terça-feira, 31 de julho de 2012

Você é insubstituível?

O CEO nervoso fala com sua equipe de gestores. Agita as mãos mostra gráficos e olhando nos olhos de cada um ameaça: "ninguém é insubstituível". A frase parece ecoar nas paredes da sala de reunião em meio ao silêncio. Os gestores se entreolham, alguns abaixam a cabeça. Ninguém ousa falar nada.

De repente um braço se levanta...

- Alguma pergunta? – E o CEO se prepara para triturar o atrevido.

- Tenho sim. E o Beethoven?

- Como? – O CEO encara o gestor confuso.

- O senhor disse que ninguém é insubstituível e quem substitui o Beethoven?

Silêncio...

- Quem substitui Beethoven? Tom Jobim? Ayrton Senna? Ghandi? Picasso? Santos Dumont? Monteiro Lobato? Elvis Presley? Os Beatles? Jorge Amado? Tiger Woods? Albert Einstein?

Todos esses talentos marcaram a história e portanto são insubstituíveis. Cada ser humano tem sua contribuição a dar e seu talento direcionado para alguma coisa. Está na hora dos líderes das organizações reverem seus conceitos e começarem a pensar em como desenvolver o talento da sua equipe focando no brilho de seus pontos.

Se você ainda está focado em "melhorar as fraquezas" de sua equipe corre o risco de ser aquele tipo de líder que barraria Garrincha por ter as pernas tortas, Albert Einstein por ter notas baixas na escola, Beethoven por ser surdo e Gisele Bündchen por ter nariz grande.

 
Professor Menegatti

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Despi devagar o calor de dizer o teu nome
no silêncio do quarto
o aconchego de se ainda voltasses
abre-se em palavras surdas
depois de improviso percorro a solidão
ao espelho
como se, ao olhar muito, te visse
preso na pele dos dedos
inacabado e à deriva nos meus olhos»

 
[Maria Sousa, Exercícios para endurecimento de lágrimas, Língua Morta, Dezembro 2010]



Urgente: Flamengo contrata reforços vindo do Japão

Depois da goleada sofrida para o São Paulo no último domingo a diretoria do Flamengo agiu rápido. Colocou a mão no bolso e fez duas contratações de peso.

Tá vindo ai dois grandes reforços para o meu querido mengão. Trata-se de um meia armador e um centroavante, ambos do Japão. Trata-se de TO KAINO e MI AKUDA.

Como bom flamenguista, aguardo ancioso a chegada desses dois reforços, antes que a vaca vá pra o brejo!!!


Teófilo Júnior

Versículo do dia

E ele muda os tempos e as estações; ele remove os reis e estabelece os reis; ele dá sabedoria aos sábios e conhecimento aos entendidos.

Daniel 2:21

Dominação

"O mais forte e inerente traço da dominação essencial consiste em que os dominados não sejam reprimidos ou mesmo desprezados, e sim, o contrário, que eles consigam oferecer o seu serviço, no interior do território do comando, para o asseguramento permanente da dominação. O levar à ruína é determinado pelo escopo de que os que caem permaneçam de certo modo de pé, mas não por cima."

(Heidegger, Martim; Parmênides, pag.72; Editora Vozes 2008)

 
Enviado pelo leitor e amigo Eufrásio Torquato de Araújo Júnior

Para sempre


Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
─ mistério profundo ─
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, de velho embora,
será pequenino
feito grão de milho

(Carlos Drummond de Andrade)
*Indicação do amigo e leitor Adauto Neto
"Era feliz na companhia de si próprio, desde que soubesse quando essa solidão terminaria."

(Julian Barnes)
O sertanejo ainda não está acostumado com essas coisas de mulher namorar com mulher e por isso a Delegacia Regional da Polícia Civil de Patos está tendo um trabalho danado para convencer o pai de uma menor de 17 anos a não matar a filha porque ela está amando uma outra pessoa do mesmo sexo. A amada da filha do cidadão atende pelo nome de Maria da Conceição e tem 23 anos. Foi ela que levou o caso a polícia, depois de ambas receberem ameaça de morte. Maria jura que pretende assumir a menor, tornar-se sua marida com todas as prerrogativas e, quando isso acontecer, duvida que o pai da dita cuja se meta com elas, pois a partir da sua atitude o homem da casa será ela. Sim, Maria também pretende levar a amada para sua casa em Cajazeirinha.



*Íntegra do Blog do Tião Lucena

Sessão Saudade - Agonia (Oswaldo Montenegro)

Reblogged from daniela64
(Source: muluck)

Frase

"[O mensalão] foi o mais atrevido e escandaloso esquema de corrupção e de desvio de dinheiro público flagrado no Brasil."

