quarta-feira, 31 de julho de 2013

Mídia transparente

Vamos voltar um pouco ao tema da Mídia Ninja e das tecnologias de vigilância mútua entre o aparelho do Estado (e das Corporações) e a população civil. A onipresença das câmeras de segurança em nosso mundo urbano torna possível vigiar em tempo real (ou reconstituir “a posteriori”) os movimentos dos cidadãos através de uma cidade. A grande imprensa mostrou as deslocações do brasileiro Jean Charles antes de ser equivocadamente morto pela polícia londrina, sob suspeita de terrorismo, em 2005, e o modo como o carro da juíza Patrícia Accioly foi seguido pelos policiais que a mataram em Niterói, em 2008. Reconstituições assim poderão ser possíveis (em tese) em relação à maioria das pessoas, pois todas elas estarão em algum momento de seus trajetos urbanos passando pelo campo visual de uma câmera.

Nos EUA, carros da rádio-patrulha levam uma câmera apontada para a dianteira do carro; desse modo, quando os patrulheiros detêm um suspeito e param atrás do carro dele, todas as ações subsequentes (descer, mandar o motorista descer, revistá-lo, algemá-lo, dar-lhe uns safanões quando necessário) estarão sendo registradas para posterior avaliação no tribunal, se for requerido por alguém.

Milhares de câmeras portáteis nas mãos de manifestantes, cobrindo o tumulto de uma passeata, podem ser uma arma poderosa, se não para dissuadir a polícia de praticar as barbaridades costumeiras, pelo menos para atribuir responsabilidades “a posteriori”. Outra arma importante seria (não sei até que ponto isto já é contemplado pelas nossas leis atuais) a exigência de que qualquer procedimento policial fosse obrigatoriamente registrado em vídeo e áudio; e que no caso de a polícia não fornecer essas gravações, quando solicitadas por um juiz, isto fosse considerado um indício de possível culpabilidade. Uma micro-câmera numerada no capacete de cada policial envolvido na repressão de manifestações de rua. (E só faltava agora eles quebrarem a câmera com a mesma cara-de-pau com que arrancam o nome da farda.)
 
Câmeras no interior das delegacias, principalmente nas salas de interrogatório. É possível? Câmeras nos guichês de atendimento do Detran e outras repartições notórias pelo descaso, corrupção ou bagunça. É possível? Câmeras onde quer que ações governamentais e corporativas possam estar se chocando com o interesse da população. É possível? Se for, é preciso votar para que isto se transforme em lei, e que os bancos de imagens sejam acessíveis à sociedade organizada. Em termos enxadrísticos, o Povo precisa deixar de jogar com as peças pretas. Precisa jogar com as brancas, tomar a iniciativa contra (e colocar em xeque) Governos e Corporações.
 
 
Braulio Tavares
(O mundo fantasmo)
Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura.
 
Friedrich Nietzsche

Nunca é tarde para fugir de casa II


Banalização do bem

Nesses tempos sombrios de violência, guerra, miséria e fome, em suma, da chamada banalização do Mal, é sintomático que o Papa Francisco tenha conseguido um extraordinário sucesso pregando justamente o contrário, algo como a banalização do Bem.
 
A sua foi a primeira voz autorizada de alcance planetário a se levantar contra a razão cínica em voga, propondo em seu lugar um círculo virtuoso, uma espécie de revolução ética contra a cultura do provisório, da exclusão e do descartável.
 
Quem sabe ele não estará pondo fim a um ciclo de produção do mal como energia incontrolável? O filósofo francês Jean Baudrillard, estudioso do tema e cético quanto à sua erradicação, achava inevitável o funcionamento das sociedades sobre a base da “disfunção, do acidente, do catastrófico, do irracional”. Na sua opinião, “dizer que tudo isso pode ser exorcizado, erradicado, significa insistir numa perspectiva religiosa da salvação”.
 
Pois durante a semana que passou entre nós, foi nessa perspectiva que o Papa insistiu, distribuindo esperança e atualizando antigos valores e virtudes como a solidariedade e a tolerância, esquecidos ou “fora de moda”.
 
Ele pode até ser criticado pelo que calou (aborto, preservativo, célula-tronco), mas não pelo que falou de outros temas tabus: “Se uma pessoa é gay, quem sou eu para julgá-la?” “A mulher na Igreja é mais importante que os bispos e os padres”.  
 
A maior novidade de seu discurso inovador é que a reforma moral proposta por ele deve passar pelo diálogo e o encontro, não pelo confronto. Pela compreensão, não pela animosidade. Nunca pela intransigência e o radicalismo. Essa talvez seja a melhor contribuição para a paz do evangelho segundo Francisco.
                         
Ao facilitarem o trabalho dos garis ajudando a recolher o lixo depois dos eventos, os peregrinos deram uma lição de educação para os foliões sujismundos e mijões, que no carnaval espalham detritos nas ruas e urinam nas calçadas, canteiros e até através das grades dos edifícios. Mais um legado de civilidade deixado pelos alegres fiéis da JMJ.                     
 
Por falar em onda do bem: o Instituto do Cérebro Paulo Niemeyer, que está sendo inaugurado, impressiona não só porque é um dos mais bem instalados e equipados do mundo, mas também por ser uma obra “padrão Papa”, ou seja, é excelente e não se destina aos privilegiados, e sim aos necessitados do SUS. E pensar que, com o que foi gasto com muitos dos estádios que vão virar elefantes brancos depois da Copa, algumas dezenas desses hospitais podiam ser construídos pelo Brasil afora.

 
Zuenir Ventura é jornalista.
O Globo

Charge


Nunca é tarde para fugir de casa!


terça-feira, 30 de julho de 2013

A vida é muito curta para ser pequena.
 
Disraelli


D. Quixote

Assim à aldeia volta o da triste figura
Ao tardo caminhar do Rocinante lento;
No arcabouço dobrado um grande desalento,
No entristecido olhar uns laivos de loucura.


Sonhos, a glória, o amor, a alcantilada altura,
Do ideal e da fé, tudo isto num momento,
A rolar, a rolar, num desmoronamento,
Entre risos boçais do bacharel e o cura.


