segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Sonhos


Embora possamos recomeçar e repensar as nossas ações todos os dias, é no final do ano que costumamos, impulsionados pelo clima de confraternização universal, concentrar todos as nossas metas para o ano que chega. Foi assim em 2006, 2007 e será assim em 2008. Surgem promessas (geralmente aqueles mesmas cuidadosamente não cumpridas no ano passado), planos são novamente traçados, sonhos recompostos e um baú de esperanças parece explodir de novo como fogos de artifícios lá no céu.


Finda a festa, e minimizada a emoção, é hora de cair no dia-a-dia. E ai as promessas que renovamos, aos poucos (salvo as exceções e as mais fáceis de cumprir, claro!), vão tomando contornos mais amenos, acomodam-se as nossas circunstâncias de tal forma que parece pesar mais que o nosso euforismo, e lá se vão as nossas promessas rumo ao ano que vem!


E assim caminha a humanidade, girando no circulo da vida. E não teria graça se assim não fosse.


As festas de fim de ano, sem dúvida, nos capacitada ao exercício mais salutar da humanidade: alimenta a nossa condição de reafirmar os sonhos, as amizades. Reafirmar as esperanças em si mesmo em busca da tão almejada felicidade.


E todos nós precisamos de sonhos, realizados ou não. Aqueles, permanecem incólumes, irreais até, suspensos feito algodão doce pendurado no nosso céu. Estes, surgem sempre incompletos, tardios a nos reclamar a satisfação de tê-los.


Assim, feliz reafirmação da renovação de sonhos para todos!

Amigos

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências...

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.

Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.

Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.

Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.

E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo!

Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.

Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer...

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

"A gente não faz amigos, reconhece-os."


(Vinícius de Moraes)

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007


“Enganam-se os ditadores que matam os sonhadores achando que acabam com os sonhos.”
- Meu Deus, até quando, até quando!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Cinema


A partir da infância, como filho de donos de um engenho, até a morte aos 56 anos, de cirrose hepática, a vida do paraibano José Lins do Rego está retratada em O Engenho de Zé Lins.


O filme (documentário) mostra que, além de um dos maiores escritores brasileiros, o paraibano também foi dirigente do flamengo, seu clube de coração, e traça o contexto político do país do século XX, com a decadência do ciclo da cana-de-açucar.


O filme tem direção de Wladimir Carvalho e está em cartaz desde o último dia 14 de dezembro. Vale a pena conferir!!!

Recomendo


Acabei de ler o livro "O caçador de pipas" do escritor afegão Khaled Hosseini e me surpreendi pela qualidade e envolvimento do romance. Sem sombra de dúvidas, um grande livro. Dá para ler a obra em uma tacada, de tão envolvente.


O romance foi eleito o melhor livro do ano pelo San Francisco Chronicle. Selecionado entre os dez melhores do ano pela Entertainment Weekly e destacado como livro notável pela American Library Association.
Inclusive, ante o sucesso do livro (com venda superior a um milhão de exemplares só no Brasil), já está sendo adaptado para exibição na telona.


"Esta é uma daquelas histórias inesquecíveis, que permanecem na nossa memória por anos a fio. Todos os grandes temas da literatura e da vida são o material com que é tecido esse romance extraordinário: amor, honra, medo, redenção." (Isabel Allende)

sábado, 15 de dezembro de 2007

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Restrições


Hoje, de inopino, resolvi visitar o médico endoscopista. E não deu outra, após um breve interrogatório receitou-me um menu de restrições alimentares nunca antes visto. Agora, não posso isso, não posso aquilo, aquilo outro faz mal, não como assim nem assado, não bebo álcool, fumar continuo não podendo (nunca fumei mesmo), comer, ou melhor, mastigar rápido nem em sonho.


Mas, diante de tantas proibições e nãos, mastigar mais o que? restou-me quase nada, até mesmo o cafezinho que eu achava inofensivo virou inimigo declarado de meu estômago.


Decididamente estou fadado a debulhar o terço dos "faz mal". Logo eu que tanto gosto de café.


A propósito dessa quase preferência nacional, é de se dizer que o rei Gustavo III da Suécia adorava a ciência com a mesma intensidade que odiava o café. No fim do século 18, tentou provar que a bebida era um veneno (assim como o edoscopista está fazendo comigo). E fez um teste: um preso tomaria uma botija de café todos os dias, enquanto outro beberia chá. Durante anos, a saúde de ambos foi monitorada pelo médico do monarca.


O resultado, porém, teria surpreendido o rei - isso se ele estivesse vivo para ver: Gustavo morreu em 1792. Meses depois morreu o médico. Mais alguns anos e foi a vez do bebedor de chá. O que tomou café morreu só 12 anos depois.


- Ufa, ainda bem!!!!!

domingo, 9 de dezembro de 2007

Carta aberta a papai Noel


Prezado Noel,

É escusado dizer o quanto me custou antepor o adjetivo prezado ao seu nome. Como é do seu conhecimento, eu não o prezo, e a recíproca deve ser verdadeira. Quanto à minha carta aberta, não é, como pode parecer, indiscrição ou exibicionismo da minha parte. Quis apenas poupá-lo do trabalho de ter que localizá-la no meio da avalanche de cartas que, nessa época do ano, ameaça soterrá-lo. Nada além.

Mas vamos ao que (me) interessa: a primeira vez que ouvi falar do seu nome, eu ainda morava nos cafundós do Caracol. Como qualquer moleque do meu tope, campeava nuvens, conversava com o vento e não me ardia o desespero de ser dono de nada, como diria o poeta. Eis que numa manhã qualquer de dezembro, minha mãe, que acabara de chegar da cidade, me entregou um balãozinho vermelho, desses que a meninada, hoje, se compraz em estourar com os pés nas festas de aniversário. Limitou-se a dizer: “Foi Papai Noel que mandou”. Ressabiado, mas curioso, aceitei o presente e tratei de inflá-lo para provocar inveja aos companheiros. E tamanho foi o meu entusiasmo que o balãozinho, depois de um pluf, fez-se tirinhas de borracha sem qualquer utilidade. Creio ter sido aquela a minha primeira decepção. Chorei tudo que tinha direito, prometi a mim mesmo que jamais choraria por algo perdido ou não conquistado, e assim tem sido. Em contrapartida, jurei odiá-lo para todo o sempre.

Mas tarde, já em São Raimundo Nonato, véspera de Natal, encontrei, num canteiro mal cuidado, uma pequena imagem de Nossa Senhora de Fátima. Coberta de poeira, abandonada e triste. Parecia ter sido jogada ali por alguém que perdera a fé. Encarei o fato como uma mensagem sua; uma tentativa de reconciliação. Prontamente, aceitei-a. Limpei a imagem na fralda da camisa e voltei correndo para casa. Dona Purcina, precisa como um tiro de lazarina, não se comoveu com a minha versão: “Quem acha o que não perdeu não é o dono”, limitou-se a dizer, e me obrigou a devolver a imagem ao lixo. Não podendo odiar minha mãe, por razões de ordem prática, descarreguei todo o meu ódio em você, Jurei que um dia ainda lhe arrancaria as barbas com um alicate

Na adolescência, perdidamente apaixonado por uma colega, resolvi cantá-la (sou do tempo em que se cantavam as mulheres). Com ensaiada timidez, ela me prometeu a resposta para a noite de Natal. Estávamos em outubro. Foram dois meses de expectativa, sonhos, pesadelos, febres, poluções noturnas e outras coisinhas impublicáveis. No dia aprazado – coração aos pulos – fui procurá-la. A moça tinha deixado a cidade com a família. Chorei, chorei, “até ficar com dó de mim”, como naquela música do Chico. Jurei que jamais choraria por mulher alguma, o que não cumpri.

Cresci, envelheci, e muitos natais se passaram sem maiores traumas. Para ser franco, o ódio arrefeceu, cheguei mesmo a ignorá-lo. Eis que, na semana passada, um outdoor da Arezzo mexeu comigo. Nele, vê-se uma perna linda, soberba, generosa, embrulhada, pronta para ser comida (com os olhos), se me permite a liberdade de expressão. Foi aí que me ocorreu a idéia de lhe fazer uma proposta. Já que é final de ano, por que não aproveitamos essa oportunidade ímpar para fazermos as pazes? É simples: você me manda a dona daquela perna (pode ser zarolha, dentuça ou corcunda), e eu esqueço todas as nossas divergências pretéritas. De quebra, ainda passarei a chamá-lo de Papai Noel como fazem todas as pessoas normais.

Sendo o que tenho para o momento, aguardo e confio.


P.S. Não é preciso embrulhá-la: eu cuido disso.