Roberto Gurgel, Procurador Geral da República

sábado, 28 de julho de 2012

Cuidado com os julgamentos que você faz

O folclore alemão conta a história de um homem que, ao acordar, reparou que seu machado desaparecera.

Furioso, acreditando que seu vizinho o tivesse roubado, passou o resto do dia observando-o.

Viu que tinha jeito de ladrão, andava furtivamente como ladrão, sussurrava como um ladrão que deseja esconder seu roubo.

Estava tão certo de sua suspeita que resolveu entrar em casa, trocar de roupa e ir até a delegacia dar queixa.

Assim que entrou, porém, encontrou o machado que sua mulher havia colocado em outro lugar.

O homem tornou a sair, examinou de novo o vizinho, e viu que ele andava, falava e se comportava como qualquer pessoa honesta.

Comunicação é tudo

Rui Barbosa, ao chegar em casa, ouviu um barulho estranho vindo do seu quintal. Chegando lá, constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus amados patos, disse-lhe:

- Oh, bucéfalo anácrono! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica bem no alto do píncaro de tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à qüinqüagésima potência cairás cadavérico que o vulgo denomina nada.

E o ladrão, confuso, diz:

- Dotô, resumindo, eu levo ou deixo os patos?

Ela tem um amante. O que fazer?

Fico feliz quando meus conselhos sentimentais dão certo. Muito feliz, pois crente que a felicidade é mercadoria de varejo, nunca de atacado.

Não sei se vocês, meus incríveis 12 fiéis leitores, lembram. Nem eu me recordava direito.

O certo é que aconselhei, há séculos, um homem que penava horrores por causa de uma traição. Ele cumpriu à risca os meus conselhos e, pasme, a desalmada voltou.

Agora os dois vivem uma espécie de IPHAN do amor, restauraram a lua de mel e outras ruínas. Convidaram este faminto e sedento cronista (dá-me vinho que a vida é nada) para um jantar na casa deles. Foi lindo.

Repito, abaixo, o meu conselho, que serve, inclusive, para o arrasado rapaz do “Crepúsculo” e para outros que rastejam com suas dores amorosas.

***

O leitor aflito me escreve. Quer ajuda, conselhos, alguma filosofia de consolação, ombro, ouvidos… Invoco a Miss Corações Solitários que costuma fazer morada nesta pobre caveira envelhecida em barris de bálsamo.

Não posso deixá-lo a mascar o jiló do abandono. Está desconsolado, como o Sizenando de Rubem Braga, que viu a amada cair nos braços de um playboy. Um idiota que não sabia sequer uma palavra de esperanto.

A vida é triste, Sizenando, como soprou-lhe o cronista.

Com Amaro, chamemos assim o nosso ensaio de Bentinho, não foi diferente.

Quis o destino parafusar-lhe objetos pontiagudos à testa.

Sim, ela tem um amante. Daqueles amantes que se encontram à tarde, num intervalo qualquer, no recreio da vida chata.

Nem foi preciso contratar o detive particular, conta-me o nosso Amaro. Ele mesmo fez as vezes de cão farejador de sua própria desgraça.

Que fazer?, indaga, num email no qual até a arroba bóia em poças de lágrimas.

Mato o desgraçado?

Tiro a vida da desalmada?

Vou-me embora pra Tegucigalpa?

Salto mortal da ponte Buarque de Macedo?

Um trágico, esse rapaz. Como os de antigamente. Amaro é do tempo em que os homens coravam. Ainda tenho vergonha na cara, envaidece-se o próprio.

Sossega, Amaro.

O melhor que fazes, respondi ao marido em fúria, é sumir por uns dias, inventar uma viagem, e dar todo tempo do mundo ao infeliz desse amante.

Banalizar o amante, meu caro e bom Amaro.

Entendeste?

Deixar que eles durmam e acordem juntos. Que tenham seus problemas, que percam o luxo dos encontros fortuitos e vespertinos, que se esbaldem.

É necessário deixar a Bovary sentir o bafo matinal da rotina.

A vida dos amantes dura porque eles só vivem as surpresas e valorizam cada minuto do relógio que põem sobre a cabeceira daquele motel barato.

Nada mais cruel para o amante da tua mulher que presenteá-lo com o pão-com-manteiga do dia-a-dia. A rotina é o cavalo de tróia do amor.

Amaro, nada de violência ou besteiras desse naipe.

Ao amante, todas as chances do mundo. Ao amante aquela D.R., a famosa discussão de relação, em plena TPM.

Um amante nunca sabe o que venha ser uma mulher sob o domínio da TPM. Ela faz questão de reservar todos os direitos desse ciclo ao pobre marido.

Ao amante, Amaro, a tapioca fria e sem recheio da rotina do calendário.

Ao amante, Amaro, a falta de assunto.