Mas certo, ó D. Quixote, ainda foi clemente,
Contigo a sorte ao pôr neste teu cérebro oco,
O brilho da ilusão do espírito doente;


Porque há cousa pior: é o ir-se pouco a pouco
Perdendo qual perdeste um ideal ardente
E ardentes ilusões e não se ficar louco.


 
Euclides Rodrigues da Cunha

Telegrama sobrevive na era da internet

Presente no Brasil há 161 anos, desde o reinado de Dom Pedro II, o serviço estatal de telegramas encontrou na tecnologia uma aliada para resistir ao tempo. A transmissão via internet, que teve início em 2001, impulsionou o tráfego de mensagens no País, dando sobrevida a esse braço dos Correios.
Entre 2007 e 2012, o volume anual de telegramas cresceu 39%, passando de 14,4 milhões para 20 milhões. No ano passado, 87% do fluxo foi eletrônico, 11,5% nas agências e menos de 3% foi por telefone - a forma original de envio.
 
 
Bianca Pinto Lima, Estadão

Quem sou eu para julgar os gays?

ROMA - A Igreja não pode julgar os gays por sua opção sexual e nem marginalizá-los. O alerta é do papa Francisco que, quebrando um verdadeiro tabu, deixa claro que estende sua mão a esse segmento da sociedade. “Se uma pessoa é gay e procura Deus e tem boa vontade, quem sou eu pra julgá-lo”, declarou. “O catecismo da Igreja explica isso muito bem. Diz que eles não devem ser marginalizados por causa disso, mas devem ser integrados na sociedade”, insistiu.
 
As declarações foram dadas em uma entrevista concedida pelo papa aos jornalistas que o acompanharam no avião entre o Rio e Roma, entre eles a reportagem do Estado. Na conversa, a garantia do argentino de que o Vaticano tem como papa uma “pessoa normal”, um “pecador” e que vive junto com os demais religiosos porque morar no Palácio Apostólico o geraria problemas psicológicos.
 
Trinta minutos depois de o voo decolar do Rio, o papa deixou sua primeira classe e cumpriu uma promessa que havia feito no voo de ida de Roma ao Brasil: responderia perguntas dos jornalistas. Mas poucos imaginaram que a conversa duraria quase uma hora e meia.
 
Leia a entrevista na íntegra clicando aqui

Lição de vida! Neneo, um humilde compositor desconhecido de muitos sucessos


As composições de Neneo já foram gravadas por vários artistas de renome nacional, a exemplo de Roberto Carlos, Paulo Sérgio, Alcione, Zezé de Camargo e muitos outros

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Imagens que marcaram a Jornada Mundial da Juventude no Brasil 2013










Fotos Fabio Mota AE/ Clayton de Souza AE e outros
Fonte: http://estadao.br.msn.com/fotos/personagens-do-papa#image=19

Charge


Perdi os Meus Fantásticos Castelos

Perdi meus fantásticos castelos
Como névoa distante que se esfuma...
Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los:
Quebrei as minhas lanças uma a uma!

Perdi minhas galeras entre os gelos
Que se afundaram sobre um mar de bruma...
- Tantos escolhos! Quem podia vê-los? –
Deitei-me ao mar e não salvei nenhuma!

Perdi a minha taça, o meu anel,
A minha cota de aço, o meu corcel,
Perdi meu elmo de ouro e pedrarias...

Sobem-me aos lábios súplicas estranhas...
Sobre o meu coração pesam montanhas...
Olho assombrada as minhas mãos vazias...


Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"


Versiculos do dia

Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.
 

 Romanos 8:38-39 

Humor



domingo, 28 de julho de 2013

A Fonte do Direito são as Sogras dos Juízes

Quando vejo todas essas manifestações de estudantes aprovados em vestibular, a exemplo de cabeças raspadas, trotes os mais diversos e comemorações em família, penso imediatamente também na minha chegada à faculdade de Direito, em 1980. No meu primeiro dia de aula, um “veterano” se fez passar por professor e nos mandou tomar nota das expressões mais esdrúxulas. Na aula verdadeira, um professor sisudo, terno bem cortado e sempre abotoado, falou-nos sobre a grandeza da “ciência do Direito” e algo parecido com “ubi societas, ibi jus”, ou seja, nós não tínhamos mais saída: onde houvesse sociedade organizada, inevitavelmente haveria o Direito.

Os primeiros assuntos aprendidos estavam sempre relacionados à grandiosidade do Direito na sociedade e na eloquência de sua linguagem. Aquele tal professor sisudo nos embeveceu por algumas aulas discursando sobre o tópico “terminologia jurídica”. Uma glória! A bibliografia recomendada tinha os títulos mais grandiosos que um curso universitário pode ter: notas introdutórias, compêndio, manual, curso disto e daquilo… Mas, na verdade, o que nos fascinava mesmo eram os códigos! Sonhávamos com o dia em que seríamos “obrigados” a trazer os códigos para a aula. Aqueles livros grossos, letrinhas pequenas, papel bíblia e capas com tipos dourados eram quase um fetiche.

As disciplinas propedêuticas passaram despercebidas. Queríamos estudar as leis. Saber os crimes e as penas, sucessões, casamento, contratos, obrigações, direitos trabalhistas… Depois de algum tempo apareceram alguns livros da turma de juristas do Rio Grande Sul, Santa Catarina e Brasília. Eram discussões sobre o Direito Alternativo, a Nova Escola Jurídica e o Direito Achado na Rua. Foram leituras inquietantes e nos despertaram para a possibilidade de um uso “alternativo” ao Direito que estávamos estudando, mas não nos incitava, ainda, para a possibilidade de um “novo” Direito.

Saí da faculdade em 1984 e logo em seguida, ainda em crise com o Direito, buscando sempre novidades, embora fazendo uma advocacia de “combate”, como defendia Roberto Lyra Filho, fiquei encantado com o título de um livro: A Ciência Jurídica e seus dois maridos. Daí, seguiram-se outros mais instigantes ainda: Manifesto do Surrealismo Jurídico, O amor tomado pelo amor, Por quien cantam las sirenas, Surfando na pororoca etc. E o autor desses livros? O argentino mais baiano e brasileiro chamado Luis Alberto Warat.

