado.

Na festa da padroeira de Cajazeiras, no ano de 1928, Chico Pereira foi detido por oficiais da polícia militar paraibana. Manuel Arruda de Assis foi o responsável pela prisão. Conduzido a Pombal, onde tinha praticado crime, quando do cerco ao velho casarão de Antônio Mamede no sítio Pau Ferrado, Chico Pereira ia ser transferido para Princesa, onde havia assassinado soldado de nome Pierre.

A escolta que o conduzia rumou em direção a Santa Luzia. Havia um crime atribuído a ele em Acari (RN), referente a um roubo praticado contra o velho “Coronel” Quincó da Ramada.

Era parte do esquema estruturado por Juvenal Lamartine para liquidá-lo. Joaquim de Moura, famanaz executor de bandoleiros, foi o responsável pela morte de Chico Pereira.

O ataque do bando de Lampião à cidade de Sousa foi um dos mais ousado ato praticado pelos bandoleiros das caatingas, cuja marca indelével permaneceu por tempos e ainda resiste na memória de poucos que tiveram a infelicidade de presenciar a verdadeira baderna que os cangaceiros fizeram na simpática cidade sorriso no longínquo dia 27 de julho de 1924.

José Romero Araújo Cardoso


(*) José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professor Adjunto do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Especialista em Geografia e Gestão Territorial (UFPB) e em Organização de Arquivos (UFPB). Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA – UERN). Contato: romerocardoso@uol.com.br.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Artista que usa pênis como pincel vira atração de feira de sexo na África do Sul

O artista plástico australiano 'Pricasso', durante exibição na feira erótica Sexpo, na Cidade do Cabo, África do Sul. 'Pricasso', que faz retratos de líderes mundiais usando o próprio pênis como pincel, retratou a prefeita da Cidade do Cabo, Helen Zille, em evento público. O artista ainda usou as nádegas para retocar o quadro. (Foto: Mike Hutchings/Reuters)


P.S. Sem comentário!!!

terça-feira, 27 de maio de 2008

Finalmente um médico que entende das coisas...


Dr. Paulo Ubirtan, de Porto Alegre, RS, em entrevista a uma TV local, foi questionado sobre vários conselhos que sempre nos são dados...


Pergunta: Exercícios cardiovasculares prolongam a vida, é verdade?

Resposta: O seu coração foi feito para bater por uma quantidade de vezes e só... não desperdice essas batidas em exercícios. Tudo gasta-se eventualmente. Acelerar seu coração não vai fazer você viver mais: isso é como dizer que você pode prolongar a vida do seu carro dirigindo mais depressa. Quer viver mais? Tire uma soneca !!!

P: Devo cortar a carne vermelha e comer mais frutas e vegetais?

R: Você precisa entender a logística da eficiência... .O que a vaca come? Feno e milho. O que é isso? Vegetal. Então um bife nada mais é do que um mecanismo eficiente de colocar vegetais no seu sistema. Precisa de grãos? Coma frango.

P: Devo reduzir o consumo de álcool?

R: De jeito nenhum. Vinho é feito de fruta. Brandy é um vinho destilado, o que significa que, eles tiram a água da fruta de modo que vc tire maior proveito dela. Cerveja também é feita de grãos. Pode entornar!

P: Quais são as vantagens de um programa regular de exercícios?

R: Minha filosofia é: Se não tem dor...tá bom!

P: Frituras são prejudiciais?

R: VOCÊ NÃO ESTÁ ME ESCUTANDO!!! ... Hoje em dia a comida é frita em óleo vegetal. Na verdade ficam impregnadas de óleo vegetal. Como pode mais vegetal ser prejudicial para você?

P: Flexões ajudam a reduzir a gordura?

R: Absolutamente não! Exercitar um músculo faz apenas com que ele aumente de tamanho.

P: Chocolate faz mal?

R: Tá maluco? !!!! Cacau!!!! Outro vegetal!! É uma comida boa pra se ficar feliz !!!

E lembre-se: A vida não deve ser uma viagem para o túmulo, com a intenção de chegar lá são e salvo, com um corpo atraente e bem preservado. Melhor enfiar o pé na jaca - Cerveja em uma mão - tira gosto na outra - muito sexo e um corpo completamente gasto, totalmente usado, gritando: VALEU !!! QUE VIAGEM!!!


P S.: SE CAMINHAR FOSSE SAUDÁVEL O CARTEIRO SERIA IMORTAL...!

domingo, 25 de maio de 2008

“...há quem nunca ouvi dizer verdade, mesmo quando lhe era útil. Se, como a verdade, tivesse a mentira uma só face, eu a poderia ainda admitir, pois bastaria considerar certo o contrário do que dissesse o mentiroso; mas há cem mil maneiras de exprimir o reverso da verdade e o campo da mentira não comporta limites.”

(Michel de Montaigne)

Boas maneiras


Certa feita, quando a esposa de um então governador da Paraíba, numa festa na fazenda do casal, pediu-lhe que improvisasse um verso tendo como mote o famoso verso de Casemiro de Abreu, "que os anos não trazem mais", desatou Zé Limeira, conhecido como o poeta do absurdo:

Foi quando Tomé de Souza
Desembarcou na Bahia
Logo no primeira dia
Passou o pau na esposa
Ligeiro que nem raposa
Comeu na frente e atrás
Depois, na beira do cais
Por onde os navio trafega
Comeu o padre Nóbrega
Que os anos não trazem mais.

(Zé Limeira)

Preparativos de uma morte anunciada


— Onofre, acabei de pegar teu exame. O médico disse que você vai morrer em uma semana.

— Hein?! O quê?!

— Você morre terça feira que vem. Dia 25. Dia do soldado.

— Mas... que coisa horrível!

— Horrível por quê? Melhor que morrer, sei lá, no dia do Índio. No dia da Secretária. No dia do Ginecologista.

— Meu Deus! Vou morrer em uma semana e você me conta assim, na bucha, sem me preparar?

— Deixa de ser infantil, Onofre. Você não é prato de bacalhau pra eu te preparar.

— Uma semana... Eu estou chocado! Se bem que...

— O quê?

— Quer saber? De certa forma foi bom saber logo. Assim aproveito o tempo que resta. Vou viajar, beber e comer tudo que eu tenho direito.

— Aí é que está, Onofre. Você vai ter que fazer dieta.

— Dieta?!

— Pra emagrecer. O caixão que a gente tem não é seu número. Com essa barriga, você não entra naquele ataúde de jeito nenhum. Só entra de lado. Você quer ser enterrado de lado, Onofre?

— Claro que não! Mas... não dá pra trocar de caixão?

— É da loja do teu primo. Fui do médico direto pra lá, e foi o que ele me deu. Ele só trabalha com modelagem única e a gente não tem dinheiro pra comprar outro.

— Mas não é justo! Tenho que fazer regime na última semana da minha vida?

— E ginástica. E cooper. Talvez até balé — que só regime não vai dar conta dos 15 quilos que você precisa perder. Já te matriculei numa academia.


— Mas...

— Outra coisa. Não esquece de começar a convidar as pessoas pro velório.

— Eu?!

— É, ué. Não é você que vai morrer? Era só o que me faltava... você é que vai morrer e eu é que tenho o trabalho... Aliás, por falar em trabalho, arranja um bico extra essa semana pra conseguir dinheiro — pra pagar a dívida do mercado.

— Peraí... regime, ginástica, e agora... trabalho extra? Eu estou doente, estou cansado!

— Deixa de frescura, Onofre. Daqui a uma semana você vai ter tempo de sobra pra descansar. E se eu não pagar essa dívida, o seu Joaquim disse que me mata.

— Ele disse isso?

— Disse. E pode me matar em menos de uma semana. E aí eu vou ser enterrada no seu caixão. E você fica sem dinheiro pra comprar outro caixão. E aí você não vai ser enterrado. Vai ficar por aí, pelas ruas, em processo de decomposição.

— Meu Deus!

