quinta-feira, 31 de maio de 2012

Charge - Duke

Pescado do face do Dagvan Formiga

Em Pombal-PB, Promotor de Justiça sai em defesa dos consumidores e propõe Ação Civil Pública contra a ENERGISA


Foto pescada da net

Mais uma vez, o Dr. Leonardo Fernandes Furtado, Promotor de Justiça da Comarca de Pombal-PB sai em defesa dos interesses e direitos difusos e coletivos da comunidade da terra de Maringá, desta feita, atingidos pela ENERGISA PARAÍBA – DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S/A, particularmente no que tange as medidas adotadas pela Empresa no que concerne ao “corte” de energia e a adoção de recuperação de consumo por ela adotada contra consumidores inadimplentes.

A Ação Civil Pública com Pedido Liminar, proposta agora em maio/2012 pelo Ministério Público, visa prioritariamente, fazer cessar o abuso recorrente da suspensão do fornecimento de energia praticada administrativamente pela ENERGISA na cidade de Pombal-PB.

Na peça, o Promotor de Justiça relata a ocorrência de inúmeros “cortes” de energia realizados pela Empresa de forma ilegal, culminando com prejuízos a um número incontável de consumidores pombalenses.

Embasado em legislação Constitucional, infraconstitucional, Código de Defesa do Consumidor, farta jurisprudência e ainda sob a proteção legal de que, “na cobrança de débitos, o consumidor inadimplente não será exposto a ridículo, nem será submetido a qualquer tipo de constrangimento ou ameaça”, o Dr. Leonardo Furtado requereu a prestação jurisdicional com concessão de liminar para que a ENERGISA, imediatamente, promova a religação de todas as unidades consumidoras que atualmente estejam com o fornecimento de energia elétrica suspenso em decorrência de procedimento administrativo de recuperação de consumo, sob pena de multa diária no valor de R$ 1.000,00 por cada unidade consumidora .

Pugnou ainda o Ministério Público na presente Ação Civil Pública que a Concessionária de energia não suspenda o fornecimento de energia elétrica das unidades consumidoras em decorrência de procedimento administrativo de recuperação de consumo, só podendo cobrar os débitos pretéritos, em tal seara, através das vias ordinárias de cobrança (processo judicial), sob pena de multa diária no valor de R$ 1.000,00, por cada unidade consumidora com fornecimento suspenso, ficando vedada a inscrição do débito atinente à recuperação de consumo nos cadastros de inadimplência.

A Ação Civil foi motivada pela Reclamação 105/2010 e após as tentativas infrutíferas de solucionar a situação amigavelmente com realização de audiências ministeriais.

O processo já foi distribuído a uma das Varas Judiciais da Comarca de Pombal-PB e aguarda decisão.


Teófilo Júnior


Foto Paul Torcello


Metamorfose
Mutação
Vida pulsando...
Transformação

Estou em processo...
Há coisas a aprender...
e há coisas a reprogramar...
Há coisas que sou ...
e não quero ser...
Há coisas que ainda não sou...
e quero ser...
Há coisas que sou ...
e ainda não sei...
mas estou buscando saber...

Estou em construção...
Mas já estive em demolição...


Eliane Stahl

Diretor do IPHAEP em laudo técnico vai propor a permanência da Chaminé da Brasil Oiticica!

Se ninguém mexer com essa chaminé nada vai acontecer com ela”. A afirmação é do Diretor do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba –(IPHAEP) arquiteto e professor da UFPB, Dr. Marco Antonio Farias Coutinho, que veio a nossa cidade na tarde desta quarta feira (30), atendendo solicitação do promotor de Justiça Leonardo Furtado, para fazer uma vistoria na Chaminé da Brasil Oiticica e emitir um laudo técnico das condições em que a mesma se encontra.

No momento da vistoria da torre uma comissão formada pelo Presidente da Câmara Municipal de Pombal, Vereador Jose William de Queiroga Gomes, dos Vereadores Paulo Gomes Vieira e Marcos Bandeira, engenheiro agrônomo José Tavares Neto, radialista Clemildo Brunet, empresários e alguns populares, acompanhou toda inspeção feita pelo Dr. Marco Coutinho.

A cada passo em torno da chaminé, Dr. Marco Coutinho fez anotações, tirou fotos, para fundamentar seu parecer e laudo técnico que será apresentado ao Promotor de Justiça Leonardo Furtado. Em sua opinião a Chaminé está íntegra apresentando apenas algumas fissuras na parte superior da torre que podem ser recuperadas, em sua visão a base está sólida não oferecendo risco de cair.

Vai propor que seja preservada a torre da Chaminé para um Monumento histórico que beneficiará os moradores da localidade com a construção de uma praça. Ele considerou que a chaminé é um ícone para a cidade de Pombal.


Todos os créditos para o Jornalista
Clemildo Brunet

Cordas de aço


"Ah, essas cordas de aço, esse minúsculo braço do violão que os dedos meus acariciam. Ah, esse bojo perfeito, que trago junto ao meu peito, só você violão compreende porque perdi toda alegria (...)

E no entanto meu pinho, pode crer eu adivinho, aquela mulher até hoje está nos esperando..."

Calcinha encontrada no plenário da Câmara é incinerada

Peça íntima - azul e vermelha - caiu de bolso de deputado que foi votar

Uma calcinha achada há duas semanas no plenário da Câmara dos Deputados foi incinerada, segundo disse um segurança da Casa. O mistério ronda a Câmara e preocupa um deputado saliente.

Por volta das 17h, há cerca de 15 dias, no horário da Ordem do Dia, esse deputado chegou correndo para votar, e na entrada principal do plenário, próxima à Mesa, mexeu nos bolsos e sem ver, deixou cair a prova do crime: uma calcinha - mais para calçola - azul e vermelha, com babadinhos nas laterais.

Sem saber que deixara para trás o fetiche, o parlamentar foi para o meio do plenário. Um dos seguranças, vendo a calcinha estendida na entrada do plenário, sem despertar a atenção dos parlamentares, assessores e jornalistas que se amontoam na entrada, deu um chutinho discreto, empurrando a lingerie para o lado da lixeira.

