terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Cortar o tempo


Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente
 
 

Sonhos de final de ano

Embora possamos recomeçar e repensar as nossas ações todos os dias, é no final do ano que costumamos, impulsionados pelo clima de confraternização universal, concentrar todos os nossos esforços e metas para o ano que chega. Foi assim em 2012, 2013 e será assim em 2014. Reiteramos promessas (geralmente aquelas mesmas cuidadosamente não cumpridas no ano passado, parar de fumar, iniciar uma dieta, sair do cartão de crédito...), planos são novamente traçados, sonhos recompostos e um baú de expectativas parece explodir de novo como fogos de artifícios lá no céu junto com o caminhar dos ponteiros.

Precisamos de uma simbologia. E o entornar das horas, o encontro dos ponteiros a meia noite do dia 31 de dezembro, parece servir como borracha para tudo aquilo que não deu certo no ano que passou e mergulhamos no escafandro de esperanças naquilo que ainda almejamos realizar.

Finda a festa, e minimizada a emoção, é hora de cair no dia-a-dia. As promessas que renovamos, aos poucos (salvo as exceções e as mais fáceis de cumprir, claro!), vão tomando contornos mais amenos, acomodam-se novamente em nossas circunstâncias de tal forma que parecem representar bem menos que o nosso euforismo, e lá se vão as nossas promessas rumo ao ano que vem!

E assim caminha a humanidade, girando no circulo da vida. E não teria graça se assim não fosse.

As festas de fim de ano, sem dúvida, nos capacitada ao exercício mais salutar da humanidade: alimenta a nossa condição de reafirmar os sonhos, as promessas, as amizades, as reflexões. Reafirmar as esperanças em si mesmo em busca da tão almejada felicidade.

E todos nós precisamos de sonhos, realizados ou não. Aqueles, permanecem incólumes, irreais até, suspensos feito algodão doce dependurado no nosso céu. Estes, surgem sempre incompletos, tardios a nos reclamar a satisfação de tê-los.

Assim, feliz reafirmação da renovação de sonhos para todos. E muito obrigados a vocês que acessaram o nosso blog durante o ano que findou!


Teófilo Júnior

Fígado ainda é acusado, injustamente, de causar ressaca

Já faz parte da crença popular culpar o fígado pelos sintomas de embriaguez ou ressaca, quando na verdade isso se deve mais aos efeitos do álcool sobre o cérebro e o restante do aparelho digestivo

"A ressaca pode acontecer sem que o fígado esteja agredido. Trata-se de um mal-estar causado pelo efeito anticolinérgico (inibe a produção de acetilcolina, substância química que atua como neurotransmissor) do álcool associado à desidratação. Um produto do metabolismo do álcool gerado no fígado, o acetaldeido (que é mais tóxico que o próprio álcool) explica em parte esses sintomas", afirma o hepatologista Raymundo Paraná, professor da Universidade Federal da Bahia.

A cirurgiã Liliana Ducatti, da equipe de transplante de fígado e órgãos do aparelho digestivo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), afirma que o excesso de metabólitos do álcool causa, entre outras coisas, a desidratação.

"Por isso é importante tomar bastante água. Se sabe que terá uma festa e vai beber no dia seguinte, tome isotônico um dia antes. Ou, na hora, para cada taça de álcool, tome duas de água", ensina a hepatologista Mônica Viana, do Hospital do Servidor Público de São Paulo e do instituto que leva seu nome.

Da mesma forma, medicamentos à base de alcachofra fazem bem, mas não porque irão atuar no fígado, como se acredita, mas porque facilitam a digestão: "Alcachofra diminui o colesterol, mas afirmar que os alimentos amargos ajudam o fígado não tem nenhum fundamento", completa Viana.

O maior

O fígado não só é a maior glândula como também o segundo maior órgão do corpo humano, perdendo apenas para a pele. Está localizado sob o diafragma e pesa entre 1,3 kg a 1,5 kg em um homem adulto. Já nas mulheres seu peso é um pouco menor e, nos pequenos, é proporcionalmente maior, já que constitui 1/20 do peso total de um recém-nascido. É um órgão tão grande em crianças, na primeira infância, que pode ser sentido abaixo da margem inferior das costelas.

Ele funciona tanto como glândula exócrina, liberando secreções num sistema de canais que se abrem numa superfície externa, como glândula endócrina, já que também libera substâncias no sangue ou nos vasos linfáticos. Além disso, realiza aproximadamente 220 funções diferentes, todas interligadas e correlacionadas.

Sua atividade principal e mais conhecida é a formação e excreção da bile - fluido que se armazena na vesícula biliar e atua na digestão de gorduras e na absorção de substâncias nutritivas da dieta. As células hepáticas produzem em torno de 1,5 litro de bile por dia.

O fígado também pode ser considerado um gerador de energia para o corpo. Isso porque produz calor, participando da regulação do volume sanguíneo, proporciona uma ação antitóxica importante, processando e eliminando os elementos nocivos de bebidas alcoólicas e gorduras, entre outros. Além de tudo disso, tem um papel vital no processo de absorção de alimentos. Não conseguiríamos viver sem este órgão, responsável por tantas funções.

Cuidado com chás

Alguns itens que parecem inofensivos, se consumidos com frequência, podem causar um tremendo prejuízo ao fígado. Os chás com supostos efeitos terapêuticos, por exemplo. "A maioria deles não é estudada em ensaios de fase três (que comprovam os efeitos). Sem esses estudos não podemos conhecer a sua eficácia nem a sua segurança. Além disso, não há padronização de dose, nem mesmo controle sobre as sustâncias que acompanham o princípio ativo de uma planta. A ideia de que o natural faz bem é completamente falsa e obedece a um interesse de mercado", afirma Raymundo Paraná.

Segundo o médico, alguns chás que podem causar danos ao fígado são picão preto (carrapicho), sacaca, cáscara-sagrada, espinheira-santa, confrei, erva-mãe-boa, sene e poejo. "Melhor optar por chá de erva-cidreira ou erva-doce. Já tive um paciente que ficou na UTI por causa de excesso de chá verde. Melhor ainda é tomar água", alerta Viana.

Dieta desintoxicante

Quando o assunto é a famosa dieta desintoxicante, todos os profissionais são totalmente contra. "Esta é uma situação absurda de ataque à boa fé das pessoas, são modismos para ganhar dinheiro às custas da ingenuidade alheia. Infelizmente, este tipo de prática está cada vez mais comum no Brasil", afirma Paraná.