— Mais uma coisa. Você vai ter que visitar a tia Augusta.

— Ah, não! Visitar a tia Augusta não! Estou brigado com ela, você sabe disso.

— Vai na quinta feira. Já marquei.

— Assim não dá! Eu, pensando que ia passar uma semana boa, tranqüila, esperando pra morrer... mas nada. Já vi que vai ser um inferno. E se eu não for na casa da tia Augusta?

— Ela vai se sentir culpada por não ter feito as pazes antes de você morrer. E vai acabar morrendo de desgosto.

— E eu com isso? Não quero saber.

— Não quer saber? Acontece que está provado que uma pessoa leva, em média, uns seis meses pra morrer de desgosto.

— E daí?

— Daí que daqui a seis meses é o casamento da tua filha. E se a tua tia morrer, a gente vai ter que adiar o casamento. E se a gente adiar é capaz do noivo desistir de casar. Se ele desistir, tua filha vai ficar arrasada e pode sair por aí namorando o primeiro que aparecer na frente. E o primeiro que aparecer na frente pode ser um drogado. E tua filha pode virar uma drogada. E daí para o crime e para a prostituição é um passo. E daí ela pod...

— Chega! Eu vou visitar a tia Augusta!

— Ótimo.

— Que mais? O que mais você quer que eu faça nessa semana? Já tá perdida mesmo...

— Mais nada. Só cavar sua cova — pra economizar no coveiro, que coveiro está saindo pela hora da morte.

— Deixa eu anotar, senão esqueço... com tanta coisa... Cavar a cova.

— E não esquece de, no dia da tua morte, ir pro lugar do velório cedo. Pra morrer lá mesmo... pra gente também economizar no transporte do corpo. Vai de ônibus.

— Mas...

— De preferência atrás, agarrado no pára-choque, pra não pagar.

— É uma boa... No pára-choque. Só uma coisa. Uma dúvida.

— Fala.

— E se, por um acaso... eu não morrer?

— Tá maluco, Onofre? Depois desse trabalhão todo? Nem pensa nisso! Esquece essa possibilidade!

— É que de repente...

— De repente uma pinóia! Vê lá, hein, Onofre? Não vai me fazer a gracinha de aparecer no teu velório... vivo!


Elisa Palatnik


Elisa Palatnik, carioca nascida em 1962, desponta com uma das melhores escritoras de humor da nova geração. Começou sua carreira em 1988, como uma das redatoras do Chico Anísio Show. Hoje faz parte da equipe de redação final do programa Sai de Baixo.

O texto acima foi extraído do jornal "O Globo", onde a autora mantinha uma coluna.

Monteiro Lobato on line


Carta de Monteiro Lobato a sua futura mulher, Maria Pureza da Natividade, a Purezinha, de 24 de setembro de 1906
Divulgação/Fundo Monteiro Lobato



Projeto digitaliza documentos do autor de “Urupês” e torna acessíveis suas cartas, desenhos e fotografias


Em setembro de 1906, Monteiro Lobato, então um jovem advogado de 24 anos vivendo em Taubaté, escreve à sua namorada, Purezinha, uma carta, em que capricha na veia lírica: “Que te hei de dizer que cansada não estejas de ouvir? Que te amo? Que vejo em ti os alicerces de minha felicidade? Que me é luz, vida, perfume, aurora, alegria?”. Nas quatro páginas enviadas, o mesmo tom apaixonado se mantém, até a despedida: “Adeus, ama-me como te amo. Aperta-te ao coração enternecidamente o teu de sempre, Juca”.

A carta de Lobato destinada a Maria Pureza da Natividade, com quem ele se casaria dois anos mais tarde, é uma das 216 longas correspondências mantidas por Lobato, e esta agora disponível à leitura, em facsímile, pela internet. As correspondências fazem parte do acervo do escritor que está sendo digitalizado com o nome de Projeto Temático Monteiro Lobato (1882-1948) e Outros Modernismos Brasileiros. Criado por uma equipe de pesquisadores, o trabalho tem apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Universidade de Campinas (Unicamp).


No site www.unicamp.br/iel/monteirolobato é possível encontrar, entre outros itens do Fundo Monteiro Lobato, retratos de família e fotografias, desenhos e aquarelas de autoria do próprio Lobato, além de pesquisas produzidas no âmbito universitário, como teses, monografias e dissertações sobre o escritor. Todos esses documentos estão sob custódia do Centro de Documentação Alexandre Eulálio (Cedae), do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp.


O Fundo Monteiro Lobato tem hoje cerca de 2.000 documentos. Seu início foi em 1999, quando a jornalista Cilza Carla Bignotto doou o material que adquiriu durante sua pesquisa de mestrado sobre Lobato à Unicamp. Entre esse material estavam recortes de jornais, de revistas e uma coleção com cerca de 500 obras raras. “Eu morava em Santos quando encontrei livros raros, que estavam à venda por um preço baixíssimo. O vendedor os havia comprado da família de um colecionador conhecido na cidade, já falecido”, conta Cilza.


Em 2001, o Fundo se tornaria ainda mais sofisticado, após a visita dos herdeiros de Lobato à Unicamp. Cilza diz que eles ficaram entusiasmados com o grupo de estudos da universidade e doaram, em regime de comodato, o acervo de que dispunham. São cartas, fotografias históricas, livros e objetos pessoais do escritor. Faz parte da doação ao Cedae, por exemplo, um exemplar de “Orlando Furioso”, de Ariosto, com anotações manuscritas de Lobato nas bordas. Para Cilza, divulgar na internet um acervo desse porte significa democratizar a informação. “Digitalizar os documentos torna-os mais acessíveis às pessoas, pois é possível conhecer os arquivos de maneira rápida e clara”, diz.


Muitas das teses e dissertações disponíveis no site, aliás, foram reunidas durante um projeto sobre a história da leitura e do livro no Brasil. Chamado “Memória da Leitura”, ele foi iniciado na Unicamp por uma pesquisa da professora Marisa Lajolo, reconhecida especialista em Lobato e coordenadora do Projeto Temático. “A figura do autor sempre aparecia relacionada à modernização de projetos editoriais de difusão de leitura. Foi essa uma das razões para a criação do site”, afirma Marisa. O exemplo mais evidente da atuação de Lobato foi quando esteve à frente da editora Monteiro Lobato & Cia e, depois, da Companhia Editora Nacional. Nesse período, apresentou vários escritores inéditos ao público e introduziu novos modelos editoriais, inclusive no que diz respeito ao projeto gráfico dos livros.


Outro atrativo do site é a publicação das fotografias, dos desenhos e das aquarelas. “Esses lados de Lobato poderão ser conhecidos e, ainda, pesquisados, na medida em que possibilitam novas perspectivas sobre a sua obra e biografia”, ressalta a pesquisadora.


Existem, por exemplo, fotografias da família, como a de Lobato criança com seus pais. Ou, ainda, as que aludem a momentos históricos do país. “Há dezenas de fotos em que se pode estudar mais detalhadamente a história das campanhas de Lobato para a exploração do petróleo no Brasil. Muitas delas, inclusive, são completamente inéditas”, diz.


Há também links na página do Projeto Temático em que se pode encontrar os nomes e a localização das monografias, dissertações e teses que ainda não foram digitalizadas, bem como artigos, textos publicados em jornais ou revistas, bibliotecas e outras páginas da internet sobre o escritor.


Em relação às cartas, Marisa destaca o grande valor que elas têm para o estudo da história literária do país e do processo criativo do autor. “Há na correspondência de escritores, muitas vezes, alusões a situações que eles mesmos apontam terem inspirado algum texto. Além disso, ler as cartas familiares de um escritor pode torná-lo mais próximo do grande público, o que pode constituir uma caminho sedutor para aproximar os jovens da literatura”.


