domingo, 31 de julho de 2011

Biblioteca e Web

O bom humor parece ser a principal característica do semiólogo, ensaísta e escritor italiano Umberto Eco. Se não é a mais evidente. Ao pasmado visitante, boquiaberto diante de sua coleção de 30 mil volumes guardados em seu escritório/residência em Milão, ele tem duas respostas prontas quando é indagado se leu toda aquela vastidão de papel. "Não. Esses livros são apenas os que devo ler na semana que vem. Os que já li estão na Universidade" — é a sua preferida. "Não li nenhum", começa a segunda. "Senão porque os guardaria?"

Na verdade, a coleção é maior, beira os 50 mil volumes, pois os demais estão em outra casa, no interior da Itália. E é justamente tal paixão pela obra em papel que convenceu Eco a aceitar o convite de um colega francês, Jean-Phillippe de Tonac, para, ao lado de outro incorrigível bibliófilo, o escritor e roteirista Jean-Claude Carrière, discutir a perenidade do livro tradicional. Foram esses encontros ("muito informais, à beira da piscina e regados com bons uísques", informa Umberto Eco) que resultaram em Não Contem Com o Fim do Livro, que a editora Record lança na segunda quinzena de abril.

Qual a diferença entre o conteúdo disponível na internet e o de uma enorme biblioteca?

Eco: A diferença básica é que uma biblioteca é como a memória humana, cuja função não é apenas a de conservar, mas também a de filtrar — muito embora Jorge Luis Borges, em seu livro Ficções, tenha criado um personagem, Funes, cuja capacidade de memória era infinita. Já a internet é como esse personagem do escritor argentino, incapaz de selecionar o que interessa — é possível encontrar lá tanto a Bíblia como Mein Kampf, de Hitler.

Esse é o problema básico da internet: depende da capacidade de quem a consulta. Sou capaz de distinguir os sites confiáveis de filosofia, mas não os de física. Imagine então um estudante fazendo uma pesquisa sobre a 2.ª Guerra Mundial: será ele capaz de escolher o site correto?

É trágico, um problema para o futuro, pois não existe ainda uma ciência para resolver isso. Depende apenas da vivência pessoal. Esse será o problema crucial da educação nos próximos anos.


(Texto e entrevista por Ubiratan Brasil no Caderno Sabático do Estadão: 13 de março de 2010)

De Julian Murphy: "Nossa zona mais erógena é a nossa mente."

Luzes


"A felicidade é um estado transitório por natureza, a felicidade é circunstancial. Nós temos momentos de plenitude, somos realmente divinos, celestiais, mas, ao lado disso, vem a rotina, vem a dor de barriga. A vida é uma sucessão imensa de circunstâncias e algumas delas são felizes, são realmente extraordinárias. Só que eu não posso dizer que fui feliz, como também eu não vou dizer que fui infeliz, não, pelo contrário. Houve um elemento na minha vida que influiu muito, que é o seguinte: há uma certa benevolência geral com relação a mim."


[Trechos de uma entrevista concedida pelo poeta Carlos Drummond de Andrade à sua única e querida filha Maria Julieta. Foi na tarde de 22 de janeiro de 1984. Ver o suplemento Valor - Eu& de sexta-feira e fim de semana, 11, 12 e 13 de agosto de 2000. Ano I - Número 15, pp.16 21/www.valoronline.com.br].

sábado, 30 de julho de 2011

"Documentário "Quem Somos Nós?", anterior ao longa que foi aos cinemas "The Secret", nos passa ideias muito interessantes e importantes de como todo nós alteramos a realidade".


"...o verdadeiro truque na vida não é ser conhecido, mas sim ser um mistério!"
...desse jeito não vou ser feliz direito!

Metáfora da escrita

A metáfora arar por escrever passou da literatura latina medieval às literaturas em língua vulgar. Em um missal moçárabe do século VIII ou IX, conservado em Verona, descobriram em 1924 as seguintes palavras:
Se pareva boves alba pratalia araba et albo versorio teneba et negro semen seminaba, isto é: "Aguilhoava os bois, arava campos brancos e firmava um arado branco e uma negra semente semeava". Mudando as formas e a ordem das palavras, tentou-se tirar disso uma quadra rimada em italiano antigo, e foi apresentada como valioso testemunho de poesia bucólica popular. Na realidade, estamos diante de uma legenda de copista, cuja origem é culta: os campos brancos são as páginas, o arado branco é a pena, a semente negra a tinta.


In Ernst Robert Curtius. Literatura Europea y Edad Media Latina.
México (DF): Fondo de Cultura Económica, 1975. Iº vol.
Warren Criswell: Still Life with Cellphone, óleo s/tela, 2004
"A chave da vida não é a riqueza do vivido, mas a capacidade de tirar conclusões"

Grotowski

Estão se adiantando

Foto Carlos Miguel Macho
Eles estão se adiantando, os meus amigos.
Sei que é útil a morte alheia
para quem constrói seu fim.
Mas eles estão indo, apressados,
deixando filhos, obras, amores inacabados
e revoluções por terminar.
Não era isto o combinado.

Alguns se despedem heróicos,
outros serenos.Alguns se rebelam.
O bom seria partir pleno.

O que faço? Ainda agora
um apressou seu desenlaçe.
Sigo sem pressa. A morte
exige trabalho, trabalho lento
como quem nasce.


Afonso Romano de Sant'Anna





sexta-feira, 29 de julho de 2011

Hora do intervalo

A diferença entre casada, noiva e amante

Três amigas, uma noiva, uma casada e uma amante decidiram fazer uma brincadeira: seduzir seus homens usando uma capa, corpete de couro, máscara nos olhos e botas de cano alto, para depois dividir a experiência entre elas.

