quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Pescado do face da Jardeline Assis

Frase

"Luto pela magistratura séria, e que não pode ser confundida, nem misturada com meia dúzia de vagabundos infiltrados na magistratura."


Eliana Calmon, corregedora nacional do CNJ

(via justify-sexy)

Bem que eu poderia ter estudado com um professor desses

Diário Oficial da Justiça do Trabalho da Paraíba publica carta com história de "triângulo amoroso e muito sexo"


A Justiça do Trabalho da Paraíba publicou em Diário da Eletrônico nº 921/2012 na Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012 uma “carta amorosa” em sua página 17 que merece esclarecimento públicos por parte da Justiça do Trabalho. A carta foi implantada e publicada e conta a história de um triângulo amoroso vivido por uma suposta funcionária da Justiça do Trabalho da Paraíba que assina pelo nome de “Marta”.

Na carta, Marta supostamente descreve detalhes de um triângulo amoroso vivido

Eu fiquei muito mal comigo mesma com a "nova" história triangular que acabo de viver com você porque percebi que estava desejando uma reaproximação contigo, reviver os momentos bons que tivemos, mesmo que limitados...Ilusão claro, e sempre soube que você era/é "solto" e que ninguém é de ninguém. A carta descreve relações amorosas em carro, idas a motel, tesão e presentes trocados, a exemplo de um IPHONE.

Leia a carta:

Mas assim como no ano passado você sabia - e eu NÃO !!! – que estava me chamando para treinar no mesmo ambiente em que estava Jamile (UP), há um mês atrás, quando me convidou novamente, quando esteve em minha casa, e ainda quando transamos no carro, há uma semana, EU NÃO SABIA que você e uma pessoa tão próxima a mim, de quem gosto e a quem devo obediência profissional, está de caso com você...E percebo que esse caso está rolando, que se tivesse acabado, se fosse passado, ela não teria comentadodo/especulado há poucos dias porque não tem mais me visto na Prodígio...Ela soube por você que fizemos um novo contrato de treino, que voltei para a UP... Eu não sabia de nada de vocês mas vocês sabiam de mim, e VOCÊ sabia de nós duas!!! Eu não sabia mas incrivelmente, por intuição, de repente, percebi. E que bom que você confirmou! Aprecio a sua honestidade, ainda que tardia.

Não sou perfeita, não sou puritana, não sou moralista, adoro sexo, sempre gostei demais de fazer sexo com você, reconheço que tenho muita atração física por você, de verdade, e sempre pus muito carinho em nossos encontros. Não gosto de promiscuidade, não por moralismo, mas porque minha energia não se afina com isso e procuro mais do que sexo. Você deve se lembrar que logo no início eu lhe chamei para nos encontrarmos na a minha casa porque era/sou uma pessoa sem impedimentos e porque não me dou muito bem com as energias de motel. Nunca aceitei sexo "a três" porque gosto é do encontro íntimo, da brincadeira gostosa com o parceiro que me atrai, da troca a dois, não exatamente de tesão por tesão, de troca corporal apenas... Mas até pode ser caretice mesmo, mas tenho o dever de ser honesta comigo. A minha energia sutil é que me sustenta e me protege e a respei to muito. É muito sensível e aberta e recebe muita carga negativa em moteis. Dela vem minha guiança interna, meu senso e vontade de estar inteira e em verdade na minha vida e diante dos outros. Dessa energia sutil vem guinça, proteção, as intuições e os insights. Sempre soube que não havia um compromisso entre nós e sou romãntica e idealista mesmo e esse lado bem cru e realista da vida me deixa perplexa. O "vale tudo" não funciona muito pra mim mas eu é que devo ser estranha, talvez devesse estar noutro planeta. Eu aceitei estar com você sabendo que tinha uma namorada mas conviver com você e ela não deu para mim. Deu para você, como agora deu novamente conviver comigo e uma terceira pessoa quase da minha intimidade. E para ela deu também. Para mim não dá!!!

Aproveitem-se!

Segue anexo o comprovante (CUPOM FISCAL) do Iphone.

Marta


*Texto do Jornaldaparaiba.com.br



Redes sociais repercutem reportagem da Band

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Pesquisa revela que uma em cada dez pessoas já fez sexo no trabalho


Quando estiver no seu escritório, dê uma olhadinha em volta e imagine: uma em cada dez pessoas já fez sexo no local de trabalho. Pelo menos é o que diz a pesquisa divulgada pelo site de empregos norte-americano Glassdoor.

Mais de mil pessoas responderam um questionário sobre amor e sexo no trabalho e contaram sobre suas experiências

Mais de mil usuários do site responderam um questionário sobre amor e relacionamentos no ambiente de trabalho, e contaram sobre suas experiências. O resultado: 12%, ou seja, uma em cada dez pessoas, já fizeram sexo no escritório. E 88% das pessoas nunca fizeram, mas 22% já pensaram em colocar esta ideia em prática.

Vale lembrar que romances entre colegas de trabalho não são raros. Das mais de mil pessoas que responderam a pesquisa, 37% já se envolveram com algum colega. E a maior parte dos participantes, 51%, acha que não há problema nesse tipo de envolvimento.

Mas para um relacionamento entre colegas de trabalho dar certo, é bom prestar atenção em certas regras de comportamento. E antes de se animar demais dentro do escritório e fazer sexo em cima da mesa, lembre-se do bom e velho ditado: “onde se ganha o pão, não se come a carne”. Ainda mais em tempos em que tudo é vigiado por câmeras de segurança.



Portal Correio/Ig
Há momentos em que a nossa altura tem o exato tamanho de nossos braços. Erguê-los parece-nos desproporcional. Baixá-los, baixá-los nunca... é preciso juntar o corpo à alma e prosseguir!



Teófilo Júnior

Passou o carnaval...

Finalmente começou o ano. Feliz 2012 a todos!

A ciência dos escritores - Fiodor Dostoiévski

O idiota, de 1869, é responsável pela primeira descrição de epilepsia do lobo temporal, em particular o estágio marcado pelo êxtase que antecede a crise epilética. Só trinta anos depois, o inglês Hughlings Jackson começa a associar ataques e amnésia com distúrbios na região temporal do cérebro.