Cineas Santos

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

O português falado no Brasil é talvez o mais rico e o mais imoral dos idiomas no que se refere à definição de infância


A sociedade brasileira criou palavras que distinguem cada criança conforme sua classe, sua função, sua casta, seu crime Os esquimós têm diversos nomes para indicar a neve. Para eles, cada tipo de neve é uma coisa diferente de outro tipo. Para os povos da floresta, cada mato tem um nome específico. Os habitantes dos desertos têm nomes diferentes para dizer "areia", conforme as características específicas que ela apresenta. Para conviver com seu meio ambiente, cada povo desenvolve sua cultura com palavras distintas para diferenciar as sutilezas do seu mundo. Quanto mais palavras distinguindo as coisas que as rodeiam, mais rica é a cultura de uma população.

Os brasileiros urbanos desenvolveram sua cultura criando nomes especiais para diferenciar o que, para outros povos, seria apenas uma criança.

Para poder circular com segurança nas ruas de suas cidades, os brasileiros do começo de século 21 têm maneiras diferentes para dizer "criança". Não se trata dos sinônimos de antigamente para indicar a mesma coisa, como "menino", "guri", "pirralho". Agora, cada nome indica uma sutil diferença no tipo de criança. O português falado no Brasil é certamente o mais rico e o mais imoral dos idiomas do mundo atual no que se refere à definição de criança. É um rico vocabulário que mostra a degradação moral de uma sociedade que trata suas crianças como se não fossem apenas crianças.

Menino-de-rua significa aquele que fica na rua em lugar de estar na escola, em casa, brincando ou estudando, mas tem uma casa para onde ir - diferenciado sutilmente dos meninos-de-rua, aqueles que não apenas estão na rua, mas moram nela, sem uma casa para onde voltar. Ao vê-los, um habitante das nossas cidades os distingue das demais crianças que ali estão apenas passeando.Flanelinha é aquele que, nos estacionamentos ou nas esquinas, dribla os carros dos ricos com um frasco de água em uma mão e um pedaço de pano na outra, na tarefa de convencer o motorista a dar-lhe uma esmola em troca da rápida limpeza no vidro do veículo. São diferentes dos esquineiros, que tentam vender algum produto ou apenas pedem esmolas aos passageiros dos carros parados nos engarrafamentos. Ou dos meninos-de-água-na-boca, milhares de pobres crianças que carregam uma pequena caixa com chocolates, tentando vendê-los mas sem o direito de sentir o gosto do que carregam para outros.

Sutis diferenças.

Prostituta-infantil já seria um genérico maldito para uma cultura que sentisse vergonha da realidade que retrata. Como se não bastasse, ainda tem suas sutis diferenças. Pode ser bezerrinha, ninfeta-de-praia, nina-da-noite, menino ou menina-de-programa ou michê, conforme o local onde faz ponto ou gosto sexual do freguês que atende. E tem a palavra menina-paraguai, para indicar crianças que se prostituem por apenas um real e noventa e nove centavos, o mesmo preço das bugigangas que a globalização trouxe de contrabando, quase sempre daquele país. Ou menina-boneca, de tão jovem que é quando começa a se prostituir, ou porque seu primeiro pagamento é para comprar a primeira boneca que nunca ganhou de presente.

Delinqüente, infrator, avião, pivete, trombadinha, menor, pixote: sete palavras para o conjunto da relação de nossas crianças com o crime. Cada qual com sua maldita sutileza, conforme o artigo do código penal que cabe, a maneira como aborda suas vítimas, o crime ao qual se dedica...

Podem também, no lugar de crianças, serem boys, engraxates, meninos-do-lixo, recicladores-infantis, de acordo com o trabalho que cada uma delas faz.

Ainda tem filhos-da-safra, para indicar crianças deixadas para trás por pais que emigram todos os anos em busca de trabalho nos lugares onde há empregos por bóias-fria, nome que indica também a riqueza cultural do sutil vocabulário da realidade social brasileira. Ou os pagãos-civis, vivendo sem registro que lhes indique a cidadania de suas curtas passagens pelo mundo, em um país que lhes nega não apenas o nome de criança, mas também a existência legal.

Criança-triste.

Como resumo de todos estes tristes verbetes, há também criança-triste: não se refere à tristeza que nasce de um brinquedo quebrado, de uma palmada ou reprimenda recebida, ou mesmo da perda de um ente querido. No Brasil há um tipo de criança que não apenas fica ou está triste, mas nasce e vive triste - seu primeiro choro mais parece um lamento pelo futuro que ainda não prevê do que um respiro no novo ar em que vai viver, quando pela primeira vez o recebe em seus diminutos pulmões.

Criança-triste, substantivo e não adjetivo, como um estado permanente de vida: esta talvez seja a maior das vergonhas do vocabulário da realidade social brasileira. Assim como a maior vergonha da realidade política é a falta de tristeza no coração de nossas autoridades diante da tristeza das crianças brasileiras, com as sutis diversidades refletidas no vocabulário que indica os nomes da criança.

A sociedade brasileira, em sua maldita apartação, foi obrigada a criar palavras que distinguem cada criança conforme sua classe, sua função, sua casta, seu crime. A cultura brasileira, medida pela riqueza de seu vocabulário, enriqueceu perversamente ao aumentar as palavras que indicam criança. Um dia, esta cultura vai se enriquecer criando nomes para os presidentes, governadores, prefeitos, políticos em geral que não sofrem, não ficam tristes, não percebem a vergonhosa tragédia de nosso vocabulário.

Quem sabe não será preciso que um dia chegue ao governo uma das crianças-tristes de hoje, para que o Brasil torne arcaicas as palavras que hoje enriquecem o triste vocabulário brasileiro e construa um dicionário onde criança... seja apenas criança.

Cristovam Buarque é professor da UnB e senador (PDT/DF)
Fonte: Revista Língua Portuguesa

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Dia Internacional Contra a Corrupção

O Dia Internacional contra a Corrupção é comemorado no dia 9 de dezembro, porque foi nesse dia que o Brasil e mais 111 países assinaram a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, na cidade mexicana de Mérida. A proposta de definição da data foi apresentada pela delegação brasileira. O Congresso Nacional brasileiro aprovou o texto em maio de 2005 e no dia 31 de janeiro deste ano, a Convenção foi promulgada, passando a vigorar no Brasil com força de lei.A Convenção é o mais completo documento internacional juridicamente vinculante (que obriga cumprimento). Ela prevê a cooperação para recuperar somas de dinheiro desviadas dos países, por meio de rastreamento, bloqueio e devolução de bens e também a criminalização do suborno e lavagem de dinheiro. Os artigos se referem também ao aprimoramento gradual da legislação em questões como financiamento de campanhas eleitorais e prestações de contas.De acordo com a Convenção, os governos são responsáveis por realizar ações eficientes contra a corrupção, e cabe aos países signatários implementar as normas da Convenção. A sociedade civil e o setor privado desempenham papel importante ao apoiar os governos na implementação da Convenção e exigir que a administração pública seja mais transparente e aberta a mecanismos de fiscalização e controle. As comemorações do Dia Internacional contra a Corrupção no Brasil, marcadas para o dia 9, serão realizadas, este ano, no dia 10 (segunda-feira), porque a data cai num domingo. A Controladoria-Geral da União vai promover eventos em Brasília e nas suas unidades regionais espalhadas por todo o país.Na Paraíba a Controladoria Geral da União, a Assembléia Legislativa do Estado da Paraíba, a Universidade Federal da Paraíba e o Fórum Permanente de Combate a Corrupção – FOCCO estarão realizando um evento comemorativo no dia 10 de dezembro a partir das 14 horas, no auditório da Reitoria da UFPB.
O evento será composto por um ciclo de palestra que ser realizará dentro de uma sessão especial da Assembléia Legislativa, onde deverão ser abordados temas ligados ao combate a corrupção e a promoção da transparência pública.
Fonte: CGU

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Para que todos os homens possam ser ensinados a dizer a verdade, é necessário que todos aprendam igualmente a ouvi-la.

Samuel Johnson

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007


I want to enjoy in your sky can be at his/her hell.

To live that divine human comedy where nothing is eternal.

domingo, 2 de dezembro de 2007

O jeito é continuar rindo...

Acompanhamento Médico

O sujeito vai ao médico, caindo de bêbado. Durante a consulta, vem as perguntas de praxe:

- Nome?
- Juvenal dos Santos!
- Idade?- 32 anos.
- O senhor bebe?
- Vou aceitar um golinho, pra te acompanhar!

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

"Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico."

Nelson Rodrigues
" A diferença entre um louco e um idiota é que o primeiro raciocina corretamente sobre bases absurdas, já o segundo raciocina de forma incorreta sobre premissas certas"
J. Locke

terça-feira, 27 de novembro de 2007


Para descontrair...