No dia seguinte, a noiva iniciou a conversa:
- Quando meu namorado me viu usando o corpete de couro, botas com 12cm de salto e máscara sobre os olhos, me olhou intensamente e disse:
“Você é a mulher da minha vida, eu te amo!!”. Fizemos amor apaixonadamente.

A amante contou a sua versão:
- Encontrei meu amante no escritório, com o equipamento completo! Quando abri a capa, ele não disse nada, me agarrou e fizemos amor a noite toda, na mesa, no chão, de pé, na janela, até no hall do elevador!

Aí a casada contou sua história:
- Mandei as crianças para a casa da minha mãe, dei folga para a empregada, fiz depilação completa, as unhas, escova, passei creme no corpo inteiro, perfume em lugares estratégicos e caprichei: capa
preta, corpete de couro, botas com salto de 15 cm , máscara sobre os olhos e um batom vermelho que nunca tinha usado. Pra incrementar, comprei uma calcinha de lycra preta com um lacinho de
cetim no ponto G. Apaguei todas as luzes da casa e deixei só velas iluminando o ambiente. Meu marido chegou, me olhou de cima abaixo e disse:
- Fala aí, Batman, cadê a janta?

Lilitchka!

Foto João Espinho
Em lugar de uma carta (fragmento)


Deixa que o fel da mágoa ressentida
num último grito estronde.
Quando um boi está morto de trabalho
ele se vai
e se deita na água fria.
Afora o teu amor


para mim
não há mar,
e a dor do teu amor nem a lágrima alivia.
Quando o elefante cansado quer repouso
ele jaz como um rei na areia ardente.


Afora o teu amor
para mim
não há sol,
e eu não sei onde estás e com quem.
Se ela assim torturasse um poeta,
ele
trocaria sua amada por dinheiro e glória,


mais a mim
nenhum som me importa
afora o som do teu nome que eu adoro.
E não me lançarei no abismo,
e não beberei veneno,
e não poderei apertar na têmpora o gatilho.


Afora
o teu olhar
nenhuma lâmina me atrai com seu brilho.
Amanhã esquecerás
que eu te pus num pedestal,
que incendiei de amor uma alma livre,


e os dias vãos - rodopiante carnaval -
dispersarão as folhas dos meus livros...
Acaso as folhas secas destes versos
far-te-ão parar,
respiração opressa?


Deixa-me ao menos
arrelvar numa última carícia
teu passo que se apressa.

 Vladímir Maiakóvski in Poemas.
(Org. e traduções de Augusto de Campos,
Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman)
São Paulo: Perspectiva, 1989

“O humor não é resignado, mas rebelde; não só significa o triunfo do eu, mas, também, do princípio do prazer, que no humor logra triunfar sobre a adversidade das circunstâncias reais.”


Sigmund Freud in Der Humor
Composição de Cartola, "O mundo é um moinho", canta Ney Matogrosso
Uma senhora entra numa confeitaria e pede ao balconista um Bolo "Nega Maluca".

O balconista diz à cliente que usar o nome "nega maluca", hoje em dia, pode dar cadeia, devido a:

- Lei Affonso Arinos;

- Lei Eusébio de Queiroz;

- Artigo Quinto da Constituição;

- Código Penal;

- Código Civil;

- Código do Consumidor;

- Código Comercial;

- Código de Ética;

- Moral e Bons Costumes,

- Além da Lei "Maria da Penha"...

- Então, meu filho, como peço a porra desse bolo ?

- BOLO AFRO-DESCENDENTE COM DISTÚRBIO NEURO PSIQUIÁTRICO.

Grafite

Pinacoteca - Le Curiosism

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Fazer 30 anos

Quatro pessoas, num mesmo dia, me dizem que vão fazer 30 anos. E me anunciam isto com uma certa gravidade. Nenhuma está dizendo: vou tomar um sorvete na esquina, ou: vou ali comprar um jornal. Na verdade estão proclamando: vou fazer 30 anos e, por favor, prestem atenção, quero cumplicidade, porque estou no limiar de alguma coisa grave.

Antes dos 30 as coisas são diferentes. Claro que há algumas datas significativas, mas fazer 7, 14, 18 ou 21 é ir numa escalada montanha acima, enquanto fazer 30 anos é chegar no primeiro grande patamar de onde se pode mais agudamente descortinar.

Fazer 40, 50 ou 60 é um outro ritual, uma outra crônica, e um dia eu chego lá. Mas fazer 30 anos é mais que um rito de passagem, é um rito de iniciação, um ato realmente inaugural. Talvez haja quem faça 30 anos aos 25, outros aos 45, e alguns, nunca. Sei que tem gente que não fará jamais 30 anos. Não há como obrigá-los. Não sabem o que perdem os que não querem celebrar os 30 anos. Fazer 30 anos é coisa fina, é começar a provar do néctar dos deuses e descobrir que sabor tem a eternidade. O paladar, o tato, o olfato, a visão e todos os sentidos estão começando a tirar prazeres indizíveis das coisas. Fazer 30 anos, bem poderia dizer Clarice Lispector, é cair em área sagrada.

Até os 30, me dizia um amigo, a gente vai emitindo promissórias. A partir daí é hora de começar a pagar. Mas também se poderia dizer: até essa idade fez-se o aprendizado básico. Cumpriu-se o longo ciclo escolar, que parecia interminável, já se foi do primário ao doutorado. A profissão já deve ter sido escolhida. Já se teve a primeira mesa de trabalho, escritório ou negócio. Já se casou a primeira vez, já se teve o primeiro filho. A vida já se inaugurou em fraldas, fotos, festas, viagens, todo tipo de viagens, até das drogas já retornou quem tinha que retornar.