Revista Metáfora, pag. 31
Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer "escrever claro" não é certo mas é claro, certo ?

Luís Fernando Veíssimo (1936), o Gigolô das palavras (L&PM)
(Source: alexusl0l)




domingo, 26 de fevereiro de 2012

Exercício militar

És campo de batalha, ou simples mapa?
És combate geral, ou de guerrilhas?
Na cortina de fumo que te tapa,
É paz que vem, ou novas armadilhas?

Fechado neste posto de comando,
Avanço as minhas tropas ao acaso
E tão depressa forço como abrando:
Capitão sem poder, soldado raso.

A lutar com fantasmas e desejos,
Nem sequer sinto as balas disparadas,
E disponho as bandeiras dos meus beijos
Em vez de abrir crateras a dentadas.


José de Sousa Saramago


"Não basta abrir a janela
para ver os campos e o rio.
Não é o bastante não ser cego
para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela."


Alberto Caeiro

Em defesa da natureza

tumblr


Cadeira

Da net

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Esperança

Ode ao gato

Nada é mais incômodo para a arrogância humana que o silencioso bastar-se dos gatos. O só pedir a quem amam. O só amar a quem os merece. O homem quer o bicho espojado, submisso, cheio de súplica, temor, reverência, obediência. O gato não satisfaz as necessidades doentias de amor. Só as saudáveis.

Já viu gato amestrado, de chapeuzinho ridículo, obedecendo às ordens de um pilantra que vive às custas dele? Não! Até o bondoso elefante veste saiote e dança valsa no circo. O leal cachorro no fundo compreende as agruras do dono e faz a gentileza de ganhar a vida por ele. O leão e o tigre se amesquinham na jaula. Gato não. Só aceita relação de independência e afeto. E como não cede ao homem, mesmo quando dele dependente, é chamado de traiçoeiro, egoísta, safado, espertalhão ou falso.

“Falso”, porque não aceita a nossa falsidade e só admite afeto com troca e respeito pela individualidade. O gato não gosta de alguém porque precisa gostar para se sentir melhor. Ele gosta pelo amor que lhe é próprio, que é dele e o dá se quiser.

O gato devolve ao homem a exata medida da relação que dele parte. Sábio, é esperto. O gato é zen. O gato é Tao. Conhece o segredo da não-ação que não é inação. Nada pede a quem não o quer. Exigente com quem o ama, mas só depois de muito se certificar. Não pede amor, mas se lhe dá, então o exige.

O gato não pede amor. Nem dele depende. Mas, quando o sente, é capaz de amar muito. Discretamente, porém, sem derramar-se. O gato é um italiano educado na Inglaterra. Sente como um italiano, mas se comporta como um lorde inglês.

Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não transa o gato. Ele aparece, então, como ameaça, porque representa a relação sempre precária do homem com o (próprio) mistério. O gato não se relaciona com a aparência do homem. Vê além, por dentro e avesso. Relaciona-se com a essência.

Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende ao afago. A relação dele é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver. Por isso, quando esboça um gesto de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é muito verdadeiro, impulso que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe; significa um julgamento.

O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente, o gato sente. Se há solidão, ele sabe e atenua como pode (enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós).

Se há pessoas agressivas em torno ou carregadas de maus fluidos, eles se afastam. Nada dizem, não reclamam. Afastam-se. Quem não os sabe “ler” pensa que “eles não estão ali”, “saíram” ou “sei lá onde o gato se meteu”. Não é isso! É preciso compreender porque o gato não está ali. Presente ou ausente, ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir.

O gato vê mais, vê dentro e além de nós. Relaciona-se com fluidos, auras, fantasmas amigos e opressores. O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. É uma chance de meditação permanente ao nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério.

Monge, sim, refinado, silencioso, meditativo e sábio, a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado. O gato sempre responde com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante, à certeza de que cada segundo contém a possibilidade de criatividade e novas inter-relações, infinitas, entre as coisas.

O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção. Desatentos não agradam os gatos. Bulhosos os irritam. Tudo o que precisa de promoção ou explicação os assusta. Ingratos os desgostam. Falastrões os entediam. O gato não quer explicação, quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências. Ninguém em toda a natureza, aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato.

Lição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de respiração e yoga. Ensina a dormir com entrega total e diluição no Cosmos. Ensina a espreguiçar-se com a massagem mais completa em todos os músculos, preparando-os para a ação imediata. Se os preparadores físicos aprendessem o aquecimento do gato, os jogadores reservas não levariam tanto tempo (quase quinze minutos) se aquecendo para entrar em campo. O gato sai do sono para o máximo de ação, tensão e elasticidade num segundo. Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, ao qual ama e preserva como a um templo.

Lições de saúde sexual e sensualidade. Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias. Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular. Lição de salto. Lição de silêncio. Lição de descanso. Lição de introversão. Lição de contato com o mistério, o escuro e a sombra. Lição de religiosidade sem ícones.

Lição de alimentação e requinte. Lição de bom gesto e senso de oportunidade. Lição de vida e elegância, a mais completa, diária, silenciosa, educada, sem cobranças, sem veemências ou exageros e incontinências.

O gato é um monge portátil sempre à disposição de quem o saiba perceber.



Artur da Távola

Crônica do amor

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.

Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.

Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?

Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.

Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?

Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.

É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.

Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados. Não funciona assim.

Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.

Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.


Arnaldo Jabor

 Se viver é uma "arte", o que seria a morte... arte eterna ?

Alunos da Ásia Oriental superam os do Ocidente

Sediado na Austrália, o Instituto Grattan comparou o desempenhos dos estudantes em diferentes países. Serviu-se de dados coletados pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Concluiu: estão assentadas na Ásia Oriental as melhores escolas do planeta.

Alunos de escolas primárias e secundárias de países como China, Japão e Coreia do Sul revelam-se mais preparados que estudantes de mesmo nível em nações desenvolvidas do Ocidente.

De acordo com o estudo, um estudante médio de 15 anos em Xangai detém conhecimentos de matemática em níveis que o acomodam dois ou três anos à frente de alunos dos EUA, Austrália e Europa.

Num intervalo de cinco anos, Hong Kong saiu da 17a para a 2a colocação nos estudos internacionais que medem o nível dos alunos em leitura. Ostenta a nova posição desde 2006.