"Toda dieta bem equilibrada faz bem para o fígado como para todo o organismo, mas não existe alimento milagroso que faça desintoxicação", afirma Ducatti.

Viana recomenda cuidado com este tema: "Isso porque vive surgindo alguma maluquice 'do momento'. O chá verde que citei é um exemplo. Nada melhor para desintoxicar que água!".

O fígado e a melancolia

Mais uma crença popular, e não só no Brasil: a de que a bile produzida pelo fígado é a origem da depressão e da melancolia. Aliás, o termo melancolia nasceu da união de duas palavras gregas: melanós (negro) e cholé (bile).

"Na Grécia antiga se tinha esta crença. Como a bile é amarga, acreditava-se que o fígado purgava o amargor da vida, portanto seria responsável pelo humor. Hoje sabemos que não é nada disso", diz Paraná. Ducatti completa, afirmando que as alterações do nosso humor estão ligadas ao funcionamento do cérebro e seus neurotransmissores.

Já Viana admite que vê diferença nos pacientes: "Cuidado com a mágoa! Quanto mais a pessoa estiver magoada, mais lesionado ficará seu fígado, mas isso não tem base científica nenhuma. É algo que eu noto no consultório!"

Gordura e açúcar

A transformação de glicose em glicogênio, forma de armazenamento de açúcares nas células animais, e seu armazenamento, se dá nas células hepáticas. Ligada a este processo, há a regulação e a organização de proteínas e gorduras em estruturas químicas utilizáveis pelo organismo da concentração dos aminoácidos no sangue, que resulta na conversão de glicose que é utilizada pelo organismo no seu metabolismo.

Nesse processo, o subproduto resulta em ureia (substância presente em nosso organismo que age na função do sistema renal), que é eliminada pelo rim. Em paralelo, existe a elaboração da albumina (proteína presente no plasma sanguíneo) e do fibrinogênio (proteína específica do sangue e representa um papel fundamental na coagulação).

E os alimentos gordurosos seriam muito prejudiciais ao fígado? Para Raymundo Paraná, a gordura faz mal ao organismo como um todo, mas não especificamente ao fígado. Ducatti alerta que esse tipo de alimentação pode gerar uma inflamação, a chamada esteatose hepática.

"Pior ainda é o açúcar. Eu sempre falo para meus pacientes que doce é pior que picanha. A pessoa está triste? Como doce! Brigou com o namorado? Come chocolate. Falam que carne faz mal, mas se comer fraldinha ou filé mignon, sem gordura e com parcimônia, não tem problema", diz Viana.

E não é para pensar que gordura no fígado é privilégio apenas de quem está acima do peso. Magros também podem ter o fígado recheado de gordura. Paraná conta que há pacientes magros com dislipidemia (presença de níveis elevados ou anormais de lipídios e/ou lipoproteínas no sangue) ou resistência à insulina de origem genética e que podem ter gordura no fígado de forma semelhante a dos obesos.

"Sim, pessoas magras podem ter gordura no fígado, especialmente diabéticos que nem sabem que têm a doença", diz Viana. Ela frisa que a pessoa precisa fazer o exame para verificar o colesterol e triglicérides com 12 horas de jejum, mas que muitos laboratórios deixam o paciente esperando e horas a mais causam diagnósticos errados.

Regeneração

O fígado é um órgão realmente especial e entre suas diferenças em relação aos demais está sua capacidade de se regenerar. É o único órgão de mamíferos capaz de se regenerar. No caso de uma cirurgia ou mesmo da doação de parte dele, em um transplante, por exemplo.

O homem já conhece essa fascinante capacidade desde a antiguidade. A mitologia grega, por exemplo, conta que o titã Prometeu, ao criar o homem, lhes deu o fogo, que era algo exclusivo dos deuses, tornando-o superior a todos animais. Como castigo, foi condenado por Zeus, o deus do Olimpo, a passar a eternidade acorrentado a uma rocha, sofrendo o ataque de uma águia que lhe devorava o fígado todos os dias. Um castigo que já trazia a ideia de que o órgão pode se regenerar.

Segundo a cirurgiã Liliana Ducatti, o fígado se regenera e chega ao tamanho habitual, mas cresce em massa, não exatamente como era. Ela exemplifica: se retiramos o lobo direito, extraímos muitas vezes a veia e a artéria direitas. Este fígado que ficou com lobo esquerdo vai crescer até ficar com o tamanho habitual, mas não irá criar um "novo lobo direito". Também não terá mais a veia e a artéria direitas, que foram retiradas; será um fígado de tamanho tradicional, mas somente com os vasos esquerdos. "Porém, se o peso do fígado que permaneceu for adequado à pessoa, o órgão realizará suas funções normalmente".

O coordenador de transplantes do Hospital Israelita Albert Einstein, Marcelo Bruno de Rezende, conta que tudo depende da compatibilidade do peso e do tipo sanguíneo. "Podemos dividir um fígado adulto e fazer dois transplantes. Ou transplantar um fígado infantil num adulto. O órgão tem de pesar 1% do peso da pessoa. Assim, um adulto de 70 quilos precisará de um fígado de no mínimo 700 gramas. Hoje temos 15 doares para cada milhão de habitantes. A meta é chegar a 20, pois muitos ainda morrem na fila".

"Não me canso de falar que o Brasil é o país que faz o melhor transplante de fígado do mundo. O problema é a espera. São dois a três anos na fila. O melhor é que o transplante seja feito de um órgão que venha de um doador cadáver e que não seja um transplante intervivos, pois o doador nunca sabe o que pode ocorrer no futuro. Precisamos aumentar a campanha de doação de órgãos", ensina a hepatologista Monica Viana, dizendo que o ideal é avisar aos familiares que se é um doador.


Fonte: UOL

No ano passado...

Já repararam como é bom dizer "o ano passado"? É como quem já tivesse atravessado um rio, deixando tudo na outra margem...Tudo sim, tudo mesmo! Porque, embora nesse "tudo" se incluam algumas ilusões, a alma está leve, livre, numa extraodinária sensação de alívio, como só se poderiam sentir as almas desencarnadas. Mas no ano passado, como eu ia dizendo, ou mais precisamente, no último dia do ano passado deparei com um despacho da Associeted Press em que, depois de anunciado como se comemoraria nos diversos países da Europa a chegada do Ano Novo, informava-se o seguinte, que bem merece um parágrafo à parte:

"Na Itália, quando soarem os sinos à meia-noite, todo mundo atirará pelas janelas as panelas velhas e os vasos rachados".