Quando alguém faz 30 anos, não creiam que seja uma coisa fácil. Não é simplesmente, como num jogo de amarelinha, pular da casa dos 29 para a dos 30 saltitantemente. Fazer 30 anos é cair numa epifania. Fazer 30 anos é como ir à Europa pela primeira vez. Fazer 30 anos é como o mineiro vê pela primeira vez o mar.

Um dia eu fiz 30 anos. Estava ali no estrangeiro, estranho em toda a estranheza do ser, à beira-mar, na Califórnia. Era um homem e seus trinta anos. Mais que isto: um homem e seus trinta amos. Um homem e seus trinta corpos, como os anéis de um tronco, cheio de eus e nós, arborizado, arborizando, ao sol e a sós.

Na verdade, fazer 30 anos não é para qualquer um. Fazer 30 anos é, de repente, descobrir-se no tempo. Antes, vive-se no espaço. Viver no espaço é mais fácil e deslizante. É mais corporal e objetivo. Pode-se patinar e esquiar amplamente.

Mas fazer 30 anos é como sair do espaço e penetrar no tempo. E penetrar no tempo é mister de grande responsabilidade. É descobrir outra dimensão além dos dedos da mão. É como se algo mais denso se tivesse criado sob a couraça da casca. Algo, no entanto, mais tênue que uma membrana. Algo como um centro, às vezes móvel, é verdade, mas um centro de dor colorido. Algo mais que uma nebulosa, algo assim pulsante que se entreabrisse em sementes.

Aos 30 já se aprendeu os limites da ilha, já se sabe de onde sopram os tufões e, como o náufrago que se salva, é hora de se autocartografar. Já se sabe que um tempo em nós destila, que no tempo nos deslocamos, que no tempo a gente se dilui e se dilema. Fazer 30 anos é como uma pedra que já não precisa exibir preciosidade, porque já não cabe em preços. É como a ave que canta, não para se denunciar, senão para amanhecer.

Fazer 30 anos é passar da reta à curva. Fazer 30 anos é passar da quantidade à qualidade. Fazer 30 anos é passar do espaço ao tempo. É quando se operam maravilhas como a um cego em Jericó.

Fazer 30 anos é mais do que chegar ao primeiro grande patamar. É mais que poder olhar pra trás. Chegar aos 30 é hora de se abismar. Por isto é necessário ter asas, e sobre o abismo voar.


Affonso Romano de Sant'Anna


O texto acima foi extraído do livro "A Mulher Madura", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1986, pág. 36.

Fortificai as mãos desfalecidas;
robustecei os joelhos vacilantes.
Dizei àqueles que têm o coração perturbado:
"Tomai ânimo, não temais! Eis o vosso Deus!(...)"

(Bíblia Sagrada, "Isaías" 35, 3-4)

*Versículos repassados por e-mail pelo amigo Adauto

quarta-feira, 27 de julho de 2011

"Para que não venha alegar cerceamento de Direito, venha, em 48 horas improrrogáveis, nova, correta e definitiva emenda inicial, eis que o de cujus encontra-se nos céus ou nos purgatórios, ou ainda nos infernos, não dispondo o Juízo de dons mediúnicos para convocá-lo à resposta."  

Despacho de juiz em processo no qual o advogado requeria citação pessoal do de cujus, em Santo André, SP.

Relembrando a boate da Associação dos Estudantes Universitários de Pombal (AEUP) na década de 1980. Após a meia noite, o romantismo tomava conta da galera!!!
Você pode, até, me empurrar de um penhasco... E daí ? Eu adoro voar!

 
Clarice Lispector


A tarde se arrasta, entediosa, vagarosamente... quem sabe a noite me ocupe os olhos!
“As luzes que descobriram as liberdades inventaram também as disciplinas”


Michel Foucault não acreditava que a dominação fosse originária de uma fonte única.

Isso já aconteceu com você? Pesquisa aponta que uma em cada cinco pessoas perde o celular em vaso sanitário.


Fonte: Do Tech Tudo
Um texto muito interessante sobre a necessidade de não perdermos o hábito de escrever cartas a mão, em especial cartas de amor.

Leia o texto do Xico Sá clicando aqui

terça-feira, 26 de julho de 2011

Elvis Presley

Há trinta anos, os adolescentes encontravam o sexo oposto em bailes de são organizados por clubes, igrejas ou pais responsáveis preocupados com o sucesso reprodutivo de seus rebentos.

Na dança de salão o homem tem uma série de obrigações, como cuidar da mulher, planejar o rumo, variar os passos, segurar com firmeza e orientar delicadamente o corpo de uma mulher. Homens levam três vezes mais tempo para aprender a dançar do que mulheres. Não que eles sejam menos inteligentes, mas porque têm muito mais funções a executar. Essa sobrecarga em cima do homem permite à mulher avaliar rapidamente a inteligência de seu par, a sua capacidade de planejamento, a sua reação em situações de stress. A mulher só precisa acompanhá-lo. Ela pode dedicar seu tempo exclusivamente a tarefa de avaliação do homem.

Uma mulher precisa de muito mais informações do que um homem para se apaixonar, e a dança permitia a ela avaliar o homem na delicadeza do trato, na firmeza da condução, no carinho do toque, no companheirismo e no significado que ele dava ao seu par. Ela podia analisar como o homem lidava com o fracasso, quando inadvertidamente dava uma pisada no seu pé. Podia ver como ele se desculpava, se é que se desculpava, ou se era do tipo que culpava os outros.

Essa convenção social de antigamente permitia ao sexo feminino avaliar numa única noite vinte rapazes entre os quinhentos presentes num grande baile. As mulheres faziam verdadeiros testes psicológico, físico e social de um futuro marido e obtinham o que poucos testes psicológicos revelam. Em poucos minutos conseguiam ter uma primeira noção de inteligência, criatividade, coordenação, tato, carinho, cooperação, paciência, perseverança e liderança de um futuro par.