Na web, as correspondências estão divididas em três categorias: ativas, passivas e de terceiros. Nem todas as cartas já estão digitalizadas. A maior parte das que estão disponíveis são as ativas, como a mensagem apaixonada que Lobato enviou à Purezinha. Das passivas, poucas podem ser lidas por enquanto no site. Entre elas, existem algumas de grande importância histórica, como as escritas por Mário de Andrade e por Lima Barreto. A intenção é de que o maior número possível de documentos esteja na internet até 2007.


Desde abril desse ano, quando o projeto foi lançado, já foram feitos em torno de 2.500 acessos. Marisa diz que o interesse tem se mostrado grande, tanto dentro como fora da universidade. Muitos, até mesmo, procuram o Cedae para doar materiais relacionados ao escritor. Essa atitude, para ela, contradiz a idéia de que o brasileiro não preserva sua memória. “Começo a acreditar que o que falta às pessoas que não freqüentam círculos intelectuais é se sentirem participantes da história do país. Por isso, a democratização de acesso a documentos me parece muito importante.”


Marisa também defende a criação de um maior número de acervos digitais. “Seria ótimo se as universidades brasileiras liderassem um movimento amplo pela disponibilização online de seus acervos”, sugere.

link-se
Monteiro Lobato e Outros Modernismos Brasileiros - http://www.unicamp.br/iel/monteirolobato/
Publicado em 11/11/2006 .

Thaís Fonseca
É jornalista.

sábado, 24 de maio de 2008

Ex-marido é condenado a pagar R$ 20 mil por traição virtual

Um ex-marido foi condenado a pagar indenização de R$ 20 mil à mulher por ter cometido infidelidade virtual. A sentença, da 2ª Vara Cível de Brasília, se baseou na troca de e-mails entre o acusado e sua amante.

As provas foram colhidas pela própria ex-mulher, que descobriu os e-mails arquivados no computador da família. Ela entrou na Justiça com pedido de indenização por danos morais.

Ela também afirmou que precisou passar por tratamento psicológico, pois acreditava que o marido havia abandonado a família devido a uma crise existencial, e que jamais desconfiou da traição.

Em sua defesa, o ex-marido alegou invasão de privacidade e pediu a desconsideração dos e-mails como prova da infidelidade.

De acordo com a sentença, não houve invasão de privacidade porque os e-mails estavam gravados no computador de uso da família e a ex-mulher tinha acesso à senha do acusado.

"Simples arquivos não estão resguardados pelo sigilo conferido às correspondências", diz o texto. A decisão cabe recurso.



da Folha Online

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Que saudade...


Quase sempre me pego com uma súbida vontade de confessar os crimes da infância. Alguns, certamente já prescritos, outros provavelmente perdoados e esquecidos, mas sinto que é o segredo de tê-los praticado que me tornam efetivamente, dia-a-dia, uma eterna criança.

O Sábio e a Vaquinha


Contam que um velho sábio peregrino caminhava com seu discípulo pelas estepes da velha China. Por dias eles caminhavam sem encontrar o menor sinal de civilização, nenhum rio ou qualquer vegetação de onde pudessem tirar alimentos. Muito ao longe, tiveram a impressão de avistar um pequena casa e passaram a seguir naquela direção. Chegaram a uma cabana de madeira, pararam e calmamente começaram a bater com as palmas das mãos na esperança de serem atendidos. Logo um velho senhor apareceu. Sua pele era queimada e muito curtida pelo sol. As mãos pareciam fortes como as mãos de alguém que preenchia seus dias inteiros com trabalhos pesados. Ao seu lado, timidamente surgiu um menino que espiava curioso.

Os visitantes foram convidados a entrar. Lavaram-se em uma bacia com limitada quantidade de água. Receberam leite, chá e queijo enquanto conversavam com a dona da casa que aparecera para servi-los.Na manhã seguinte, enquanto preparavam-se para a partida, o velho sábio perguntou: "Há vários dias andamos por estas pradarias. Nada encontramos, nada vimos. Como podem, vocês, sobreviver por aqui?”. Serenamente o ancião explicou: “Ali atrás da casa temos uma vaquinha. Uma vez por semana, ando cerca de dez horas até um pequeno lago de água empossada da curta época das chuvas. No lombo da vaca consigo trazer vários galões de água. Com a água, nos lavamos e bebemos. Com o que sobra regamos a pequena vegetação da qual a vaca se alimenta e uma pequena moita de chá. Tiramos o leite e ainda o aproveitamos para fazer queijo. Desta maneira montamos nosso dia a dia”.

Gratos, os andarilhos despediram-se a seguiram viagem. Passadas algumas horas, o sábio peregrino pára e diz ao seu aprendiz: "Volte àquela casa, sem ser visto, pegue a vaquinha e traga ela para cá". Sentindo-se desnorteado ao duvidar pela primeira vez da índole de seu mestre, o jovem obedeceu.

No dia seguinte encontraram alguns viajantes, aos quais o velho presenteou com a vaca. O seu aprendiz nada compreendeu. Alguns anos depois o jovem aprendiz tornara-se um peregrino solitário. No meio de seu caminhar reconheceu a região pela qual, há muitos anos, passara com seu mestre. Após alguns dias avistou o que pareceu ser uma pequena vila. Ao chegar lá, viu uma venda onde alguns viajantes comiam e bebiam. Sentou-se a uma das mesas e pediu uma bebida. Entretido com seu lanche, pensou o que teria acontecido com aquela família da qual havia roubado a vaquinha. Certamente haviam morrido todos, sem alimentos e sem água. Sentiu-se mal com o que fizera e cambaleou com uma rápida tontura. A moça que servia a mesa aproximou-se rapidamente e perguntou se estava tudo bem. O peregrino respondeu que sim e disse:"Apenas me lembrei que neste local vivia uma família muito simpática e bondosa. Dividiram comigo o pouco que tinham para se alimentar. Penso o que terá acontecido com eles". A moça sorriu e encaminhou o visitante até uma bela casa e explicou: “Aqui é a sede desta fazenda na qual o senhor está. Por favor, entre e aguarde”. O homem aguardou em uma grande sala até que um senhor veio de um dos quartos. Espantado, o andarilho reconheceu o senhor que o recebera em sua pequena casa muitos anos antes. Cumprimentaram-se com alegria e o jovem perguntou: " O que aconteceu?!"

O velho senhor contou a história: "Logo após sua partida, nossa querida vaca desapareceu misteriosamente. Certos de que não poderíamos viver e buscar água sem ela, começamos a pensar em outras alternativas. Cavamos em vários locais até que encontramos uma nascente subterrânea nas proximidades de nossa casa. Com isto tínhamos água à vontade. Irrigamos a terra e logo tínhamos muitas moitas de chá. Um mercador passou e ofereceu sementes de alguns vegetais em troca de um pouco de chá. Aceitamos e plantamos todos. Os viajantes passaram a saber que aqui tínhamos água e vinham sempre para cá durante suas jornadas. Trocando alimento e chá por outras coisas acabamos por montar uma bonita horta, uma estalagem e um pequeno restaurante. Temos vinte cabeças de gado e toda a minha família veio da cidade para trabalhar conosco”.

O jovem sorriu aliviado. Não apenas tirara de seus ombros o peso por ter roubado a vaca, mas entendera, enfim, a última grande lição de seu mestre.

Quando acreditamos que todos os nossos problemas estão resolvidos acabamos por nos acomodar. O que nos parece a solução, pode ser o fim de nosso crescimento.


Autor Anônimo

Sabedoria Popular


A sabedoria popular realmente é algo que nos impressiona e nos leva a crer, cada vez mais, que ninguém sabe nada nesse mundão de meu Deus. Cada um de nós, por mais humilde e sem escolaridade que seja tem muito o que nos ensinar, seja em suas experiências de vida, seja em seus questionamentos as vezes muitos simples mas revestidos de muita sabedoria.

É isso que geralmente acontece com as pessoas do povo, com o cidadão comum, os Zés, os Toinhos e os Chicos por ai a fora. São dotados de uma sabedoria impressionante, é só você dar oportunidade para um dedinho de prosa e pronto, lá vem a sabedoria popular bater a porta e lhe trancar por dentro.