Ótimo! O meu ímpeto, modesto mas sincero, foi atirar-me eu próprio pela janela, tendo apenas no bolso, à guisa de explicação para as autoridades, um recorte do referido despacho. Mas seria levar muito longe uma simples metáfora, aliás praticamente irrealizável, porque resido num andar térreo. E, por outro lado, metáforas a gente não faz para a Polícia, que só quer saber de coisas concretas. Metáforas são para aproveitar em versos...

Atirei-me, pois, metaforicamente, pela janela do tricentésimo-sexagésimo-quinto andar do ano passado.

Morri? Não. Ressuscitei. Que isto da passagem de um ano para outro é um corriqueiro fenômeno de morte e ressurreição - morte do ano velho e sua ressurreição como ano novo, morte da nossa vida velha para uma vida nova.
 
 

Problema do ensino não está no jovem

A divulgação dos resultados alcançados pelas escolas brasileiras no Enem representa uma oportunidade para se discutir o ensino médio no Brasil. Isso é muito mais urgente do que se entreter com rankings em que as escolas se diferenciam por casas decimais e que ignoram fatores fundamentais como o impacto das condições de origem dos alunos.
 
O Enem mostra que o ensino médio está longe de responder aos anseios da sociedade e dos jovens. É o retrato de um sistema intrinsecamente desigual, incapaz de desenvolver competências essenciais para um mundo que exige bem mais do que o domínio de conteúdos, mas a capacidade de pensar criticamente, resolver problemas, interpretar a realidade à luz das informações disponíveis.
 
Então, o que fazer? No Brasil, precisamos deixar para trás características históricas do ensino, como o conteudismo, que se reflete no excesso de disciplinas, em aulas em que o aluno é um coadjuvante apático, a todo tempo a se perguntar: “E isso serve para quê?”

O Ensino Médio, em modalidade regular, técnica (ou integrada), na escola pública ou privada, quer atenda população socialmente vulnerável, quer atenda os ricos, deve formar cidadãos capazes de atuar em contextos cambiantes, que demandam conhecimentos acima do básico, competências cognitivas altamente desenvolvidas.
 
Para isso, será necessário mexer no tempo e no espaço da escola, e, claro, na formação dos professores e no próprio projeto pedagógico.
 
O Ensino Médio deve ser concebido a partir de uma perspectiva integral, com ampliação do tempo de permanência do aluno na escola, formação acadêmica interdisciplinar, espaço para as dimensões da cultura e da arte e, sem dúvida, conexões claras com os desafios do mundo do trabalho.
 
As aulas devem ser espaços dinâmicos de experimentação, com o uso criativo da tecnologia, simulações, projetos reais, trocas culturais e sociais. Os adolescentes pedem desafios e, por isso, a escola precisa levá-los além dos limites confortáveis, por exemplo, abrindo espaço para projetos de intervenção social.
 
O Ensino Médio precisa também formar jovens protagonistas, que tenham posturas de liderança e busquem a inovação — um conceito-chave no século XXI. E, principalmente, que queiram fazer a diferença. E isso não é uma retórica, mas características buscadas indistintamente por empresas, ONGs, governos.
 
Há muito a fazer. A boa notícia é que não será preciso tirar coelhos da cartola. No Brasil, já temos muitas experiências bem-sucedidas, na rede privada, nas escolas públicas e em projetos sociais, que devem ser compartilhadas. Todas têm um traço em comum: mostram que o problema não está na juventude. Tudo o que os jovens querem é uma escola que lhes ofereça uma oportunidade de mudar o mundo.
 
Claudia Fadel é diretora da Escola Sesc do Ensino Médio e David Holmes é professor.

Frase

"Para 2014, certo mesmo só a incerteza: se as manifestações terão a dimensão das de junho; se a seleção do Felipão vai ganhar a Copa; e se as eleições a presidente se resolverão no 1º turno.
 
 
Chico Alencar, deputado federal PSOL-RJ

Receita de ano novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.



Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

2014: o ano dos vestíveis, da impressão 3D e dos PCs híbridos

Em 2013 apareceram, com certa timidez, os primeiros wearable devices (dispositivos vestíveis), como o Google Glass e o relógio Galaxy Gear. Para o ano que começa, especialistas apontam que a tendência é que a conectividade se aprofunde, não apenas em celulares e computadores, mas em objetos cotidianos.
 
- É a internet das coisas, com objetos conectados sem a interferência do homem. Eletrodomésticos, carros inteligentes, roupas especiais, sensores. A computação saiu dos desktops, foi para as pessoas, agora está nas coisas. Tudo está conectado e isso tende a se aprofundar - diz David Cearley, analista da Gartner.
 
 
O Globo

Fábula de *Esopo

Um inseto se aproximou de um Leão e disse sussurrando em seu ouvido: "Não tenho nenhum medo do Senhor, nem acho que o Senhor seja mais forte que eu. Se o Senhor duvida disso, eu o desafio para uma luta, e assim, veremos quem será o vencedor."
E voando rapidamente sobre o Leão, deu-lhe uma ferroada no nariz. Assim, o Leão, tentando pegá-lo com as garras, apenas atingia a si mesmo, ficando assim bastante ferido, e por fim, deu-se por vencido.
Desse modo o Inseto venceu o Leão, e entoando o mais alto que podia uma canção que simbolizava sua vitória sobre o Rei dos animais, foi embora cheio de orgulho, com ares de superioridade, relatar seu grande feito para o mundo.
Mas, na ânsia de voar para longe e rapidamente espalhar a notícia, acabou preso numa teia de aranha.
Então se lamentou Dizendo: "Ai de mim, eu que sou capaz de vencer a maior das feras, fui vencido por uma simples Aranha."
Moral da História:
Quase sempre, não é o maior dos nossos inimigos que é o mais perigoso.



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*Esopo, o mais conhecido dentre os fabulistas, foi sem dúvida um grande sábio que viveu na antiguidade. Sua origem é um mistério cercado de muitas lendas. Mas, pode ter ocorrido por volta do ano 620 A.C.

Várias cidades se colocam como seu local de nascimento, e é comum que o tratem como originário de uma cidade chamada Cotiaeum na província da antiga Frígia, Grécia.