Infelizmente, perdemos esse costume porque se começou a considerar a dança de salão uma submissão da mulher ao poder do homem, porque era o homem quem convidava e conduzia a mulher.

Criaram o disco dancing, em que o homem e a mulher dançam separados, o homem não mais conduz e nem sequer toca no corpo da mulher. O som é tão elevado que nem dá para conversar, os usuais 130 decibéis nem permite algum tipo de interação entre os sexos.

Por isso, os jovens criaram o costume de “ficar”, o que permite a uma garota conhecer, pelo menos, um homem por noite sem compromisso, em vez de conhecer vinte rapazes numa noite, também sem compromissos maiores.

Pior: hoje o primeiro contato de fato de um rapaz com o corpo de uma mulher é no ato sexual, e no início é um desastre. Acabam fazendo sexo mecanicamente em vez de romanticamente como a extensão natural de um tango ou bolero. Grandes dançarinos são grandes amantes, e não é por coincidência que mulheres adoram homens que realmente sabem dançar e se apaixonam facilmente por eles.

Mas masculinizamos as mulheres no disco dancing em vez de tornar os homens mais sensíveis, carinhosos e preocupados com o trato do corpo da mulher. Não é por acaso que aumentou a violência no mundo, especialmente a violência contra as mulheres. Não é à toa que perdemos o romantismo, o companheirismo e a cooperação entre os sexos.

Hoje uma garota ou um rapaz tem e escolher o seu par num grupo muito restrito de pretendentes e com pouca informação de ambas as partes, ao contrário de antigamente.

Eu não acredito que homens virem monstros e mulheres virem megeras depois de casados. As pessoas mudam muito pouco ao longo da vida, na realidade elas continuam a ser o que eram antes de se casar. Você é que não percebeu, ou não sabe avaliar, porque perdemos os mecanismos de antigamente de seleção a partir de um grupo enorme de possíveis candidatos.

Fico feliz ao notar a volta da dança de salão, dos cursos de forró, tango e bolero, em que novamente os dois sexos dançam juntos, colados e em harmonia. Entre o olhar interessado e o “ficar” descompromissado, eliminamos infelizmente uma importante etapa social que era dançar, costume de todos os povos desde o início dos tempos.

Se você for mãe de um filho, ajude a reintroduzir a dança de salão nos clubes, nas festas e nas igrejas, para que homens aprendam a lidar com carinho com o corpo de uma mulher.

Se você tem uma filha, devolva a ela a oportunidade que seus pais lhe deram, em vez de deixar sua filha surda, casada com um brutamontes, confuso e insensível idiota.


*Texto de autoria não identificada.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Rod Stewart e Stevie Wonder

O herói


O mito do herói, da pessoa que tem coragem para vencer todas as adversidades e superar todos os medos, que consegue penetrar em esferas até então desconhecidas para adquirir novos conhecimentos, que põe em risco a própria vida para salvar mesmo que seja uma única pessoa, sempre fascinou os homens de todas as culturas e de todas as épocas. Quer nas antigas lendas, sagas e contos de fadas, quer na literatura e nos filmes atuais, assim como na religião, nas artes plásticas, na história, na política e na ciência, o ser humano que se arrisca no novo, no desconhecido e no extraordinário sempre desperta o maior interesse e a mais irrestrita simpatia. E o herói nos fascina tanto porque resume em si todos os desejos e a figura ideal de cada ser humano. Neste livro, Lutz Muller revela o verdadeiro caminho do herói o caminho da individuação e da vida criativa; o caminho da mudança que, através da morte, leva a uma nova vida. E, ao convidar o leitor a refletir sobre a história do seu herói preferido, mostra que esse caminho não está reservado a uns poucos escolhidos, mas que todos nós homem ou mulher nascemos para ser heróis.


Sugestão de leitura enviado por e-mail pela amiga Macia Cristini

Paciente do 302

- Bom dia, é da recepção? Eu gostaria de falar com alguém que me desse informações sobre os pacientes. Queria saber se certa pessoa está melhor ou piorou...
- Qual e o nome do paciente?
- Chama-se Celso e está no quarto 302.
- Um momentinho, vou transferir a ligação para o setor de enfermagem
. - Bom dia, sou a enfermeira Lourdes. O que deseja?
- Gostaria de saber as condições clínicas do paciente Celso do quarto 302, por favor! - Um minuto, vou localizar o médico de plantão.
- Aqui é o Dr. Carlos plantonista. Em que posso ajudar?
- Olá, doutor. Precisaria que alguém me informasse sobre a saúde do Celso que está internado há três semanas no quarto 302.
- Ok, meu senhor, vou consultar o prontuário da paciente...
Um instante só! - Hummm, aqui está: ele se alimentou bem hoje, a pressão arterial e pulso estão estáveis, responde bem à medicação prescrita e vai ser
retirado do monitor cardíaco até amanhã.
Continuando bem, o médico responsável assinará alta em três dias.
- Ahhhh, Graças a Deus! São notícias maravilhosas! Que alegria!
- Pelo seu entusiasmo, deve ser alguém muito próximo, certamente da família!!!???
- Não, sou o próprio Celso, telefonando aqui do 302!
É que todo mundo entra e sai do quarto e ninguém me diz pôrra nenhuma ... só queria saber!!!
Foto João Espinho

Boca aberta

Quando eu era pequeno, não acreditava em beijo de cinema. Achava que eles não podiam estar se beijando de verdade, nos filmes de censura livre. Aquilo era truque. Me contaram que usavam um plástico, que a gente não via, entre uma boca e a outra. Isso no tempo em que as pessoas só se beijavam de boca fechada, pelo menos no cinema americano. Não sei quem me deu esta informação. Alguém ainda mais confuso do que eu.