No trabalho feito pelo instituto australiano, informa-se que, hoje, a garotada de Hong Kong está pelo menos um ano à frente dos colegas americanos e europeus não só em leitura, mas também em matemática.

Os alunos das escolas primárias da Coreia do Sul custam metade do que gastam os EUA com seus estudantes. A despeito disso, os estudantes sul-coreanos exibem desempenho superior ao dos americanos em leitura, matemática e ciência.

O estudo joga luz sobre um fenômeno que ajuda a explicar o deslocamento do eixo econômico do mundo: as mudanças não são operadas apenas na economia, mas também no cenário acadêmico, eis a conclusão.

Verificou-se que as escolas primárias e secundárias da Ásia Oriental têm sido mais bem sucedidas na identificação e, mais importante, na resolução dos problemas que debilitam o ensino.

Para melhorar a qualidade das escolas adotam-se, por vezes, providências draconianas. Por exemplo: Cingapura simplesmente reduz o número de aulas de professores que não conseguem melhorar o desempenho de seus alunos.

Dito de outro modo: não existe mau aluno, o que há são estudantes mal ensinados. Detectado o problema, o professor incompetente é, por assim dizer, desligado da tomada.

Os efeitos são palpáveis. Os alunos de Cingapura exibem uma das melhores pontuações de ensino médio para matemática e ciências de todo o mundo. Os colegas dos EUA, diz o estudo, encaminham-se para as piores posições nas duas matérias.

No início de fevereiro, como que dando o braço a torcer, os EUA firmaram com Cingapura um memorando de entendimento. Prevê a amplicação de acordo celebrado em 2002 para troca de experiências no ensino de matemática e ciências. Sintomático.

Tomada pelas estatísticas expostas no estudo, a China teria razões para soltar fogos. Pequim prefere, porém, encarar suas deficiências. Especialistas chineses identificam no sistema educacional do país uma debilidade que retarda o desenvolvimento: a incapacidade de produzir inovação.

As escolas chinesas cultivam um modelo de ensino baseado sobretudo na memorização do conteúdo curricular. Para fugir a essa sistemática, cresce o número de alunos chineses que migram para universidades e mesmo para escolas de ensino médio do Ocidente.

A ebulição acadêmica que vem da Ásia dá uma ideia dos desafios que assediam países que, como o Brasil, almejam posições de destaque no mundo. Aqui, as autoridades gostam de se jactar da ascenção do país na escala das maiores economias do mundo.

Menosprezam-se dois detalhes: a subida do Brasil é potencializada pela ruína das economias europeias. O projeto de potência passa pela sala de aula. E a educação, entre nós, sobrevive há décadas como uma prioridade retórica.

 
Josias de Souza

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.


Vinícius de Moraes

Relações estéticas

O que esperamos quando vamos ao cinema? Que o filme seja bom, nos divirta, nos ensine, nos comova. Esperamos uma experiência estética, ou seja, um conjunto de sensações com significado. Queremos sentir, mas não basta, queremos também entender. O prazer com um filme é algo que surge desta combinação entre sensibilidade e entendimento. Sem este último não existe prazer. Após a projeção do filme usamos o veredicto espontâneo “gostei” ou “não gostei” para definir se o filme é bom ou não. Se vimos o filme acompanhados pode até surgir alguma discussão em torno das razões e emoções de tais juízos, mas em geral cada um se apega ao próprio prazer sentido para justificar seu julgamento. É claro que julgamentos, sejam de críticos ou de pessoas em geral não fazem de um filme melhor ou pior. Mas precisamos disso na tentativa de entender o que vimos. Mas a experiência estética é ainda mais que isso.

Além do julgamento que advém do prazer ou desprazer, a experiência estética é também o efeito que uma obra produz em nós. A diferença desta forma de experiência estética com as demais é que nos tornamos, por meio delas, mais atentos e sensíveis, ou mais desatentos e fechados ao mundo que habitamos. Olhando bem, a experiência estética faz parte de todos os aspectos da nossa vida.

É curioso como este nosso desejo de julgamento se aplica também às relações que temos com seres humanos. Raramente alguém deseja uma experiência que não seja prazerosa com uma pessoa, seja amigo, seja colega, seja um amor. Não temos relações éticas com as pessoas porque nos apegamos, sobretudo, a percepções estéticas. Queremos ser convencidos a todo momento de que aquela pessoa com quem vivemos ou partilhamos momentos é alguém que nos agrada. Deste saber bastante banal é que as pessoas tiraram a idéia de que é preciso agradar para serem queridas e desejadas. Se sentimos prazer com alguém somos imediatamente convencidos de seu significado, de sua importância. Assim também queremos ser vistos. O bom arranjo entre forma e conteúdo, entre aparência física e discurso, nos faz ver a pessoa como uma obra de arte, um filme bem feito, denso e curioso a passar diante de nossos olhos.

A cultura da superficialidade

Tanto num filme de terror ou numa comédia banal, quanto numa película mais elaborada intelectualmente, o que queremos é que algo nos dê prazer. Do mesmo modo, queremos uma pessoa que nos entretenha ou nos agrade. O que não ponderamos é que arte nem sempre agrada. Muitas vezes ela provoca, como nas obras de arte contemporânea, uma abertura ao insuportável. Por isso, tantas exigem de nós que nos tornemos intérpretes sérios, cuidadosos e atentos, sob pena de simplesmente fugirmos das experiências propostas. Do mesmo modo, as pessoas são bem mais complexas do que o que delas podemos saber. Por isso também muitos preferem fugir dos que conhecem, mas também dos que não conhecem. Porém, este tipo de atitude não nos deixa longe de contradições. Junto deste comportamento hoje em dia comum, cresce a queixa da solidão e da dificuldade de relacionamento.

Quem está disposto a realmente respeitar a novidade aberta pelo outro? Em geral as pessoas só querem das outras a superfície e, por outro lado, quando a cultura da superficialidade vira regra, queixam-se de que não exista nada mais sob a máscara. Mudar de percepção seria como aprender a assistir filmes intelectualmente mais complexos. Ou livros mais exigentes.