Acredita-se que já nasceu escravo, e pertenceu a dois senhores. O Segundo, viria a torná-lo livre ao reconhecer sua grande e natural sabedoria. Conta-se que mais tarde ele se tornaria embaixador.

Em suas fábulas ou parábolas, ricas em ensinamentos, ele retrata o drama existencial do homem, substituindo os personagens humanos por animais, objetos, ou coisas do reino vegetal e mineral.
"Gosto dos epitáfios; eles são, entre a gente civilizada, uma expressão daquele pio e secreto egoísmo que induz o homem a arrancar à morte um farrapo ao menos da sombra que passou."
 
 
Machado de Assis
Memórias Póstumas de Brás Cubas

Ipsis verbis

"Deve existir a mais completa liberdade de admitir e discutir como assunto de convicção ética qualquer doutrina, por mais imoral que possa ser considerada."
 
John Stuart Mill

Charge

domingo, 29 de dezembro de 2013

Imagem do dia

 
Anderson Silva fratura perna ao aplicar chute em Chris Weidman em luta do UFC; americano mantém cinturão dos médios

Imagem

O próprio Senhor irá à sua frente e estará com você; ele nunca o deixará, nunca o abandonará. Não tenha medo! Não desanime!
"Papai, eu fecho os olhos e não consigo pegar o sono!"


Meu filho Yan Félix (07 anos) momentos antes de, finalmente, fechar os olhos e adormecer.
A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.
 

Detalhes, detalhes

Há muitas maneiras de se medir progresso, ou pelo menos mudanças históricas, além dos frios números de uma economia ou além da sociologia convencional. Muitas vezes o detalhe que não é notado é o mais revelador.
 
O Marshall McLuhan (lembra dele?) construiu uma tese inteira em cima da importância da invenção do estribo de cavalo na história do Ocidente. O estribo significou que o aristocrata também passasse a participar das batalhas junto com o pobre soldado a pé, com tudo que isso implicava de novo em questões como relações hierárquicas — e de mortandade entre aristocratas.
 
A história das armas de guerra, que no fim é a história da civilização, pode ser medida em detalhes como o aumento da distância possível para se matar um inimigo, começando com o olho no olho e o tacape na mão do tempo das cavernas, passando pela espada, a lança, o arco e flecha, a catapulta, o mosquete, o fuzil, o canhão, o bombardeio aéreo, etc. e culminando no drone teleguiado, o mais longe que se pode chegar do inimigo sem precisar olhar no seu olho.
 
Ainda não foi tema de nenhum tratado sociológico, que eu saiba, mas a diferença entre o status do negro nas sociedades americana e brasileira, uma evidentemente racista e outra pretensamente não, pode ser encontrada em um detalhe, a quantidade de pianistas negros nos Estados Unidos em contraste com quase nenhum no Brasil.
 
O jazz teve duas vertentes, três se você contar os blues: as bandas de rua, que desfilavam, obviamente, sem pianos, e o ragtime, que era jazz exclusivamente de piano, já tocado, lá nas origens, por músicos negros como Jelly Roll Morton.
 
Pianistas negros pressupõem piano em casa, dinheiro para pagar as aulas, tempo para praticar — ou seja, pressupõem uma classe média. Em Nova Orleans e em outras capitais do Sul dos Estados Unidos, em meio ao apartheid oficial, à discriminação aberta, aos linchamentos e outros horrores, desenvolveu-se uma classe média negra, paralela à branca, com identidade e poder econômico próprios.
 
No Brasil do racismo que não se reconhece como tal, e talvez por causa disto, não aconteceu nada parecido.
 
Claro, a história econômica dos dois países explica o contraste, mais do que racismo declarado ou disfarçado, mas neste detalhe a diferença fica clara. No Brasil, como nos Estados Unidos, existem grandes músicos saídos de todas as classes sociais. Mas ainda não produzimos pianistas negros em número suficiente para desmentir a nossa hipocrisia racial.
 
 
Luis Fernando Veríssimo é escritor.

Frase

"Se o objetivo é mudar o mundo para as novas gerações, é preciso assumir riscos.
 
 
Ana Paula Maciel, 31 anos, militante ambientalista que passou dois meses presa e mais 40 dias retida na Rússia

Humor

A mulher resolveu se separar do marido. O juiz perguntou a ela qual seria a principal razão para essa separação do marido Ricardo.
- Compatibilidade de gênios. O juiz estranhou:
- A senhora deve estar querendo dizer incompatibilidade de gênios?
- Não, não.. É compatibilidade mesmo!
- Por favor, explique-se melhor - pediu o juiz.
- Eu gosto de passear, Ricardo também gosta. Eu gosto de ir ao cinema, Ricardo também gosta. Eu gosto de pizza aos sábados, Ricardo também gosta. Eu gosto de homem, o Ricardo a-do-ra!

sábado, 28 de dezembro de 2013

Versículo do dia

Faze-me ouvir a tua benignidade pela manhã, pois em ti confio; faze-me saber o caminho que devo seguir, porque a ti levanto a minha alma.
 
 

O próprio governador do Ceará conserta vazamento em adudora

Moradores de Itapipoca (a 147 km de Fortaleza) presenciaram na última quinta-feira (26) uma cena curiosa protagonizada pelo governador do Ceará.

Sem camisa e de calça, Cid Gomes (Pros) mergulhou em um dos tanques da adutora (tubulação para condução de água) da cidade para tentar consertar um problema de abastecimento de água que atinge o município há um mês.
 

O mergulho foi acompanhado por moradores, que registraram a cena com celulares. Com uma chave inglesa, Cid submerge várias vezes no tanque. Ajeita o cabelo e assoa o nariz antes de novos mergulhos.
 

Cid tentava fechar uma das válvulas de escape da adutora, cuja abertura fazia a água transbordar. Vídeos da cena publicados na internet mostram o governador sendo aplaudido após os mergulhos –segundo a assessoria de Cid, ele conseguiu fechar a válvula.
 

O governador chegou a Itapipoca na segunda-feira (22) para vistoriar os problemas de abastecimento. A obra da adutora, ainda em curso, tem vazamentos no percurso dos açudes até os tanques de abastecimento.

Além de mergulhar no tanque, Cid também carregou baldes de água de carros-pipa e subiu em caixas d’água para vistoriar encanamentos. Com um tablet em mãos, percorreu a obra da adutora anotando pontos de interrupção no fluxo de água.
 