Avisado pelos seguranças, um assessor do presidente Marco Maia (PT-RS) recolheu a calcinha e a escondeu no bolso. A partir daí, a peça íntima foi examinada por assessores, jornalistas e seguranças à exaustão. A única conclusão: a peça foi usada antes e não pertence a uma sílfide.

Sem saber o que fazer com o achado, a calcinha foi recolhida “aos achados e perdidos” da Segurança da Câmara e, depois, queimada. Até agora não foi reclamada por nenhum parlamentar.


Maria Lima, O Globo
A verdadeira liberdade é um ato puramente interior, como a verdadeira solidão: devemos aprender a sentir-nos livres até num cárcere, e a estar sozinhos até no meio da multidão.


Massimo Bontempelli

Tá com sede? Abre uma cerveja!

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Lya Luft


“Nunca mais senti aquele mesmo aroma de lençóis limpo nem o cheiro das comidas, nem escutei as vozes amadas e o crepitar das lareiras, nunca mais tive a mesma sensação de acolhimento, e embora hoje tenha outras vozes amadas, e minha casa e minha lareira que também crepita, nunca mais pertenci a nada com tamanha certeza.

“Sou e não sou mais aquela que dormia ancorada na ordem da vida confirmada pelos cuidados da mãe, os passos do pai e os contornos do quarto.”

(A riqueza do mundo)

*Sugestão de postagem do amigo Adauto Neto



Dúvida de português

O primeiro assunto são os falsos sinônimos. São aquelas palavras que verdadeiramente não são sinônimas, mas que muita gente boa usa como se fossem. Em geral, a pergunta dos leitores é uma só: “Qual é a diferença?”

1. MESMO x IGUAL?

MESMO = um só; IGUAL = outro idêntico.

“Estamos com o MESMO problema do ano passado.” (= É um problema só. Significa que o problema do ano passado não foi resolvido);

“Estamos com um problema IGUAL ao do ano passado.” (= É outro problema, com as mesmas características do problema do ano passado).


Sérgio Nogueira
Acessem a coluna do Sérgio Nogueira
www.g1.globo.com/blogsecolunas/sergionogueira




Interlúdio

É difícil acreditar nisto. Se tiver irmãos, não podem estar na cidade, devem ter sido todos arrasados pela grande epidemia da meningite; não acredito que as relações fraternais não me tivessem deixado marcas e não há dúvida que não há sequer o mais leve vestígio. Em contrapartida, a única marca que me foi deixada resulta das minhas relações com o deserto, a solidão, o nada. Também não acredito que alguma vez me tenham contado a história de Noé, sentada, num círculo, com outras crianças. A minha aprendizagem tem em si o cheiro da tinta de impressora e não a ressonância de uma voz humana contando histórias. Mas talvez a nossa professora não fosse uma boa professora, talvez passasse os dias sentada à secretária, apática, batendo com a cana na mão, a ruminar insultos, a pensar no dia em que iria dali para fora, enquanto os alunos liam, penosamente, o livro de leitura, numa atmosfera em que nem sequer se ouvia uma mosca. De outra maneira, como é que se explica que eu tenha aprendido a ler, para já não falar em escrever?


[J. M. Coetzee, No Coração Desta Terra; trad. Maria João Delgado, cortesia da revista “Sábado”, 3€]

Charge - Régis Soares

Herbie Hancock

Frase

"Imagina o que aconteceria nos Estados Unidos se um ministro da Suprema Corte fosse a um escritório de advocacia de Wall Street? O mundo caía".


Miro Teixeira, deputado federal (PDT-RJ)

Rosane Collor conta sua versão do impeachment em biografia

Prefeito segura repórter pelo pescoço em Mato Grosso

O prefeito de Barra do Bugres (150 km de Cuiabá), Wilson Francelino (PSD), segurou pelo pescoço uma repórter de TV que tentava entrevistá-lo.

A agressão foi cometida contra a repórter Elissa Neves, da TV Independência (afiliada à Rede Record).

O vídeo do episódio, ocorrido na sexta passada (18) durante um evento esportivo promovido pelo município, foi postado no You Tube e já teve mais de 15 mil acessos.

As imagens mostram quando o prefeito, que é conhecido na cidade como "Wilson Pescador", pressiona o pescoço da jornalista, enquanto fala ao seu ouvido.


Após ser ser solta, a repórter se queixa da violência, mas o prefeito sorri e adota um tom irônico. "Eu não estou sendo agressivo com você", diz, em um trecho.


A reportagem não conseguiu contato com a repórter. O diretor de jornalismo da TV, Cristiano Rodrigues, disse que foi registrado um boletim de ocorrência por agressão.


"Na hora, ela ficou sem reação, sem saber o que fazer. O prefeito não tinha o direito nem de tocar nela, quanto mais apertá-la no pescoço daquele jeito", disse.


À repórter, segundo o diretor, o prefeito disse que só daria entrevista com o microfone desligado ou em uma participação ao vivo no jornal local.


Rodrigues atribui a reação à "cobertura investigativa" que, segundo ele, a TV vem fazendo da administração municipal. "Estamos acompanhando tudo e ele está irritado com isso", disse.


Em nota, o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso qualificou o episódio como uma "agressão covarde e sem justificativa".


"A violência no trato com a colega da profissão deixou a diretoria do sindicato e a categoria indignados", diz a nota.


Também em nota, o prefeito negou que tenha agredido a repórter. "O prefeito aproximou-se da entrevistadora com o fim único de falar-lhe ao ouvido que naquele momento não poderia dar a entrevista", disse, em um trecho.


Ainda segundo a nota, o toque no pescoço teria se dado de forma acidental. "Ao levar as mãos aos ombros da entrevistadora, acabou por alcançar seu pescoço sem a intenção de lhe causar algum mal, o que pode ser conferido nas próprias imagens."


O prefeito acusou a emissora de fazer "oposição explícita" à sua gestão. "As imagens são claras e demonstram que a entrevistadora se manteve tranquila e ouvindo normalmente os argumentos do chefe do Executivo."