Muito mais do que títulos invocados, os livros e textos de Warat nos convidava a pensar o Direito de forma diferente. Enfim, era a primeira vez que pensávamos o Direito para além do mero estudo e aplicação das leis. E mais: para além da aplicação alternativa da lei, ou contra a lei, como defendia o Direito Alternativo, agora tínhamos a oportunidade de questionar o que até então conhecíamos como Direito, ou seja, uma ciência baseada apenas na norma. Além disso, para nosso deleite, Warat criticava com força o ensino jurídico do qual nos todos éramos vítimas. Enfim, um ensino jurídico que não nos permitia a transgressão, pois “é difícil perder-se”, como dizia Warat.

No Manifesto do Surrealismo Jurídico, por exemplo, Warat resume assim a diferença entre a pedagogia tradicional e a pedagogia surrealista: “a pedagogia tradicional, baseada na angústia da perda, é um instrumento de controle apoiado no sufocamento da imaginação criativa. Nessa forma de ensino, toda criatividade será castigada. Na pedagogia surrealista isso não acontece. Nela o fundamental será o desenvolvimento da criatividade, dos afetos e dos sonhos.” Em seguida, provoca os professores: “O professor precisa ajudar o aprendiz existencial a transformar o saber num sonho criativo e não deixa-lo com a passividade de uma vaca olhando o trem passar.” A sala de aula, no delírio surreal de Warat, seria “convertida num espetáculo sem passarela. Um lugar onde não existisse mais separação entre a voz do mestre e os ouvidos anestesiados dos alunos. Todos protagonizando a compreensão de seus vínculos com a vida, no plural do fantástico.”

Em “A Ciência Jurídica e seus dois maridos”, Warat se utiliza do romance do Jorge Amado para discutir as “máscaras” do trio famoso (Dona Flor, Vadinho e Teodoro) e desafia os juristas: “Poderão os juristas, como dona Flor, construir uma máscara de Vadinho que incite sua criatividade, que lhes provoque um ardente aspiração à extrema liberdade das ideias? Poderão proteger a criatividade mais que a propriedade”?. É também nesta obra que Warat discute a proposta de “carnavalização”. Em resumo, segundo Warat, “a metáfora do carnaval pode ajudar a entender que não há mais uma autoridade incontestável, fiadora do poder e do saber; ou se você prefere, na democracia não se pode mais aceitar o princípio de um suposto possuidor do sentido da lei, do sentido último do poder e do conhecimento social”.

Finalmente, nesta caminhada de crítica ao ensino jurídico, ao discurso jurídico e ao normativismo, Warat termina despertando, em que lhe compreende, uma relação de amor e ódio ao que conhecemos como Direito ou Ciência Jurídica. O sentimento é de amor quando traduzimos o Direito como garantia da liberdade, do “plural dos desejos”, da possibilidade de emancipação e que se realiza na alteridade, na mediação; de outro lado, o sentimento é de ódio quando o Direito é simplificado no normativismo castrador de todas as possibilidades criativas e a serviço da opressão.

Ano passado, (2010), no livro “A rua grita Dionísio! - Filosofia Surrealista e Direitos Humanos, Warat retoma críticas antigas ao ensino jurídico, aos ressurgimentos do tipo “neoconstitucionalismo” e ao Direito baseado no normativismo. Diz Warat: “Os juristas pretenderam sair, escapar da bárbarie criando seu barroco particular: o normativismo. Geraram um grande boato com pretensões de universalidade, que reforçou ideologicamente os esforços codificadores, servindo ao mesmo tempo de enlace ilusório para criar um efeito de identificação entre as normas e o Estado. O normativismo se estendeu até cobrir com suas crenças a própria ideia de Estado. [...] Este fato se deve ao conjunto de crenças normativistas, os lugares comuns do senso comum teórico dos juristas. Um senso comum que apresenta graves ingenuidades epistêmicas escondidas, que não se fazem visíveis porque estão recobertas por um sofisticado jogo de idealizações, abstrações ou universalizações que garantem a fuga dos juristas até o paraíso conceitual.”

A “Rua grita Dionísio!” é um texto denso e repleto das inquietações de Warat. No Capítulo III, por exemplo, Warat crítica a teoria dos Direitos Humanos a partir de uma perspectiva “exclusivamente normativista” e propõe “pensar os Direitos Humanos como uma concepção emergente do Direito, uma concepção do Direito e a partir daí começar a produzir, a deixar que o novo tenha sua vez”. Nesse mesmo texto Warat nos apresenta o que seria um primeiro esboço de Direitos de Alteridade. Em suas palavras, “uma listagem que me surgiu automaticamente e que pode ser alterada com variadas combinações”. O primeiro desses onze direitos esboçados por Warat seria o “direito a não estar só”, o segundo é o “direito ao amor” e o último é o “direito à própria velocidade, à lentidão”.

Por fim, para justificar também o título dessa comunicação, conversando com Marta Gama e Eduardo Rocha, talvez em uma de suas últimas conversas registradas, Warat detona definitivamente o dogmatismo, o Direito baseado no normativismo e o mito da imparcialidade do Juiz, aprofundando ainda mais em mim a relação de amor e ódio com o Direito:

-No seu entendimento os juízes conseguem ser imparciais? Os profissionais do Direito conseguem ser imparciais?

Eles devem ser imparciais?

- Não, eles não devem.

Há uma questão: se vamos modificar a história de que o juiz é aquele que decide, a imparcialidade perde o sentido. Porque no fundo o problema não é a imparcialidade e sim a arbitrariedade. A sensibilidade permite ao juiz tomar a consciência de que não deve ser insensível. A imparcialidade significa tomar distância e eu creio que estamos buscando através do trabalho de sensibilização implicar o juiz no conflito e não afastá-lo. (http://gerivaldoneiva.blogspot.com/2010/12/marta-gama-e-eduardo-rocha-entrevistam.html).