Ao amante, os cabelos revoltos da mulher, naqueles dias em que nem mesmo ela se agüenta ou encara o espelho. Naqueles dias em que os cabelos brigam com as leis do cosmo e não há pente ou diabo que dê jeito.

Some, Amaro, depois me conta.

 
Xico Sá

Cidade


Cidade,
Cada um inventa a sua.

Há quem a descreva rubra,
negra, lilás, gris, solar,
repleta ou despovoada,
punhal ou regaço
- quase sempre encoberta
pela densa pátina que enevoa
a memória
ou pelas cores febris da fantasia.

Cidade é tão só um jeito
de se ver e de ver-se,
um jeito de esquecer
e de lembrar.


(Poema de Sidney Wanderley, do livro Dias de sim, Imprensa Oficial Graciliano Ramos, 2012. Transcrito da revista Metáfora, ano 1, n. 10, jul./2012, seção "Retrato Falado", p. 66.)

Sugestão do amigo Adauto Neto
Não estou convencida de que alguém queira ser escritor se essa pessoa não lê.

Não creio também que o problema seja a necessidade de ler mais; acredito que essas pessoas precisem rever suas metas na vida. A leitura é uma espécie de nutrição que permite você produzier um trabalho interessante. Ler coisas boas. Sinto que você deve ler aquilo que você gostaria de escrever. Nada menos que isso.


(Jennifer Egan, escritora norte-americana que esteve na Flip 2012. Transcrição da revista Metáfora, ano 1, n. 10, jul./2012, seção "Frases", p. 7.)


Indicação e sugestão de postagem do amigo Adauto Neto

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Hoje serei suscinto nas postagens deste blog. Estou exausto. De perna bamba ! Também pudera: ela me dominou, me jogou na cama, me trouxe calafrios, mexeu com a minha temperatura e me deixou alucinado. - Maldita gripe!



MPB 4 - A lua

Reblogged from darxoul
(Source: scarflove)

Hindi Zahra canta Imik Simik

Quem não tem cão caça com gato II

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Ostentação - O culto às marcas


A hipervalorização de bens ditos “de marca” é uma característica das sociedades contemporâneas. Delas advém a distinção como forma de poder que fascina tanto ricos quanto pobres no cenário da dessubjetivação partilhada por todos, da loja de luxo ao camelódromo das falsificações.

A questão da distinção guarda em seu fundo um aspecto mais tenebroso, concernente ao presente da condição subjetiva da vida dos usuários devorados pelas antipolíticas autodestrutivas do consumismo transformado em regra.

Zerada a intersubjetividade que se definia na interação afetiva e comunicativa entre pessoas, o que resta são as coisas – e as pessoas como coisas – que podem ser compradas. Diga-se de passagem que as pessoas não compram coisas, mas sinais que informam sobre um capital simbólico. Coisificação da consciência é o nome velho para o fenômeno em que a concretude das coisas é substituída pela abstração da insígnia.

A fascinação de tantas pessoas por roupas, carros e até eletrodomésticos ditos “de marca” em nossa época é a declaração auto-exposta da morte do sujeito. Espantalhos de uma ordem que previu o assassinato do desejo, do pensamento e da liberdade – conjunto do que aqui chamamos de subjetividade – são incapazes de compreender seu descarado simulacro.

A morte por assassinato da subjetividade é percebida na redução do indivíduo a uma espécie de morto-vivo em três tempos. 1 – A destituição do direito ao próprio desejo: a publicidade colonizou a capacidade de sentir e projetar a autobiografia de cada um que é apagada na encenação da “vida fashion”. 2 – A desaparição da possibilidade de pensar: a publicidade oferece os jargões e slogans a serem repetidos sob a ilusão de ideias próprias. 3 – O direito à ideia-prática da liberdade é extirpado: resta o simulacro da escolha entre uma marca e outra. A ação torna-se acomodação ao mesmo de sempre.

A escolha entre o nada e a coisa nenhuma é bem disfarçada no poder de ostentar que promete redimir do buraco subjetivo. Não tendo mais o que expressar, alguém simplesmente “ostenta” um relógio caro, um computador moderninho, um carrão oneroso. Ou um piercing, um músculo forte. Tudo e cada coisa é reduzida à marca, emblema do capital e seu poder na era do Espetáculo.

Cultura da falsa expressão

Podemos dizer que a ostentação é a cultura da pseudo-expressão no tempo das marcas. Se o poder de ostentar é proporcional ao esvaziamento da expressão, resta perguntar o que foi feito dessa potência humana? Ora, a expressão é fator subjetivo que se cria em um contexto social e político em que está em jogo a capacidade de “dizer alguma coisa”, de “dizer o que se pensa”, o que se “deseja”.