O prazer de não pensar

A idéia da beleza sempre dependeu deste ideal do prazer. Para muitos não há como ver sentido longe dele. Kant falava da beleza como aquilo que agrada sem que precisemos pensar por que agrada. Coisas sem significado não podem agradar. Ele mesmo percebeu que há muita coisa que não produz um prazer imediatamente agradável, mas mesmo assim funciona aos sentidos humanos. Kant, que não entendia de arte, pensava no belo da natureza. Belas eram as mulheres, as paisagens tranqüilas com riacho e flores. Pensava, porém, no encanto estranho que sentimos com as tempestades de raios ou a visão do imenso deserto, do mar aberto. Explicou isto pelo sentimento do sublime, pelo qual entendia uma mistura de prazer com desprazer em que o significado da coisa vista jamais era plenamente alcançado. O sentimento do sublime mais do que a sensação de algo agradável provocaria o respeito. Por isso justificava que a natureza dos homens era nobre, enquanto a das mulheres era bela. Aqueles deviam motivar o respeito, enquanto estas apenas o agrado.

Tudo isso no mostra o quão delicado é julgar e emitir juízos sobre as coisas e as pessoas. Infelizmente vivemos uma cultura da leviandade em relação às interpretações. E tudo isso porque não somos bons leitores do que vemos, do que ouvimos, do que nos dizem. Certamente somos também desatentos à nossas próprias opiniões. Contentamo-nos em gostar e desgostar como se isso fosse a base legítima de uma relação na ordem pública, onde se exigem argumentos tantos quando é o caso de colocar uma novela no ar, uma exposição de pinturas ou um filme em cartaz. Interpretamos a vida com base em nossos pré-conceitos, raramente questionando os reais motivos que nos impelem a dizer isto ou aquilo de algo ou de uma pessoa. Raramente temos atenção ao que realmente se dá à nossa volta. As obras de arte hoje em dia servem para nos ensinar a atenção à nossa própria interpretação. Neste sentido elas nos ensinam a cuidar de todo o campo de nossas relações. Elas exigem que nos tornemos atentos. Talvez quando formos atentos, possamos


Marcia Tiburi


Publicado originalmente em Vida Simples

Ficha limpa no funcionalismo estadual

O governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) disse nesta quinta-feira que estenderá ao funcionalismo público estadual a Lei da Ficha Limpa, aprovada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na semana passada.

Um decreto que impede a nomeação de servidores públicos para cargos de confiança, condenados em segunda instância judicial, deve ser publicado até o fim de março, no Diário Oficial do Estado


Leonardo Guandeline, O Globo

O país da impunidade

A iniciativa, do Ministério da Justiça, do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, não poderia ser mais oportuna e adequada: um mutirão nacional, coordenado por um órgão especial, o Enasp (Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública), com gente trabalhando além do horário e levando trabalho para casa, visando retomar e terminar, até o fim do ano passado, 143 mil inquéritos – exclusivamente versando sobre homicídios ou tentativas de homicídio – abertos até o ano de 2007 pela Polícia Civil dos Estados e que estavam amontoados em delegacias e abandonados.

Esse trabalho meritório está dando com os burros n’água: dos 147 mil inquéritos, só foram examinados 28 mil, e, desses, 80% foram arquivados de vez devido à má apuração dos fatos.

De todo modo, 4.652 inquéritos foram concluídos como se deve e remetidos para o Ministério Público dos Estados oferecer denúncia.

Mas esse total é um magro, magérrimo percentual de apenas 3% dos 147 mil que o Enasp tinha como alvo.

O presidente da Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis, Jânio Bosco Tandra, atribuiu o fato à “falta de estrutura” para as investigações.

É claro!

Blog de Ricardo Setti

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

"As pessoas acham que a alma gêmea é o encaixe perfeito, e é isso que todo mundo quer. Mas a verdadeira alma gêmea é um espelho, a pessoa que mostra tudo que está prendendo você, a pessoa que chama a sua atenção para você mesmo para que você possa mudar a sua vida. Uma verdadeira alma gêmea é provavelmente a pessoa mais importante que você vai conhecer, porque elas derrubam as suas paredes e te acordam com um tapa. Mas viver com uma alma gêmea para sempre? Não! Dói demais. As almas gêmeas só entram na sua vida para revelar a você uma outra camada de você mesma, e depois vão embora. Acabou! "

(Richard do Texas)
Do livro: Comer, rezar, amar
"Cada promessa é uma ameaça;
cada perda, um encontro.
Dos medos nascem as coragens;
e das dúvidas, as certezas.
Os sonhos anunciam outra realidade possível,
e os delírios, outra razão"


(Eduardo Galeano)
Foto: Huib Limberg




Planos de Saúde


Os planos de saúde não podem estipular um teto para cobertura de despesas com internações hospitalares ou para o tempo de internação. Essa foi a decisão da quarta turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), sobre ação ajuizada pela família de uma mulher que morreu em decorrência de um câncer, após seu plano de saúde recusar a custear parte de seu tratamento, alegando ter sido alcançado o limite de custeio, de R$ 6.500

O Globo

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012


O tamanho das pessoas


Os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento...Uma pessoa é enorme para ti, quando fala do que leu e viveu, quando te trata com carinho e respeito, quando te olha nos olhos e sorri.

É pequena para ti quando só pensa em si mesma, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade, o carinho, a consideração,o respeito, o zelo e até mesmo o amor.

Uma pessoa é gigante para ti quando se interessa pela tua vida, quando procura alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto contigo. E pequena quando se desvia do assunto.

Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma.

Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos da moda.

Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas.

Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande. Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.

É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. O nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de ações e reações, de expectativas e frustrações.

Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente torna-se mais uma.

O egoísmo unifica os insignificantes. Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande... é a sua sensibilidade."


Ercilia Ferraz
"Ao ódio dos carrascos respondeu o ódio das vítimas... É ainda ao inimgo que está a ceder... É preciso sarar esses corações envenenados. Amanhã, a mais difícil vitória que teremos de obter sobre o inimigo é em nós próprios que ela se deve travar, com esse esforço superior que transformará o nosso apetite de ódio em desejo de justiça. Trata-se de refazer a nossa mentalidade política. Isso significa que devemos preservar a inteligência. Não há liberdade sem inteligência".