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

A Ordem dos Cavaleiros Templarios


Recentemente o Vaticano apresentou o livro Processus contra Templarios (ainda não traduzido para o português). O livro é uma referência ao processo movido contra a Ordem dos Cavaleiros Templarios pelo papa Clemente V, em 1308.


A edição publicada reune documentos inéditos, dentre eles, o Pergaminho de Chinon onde o papa absolve os templarios da acusação de heresia, deixando evidente que a ordem acabou por causa de interesses politicos. Ela havia sido fundada em 1119 por nobres europeus para proteger a Terra Santa após a tomada de Jerusalém nas cruzadas, em 1096.




Repassando...


PRESENÇA JUDAICA NA LÍNGUA PORTUGUESA.

EXPRESSÕES E DIZERES POPULARES EM PORTUGUÊS

DE ORIGEM CRISTÃ-NOVA OU MARRANA


Jane Bichmacher de Glasman (UERJ)


O objetivo do presente trabalho é apresentar alguns exemplos de influência judaica na língua portuguesa, a partir de uma ampla pesquisa sócio-lingüística que venho desenvolvendo há anos. A opção por judaica (e não hebraica) deve-se a uma perspectiva filológica e histórica mais abrangente, englobando dialetos e idiomas judaicos, como o ladino (judeu-espanhol) e o iídiche (alemão), entre os mais conhecidos, além de vocábulos judaicos e expressões hebraicas que passaram a integrar o vernáculo a partir de subterfúgios e/ ou corruptelas, cuja origem remonta à bagagem cultural de colonizadores judeus, cristãos-novos e marranos.


Há uma significativa probabilidade estatística de brasileiros descendentes de ibéricos, principalmente portugueses, terem alguma ancestralidade judaica. A base histórica para tal é a imigração maciça de judeus expulsos da Espanha, em 1492, para Portugal, devido à contigüidade geográfica e às promessas (não cumpridas) do Rei D. Manuel I, que traziam esperança de sua sobrevivência judaica como tal. Mesmo com a expulsão de Portugal em 1497, os judeus (além dos cristãos-novos e dos cripto-judeus ou marranos) chegaram a constituir 20 a 25% da população local.


Sefaradim (de Sefarad, Espanha, da Península Ibérica) procuraram refúgio em países próximos no Mediterrâneo, norte da África, Holanda e nas recém-descobertas terras de além-mar nas Américas, procurando escapar da Inquisição. Até hoje é controversa a origem judaica ou criptojudaica de descobridores e colonizadores do Brasil, para onde imigraram incontáveis cristãos-novos, alternando durante séculos uma vida como judeus assumidos e marranos, praticando o judaísmo secretamente (fora os que permaneceram efetivamente católicos), de acordo com os ventos políticos, sob o domínio holandês ou a atuação da Inquisição, variando de um clima de maior tolerância e liberdade à total intolerância e repressão.


Comparando apenas sob o ponto de vista cronológico, nem sempre lembramos que, enquanto o Holocausto na Segunda Guerra Mundial foi tão devastador, especialmente nos quatro anos de extermínio maciço de judeus, a Inquisição durou séculos, pelo menos três dos cinco da história “oficial” do Brasil, isto é, após o descobrimento. Tantos séculos de medo, denúncias, processos e mortes, geraram, por um lado, um ambiente psicológico de terror para os judeus e cristãos novos no Brasil; por outro, um anti-semitismo evidente ou subliminar que permaneceu arraigado na população, inclusive como autodefesa e proteção. Uma característica do comportamento de cristãos-novos “suspeitos” foi procurar ser “mais católicos do que os católicos”, buscando sobreviver à intolerância e determinando práticas sócio-culturais e lingüísticas.


A citada alternância entre vidas assumidamente judaicas e marranas, praticando judaísmo em segredo, com costumes variados, unificados pela “camuflagem” de seu teor judaico, gerou comportamentos e aspectos culturais (abrangendo rituais, superstições, ditados populares, etc.) que se arraigaram à cultura nacional. A maioria da população desconhece que muitos costumes e dizeres que fazem parte da cultura brasileira têm sua origem em práticas criptojudaicas. Apresentarei alguns exemplos bem como suas origens e explicações, a partir da origem judaica “marrana”.“Gente da nação” é uma das denominações para designar marranos, judeus, cristãos-novos e cripto-judeus, embora existam diferenças entre termos e personagens. Cristãos-novos foi denominação dada aos judeus que se converteram em massa na Península Ibérica nos séculos XIII e XIV; é preconceituosa devido à distinção feita entre os mesmos e os “cristãos-velhos”, concretizado nas leis espanholas discriminatórias de “Limpieza de Sangre” do século XV.


Criptojudeus eram os cristãos-novos que mantiveram secretamente seu judaísmo. Gente da nação era a expressão mais utilizada pela Inquisição e Marranos, como ficaram mais conhecidos. Embora todos fossem descendentes de judeus, só poucos voltaram a sê-lo, e em países e épocas que o permitiram. O próprio termo “marrano” possui uma etimologia diversificada e antitética. Unterman (1992: 166), conceitua de forma tradicional, como “nome em espanhol para judeus convertidos ao cristianismo que se mantiveram secretamente ligados ao judaísmo. A palavra tem conotação pejorativa” geralmente aplicada a todos os cripto-judeus, particularmente aos de origem ibérica. Em 1391 houve uma maciça conversão forçada de judeus espanhóis, mas a maioria dos convertidos conservou sua fé. Já Cordeiro (1994), com base nas pesquisas de Maeso (1977), afirma que a tradução por “porco” em espanhol tornou-se secundária diante das várias interpretações existentes na histografia do marranismo.


Para o historiador Cecil Roth (1967), marrano, velho termo espanhol que data do início da Idade Média que significa porco, aplicado aos recém-convertidos (a princípio ironicamente devido à aversão judaica à carne de porco), tornou-se um termo geral de repúdio que no século XVI se estendeu e passou a todas as línguas da Europa ocidental.


A designação expressa a profundidade do ódio que o espanhol comum sentia pelos conversos com quem conviviam. Seu uso constante e cotidiano carregado de preconceito turvou o significado original do vocábulo. Em “Santa Inquisição: terror e linguagem”, Lipiner (1977) apresenta as definições: “Marranos: As derivações mais remotas e mais aceitáveis sugerem a origem hebraica ou aramaica do termo. Mumar: converso, apóstata. Da raiz hebraica mumar, acrescida do sufixo castelhano ano derivou a forma composta mumrrano, abreviado: Marrano. Tratar-se-ia, pois de um vocábulo hebraico acomodado às línguas ibéricas. Marit-áyin: aparência, ou seja, cristão apenas na aparência. Mar-anús: homem batizado à força. Mumar-anus: convertido à força. Contração dos dois termos hebraicos, mediante a eliminação da primeira sílaba”. Anus, em hebraico, significa forçado, violentado.


Antes de exemplificar a contribuição lingüística marrana, convém ressaltar que a vinda dos portugueses para o Brasil trouxe consigo todos os empréstimos culturais e lingüísticos que já haviam sido incorporados ao cotidiano ibérico, desde uma época anterior à Inquisição, além de novos hábitos e características; muitas palavras e expressões de origem hebraica foram incorporadas ao léxico da língua portuguesa mesmo antes de os portugueses chegarem ao Brasil. Elas encontram-se tão arraigadas em nosso idioma que muitas vezes têm sua origem confundida como sendo árabe ou grega. Exemplo: a “azeite”, comumente atribuída uma origem árabe por se assemelhar a um grande número de palavras começadas por “al-” (como alface, alfarrábio, etc.), identificadas como sendo de origem árabe por esta partícula corresponder ao artigo nesta língua. O artigo definido hebraico é a partícula “a-” e “azeite” significa, literalmente, em hebraico “a azeitona” (ha-zait).


Apesar da presença judaica por tantos séculos, em Portugal como no Brasil, as perseguições resultaram também em exclusões vocabulares. A maior parte dos hebraísmos chegou ao português por influência da linguagem religiosa, particularmente da Igreja Católica, fazendo escala no grego e no latim eclesiásticos, quase sempre relacionados a conceitos religiosos, exemplos: aleluia, amém, bálsamo, cabala, éden, fariseu, hosana, jubileu, maná, messias, satanás, páscoa, querubim, rabino, sábado, serafim e muitos outros.


Algumas palavras adotaram outros significados, ainda que relacionados à idéia do texto bíblico. Exemplos: babel indicando bagunça; amém passando a qualquer concordância com desejos; aleluia usada como interjeição de alívio.


O preconceito marca palavras originárias do hebraico usadas de forma depreciativa, como: desmazelo (de mazal – negligência, desleixo), malsim (de mashlin – delator, traidor), zote (de zot / subterrâneo, inferior, parte de baixo – pateta, idiota, parvo, tolo), ou tacanho (de katan – que tem pequena estatura, acanhado; pequeno; estúpido, avarento); além de palavras relacionadas a questões financeiras, como cacife, derivada de kessef = dinheiro.