Cid Gomes pediu abertura de um inquérito na Polícia Civil para apurar os problemas na execução da obra, sob a responsabilidade da empresa Primor.

Especialistas avaliam que lei da alienação parental ainda é desconhecida

Brasília – Em vigor desde agosto de 2010, a Lei 12.318, que trata de alienação parental, ainda é uma desconhecida por pais, operadores do direito e entidades de proteção a criança. Essa é a conclusão de especialistas que participaram de audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado.

Eles avaliaram, também, que alguns juízes, escolas e membros de conselhos tutelares não estão preparados para lidar com o problema. Além de maior preparação de operadores do direito e das entidades de proteção a criança e ao adolescente, eles julgaram que a lei precisa ser mais divulgada.
 
Pela legislação é alienação parental fazer campanha de desqualificação do filho contra o pai ou a mãe; dificultar o exercício da autoridade parental; atrapalhar o contato dos filhos com um de seus pais; e criar empecilhos para a convivência familiar. Também é considerada alienação parental apresentar falsa denúncia contra um dos pais ou mudar o domicílio para local distante com o objetivo de dificultar a convivência dos menores com um dos pais, familiares ou com avós.
 
A presidenta do Instituto Brasileiro de Direito de Família (Ibedefan) do Rio Grande do Sul, Delma Silveira Ibias, avaliou que no caso de pais separados, o incentivo a adoção de medidas como a guarda compartilhada pode ser muito positiva. “O Judiciário está fazendo pouco. Temos de ser realistas. A guarda compartilhada tem que ser regra geral nos processos e não exceção”.
 
Ela destacou que, na maioria dos casos, a alienadora é a mãe. Delma Ibias acrescentou que o problema pode começar “antes mesmo do parto e aflora na separação. Além disso, muitas vezes a alienação é inconsciente, e o responsável nem sempre tem a noção do prejuízo que está causando à criança e ao companheiro”.
 
Segundo ela, por questões culturais, a guarda materna ainda é adotada de forma majoritária no país e a divisão, entre pai e mãe, das responsabilidades sobre os filhos ajudaria no equilíbrio da relação. Para punir a alienação parental a lei prevê medidas que vão desde o acompanhamento psicológico até a aplicação de multa, ou mesmo a perda da guarda da criança a pais que estiverem alienando os filhos.
 
Veja a lei de Alienação Parental Clicando aqui
 
 
 Karine Melo
Repórter da Agência Brasil
 
 
 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Em 1990 a AEUP tocava I Wish It Would Rain Down


Hora do recreio

Um burro morreu bem em frente duma Igreja e, como uma semana depois, o corpo ainda estava lá, o padre resolveu reclamar com o Prefeito.
- Prefeito, tem um burro morto na frente da Igreja há quase uma semana!
E o Prefeito, grande adversário político do padre, alfinetou:
- Mas Padre, não é o senhor que tem a obrigação de cuidar dos mortos?
- Sim, sou eu! - respondeu o padre, com serenidade. - Mas também é minha obrigação avisar os parentes!
 
 
Pescado do face de Daniel Lá Do Paiva

Charge

Frase

Jamais haverá ano novo se continuar a copiar os erros dos anos velhos.
 
Luís de Camões

Fábula de Esopo

Um Lobo, que acabara de roubar uma ovelha, depois de refletir por um instante, chegou à conclusão, que o melhor seria levá-la para longe do curral, para que enfim, fosse capaz de servir-se daquela merecida refeição, sem o indesejado risco de ser interrompido por alguém.
No entanto, contrariando a sua vontade, seus planos bruscamente mudaram de rumo, quando, no caminho, ele cruzou com um poderoso Leão, que sem muita conversa, de um só bote, lhe tomou a ovelha.
O Lobo, contrariado, mas sempre mantendo uma distância segura do seu oponente, disse em tom injuriado, com uma certa dose de ironia: "Você não tem o direito de tomar para si aquilo que por direito me pertence!"
O Leão, sentindo-se um tanto ultrajado pela audácia do seu concorrente, olhou em volta, mas, como o Lobo estava longe demais, e não valia a pena o inconveniente de persegui-lo apenas para lhe dar uma merecida lição, disse com desprezo: "Como pertence a você? Você por acaso a comprou, ou por acaso, terá o pastor lhe dado como presente? Por favor, me diga, como você a conseguiu?"
Moral da História:
Aquilo que se consegue pelo mau, pelo mau se perde.

Moral da História 2:
Um aparente benefício que se obtem sem crédito, logo se tornará débito.

Charge de Amarildo

Autoridades fazem 1.456 voos em jatinhos da FAB em seis meses

Um levantamento feito pela rádio CBN mostra que, desde julho, quando a Força Aérea Brasileira começou a divulgar as informações sobre o uso de jatinhos da FAB por autoridades, já foram feitas 1.456 viagens, o que representa uma média de 240 voos por mês. Os destinos são variados e incluem desde um país no exterior, como Venezuela, aos extremos do País, do Oiapoque ao Chuí.
 
O campeão de milhagem em voos da FAB é o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que usou as aeronaves em 76 oportunidades. Em seguida está o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, com 74 voos, seguido por Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, com 66.
 
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Terra

"As pessoas nascem com as palavras que lhes pertencem na barriga, e morrem quando as disserem todas."
 
[Da sabedoria africana, conduzida por Teolinda Gersão]

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Brasil adotar novo limite para pressão arterial 15 por 9

Há trinta anos, os médicos preconizam que a pressão arterial de um paciente fique abaixo de 14 por 9.

Um artigo recém publicado por pesquisadores americanos sugere que essa medida passe a ser de 15 por 9 para pessoas com mais de 60 anos. A mudança pode resultar em uma considerável redução do número de pacientes que fazem uso de medicamentos para diminuir a pressão arterial.
 
Embora as mudanças tenham sido sugeridas nos Estados Unidos, é provável que elas sejam adotadas no Brasil.
 
"Nós usamos as diretrizes americanas e europeias como um norte para as nossas. A tendência é seguirmos a mesma linha", diz o cardiologista Luiz Bortolotto, diretor da Unidade Clínica de Hipertensão do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da USP (Incor). O médico vai coordenar as novas diretrizes brasileiras sobre pressão arterial, que devem ser lançadas no ano que vem – as últimas saíram em 2010.