Alberto Camus

Opinião de jornalista paraibana sobre o carnaval


A opinião de Rachel Sheherazade foi emtida em 2011 mas pode ser perfeitamente incorporada na atualidade.

Fotos premiadas no World Press Foto 2012

Emiliano Larizza (Itália), Saut-d’Eau, Haiti, 16.07.2011

Arts and Entertainment /stories
David Goldman (EUA), Kandahar, Afeganistão, 24.06.2011

Arts and Entertainment /singles

Ilvy Njiokiktjien (Holanda), África do Sul, 05.04.2011

Contemporary Issues /singles 

Toshiyuki Tsunenari (Japão), Natori, Japão, 13.03.2011

General News /singles 

Francesco Zizola (Itália), Carloforte, Itália, 12.06.2011

Nature /singles
Não vos deixeis levar em redor por doutrinas várias e estranhas, porque bom é que o coração se fortifique com graça, e não com alimentos que de nada aproveitaram aos que a eles se entregaram.

Hebreus 13:9

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Passadinha rápida no restaurante "O Mirante" em São Gonçalo (PB). Tempo suficiente para degustar uma tilápia ao molho branco.

Lei da palmada corre o risco de não ser aprovada no Congresso

O polêmico projeto de lei que proíbe os pais de castigarem fisicamente os filhos corre o risco de não ser aprovado pelo Congresso Nacional. Depois da anuência, em caráter terminativo, da comissão especial criada para analisá-lo, o projeto deveria ter sido encaminhado ao Senado, mas está parado na Mesa Diretora da Câmara. O texto aguarda a votação de seis recursos para que seja votado também no plenário da Casa.

Os deputados que apresentaram os recursos querem que a matéria seja discutida no plenário da Câmara antes de seguir para o Senado. Esses parlamentares esperam que o projeto seja rejeitado, quando a maioria dos deputados tiver acesso ao texto. Na comissão especial, apenas um grupo pequeno de parlamentares teve a oportunidade de apreciar e votar a proposta – que foi aprovada por unanimidade.

Para um dos deputados que apresentou recurso, Sandes Júnior (PP-GO), a matéria é complexa e merece ser debatida por mais tempo com um número maior de parlamentares. “Trata-se de matéria polêmica, objeto de acaloradas discussões na referida comissão especial, porém sem a necessária visibilidade e amadurecimento que a importância do assunto exige”, justificou no recurso.

Declaradamente contrário ao projeto, o deputado Augusto Coutinho (DEM-PE) também apresentou recurso para que o texto seja discutido no plenário da Câmara. Para ele, as relações familiares não podem ser ditadas pelo Estado. “É indubitável que devam existir mecanismos para proteger a criança e o adolescente da violência, seja essa doméstica ou não. Contudo, não pode ser concedida ao Estado a prerrogativa de ingerência desmedida nos lares brasileiros”, defendeu o deputado.

O caso

O projeto, de autoria do Poder Executivo, altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para estabelecer que “a criança e o adolescente têm o direito de ser educados e cuidados pelos pais, pelos integrantes da família, pelos responsáveis ou por qualquer pessoa encarregada de cuidar, tratar, educar ou vigiar, sem o uso de castigo corporal ou de tratamento cruel ou degradante, como formas de correção, disciplina, educação, ou qualquer outro pretexto”. O texto determina ainda que é considerado castigo corporal qualquer forma de uso da força física para punir ou disciplinar causando dor ou lesão à criança.

A proposta, que ficou conhecida como Lei da Palmada, também estabelece que os pais que cometerem o delito deverão passar por acompanhamento psicológico ou psiquiátrico e receberem uma advertência. Eles, no entanto, não estão sujeitos à prisão, multa ou perda da guarda dos filhos. Os médicos, professores ou funcionários públicos que souberem de casos de agressões e não os denunciarem ficam sujeitos à multa que pode chegar a 20 salários mínimos.


IG



Estação Ciência Cabo Branco - João Pessoa-PB

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

E você, é heterossexual?


Pesquisa realizada no centro de João Pessoa, capital da Paraíba

A tragédia da Síria

É desanimador ouvir um sírio falando, olhando nos seus olhos e contando o que acontece em seu país.

Começou ontem a manifestação síria, aqui na Praça Syntagma, onde está situado o Parlamento grego. De maneira tímida, mas que atraía a atenção de absolutamente todos que passavam por alí.

O brasileirinho aqui, de gaiato, percebia a estupefação dos gregos. Talvez pensando que a grave crise econômica era pinto, se comparada aos depoimentos e fotos de crianças com a cabeça esmigalhada? Não sei. Talvez.

Mas hoje a coisa toda tomou proporção bacana, grande. Enormes tapumes com fotos, caricaturas e relatos. Barracas vendendo comidas, sopas, broches e camisas. Muitas bandeiras sírias tremulavam e um palanque improvisado servia para que os manifestantes pudessem falar para o povo.

Parei por perto de uma barraca e comecei a puxar papo. Comunicação existiu, ainda que com muitos gestos e alguns murmúrios. Quando o sujeito quer, consegue se comunicar, ainda que com algum esforço. Logo depois apareceu uma jovem falando inglês fluente, e então pude fazer perguntas e dizer o que achava de tudo.

- A grande maioria mora aqui, alguns vieram direto de Damasco e Homs – me dizia, enquanto ao fundo podia-se ouvir o orador da vez dizendo que presenciou torturas e assasinatos de crianças, “ninguém me contou, ví com meus próprios olhos”, até engasagar e cair no choro, na frente de todos.

Escolhi algumas coisas e ajudei um pouco mais, tremendamente envergonhado. Provavelmente não deveria, mas foi como me senti. Não tenho culpa alguma do que Assad vem fazendo, tampouco endosso a vergonhosa atuação de chineses e russos no Conselho de Segurança, mas ainda assim me senti mal.

Com cinco minutos de CNN você já se sente desconfortável, mas ouvir os escabrosos relatos é diferente. É drama dos brabos, só que real, direto na veia.

- Tem certeza? A gente te agradece. – me disse, quando sinalizei que não queria troco.

Me senti ainda menor. Não tinha para onde correr. Se não ajudar me seria inconcebível, os parcos euros de que me desfiz provavelmente só valerão algumas balas.