Não se assustem meus amiguinhos que estão iniciando agora sua relação com o Direito. Os conflitos e as dúvidas estão começando agora. Muitas ainda virão e com mais intensidade ainda. Isto é bom. Significa, sobretudo, que resolvemos nos apaixonar por um desafio: decifra-me ou devoro-te. Aliás, como disse Warat na entrevista concedida a Marta e Eduardo, antes de resolver nossos conflitos com o Direito, “nós temos que inventar um sentido para nossas vidas.”
 
 
Bruno Azevedo - João Pessoa, Paraíba
Juiz de Direito - Professor de Direito - UEPB. Especialista e Mestre em Direito Constitucional. Doutorando na UERJ
 
Fonte:

Invasão de privacidade

Quando Obama disse que ninguém pode viver com segurança e privacidade com 0% de inconveniência, pensei: Obama virou gente grande. Mas não foi assim que o mundo reagiu. Quase todo mundo ficou horrorizado, e eu, fiquei horrorizado com mais um show de infantilidade do mundo em que vivemos. É um mundo "teenager" mesmo.
 
E por que o Brasil seria vigiado? Talvez porque suspeita-se que o Brasil esteja na rota entre o dinheiro do crime internacional e terroristas. E a América Latina está à beira de uma virada socialista, só não sabe quem não quer ver. Corrupção, autoritarismo, gestão inepta da economia e populismo sempre foram paixões secretas do socialismo.
 
A CPI do "Obamagate" é um truque nacionalista (tipo Guerra das Malvinas) para desviar a atenção da nossa crise econômica, apesar de muitos brincarem de revolução enquanto a economia vai para o saco nas mãos de um governo que aumentou os gastos públicos com embaixadas em repúblicas das bananas, criação de ministérios inúteis e "investimento" na inadimplência como forma de ganhar votos.
 
A diferença entre um "teenager" (ainda que com PhD, PostDoc e livre-docência) e alguém que sofre para ser um pouco menos "teenager" é saber que o mundo não é preto e branco e que se você é responsável por muitas coisas, você nem sempre vive com luvas de pelica.
 
O mundo é uma terra abandonada pelos deuses, e temos que nos virar com o pouco que temos, a começar por uma espécie confusa como a nossa e que ainda acredita em borboletas azuis como salvação da vida.
 
Não é bonito o que o Obama fez. Mas todo mundo que tem as responsabilidades que o Obama tem faz coisas assim quando ocupa o lugar do Obama.
 
Por muito menos, vigiamos a geladeira para ver quantos iogurtes tem, os armários da cozinha para ver quantos sacos de açúcar tem, e as sacolas das empregadas para ver se elas não estão levando algum pacotinho de carne.
 
O mundo é um grande Big Brother, George Orwell acertou em cheio. A diferença é que nosso mundo não é uma ditadura pré-histórica como a do livro "1984", mas uma sociedade democrática que preserva direitos gays ao mesmo tempo que quer saber se eu e você estamos envolvidos num ataque a alguma embaixada no Mali ou que tipo de tênis e comida étnica curtimos.
 
Nada disso é bonito, apenas é assim. Para manter as coisas funcionando, pessoas tem que fazer coisas que não são muito bonitinhas. Eu sei que os inteligentinhos facilmente entram em surto, mas que vão brincar no parque, com segurança, de preferência.
 
As redes sociais, esse grande bacanal de narcisismo, são um prato cheio para sermos vigiados. Sites nos dão nosso perfil de consumo e nossa "linha da vida". Celulares nos avisam quando algo acontece em nossa conta e em nosso cartão de crédito, e isso tudo é muito "prático", não?
 
Este evento revela a óbvia violência à privacidade que as redes sociais significam. A ideia de que elas são uma ferramenta da democracia pode ser uma ideia também infantil.
 
Além de elas serem um elemento de alto risco com relação a linchamentos e violência espontânea, elas nos tornam vulneráveis de modo direto na medida em que estar "na rede" significa estar dependente de uma "teia" (de aranha) tecnológica de controle bastante vulnerável a tutela das empresas que nos oferecem a própria ferramenta. Por isso o nome é TI, tecnologias da informação.
 
Há muito se sabe que é mais fácil subornar um blogueiro do que um jornal gigantesco (o blogueiro é mais barato...). Agora fica mais claro ainda que a manipulação via redes sociais é muito maior do que via mídia "clássica".
 
Todo mundo sabe que não pode marcar encontros amorosos ilegítimos via e-mail ou mensagem de celular, como alguém fica escandalizado que a internet não seja segura? Parece papo de falsa virgem de 50 anos.
 
Em breve esqueceremos isso e continuaremos a postar fotos, falar bobagens, marcar revoluções no final de tarde e propor utopias que requentam a falida autogestão. E viajar para fazer compras em Miami com segurança e usando Visa.
 
Snowden, e seus 15 minutos, é mais um falso herói para falsos adultos.
 
 
Luiz Felipe Pondé, pernambucano, filósofo, escritor e ensaísta, doutor pela USP, pós-doutorado em epistemologia pela Universidade de Tel Aviv, professor da PUC-SP e da Faap, discute temas como comportamento contemporâneo, religião, niilismo, ciência. Autor de vários títulos, entre eles, "Contra um mundo melhor" (Ed. LeYa). Escreve às segundas na versão impressa de "Ilustrada".
(www.folha.com.br/opiniao/colunistas/luizfelipeponde/22-07-2013)

sábado, 27 de julho de 2013

Charge





Hora do recreio: O sujeito vai ao psiquiatra

 - Doutor - diz ele - estou com um problema: Toda vez que estou na cama, acho que tem alguém em baixo. Aí eu vou em baixo da cama e acho que tem alguém em cima. Pra baixo, pra cima, pra baixo, pra cima. Estou ficando maluco!

- Deixe-me tratar de você durante dois anos, diz o psiquiatra. Venha três vezes por semana, e eu curo este problema.
...

- E quanto o senhor cobra? - pergunta o paciente.

- R$ 120,00 por sessão - responde o psiquiatra.

- Bem, eu vou pensar - conclui o sujeito.

Passados seis meses, eles se encontram na rua.

- Por que você não me procurou mais? - Pergunta o psiquiatra.