As orientações ainda devem levar uns meses para chegar aos pacientes brasileiros — segundo Bortolotto, as diretrizes americanas não serão adotadas imediatamente. As mudanças tampouco significam que todos os idosos com pressão menor do que 15 por 9 não precisem mais tomar remédios hipertensivos. "Uma diretriz funciona como um guia, mas todo o tratamento precisa ser individualizado", explica o cardiologista.

Proibido para menores As recomendações se basearam nos resultados de uma série de estudos feitos nos últimos anos. Os especialistas não encontraram benefícios em reduzir a pressão para menos de 15 em pessoas acima de 60 anos. Para pacientes mais jovens, diabéticos e portadores de doenças renais, ainda não há evidências de que a medida deva ser adotada – motivo pelo qual as novas recomendações se restringem aos mais velhos.

"A pressão sistólica (máxima) do idoso aumenta em decorrência do enrijecimento do vaso, algo que acontece naturalmente com todos que envelhecem. Muitas vezes, porém, a pressão diastólica (mínima) passa a ser mais baixa do que o normal. Assim, tentar reduzir a pressão arterial de forma muito agressiva pode, em alguns casos, diminuir muito a diastólica e oferecer mais prejuízos do que benefícios", diz Bortolotto.

Além disso, explica o cardiologista, os idosos são mais tolerantes a uma pressão um pouco mais elevada do que os jovens, e podem sofrer efeitos adversos perigosos com uma pressão muito reduzida – incluindo tontura acentuada e risco de isquemia. "É aceitável uma pressão arterial pouco mais elevada entre idosos, mas dentro de limites estabelecidos por diretrizes como essas", diz Leopoldo Piegas, cardiologista do Hospital do Coração (HCor).

As novas orientações foram feitas por 17 especialistas nomeados pelo governo americano. Elas ainda não são oficiais — as diretrizes da Associação Americana do Coração e do Colégio Americano de Cardiologia devem ser atualizadas no fim de 2014.

Especialistas ouvidos pelo jornal americano The New York Times não souberam precisar quantas pessoas que hoje tomam medicamentos para reduzir a pressão poderiam deixar de fazê-lo. Mas, segundo o presidente da Sociedade Americana da Hipertensão, William White, milhões de pessoas acima de 60 anos têm pressão sistólica entre 14 e 15.


Fonte: Revista Veja
"Há diversos tipos de curiosidade; uma de interesse, que nos leva ao desejo de aprender o que nos pode ser útil, e outra, de orgulho, que provém do desejo de saber o que os outros ignoram."
 
Autor - Addison , Joseph
Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido.
 
Fernando Pessoa

"Pracas"

 
 
 

Eu detesto o Brasil

Falo aqui, de vez em quando, desses blogs de estrangeiros que moram no Brasil e comentam, com seu ponto de vista peculiar, nossos hábitos, nossa cultura, nossos valores. Em geral são comentários positivos, afinal quem vem de fora para morar aqui geralmente é porque gosta. Aconselho uma olhada nesta página (http://bit.ly/18ZkuAM) onde o autor anuncia suas “20 Razões Por Que Detesto Morar no Brasil”, que depois os leitores aumentaram até 66. Umas são tolices, outras são preconceituosas, outras são cobertas de razão. (O maior erro, comum nestes casos, é a generalização, dizer “os brasileiros” dando a entender, ao lado de fora, que TODOS os brasileiros são assim.)

Concordo, p. ex., com: “Os brasileiros não respeitam o meio ambiente. Derramam toneladas de lixo em qualquer lugar, a sujeira é inacreditável, as ruas são sujas mesmo. Os recursos naturais são abundantes mas estão sendo desperdiçados numa velocidade assombrosa.” “Os brasileiros têm um sistema de classes muito marcado. Os ricos têm uma noção dos próprios direitos que beira a caricatura. Acham que as regras não se aplicam a eles, que estão acima das leis.” “Serviços práticos são de baixa qualidade: janelas, portas, dobradiças, encanamento, eletricidade, calçadas, tudo é construído com o menor esforço possível”. “Carros passam à noite tocando música tão alto que meu prédio estremece.” “As pessoas compram a prazo equipamentos caríssimos que irão quebrar antes de serem pagos por completo”. “As janelas não têm telas anti-mosquitos. Ao que parece é uma tecnologia incompatível com a infraestrutura atual. Pontes suspensas tudo bem, mas pedir telas é pedir demais.”

Por outro lado, certas queixas mostram o quanto é difícil viver no meio de outra cultura, seja ela qual for. O cara diz: “Os brasileiros permanecem muito próximos, tanto emocional quanto geograficamente, das suas famílias de origem. Isto não é necessariamente um defeito, mas é algo que não suporto, porque me deixa desconfortável e afeta meu casamento. Brasileiros adultos nunca cortam o cordão umbilical com sua família de origem (especialmente com as mães) que continuam a se envolver em sua dia, seus problemas, decisões, atividades, etc. Como dá para imaginar, isso é ainda mais difícil para um cônjuge de outra cultura, onde vivemos em famílias nucleares e temos uma dinâmica diferente com nossas famílias de origem.” Mais uma vez, é algo que não vale para todo mundo, mas de fato o conceito de proximidade familiar que cultivamos é próximo do conceito dos portugueses ou italianos. Indivíduos criados em outros sistemas de relações familiares devem ficar malucos casando no Brasil.
 
 
Bráulio Tavares
Mundo fantasmo

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

A última noite de natal

Os grandes olhos claros e aguados boiavam na sombra nevoenta, cheios de espanto. Esfregou-os, arrastou-se pesado e entanguido, mal seguro à bengala,sentou-se num banco do jardim, fatigado, suspirando, examinou a custo os arredores. Gastou uns minutos passeando as mãos desajeitadas na gola do casaco. 0 exercício penoso enfureceu-o. Resmungou palavras enérgicas e incompreensíveis, esforçou-se por dominar a tremura. Com certeza era por causa do frio que os dedos caprichosos divagavam no pano esgarçado e os queixos banguelos se moviam continuamente. Era por causa do frio, sem dúvida. Se conseguisse abotoar o casaco e levantar a gola, os movimentos incômodos cessariam.

Em que estava pensando ao chegar ali? Ia jurar que pensava em coisas agradáveis. Ou seriam desagradáveis? Pedaços de recordações incoerentes dançavam-lhe no espírito, acendiam-se, apagavam-se, como vaga-lumes, confundiam-se com os letreiros verdes, vermelhos, que se acendiam e apagavam também quase invisíveis na poeira nebulosa. Tentou reunir as letras, fixar a atenção nas mais próximas, brilhantes, enormes.