Só que fomos privados da expressão com a derrocada da formação de sujeitos desejantes, reflexivos e livres. Se as pessoas não dizem o que pensam, é porque a capacidade de pensar e dizer lhes foi extirpada. No lugar, podem travestir-se com a insígnia do poder fundamentalista das marcas da religião capitalista. A cruz para Cristianismo, a Estrela de Davi para o Judaísmo, a Lua Crescente para o Islamismo e uma marca famosa para o servo fiel do capital.

Os jovens são as principais vítimas dessa violência. Que sejam o “público alvo” quer dizer que são a presa fácil para um tiro certeiro. Os rebanhos de zumbis nikezados, abercrombizados, macdonaldizados, são arregimentados no exército de otários das massas manobradas, paramentados para o grande sacrifício sem ritual do capitalismo, em que a subjetividade é diariamente morta a pauladas.

A saída é a arte, a poesia, a negação ativa contra o uso e o consumo de marcas. A prática anti-capitalista é um ateísmo e começa com a recusa aos seus deuses como simples profanação cotidiana.

 
Márcia Tiburi
(Publicado originalmente na revista Cult)
Vem cá ?

Nordestinidade


(...)
O idioma ia ser nordestinense
A bandeira de renda cearense
"Asa Branca" era o hino nacional
O folheto era o símbolo oficial
A moeda, o tostão de antigamente
Conselheiro seria o inconfidente
Lampião, o herói inesquecido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

(...)

(Nordeste Independente)

Frase

"É uma prova de humildade assumir que temos as mãos sujas" [e] "isso começa por nós"

 [Canotilho]

A África e seus misterios

Como você está ?

Seu Zé, mineirinho, pensou bem e decidiu que os ferimentos que sofreu num acidente de trânsito eram sérios o suficiente para levar o dono do outro carro ao tribunal.

No tribunal, o advogado do réu começou a inquirir seu Zé.

- O Senhor não disse na hora do acidente 'Estou ótimo' ?

E seu Zé respondeu:

- Bão, vô ti contá o que aconteceu. Eu tinha acabado di colocá minha mula favorita na caminhonete ...

- Eu não pedi detalhes! Só responda à pergunta: O Senhor não disse na cena do acidente: 'Estou ótimo'?

- Bão, eu coloquei a mula na caminhonete e tava descendo a rodovia...

O advogado interrompe novamente e diz:

- Meritíssimo, estou tentando estabelecer os fatos. Por favor, poderia dizer a ele que simplesmente responda à pergunta?

Mas, a essa altura, o Juiz estava muito interessado na resposta de seu Zé e disse ao advogado:

- Eu gostaria de ouvir o que ele tem a dizer.

- Como eu tava dizendo, coloquei a mula na caminhonete e tava descendo a Rodovia quando uma picape bateu na minha Caminhonete bem du lado. Eu fui lançado fora do carro prum lado da rodovia e a mula foi lançada pro outro lado. Eu tava muito ferido e não podia me movê. Mais eu podia ouvir a mula zurrano e grunhino e, pelo baruio, percebi que o estado dela era muito feio. Em seguida, o patrulheiro rodoviário chegou. Ele ouviu a mula gritano e zurrano e foi até onde ela tava. Depois de dá uma oiada nela, ele pegou o revorve e atirou 3 vezes bem no meio dos ôio dela. Depois, ele travessô a estrada com a arma na mão, oiô para mim e disse:

- Sua mula estava muito mal e eu tive que atirar nela. E, como é que o senhor está se sentindo?

- Ai, eu pensei bem e falei: Tô ótimo!!! Tô ótimo!!!


* Da net

Interlúdio

O longo amanhecer - Cinebiografia de Celso Furtado é exibido em Pombal-PB

Durante os 50 anos em que esteve internado na Colônia Juliano Moreira, no Rio, Arthur Bispo do Rosário produziu mais de 800 obras a partir de restos deixados aqui e ali, como botões, sapatos, talheres, canecas, embalagens, linhas desfiadas dos próprios uniformes. Sua missão lhe havia sido revelada pouco antes do Natal de 1938: ele precisava reorganizar o mundo, copiando-o em suas miniaturas, para apresentá-lo a Deus no dia do juízo final. Nascido em Juparatuba (SE) em 1909 ou 1911, dependendo do registro, foi diagnosticado como esquizofrênico paranoide. Pobre e negro, viveu sempre à margem, confinado no manicômio, sem visitar ou conhecer a arte que se produzia em sua época, sem mesmo saber que estava fazendo arte. Ainda assim, desde que foi objeto de uma reportagem de Samuel Wainer Filho para o "Fantástico", em 1980, e sua obra exposta oficialmente pela primeira vez no Brasil, em 1982, e na Bienal de Veneza de 1995, só amplia sua conquista do mundo das artes. 

quarta-feira, 25 de julho de 2012

A "marvada" pinga (motorista embriagada)

Reblogged from comelovesee
(Source: evanescas)

"Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir."