Outro dia estava em um banco esperando a fila do caixa caminhar, digo, se arrastar, quando encontrei-me com um velho amigo, hoje engenheiro, colega do velho Arruda Câmara e nos dispomos a conversar sobre os mais variados temas, falávamos dos velhos tempos, dos antigos professores, dos banhos de rio e entramos na questão da proteção ambiental, da demissão da Ministra, das licenças ambientais para construção de grande hidrelétricas e etc.

O assunto fluía por ai... volta e meia nós nos indagávamos sobre o que era mais importante para o país, a preservação in totum de nossas reservas ou a pacifica convivência ambiental sustentável. Uma discussão interminável para uma fila de banco.

Foi ai que seu Zé de Rita, postado um pouco mais atrás da fila, exímio pescador e iletrado atravessou na conversa e desatou:

- Dotô, já vi que vocês sabem de muita coisa, mas me ajude a tirar uma dúvida: o que é mais importante, o peso ou a balança?

Pronto. Silêncio total.

- Senhores leitores do blog, ajude-me a responder a Zé de Rita pelo amor de Deus!!!

quinta-feira, 22 de maio de 2008

O piloto cego (rir ainda é o melhor remédio)

No aeroporto, o pessoal estava na sala de espera aguardando a chamada para embarcar no vôo. Nisso aparece o co-piloto,todo uniformizado, de óculos escuro e de bengala branca tateando pelocaminho. A atendente da companhia o encaminha até o avião e assim que volta explica que apesar dele ser cego é o melhor co-piloto da companhia.

Alguns minutos depois chega outro funcionário também uniformizado, de óculos escuro, de bengala branca e amparado por duas aeromoças. A atendente mais uma vez informa que apesar dele ser cego é o melhor piloto da empresa e tanto ele como o co-piloto fazem a melhor dupla da companhia. Todos os passageiros embarcam no avião preocupados com os pilotos. O comandante avisa que o avião vai levantar vôo e começa a correr pela pista,cada vez com mais velocidade.

Todos os passageiros se olham, suando, com muito medo da situação. O avião vai aumentando a velocidade e nada de levantar vôo. A pista está quase acabando e nada do avião sair do chão. Todos começam a ficar cada vez mais preocupados. O avião correndo e a pista acabando. O desespero toma conta de todo mundo. Começa uma gritaria histérica no avião. Nesse exato momento o avião decola, ganhando o céu e subindo suavemente.

O piloto vira para o co-piloto e diz :

- Se algum dia o pessoal não gritar nós estamos ferrados...

Carroça Vazia


Uma das grandes preocupações de nosso pai, quando éramos pequenos, consistia em fazer-nos compreender o quanto a cortesia é importante na vida.

Por várias vezes percebi o quanto lhe desagradava o hábito que têm certas pessoas de interromper a conversa quando alguém está falando. Eu, especialmente, incidia muitas vezes nesse erro. Embora visivelmente aborrecido, ele, entretanto, nunca ralhou comigo por causa disso, o que me surpreendia bastante.

Certa manhã, bem cedo, ele me convidou para ir ao bosque a fim de ouvir o cantar dos pássaros. Concordei, com grande alegria, e lá fomos nós, umedecendo nossos calçados com o orvalho da relva. Ele se deteve em uma clareira e, depois de um pequeno silêncio, me perguntou:

— Você está ouvindo alguma coisa além do canto dos pássaros?

Apurei o ouvido alguns segundos e respondi:

— Estou ouvindo o barulho de uma carroça que deve estar descendo pela estrada.
— Isso mesmo... - disse ele - É uma carroça vazia...

De onde estávamos não era possível ver a estrada e eu perguntei admirado:

— Como pode o senhor saber que está vazia?

Meu pai pôs a mão no meu ombro e olhou bem no fundo dos meus olhos, explicando:

— Por causa do barulho que faz. Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz.

Não disse mais nada, porém deu-me muito o que pensar. Tornei-me adulto e, ainda hoje, quando vejo uma pessoa tagarela e inoportuna, interrompendo intempestivamente a conversa de todo o mundo, ou quando eu mesmo, por distração, vejo-me prestes a fazer o mesmo, imediatamente tenho a impressão de estar ouvindo a voz de meu pai soando na clareira do bosque e me ensinando:

— Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz.


Autor Anônimo

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Novo "Indiana Jones" mata saudades dos fãs


Filme estréia nesta quinta (22) nos cinemas, mantendo o espírito dos anteriores.

Projeto coordenado por George Lucas e Spielberg levou anos para sair do papel.

Muito provavelmente um dos filmes mais aguardados do ano, “Indiana Jones e o reino da caveira de cristal” chega aos cinemas nesta quinta-feira (22) para matar as saudades do mais ardorosos fãs da série, que desde 1989 estavam órfãos do arqueólogo-galã-aventureiro vivido por Harrison Ford.

O projeto levou muitos anos para se concretizar. A primeira versão do roteiro, escrita por Frank Darabont (indicado a três vezes ao Oscar e responsável pelo texto da série televisiva “As aventuras do jovem Indiana Jones”), ficou pronta em 2003, mas já no ano seguinte a produção foi engaveta, por desavenças entre Darabont e George Lucas –produtor do longa, que acabou assumindo o roteiro.

A adesão de Steven Spielberg ao projeto também não foi das mais simples. No Festival de Cinema de Cannes, onde aconteceu a estréia mundial de “Indiana Jones e o reino da caveira de cristal” nesta semana, o diretor lembrou que “foi o mais reticente” quanto a reviver a franquia. “Tive de ser convencido”, revelou. “Tanta gente vinha nos pedir para fazer mais um. Isso só acontece com ‘Indiana’ e ‘ET’. Ninguém vem me pedir para fazer mais um ‘Inteligência artificial’, por exemplo”, brincou Spielberg.

Tanta comoção justifica as enormes expectativas com relação ao lançamento do filme. No Brasil, ele sairá com nada menos que 500 cópias, e já há comentários sobre a espera de liderança nas bilheterias do mundo todo –potencializada pelo lançamento em pleno feriado.

Bom e velho Indy.

Um dos maiores receios em fazer um quarto filme de Indiana Jones tinha a ver com a idade de Harrison Ford, que aos 65 anos não teria o mesmo desprendimento e desenvoltura para encarar todas as cenas de ação protagonizadas pelo personagem. De fato, para viver um arqueólogo aventureiro, o ator está “tiozinho”, mas o roteiro trouxe uma boa saída para o que poderia ser um problema: humor.

Logo na primeira seqüência de “Indiana Jones e o reino da caveira de cristal”, Indy está em uma encrenca com seu amigo Mac (Ray Winstone), e os dois dialogam sobre a possibilidade de escaparem com vida do tal episódio. Nosso herói, descrente da própria força, se lembra que envelheceu e que já não é mais o mesmo que há 20 anos.

De fato não é. Mas isso não impede que o filme seja divertido e eficiente no quesito recuperar o que de mais bacana marcou a década de 80. Claro que não se pode, mais de 20 anos depois, encarar Indiana Jones com os mesmos olhos de antes. Ou pelo menos não se deve. Seqüências históricas, como a pedra gigante da qual Indy fugiu em “Os caçadores da arca perdida” (1981), hoje se tornam simplórias diante das inúmeras possibilidades de efeitos especiais em computação gráfica.

Mas Spielberg e Lucas decidiram manter o espírito da trilogia inicial e, com isso em mente, evitaram ao máximo colocar seu elenco em frente a telas verdes que mais tarde são preenchidas, via computador, com cenários mirabolantes.

“O reino da caveira de Cristal” se passa no fim dos anos 50, em plena Guerra Fria. Na caça desenfreada aos comunistas, o governo passa a desconfiar de Indy, que é obrigado a tirar licença da universidade na qual leciona. Decidido a viajar, o arqueólogo é encontrado por Mutt (Shia LaBeouf), um jovem rebelde que precisa de sua ajuda para tirar um grande amigo em comum de uma enrascada.