- A 120 paus a consulta, três vezes por semana, durante dois anos, ia ficar caro demais, ai um sujeito num bar me curou por 10 reais.

- Ah é? Como? Pergunta o psiquiatra.

O sujeito responde:

- Por R$ 10 ,00 ele cortou os pés da cama...

Moral da História:

Muitas vezes o problema é sério, mas a solução pode ser muito simples!

Há uma grande diferença entre foco no problema e foco na solução.


Jornada Mundial da Juventude - Rio de Janeiro

"Com a cruz, Jesus se une ao silêncio das vítimas da violência, que já não podem clamar, sobretudo os inocentes e indefesos; nela Jesus se une às famílias que passam por dificuldades, que choram a perda de seus filhos, ou que sofrem vendo-os presas de paraísos artificiais como a droga; nela Jesus se une a todas as pessoas que passam fome, num mundo que todos os dias joga fora toneladas de comida.
 
 
Papa Francisco

Piada de português

Manoel estava suspeitando da fidelidade da mulher. Para descobrir se era verdade contratou um detetive particular para segui-la. Uma semana depois o detetive retorna com a ficha toda:
- Infelizmente, seu Manoel, a sua esposa está lhe traindo com seu melhor amigo.
No dia seguinte o cachorro da família aparece morto.

Frase

"Uma semana depois das manifestações, (os políticos) continuaram com práticas que não acham nada de mais. O mundo mudou e nossos políticos parecem que não viram o tempo passar, vivem ainda no século XX, quando existiam os currais eleitorais.
 
 
Eliana Calmon, ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ), sobre o uso dos aviões da FAB por Renan Calheiros e Henrique Alves

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Mais velha do que boa

Na semana passada, um telejornal exibiu uma matéria sobre a "morte" das lâmpadas incandescentes. O (ótimo) texto do repórter começava assim: "A velha e boa lâmpada incandescente, mais velha do que boa...".

 
Hábil com as palavras, o repórter desfez a igualdade que a conjunção aditiva "e" estabelece entre "velha" e "boa" e instituiu entre esses dois adjetivos uma relação de comparação de superioridade, que não se dá da forma costumeira, isto é, entre dois elementos ("A rua X é mais velha do que a Y", por exemplo), mas entre duas qualidades ("velha" e "boa") de um mesmo elemento (a lâmpada incandescente).
 
Ao dizer "mais velha do que boa", o repórter quis dizer que a tal lâmpada já não é tão boa assim. Agora suponhamos que a relação entre "velha" e "boa" se invertesse. Como diria o repórter: "A velha e boa lâmpada incandescente, mais boa do que velha..." ou "A velha lâmpada incandescente, melhor do que velha..."?
 
Quem gosta de seguir os burros "corretores" ortográficos dos computadores pode se dar mal. O meu "corretor", por exemplo, condena a forma "mais boa do que velha" (o "mestre" grifa o par "mais boa"). Quando escrevo "melhor do que boa", o iluminado me deixa em paz. E por que ele age assim? Por que, para ele, não existe "mais bom", "mais boa"; só existe "melhor".

 Bem, quando se diz algo como "O Juventus é melhor do que o Corinthians" (rarará!), emprega-se "melhor" (e não "mais bom") porque se compara uma qualidade em relação a dois elementos, mas, quando a comparação se dá entre duas qualidades do mesmo elemento, a coisa muda: em vez de "melhor", o que se usa é mesmo "mais bom/a".
 
Moral da história: se o julgamento do repórter sobre as qualidades da lâmpada incandescente sofresse uma inversão, a construção adequada seria "A velha e boa lâmpada incandescente, mais boa do que velha...". Sim, "mais boa do que velha", o que também vale para o masculino, é óbvio: "Esse velho e bom livro de receitas, mais bom do que velho...".
 
O raciocínio se aplica a "mais mau/má" e "pior". Suponha que se fale da má e burra sinalização de solo de São Paulo. Algum motorista paulistano duvida de que, no todo, a sinalização de solo da cidade é burra e de má qualidade (desgastada, apagada)? O senso pode variar: uns acham que a sinalização é mais burra do que má; outros, o contrário.
 
Percebeu, caro leitor? Pode-se dizer que a sinalização de solo de São Paulo é pior (e não "mais má") e mais burra do que a de Curitiba, por exemplo, mas não se vai dizer "A má e burra sinalização de solo de São Paulo, pior do que burra...".
 
O mesmo se dá com "maior" e "menor", em relação a "mais grande" e "mais pequeno", respectivamente. Uma casa, por exemplo, pode ser grande e confortável, mas não tão confortável quanto o seu tamanho permitiria que fosse. Nesse caso, é mais do que possível dizer que "A casa de Fulano é grande e confortável, mais grande do que confortável..." (e não "maior do que confortável").
 
No caso de "menor" e "mais pequeno", convém lembrar que, em Portugal, é muito comum a forma "mais pequeno" na comparação entre dois seres ("Esta casa é mais pequena do que aquela"), seja na língua oral, seja nos escritos, literários ou não. No português do Brasil, esse uso foi comum até a primeira metade do século passado, na oralidade e na escrita. Hoje em dia, predomina o emprego de "menor" ("Esta casa é menor do que aquela").
 
Na comparação entre duas qualidades do mesmo ser, vale o que foi dito ao longo desta coluna ("Um carro pequeno e charmoso, talvez mais pequeno do que charmoso..."). É isso.
 
 
 

Missa da Acolhida reuniu cerca de 1 milhão de fiéis na Praia de Copacabana


Rio de Janeiro - Missa da Acolhida, com a presença do papa Francisco, reuniu no começo da noite de hoje (25) cerca 1 milhão de fiéis na Praia de Copacabana, disse o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi. 'Há muitas versões para esse número, mas posso dizer que foi em torno de 1 milhão de pessoas. Certamente, dizem que no início era muito menos, e, no final, muito mais. Razoavelmente, dizemos 1 milhão de pessoas'.
 
O padre também comentou o público de argentinos que se encontrou com o papa na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro, no fim da manhã, momento em que o papa falou de improviso para os compatriotas. De acordo com Federico Lombardi, havia cerca de 5 mil pessoas na igreja e 25 mil no lado de fora.
 