Cora Coralina

Saúde pública

terça-feira, 24 de julho de 2012

Poesia



Sexta-feira

Sexta-feira à noite
Os homens acariciam o clitóris das esposas
Com dedos molhados de saliva.
O mesmo gesto com que todos os dias
Contam dinheiro, papéis, documentos
E folheiam nas revistas
A vida dos seus ídolos.
Sexta-feira à noite
Os homens penetram suas esposas
Com tédio e pênis.
O mesmo tédio com que todos os dias
Enfiam o carro na garagem
O dedo no nariz
E metem a mão no bolso
Para coçar o saco.
Sexta-feira à noite
Os homens ressonam de borco
Enquanto as mulheres no escuro
Encaram seu destino
E sonham com o príncipe encantado.


Marina Colasanti

Quando o luxo vem sem etiqueta...


O cara desce na estação do metrô de NY vestindo jeans, camiseta e boné, encosta-se próximo à entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, bem na hora do rush matinal.

Durante os 45 minutos que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes. Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares. Alguns dias antes Bell havia tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custavam a bagatela de 1.000 dólares.

A experiência, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, celular no ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino. A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte.

A conclusão: estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto. Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefato de luxo sem etiqueta de grife.

Efeito colateral

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Fotografia

Foto de Alex K

Piada

O árabe vai à loja do judeu para comprar sutiãs pretos, pressentindo bons negócios o judeu diz que são raros e poucos, e vende por 40 euros cada um.

O árabe compra 6, e volta alguns dias depois querendo mais duas dúzias.

O judeu diz que as peças vão ficando cada vez mais raras e vende por 50 euros a unidade.

Um mês mais tarde, o árabe compra o que resta no estoque por 75 euros cada. O judeu, encucado, pergunta-lhe o que faz com tantos sutiãs pretos.

Diz o árabe:

- Corto o sutiã em dois, faço dois chapeuzinhos e vendo aos judeus por 100 euros cada.

FOI AÍ QUE A GUERRA COMEÇOU…

Versículos do dia

O SENHOR é o meu rochedo, e o meu lugar forte, e o meu libertador; o meu Deus, a minha fortaleza, em quem confio; o meu escudo, a força da minha salvação, e o meu alto refúgio. (Salmos 18:2)

No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. (Efésios 6:10)

Tem coragem de estacionar?

Despedida

Reblogged from goodmemory
(Source: you-are-a-bad-weenie)

Existem duas dores de amor:

A primeira é quando a relação termina e a gente, seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro, com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva, já que ainda estamos tão embrulhados na dor que não conseguimos ver luz no fim do túnel.

A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.

A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços, a dor de virar desimportante para o ser amado.Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida: a dor de abandonar o amor que sentíamos. A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre, sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também…

Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou. Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém. É que, sem se darem conta, não querem se desprender. Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir, lembrança de uma época bonita que foi vivida…Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual a gente se apega. Faz parte de nós. Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis, mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo, que de certa maneira entranhou-se na gente, e que só com muito esforço é possível alforriar.

É uma dor mais amena, quase imperceptível. Talvez, por isso, costuma durar mais do que a ‘dor-de-cotovelo’propriamente dita. É uma dor que nos confunde. Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos, que nos colocava dentro das estatísticas: “Eu amo, logo existo”.

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente… E só então a gente poderá amar, de novo.


Martha Medeiros


domingo, 22 de julho de 2012

Blues Fúnebres


Foto All Magnus

Que parem os relógios, cale o telefone,
jogue-se ao cão um osso e que não ladre mais,
que emudeça o piano e que o tambor sancione
a vinda do caixão com seu cortejo atrás.

Que os aviões, gemendo acima em alvoroço,
escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu.
Que as pombas guardem luto — um laço no pescoço —
e os guardas usem finas luvas cor-de-breu.

Era meu norte, sul, meu leste, oeste, enquanto
viveu, meus dias úteis, meu fim-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite, fala e canto;
quem julgue o amor eterno, como eu fiz, se engana.

É hora de apagar estrelas — são molestas —
guardar a lua, desmontar o sol brilhante,
de despejar o mar, jogar fora as florestas,
pois nada mais há de dar certo doravante.


W. H. Auden


W. H. Auden nasceu em York, Inglaterra, em 1907

A sorte de ser feio

As pessoas me chamam de feio, na verdade é uma promoção. Antes me chamavam de ET, agora tomei a forma humana. E ainda perguntam como estou casado com uma mulher linda. Simples, mulheres lindas têm mau gosto e feios têm bom gosto.

Ser feio tem inúmeras vantagens e benefícios, pode perguntar ao Woody Allen:

- O feio é inesquecível, você olha uma vez e o choque é tão grande que guarda para sempre.