Entre o conforto pela boa ação e a frustração por não pode fazer mais, fica a torcida.

Boa sorte para a revolução síria. Estão precisando.


*Blog de Mário Vitor Rodrigues


Ministro da Saúde contesta dados da ONU sobre abortos no Brasil

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, contestou informações divulgadas pela Organização das Nações Unidas segundo as quais 200 mil mulheres morrem anualmente no Brasil por causa de abortos de risco. Ele acredita que pode ter havido confusão com outro dado, já que cerca de 200 mil mulheres se submetem a curetagens por ano no Brasil, procedimento muito utilizado após o processo abortivo.

A ONU cobrou posição do governo brasileiro durante a 51ª sessão do Comitê Para a Eliminação de Discriminação Contra as Mulheres, que ocorreu essa semana em Genebra, quando a perita suíça Patrícia Schulz pediu esclarecimentos ao governo brasileiro, sem poupar críticas. "O que vocês vão fazer com esse problema politico enorme que têm"?

Padilha se disse surpreso com os números divulgados pela ONU:

- Primeiro que desconheço esse número de 200 mil mortes por ano decorrentes de aborto. Vi esse número apenas no jornal, e precisamos de mais detalhes a respeito desses dados. Temos cerca de mil e oitocentos óbitos por mortalidade materna. E todas em idade fértil são investigadas sobre a mortalidade materna. Então, volto a lembrar: o que nós temos são 200 mil procedimentos de curategem no sistema público de saúde e não necessariamente mortes por causa disso - afirmou.


Letícia Lins, O Globo

Eu etiqueta


Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)
E nisto me comparo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar
Cada vinco da roupa
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.




Carlos Drummond de Andrade

Pega ladrão, Papai Noel!


Ele não era bem um Papai Noel, era mais um Santa Claus, pois trabalhava numa cadeia de lojas multinacional, a Emperor Presentes e Utilidades Domésticas, aquela grande, da avenida. Consta, inclusive, que fez um curso de seis semanas no próprio States para testar e aperfeiçoar sua tendência vocacional, obtendo boa nota, mesmo cantar o "Jingle Bell" com imperdoável sotaque latino-americano. Mas seu visual, ora sem uniforme, impressionou favoravelmente a banca examinadora: era gordo, como convém a um Papai Noel; tinha olhos da cor do céu e a capacidade de sorrir durante horas inteiras sem nenhum motivo aparente.Aliás, um Papai Noel é isso: uma mancha vermelha que sabe rir e às vezes fala.

- Você está ótimo! - disse-lhe o chefe da seção de brinquedos. - As crianças vão adorá-lo!

Era véspera de Natal e a Emperor andava preocupadíssima com as vendas, inferiores ao ano anterior. E preocupada com outra coisa, ainda: o incrível número de furtos, razão porque o Papai Noel além de sorrir e estimular as vendas teria que ser também um olheiro, um insuspeito fiscal de seção.

Ele passeava pelo atraente departamento de brinquedos eletrônicos, juntamente com seu sorriso, e acabara de passar a mão nos cabelos louros de um garotinho, logo viu. Viu o quê? Um homem, e mais que ele, sua mão surrupiando um trenzinho de pilha, imediatamente metido numa bolsa promocinal da Emperor. Interrompendo em meio seu sorriso, Papai Noel deu um passo firme e fez voz de vigia:

- Por favor, me deixe ver essa bolsa!

Nem todo susto é paralisante: o homem sem largar a bolsa, saiu em disparada pela seção de brinquedos, empurrando pessoas, chutando coisas, derrubando e pisando em brinquedos, Atrás desse furacão, seguia outro furacão, este encarnado, o Papai Noel aludido, que repetia em cores mais vivas os desastres provocados pelo primeiro. A cena prosseguiu com mais dramaticidade e ruídos na escadaria da Emperor, pois a seção de brinquedos era no sexto andar. No quarto pavimento Papai Noel chegou a grampear o ladrão pelo braço, mas este conseguiu escapar, livrando oito degraus entre o quarto e o segundo andares. Aí, novamente Papai Noel pôs a mão enluvada no fugitivo, mas um grupo de pessoas que saia do elevador poluiu a imagem e ele tornou a ganhar distância.

Na avenida a perseguição teve novos aspectos e emoções. A pista era melhor para corridas mas ainda maior o número de pessoas e obstáculos. O ladrão logo à saída da loja chocou-se com uma mulher que carregava mil pacotes, pacotinhos e pacotões. Foram todos para o chão. Um propagandista de longas pernas de pau fez uma aterrissagem forçada, que o aeroporto de Congonhas teria desaconselhado devido ao mal tempo. O Papai Noel também empurrava, esbarrava e derrubava, aduzindo ao seu esforço o clássico "pega ladrão!", um refrão tão comum na cidade que não entendo como ainda não musicaram. Na primeira esquina, quase... Um carro bloqueou a fuga do homem, que ficou hesitante enquanto seu colorido perseguidor se aproximava em alta velocidade.

Quando o ladrão do brinquedo entrou numa galeria da Barão, os espectadores, digamos assim, tiveram a impressão de que se livraram do Papai Noel. Mas, a câmera 2 logo mostrou o santo velhinho, entrando também na galeria com o mesmo ímpeto dos primeiros fotogramas. Todavia, embora corresse em milhas e o outro em quilômetros, não conseguia alcança-lo.

Consta que Papai Noel perseguiu o ladrão inclusive pelo Minhocão, de ponta a ponta, onde é proibida a circulação de pedestres. Também sem resultado.

A história, que nem história é, podia acabar aqui, mas prefiro que acabe lá. Lá, onde? Naquele quarto de subúrbio.

Aquela noite, o ladrão, à meia-noite em ponto, deu para o filho o belo presente das lojas Emperor, o trenzinho de pilha que tinha luzes diversas e até apitava, excessivamente incrementado para qualquer garoto pobre.

O menino, que sabia dos apuros do pai, não recebeu alegremente a maravilha eletrônica.

- Papai, o senhor não devia ter comprado.

- Mas não comprei.

- Ahn?

- Ganhei.

- De quem?

- De Papai Noel, até. Bom cara. Nem precisei pedir. Ele correu atrás de mim e me deu o presente. Disse que a pilha dura três meses. Legal, não?