Dezenas de nomes próprios têm origem hebraica bíblica, como: Adão, Abraão, Benjamim, Daniel, Davi, Débora, Elias, Ester, Gabriel, Hiram, Israel, Ismael, Isaque, Jacó, Jeremias, Jesus, João, Joaquim, José, Judite, Josué, Miguel, Natã, Rafael, Raquel, Marta, Maria, Rute, Salomão, Sara, Saul, Simão e tantos outros. Alguns destes, na verdade, são nomes aramaicos, oriundos da Mesopotâmia, como Abraão (Avraham), que se incorporaram ao léxico hebraico no início da formação do povo hebreu.


Podemos citar centenas de nomes e sobrenomes de judaizantes e números de seus dossiês, desde a instalação da Inquisição no Brasil, a partir dos arquivos da Torre do Tombo, em Lisboa, e de livros como Wiznitzer (1966), Carvalho (1982), Falbel (1977), Novinsky (1983), Dines (1990), Cordeiro (1994), etc. Sobrenomes muito comuns, tanto no Brasil como em Portugal, podem ser atribuídos a uma origem sefardita, já que uma das características marcantes das conversões forçadas era a adoção de um novo nome. Muitos conversos adotaram nomes de plantas, animais, profissões, objetos, etc., e estes podem ser encontrados em famílias brasileiras, até hoje, em número tão grande que seria difícil enumerá-los. Exemplos: Alves, Carvalho, Duarte, Fernandes, Gonçalves, Lima, Silva, Silveira, Machado, Paiva, Miranda, Rocha, Santos, etc. Não devemos excluir a possibilidade da existência de outros sobrenomes portugueses de origem judaica.


Porém é importante ressaltar que não se pode afirmar que todo brasileiro cujo sobrenome conste dos processos seja descendente direto de judeus portugueses; para se ter certeza é necessária uma pesquisa profunda da árvore genealógica das famílias.


Há ainda algumas palavras e expressões oriundas do misticismo judaico, tão desenvolvido na idade média. O estudo do Talmud e da Cabalá trouxe também contribuições do aramaico, como a conhecida expressão “abracadabra”, que é tida pela nossa cultura como uma “palavra mágica” (num sentido fabuloso), mas que, na realidade pode ser traduzida como “criarei à medida que falo” (num sentido real e sólido para a cultura judaica).


Algumas palavras também designam práticas judaicas ou formas de encobri-las, especialmente observável nos costumes alimentares. Por exemplo: os judeus são proibidos pela Torá de comer carne de porco, porque tem os cascos fendidos e não rumina, sendo, portanto, impuro. Para simular o abandono desse princípio e enganar espiões da Inquisição, os cristãos-novos inventaram as alheiras, embutidos à base de carne de vitelo, pato, galinha, peru – e nada de porco. Após algumas horas de defumação já podem ser consumidos. Da mesma forma, peixes “de couro” (sem escamas) não serviam para consumo.


Passando às expressões, apresento alguns exemplos, sua origem e explicação:


– “Ficar a ver navios” – Em 1492 foi determinado que os judeus que não se convertessem teriam de deixar a Espanha até ao fim de julho. Centenas de milhares então se fixaram em Portugal. O casamento do rei D. Manuel com D. Isabel, filha dos Reis Católicos, levou-o a aceitar a exigência espanhola de expulsar todos os judeus residentes em Portugal que não se convertessem ao catolicismo, num prazo que ia de Janeiro a Outubro de 1497. O rei Dom Manuel precisava dos judeus portugueses, pois eram toda a classe média e toda a mão-de-obra, além da influência intelectual. Se Portugal os expulsasse logo como fez a Espanha, o país passaria por uma crise terrível. Na realidade D. Manuel não tinha qualquer interesse em expulsar esta comunidade, que então constituía um destacado elemento de progresso nos setores da economia e das profissões liberais. A sua esperança era que, retendo os judeus no país, os seus descendentes pudessem eventualmente, como cristãos, atingir um maior grau de aculturação. Para obter os seus fins lançou mão de medidas extremamente drásticas, como ter ordenado que os filhos menores de 14 anos fossem tirados aos pais a fim de serem convertidos. Então fingiu marcar uma data de expulsão na Páscoa. Quando chegou a data do embarque dos que se recusavam a aceitar o catolicismo, alegou que não havia navios suficientes para os levar e determinou um batismo em massa dos que se tinham concentrado em Lisboa à espera de transporte para outros países. No dia marcado, estavam todos os judeus no porto esperando os navios que não vieram. Todos foram convertidos e batizados à força, em pé. Daí a expressão: “ficaram a ver navios”. O rei então declarou: não há mais judeus em Portugal, são todos cristãos (cristãos-novos). Muitos foram arrastados até a pia batismal pelas barbas ou pelos cabelos.


– “Pensar na morte da bezerra”: frase tão comumente dita por sertanejos quando querem referir-se a alguém que está meditando com ares de preocupação: “está pensando na morte da bezerra”. Registram as denunciações e as confissões feitas ao Santo Oficio, a noção popular, naquele distante período, do que seria o livro fundamental do judaísmo: a Torá. De Torá veio Toura e depois, bezerra, havendo inclusive quem afirmasse ter visto em cara de alguns cristãos-novos, o citado objeto, com chifres e tudo.


– “Passar a mão na cabeça”, com o sentido de perdoar ou acobertar erro cometido por algum protegido, é memória da maneira judaica de abençoar de cristãos-novos, passando a mão pela cabeça e descendo pela face, enquanto pronunciava a bênção.


– Seridó, região no Rio Grande do Norte, tem seu nome originário da forma hebraica contraída: Refúgio dele. Porém, não é o que escreve Luís da Câmara Cascudo, indicando uma origem indígena do nome da região, de “ceri-toh”. Em hebraico, a palavra Sarid significa sobrevivente. Acrescentando-se o sufixo ó, temos a tradução sobrevivente dele. A variação Serid, “o que escapou”, pode ser traduzido também por refúgio. Desse modo, a tradução para o nome seridó seria refúgio dele ou seus sobreviventes.


– Passar mel na boca: quando da circuncisão, o rabino passa mel na boca da criança para evitar o choro. Daí a origem da expressão: “Passar mel na boca de fulano”.


– Para o santo: o hábito sertanejo de, antes de beber, derramar uma parte do cálice, tem raízes no rito hebraico milenar de reservar, na festa de Pessach (Páscoa), um copo de vinho para o profeta Elias (representando o Messias que virá, anunciado pelo Profeta Elias).


– “Que massada!” –usada para se referir a uma tragédia ou contra-tempo, é uma alusão à fortaleza de Massada na região do Mar Morto, Israel, reduto de Zelotes, onde permaneceram anos resistindo às forças romanas após a destruição do Templo em 70 d.C., culminando com um suicídio coletivo para não se renderem, de acordo com relato do historiador Flávio Josefo.


– “Pagar siza” significando pagar imposto vem do hebraico e do aramaico (mas = imposto, em hebraico de misa, em aramaico).


– “Vestir a carapuça” ou “a carapuça serve para ...” vem da Idade Média inquisitorial, quando judeus eram obrigados a usar chapéus pontudos (ou com três pontas) para serem identificados.


– “Fazer mesuras” origina-se na reverência à Mezuzá (pergaminho com versículos de DT.6, 4-9 e 11,13-21, afixado, dentro de caixas variadas, no batente direito das portas).


– "Deus te crie" após o espirro de alguém é uma herança judaica da frase Hayim Tovim, que pode ser traduzido como tenha uma boa vida.


– “Pedir a bênção” aos pais, ao sair e chegar em casa, é prática judaica que remonta à benção sacerdotal bíblica, com a qual pais abençoam os filhos, como no Shabat e no Ano Novo.


– “Entrar e sair pela mesma porta traz felicidade” bem como o costume de varrer a casa da porta para dentro, costume arraigado até os dias de hoje, para “não jogar a sorte fora” é uma camuflagem do respeito pela Mezuzá, afixada nos portais de entrada, bem como aos dias de faxina obrigatória religiosa judaica, como antes do Shabat (Sábado, dia santo de descanso semanal) e de Pessach.


– “Apontar estrelas faz crescer verrugas nos dedos” era a superstição que se contava às crianças para não serem vistas contando estrelas em público e denunciadas à Inquisição, pois o dia judaico começa no anoitecer do dia anterior, ao despontar das primeiras estrelas, dado necessário para identificar o início do Shabat e dos feriados judaicos.