- Amor à primeira vista é para os bonitos. Para os feios, é amor ao primeiro trauma.

- Mais fácil se apaixonar pelo feio. Você não entende como ele nasceu assim, pede um prazo maior. O feio é um enigma, uma charada. Mulher abandona o homem quando entende rápido.

- O feio não é preguiçoso no relacionamento, não vai perder tempo ajeitando o cabelo e se olhando no espelho.

- O feio traz as melhores conversas. Ele depende da lábia para garantir a distração da mulher.

- O feio não envelhece, só melhora com o tempo. Diferente do bonito, que ficará um dia feio.

- Não, o feio não melhora com o tempo, você é que se acostumou com ele. Um feio conhecido torna-se simpático. Um feio desconhecido é apenas feio.

- Todo feio é engraçado, aprendeu a rir de si mesmo. Não conheço feio mal-humorado.

- O feio é educado, pois sofreu muito com a falta de educação dos outros,

- O feio não reclama, está sempre satisfeito. Quem reclama é o bonito, insaciável com os elogios.

- O feio gosta muito de seu nome, foi obrigado a suportar tudo o que é apelido,

- O feio é uma apoteose na cama, Sapucaí dos lençóis. A excitação feminina cresce com o medo.

- A mulher nunca se entedia com o feio, leva susto cada manhã.

- O feio é prático, já se acorda pronto, não precisa se arrumar.

- O feio apresenta uma maior resistência emocional, é capaz de ser um grande parceiro nas crises e usar a criatividade nos piores momentos.

- Ninguém duvida da masculinidade do homem feio. Já o homem bonito demais parece uma mulher.


Por Fabrício Carpinejar

sábado, 21 de julho de 2012

Sobre a Vírgula


Vírgula pode ser uma pausa... ou não.

Não, espere.
Não espere..

Ela pode sumir com seu dinheiro.

23,4.
2,34.

Pode criar heróis..

Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

Ela pode ser a solução.

Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.

Não queremos saber.
Não, queremos saber.

A vírgula pode condenar ou salvar.

Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!

Uma vírgula muda tudo.

ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.

Detalhes Adicionais:

COLOQUE UMA VÍRGULA NA SEGUINTE FRASE:

SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.


* Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER...
* Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM...



Muito bonita a campanha dos 100 anos da ABI
(Associação Brasileira de Imprensa).

*Enviada por e-mail pela amiga e colega de trabalho Seane


Vida aos meninos de Bayeux – Prisão para traficantes e às autoridades: ação!!!!

Um grito de desespero,de agonia mesmo, ecoa do meu velho peito de Promotor de Justiça calejado, que já viu de tudo, já viu até três crianças e a mãe dessas criaturas inocentes,abusadas pelo pai e companheiro, todo o grupo aqui da Paraíba, ser contaminado pelo vírus do HIV, todo o conjunto já pereceu. Elas vieram se extinguir no torrão querido e sublime, na Paraíba amada e o criminoso em terras estranhas, pois quando a polícia invadiu o morro onde essa infeliz criatura ainda habitava, no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, já estava sendo velada na Associação de Moradores, vítima do vírus que ele havia repassado às crianças e à sua consorte,sendo que as angelicais infantes, famintas e exiladas da Paraíba contavam com 5, 6 e 7 anos de idade e que foram contaminadas pelo pai, por meio de relações anais, vaginais e orais, atitudes que me fazem chorar sempre que me recordo desse drama humano real e me causa náuseas de todos os tipos do abjeto delinquente, talvez uma vítima do sistema capitalista desumano, da corrupção descarada que lhe roubou oportunidades deter estrutura familiar fornecedora de moral, de formação religiosa,educacional, cultural, esportiva, social, para que se desenvolvesse como um cristão normal e não como um ser monstruoso, teratológico.

Mas o que dizer agora, se tenho em mãos dez, isto mesmo, dez adolescentes marcados para morrer pelos “comandantes” do tráfico de drogas na cidade de Bayeux? Dizer oque? Me respondam por favor. Tô agoniado e ardentemente desejoso de compartilhar esta minha agonia, este meu estado angustioso, amargo, com todos vocês, com toda a sociedade, já que é um eco, uma verberação de um grito de desespero,sem sofisma, sem retórica, sem proselitismo, são 10 ou mais vidas, seus familiares correm risco de morte também.

Vamos compartilhar este meu drama! vamos mesmo!, me ajudem!, de forma que chamo o Secretário de Segurança Pública, o Comandante Geral da Polícia Militar, o Conselho Estadual dos Direitos Humanos, a Comissão de Combate à Violência da Ordem dos Advogados do Brasil, Secção da Paraíba, Representantes do PPCAAM (Programa deProteção a Crianças e Adolescentes Ameaçadas de Morte), Prefeitura Municipal da Comuna, da Imprensa, esse órgão parceiro e indispensável e, enfim, todos os que de verdade, de coração, de vocação, estejam comprometidos com essa causa:combater a violência, salvar vidas ainda em desenvolvimento e as existências de toda a sua linhagem.