Edmundo Donato (Marcos Rey)

Daniel Azulay




Daniel Azulay (Rio de Janeiro, 30 de maio de 1947) é um desenhista, músico e arte-educador brasileiro, criador da Turma do Lambe-Lambe. Ídolo de uma geração, trabalhou na televisão nas décadas de 1970, 1980 e 1990.

Foi um dos criadores da vinheta de abertura do Jornal Nacional de 1972-74. No final dos anos 70 apresentou um dos quadros do programa infantil Pirlimpimpim, que era transmitido pelas emissoras educativas como a TV Cultura e a TVE. Entre outros, também fazia parte do programa, com bastante popularidade, o quadro Mãos Mágicas.

Em 1981 Daniel Azulay e a Turma do Lambe-Lambe se transferiram para a TV Bandeirantes, onde apresentou o programa TV Criança, criado por Maurício Sherman, que ocupava as tardes da programação renovada da emissora, quando do lançamento de seu novo logo, criado por Ciro Del Nero. Xuxa foi convidada para estrear como apresentadora nesse programa infantil. Foi convidada por Maurício Sherman, durante sua participação na bancada do programa Etc., que ia ao ar às segundas-feiras, às 23h, na TV Bandeirantes, apresentado por Ziraldo. Mas Xuxa achou o convite estranho, pois acabara de posar nua para a Playboy, então não aceitou. O mesmo Sherman a convidaria para ser apresentadora do Clube da Criança na Rede Manchete, em 1983.


Wikipédia
 
*A sugestão da postagem é do meu amigo e leitor Adauto Neto

domingo, 19 de fevereiro de 2012

O bêbado no velório

O bêbado entra num velório e ouve a viúva, entre lágrimas e soluços, comentando:
- Meu marido era tão bom... Morreu como um passarinho!
Logo em seguida, outro bêbado entra também e encosta ali perto.
- Como foi que ele morreu, hein?
E o primeiro responde de bate-pronto:
- Parece que foi com uma estilingada...



Freud e a teoria social


O patológico fornece a visibilidade do que está em jogo nas condutas sociais gerais


Sofrimento: os sujeitos devem estabelecer um compromisso entre suas exigências de satisfação e o que é socialmente permitido