Para concluir, gostaria de mencionar um tema polêmico decorrente deste intercâmbio cultural-religioso: sua influência no português, em vocábulos que adquiriram uma conotação pejorativa e negativa. Os mais discutidos são: judeu, significando usurário, o verbo judiar (e o substantivo judiação) com o sentido de maltratar, torturar, atormentar. Seja sua origem a prática de “judaizar” (cristãos-novos mantendo judaísmo em segredo e/ ou divulgando-o a outros), seja como referência ao maltrato e às perseguições sofridas pelos judeus durante a Inquisição, o fato é que, sem dúvidas, sua conotação é negativa, e cabe a nós estudiosos do assunto e vítimas do preconceito, esclarecer a população e a mídia, alertando e visando à erradicação deste uso, não só pelo desgastado “politicamente correto”, que leva a certos exageros, mas para uma conscientização do eco subliminar de um longo passado recente, Pelo qual não basta o pedido de perdão, se não conduzir a uma mudança no comportamento social.



Referências Bibliográficas


CARVALHO, Flávio Mendes de. Raízes judaicas no Brasil. São Paulo: Arcádia, 1982.


CORDEIRO, Hélio Daniel. Os marranos e a diáspora sefaradita. São Paulo: Israel, 1994.


DINES, Alberto. Vínculos do fogo. São Paulo: Cia. das Letras. 1990.


FALBEL, Nachman & GUINSBURG, Jacó. (org.) Os marranos. São Paulo: CEJ; USP, 1977.


GONSALVES DE MELLO, José Antonio. Gente da Nação In: Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano. 1979.


HOLANDA FERREIRA, Aurélio Buarque de. Novo dicionário da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.


HOUAISS, Antonio. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.


LIPINER, Elias. Santa inquisição: Terror e linguagem. Rio de Janeiro. Documentário, 1977.


MAESO, David Gonzalo. A respeito da etimologia do vocábulo ‘marrano’. São Paulo, CEJ, 1977.


NOVINSKY, Anita. A inquisição. São Paulo: Brasiliense, 1983.


ROTH, Cecil (ed.) Enciclopédia judaica. Rio de Janeiro. Tradição, 1967.


UNTERMAN, Alan. Dicionário judaico de lendas e tradições. Rio de Janeiro: Zahar, 1992.


WIZNITZER, Arnold. Os judeus no Brasil Colonial. São Paulo: Pioneira, 1966.

domingo, 25 de novembro de 2007


Um texto muito interessante sobre fidelidade:



"(...) mas o que eu acho é que fidelidade é algo que se dá, mas não se pede. O único critério para exercê-la é a satisfação. Se você está satisfeito, por que se martirizar com questões desse tipo? Não faz sentido. Também não queira transformar em norma para o outro o que é uma regra imposta a você por seu próprio corpo saciado. Nem sequer se interrogue se ou por que você é suficiente para o outro. Reciprocidade é um termo bancário, antipático e injusto: o amor é sempre desigual. Claro, na paixão, tudo coincide. Mas quem quer o amor precisa ser mais flexível.Portanto, guarde bem isto, anote, se precisar, escreva na carne com gilete: fidelidade não se pede, só se dá. Ou não. Quem dá não conta vantagem. Quem não recebe, faz vista grossa. O outro, por mais que venhamos a amá-lo, é sempre um mistério - até para si mesmo. Insondável criptograma que se decifra com paciência e sorte. Deixe-o ser e se deixe encantar por quem te seduz. Ou se desencante de vez. Mas, como sempre, você está sozinho".

terça-feira, 20 de novembro de 2007

segunda-feira, 19 de novembro de 2007




Tenho uma língua que queima,


Tenho outra que é norte.




Tenho uma coisa que é vida,


Tenho outra que é morte!

domingo, 18 de novembro de 2007

Homenagem




Nascido no dia 23 de novembro de 2006 em Mossoró, Jerônimo Vingt-un Menandro (foto) teve seu nome escolhido desde quando a pedagoga Tânia Maria de Sousa Cardoso constatou em exame médico o formidável fruto que trazia no ventre, fato ocorrido precisamente em dias de abril.




Conheci Jerônimo Vingt-un Rosado Maia e América Fernandes Rosado Maia no ano de 1993, quando os mecenas apresentavam publicações da Coleção Mossoroense em solenidade ocorrida nas dependências do Instituto Histórico e Geográfico na capital paraibana.




Deusdedit Leitão fez a ponte entre a gente, visto que o historiador sertanejo, natural de São José de Piranhas, teve profundos laços de amizade com meu tio-avô paterno de nome Romeu Menandro da Cruz.




Vingt-un Rosado indagou-me sobre a ligação com Lourenço, a quem Raul Fernandes destacou em livro, por título A Marcha de Lampião – Assalto a Mossoró, como Rosado, quando da enumeração dos defensores da trincheira de Saboinha.




“É a mesma referente a Romeu, Dr. Vingt-un. Eles eram irmãos. Também eram irmãos da minha avó paterna, de nome Francisca Martinha da Cruz Cardoso”, respondi-lhe.




Imediatamente Dr. Vingt-un me disse que havia uma relação entre a gente, pois Menandro José da Cruz, pai de todos supramencionados, era meio-irmão de Jerônimo Rosado.




E disse mais, que na seca de 1877-1879, meu bisavô havia auxiliado muito na salvação da família Rosado, sendo utilizado como instrumento de Deus para livrá-la da terribilíssima hecatombe climática, conduzindo-a para a cidade de Cajazeiras dos Rolim, próxima ao oásis fértil do cariri cearense, palmilhando a região com bancas de fazendas, comercializando-as a fim de fomentar a luta pela sobrevivência.




Vingt-un me contou também que Menandro havia sido criado em Pombal por Dona Vicência, esposa do português Jerônimo Ribeiro Rosado, fato que já havia sido destacado pelos mais velhos de minha família.




Eu já tinha ouvido essa história dos meus antepassados, embora sem as riquezas de detalhes daquele grande historiador, o qual na oportunidade tive o prazer de conhecer nas dependências da casa da cultura e da história paraibanas.




O mecenas me confirmou ainda que as homenagens que existiam em nomes dos meus familiares eram em razão da forte ligação que tradicionalmente embasou os dois troncos genealógicos. Tive tios-avós de nomes Jerônimo e Leopoldina em homenagem a dois tios paternos de Vingt-un.




Aproveitando o ensejo, confirmando a sólida relação de amizade e parentesco, Vingt-un frisou reminiscências que apontaram ao primogênito da irmã do farmacêutico Jerônimo Rosado, de nome Herculana Rosado Bandeira, casada com o também paraibano José Bandeira.




O primeiro filho da matriarca da família Rosado, radicada no município de Governador Dix-sept Rosado, a qual também é originária da velha cidade de Pombal, localizada no adusto sertão paraibano, onde estão minhas mais sólidas raízes, chamava-se Menandro Rosado Bandeira.




Foi uma justa homenagem da descendente do português Jerônimo Ribeiro Rosado e da pombalense Vicência da Costa Rosado ao meio-irmão que se empenhou em lutar para que os meio-irmãos sobrevivessem aos rigores da brutal seca que se abateu por três anos durante a década de setenta do século XIX.




Quando do exercício de funções administrativas na exploração do gesso das vossorocas da espadilha e sua imediações, Vingt-un comandou Severino Cruz Cardoso, de quem sou filho.




Entendi mais sobre as minhas idas e vindas a Mossoró, onde sou batizado, e a Governador Dix-sept Rosado, quando de minha infância, antes da trágica perda do meu pai.




Concluída a graduação de licenciatura em geografia no campus central da Universidade Federal da Paraíba, bem como pós-graduações em nível lato sensu, ambas na instituição de ensino superior que traz a marca indelével da luta do paraibano José Américo de Almeida, entrei em contato com Vingt-un, expressando o desejo de me radicar definitivamente na terra de Santa Luzia do Mossoró.




Prontamente atendido, recebi do velho alcaide da cultura potiguar notícia jornalística de concurso a ser realizado no início do ano de 1998, ao qual submeti-me obtendo primeiro lugar.




Fiquei emocionado ao ser recepcionado por Vingt-un e América na residência da avenida Jorge Coelho de Andrade, pois os criadores da Coleção Mossoroense, além de outras obras imortais, não se continham de alegria com a conquista do bisneto de Menandro José da Cruz, sofrido órfão de pai que nunca teve medo de lutar pela sobrevivência e pelo engrandecimento do próximo.




Vingt-un e América me convidaram para assessorá-los no fomento à dinâmica do sonho cultural de Mossoró, o que, sem titubear aceitei incontinenti. Passei a trabalhar diretamente com mitos da cultura brasileira, cujos nomes se eternizam na História da inteligência nacional.