Nos filmes proibidos até 14 anos, permanecia a idéia de que nos Estados Unidos o sexo era diferente. As pessoas se beijavam — de boca fechada —, depois desapareciam da tela, tudo escurecia e a mulher ficava grávida. Quando se via o beijo do começo ao fim, não havia perigo de a mulher engravidar. Mas quando as cabeças saíam do quadro ainda se beijando, e a tela escurecia, era fatal: vinha filho. Às vezes na cena seguinte.

Durante algum tempo, só filmes europeus eram proibidos até 18 anos. Você entrava no cinema para assistir a um filme "até 18" sabendo que ia ver no mínimo um seio nu, provavelmente da Martinne Carole. Não sei quando apareceu o primeiro seio americano no cinema. Mas me lembro do primeiro filme americano com beijo de boca aberta. Com língua e tudo. Bom, a língua não se via, a língua era presumida. Também não era beijo tipo roto-rooter, beijo de amígdala, como no cinema francês. Mas estavam lá, as bocas abertas, num beijo histórico. Depois do primeiro beijo de boca aberta, foi como se abrissem uma porteira e começasse a passar de tudo. Passa língua, passa peito, passa bunda... E em pouco tempo os americanos estariam transando sem parar. Era inacreditável. Americanos na cama, sem roupa, transando como todo o mundo!

Mas guardei o primeiro beijo de boca aberta no cinema americano porque me lembro de ter tido um pensamento quando o vi. Com aquele misto de carinho divertido e incredulidade com que recordamos nossa infância, que aumenta quanto mais nos distanciamos dela. Me lembro de ter pensado:

— Isto destrói, definitivamente, a teoria do plástico.


Luís Fernando Veríssimo
"(...) O filósofo francês Michel de Montaigne (século XVI) criou o ensaio porque assumia que o mundo era em sua totalidade opaco ao conhecimento definitivo. Daí nasce a vocação natural da forma ensaio para o risco: o ensaísta sabe que enfrenta um objeto muito maior do que ele, e, além disso, um objeto 'selvagem' à domesticação que um conhecimento definitivo sempre pretende alcançar. (...)"

(O Catolicismo Hoje, Luiz Felipe Pondé, São Paulo: Benvirá, 2011, p. 14, "Para Entender".)

 
Enviado por e-mail pelo amigo Adauto


domingo, 24 de julho de 2011

Hora do recreio

Doutor, como eu faço para emagrecer ?
- Basta a senhora mover a cabeça da esquerda para direita e da direita para esquerda.
- Quantas vezes, doutor ?
- Todas as vezes que lhe oferecerem comida.

Túnel do tempo: Silence is golden

Meus mortos não estão encarapitados
no alto das árvores
não são eles que balançam
os galhos quando eu passo nos dias de calmaria,
não estão debaixo da terra nem voam pálidos
sobre minha cabeça debaixo do céu azul.
Aparecem nos sonhos e desaparecem
quando são cinco ou seis da manhã.
Meus mortos são covardes
não têm coragem
de viver.

5 Poemas de Simone Brantes in Inimigo Rumor — Revista de Poesia:
nº 20, junho 2008


Cavalinho

Certa tarde, um homem saiu para um passeio com as duas filhas, uma de oito e outra de quatro anos. Em determinado momento da caminhada, Helena, a mais nova, pediu ao pai que a carregasse, pois estava muito cansada para continuar andando.

O pai respondeu que também estava muito cansado. Diante da resposta, a garotinha começou a choramingar e fazer "corpo mole".

Sem dizer uma só palavra, o pai cortou um pequeno galho de árvore e o entregou a Helena, dizendo:

- Olhe aqui um cavalinho para você montar, filha! Ele irá ajudá-la a seguir em frente.

A menina parou de chorar e pôs-se a cavalgar o galho verde tão rápido, que chegou em casa antes dos outros. Ficou tão encantada com seu cavalo de pau, que foi difícil fazê-la parar de galopar.

A irmã mais velha ficou intrigada com o que viu e perguntou ao pai sobre como devia entender a atitude de Helena. O pai sorriu e respondeu:

- Assim é a vida, minha filha. Às vezes, estamos física e mentalmente cansados, certos de que é impossível continuar. Mas encontramos então um "cavalinho" qualquer que nos dá ânimo outra vez. Esse cavalinho pode ser um bom livro, um amigo, uma canção...

Assim, quando você se sentir cansado ou desanimado, nunca se deixe levar pela preguiça ou o desânimo.

Lembre-se: sempre haverá um "cavalinho" para cada momento.


(Anônimo)

Dificuldade de governar

Todos os dias os ministros dizem ao povo como é difícil governar. Sem os ministros. O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima. Nem um pedaço de carvão sairia das minas se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol sem a autorização do Führer? Não é nada provável e se o fosse ele nasceria por certo fora do lugar.

E também difícil, ao que nos é dito, dirigir uma fábrica. Sem o patrão as paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem. Se algures fizessem um arado ele nunca chegaria ao campo sem as palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem, de outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que seria da propriedade rural sem o proprietário rural? Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.

Se governar fosse fácil não haveria necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer. Se o operário soubesse usar a sua máquina  e se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas não haveria necessidade de patrões nem de proprietários. E só porque toda a gente é tão estúpida é que há necessidade de alguns tão inteligentes.

Ou será que Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira são coisas que se custam a aprender?


Bertolt Brecht

sábado, 23 de julho de 2011

Foto Claas Michalik

Há pensamentos que são orações. Há momentos nos quais, seja qual for a posição do corpo, a alma está de joelhos.

Victor Hugo

Igreja exclusivista

O crente recém-chegara à cidade e, no primeiro domingo foi à igreja. Gostou do ambiente, do coro, do pregador e, por isso, decidiu continuar a freqüentá-la.