Freud é um autor fundamental no esforço de constituir um campo de reflexão sobre a modernidade. O recurso a ele foi uma constante em várias correntes de pensamento do século 20 e a razão para tal constância era evidente: longe de se colocar apenas como uma clínica do sofrimento psíquico, a psicanálise freudiana procurou, desde seu início, ser reconhecida também como teoria das produções culturais para desvendar a maneira com que sujeitos mobilizam sistemas de crenças, afetos, desejos e interesses para legitimar modos de integração a vínculos sociopolíticos. Freud afirmava que “mesmo a sociologia, que trata do comportamento dos homens em sociedade, não pode ser nada mais que psicologia aplicada. Em última instância, só há duas ciências, a psicologia, pura e aplicada, e a ciência da natureza”.
Partir do patológico sem reduzir o social.
Não se trata aqui de reduzir a dimensão do social ao psicológico. Na verdade, esse recurso à psicanálise apenas realizava a intuição do sociólogo alemão Max Weber a respeito da necessidade de explicar como a racionalidade dos vínculos sociais depende fundamentalmente da disposição dos sujeitos em adotar certos tipos de conduta.
Em A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, Weber lembrava como a racionalidade econômica do capitalismo dependia fundamentalmente da disposição dos sujeitos em adotar os tipos de conduta ligados a um modo de ser que remetia à ética protestante do trabalho e da convicção, estranha ao cálculo utilitarista, e cuja gênese deve ser procurada no calvinismo. Sem essa ética internalizada, os sujeitos nunca desenvolveriam disposições para trabalhar, poupar e acumular do modo que o capitalismo exigia. No caso de Freud, essa análise das disposições individuais nascia de uma maneira peculiar. Em vez de partir do que deveria ser normal a todos os sujeitos, Freud partia da análise daqueles que, de certa forma, portavam as marcas do fracasso da razão, daqueles que guiavam suas condutas de maneira “patológica” e “irracional”. No entanto, o que Freud procurava era transformar a compreensão do patológico no modo de acesso ao verdadeiro mecanismo do comportamento normal. O que não poderia ser diferente para alguém que acreditava que a conduta patológica expõe, de maneira ampliada, o que está realmente em jogo no processo de formação das condutas sociais gerais. É dessa forma que devemos interpretar uma metáfora maior de Freud: “Se atiramos ao chão um cristal, ele se parte, mas não arbitrariamente. Ele se parte, segundo suas linhas de clivagem, em pedaços cujos limites, embora fossem invisíveis, estavam determinados pela estrutura do cristal”. O patológico é esse cristal partido que, graças à sua quebra, fornece a inteligibilidade do comportamento definido como normal.
Por exemplo, Freud nunca cansou de lembrar que “um ser humano se torna neurótico por não poder suportar a frustração (Versagung) imposta pela sociedade com seus ideais culturais”, sem que essa impossibilidade o leve ao ponto de negar todo e qualquer interesse por tais ideais. Para assumir tais ideais, os sujeitos devem estabelecer certo compromisso entre suas exigências individuais de satisfação e aquilo que é socialmente permitido. Tal compromisso exige, necessariamente, aceitar certa frustração, submeter-se a certa coerção e conflito. Esse é, para Freud, um traço geral dos processos de socialização. No entanto, os neuróticos vivem tal compromisso como fonte profunda de sofrimento psíquico. Entender as causas de tal sofrimento psíquico nos permite, por outro lado, apreender a verdadeira natureza dos compromissos presentes em todo processo de assunção de ideais, normas e valores sociais. Dessa forma, poderemos partir da frustração patológica para, ao final, encontrar seus traços em todo comportamento normal.
Notemos um dado fundamental aqui. Quando alguém está doente, cremos que sabemos isso porque comparamos sua situação com uma situação normal da qual disporíamos previamente. Ou seja, a doença nos aparece como uma derivação do normal. No entanto, Freud faz praticamente o inverso. Ele parte do sofrimento vivenciado pelo doente que procura amparo clínico. Em vez de simplesmente curá-lo, ele procura inicialmente mostrar como seu sofrimento expõe conflitos e processos gerais na constituição de todo e qualquer indivíduo. Isso lhe permite problematizar uma noção demasiadamente normativa e sublimada de normalidade.
No entanto, não se trata com isso de simplesmente negar a distinção entre normal e patológico. Podemos dizer que, no caso de Freud, temos uma diferença qualitativa fundamental entre normal e patológico. Se é verdade que o patológico permite a visibilidade de processos e conflitos presentes no comportamento normal, é porque o patológico transforma em motivo de quebra aquilo que o comportamento normal é capaz de suportar sem cindir-se e dissociar-se.Por exemplo, a ambivalência entre amor e ódio na relação com o objeto de desejo, assim como a erotização da autoridade, é um traço que encontramos em todo comportamento. Mas é na neurose obsessiva que tal ambivalência e tal processo são vivenciados para produzir necessariamente sintomas, inibições e angústia. Ou seja, há uma diferença qualitativa na vivência de processos estruturalmente semelhantes. Eles ganham visibilidade, como os sulcos do cristal quebrado, porque começam a produzir fenômenos que não produziriam em algo que poderíamos chamar de uma situação normal (e que nada mais é do que a ausência de certos sintomas, inibições e angústias em outras situações patológicas, já que não há sujeitos sem sintomas de sofrimento psíquico).Mas dizer que o patológico é o ponto que fornece a visibilidade do que está em jogo nas condutas sociais gerais significa, necessariamente, dizer que “normal” e “patológico” são categorias que podem ser utilizadas para compreender fatos sociais. Proposição aparentemente temerária, a não ser que mostremos que a verdadeira crítica social pode ser algo como uma “análise de patologias do social”. Talvez essa seja a lição que podemos tirar ao tentar trazer Freud para o domínio da teoria da sociedade.
Da necessidade de críticas totalizantes.
Nesse sentido, podemos dizer que o recurso a Freud nos permite compreender que uma crítica social é indissociável da análise dos procedimentos de socialização que visam conformar sujeitos a formas de vida aspirantes a uma validade que não se reduz apenas aos domínios da tradição e do hábito. Por um lado, sabemos como os dispositivos de formação e de individuação presentes nas dinâmicas de socialização são legíveis a partir daquilo que compreendemos como sendo processos de identificação mimética e de investimento libidinal. Até porque socializar é, fundamentalmente, “fazer como”, atuar a partir de tipos ideais que servem de modelos de identificação e de polo de orientação para os modos de desejar, julgar, falar e agir. Mas sabemos também que essa identificação com tipos ideais não pode ser descrita simplesmente a partir de considerações sobre as pressões de conformação presente em núcleos elementares de interação social (família, instituições sociais, mídias). Freud compreendeu que as estruturas elementares que orientam o que está em jogo nesses núcleos de interação são figuras privilegiadas da razão. As exigências de racionalidade presentes nesses núcleos são, necessariamente, manifestações privilegiadas do que estamos dispostos a contar como racional. No entanto, nunca deixará de colocar a questão: “o que é necessário perder para se conformar a exigências de racionalidade presentes em processos hegemônicos de socialização e de individuação?”, ou, ainda, “qual o preço a pagar, que tipo de sofrimento devemos suportar, qual o cálculo econômico necessário para viabilizar tais exigências?”.
Essa questão está claramente enunciada em trechos como, por exemplo: “Grande parte das lutas da humanidade centralizam-se em torno da tarefa única de encontrar uma acomodação conveniente, ou seja, um compromisso (Ausgleich) que traga felicidade entre reivindicações individuais e culturais; e um problema que incide sobre o destino da humanidade é o de saber se tal compromisso pode ser alcançado através de uma formação determinada da civilização ou se o conflito é irreconciliável”. Pois devemos nos perguntar o que deve acontecer ao sujeito para que ele possa se pautar por um regime de racionalidade que impõe padrões de ordenamento, modos de organização e estruturas institucionais de legitimidade. Como deve se organizar sua economia libidinal para que ele possa ser reconhecido, como sujeito agente, por estruturas institucionais que aspiram garantir a racionalidade de nossas dinâmicas sociais. Toda discussão freudiana clássica da imbricação entre socialização e repressão, que encontramos em textos como O Mal-estar na Civilização, é apenas o ponto mais visível desse problema.
Essas perguntas são fundamentais por nos levarem a uma visão renovada do que pode ser a crítica social. Sendo os núcleos de interação social modos de realização de formas de ordenamento, de determinação de validade do que estamos dispostos a contar como racional, então a verdadeira crítica social deverá ser uma análise das formas de vida que se perpetuam por meio dos modos institucionais de reprodução social.
No entanto, como bem nos lembra Axel Honneth, sabemos desde ao menos Rousseau que tal análise pode nos levar à denúncia ampla do caráter distorcido das formas de vida na modernidade ocidental. Nesse caso, ela se transforma em crítica da natureza patológica de tais formas de vida com suas exigências de autoconservação e reprodução social. Notemos que, aqui, uma forma de vida poderia ser chamada de “patológica” por produzir um sofrimento social advindo da impossibilidade de dar conta de exigências de reconhecimento dos sujeitos em suas expectativas de autorrealização. Ou seja, nesse caso, a estrutura conceitual e valorativa “normal”, cuja internalização constitui sujeitos agentes, produtores de deliberações racionais, já seria “patológica”, pois indissociável da perpetuação de uma situação de sofrimento advinda, ao menos no caso de Rousseau, da perda de um horizonte originário que se confunde com a natureza como plano positivo de doação de sentido.
Se deixarmos de lado a temática rousseauísta do retorno à origem, é bem possível que esse esquema esteja animando algo da intuição freudiana. Trata-se de se perguntar se o sofrimento social que produz patologias não expõe, de maneira mais clara, o funcionamento dos processos de formação de subjetividades normais. Trata-se, ainda, de investigar se isso não nos obrigaria a perguntar pelos conflitos que estão por trás dos sistemas de normas e regras que compõem a vida social e, principalmente, por novas maneiras de gerir tais conflitos.

Vladimir Safatle
Fonte: Íntegra da Revista Cult