Convoco para que, no próximo dia 02 do mês de agosto, às 10h00, na Promotoria da Infância e da Juventude da Cidade de Bayeux, em audiência concentrada, com a presença de10, é, 10 famílias marcadas para morrer, encontremos soluções para que salvemos essas crianças e adolescentes, sob pena de pecaminosa, criminosa, ignominiosa omissão de todos, sem apontamento do indicador para quem quer que seja, o culpado seremos todos nós se a tragédia vier a se consumar.

Como Promotor da Promotoria da Infância e da Juventude de Bayeux, todos os dias, temos feito isto: SALVAR, ESCONDER, RETIRAR NAS CALADAS DA NOITE E ATÉ FABRICAR INFRATORES (com pedidos de internação) essas vítimas de tudo, inclusive da acessibilidade atitudinal, desde que a sociedade preconceituosa não as aceita em espaços públicos, a exemplo de escolas, praças, entidades culturais, esportivas, eventos privados, festa sociaisetc., pois carregam a marca, o estigma da dependência química, do uso, do vínculo com o tráfico, mas o chamamento não se destina aos preconceituosos atitudinais, mas a quem se dispõe a salvar vidas, ainda que sejam vidas de dependentes químicos de Bayeux e de alhures. É Senhor Secretário, Senhor Comandante,identificados temos 10, é mesmo, 10, que serão mortos nos próximos dias, nas próximas horas.

Traficantes são covardes, não aguentam pressão do Estado Legal, relembremos o combate ao tráfico na Colômbia, recordemos da Pacificação no Rio de Janeiro, histórias vitoriosas na guerra contra o tráfico e que salvou não 10, mas milhares de vidas naquele País e neste Estado Brasileiro.

Autoridades!De todas as esferas, se dispam de toda vaidade, saiam das trevas da omissão,deixem os medos, as conveniências, as zonas de conforto, e vamos enfrentar os poltrões,os pusilânimes traficantes. Vamos salvar os 10 adolescentes de Bayeux e as centenas que se espalham pela Paraíba, deixem que nos processem, que nos representem, que nos denunciem, que alguém suscite violação de direitos humanos, essa causa vale o risco de tudo,até das nossas próprias existências, não se importem se magistrados sedizentes garantistas, míopes dos reclamos sociais e fora do contexto atual soltem celerados que atentam contra a dignidade dos seres humanos, o que importa hoje é salvarmos essas crianças, esses adolescentes. Srs. Policiais Militares, Civis,Promotores de Justiça, Conselheiros Tutelares, Comissários de Menores, Sudema,Vigilância Sanitária, PPCAAM, Prefeitura, Imprensa, enfim, toda a Sociedade Civil organizada,vamos, vamos cerrar fileiras, vamos salvar os meninos de BAYEUX E DE TODOS OSCANTOS DESTA GLORIOSA PARAÍBA, é muito fácil, basta enfrentar os traficantes,eles são covardes, basta ter atitude e elescorrerão, retrocederão, se agacharão humilhados, e lhes asseguro, em Bayeux os 10 meninos serão salvos, garanto!!!!!!!!!!!!.

Que este artigo seja uma carta aberta da sociedade de Bayeux às Autoridades de Segurançada Paraíba e após a reunião, as mortes serão de suas inteiras responsabilidades,já que devidamente identificada toda a problemática, com aguardo apenas das devidas garantias, que serão requeridas, aliás, requisitadas documentalmente e publicamente ao aparelho de segurança estatal.

Marinho Mendes
(Promotor de Justiça na Paraíba)

Joãozinho

A professora Marieta chegou na classe e disse:
- Hoje vamos ter uma aula de poesia, Joãozinho:
- Sim, fessora…
- Eu quero que você faça um verso prá mim.
- Prá senhora? Como é mesmo o nome da senhora?
- Dona Marieta…
E o Joãozinho começou…
- Caminhando pela praia, encontrei a Marieta. Veio a onda do mar e molhou sua canela.
E a professora:
- Mas não rimou.
- É que a maré tava baixa…
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sexta-feira, 20 de julho de 2012

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(Source: cookiepeste)

Onde foi parar o tempo que ganhamos

Havia mais terrenos baldios. E menos canais de televisão. Leite vinha num saco. Ou então o leiteiro entregava em casa, em garrafas de vidro.