*Rodrigo Vargas

Colaboração para a Folha de São Paulo

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Promotor de Justiça de Pombal-PB instaura Inquérito Civil e recomenda a não demolição da Chaminé da Brasil Oiticica

O Promotor de Justiça da Comarca de Pombal-PB, Leonardo Fernandes Furtado, após a realização de audiência para oitiva dos Srs. José Cezário de Almeida e Zildo de Souza, nos autos do Inquérito Civil Público nº 2838/2012, tendo em vista os indícios do valor histórico-cultural que possivelmente circundam a edificação da chaminé da Brasil Oiticica, emitiu recomendação aos responsáveis pela demolição daquela torre no sentido de que sejam imediatamente suspensas todas e quaisquer ações que culminem na derrubada daquela chaminé.

Na ocasião, o Promotor de Justiça requisitou a Universidade Federal de Campina Grande que proceda, no prazo de 10 dias, com a realização de estudo sobre o caso, com posterior e consequente envio de relatório circunstanciado a despeito da matéria ora em questão.

Ainda por ocasião da audiência do último dia 23 de maio, foram requisitados todos os documentos e fotografias da velha torre, bem como a indicação de nomes de historiadores para futuras e novas inquirições junto a Promotoria de Justiça da Comarca de Pombal-PB.

Por fim, ficou ainda determinada a realização de nova audiência, a ser aprazada, com as pessoas já ouvidas e com os responsáveis pela demolição da chaminé da Brasil Oiticica.

 
Teófilo Júnior

Reiventando a educação

Muniz Sodré, professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é alguém que sabe muito. Mas o singular nele é que, como poucos, pensa sobre o que sabe. Fruto de seu pensar é um livro notável que acaba de sair: Reinventando a educação: diversidade, descolonização e redes (Vozes 2012).

Nesse livro procura enfrentar os desafios colocados à pedagogia e à educação que se derivam dos vários tipos de saberes, das novas tecnologias e das transformações processadas pelo capitalismo.

Tudo isso a partir de nosso lugar social que é o Hemisfério Sul, um dia colonizado e que está passando por um instigante processo de neodescolonização e de um enfrentamento com o debilitado neoeurocentrismo hoje devastado pela crise do Euro.

Muniz Sodré analisa as várias correntes da pedagogia e da educação desde a paideia grega até o mercado mundial da educação que representa uma crassa concepção da educação utilitarista, ao transformar a escola numa empresa e numa praça de mercado a serviço da dominação mundial.

Desmascara os mecanismos de poder econômico e político que se escondem atrás de expressões que estão na boca de todos como “sociedade do conhecimento ou da informação”.

Melhor dito, o capitalismo-informacional-cognitivo constitui a nova base da acumulação do capital. Tudo virou capital: capital natural, capital humano, capital cultural, capital intelectual, capital social, capital simbólico, capital religioso...capital e mais capital.

Por detrás se oculta uma monocultura do saber, aquele maquínico, expressso pela “economia do conhecimento” a serviço do mercado.

Hoje projetou-se um tipo de educação que visa a formação de quadros que prestam “serviços simbólico-analíticos”, quadros dotados de alta capacidade de inventar, identificar problemas e de resolvê-los.

Essa educação “distribui conhecimentos da mesma forma que uma fábrica instala componentes na linha de montagem”.

A educação perde destarte seu caráter de formação. Ela cai sob a crítica de Hannah Arendt que dizia: “pode-se continuar a aprender até o fim da vida sem, no entanto, jamais se educar”. Educar implica aprender sim a conhecer e a fazer, mas sobretudo aprender a ser, a conviver e a cuidar. Comporta construir sentidos de vida, saber lidar com a complexa condition humaine e definir-se face aos rumos da história.

O que agrava todo o processo educativo é a predominância do pensamento único. Os americanos vivem de um mito o do “destino manifesto”. Imaginam que Deus lhes reservou um destino, o de ser o “novo povo escolhido” para levar ao mundo seu estilo de vida, seu modo de produzir e de consumir ilimitadamente, seu tipo de democracia e seus valores de livre mercado.

Em nome desta excepcionalidade, intervem pelo mundo afora, até com guerras, para garantir sua hegemonia imperial sobre todo o mundo.

A Europa não renunciou ainda a sua arrogância. A Declaração de Bolonha de 1999 que reuniu 29 ministros da Educação de toda a Europa, afirmava que só ela poderia produzir um conhecimento universal, “capaz de oferecer aos cidadãos as competências necessárias para responder aos desafios do novo milênio”.

Antes a imaginada universalidade se fundava nos direitos humanos e no próprio Cristianismo com sua pretensão de ser a única religião verdadeira. Agora a visão é mais rasteira: só a Europa garante eficácia empresarial, competências, habilidades e destrezas que realizarão a globalização dos negócios.

A crise econômico-financeira atual está tornando ridícula esta pretensão. A maioria dos países não sabe como sair da crise que criaram. Preferem lançar inteiras sociedades no desemprego e na miséria para salvar o sistema financeiro especulativo, cruel e sem piedade.

Muniz Sodré em seu livro traz para a realidade brasileira estas questões para mostrar com que desafios nossa educação deve se confrontar nos próximos anos. Chegou o momento de construirmo-nos como povo livre e criativo e não mero eco da voz dos outros.

Resgata os nomes de educadores que pensaram uma educação adequada às nossas virtualidades, como Joaquim Nabuco, Anísio Teixeira e particularmente Paulo Freire. Darcy Ribeiro falava com entusiasmo da “reinvenção do Brasil” a partir da riqueza da mestiçagem entre todos representantes dos 60 povos que vieram ao nosso país.

A educação reinventada nos deve ajudar na descolonização e na superação do pensamento único, aprendendo com as diversidades culturais e tirando proveito das redes sociais. Deste esforço poderão nascer entre nós os primeiros brotos de outro paradigma de civilização que terá como centralidade a vida, a Humanidade e a Terra.


Leonardo Boff é teólogo e filósofo

*Fonte
Blog do Ricardo Noblat

Tema de 'Guerra nas Estrelas' com a Filarmônica de Viena


Concerto de verão nos jardins do Palácio de Schönbrunn (2010)

Mulher processa marido por ter bilau pequeno

Karla Dias Baptista, 26 anos, advogada e residente no município de Porto Grande no Amapá decidiu processar seu ex-marido por uma questão até então inusitada na jurisprudência nacional. Ela processa Antonio Chagas Dolores, comerciante de 53 anos, por insignificância peniana.