Meu querido amigo vibrou quando concluí o mestrado em desenvolvimento e meio ambiente, orientado pelo amigo Benedito Vasconcelos Mendes, cujo enfoque centrou-se, para orgulho de Vingt-un Rosado, em estudo sobre a importância da caprino-ovinocultura em assentamentos rurais de Mossoró, cujo texto na íntegra compõe o acervo literário da Coleção Mossoroense, assim como o trabalho monográfico de Tânia, por título Cordel, cangaço e contestação: Uma análise dos cordéis “A chegada de Lampião no céu”(Rodolfo Coelho) e “A chegada de Lampião no inferno (José Pacheco)”.




Íntimo de Vingt-un e América e desfrutando da imensa consideração de ambos, confidenciei ao grande amigo que meu segundo filho homenagearia todos os Jerônimos da família, incluindo Jerônimo Menandro da Cruz, filho do patriarca de minha família, bem como ao próprio, cuja memória venero incessantemente. Afirmei a Vingt-un que o bebê teria o nome de Jerônimo Menandro.




Testemunhei o risonho Vingt-un se emocionar com as minhas palavras, e ainda mais quando lhe disse que os padrinhos seriam ele e Dona América. Imediatamente Vingt-un falou-me que àquele seria um prazer indescritível, aceitando apadrinhar Jerônimo Menandro.




Vingt-un cumpriu sua brilhante missão no plano terreno em 21 de dezembro de 2005. Não pôde apadrinhar Jerônimo Menandro, mas em sua homenagem acrescentei Vingt-un quando meu segundo filho nasceu.




Era impossível não demonstrar minha eterna gratidão ao meu amigo, confessor e incentivador, cujas palavras confortantes ressoam presentemente. Benedito Vasconcelos Mendes e Suzana Goretti Leite, aos quais Vingt-un admirava e dedicava, também, imensa amizade, apadrinham Jerônimo Vingt-un Menandro de Sousa Cardoso.




Confesso com franqueza que convidar Dona América, sem Vingt-un, para essa importante missão de apadrinhar o meu Jerônimo, suscitaria emoção traumática indescritível e muito forte, pois admito, sem titubear, não conseguir suportar a ausência física do eterno mestre e conselheiro.




Não tive coragem, Vingt-un é insubstituível, meu maior desejo é que ele tivesse acompanhado o nascimento de Jerônimo Vingt-un Menandro, tivesse feito visita com Dona América quando Tânia descansou, mas nada disso foi possível, o meu mestre se encantou sem poder conhecer nosso esperado segundo filho.




Nada mais justo do que confiar a tarefa a pessoas da mais absoluta estima de Vingt-un, mas, no fundo, meu segundo pai e Dona América serão os padrinhos verdadeiros, representados pelos dois amigos.




Jerônimo Vingt-un Menandro, eis a razão porque ele homenageia dois grandes homens: Jerônimo Vingt-un Rosado Maia e Menandro José da Cruz. Sobrinho e tio, de cuja consideração expresso de forma emocionada, abrindo meu coração para que a essência da pureza que trago comigo flua externando o âmago da minha ternura e do meu imenso apreço por ambos, por suas memórias, vidas e lutas.






José Romero Araújo Cardoso. Professor adjunto do departamento de geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Especialista em geografia e gestão territorial e em organização de arquivos. Mestre em desenvolvimento e meio ambiente. Membro do Instituto Cultural do Oeste Potiguar, da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, da Comissão Mossoroense de Folclore e do grupo Benigno Ignácio Cardoso DArão.

Reflexão bregosófica


Está fazendo falta a reflexão bregosófica de um dos maiores ícones desse tipo artístico-literário no Brasil, o "cantor e compositor" cearense Falcão. O cara anda meio sumido da mídia e sua mistura de reflexão filosófica com a percepção brega da realidade brasileira em seus detalhes é sempre muito bem vinda.


Enquanto aguardo "a volta do que não foi", desse grande baluarte da bregosofia semi-inútil, relembro aqui algumas pérolas do pensamento falconiano para reflexão no final de semana:


"É melhor cair em contradição do que do oitavo andar".


"Quem dá aos pobres tem que pagar o motel".


"Eu sei que a burguesia fede, mas tem dinheiro pra comprar perfume. E além do mais o high society leva chifre e não tem ciúme".


"O Brasil está em nossas mãos e não adianta lavar".


"Não sei se foi Voltaire ou foi um bodegueiro que disse que o mundo não se acaba quando se ganha um par de chifre".


"Supunhetemos que, de repentelho, o mundo inteiro se descabaçasse. Ora, não se ria, minha senhora, pois sua filha pode estar aqui dentro".


"Há males que vêm para o mal".


"Onde houver fé, que eu leve a dúvida".


"O homem nasce sem maldade em parte nenhuma do corpo. O homem é lobo do homem. Isso explica a viadagem congênita e a baitolagem adquirida".


"As bonitas que me perdoem, mas a feiúra é de lascar".


"Se a sua mulher tem um milhão de amigos, parece ser castigo, mas fica um consolo: porque mulher feia e jumento perdido só quem procura é o dono".


É, Falcão, sua análise bregosófica da atual surrealidade brasileira está fazendo falta.



Bruno Galindo

"Um homem que mente para si mesmo, e acredita nas suas próprias mentiras, se torna incapaz de reconhecer a verdade, tanto nele quanto em qualquer outra pessoa, e termina perdendo o respeito por si mesmo e pelos demais. Ao perder o respeito pelos outros, se torna incapaz de amar."


Fiódor Dostoiévski - Os Irmãos Karamazov

Cartaz - Cultura Judaica


As curiosidades do Google



AS PALAVRAS MAIS PROCURADAS NO MUNDO


19.10.2007


"Jihad" - Marrocos, Indonésia, Paquistão;


"Terrorismo" - Paquistão, Filipinas, Austrália;


"Ressaca" - Irlanda, Reino Unido, Estados Unidos;


"Iraque" - Estados Unidos, Austrália, Canadá;


"Talibã" - Paquistão, Austrália, Canadá;


"Tom Cruise" - Canadá, Estados Unidos, Austrália;


"Britney Spears" - México, Venezuela, Canadá;


"Burrito" - Estados Unidos, Argentina


"Iraque" - Estados Unidos, Austrália, Canadá;


"Talibã" - Paquistão, Austrália, Canadá;


"Homossexual" - Filipinas, Chile, Venezuela;


"Amor" - Filipinas, Austrália, Estados Unidos;


"Botox" - Austrália, Estados Unidos, Reino Unido;


"Viagra" - Itália, Reino Unido, Alemanha;


"David Beckham" - Venezuela, Reino Unido, México;


"Kate Moss" - Irlanda, Reino Unido, Suécia;


"Dolly Buster" - República Tcheca, Áustria, Eslováquia;


"Carro-bomba" - Austrália, Estados Unidos, Canadá;


"Maconha" - Canadá, Estados Unidos, Austrália;


"IAEA" (Agência Internacional de Energia Atômica) - Áustria, Paquistão, Irã;


"Sexo" - Egito, Índia, Turquia.


sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Tropa de Elite


Estupro em 1833


Leia e veja porque havia menos estupros naquele tempo.

Fonte: Instituto Histórico de Alagoas "Ipsis litteris, ipsis verbis" (lingua portuguesa arcaica)

SENTENÇA JUDICIAL DE 1833

PROVÍNCIA DE SERGIPE


O adjunto de promotor público, representando contra o cabra Manoel Duda, porque no dia 11 do mês de Nossa Senhora Sant'Ana quando a mulher do Xico Bento ia para a fonte, já perto dela, o supracitado cabra que estavade em uma moita de mato, sahiu della de supetão e fez proposta a dita mulher, por quem queria para coisa que não se pode trazer a lume, e como ella se recuzasse, o dito cabra abrafolou-se dela, deitou-a no chão, deixando as encomendas della de fora e ao Deus dará. Elle não conseguiu matrimonio porque ella gritou e veio em amparo della Nocreto Correia e Norberto Barbosa, que prenderam o cujo em flagrante. Dizem as leises que duas testemunhas que assistam a qualquer naufrágio do sucesso faz prova.



CONSIDERO: QUE o cabra Manoel Duda agrediu a mulher de Xico Bento para conxambrar com ela e fazer chumbregâncias, coisas que só marido della competia conxambrar, porque casados pelo regime da Santa Igreja Cathólica Romana; QUE o cabra Manoel Duda é um suplicante deboxado que nunca soube respeitar as famílias de suas vizinhas, tanto que quiz também fazer conxambranas com a Quitéria e Clarinha, moças donzellas; QUE Manoel Duda é um sujeito perigoso e que não tiver uma cousa que atenue a perigança dele, amanhan está metendo medo até nos homens.



CONDENO: O cabra Manoel Duda, pelo malifício que fez à mulher do Xico Bento, a ser CAPADO, capadura que deverá ser feita a MACETE. A execução desta peça deverá ser feita na cadeia desta Villa.