Falou ao pastor a respeito e este lhe sugeriu que pensasse mais um pouco, antes da decisão final.

O problema era sério: a igreja não admitia pessoas da raça negra e o crente recém-vindo era dessa raça. No domingo seguinte, ele voltou ao pastor para dizer que pensara bastante e que seu desejo continuava o mesmo: ser membro daquela igreja.

Procurando uma saída airosa da situação, recomendou-lhe o pastor que orasse sobre o assunto e perguntasse a Jesus se era a vontade do Mestre.

E o novo domingo trouxe de volta o crente à presença do pastor da igreja exclusivista.

E o pastor:

— E então? Orou a Jesus? Que disse Ele?

O crente:

— Orei sim, e Ele me disse: Olhe aqui, meu irmão, não adianta você insistir em ser membro daquela igreja. Pois eu mesmo, faz quarenta anos que venho tentando ser admitido e ainda não consegui...


(Extraído de VASSÃO, Amantino Adorno. Esteiras de Luz. Rio de Janeiro: Juerp, 1971.)



Aeromodelismo na caatinga do sertão paraibano.





Fim de tarde em Pombal-PB. Os céus do sertão foram riscados pelas manobras das pequenas naves!
"Beije-me ele com os beijos da sua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho.(...)"


Salomão em cânticos 1
Por que mentias leviana e bela?
Se minha face pálida sentias
Queimada pela febre, e se minha vida
Tu vias desmaiar, por que mentias?

Acordei da ilusão, a sós morrendo
Sinto na mocidade as agonias.
Por tua causa desespero e morro...
Leviana sem dó, por que mentias?

Sabe Deus se te amei! sabem as noites
Essa dor que alentei, que tu nutrias!
Sabe esse pobre coração que treme
Que a esperança perdeu por que mentias!

Vê minha palidez - a febre lenta
Esse fogo das pálpebras sombrias...
Pousa a mão no meu peito! Eu morro! Eu morro!
Leviana sem dó, por que mentias?


Álvares de Azevedo

sexta-feira, 22 de julho de 2011

A Repartição dos Pães

Era sábado e estávamos convidados para o almoço de obrigação. Mas cada um de nós gostava demais de sábado para gastá-lo com quem não queríamos. Cada um fora alguma vez feliz e ficara com a marca do desejo. Eu, eu queria tudo. E nós ali presos, como se nosso trem tivesse descarrilado e fôssemos obrigados a pousar entre estranhos. Ninguém ali me queria, eu não queria a ninguém. Quanto a meu sábado – que fora da janela se balançava em acácias e sombras – eu preferia, a gastá-lo mal, fechá-la na mão dura, onde eu o amarfanhava como a um lenço. À espera do almoço, bebíamos sem prazer, à saúde do ressentimento: amanhã já seria domingo. Não é com você que eu quero, dizia nosso olhar sem umidade, e soprávamos devagar a fumaça do cigarro seco. A avareza de não repartir o sábado,ia pouco a pouco roendo e avançando como ferrugem, até que qualquer alegria seria um insulto à alegria maior.

Só a dona da casa não parecia economizar o sábado para usá-lo numa quinta de noite. Ela, no entanto, cujo coração já conhecera outros sábados. Como pudera esquecer que se quer mais e mais? Não se impacientava sequer com o grupo heterogêneo, sonhador e resignado que na sua casa só esperava como pela hora do primeiro trem partir, qualquer trem – menos ficar naquela estação vazia, menos ter que refrear o cavalo que correria de coração batendo para outros, outros cavalos.

Passamos afinal à sala para um almoço que não tinha a bênção da fome. E foi quando surpreendidos deparamos com a mesa. Não podia ser para nós...

Era uma mesa para homens de boa-vontade. Quem seria o conviva realmente esperado e que não viera? Mas éramos nós mesmos. Então aquela mulher dava o melhor não importava a quem? E lavava contente os pés do primeiro estrangeiro. Constrangidos, olhávamos.

A mesa fora coberta por uma solene abundância. Sobre a toalha branca amontoavam-se espigas de trigo. E maçãs vermelhas, enormes cenouras amarelas, redondos tomates de pele quase estalando, chuchus de um verde líquido, abacaxis malignos na sua selvageria, laranjas alaranjadas e calmas, maxixes eriçados como porcos-espinhos, pepinos que se fechavam duros sobre a própria carne aquosa, pimentões ocos e avermelhados que ardiam nos olhos – tudo emaranhado em barbas e barbas úmidas de milho, ruivas como junto de uma boca. E os bagos de uva. As mais roxas das uvas pretas e que mal podiam esperar pelo instante de serem esmagadas. E não lhes importava esmagadas por quem. Os tomates eram redondos para ninguém: para o ar, para o redondo ar. Sábado era de quem viesse. E a laranja adoçaria a língua de quem primeiro chegasse.

Junto do prato de cada mal-convidado, a mulher que lavava pés de estranhos pusera – mesmo sem nos eleger, mesmo sem nos amar – um ramo de trigo ou um cacho de rabanetes ardentes ou uma talhada vermelha de melancia com seus alegres caroços. Tudo cortado pela acidez espanhola que se adivinhava nos limões verdes. Nas bilhas estava o leite, como se tivesse atravessado com as cabras o deserto dos penhascos. Vinho, quase negro de tão pisado, estremecia em vasilhas de barro. Tudo diante de nós. Tudo limpo do retorcido desejo humano. 'Tudo como é, não como quiséramos. Só existindo, e todo. Assim como existe um campo. Assim como as montanhas. Assim como homens e mulheres, e não nós, os ávidos. Assim como um sábado. Assim como apenas existe. Existe.

Em nome de nada, era hora de comer. Em nome de ninguém, era bom. Sem nenhum sonho. E nós pouco a pouco a par do dia, pouco a pouco anonimizados, crescendo, maiores, à altura da vida possível. Então, como fidalgos camponeses, aceitamos a mesa.