O filme se desenrola com referências aos longas anteriores, sempre dando destaque para as marcas registradas do personagem (como o medo de cobras), e trazendo de volta personagens que marcaram a trajetória do herói, como Marion Ravenwood (Karen Allen), seu par romântico no primeiro filme da saga, nunca esquecida.

Nesta quarta aventura, Indy embarca para a Amazônia, em busca de uma caveira de cristal e de uma cidade mitológica, construída por seres sobrenaturais, que ficaria no coração da selva. Falou em Amazônia, despertou automaticamente no público brasileiro –acostumado a ver as reproduções mais bizarras de seu país, de seu povo, de sua cultura e de seu idioma- o olhar atento e a cobrança por alguma verossimilhança. Respire fundo, abstraia e perdoe o Dr. Jones nesse quesito.


Débora Miranda
Do G1, em São Paulo



Questão sobre BBB aborrece participante de concurso

"A preparação para concursos exige cada vez mais dos candidatos e, até certo ponto, é impossível prever o que pode cair nos testes. Perguntas sobre atualidades e conhecimentos gerais estão assustando os concurseiros. Na prova realizada em 27 de abril para atendente de reintegração social do Centro de Atendimento Juvenil Especializado (Caje), do GDF, uma questão causou polêmica, por se referir ao programa Big Brother Brasil, da TV Globo.

O enunciado dizia: “O reality show Big Brother tem sido há quase uma década um fenômeno da televisão brasileira. Qual a origem do nome do programa?” .

O teste oferecia cinco possibilidades de resposta. Entre elas, a música do cantor David Bowie, de 1983, com o mesmo título; a sugestão de que a idéia original era a vitória do concorrente mais simpático, e a correta: “Big Brother era a forma como era conhecido o grande líder mundial da obra 1984 do inglês George Orwell”.

O candidato Bruno Negrini, de 30 anos, era um dos mais de 15 mil candidatos inscritos. Falando ao jornal Correio Braziliense, na edição de ontem (18), ele confessa que errou a questão. “Errei mesmo; não tenho tempo para ficar assistindo ´Big Brother´, são tantas matérias, tantos assuntos que podem ser abordados como atualidade e tem que ser justamente isso? Achei um absurdo”, justifica.

No restante da prova, ele considerou que a abordagem foi tranqüila, sem surpresas. “As outras perguntas foram sossegadas, dentro do esperado”, diz.

“A Funiversa (organizadora do concurso) não é a primeira a fazer isso, outras já fizeram. Não há problema em perguntar sobre programas televisivos, mas sim como isso é feito”, afirma o professor de atualidades da Vestconcursos, Júlio César de Castro. Ele observou que se trata, no exemplo citado, de uma pergunta mais elaborada e válida.

“É difícil saber com certeza o que será perguntado em uma prova como essa. Os que assistem ao programa certamente não saberiam a resposta, era preciso conhecer o livro, o autor.” Nessa seleção, cuja abordagem à questão sobre o ´Big Brother´ é considerada correta, foram oferecidas 127 vagas com salário de R$ 2.414,77 e exigência de ensino médio."

sábado, 17 de maio de 2008

Sem tempo para postar!!!!


A pós-graduação e os serviços eleitorais andam me consumindo o tempo e a paciência e têm, temporariamente, me impedido de fazer uma das coisas mais agradáveis que é discutir com todos vocês neste espaço que é de todos nós.

Disponibilizar matérias e ler a opinião de vocês, outra hora comentar o que vocês aqui dispõem é algo que supera muito as minhas expectativas.

Aguardem só um minutinho, volto logo!

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Para os barulhentos de plantão


MINISTÉRIO DAS CIDADES
CONSELHO NACIONAL DE TRÂNSITO


RESOLUÇÃO Nº 204 DE 20 DE OUTUBRO DE 2006


Regulamenta o volume e a freqüência dos sons produzidos por equipamentos utilizados em veículos e estabelece metodologia para medição a ser adotada pelas autoridades de trânsito ou seus agentes, a que se refere o art. 228 do Código de Trânsito Brasileiro - CTB.


O CONSELHO NACIONAL DE TRÂNSITO - CONTRAN, no uso da atribuição que lhe confere o inciso I do artigo 12, da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, que institui o Código de Trânsito Brasileiro, e conforme Decreto nº 4.711, de 29 de maio de 2003, que dispõe sobre a coordenação do Sistema Nacional de Trânsito,


CONSIDERANDO o disposto nas Resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA nºs 001/1990 e 002/1990, ambas de 08 de março de 1990, que, respectivamente, estabelece critérios e padrões para a emissão de ruídos, em decorrência de quaisquer atividades, e institui o Programa Nacional de Educação e Controle da Poluição Sonora - SILÊNCIO;


CONSIDERANDO que os veículos de qualquer espécie, com equipamentos que produzam som, fora das vias terrestres abertas à circulação, obedecem no interesse da saúde e do sossego públicos, às normas expedidas pelo CONAMA e à Lei de Contravenções Penais;


CONSIDERANDO que a utilização de equipamentos com som em volume e freqüência em níveis excessivos constitui perigo para o trânsito;


CONSIDERANDO os estudos técnicos da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego - ABRAMET e da Sociedade Brasileira de Acústica;


RESOLVE:


Art. 1º. A utilização, em veículos de qualquer espécie, de equipamento que produza som só será permitida, nas vias terrestres abertas à circulação, em nível de pressão sonora não superior a 80 decibéis - dB(A), medido a 7 m (sete metros) de distância do veículo.


Parágrafo único. Para medições a distâncias diferentes da mencionada no caput, deverão ser considerados os valores de nível de pressão sonora indicados na tabela do Anexo desta Resolução.


Art. 2º. Excetuam-se do disposto no artigo 1º desta Resolução, os ruídos produzidos por:


I. buzinas, alarmes, sinalizadores de marcha-à-ré, sirenes, pelo motor e demais componentes obrigatórios do próprio veículo;

II. Veículos prestadores de serviço com emissão sonora de publicidade, divulgação, entretenimento e comunicação, desde que estejam portando autorização emitida pelo órgão ou entidade local competente.


III. Veículos de competição e os de entretenimento público, somente nos locais
de competição ou de apresentação devidamente estabelecidos e permitidos
pelas autoridades competentes.


Art. 3º. A medição da pressão sonora de que trata esta Resolução se fará em via terrestre aberta à circulação e será realizada utilizando o decibelímetro, conforme os seguintes requisitos:


I. Ter seu modelo aprovado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial - INMETRO, atendendo à legislação metrológica em vigor e homologado pelo DENATRAN - Departamento Nacional de Trânsito;


II. Ser aprovado na verificação metrológica realizada pelo INMETRO ou por entidade por ele acreditada;


III. Ser verificado pelo INMETRO ou entidade por ele acreditada, obrigatoriamente com periodicidade máxima de 12 (doze) meses e, eventualmente, conforme determina a legislação metrológica em vigor;


§ 1º. O decibelímetro, equipamento de medição da pressão sonora, deverá estar posicionado a uma altura aproximada de 1,5 m (um metro e meio) com tolerância de mais ou menos 20 cm. (vinte centímetros) acima do nível do solo e na direção em que for medido o maior nível sonoro.


§ 2º. Para determinação do nível de pressão sonora estabelecida no artigo 1º., deverá ser subtraída na medição efetuada o ruído de fundo, inclusive do vento, de no mínimo 10 dB(A) (dez decibéis) em qualquer circunstância.


§ 3º. Até que o INMETRO publique Regulamento Técnico Metrológico sobre o decibelímetro, os certificados de calibração emitidos pelo INMETRO ou pela Rede Brasileira de Calibração são condições suficientes e bastante para validar o seu uso.