Embora seja inédito no Brasil os processos por insignificância peniana são bastante frequentes nos Estados Unidos e Canadá. Esta moléstia é caracterizada por pênis que em estado de ereção não atingem oito centímetros. A literatura médica afirma que esta reduzida envergadura inibe drasticamente a libido feminina interferindo de forma impactante na construção do desejo sexual.

O casal viveu por dois anos uma relação de namoro e noivado e durante este tempo não desenvolveu relacionamento sexual de nenhuma espécie em função da convicção religiosa de Antonio Chagas. Karla hoje o acusa de ter usado a motivação religiosa para esconder seu problema crônico. Em depoimento a imprensa a denunciante disse que “se eu tivesse visto antes o tamanho do ‘problema’ eu jamais teria me casado com um impotente”.

A legislação brasileira considera erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge quando existe a “ignorância, anterior ao casamento, de defeito físico irremediável, ou de moléstia grave”. E justamente partindo desta premissa que a advogada pleiteia agora a anulação do casamento e uma indenização de R$ 200 mil pelos dois anos de namoro e 11 meses de casamento.

Antônio que agora é conhecido na região como Toninho Anaconda, afirma que a repercussão do caso gerou graves prejuízos para sua honra e também quer reparação na justiça por ter tido sua intimidade revelada publicamente. O fato é que se o gato não come o bife. Ou o gato não é gato. Ou o bife não é bife.


*Deu no Blog do Tião Lucena

Muito bom. Vale a pena ver!


Pescado do face da Vanessa Spinosa

João Pessoa, linda!!

Reblogged from yolk-of-the-sun
art-mirrors-art:
Agathe Röstel - The Little Beauty (1896)



domingo, 27 de maio de 2012

Via paris2london

A vida não é um corredor reto e tranquilo que nós percorremos livre e sem empecilhos, mas um labirinto de passagens, pelas quais nós devemos procurar nosso caminho, perdidos e confusos, de vez em quando presos em um beco sem saída.

Porém, se tivermos fé, uma porta sempre será aberta para nós, não talvez aquela sobre a qual nós mesmo nunca pensamos, mas aquela que definitivamente se revelará boa para nós.


A. J. Cronin

Não compreendo como uma simples e inofensiva  folhina de calendário possa ter o enorme poder de me acrescentar tanto anos...

Tragam-me o tempo de volta!!
(Source: obeypeeta, via harringtongroup)
Talvez haja apenas um pecado capital: a impaciência. Devido à impaciência, fomos expulsos do Paraíso; devido à impaciência, não podemos voltar.

Franz Kafka

Via Steinarbergolsen

O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.

Jean-Paul Sartre

sábado, 26 de maio de 2012

Vates e Violas - O tempo e a seca

A ética do Barbeiro

Uma das características de uma megalópole como São Paulo é seu estranho caráter de província. Cada bairro é uma pequena cidade do interior com seus personagens folclóricos, suas fofocas típicas, a maledicência como constante e, para quem se apercebe disso, aquela vontade de fugir que surge como consciência infeliz de morador interiorano. A diferença entre as cidades não é o seu tamanho, mas a velocidade que elimina o tempo, que é o esconderijo do inominável.

O destino é feito de ironias e quem foge de uma cidade pequena pode acabar caindo no mesmo lugar sob a ilusão de seu contrário.

Assim, há um bairro em São Paulo onde, em meio ao charme de restaurantes caros, de shoppings exclusivistas, de mansões e prédios tombados há, na porta de uma garagem, uma minúscula barbearia.

Dia desses a figura ilustre do barbeiro explicava a dois escritores barbudos na padaria da esquina um fato fundamental para entender a política brasileira. Dizia ele que cortava o cabelo de um ex-presidente há mais de 15 anos.

Os dois escritores não perderiam a piada apesar do lugar comum:

- Então você faz a cabeça do homem?

Se fizesse a cabeça o barbeiro não teria sido vítima de uma distorção teórica que lhe foi imputada por aquele homem sério adorado pela vizinhança:

- Ele me perguntou se eu achava que alguém que chega na política pode roubar do povo e contou em uma entrevista que eu (como representante do “povo”) penso que roubar é um direito de quem está no poder.

- Que horror, disse o escritor careca. Cafetinagem intelectual, falou o mais cabeludo.

- O que eu realmente disse é “quem está no poder pode fazer o que quiser”. Assim como o meu poder é cortar o cabelo, eu poderia escolher cortar pescoços.

A ética do barbeiro é bem simples. Do uso da tesoura ao uso das verbas toda ação depende de um ser humano e sua escolha.

Sempre confiante na sua tesoura, o barbeiro continua cortando o cabelo do ex-presidente. E a vida, ou a corrupção, digamos que elas simplesmente continuam.


Márcia Tiburi
(Crônica publicada no Caderno Donna do Jornal Zero Hora)
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(...) Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.
(...)

Martha Medeiros


Cortar o tempo

Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.

Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente


Carlos Drummond de Andrade

Fotografia

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A valsa das meretrizes

Sem querer desmerecer o mister de prostituta (Profissão nº 5198-05 – Classificação Brasileira de Ocupações), o cenário político paraibano muito se assemelha a uma valsa de meretrizes.Os candidatos oscilam entre as tetas do poder, como “mulheres de vida fácil”, oferecendo-se ao varão que pagar mais. Nunca vi tanta estreiteza de caráter e falta de éticas juntas. Sou Procurador há dez anos e me lembro de um determinando parlamentar que vinha ao MPT patrocinar ferrenhas denúncias de improbidade e arbitrariedade contra um gestor público. Hoje, esta pessoa é seu mais “fiel” aliado. Viscerais inimigos tornam-se, com num toque de mágica, amigos íntimos, permanecendo fieis até que outra conveniência os separe novamente. Não existe oposição ética a governistas. Há, isto sim, oposição conveniente e oportunista pela não participação na fatia de cargos oferecidos pelo Poder. Ninguém pensa no bem comum do povo.