Não havia holocausto: aquilo tudo queria tanto ser comido quanto nós queríamos comê-lo. Nada guardando para o dia seguinte, ali mesmo ofereci o que eu sentia àquilo que me fazia sentir. Era um viver que eu não pagara de antemão com o sofrimento da espera, fome que nasce quando a boca já está perto da comida. Porque agora estávamos com fome, fome inteira que abrigava o todo e as migalhas. Quem bebia vinho, com os olhos tornava conta do leite. Quem lento bebeu o leite, sentiu o vinho que o outro bebia. Lá fora Deus nas acácias. Que existiam. Comíamos. Como quem dá água ao cavalo. A carne trinchada foi distribuída. A cordialidade era rude e rural. Ninguém falou mal de ninguém porque ninguém falou bem de ninguém. Era reunião de colheita, e fez-se trégua. Comíamos. Como uma horda de seres vivos, cobríamos gradualmente a terra. Ocupados como quem lavra a existência, e planta, e colhe, e mata, e vive, e morre, e come. Comi com a honestidade de quem não engana o que come: comi aquela comida e não o seu nome. Nunca Deus foi tão tomado pelo que Ele é. A comida dizia rude, feliz, austera: come, come e reparte. Aquilo tudo me pertencia, aquela era a mesa de meu pai. Comi sem ternura, comi sem a paixão da piedade. E sem me oferecer à esperança. Comi sem saudade nenhuma. E eu bem valia aquela comida. Porque nem sempre posso ser a guarda de meu irmão, e não posso mais ser a minha guarda, ah não me quero mais. E não quero formar a vida porque a existência já existe. Existe como um chão onde nós todos avançamos. Sem uma palavra de amor. Sem uma palavra. Mas teu prazer entende o meu. Nós somos fortes e nós comemos.

Pão é amor entre estranhos.


Clarice Lispector


Texto extraído do livro "Laços de família", Ed. Francisco Alves, Rio de Janeiro, 1991.

Charles Guo, “A Matter of Time”, Chanel, 2011


Nada supera a força do tempo!
Está morto: podemos elogiá-lo à vontade.


Machado de Assis

Coldplay - Viva la vida

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Foto: Anabel Melo
Hoje, a terrinha completa 149 anos. Linda e forte como a flor de imburana.  Parabéns Pombal!
Foto: Peter Dasay
"Hoje eu me sinto bem, como um Balzac; estou acabando esta linha."


Fecundidade - (Augusto Monterroso)

O Espetacular Homem-Aranha

Para os que, como eu, são fãs do "Aranha", vem ai o mais novo filme do aracnídeo: 'O Espetacular Homem-Aranha'.

O filme é estrelado por Andrew Garfield, Emma Stone, Rhys Ifans, Denis Leary, Martin Sheen e Sally Field, com direção de Marc Webb.

O Longa estreia em 3 de julho de 2012. Aguardem!

Assistam o trailler oficial aqui

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Kid Abelha - As curvas da estrada de Santos

Foto: Alexander Andreev

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto ..."


(...)


Olavo Bilac

Foto João Espinho

- Navegar é preciso!!!
Não mais que uma semana. Esse foi o tempo necessário para o site de relacionamentos para infiéis Ohhtel conseguir 63.317 usuários no Brasil. Só para se ter uma uma ideia do que isso representa, nos Estados Unidos (país com maior população e mais internautas) o site, na primeira semana, chegou a módicos 10.993 cadastros. Na Argentina 30.114 e no Chile 17.017.

Fonte: O Globo

A velha "poncheira" abacaxi que servia limonada

A minha avó sempre servia limonada aos netos numa jara plástica em formato de abacaxi. Essas "poncheiras" eram muito comuns entre os itens que ornamentavam as cozinhas mais humildes daquela época (idos de 1970).

Com o passar do tempo, as coisas foram se modificando, a nossa deliciosa "poncheira" foi sumindo dos nossos dias quentes de verão e dando vez a outros vasilhames mais "sofisticados". Porém, nunca conseguiu apagar-se completamente de minha memória.

Procurei por muito anos encontrar de novo o velho abacaxi de plástico que nos servia limonada, mas sem sucesso.

A sua utilização no seriado "A grande família" da rede globo de televisão me dava a esperança de encontrá-la novamente nalguma mesa ou exposta a venda em uma dessas esquinas.

Esta semana, para minha surpresa, despretenciosamente, entrei numa dessas lojinhas de variadades de R$ 1,99 e lá estava ela, novinha, reluzente, lembrando-me de minha boa infância e das tardes de outubro da velha timbaúba.

Trouxe-a comigo, claro!

Teófilo Júnior

terça-feira, 19 de julho de 2011

Comportamento

Censurado




Anos 80 - Seu jeito sexy de ser - Sempre Livre

Pequenas fatalidades

Outro dia eu estava no chuveiro e assim que fechei a torneira escutei os três bips indicativos de que a secretária eletrônica havia acabado de gravar uma mensagem. Quando pude ouvi-la, as palavras eram incompreensíveis. Todas. Voltei a fita várias vezes, aumentei o volume, colei o ouvido ao aparelho: nada. Os ruídos e chiados da interferência só aumentaram. Fiz o contrário, não deu certo. Era uma mensagem meio longa, a pessoa queria dizer alguma coisa. A idéia de que alguém tentara entrar em contato comigo e uma circunstância qualquer o impedira a princípio me irritou e aos poucos me inquietou. Quem? A voz atrás dos ruídos eletrônicos era de homem, tom vagaroso. E se alguém estivesse pedindo ajuda e eu falhava involuntariamente? E se fosse um convite para trabalho nestes tempos bicudos? Alguém me deve dinheiro: quem sabe se dispunha a pagar? Ou explicava, coitado, por que ainda não podia pagar? Quem sabe um convite para falar no Canadá? Teria eu sido premiado em algum daqueles sorteios de fim de ano? Mais impressionado ficava a cada tentativa de decifrar a mensagem: a voz já não soava apenas vagarosa, pareceu-me que se arrastava. Meu Deus: um suicida desistindo? Fechei porta e janela, isolei-me dos barulhos, ouvi e reouvi. Julguei perceber algo como "Igor", e só. Fiz um esforço de memória, não conhecia nenhum Igor.