Nomeio carrasco o carcereiro.



Cumpra-se e apregue-se editais nos lugares públicos.



Manoel Fernandes dos Santos

Juiz de Direito da Vila de Porto da Folha

Sergipe, 15 de Outubro de1833.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Jegues, esses desprezados


Introduzido pelos colonizadores portugueses, o jegue adaptou-se extraordinariamente às condições ambientais ímpares do semi-árido, de cujas paisagens integravam indissociavelmente há pouco tempo, quando os sertanejos ainda estavam dependentes dos mesmos para diversas atividades imprescindíveis do cotidiano.


Padre Antônio Vieira, cearense de saudosa memória, dedicou a vida à defesa dos humildes animais, cujos escritos exaltaram as virtudes do jumento, nosso irmão, imortalizado ainda em belíssima canção composta e interpretado pelo eterno Luiz " Lua" Gonzaga.


Vieira denunciou também a forma desprezível como os humanos vinham tratando importante personagem da história sertaneja.


Impossível elencar todas as contribuições fomentadas pelo jumento, as quais vão desde os meios de transporte ao fornecimento de carne e leite às populações desvalidas, embora frigoríficos o tenham usado em diversos momentos para a fabricação da carne de charque.


O sertão deve ao jumento preito de gratidão ainda não efetivado, a região bem que poderia edificar monumentos em cada cidade em louvor ao sofrido animal que se imortalizou no imaginário cristão devido ter conduzido Jesus quando da fuga para o Egito, mas, inadmissivelmente, trata-o de forma deplorável, imitando grande parte da população árabe do oriente médio quando da substituição do camelo pelo automóvel.


O sertanejo trocou o jumentos pelos carros e motos, difícil encontrarmos nas quebradas do sertão alguém montado em jumento pois a inserção da hinterlândia na era da pós-modernidade trouxe consequências nefastas para nossas valorosas práticas sócio-culturais, as quais incluíam invariavelmente a exponencial valorização desses animais.


As feiras de outrora eram assinaladas pela presença dos jegues em cada esquina, quando os sertanejos que habitavam a zona rural afluíam em massa para as cidades a fim de comercializar excedentes e se abastecer de víveres indispensáveis.


Montados em jumentos, encourados e com chapéus de couro quebrados nas testas, desfilavam orgulhosos pelas artérias movimentadas.


Localizada no Seridó oriental paraibano, divisa com o estado da Paraíba, a cidade de Pedra Lavrada se caracterizava justamente pelo impressionante número de pessoas montadas em jumentos quando de suas feiras semanais. Amarrados ao lado do antigo cemitério, os jumentos esperavam seus donos pacientemente.


A paisagem rur-urbana da aprazível cidade encravada nos contrafortes adustos da Borborema ocidental era marcada pelo grande número de jegues, hoje radicalmente modificada em razão do impressionante desaparecimento dos singelos animais, desprezados devido ao descortinar de novas práticas culturais alicerçadas na globalização.


O sertanejo nos dias de hoje não dispensa guidons de motos nem volantes de possantes carros, os quais não cedem mínima margem de contestação a qualquer hipótese sobre a reafirmação do jumento na vida social da região.


Causa admiração boiadeiros em duas rodas conduzir o gado para o curral, em clara afronta às tradições da terra do sol.


Ridicularizados pelo atual estágio em que se insere o sertão, os jegues se amontoam pelas estradas asfaltadas e poeirentas nas quais um dia imperou de forma hegemônica, escanteados por aqueles aos quais um dia ajudaram a fazer a grandeza da civilização da seca assentada no heroísmo épico que precisa ser resgatado enquanto preito de gratidão em tributo à bravura de um passado glorioso.



José Romero Araújo Cardoso. Pombalense - Geógrafo. Professor da UERN. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente. Contato: romerocardoso@uol.com.br

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Rádio ainda faz escola



Houve um tempo em que a geração dos locutores de rádio da Paraíba nascia da improvisação, consolidava-se na experiência para se destacar no jornalismo radiofônico. Assim, radialistas como ZEILTON TRAJANO, EURIVO DONATO e CARLOS ABRANTES, fizeram uma longa trajetória por “serviços de auto-falantes”, as eternas difusoras e rádios do interior. Nesse contexto é necessário destacar a contribuição do LORD AMPLIFICADOR e da RÁDIO MARINGÁ, ambos de Pombal, na formação de profissionais de rádio da Paraíba.

Existiam há época (1992) na cidade duas emissoras de “AM”. A rádio Maringá de Pombal, pertencente ao grupo Pereira, instalada em 1982 (atualmente fora do ar, por ter havido um incêndio em seus equipamentos), e a rádio Bom Sucesso de Pombal, pertencente ao ex-prefeito de João Pessoa, Carneiro Arnaud. Atualmente a cidade de Pombal conta com quatro emissoras de rádio (rádio Maringá FM, rádio Liberdade FM, rádio Bom Sucesso AM além de uma rádio comunitária).

A história da radiofonia pombalense dista de longos anos. Tudo começou com a DIFUSORA GUARANY, pertencente a Manoel Bandeira, instalada no sobrado de Joaquim Assis no ano de 1942, indo até 1947. Os primeiros locutores foram: Agu Rodrigues e o próprio Manoel Bandeira.

Como se sabe, em toda cidade de interior os projetores de som eram colocados em cima do mercado público e na parte mais alta dos prédios comerciais existentes no centro da cidade. Ali se transmitia em alto e bom som as propagandas das casas comerciais, tocando os mais recentes sucessos musicais, sem ferir ou perturbar os ouvidos das pessoas que passeavam pelo centro da cidade. Era comum algumas pessoas ficarem nas esquinas das lojas ou na Coluna da Hora para ouvir a sua música predileta, uma vez que na época, não existiam radiolas ou sistemas de som nos bares ou restaurantes.

Com o fim da DIFUSORA GUARANY em 1947, aparece no mesmo ano, o serviço de alto-falantes “TUPÔ, de propriedade do Sr. Rosil Cavalcante, conhecido compositor das músicas de Jackson do Pandeiro. Essa difusora durou apenas 3 anos, de 1947 até 1950.

Em 1950, Ló de Cristiano instala um novo serviço de alto-falantes, aproveitando a ida de Rosil Cavalcante para Campina Grande. Os estúdios dessa nova Difusora foram instalados onde hoje funciona o “Restaurante Manaira” e tinha como locutores: Agu Rodrigues e o prof. Vicente Jardim. Funcionou de 1950 a 1953.

Os horários de funcionamento foram sempre de 9:00 as 11:00 horas, das 15:00 as 18:00 horas e das 19:00 as 21:00 horas. Os discos eram fabricados com cera de carnaúba, merecendo todo cuidado no seu uso, pois se quebravam facilmente. A velocidade era de 78 rpm. As agulhas eram descartáveis e de procedência americana, fabricadas pela RCA VITOR.

Afonso Coelho Mouta (já falecido), sempre primava pela boa qualidade de sim e a melhor discoteca da cidade. Sempre atualizado com a música e por ser proprietário na época da Sorveteria Tabajara, instalou com equipamento Philips importado da Holanda, o serviço de alto-falantes – DIFUSORA TABAJARA -, do ano de 1954 até o ano de 1956. Com a venda da sorveteria, Afonso passou a ser proprietário do cinema local, quando mudou a denominação de sua difusora para DIFUSORA RÁDIO LUX de 1957 até janeiro de 1961. Nesse período de 1954 a 1961, trabalharam como locutores: Jairo Mota, Ivônio, João Rapadura, Anchieta de Lourenço José, Raminho de Antônio Bezerra, José Geraldo, Maria Alice, Lucrecia Formiga e Jurandir Urtiga.

Em 1961 se extingue a Difusora Rádio Lux e surge o serviço de alto-falantes – RÁDIO DIFUSORA MARINGÁ -, pertencente ao Sr. Raimundo Gomes de Lacerda, o conhecidíssimo “Raimundo Sacristão”. Esse potente serviço de som fixo, além de transmitir os anúncios comerciais, dava cobertura sonora nas festas da padroeira de Nossa Senhora do Bom Sucesso, realizada antigamente no mês de setembro ao lado da Matriz. Em todos os eventos sociais da cidade ele estava sempre presente. Até mesmo nos sorteios natalinos realizados no final de ano pela casa comercial “O Imperador das Novidades” do Sr. Zuza Nicácio, de saudosa memória. A Difusora Rádio Maringá , teve como locutores: José Geraldo, Zeilton Trajano e Clemildo Brunet, que estreava com apenas 12 anos de idade, já demonstrando sua forte tendência para o rádio. A Difusora Maringá, funcionou até 1964.