Art. 4°. O auto de infração e as notificações da autuação e da penalidade, além do disposto no CTB e na legislação complementar, devem conter o nível de pressão sonora, expresso em decibéis - dB(A):


I. O valor medido pelo instrumento;


II. O valor considerado para efeito da aplicação da penalidade; e,


III. O valor permitido.


Parágrafo único. O erro máximo admitido para medição em serviço deve respeitar a legislação metrológica em vigor.


Art. 5º. A inobservância do disposto nesta Resolução constitui infração de trânsito prevista no artigo 228 do CTB.


Art. 6º. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.


Alfredo Peres da Silva
Presidente


José Antonio Silvério
Ministério da Ciência e Tecnologia – Suplente

Fernando Marques de Freitas
Ministério da Defesa – Suplente


Rodrigo Lamego de Teixeira Soares
Ministério da Educação – Titular


Carlos Alberto Ferreira dos Santos
Ministério do Meio Ambiente - Suplente


Valter Chaves Costa
Ministério da Saúde - Titular





terça-feira, 13 de maio de 2008

Repassando...


"Cachorrinha" morava no interior do Ceará. Tinha 4 anos. Quando o

cheiro de comida se espalhava pelo ar, gemia, sem força, pedindo

comida. Às vezes, ganhava. Outras, levava bronca. Um dia, agentes

sanitários entraram na casa para fazer dedetização. Já no final da

vistoria, um deles escutou um grito fraco, vindo na direção da cama.

Debaixo do colchão, sob várias peças de roupas, estava "Cachorrinha".

Não era um animal, mas uma menina que, desnutrida, estava quase morta.

Sofria constantes ataques de violência física e psicológica por parte

dos pais, que deram a ela o apelido pejorativo. O caso, relatado por

profissionais do Centro de Combate à Violência Infantil (Cecovi), não é

isolado. Nas últimas semanas, o Brasil ficou estarrecido com histórias

de abandono, maus-tratos, infanticídio e tentativa de homicídio contra

crianças. Pais que, em vez de proteger, representam aos filhos uma

ameaça.


Estudos internacionais apontam que, em 70% dos casos, a violência

infantil é praticada pelo pai ou pela mãe. Estatísticas do Sistema de

Informação para a Infância e Adolescência (Sipia), do Ministério da

Justiça, confirmam a tendência. Das 496.398 ocorrências registradas de

1999 a 2005, 50% tiveram os pais como agressores. Depois da violação ao

direito da convivência familiar, os casos mais citados são violência

física e psicológica. Só em 2005, segundo dados preliminares do Sipia,

foram registradas 70 mil ocorrências, o que significa uma média diária

de 189 agressões.


Apesar de reforçar a informação de que o perigo está em casa, o

Sipia não consegue retratar, numericamente, todos os casos ocorridos no

Brasil. O sistema é abastecido pelos conselhos tutelares que, além de

não estarem presentes em todos os municípios brasileiros, nem sempre

recebem denúncias desta natureza.


Embora faltem pesquisas oficiais abrangentes, um diagnóstico

elaborado pelo Laboratório de Estudos da Criança da Universidade de São

Paulo (Lacri/USP), com dados coletados em hospitais, centros de saúde,

SOS Criança, escolas e varas da infância, entre outros locais,

identificou 129.495 casos de violência contra crianças de 1996 até o

ano passado. Dessas, 32,1% eram agressões físicas, 16,1% psicológicas e

0,4%, ou 505 ocorrências, terminaram em morte. Em 2005, foram

registradas 19.245 ocorrências.


Crueldade gratuita.

"Desde que me formei, vejo casos de pais que maltratam os filhos.

Já vi criança que foi jogada na fogueira e na frigideira, com ruptura

de órgãos e traumatismo por causa de chutes e cascudos", relata Lauro

Monteiro, chefe do serviço de pediatria do hospital Souza Aguiar, do

Rio de Janeiro.


Por receber diversos pacientes com sintomas de agressão doméstica,

há 18 anos o médico fundou a Associação Brasileira Multiprofissional de

Proteção à Infância e à Adolescência (Abrapia), organização

não-governamental (ONG) que desenvolve programas de combate à violência

infantil.


As causas dos maus-tratos infligidos aos filhos são variadas. "O

principal motivo é cultural. Os pais acham que o castigo físico é uma

forma de educar, mas estão errados", ressalta Maria Leolina Couto

Silva, coordenadora nacional do Centro de Combate à Violência Infantil

(Cecovi), ONG que presta atendimento psicológico e jurídico às vítimas.


A advogada enumera outros fatores: abuso de drogas e álcool,

fanatismo religioso e baixa resistência ao estresse. Segundo ela, de

20% a 30% dos casos de violência doméstica ocorrem quando os pais estão

bêbados ou se drogaram. Maria Leolina também diz que religiões que

interpretam a Bíblia de forma literal pregam o castigo físico para

educar as crianças.


Há casos em que os pais alegaram que maltrataram os filhos porque

"um espírito maligno mandou". Despreparados, outros descontam na

criança, o ente mais fraco da família, seus medos e frustrações. "E são

pessoas normais do ponto de vista patológico", diz. Estudos indicam que

apenas 10% dos agressores têm distúrbios psiquiátricos.


Para Lia Junqueira, coordenadora Centro de Referência da Criança e

do Adolescente (Crea), o atendimento prestado à vítima da violência

deve ser cuidadoso. "Se não houver um atendimento especial, a criança

acaba sendo vítima duplamente da violência", diz.

Maria Leolina Couto Silva, coordenadora nacional do Centro de Combate à Violência Infantil (Cecovi)

Negros morrem mais de homicídio; brancos, de doença.


Assim como indicadores de renda e escolaridade, o padrão de mortalidade também reflete a desigualdade racial no Brasil, de acordo com estudo feito por pesquisadores da UFRJ e divulgado em matéria de Antônio Gois, na Folha de S.Paulo (disponível para assinantes do UOL e do jornal).

Segundo o trabalho dos pesquisadores Marcelo Paixão e Luiz Carvano, desenvolvido entre 1999 e 2005, as principais causas de mortalidade de homens negros são externas, como homicídios. Já os brancos morrem mais por doenças.

Desde 1999, as taxas de morte por homicídios, HIV e tuberculose caíram em ambos os grupos, mas mais entre os brancos, conforme os dados do SUS (Sistema Único de Saúde) em que o estudo se baseou. A mortalidade de negras por problemas no parto supera a das brancas.

O percentual de mortes por causas mal definidas, indicador de atendimento médico mais precário, também é maior entre negros.


Da Folha de São Paulo

Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u346872.shtml


domingo, 11 de maio de 2008

Mãe

Uma simples mulher existe que, pela imensidão do seu amor, tem um pouco de Deus, e pela constância de sua dedicação tem um pouco de anjo; Que, sendo moça, pensa como uma anciã e, sendo velha, age com todas as forças da juventude; quando ignorante, melhor que qualquer sábio desvenda os segredos da natureza, e, quando sábia, assume a simplicidade das crianças. Pobre, sabe enriquecer-se com a felicidade dos que ama e, rica, empobrecer-se para que seu coração não sangre, ferido pelos ingratos. Forte, entretanto, estremece ao choro duma criancinha, e fraca, não se altera com a bravura dos leões. Viva, não sabemos lhe dar o valor porque à sua sombra todas as dores se apagam. Morta, tudo o que somos e tudo que temos daríamos para vê-la de novo, e receber um aperto de seus braços e uma palavra de seus lábios. Não exijam de mim que diga o nome dessa mulher, se não quiserem que ensope de lágrimas este álbum: porque eu a vi passar no meu caminho - UMA MÃE, MINHA MÃE. (D.Mariinha), mesmo ausente fisicamente mais presente em nossos dias, Um feliz DIA DAS MÃES!

sábado, 10 de maio de 2008

Homem come de tudo?

"Dia desses, depois de um belo passeio à beira mar fui almoçar com um querido casal de amigos, quando de repente para quebrar a harmonia daquele momento, a caldeirada havia sido pedida, veio a terrível descoberta: o sujeito, o macho da relação, não come coentro.