Em outro compromisso, que só foi informado na coletiva de imprensa desta noite, o papa se reuniu com seminaristas brasileiros na residência onde está hospedado, no Sumaré. Cerca de 300 jovens participaram do encontro. 'Nesse encontro, ele aconselhou os seminaristas que se lembrassem de que são vasos que trazem um grande tesouro. Pediu que se confessem sempre', disse o porta-voz do Vaticano, que declarou ainda que a reunião foi pedida pelo papa e não estava na programação.
 
Amanhã (26), o papa Francisco vai almoçar com o arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, e 12 jovens: um casal de cada continente e um casal do Brasil. O pontífice também deve se encontrar com jovens detentos, e o desejo dele é fazer uma confissão, informou Lombardi.
 
o porta-voz do Vaticano brincou com a disposição do papa Francisco para eventos não previstos. 'Quando Bento XVI renunciou, ele explicou que seria necessária uma pessoa com um vigor que ele não tinha, e isso foi realizado de uma maneira inacreditável. Este vigor, nós vemos também na rotina dele [papa Francisco] em Roma. O que de certo modo nos dá um estresse, porque não estávamos acostumados a tanto agito. Estamos contentes de já estarmos na metade da viagem, porque, se fosse mais comprida, ficaríamos todos destruídos', disse.
 
 
Vinícius LisboaRepórter da Agência Brasil
O Senhor chamou a Samuel, e disse ele: Eis-me aqui. (1 Samuel 3:4)
No dia seguinte quis Jesus ir à Galiléia, e achou a Filipe, e disse-lhe: Segue-me. (João 1:43)

Governo define que classe média tem renda entre R$ 291 e R$ 1.019

O governo brasileiro já tem uma nova definição para a classe média brasileira. Considerando a renda familiar como critério básico, uma comissão de especialistas formada pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República definiu que a nova classe média é integrada pelos indivíduos que vivem em famílias com renda per capita (somando-se a renda familiar e dividindo-a pelo número de pessoas que compõem a família) entre R$ 291 e R$ 1.019.
 
"Quem tiver renda per capita nesse intervalo será considerada classe média", disse Ricardo Paes de Barros, secretário de Ações Estratégicas da SAE, na noite desta terça-feira, em São Paulo. Segundo ele, a definição de classe média foi finalizada após análises de propostas com mais de 30 alternativas, feitas em quatro reuniões da equipe técnica da secretaria e mais duas da equipe de avaliação.

Dentro dessa definição, a comissão dividiu a classe média em três grupos: a baixa classe média, composta por pessoas com renda familiar per capita entre R$ 291 e R$ 441, a média classe média, com renda compreendida entre R$ 441 e R$ 641 e a alta classe média, com renda superior a R$ 641 e inferior a R$ 1.019.

"Isso é um ativo para a sociedade brasileira. A classe média do País representa mais da metade da população. Tendo uma definição padrão, que seja aceita por todo mundo, isso vai facilitar muito toda a discussão sobre o que pensa, o que quer, o que espera, o que faz e qual o padrão de consumo dessa nova classe média", disse Barros.
 
Segundo a comissão, para chegar a essa definição a se!cretaria levou em consideração o padrão de despesa das famílias e os gastos com bens essenciais e supérfluos. Também foi usado como critério o grau de vulnerabilidade, ou seja, da probabilidade de retorno à condição de pobreza.

Após a definição, a comissão estuda agora aplicar políticas públicas voltadas para essa classe média. A ideia é fazer com que se diminua a rotatividade de emprego entre os trabalhadores formais, aumentando a capacitação profissional. "Queremos estimular relações de trabalho de mais longa duração", explicou.

Segundo Barros, além da qualificação dos trabalhadores, o governo também estuda promover políticas públicas que estimulem, por exemplo, a poupança. "Já estamos trabalhando em políticas de qualificação continuada para trabalhadores ocupados, expansão das possibilidades de microsseguros, educação financeira e outras políticas voltadas para os diferentes segmentos da classe média", disse.

De acordo com o ministro da SAE, Moreira Franco, a próxima etapa do trabalho da comissão será a de criar ferramentas que possam interagir e estimular o debate e a reflexão sobre essa definição. Uma das primeiras ferramentas será a criação de uma pesquisa chamada Vozes da Classe Média, que pretende fazer um levantamento sobre as aspirações e o comportamento das pessoas que fazem parte desse grupo social.
 
 
Da Agência Brasil

Fotografia


"Depois de tantas buscas, encontros, desencontros, acho que a minha mais sincera intenção é me sentir confortável, o máximo que eu puder, estando na minha própria pele. É me sentir confortável, mesmo acessando, vez ou outra, lugares da memória que eu adoraria inacessíveis, tristezas que não cicatrizaram, padrões que eu ainda não soube transformar, embora continue me empenhando para conseguir".
 
 
Ana Jácomo

Barbosa nega descortesia e diz que trocou 'discreto sorriso' com Dilma

Imagem transmitida pela TV na segunda-feira mostrou o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, cumprimentando o papa Francisco, mas passando direto pela presidente Dilma Roussseff. No entanto, não houve descortesia, segundo Barbosa, que em nota divulgada nesta quarta-feira afirmou ter trocado um discreto sorriso com Dilma.

"Por ocasião dos cumprimentos, o Ministro apertou respeitosamente a mão do Santo Padre, e trocou discreto sorriso com a Presidente. Isso porque avaliou não ser necessário novo cumprimento protocolar, uma vez que isso já havia ocorrido por ocasião de sua chegada ao Palácio", diz trecho na nota.

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Fonte:
André de Souza, O Globo

Heróis e História

Velha questão: são os homens providenciais que fazem a História ou é a História que os providencia? Estou pensando no Mandela. Ele sem dúvida fez história, mas o apartheid teria se mantido mesmo sem a resistência dramatizada na sua prisão e no seu sacrifício? Provavelmente não.
 
Martin Luther King simbolizou a luta pelos direitos dos negros nos Estados Unidos, empolgou e inspirou muita gente, mas a injustiça flagrante da segregação racial estaria condenada mesmo sem seus discursos e seu exemplo.
 