A Paraíba é um dos Estados mais atrasados do Brasil e, na atual legislatura estadual, mantém-se vassala de Pernambuco. Para piorar, o equilíbrio entre os três poderes – legislativo, judiciário e executivo – apresenta-se sensivelmente abalado com a hipertrofia anômala deste último. No geral, as equipes dos administradores eleitos pelo povo são compostas, salvo raríssimas exceções, de uma gleba de incompetentes e despreparados, nomeados unicamente por motivos obtusos como o nepotismo, clientelismo e fisiologismo. A constituição já tem mais 20 anos, e o princípio da impessoalidade nunca foi seguido à risca.

As siglas partidárias, representando as mais diversas ideologias políticas (socialismo, trabalhismo, democracia, comunismo etc) são meros signos alegóricos. Já vi “socialistas” defenderem a terceirização (rectius: privatização) da saúde pública, numa ilógica e insana postural neoliberal. Isto tudo é explicado pela busca incessante dos agentes públicos por prestígio, poder e dinheiro, as três potestades demoníacas responsáveis pela ruína e decadência da sociedade paraibana. Alguém defende o concurso público? Não! Servidor concursado é mais difícil de ser manipulado, eis que detentor de estabilidade; não vende seu voto em troca de um cargo. É por isso que as administrações públicas estadual e municipal estão repletas de trabalhadores temporários, oprimidos e assediados a todo instante para manterem sua fonte de sobrevivência. Tudo acontece sob às vistas do Tribunal de Contas do Estado. Não sei como essa gente tem estômago para tudo isso: valsando de um lado a outro em busca de conluios e vantagens ilícitas. A medida que o tempo passa, dói admitir que Maquiavel poderá estar certo: terá todo homem o seu preço?


Eduardo Varandas (Procurador do Trabalho)
Procurador-chefe da Ministério Público do Trabalho na Paraíba



(Do Blog de Vavá da Luz)



Tumblr

Mas, conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê;
Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei porquê.

Luís de Camões

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Brasil Oiticica - Após trancos e solavancos sua chaminé continua em pé

Após a arrematação pública da área da extinta Brasil Oiticica na cidade de Pombal-PB e derrubada dos imóveis que compunham aquele Empresa, os atuais proprietários direcionaram suas ações contra a imponência da velha chaminé. Era hora de ultimar a limpeza daqueles limites para dar passagem ao progresso e as novas edificações imobiliárias.  

Mesmo com a discordância de parte da população de Pombal-PB, foram várias as tentativas de colocá-la no chão. Todas em vão. A velha edificação, impávida, parece resistir a ação do tempo e do homem.

Contra ela, armaram-se tratores, cabos de aço e tração humana. Cavoucaram suas raízes e atingiram-lhe a cumeeira. E a chaminé alí, de pé!  


Pelas redes sociais, em sua maioria, se fazia a defesa da preservação da memória da cidade e da manutenção do momunento.

Instado, o Ministério Público, por intermédio do Dr. Leonardo Furtado, Promotor de Justiça Curador do Patrimônio Público, emitiu notificação aos atuais proprietários do imóvel no sentido de recomendar a não demolição da chaminé até que se tenha realizado estudo a despeito da historicidade do velho "apito da Brasil Oiticica"

O blog, em contato com o consultor jurídico do Município, Alberg Bandeira de Oliveira, foi informado que o alvará de demolição foi sustado, até quando, só o tempo dirá. Mais isso não é problema, a velha torre parece ter muita intimidade com o conluio dos anos...


Teófilo Júnior 
Com fotos de Lúcio Flávio Formiga Farias

Paraibano disputará o Prêmio Nobel de Literatura 2012

A Comissão de Relações Exteriores do Senado oficializou a indicação do escritor escritor paraibano Ariano Suassuna ao Prêmio Nobel de Literatura de 2012 pelo Brasil, atendendo a uma sugestão do senador Cássio Cunha Lima. “A vida e a obra de Ariano Suassuna contêm expressão filosófica que transpõe as limitações temporais e de gerações, atingindo todos os públicos e transportando-se pelos mais diversos e modernos meios de comunicação”, enfatizou Cássio no seu pedido.

Ariano Vilar Suassuna, nasceu em João Pessoa no dia 16 de junho de 1927. Ele é um dramaturgo, romancista e poeta brasileiro. É o atual secretário de assessoria ao governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

Ariano Suassuna, é conhecido como um defensor da cultura do Nordeste. Autor de Auto da Compadecida e A Pedra do Reino.


Fonte
Blog do Tião Lucena



A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa aprovou nesta quinta-feira o projeto de lei que reconhece a união estável gay, definindo-a como entidade familiar "a união estável entre duas pessoas, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família"

A proposta altera ainda o artigo 1.726 do Código Civil para abrir a possibilidade de conversão da união estável entre homossexuais em casamento a partir de requerimento dos companheiros ao oficial do Registro Civil.

O projeto da senadora Marta Suplicy (PT-SP) será analisado agora por outra comissão do Senado, a na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), se aprovada, ela seguirá para análise na Câmara dos Deputados

Sala teológica do convento dos Premonstratenses (ordem religiosa fundada por São Norberto no ano 1120 d.C. em Prémontré, França) de Praga.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Waldemar Malicki com a Filharmonia Dowcipi e Coro

Charge - Néo Correia

Ministra do STF divulga contracheques: 33 mil reais

Presidente do TSE e ministra do STF, Cármen Lúcia levou à internet seus contracheques referentes ao mês de maio. Recebe dos dois tribunais R$ 33.136,65. Com os descontos, amealha mensalmente R$ 23.283,82 líquidos. Antecipando-se aos colegas, a ministra tornou-se a primeira integrante do Judiciário a abrir seus vencimentos. Informa que passará a fazê-lo todos os meses, no site do TSE. Em sessão administrativa marcada para esta quarta (23), Cármen Lúcia discutirá com os outros seis ministros do TSE como serão veiculados os demais salários do tribunal –dos magistrados e dos servidores. Deve-se a movimentação à necessidade de cumprir a Lei de Acesso à Informação, sancionada há uma semana. Na véspera, o STF já havia decidido que também levará à internet os seus salários -o de Cármen Lúcia inclusive. O Executivo anunciara a mesma providência na semana passada. E o Legislativo promete seguir os outros Poderes.

Abaixo, as cópias dos contracheques da ministra.



Josias de Souza
Blog do Josias

Mulher para casar, mulher para se divertir

Homem que ainda diferencia mulher pra se divertir e mulher para casar é um meio homem. Faz tudo pela metade. Nem casa direito e muito menos se diverte.