Todo aquele mundinho cor-de-rosa (isto é força de expressão, ok?) do momento foi ao chão, pois que negócio é esse de homem não comer coentro. Tirar cebola da pizza. Arrancar a azeitona da bracholla. Não comer o pãozinho que tampa aquele pimentão recheado de carne moída e que de quebra traz aquela azia gratuitamente.

Não sei não meninas, mas vocês deveriam ficar mais atentas aos maneirismos dos meninos, onde já se viu, hoje é uma cebolinha, amanhã pode ser …

Deixemos de lado esse negócio gastronômico para nos dedicarmos ao sexo, que ao menos teoricamente entendemos, o sujeito que não é bom garfo é bom de sexo?

De acordo com uma recente pesquisa realizada na Inglaterra a resposta é sim. Quem não come muito come mais e durante mais tempo. A barriga dos meninos depois de um certo tempo costuma ser um dos fatores de maior rebelião das vergonhas contra a vontade do sujeito.

A barriga está diretamente ligada a capacidade do sujeito afrontar a Lei da Gravidade, do nosso querido Newton.

Sendo assim, só posso terminar dizendo aqui que vou correr para academia e tratar de resolver esse probleminha da barriga, antes que ele se torne um problema de ereção.

Meninas, gritem aos quatro ventos: Salvem os baleias!!!

PS: Se começar a escrever menos é que me apaixonei por uma personal trainner."
O Gordo

Pietta de Michelangelo



Recentemente o Ministério Público Federal (MPF) em Sousa (PB) determinou a realização de algumas providências para garantir a segurança da população de Coremas (PB), devido ao excesso de água decorrente das recentes chuvas na região do sertão paraibano, principalmente em relação à possibilidade de rompimento da parede da Barragem Mãe D’Água, evidenciada nas fissuras e rachaduras existentes na estrutura. As providências foram determinadas em despacho assinado pelo procurador da República Fernando Rocha de Andrade.

Até ai tudo bem. Ocorre que, de lá para cá não se tem mais notícias de que alguma providencia efetiva tenha sido tomada. A preocupação com a barragem Coremas/Mãe D'água não é de hoje. O complexo foi construído há décadas e não sem tem informação de que medidas preventivas tenham sido realizadas, o que, pela preocupação do MPF, nos faz chegar a conclusão de que algo mais apurado deve ser feito o quanto antes.

Um possível desastre com o açude Estevam Marinho não põe em risco apenas a cidade de Coremas, por conseguinte, atinge em cheio a cidade de Pombal além de representar um colapso no fornecimento de água para mais de 40 cidades.
Sinceramente, espero que alguma intervenção preventiva tenha sido realizada sanando todo e qualquer perigo de arrombamento e para que a foto que ilustra esse artigo continue assim, sendo uma mera ficção, e nada mais!

“Sonhos são como deuses: quando não se acredita neles, deixam de existir.”

Paulinho Moska

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Crônica do amor


Ninguém ama outras pessoas pelas qualidades que ele tem. Caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.

O AMOR não é chegado a fazer contas, não obedece a razão. O verdadeiro amor acontece por conjunção estelar.

Ninguém ama outra pessoa por que ela é educada, veste-se bem e é fã de Caetano.

Isso são só referenciais.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá ou elo tormento que provoca.

Ama-se pelo tom da voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Ah, o amor essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.

Não funciona assim, amor não requer conhecimento nem consulta ao SPC. Ama-se pelo que o Amor tem de indefinível.

Honestos existem aos milhares, generosos têm as pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor de sua vida é.


Arnaldo Jabor

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Um idoso na fila do Detran


“O senhor aqui é idoso”, gritava a senhora para o guarda, no meio da confusão na porta do Detran da Avenida Presidente Vargas, apontando com o dedo o tal “senhor”. Como ninguém protestasse, o policial abriu caminho para que o velhinho enfim passasse à frente de todo mundo para buscar a sua carteira.

Olhei em volta e procurei com os olhos o velhinho, mas nada. De repente, percebi que o “idoso” que a dama solitária queria proteger do empurra-empurra não era outro senão eu.

Até hoje não me refiz do choque, eu que já tinha me acostumado a vários e traumáticos ritos de passagem para a maturidade: dos 40, quando em crise se entra pela primeira vez nos “enta”; dos 50, quando, deprimido, se sente que jamais vai se fazer outros 50 (a gente acha que pode chegar aos 80, mas aos 100?); e dos 60, quando um eufemismo diz que a gente entrou na “terceira idade”. Nunca passou pela minha cabeça que houvesse uma outra passagem, um outro marco, aos 65 anos. E, muito menos, nunca achei que viesse a ser chamado, tão cedo, de “ idoso”, ainda mais numa fila do Detran.

Na hora, tive vontade de pedir à tal senhora que falasse mais baixo. Na verdade, tive vontade mesmo foi de lhe dizer: “idoso é o senhor seu pai”. O que mais irritava era ausência total de hesitação ou dúvida. Como é que ela tinha tanta certeza? Que ousadia! Quem lhe garantia que eu tinha 65 anos, se nem pediu pra ver a minha identidade? E o guarda paspalhão, por que não criou um caso, exigindo prova e documentos? Será que era tão evidente assim? Como além de idoso eu era um recém-operado, acabei aceitando ser colocado pela porta a dentro. Mas confesso que furei a fila sonhando com a massa gritando, revoltada: “esse coroa tá furando a fila! Ele não é idoso! Manda ele lá pro fim!” Mas que nada, nem um pio.

O silêncio de aprovação aumentava o sentimento de que eu era ao mesmo tempo privilegiado e vítima – do tempo. Me lembrei da manhã em que acordei fazendo 60 anos: “Isso é uma sacanagem comigo”, me disse, “eu não mereço.” Há poucos dias, ao revelar minha idade, uma jovem universitária reagira assim: “mas ninguém lhe dá isso.” Respondi que, em matéria de idade, o triste é que ninguém precisa dar para você ter. De qualquer maneira, era um gentil consolo da linda jovem. Ali na porta do Detran, nem isso, nenhuma alma caridosa para me “dar” um pouco menos.

Subi e a mocinha da mesa da informações apontou para os balcões 15 e 16, onde havia um cartaz avisando: “Gestantes, deficientes físicos e pessoas idosas.” Hesitei um pouco e ela, já impaciente, perguntou: “o senhor não tem mais de 65 anos? Não é idoso?”

- Não, sou gestante – tive vontade de responder, mas percebi que não carregava nenhum sinal aparente de que tinha amamentado ou estava prestes a amamentar alguém. Saí resmungando: “ não tenho mais, tenho 65 anos.”

O ridículo, a partir de uma certa idade, é como você fica avaro em matéria de tempo: briga por causa de um mês, de um dia. “Você nasceu no dia 14, eu sou do dia 15”, já ouvi essa discussão.

Enquanto espero ser chamado, vou tentando me lembrar quem me faz companhia nesse triste transe. Aí, se não me falha a memória – e essa é a segunda coisa que mais falha nessa idade - , me lembro que Fernando Henrique, Maluf e Chico Anysio estariam sentados ali comigo. Por associação de idéias, ou de idades, vou recordando também que só no jornalismo, entre companheiros de geração, há um respeitável time dos que não entram mais em fila do Detran, ou estão quase não entrando: Ziraldo, Dines, Gullar, Evandro Carlos, Milton Coelho, Janio de Freitas (Lemos, Cony, Barreto, Armando e Figueiró já andam de graça em ônibus há um bom tempo). Sei que devo estar cometendo injustiça com um ou com outro – de ano, meses ou dias -, e eles vão ficar bravos. Mas não perdem por esperar: é questão de tempo.

Ah, sim, onde é que eu estava mesmo? “No Detran”, diz uma voz. Ah, sim. “E o atendimento?” Ah, sim, está mais civilizado, há mais ordem e limpeza. Mas mesmo sem entrar em fila passa-se um dia para renovar a carteira. Pelo menos alguma coisa se renova nessa idade.