Frequentei uma high school americana durante três anos e todos os dias, antes de começarem as aulas, botava a mão sobre o coração e prometia lealdade à bandeira aos Estados Unidos da América a à republica que ela representava, com liberdade e justiça para todos, e certamente não era só eu que completava, em silêncio, o juramento: “...exceto para os negros.”
 
Durante anos a democracia americana conviveu com imagens de discriminação racista, linchamentos e outra violência contra negros no Sul do país. Variava apenas o grau de consciência em cada um da hipocrisia desta convivência cega.
 
O que Martin Luther King fez foi tornar a consciência universal e a hipocrisia visível, e insuportável. Mas a justiça para todos viria — ou virá, ou tomara que venha, numa América ainda dividida pela questão racial, como mostra a revolta pela absolvição recente do assassino daquele garoto negro na Florida — mesmo sem a sua retórica.
Martin Luther King

Gandhi liderou o movimento de resistência pacifica que ajudou a liberar a Índia do domínio inglês. Há figuras como Gandhi — mais ou menos pacificas — em quase todas as histórias de liberação do jugo colonialista. Mas, por mais atraente que seja a ideia de heróis emancipadores derrotando impérios, a verdade é que eles serviram uma inevitabilidade histórica, independentemente da sua bravura, do seu discurso ou, como Gandhi, do seu apelo espiritual.
 
O poder da História de fazer acontecer o necessário, à revelia da iniciativa humana, soa como ortodoxia marxista, eu sei, mas consolemo-nos com a ideia de que a História pode nos ignorar, mas está do nosso lado.
 
E dito tudo isto é preciso dizer que poucas coisas na vida me emocionaram tanto quanto a aparição do Mandela antes do jogo final da Copa do Mundo na África do Sul, ovacionado pela multidão. Consequente ou não, ali estava um herói.


Luis Fernando Veríssimo é escritor.

Morre o último cangaceiro do bando de Lampião

Morreu nesta quarta-feira (24.07) o último cangaceiro do bando de Lampião, Manoel Dantas Loiola, de 97 anos, mais conhecido como 'Candeeiro'. Ele faleceu na madrugada de hoje no Hospital Memorial de Arcoverde onde estava internado desde a semana passada, após sofrer um derrame. O sepultamento está marcado para as 16h, no cemitério da cidade de Buíque.

Pernambucano de Buíque (a 258 quilômetros do Recife), Manoel ingressou no bando de Lampião em 1937, mas afirmava que foi por acidente. Trabalhava em uma fazenda em Alagoas quando um grupo de homens ligados ao famoso bandido chegou ao local. Pouco tempo depois, a propriedade ficou cercada por uma volante e ele preferiu seguir com os bandidos para não ser morto.

No final da vida, atuava como comerciante aposentado na vila São Domingos, distrito de sua cidade natal. Atendia pelo nome de batismo, Manoel Dantas Loyola, ou por outro apelido: seu Né. No primeiro combate com os “macacos”, quando era chamado de Candeeiro, foi ferido na coxa. O buraco de bala foi fechado com farinha peneirada e pimenta.

Teve o primeiro encontro com o chefe na beira do Rio São Francisco, no lado sergipano. “Lampião não gostava de estar no meio dos cangaceiros, ficava isolado. E ele já sabia que estava baleado. Quandosoube que eu era de Buíque, comentou, em entrevista concedida ao Diario em 2018: ‘sua cidade me deu um homem valente, Jararaca’”.

Candeeiro dizia que, nos quase dois anos que ficou no bando, tinha a função de entregar as cartas escritas por Lampião exigindo dinheiro de grandes fazendeiros e comerciantes. Sempre retornava com o pedido atendido. Ele destaou que teve acesso direto ao chefe, chegando a despertar ciúme de Maria Bonita. Em Angicos, comentou que o local não era seguro. Lampião, segundo ele, reuniria os grupos para comunicar que deixaria o cangaço. Estava cansado e preocupado com o fato de que as volantes se deslocavam mais rápido, por causa das estradas, e tinham armamento pesado.

No dia do ataque, já estava acordado e se preparava para urinar quando começou o tiroteio. “Desci atirando, foi bala como o diabo”. Mesmo ferido no braço direito, conseguiu escapar do cerco. Dias depois, com a promessa de ser não ser morto, entregou-se em Jeremoabo, na Bahia, com o braço na tipóia. Com ele, mais 16 cangaceiros. Cumprindo dois anos na prisão, o Candeeiro dava novamente lugar ao cidadão Manoel Dantas Loyola. Sobre a época do cangaço, costumava dizer que foi “história de sofrimento”.
 
 
Fonte:
Do blog do Tião Lucena

quinta-feira, 25 de julho de 2013

O clique na hora certa



 


 
Do Sensacionalista 
 

Charge


Ciro Gomes: ‘Dilma pilota uma aliança assentada na putaria’

O ex-ministro Ciro Gomes (PSB-CE, foto abaixo) optou, na manhã desta terça-feira, por usar termos chulos para atacar adversários políticos. Depois de já ter dito que o PMDB era um “ajuntamento de assaltantes”, ele voltou à carga. Desta vez, Ciro disse, em entrevista ao programa da rádio Verdinha AM, do Ceará, que a presidente Dilma Rousseff “pilota uma aliança assentada na putaria”. Além de criticar a base aliada, Ciro fez duras críticas à presidente. Ciro chega a chamá-la de “arrogante” e “inexperiente”.
 
- Incrível a Dilma convocar uma rede de televisão e falar quase dez minutos para não dizer absolutamente nada. Inventar uma lambança de uma Constituinte exclusiva para fazer uma reforma política. Nenhum cartaz na rua pedindo reforma política, embora seja uma agenda emergente (...) Depois trocar os pés pelas mãos nesse negócio dos médicos (programa Mais Médicos) - dispara.