Que me perdoem, pela fúria, esses meio machos. É que li agora no UOL, em ótima matéria da Simone Cunha sobre o tema.

Que tal o contrário, amigo, eis o recurso do método: se divertir com a que julga para casamento e casar com a que vês como ficante? Já experimentei. Funciona.

É isso ai. Caso com a mulher para se divertir; me divirto com a mulher para casar.

Bobagem, meu caro, onde enxergas a suposta virtude matrimonial, pode ter o maior rock´n´roll.

Que garantia queres, rapaz? É o medo atávico e ancestral do chifre?

Nessa hipótese do medinho de macho, não seria melhor casar com uma “vadia” (e tome aspas para o termo, colegas!), que já se divertiu muito na vida e teve muitos homens na cama?

Acompanhe meu raciocínio machista, amigo: esta mulher, teoricamente, teria menos curiosidade sobre outros vagabundos. Não acha? Muito melhor do que uma santa do pau oco.

Persistes no medo? Sei, temes que ela cante no teu ouvido aquela do Chico, “Olhos nos olhos”: quantos homens me amaram bem mais e melhor?

Ah, corta essa, meu velho, toda mulher é santa e puta. São as suas duas capacidades mais bonitas. Nem a ciência sabe onde começa uma e termina a outra. Misteriosamente elas mudam a voltagem, quando menos imaginamos.

Para tanto, porém, tem que ter merecimento. Não podes ser meio homem e ficar cheio de “ah eu tô confuso”, digo, “eu tô cafuso”, como satirizava o Didi Mocó das antigas.

Agora com licença que eu vou ali casar com uma mulher errada e volto já.

Xico Sá

Expressão artística - Jerome Murat

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Quando a máscara vira rosto

Todo mundo inventa seus personagens, mas alguns acreditam demais no próprio e se estrepam


Ter um ou mais personagens para encarar a pedreira do mundo é não só necessário, como uma questão de sobrevivência. Especialmente se você tiver uma sensibilidade extremada. Nascemos com uma pelezinha de bebê também na alma (e aqui não me refiro ao sentido religioso do termo) e precisamos protegê-la. Se há algo que os outros pressentem é o tamanho da nossa fragilidade. Por isso um chefe abusivo sempre sabe com quem pode gritar – e com quem é melhor não. Muita gente é como aqueles cães de caça farejando o flanco mais indefeso para atacar sua presa. Triste, triste. Mas mais triste é quando, em nome da necessidade de sobreviver, criamos um personagem que se mostra tão útil que acaba se confundindo com nossa derme mais profunda. Se criar personagens é preciso, despir-se deles constantemente é vital.

Como ando bastante por aí, tanto por razões profissionais quanto por gosto, observo muito as pessoas. E seus personagens. E, muitas vezes, tenho vontade de dizer, e em algumas delas, se há um grau de intimidade que me permita falar sem ofender, eu digo: “Pronto, você já fez o seu show. Agora, por favor, para jantar comigo enfia a máscara dentro da bolsa e relaxa”.

Ninguém se iluda de que é absolutamente verdadeiro o tempo todo, até porque somos muitas verdades ao mesmo tempo e seguidamente elas são contraditórias. Aquelas pessoas que parecem muito “autênticas” porque são extrovertidas, dizem coisas chocantes, se arriscam no estilo, estão muito bem cobertas por suas máscaras e morrem de medo de serem reveladas. A máscara do “autêntico”, “louco” ou “excêntrico” é uma das mais corriqueiras. Este tipo faz piada com o ponto fraco dos outros, dando gargalhadas e batendo nas costas da vítima e, quando alguém reclama, uma meia dúzia de amigos sai em sua defesa dizendo que “é o jeito dele”. Ahan.

Há o tipo “bonzinho” que, mesmo fazendo coisas horríveis e muito bem dissimuladas de vez em quando, é tão convincente no “foi sem querer” ou “ele jamais faria isso de propósito” que é imediatamente perdoado. Existe a “mulherzinha”, tão frágil que parece que vai quebrar a qualquer adjetivo mais eloquente. Esta manipula brilhantemente nossos mais primitivos instintos de proteção e, se você tem a coragem de dizer para ela tomar jeito e prescindir do diminutivo, imediatamente é você quem vira uma megera. E há o seu oposto, “a mulher alfa”, esculpida a navalhadas, que se arma de sapatos de bico fino, terninhos de grife e cortes de cabelo modernos, mas práticos, para arrasar meio mundo a bordo de sua armadura como se o melhor produto do feminismo fosse uma mulher se tornar um clichê de homem.

Enfim, são muitas as fantasias que vestimos para não sermos engolidos pelo mundo. Em geral não somos nem mesmo uma máscara definida, como as que acabei de expor apenas como recurso didático. Não somos Batman, Coringa, Gilda, Bambi ou Madre Tereza de Calcutá. Somos uma mistura de vários estereótipos. E, se é verdade que vestimos máscaras, também é verdade que não há um “eu” essencial – mas sim um “eu” fluido e incapturável, em constante movimento de mutação. E é nesta fluidez do eu, que não pode ser confundida com ausência de rosto, que residem nossas verdades mais profundas.

Acho que nossas máscaras começam a colar no nosso rosto ainda na infância. Uma mistura entre a necessidade de rotular que os pais em geral têm e o nosso desejo de satisfazê-los – ou de escapar da prisão que intuímos. Numa família com mais de um filho é mais fácil perceber. Um é o extrovertido, o outro é o tímido, outro ainda é o rebelde. Ou um é o estudioso que “não dá trabalho nenhum”, o outro é o vagabundo que ninguém sabe “por quem puxou”. E há o outro que tem – socorro! – “transtorno do déficit de atenção e hiperatividade”.

Os pais costumam botar um rótulo em cada filho, e a escola raramente tem competência para, em vez de reforçá-los, quebrá-los para que as crianças tenham outras possibilidades de expressar aquilo que são ou se tornar algo diferente do que foram levadas a ser. Uma pena, porque quebrar máscaras impingidas ainda na infância talvez seja a grande função de um educador. É muito difícil identificar se alguém “é assim” ou se tornou o que sempre ouviu que era. Agora, que as crianças são medicalizadas cada vez mais cedo e os rótulos ganharam status de “diagnóstico”, com a entrada do “especialista”, danou-se.