Zuenir Ventura

Texto extraído do livro “ As Cem Melhores Crônicas Brasileiras”

quarta-feira, 7 de maio de 2008

O banho de rio, no imaginário infantil


Das lembranças que eu guardo da infância, a mais gostosa é a do banho de rio. Do Piancó ao Piranhas, todos eram diversão garantida. A titulo de esclarecimento, o banho de rio era proibido pela nossa mãe, o que o tornava mais atraente .

Lá em Pombal, por exemplo. Logo depois do café, já sob recomendação da mãe, seguíamos até à praça do Centenário para encontrar os outros. Éramos muitos, e bons: eu, Silvino e Humberto nos juntávamos a Thales e John Newton; Helrizinho e Moreirinha; Pedrinho, Chiquinho e Joãozinho; Fernando e Raul; Hermínio Neto; Paulo Abrantes; e Geraldo Aquiles.

Primeira parada, autorizada, era no Altinho de Da. Neca. Servia para disfarçar, pois era do lado oposto do rio.

Brincávamos a manhã inteira. Depois seguíamos pela linha do trem, até chegarmos ao rio. É bom deixar claro que não era um simples “banho de rio”... Era uma verdadeira aventura infantil.

O banho era composto pelo riscos que corríamos, e o entorno. Lá Geraldo Aquiles se exibia, mergulhando no meio dos anzóis e dando “piaus”. Hermínio Neto e Helrizinho gostavam mesmo era de dar “caldo” nos menores.

Certa vez, Humberto e eu quase nos afogamos: fomos salvos por Paulo Abrantes, menino maior e mais experiente, a quem seremos gratos enquanto vida tivermos.

Diversão garantida e excitante era brechar as lavadeiras trabalhando na margem do rio, pé-leste, pé-oeste... Um deleite, para os olhos de menino-quase-rapaz.

Chamavam atenção as frondosas oiticicas, sempre presentes nas margens de riachos secos, afluentes do grande rio. E todos aprendiam do poder medicinal da oiticica na prisão-de-ventre. Não o caroço, nem a folha, muito menos as raízes: a sombra, isto sim! Que prazer!

Finalmente, vinha a volta pra casa. Tinha que ser longa e arrodeada, para secar o cabelo e disfarçar melhor.

Passávamos pelo rói-couro (cabaré), aonde aproveitávamos para dar uma breve expiada: não víamos nada! Subíamos até a Brasil Oiticica, d’aonde descíamos até chegar em casa, famintos.

Primeira reação da mãe, ao nos ver: você tomou banho de rio, seu cabrito! E tome couro... Até hoje não sei como ela sabia. Acho mesmo é que mamãe nos batia por atacado, para acertar no varejo.

Depois do castigo: à tarde, novas brincadeiras. Depois tomávamos banho, DE CHUVEIRO!, e nos vestíamos para o quem-me-quer na praça, à noite. Deixávamos, então, de ser meninos, e nos dedicávamos à outra atividade gostosa: o flerte!
Mas isto fica para outra crônica...!


José Mário Espínola
Ex-menino

Crônica publicada na revista Saúde&Ciência, ano II-Vol I – Nº 03

Pobre país de Isabellas cadentes


Pátria da paz, lugar da convivência fraterna, território da harmonia, Brasil, um país de todos. Eis o sonho. Sociedade de preconceitos, nação de desiguais, reduto do hediondo, paraíso de monstros impunes, terra de bárbaros requintados. Eis a realidade. Por que tanta distância a separar o ideal do real? Por que o culto da morte a vencer o respeito pela vida?

Desespero e comoção alternam-se como sentimentos a abalar a alma dos brasileiros diante dos horrores da selva nacional. Medo, pânico e insegurança estampam-se no rosto das pessoas. Sobrecarregam as relações humanas. Os corações batem acelerados pelo terror, pulsam no ritmo caótico do estresse. Os olhares desconfiam. Os ouvidos aguçam a percepção. O pensamento já não é livre. As idéias não estão soltas. A terrível sensação de impotência deprime o espírito, afogando-o no amargo caudal da melancolia.

O Brasil das “fontes murmurantes onde eu mato minha sede e a lua vem brincar” só existe na aquarela já esmaecida pelo tempo. A violência secou as fontes e matou a lua. Derrama o sangue de qualquer um. Elimina vidas com medonha frieza.

De tanto se comover com inesgotáveis tragédias e crimes marcados por inaudita perversidade, o brasileiro experimenta a anestesia dos últimos nervos que ainda lhe restam à flor da pele. Já não reage. Quase não sente a modalidade emocional da dor. A indignação fica sufocada, não se manifesta. A violência prospera, a morte triunfa.

A brutalidade não respeita limites. Nem de gênero, nem de idade. Porém, não há nada mais vil, mais torpe do que o assassinato de uma criança. É o clímax da covardia, a síntese da crueldade abjeta, a vileza de uma insanidade imperdoável. Indefesa, a criatura é alvo de atrocidades ignominiosas. Tenra, não se defende. Frágil, não resiste. Ingênua, não imagina a maldade que a ameaça. A criança tem o choro legítimo, a lágrima pura, o sorriso verdadeiro da humanidade. Feri-la é lesar a vida nascente. Torturá-la é agredir o mais autêntico valor existencial. Matá-la é cometer um infamante crime contra a humanidade.

Infelizmente, o Brasil não é um país para crianças. Nada faz contra o extermínio da infância, que cresce assustadoramente nas estatísticas oficiais. As crianças desaparecem, são abusadas, exploradas, violentadas e mortas. Choram, ninguém as ouve. Gritam, são espancadas. Gemem, ninguém as ampara. Expiram, não se lamenta.

Não há um só dia em que não se destrua a vida de menores no país. Recém-nascidos, pré-escolares e escolares não são poupados pelo desatino da violência. Intradomiciliar ou não, pouco importa. Mudam apenas os agressores. O resultado é o mesmo. Vida encerrada, futuro enterrado.

A morte da pequena Isabella mergulha a sociedade nas profundezas do pavor. É das entranhas do corpo social que nascem bandidos e monstros. Não brotam do inferno nem surgem por geração espontânea. Não são de outro mundo. São brasileiros.

Lançada da janela de um edifício residencial, sabe Deus por quem, a cândida figura infantil virou cadáver no jardim do prédio. Mais uma existência precocemente banida da face da Terra. Mais uma terna flor impedida de desabrochar em solo irrigado pelo afeto, de abrir pétalas coloridas pelo afago de um canteiro acolhedor, de exalar o suave perfume da inocência pueril. Isabella não é a primeira criança cadente, atirada das alturas para espatifar-se no chão da maldade. São inúmeras.

As janelas da violência estão cada vez mais abertas no Brasil. Dão vazão à ilimitada criatividade mórbida dos torturadores e matadores de crianças. Desde abuso sexual de lactentes, prostituição de meninas, agressões físicas devastadoras de menores de idade, asfixia mortal, mutilações impiedosas de corpos ainda infantis, queimaduras e espancamentos repetidos, até a morte por abandono ou a vergonha do infanticídio. Lixo, lama, esgoto, terreno baldio, saco plástico, matagal, rios e lagoas são os berços onde muitos recém-nascidos condenados à vida cumprem a dolorosa sentença, quando a morte não os liberta.

Não adianta celebrar a redução da mortalidade infantil enquanto os menores sobreviventes continuarem a ser entregues à sanha dos monstros que produzimos e que andam soltos. Diz-se, para atenuar o sofrimento da perda, que as crianças não morrem, viram estrelas. Talvez por isso o Brasil tenha um céu tão estrelado. Mas, nem mesmo lá em cima, em nebulosas altitudes, nossas pequenas Isabellas estarão seguras. Há fantasmas que as empurram das alturas etéreas. Morrerão como Isabellas cadentes no céu da violência brasileira.


Dioclécio Campos Júnior

Médico, professor titular da UnB e presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria


Artigo extraído do Correio Braziliense, 5 de maio de 2008