Pequenas fatalidades nos acontecem todos os dias e são parte da trama da própria vida. Talvez sejam feitas do mesmo intrincado tecido das grandes fatalidades, aquelas que nos encaminham para o avião que vai cair. Mas as pequenas nos permitem sorrir. Quando você está com pressa, a fila de carros ao lado sempre anda mais rápido. Se você muda de faixa, a outra é que anda. Você está sozinho em casa, entra no banho e o telefone ou a campainha da porta tocam. Você acaba de encher o tanque e no posto adiante a gasolina está bem mais barata. Você começa a dar ré no carro e materializa-se um pedestre atrapalhado passando atrás. Um dia desses fui ao oftalmologista e dilataram-me as pupilas. Eu havia esquecido os óculos escuros em casa e fatalmente o dia resultou claríssimo, sol cruel, prédios e muros de um branco alucinado, tudo feria os olhos.

A idéia de uma engrenagem movendo todas essas coisas, as pequenas e as grandes, tem alimentado ficções e reflexões séculos afora. "O que tem de ser tem muita força", resumiu Clas e as grandes, tem alimentado ficções e reflexões séculos afora. "O que tem de ser tem muita força", resumiu Clarice Lispector. Um escritor angustiado como o checo Franz Kafka construiu contos inquietantes partindo de pequenos acasos. Fatalidades formam exércitos de pessimistas e de otimistas.

Entre os primeiros, ganharam espaço os aforistas da lei de Murphy, aquela cuja primeira máxima é "se alguma coisa pode dar errado, ela vai dar errado". A lei foi sintetizada por um engenheiro aeronáutico que procurava eliminar todas as possibilidades mecânicas de acidente de vôo. Ela fez sucesso, ganhou frasistas, até sentimentais: "Se você encontra a garota de seus sonhos, ela já encontrou o garoto dos sonhos dela". E humoristas: "Se alguma coisa que podia dar errado parece que está dando certo, é óbvio que você cometeu algum engano". Ou: "Não é possível criar alguma coisa à prova de trapalhões, porque os trapalhões são criativos".

Dois dias depois do telefonema, eu ia subindo a rua onde moro e encontrei um rosto ligeiramente conhecido:

– Oi! Eu sou o Igor.

Luz!

– Deixei uma mensagem na secretária do senhor.

Era o rapaz de uma agência de turismo que estava me procurando para devolver um cheque preenchido incorretamente.


Ivan Ângelo
A loira liga toda nervosa para o namorado:
- Benhê, tô com um probleminha…
- O que houve?
- Eu comprei um quebra-cabeças, mas é muito difícil de montar, as peças não se encaixam de jeito nenhum.
- Meu amor, eu já te ensinei a montar quebra-cabeça, né? Primeiro tem…
- Eu sei, eu sei, você já disse isso… Mas é que eu não consigo encontrar os cantos também!
- Ok… qual é a figura ? Deve estar desenhada na caixa. Dá uma olhada.
- É um tigre – responde chorosa.
- Tá bom, tá bom… Não tem problema. Se acalma. Depois do serviço passo aí e dou uma olhada, tá?
Terminado o expediente, ele vai para a casa dela. Chegando lá, ela o leva até a cozinha e mostra o quebra-cabeça todo espalhado sobre a mesa. O cara dá uma olhada e, após longo silêncio, pensativo e desconsolado, diz:
- Querida, bota os sucrilhos de volta na caixa!!!

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Que maldade com as loiras né???
"(...)sentado a beira do caminho pra pedir carona tenho falado a mulher companheira: quem sabe lá no trópico a vida esteja a mil!" (...)


Tudo outra vez, Belchior

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Reluz. Na voz de Dagvan Monteiro


Passeando na net me deparei com o amigo Dagvan Monteiro interpretando a canção "Reluz" do Marcos Sabino. Vale a pena conferir!!! O homem é como o "bombril": mil e uma utilidades!

Um forte abraço velho lobo!

Cantando na chuva

E a nossa seleção brasileira?

“A minha solidão não tem nada a ver com a presença ou ausência de pessoas… Detesto quem me rouba a solidão, sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia….”

Friedrich Nietzsche
A lenda indígena da Lua, conta que Manduka namorava sua irmã. Todas as noites ia deitar-se com ela, mas não mostrava o rosto e nem falava , para não ser identificado. A irmã, muito curiosa, tentando descobrir quem era que deitava com ela, passou tinta de jenipapo no rosto de Manduka. Ele ao levantar-se pela manhã lavou o rosto , porém as marcas da tinta não saiu. Foi assim que ela descobriu com quem deitava-se. Ficou muito brava, com muita vergonha e chorou muito. Manduka também ficou com vergonha pois todos ficaram sabendo o que ele tinha feito. Então Manduka subiu numa árvore que ia até o céu. Depois desceu para dizer a sua tribo que ia voltar para árvore e não desceria nunca mais. Levou com ele uma cotia pra não sentir-se muito só. Foi assim que Manduka virou a lua. E é por isso que a lua tem manchas escuras, umas são por causa da tinta de jenipapo que a irmã passou em seu rosto e as outras manchas na lua é a cotia que ele levou, comendo um coco.

(Lenda indígena )