Mas a verdadeira universidade do Rádio pombalense surgiu em 1966, em plena época da jovem guarda, com a instalação do serviço de alto-falantes “A VOZ DA CIDADE”. Acoplado com um pequeno transmissor de “O.C.”, este conceituado serviço de som que pertencia ao jovem rapaz Clemildo Brunet, que com apenas 16 anos, já sabia reger a sua pessoa e administrar os seus bens. Este pequeno transmissor operava clandestinamente em ondas curtas na freqüência de 3.722 Hlsc – Faixa de 45 metros.

Conta Genival Severo que a rádio “A VOZ DA CIDADE”, atingiu um elevado índice de audiência até hoje nunca alcançado pelas emissoras Maringá e Bom Sucesso. “A Nossa discoteca era mais atualizada que a Rádio Alto-Piranhas de Cajazeiras”, diz Genival. .

Clemildo sempre se preocupava com a atualização dos sucessos e talvez por isso ninguém mudava de sintonia. Todos os programas foram campeões de audiência.

Na época, ainda não existia televisão no sertão, por isso o rádio exercia o poder maior de comunicação de massa.

Os locutores que comandavam os programas da tão querida emissora local, eram: Zeilton Trajano, Genival Severo, Edmivam Monteiro, José de Sousa Costa (o gago), Maciel Gonzaga e GenildoTorres. Como controlistas: Otácilio Trajano e Genivam Fernandes (pássaro preto). Em setembro de 1967, em pleno período revolucionário, a censura federal descobriu essa emissora clandestina e imediatamente mandou tirar do “ar”. Os programas mais ouvidos foram: “Brotolândia”, com Clemildo Brunet, “Noite de Saudades”, com Eurivo Donato, “A Pombal Boa Noite”, com José Geraldo e Zeilton Trajano, “Varandão da Casa Grande”, com Genival Severo.

A rádio A VOZ DA CIDADE teve seu fim, mas a escola do rádio ficou, dando origem a outro serviço de alto-falantes um ano depois.

Em 1968 a 1985, LORD AMPLIFICADOR, “o som direcional da comunicação”. Localizado ao lado sul do mercado público também pertencente a Clemildo Brunet. Este serviço de som mais moderno, funcionava fixo a volante, durante o tempo de sua permanência, produziu bons profissionais como: José Cezário de Almeida (Rádio Maringá), Massilon Gonzaga (Rádio Caturité), João de Sousa Costa (Jornal Correio da Paraíba), Gegório Dantas (Rádio Bom Sucesso/Pombal), José Barbosa Coelho, Evilásio Junqueira (TV Borborema), Evandro Junqueira (Magão do Lord), Sérgio Lucena (FM 98 João Pessoa), Bertrand Chaves (Beto Chaves Arapuã-FM), Horácio Bandeira (Rádio Difusora de Cajazeiras), Carlos Abrantes (Locutor de cerimônias do Palácio da Redenção João Pessoa)

Genival Severo de Queiroga


* Matéria originalmente publicada no jornal Correio da Paraíba – edição de domingo, 11 de outubro de 1992.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Humor politicamente incorreto:

Esse negócio do ditador Pervez Musharraf do Paquistão mandar prender três mil advogados até que não é má idéia...

terça-feira, 6 de novembro de 2007




Em Pombal, leite da Paraiba é destribuido. Aqui, "a gramática tem que apanhar todos os dias para saber quem é que manda."

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Luís Fernando Veríssimo

Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou com a tediosa formalidade de um marido. A palavra seria a sua patroa! Com que cuidados, com que temores e obséquios ele consentiria em sair com elas em público, alvo da impiedosa atenção de lexicógrafos, etimologistas e colegas. Acabaria impotente, incapaz de uma conjunção. A Gramática precisa apanhar todos os dias para saber quem é que manda.


(Veríssimo, Luís Fernando. O gigolô das palavras. In: - . O nariz e outras crônicas. São Paulo: Ática, 11ª ed., 3ª impressão, 2004, p. 92, coleção "Para Gostar de Ler", nº 14.)

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Dia do Livro


"Um país se faz com homens e livros."

(Monteiro Lobato)


Ontem foi comemorado o dia do livro. A data foi pouco lembrada pela imprensa e passou despercebida até mesmo por este blog.

Mas, antes tarde do que nunca né?!!!

Fica aqui a nossa lembrança.
VERBOS NOVOS E HORRÍVEIS...(Ricardo Freire)

Não, por favor, nem tente me disponibilizar alguma coisa, que eu não quero. Não aceito nada que pessoas, empresas ou organizações me disponibilizem. É uma questão de princípios. Se você me oferecer, me der, me vender, me emprestar, talvez tope. Até mesmo se você tornar disponível, quem sabe, eu aceite. Mas, se você insistir em disponibilizar, nada feito.
Caso você esteja contando comigo para operacionalizar algo, vou dizendo desde de já: pode ir tirando seu cavalinho da chuva. Eu não operacionalizo nada para ninguém, nem compactuo com quem operacionalize.
Se você quiser, eu monto, eu realizo, eu aplico, eu ponho em operação. Se você pedir com jeitinho, eu até implemento, mas operacionalizar, jamais.
O quê? Você quer que eu agilize isso para você? Lamento, mas eu não sei agilizar nada. Nunca agilizei. Está lá no meu currículo: faço tudo, menos agilizar. Precisando, eu apresso, eu ponho na frente, eu "dou um gás". Mas agilizar, desculpe, não posso, acho que matei essa aula.
Outro dia mesmo queriam reinicializar meu computador. Só por cima do meu cadáver virtual. Prefiro comprar um computador novo a reinicializar o antigo. Até porque eu desconfio que o problema não seja assim tão grave. Em vez de reinicializar, talvez seja o caso de simplesmente reiniciar, e pronto.
Por falar nisso, é bom que você saiba que eu parei de utilizar. Assim, sem mais nem menos. Eu sei, é uma atitude um tanto radical da minha parte, mas eu não utilizo mais nada. Tenho consciência de que, a cada dia que passa, mais e mais pessoas estão utilizando, mas eu parei. Não utilizo mais. Agora só uso. E recomendo. Se você soubesse como é mais elegante, também deixaria de utilizar e passaria a usar.
Sim, estou me associando à campanha nacional contra os verbos que acabam em "ilizar". Se nada for feito, daqui a pouco eles serão mais numerosos do que os terminados simplesmente em "ar". Todos os dias, os maus tradutores de livros de marketing e administração disponibilizam mais e mais termos infelizes, que imediatamente são operacionalizados pela mídia, reinicializando palavras que já existiam e eram perfeitamente claras e eufônicas.
A doença está tão disseminada que muitos verbos honestos, com currículo de ótimos serviços prestados, estão a ponto de cair em desgraça entre pessoas de ouvidos sensíveis. Depois que você fica alérgico a disponibilizar, como vai admitir, digamos, "viabilizar"? É triste demorar tanto tempo para a gente se dar conta de que "desincompatibilizar" sempre foi um palavrão.
Precisamos reparabilizar nessas palavras que o pessoal inventabiliza só para complicabilizar. Caso contrário, daqui a pouco nossos filhos vão pensabilizar que o certo é ficar se expressabilizando dessa maneira. Já posso até ouvir as reclamações: "Você não vai me impedibilizar de falabilizar do jeito que eu bem quilibiliser".
Problema seu e da vilipendiada lingua portuguesa. Me inclua fora dessa.

"Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência?(...)"

Marcos Tullius Cicero, orador, politico e intelectual romano, em seu discurso contra Catilina, que fora derrotado por ele nas últimas eleições para cônsul. Catilina preparava uma conspiração para assassinar Cícero, mas foi desmascarado e morreu no ano seguinte.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Clareza é tudo

Pontuação


Sentindo a proximidade da morte, uma milionária dona de uma grande multinacional pediu papel e caneta e escreveu de maneira sucinta o seu testamento:

- Deixo os meus bens à minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do alfaiate nada aos pobres.

Tomada de mal repentino, não teve tempo de executar a pontuação no texto que acabara de escrever – e morreu. A quem ela deixava a fortuna que tinha? Eram quatro os concorrentes.

Chegou o sobrinho e fez estas pontuações numa cópia do testamento:

- Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate! Nada aos pobres!

A irmã do falecida chegou, com outra cópia do texto do testamento, e pontuou-o nestes termos:

- Deixo meus bens à minha irmã. Não a meu sobrinho! Jamais será paga a conta do alfaiate! Nada aos pobres!

Surgiu então o alfaiate que, pedindo a cópia do testamento original, fez estas pontuações:

- Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres!

E o litígio estava formado, quem herdaria? O juiz estudava o caso, quando chegaram os pobres da cidade. Um deles, mais sabido, tomando outra cópia do testamento, pontuou-o assim:

- Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate? Nada! Aos pobres!

Moral da história: Clareza é tudo.