Cozinhava-se com banha de porco. Toda dona-de-casa tinha uma lata de banha debaixo da pia.
O barbeador era de metal, e a lâmina era trocada de vez em quando. Mas só a lâmina.
As casas tinham quintais. Os quintais tinham sempre uma laranjeira, ou uma pereira, ou um pessegueiro.
Comíamos fruta no pé.
Minha vó tinha fogão à lenha. E compotas caseiras abarrotando a despensa. E chimia de abóbora, e uvada, e pão de casa.
O café passava pelo coador de pano. As ruas cheiravam a café.
As lojas de discos vendiam long plays e fitas K7.
Supimpa era ter um três-em-um: toca-disco, toca-fita e rádio AM (não havia FM).
Os telefones tinham disco. Discava-se para alguém. Depois, punha-se o aparelho no gancho. Telefone tinha gancho. E fio.
Se o seu filho estivesse no quarto dele e você no seu escritório, você dava um berro pra chamar o guri, em vez de mandar um e-mail ou um recado pelo MSN.

Tudo era mais demorado, mais difícil, mais trabalhoso.

Então, por que hoje “engolimos” o almoço?
Então, por que estamos sempre atrasados?
Então, por que ninguém mais bota cadeiras na calçada?

Alguém pode me explicar onde foi parar o tempo que ganhamos?

 
*Da net (autoria desconhecida)

Crônica

Eis como gosto de marcar o espaço: com um carimbo.

- Que belo, esse seu instinto de domínio.

- Marcar um território como se marca uma vaca, bem no dorso e com muita força. Uma marca que nunca mais saia.

- Portanto Vossa Excelência, dono e proprietário e senhor e chefe e etc., no fundo, pois então, Vossa Excelência, dizia, como dono de um território, decide marcar o espaço que lhe pertence com um carimbo, é isso? Marca o espaço como se marca uma vaca.

- Exato. Até pensei mesmo em assinar o espaço. A minha assinatura, o meu belo nome, num canto do espaço que me pertence. Que lhe parece?

- Parece-me inovador. Portanto, em vez de cercas e arame farpado, Vossa Excelência assina, por assim dizer, o chão que lhe pertence.»
 
 
Gonçalo M. Tavares

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Asa Branca, cantada na África

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(Source: silver-eye)

A morte não terá domínio

Li que Samuel Becket dizia que quem morria passava para outro tempo. Não queria dizer outro mundo, com um presumível outro clima. Referia-se ao tempo do verbo. Entre todas as mudanças provocadas pela morte havia essa: o morto passava irremediavelmente ao pretérito.

Era bom pensar assim. A morte acontecia no mundo antisséptico das palavras e das regras gramaticais, nada a ver com a decomposição da carne. O “é” transformava-se em “era” e “foi”, e pronto. A migração do morto, em vez de ser da vida para o nada, era só entre categorias verbais.

A vida vista como uma narrativa literária nos protege do horror incompreensível da morte. Podemos nos imaginar como protagonistas de uma trama, que mesmo quando não é clara indica alguma coerência, em algum lugar.

O próprio Becket só escreveu sobre isso: a busca de uma trama, qualquer trama, por trás do aparente absurdo da experiência humana. E um enredo, ou um sentido que faça sentido, só pode ser buscado na narrativa literária, no encadear de palavras que leva a uma revelação, mesmo que esta não explique nada, muito menos a morte.

E se falar, falar, falar sem cessar, como fazem os personagens do Becket na esperança de que aflore algum sentido não der resultado, pelo menos está-se fazendo barulho e mantendo a morte afastada.

A literatura tem essa função, a de uma fogueira no meio da escuridão da qual a morte nos espreita. Ou de uma matraca contra o silêncio final. Vale tudo, mesmo a garrulice incoerente de um personagem do Becket, contra a escuridão e o silêncio.

Num poema que fez sobre seu pai moribundo Dylan Thomas o insta a reagir ferozmente contra o esvaecer da luz — “Rage, rage against the dying of the light” — e a não se entregar à morte sem uma briga.

Não sei se o Becket encontrou o consolo que procurava pelos seus mortos na ideia de que tinham apenas mudado de tempo de verbo, mas imagino que, como Dylan Thomas na sua poesia inconformada, tenha recorrido à literatura como um meio de negar à morte o seu triunfo. Ninguém morre. Há apenas uma revisão na narrativa da sua vida para atualizar o tempo dos verbos.

Outra vez Dylan Thomas: “And death shall have no dominion”, e a morte não terá domínio.

Diz-se que quem morreu “já era”, o que é o mesmo que dizia o Becket com mais sensibilidade. Mas Becket queria dizer mais. Os personagens de narrativas literárias mudam do tempo presente para o tempo passado, mas continuam no mundo, mesmo que no mundo restrito dos livros e das estantes. Salvo, talvez, os cupins e as traças, nada ameaça a sua perenidade. “São” eternamente.


Luis Fernando Veríssimo