A igreja toda aberta resplandecia. O incenso formava uma neblina perturbadora. E, através dela, os altares refugiam como sóis, a luz das velas numerosas chispava nas auréolas dos santos.

Que doidice ! Não é que estava imaginando ver ali, nas transitórias claridades, a igreja vista sessenta anos antes? Tresvariava. Sacudiu a cabeça, afastou a lembrança importuna. De que servia desenterrar casos antigos, alegrias e sofrimentos incompletos?

O que devia fazer... Pôs-se a mexer os beiços, procurando nas trevas úmidas e leitosas que o envolviam o resto da frase. O que devia fazer... Repetiu isto muitas vezes, numa cantilena, distraiu-se olhando a chuva amarela, verde, vermelha, dos repuxos. Impossível distinguir as cores. Ultimamente a cidade ia escurecendo. As pessoas que transitavam junto aos canteiros sem flores eram vultos indecisos; .os prédios se diluíam nas ramagens das árvores, manchas negras; os letreiros vacilantes não tinham sentido.

O que devia fazer... De repente a idéia rebelde surgiu. Bem. Devia meter os botões nas casas e agasalhar o pescoço. Depois cruzaria os braços, aqueceria as mãos debaixo dos sovacos, ficaria imóvel e tranqüilo. Mas os dedos finos e engelhados avançavam, recuavam, não havia meio de governá-los. Se pudesse riscar um fósforo, chegá-lo a um cigarro, esqueceria os inconvenientes que o aperreavam: o frio, a dureza das juntas, o tremor, a zoeira constante, sussurro de maribondos assanhados. Dores errantes andavam-lhe no corpo, entravam nos ossos e vinham à pele, arrepiavam os cabelos, fixavam-se nas pernas, esmoreciam.

Agora não estava no banco do jardim, perto das estátuas, das árvores, do coreto, dos esguichos coloridos. Estava longe, a sessenta anos de distância, ajoelhado na grama, diante da igreja da vila. Os rostos embotados, que se dissociavam, juntaram-se no largo onde um padre velho dizia a missa da meia-noite. Fervilhavam matutos em redor das barracas, num barulho de feira, e uma sineta badalava impondo em vão respeito e silêncio. Os cavalinhos rodavam. Esgueiravam-se casais pelos cantos. O padre velho dirigia olhares fulminantes àquela cambada de hereges. Uma figura pequenina cantava os hinos ingênuos, de versos curtos, fáceis. Tudo parecera de chofre muito sério, eterno. Os hinos capengas elevavam-se, estiravam-se. A mulher tinha um rosto de santa e exigia adoração. Sessenta anos. As fachadas enfeitavam-se com lanternas de papel, janelas escancaradas exibiam presépios, listas de foguetes cortavam o céu negro. A sineta badalava, zangada. E o burburinho da multidão não diminuía.

Sessenta anos. Da cinza que ocultava os olhos frios saltou uma faísca; os alfinetes pregados na carne trêmula embotaram-se; o espinhaço curvo endireitou-se; um débil sorriso franziu os beiços murchos; os braços ergueram-se lentos, buscando a imagem de sonho.

Imagem de sonho, que doidice! Era apenas uma bonita criatura de bom coração. Ligara-se a ela. E dezenas de vezes tinham-se os dois ajoelhado ali na grama, olhando as lanternas, os presépios, os foguetes, o padre que dizia a missa da meia-noite. Algumas esperanças, muitos desgostos. Os meninos cresciam, engordavam. E no jardim da casa miúda um jasmineiro recendia.

Depois tudo fora decaindo, minguando, morrendo. Achara-se novamente só. Os filhos e os netos se haviam espalhado pelo mundo. Agora... Que extensa caminhada, que enormes ladeiras, pai do céu ! Já nem se lembrava dos lugares percorridos.

Conseguiu abotoar o casaco e levantar a gola.

Andar tanto e afinal chegar ali, arriar num banco, não perceber as letras que se acendiam . e apagavam.

Certamente àquela hora, diante duma igreja aberta, outro homem novo admirava outra pessoinha ajoelhada, sentia desejos imensos, formava planos absurdos. Os desejos e os planos iam desfazer-se como a. fumaça luminosa dos repuxos.
 
 
Graciliano Ramos
 
(20 de dezembro de 1941).
 

Texto extraído do livro “Linhas Tortas”, Editora Record – Rio de Janeiro, 1983, pág. 222.


1.700 apenados na Paraíba foram liberados para passar o natal em Casa

A Secretaria de Administração Penitenciária informou nesta segunda-feira (23/12) que “1.700” presos dos regimes aberto e semiaberto da Paraíba receberam benefício de saída temporária neste Natal.

 “A volta está prevista” para a tarde de quinta-feira, dia 26 de dezembro.
...

Em João Pessoa foram liberados aproximadamente 500 homens e mulheres.


 Em Campina Grande o número de beneficiados chega a 200 apenados.

O coronel Arnaldo Sobrinho, Gerente do Sistema Penitenciário, disse que "o juiz libera todos os presos dos regimes aberto e semiaberto, exceto aqueles que por alguma razão cumprem medida disciplinar, seja por falta ou outra infração. Estes permanecem recolhidos e têm o direito suspenso”.
 
 
Do face de Gutemberg Cardoso

Versículos do dia

O Senhor é o meu pastor, nada me faltará.
Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranqüilas.
Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome.
Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.
Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.
Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do Senhor por longos dias.

Que presente dar

A vida é breve; brevíssima. Eis que o Natal, de novo, chega. Se outrora a vida nos parecia mais longa, não se deve a que as pessoas morriam mais cheias de anos. Pelo contrário. Hoje, nossa idade média dilata-se graças aos avanços da medicina, do saneamento público, dos excessivos cuidados com o corpo, propalados e propagados.
 
Tudo faz mal à saúde, do cigarro ao ar que se respira, do sedentarismo aos alimentos envenenados pelos pesticidas. Até que se descubra como viver sem comer e respirar, vamos sobrevivendo entre percalços e esperanças.
 
Antes, os dias tinham ritmo cadenciado. Cada coisa no seu lugar — a casa, a cidade, o país, o mundo. E no seu tempo: infância, estudo, juventude, casamento, trabalho, aposentadoria. Hoje, tudo se embaralha.
 