 
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O Globo

Muito fofo e paciente

O Papa Francisco, que por um engano de trajeto acabou nos braços do povo, vai encontrar um país onde há descrença na política e uma igreja às voltas com um preocupante declínio. Segundo pesquisa do Datafolha, os católicos ainda são maioria, mas já foram bem mais do que os 57% registrados agora. Em 2007, eram 64%, e há 20 anos, 75%, enquanto cresce o número dos evangélicos, uma concorrência difícil de enfrentar, já que eles praticam uma religião-espetáculo mais midiática, que oferece a preços variados recompensas imediatas aqui na Terra, não só no céu.
 
Em relação aos políticos, o seu choque cultural vai ocorrer quanto aos costumes. Habituado à simplicidade e à moderação, o Jorge Bergoglio, que como cardeal andava de ônibus, e o Francisco, que, como Pontífice, trocou os trajes alegóricos pela batina branca, o sapato vermelho pelo preto, a pompa pelo despojamento, vão estranhar que no Brasil parlamentares e governantes prefiram a mordomia de pegar carona em avião e helicóptero oficiais.

A propósito, dificilmente um político brasileiro passaria pelo teste de popularidade a que foi submetido o Papa logo depois de chegar. Aconteceu quando o carro que o conduzia tomou uma pista errada no Centro da cidade e acabou preso no trânsito, ficando imobilizado por alguns minutos. Imediatamente cercado por uma multidão comovida e excitada, tentando tocá-lo de qualquer maneira, a cena deixou os seguranças tensos com o que poderia acontecer.

Os sapatos da Papa. Foto: Alberto Pizzoli / AFP

Assistiu-se, então, a um impressionante e inesperado espetáculo, nunca visto nas ruas do Rio. Sereno e sorridente, sem levantar o vidro que manteve o tempo todo aberto, Francisco parecia achar tudo natural, até mesmo quando, além de mãos e braços, enfiaram pela janela um bebê para que ele beijasse e benzesse.

A tolerância do Papa seria mais uma vez posta à prova no Palácio Guanabara, quando resistiu sem cochilar ao interminável discurso da presidente Dilma, que, em vez de dar rápidas boas-vindas a um viajante exausto, fez um relatório do tipo “olha, Santidade, como estamos trabalhando”.
A fala do nosso visitante foi mais curta e mais interessante, com tiradas dignas do grande comunicador que é. Foi muito aplaudido quando disse: “A juventude é a janela pela qual o futuro entra no mundo.” “Cristo bota fé nos jovens.” Por tudo isso, acho que a melhor definição dele foi dada por uma dessas garotas peregrinas que enfeitaram a cidade nestes dias: “O Papa é muito fofo.” E paciente.

Pela disposição à solidariedade e o gosto pela vida, a francesa Claude Amaral Peixoto foi uma das mais autênticas cariocas que conheci. O Rio do encontro e da celebração vai sentir muito a sua falta.
 
 
Zuenir Ventura é jornalista.

Brasil é o sétimo país onde se mata mais mulheres

O Brasil é o sétimo país onde mais se mata mulheres no mundo. Mais de 13,5 milhões de brasileiras já sofreram algum tipo de agressão e 31% delas ainda convivem com o agressor. Destas, 14% continuam sofrendo algum tipo de violência. Os dados são de um levantamento do DataSenado, divulgado em março deste ano. O estudo mostra que, na América do Sul, apenas a Colômbia tem mais mulheres agredidas. Num ranking de 84 países, o Brasil está à frente de todos os países da Europa, com exceção da Rússia (que tem alto índice de violência doméstica), e dos países africanos.
 
A pesquisa mostra ainda que 99% das brasileiras já ouviram falar da Lei Maria da Penha (que entrou em vigor em 2006 com objetivo de coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher) e 66% se sentem mais protegidas. Mesmo assim, 1 em cada 5 brasileiras reconhece já ter sido vítima deste tipo de violência. As mulheres negras se sentem mais desprotegidas. Em 65% dos casos o agressor é o parceiro (marido, companheiro ou namorado). A maioria das agressões está relacionada à ciúme ou alcoolismo do parceiro. 32% das mulheres só procuraram algum tipo de ajuda após a terceira vez em que sofreram violência. O medo faz parte da vida da mulher agredida. 23,5% têm medo de vingança do agressor e 74% das entrevistadas acham que as mulheres não denunciam por medo dele. 94% das mulheres acham que o agressor deve ser processado mesmo contra a vontade da vítima.
 
Além de órgãos oficiais, como a delegacia da Mulher ou a Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), diversas instituições no Brasil promovem ações para disseminar o combate à violência doméstica. Este ano o Festival do Minuto lançou, em parceria com o Instituto Avon, um concurso para premiar vídeos sobre o tema. Com o título'Em briga de marido e mulher se mete a colher', a ideia é que os participantes desenvolvam um vídeo de até 1 minuto, que pode ser feito até com câmera de celular. As melhores produções receberão os valores de R$ 5 mil para o primeiro colocado, R$ 3 mil para o segundo e R$ 2 mil para o vencedor da votação popular. Podem participar pessoas com idade mínima de 14 anos e as inscrições vão até 10 de agosto de 2013.

 
 
Por KARINA COSTA

quarta-feira, 24 de julho de 2013

O Brasil chora a morte de Dominguinhos



No dia 8 de janeiro, Dominguinhos sofreu uma parada cardíaca no hospital em que estava internado em Recife (PE). A pedidos dos familiares, no dia 13 de janeiro, Dominguinhos foi transferido para o Hospital Sírio-Libanês em São Paulo. Após várias intercorrências, o cantor veio a falecer na noite de ontem.  
 
Os cantores Fagner, Elba Ramalho, Flávio José, Nando Cordel, Geraldo Azevedo, Jorge de Altinho e Liv Moraes farão um show em homenagem a Dominguinhos no dia 25 de julho, em Recife (PE). A renda será destinada à família, para ajudar nos custos da hospitalização e do funeral do músico.


Fonte: uol.com.br
"....há muita diferença entre a vontade de todos e a vontade geral; esta considera apenas o bem comum, enquanto a outra prende-se ao interesse privado, não sendo uma soma das vontades particulares: porém, se retirarmos dessas mesmas vontades os mais e os menos que se destroem mutuamente, resta como soma das diferenças a vontade geral."
 
Rousseau
Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria.
 
 
Jorge Luis Borges