De fato, ninguém é – todos nós nos tornamos. E este “tornar-se” não é um caminho linear rumo a um rosto definitivo, que daria conta de nossa essência. Não há essência, o que existe é construção a partir de um conjunto de genes, de influências ambientais e experiências as mais variadas, de inscrição no momento histórico e de livre arbítrio – ainda que o livre arbítrio nunca seja tão livre assim. Embora possa ser assustador pensar que não há um “eu” essencial a ser alcançado, de fato é bastante libertador.

Somos uma constante invenção e reinvenção. E, tão importante quanto, desinvenção. Vale a pena não esquecer que sempre podemos nos desinventar. Ainda que carreguemos conosco tudo aquilo que vivemos, a mágica está em dar novos significados a antigas experiências e ter a sabedoria de nos livrarmos do que não é nosso, apenas foi impingido a nós como uma roupa de gosto duvidoso. Por isso, é bom tomarmos muito cuidado para não rotular os outros, como se nossas sentenças fossem imunes de preconceitos. E mais cuidado ainda se estes outros forem os nossos filhos, para que nossos rótulos não virem destino.

Acho que a melhor forma de não impingir máscaras aos outros é não impingi-las a nós mesmos. É bem fácil cair na tentação de transformar uma de nossas máscaras, aquela que nos parece mais eficaz no embate cotidiano, em nosso rosto definitivo. A máscara se torna tão usada que vai se fundindo primeiro à nossa pele, depois aos nossos ossos. Não é que vire ferro, como no clássico de Alexandre Dumas. O problema é que vira carne humana, mesmo. E aí, meu amigo, fica bem difícil de arrancá-la, porque passamos a acreditar que morreremos no processo. Ou que, por trás dela, não há um ou muitos rostos, mas um vazio infinito. Muita gente se agarra a seu personagem com medo de que, se a máscara for arrancada, descubram que não há nada lá. A máscara serviria, neste caso, para esconder a ausência de face.

Tento me livrar da tentação de virar personagem, uma máscara só, pela própria escrita. Parte do ímpeto que me move a inventar outras vozes narrativas para mim e outras bases para estabelecer o cotidiano se dá pelo meu temor de acabar gostando demais de alguma máscara conveniente. Tento me quebrar o tempo todo me jogando em desafios novos sem pensar muito nos riscos para me desgarrar da tentação das certezas sobre mim. Tem funcionado.

Além das mudanças mais profundas, que quem me acompanha nesta coluna está cansado de saber, há pequenas trocas de atitude que podem ser bem divertidas. Eu sempre fui disciplinadíssima, por exemplo. Estou numa luta feroz comigo mesma para deixar de ser. No último final de semana consegui um feito inédito em 45 anos de vida: dormi 16 horas seguidas. Almocei e ainda me entreguei a mais duas horas de sesta. Vou acabar esta coluna e tomar uma cerveja em comemoração a isso.

Sempre fui pontualíssima e, como todas as pessoas pontuais deste país, esperava muito. A ponto de o garçom ficar com pena e vir conversar comigo. Agora, com exceção dos compromissos de trabalho, resolvi deixar todo mundo me esperando. É uma delícia a cara de surpresa dos amigos. Chego e está todo mundo lá. Costumava comer chocolates aos poucos. E, quando ia comer, antecipando o gosto do bombom desmanchando na minha boca, alguém lá de casa já tinha dado cabo dele. E ainda me acusava: “Você faz isso de propósito, para me tentar. Por sua causa, acabo engordando”. Pronto, além de ficar sem chocolate, ainda era culpada pelo descontrole alheio. Mudei. Agora devoro compulsivamente meus chocolates e também o dos outros.

Não, não parecem mudanças muito salutares, eu sei. Mas elas cumprem, pelo menos por algum tempo, a função de me desconstruir tanto aos meus olhos como aos olhos dos outros, que cultivam a pretensão de que a gente seja a mesma até o final dos tempos. Um peso que, com licença, não pretendo arrastar por aí como se fosse meu.

Especialmente nas questões mais profundas, desmascarar a si mesmo é uma prática importante do cotidiano. E também um ato que precisa ser constantemente recriado. Nosso instinto de sobrevivência engendra armadilhas e argumentos bem convincentes para absorver este “duvidar de si mesmo”, que nos mantêm alertas com relação a nossos próprios ardis, e acaba por torná-lo mais um penduricalho que tem apenas um efeito placebo. O que o mercado faz com a contestação ao mercado, transformando-a em um produto, nós fazemos com relação à nossa porção contestadora, ao transformá-la em nossa versão de mercado. De tal forma que, um dia, sem perceber, paramos de tirar a maquiagem no fim da noite e dormimos acreditando que a máscara é a nossa cara.

Dias atrás encontrei um conhecido muito talentoso. É brilhante mais vezes do que a maioria. Arrasta com ele uma legião de fãs. E, principalmente, tem o que dizer porque é um grande criador. Fazia algum tempo que não o encontrava pessoalmente e fiquei estarrecida ao perceber que ele tinha virado um personagem, um bufão. Não mais um bufão como forma de contestar a hipocrisia, mas um bufão como forma de não ser contestado em sua hipocrisia.

Torço para que ele perceba a tempo que a máscara é uma versão bem pobre dele mesmo, já que não tenho intimidade para dizer a ele eu mesma. Enquanto isso, ao testemunhar a figura triste em que ele se transformou, tratei de aprimorar meus próprios alarmes antimáscaras. E escrevi esta coluna na esperança de que ela possa ajudar a acionar a sirene em cada leitor. As máscaras têm sua função, desde que não nos apeguemos a elas a ponto de fazer da mais confortável um rosto que agrada a todos – menos a nós mesmos.
 
Eliane Brum

Aprendi a não tentar convencer ninguém. O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro."

"Nem a arte nem a literatura têm de nos dar lições de moral. Somos nós que temos de nos salvar, e isso só é possível com uma postura de cidadania ética, ainda que isto possa soar antigo e anacrónico." "Ao contrário do que geralmente se crê, por muito que se tente convencer-nos do contrário, as verdades únicas não existem: as verdades são múltiplas, só a mentira é global."