O mundo invade nosso lar pela tela de TV, as crianças presenciam atos sexuais antes de saberem o que é sexo, a publicidade exacerba o apetite insaciável do desejo. São tantos os apelos, as seduções e as preocupações que o tempo se nos faz breve.
 
Outrora, se um parente adoecesse em outra região do país, a notícia chegava em doses homeopáticas, via correios. Agora o celular nos alcança no banheiro e na rua, no bar e na igreja. Não há tempo nem espaço.
 
Estamos condenados à simultaneidade. Em um único momento somos exortados ao prazer e à dor, à alegria e à tristeza, ao afeto e à indiferença.
 
Quando menos esperamos, as festas natalinas se acercam. O que suscita, no fundo da alma, um certo pânico. Não pelo significado do Natal, perdido nos porões da memória e escondido nos desvãos do sentimento religioso.
 
Falo daquela sensação que o gado experimenta remetido ao matadouro. Rumam todos num empurra-empurra, como se disputassem o privilégio de morrer primeiro. Já não são bois e vacas, mas rebanho condenado ao atavismo de trilhar o caminho do próprio suplício.
 
Assim vamos nós, manada humana, rumo ao consumismo, cientes de que nos arrancarão o dinheiro e a alma. Bombardeados pela publicidade, ornada com sinos, velas, neves de algodão e belas Mamães Noéis, somos impelidos a comprar o que não necessitamos e a gastar o que não podemos.
 
Como é tempo de férias, há que programar a viagem, a praia, o sítio, arrumar e desfazer malas, enfrentar a maratona dos supermercados (leve um livro para ler na fila do caixa) e suportar os engarrafamentos na cidade e na estrada. E os shoppings?
 
Ah, os shoppings! São os templos da concupiscência — palavra grega que bem expressa esse sentimento ambíguo de atração e repulsão. Entra-se fissurado e sai-se aliviado.
 
Por que o imperativo de dar presentes no Natal? A central única dos consumidores deveria decretar uma greve geral ao consumo. Em plena época de Natal. Não se compraria mais do que em outros meses do ano. E, em vez de presentes, daríamos carinho, atenção, alegria, apoio, solidariedade.
 
Os pais levariam os filhos aos hospitais para doarem, no valor dos presentes, algo indispensável aos doentes mais pobres. A família ofertaria uma cesta básica a outra carente. Seriam presenteados os sofredores de rua, os presos, os loucos, os que se tratam de dependências químicas, os portadores do vírus da Aids e os que vivem sem terra, sem teto e sem pão.
 
Trocar-se-ia Papai Noel pelo Menino Jesus, o shopping pela igreja, a mercadoria pela compaixão. Aquecidos pela fé, celebraríamos assim uma verdadeira festa, aquela que, no dia seguinte, não deixa ressacas de farturas, faturas e fissuras, mas enche o coração de júbilo.
 
Frei Betto é escritor.
Do Blog do Noblat

Happy Christmas



Não há vagas

O menino-Deus veio ao mundo num quadro de extrema humildade e despojamento. Um pobre carpinteiro sai com sua mulher de Nazaré e viaja primitivamente até Belém, para cumprir uma disposição legal do Império – o recenseamento. Estando ali – como diz o Evangelista – aconteceu completarem-se os dias em que Maria devia dar à luz. E deu à luz o seu filho primogênito, e o enfaixou, e o reclinou numa manjedoura; porque não havia lugar para eles na estalagem.
 
Cristo assume assim obscuramente o seu destino humano. Entra no tempo e na história pela porta da maior modéstia. O carpinteiro, sua mulher grávida obrigada a uma penosa viagem, a falta de lugar nas estalagens – tudo fala eloquentemente de uma pobreza singela e anônima. A primeira lição, pois é a do desprendimento absoluto, da absoluta pobreza.
O Natal soa, por isso mesmo, em nosso mundo de 1966, como um escândalo, só comparável àquele outro escândalo que encerra o ciclo do Redentor da terra – a morte na cruz. Que sentido terá, para a nossa mentalidade destes dias, essa estranha festa da esperança, que nos convida a renascer segundo valores que negam e repudiam os critérios dominantes?
Num mundo dominado pelo sentimento do lucro e da competição, como entender a mensagem e o mistério que se desprendem da humilde gruta de Belém? Num mundo que devassa o cosmos, que se prepara orgulhosamente para a conquista da Lua, que planifica a família, raciocina eletronicamente, prega o “birth-control”, ri-se da virgindade e exalta a pílula anticoncepcional, que lição encerra o nascimento de um Menino reclinado numa manjedoura? Um carpinteiro dócil a uma vontade que vem do alto, um carpinteiro sem poder aquisitivo e uma virgem que ouve vozes e fala com anjos... – como esse quadro parece distante da automação e dos cérebros eletrônicos, dos foguetes intercontinentais e da técnica da “mass-communication”! 
Talvez por isso a gruta se entulhe, hoje, de guizos e quinquilharias, para disfarçar o anacronismo meio bucólico e certamente subdesenvolvido em que é difícil identificar o sentido e o símbolo transcendentes que a Natividade encerra. Aos olhos infantis de hoje, que é o presépio ao lado do maravilhoso trenzinho elétrico? Que atrativo tem essa história ao lado do fascinante autorama?
São Francisco, que é um personagem antigo, anterior à industrialização e ao planejamento, queria que os pobres e os mendigos fossem cumulados de presentes no dia do Natal. O pobrezinho de Assis recomendava que se desse uma ração suplementar de aveia e feno aos bois e aos burros para comemorar o Nascimento. E contam os seus biógrafos que muito sonhou com uma audiência com o Imperador, para pedir-lhe um édito que mandasse semear alimento, ao longo das estradas, para os seus irmãos passarinhos. Que coração insensato pediria hoje um ato institucional fundado na misericórdia e no perdão?
De repente, o Menino ficou antigo como uma écloga virgiliana e, como há 1966 anos, não há lugar nas estalagens. A pobre família de Nazaré continua mergulhada na obscuridade e o Papai Noel que vende eletrodomésticos pelo crediário nunca ouviu falar numa remotíssima gruta de Belém, com um boi e um burro que o cavalo-vapor tornou obsoletos.
Não há vagas – dizem as tabuletas que o meu momentâneo pessimismo vê pregadas em todas as portas. Algo mais forte, porém, me diz que contra toda evidência e contra todas as portas fechadas, no fundo do coração humano subsiste a esperança. E é dela que fala o Natal.
Otto Lara Resende