Saramago
Reblogged from aestheticseeker
colourthysoul:
James Sant.



Charge Amarildo

terça-feira, 22 de maio de 2012

“Escreva, leitor, escreva. Escreva para contar uma história, para registrar pensamentos, para compreender o que sente, ou simplesmente pelo ato de escrever. Este nos ensina a organizar o pensamento, a perceber o que intuímos, o que tememos, o que sonhamos, nos permite preservar nossas vivências e, no futuro, compreendê-las. E ainda nos habilita a lidar com o fluxo constante de informações crescente do cotidiano profissional, de estudos.”

(ALVES, Terciane. Faltam escritores no Brasil. In: Metáfora. São Paulo: Segmento, ano 1, n. 8, mai./2012, p. 4, “Editorial”, excertos.)

*Enviado ao blog por Adauto Neto

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Curiosidade...

tumblr

Carta de navegação de um caso que acaba


É preciso fazer um histórico, porque você sempre esquece a cronologia dos fatos, talvez por dar pouca importância ao que acontece comigo. Sejam quais tenham sido meus erros, já sofri tanto e é claro que sofri por opção. Por isso passei do estado de graça para o choque da revelação brutal: você estava casado outra vez.

Tentei me adaptar à nova situação e o consegui, sangrando. Depois você viajou, me escreveu uma carta quando fazia o percurso Havana-Praga, descreveu o avião, a noite sobre o oceano e falou que me amava -acho que foi a única vez que você teve a coragem de admitir que também me amava. No seu regresso, nos trancamos em Teresópolis, quatro dias e quatro noites de chuva, nunca ninguém foi de ninguém como você foi meu. Eu estava salva.

Aí soube que você já se casara com outra. Pensava mais nela do que em você. Vi-a na rua, dentro do seu carro. Eu vivia apavorada de que alguém viesse a saber, porque lutei para impô-lo, você foi a causa do rompimento com meu pai. Tinha um álibi e o perdi: você era apenas um homem desquitado. Sustentei a mentira para evitar uma situação que era insustentável.

Um dia, encontrei-o com sua mulher na rua. Uma mulher enganada, mas segura. Nosso amor transformou-se no apartamento na Barra da Tijuca que você alugava por mês. Até aquele chalé de Friburgo, onde eu era a sua mulher dois dias por semana, tudo diluiu-se, comecei a jogar errado, como se não tivesse mais nada a perder. Comecei a perturbar a sua tranqüilidade, a paz do seu charuto fumado todas as noites. Tentei viver a minha vida antiga, procurar amigos, sair.

Uma noite, desesperada para ficar alguns minutos com você, fiz aquela besteira e fui ao Leme. Na minha alucinação, nem reparei que você estava com outra moça. Foi o choque maior de todos. Era mais uma estranha em sua vida. O investimento novo que você havia escolhido e que eu não percebera. Nem mil anos de análise poderão me curar daquele impacto. Mas no dia seguinte você abriu o jogo. Confessando que se apaixonara por outra, estava agindo decentemente.

E agora não vejo mais sua mulher nas ruas, mas essa moça que é tão mais jovem que você, tão da minha idade. Vejo-a em todas as esquinas. Via-a dentro do seu carro, em frente ao mar. Nos sábados, a humilhação de saber que você está no mesmo apartamento, mas com outra. Talvez a mesma rotina, o café da manhã, o seu suco de laranja bem gelado, o charuto cubano depois do jantar.

Sozinha, às 8 horas me tranco no quarto para chorar em paz a minha noite vazia. Tentei reagir, sair com amigos, mas não era boa companhia para eles, carregava comigo meu pavor de ver o seu carro à minha frente, na porta de um restaurante, com gente estranha sentada no meu lugar.

Tentei me desligar de você. Aceitaria os fatos: seria sua amante e pronto. De repente, a situação em minha casa estourou pra valer. Minhas noites passadas fora, seu nome dito abertamente na hora das refeições. Mandaram que eu vivesse a minha vida -mas longe deles. Aluguei um quarto e procurei uma oportunidade para lhe comunicar. Queria apenas o seu apoio para sustentar a barra de morar sozinha, em casa de estranhos.

Numa sexta-feira, consegui pegá-lo na saída do escritório. Falei o que devia, sem emoção. Depois fomos jantar, você fumou o seu precioso charuto, andando de um lado para o outro, pensando em voz alta. Abracei muito você, mas não era gratidão. A idéia de um apartamento era demais. Eu passava a ser a amante oficializada, a terceira em importância e necessidade. Aquela que não tem o encanto da namorada com que se janta, que não ganha os presentes de ocasião porque apresenta todos os meses a conta da luz e do condomínio. Pensei nisso tudo, mas assim mesmo não pude dormir aquela noite. Era alegria, alegria bruta, selvagem.

Seguiu-se o sábado mais importante da minha vida. Saímos para procurar apartamento. Falei de igual para igual com todos. Tinha de conseguir o que os outros conseguem, embora o meu passo fosse, em termos de vida, um passo para baixo. Na verdade, eu seria apenas a amante-quarto-e-sala-conjugado.

Depois falei com minha mãe. Fizemos um levantamento do que restava do meu antigo enxoval de noiva. As roupas de dormir estavam reduzidas. Usei-as com você, em quartos de hotéis. Mas sempre restavam algumas peças que eu poderia usar nas noites em que você aparecesse.

Quando você me mostrou a posição da cama no quarto, tive vontade de lhe abraçar, mas você estava muito sério. Jurei que, com a tranqüilidade que ia adquirir, você se surpreenderia com uma maturidade que não conhece -nem pode conhecer porque nunca tive oportunidade de mostrá-la.

Mas houve novamente um sábado em que quis você. Joguei errado outra vez e atrapalhei o seu programa. Finquei o pé, fiz malcriação, chorei. Ela chegou. Perguntou o que estava havendo. Você disse tudo quando respondeu: "Nada".

Nada. Deste meu nada, receba este amontoado de pranto que foi o meu amor. E por toda a vida, toma a minha vida.


Carlos Heitor Cony

Texto extraído do jornal "Folha de São Paulo", edição de 11/10/2002.