sábado, 31 de janeiro de 2015

Velho tema, a saudade

Quem não a canta? Quem? Quem não a canta e sente?
— Chama que já passou mas que assim mesmo é chama...
A Saudade, eu a sinto infinda, confidente.
Que de longe me acena e me fascina e chama...

Mágoa de todo o mundo e que tem toda gente:
Uns sorrisos de mãe... uns sorrisos de dama...
..Um segredo de amor que se desfaz e mente...
Quem não os teve? Quem? Quem não os teve e os ama?

Olhos postos ao léu, altívagos, à toa,
Quantas vezes tu mesmo, a cismar, de repente
Te ficaste gozando uma saudade boa?

Se vês que em teu passado uma saudade adeja,
— Faze que uma saudade a ti seja o presente!
— Faze que tua morte uma saudade seja!

Jorge de Lima

Mesada

Lembro-me que aos nove anos recebi a minha primeira mesada. Foi uma cena inesquecível e difícil de esquecer... trago a cicatriz na testa até hoje! 

Criatividade




Humor: Memória prodigiosa

— Tenho uma memória prodigiosa e coisa que entra na minha cabeça já não a esqueço.                                                                
— E aqueles 500 euros que te emprestei? 
— Isso é outra coisa; entraram na minha algibeira e não na minha cabeça... 

O bandolim

Cantas, soluças, bandolim do Fado
E de Saudade o peito meu transbordas;
Choras, e eu julgo que nas tuas cordas,
Choram todas as cordas do Passado!

Guardas a alma talvez d'um desgraçado,
Um dia morto da Ilusão as bordas,
Tanto que cantas, e ilusões acordas,
Tanto que gemes, bandolim do Fado.

Quando alta noite, a lua é fria e calma,
Teu canto vindo de profundas fráguas,
É como as nênias do Coveiro d'alma!

Tudo eterizas num coral de endechas...
E vais aos poucos soluçando mágoas,
E vais aos poucos soluçando queixas!

Augusto dos Anjos 

Sensacional

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Charge


Pulvis

Áureos castelos da primeira idade,
Dourada fantasia de outras eras
Cuja luz de uma estranha claridade,
A alma me encheu de sóis e primaveras;

Glória, amor, ilusões da mocidade
Palpitando ao clarão de outras esferas;
Ânsias do afeto, espinhos da saudade,
Sonhos alados, fúlgidas quimeras;

Ideais da velha crença sonhadora;
Poemas tangidos da chorosa lira
(Que mais chorara se ditosa fora);

Por tanta coisa essa alma ainda suspira!
Tanta coisa, que a mente enganadora
Julgava ser verdade e era mentira!


Osório Duque Estrada
Um brinde aos nossos defeitos, porque com as nossas qualidades ninguém se importa mesmo.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Animusic

Versículos do dia

Lembra-te destas coisas, ó Jacó, e Israel, porquanto és meu servo; eu te formei, meu servo és, ó Israel, não me esquecerei de ti. Isaías 44:21
Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento. Romanos 11:29

Arte em movimento

Grupo jihadista ordena mutilação genital de todas as mulheres em cidade iraquiana

Decisão pode atingir potencialmente até quatro milhões de mulheres
Determinação pode causar prejuízos para a saúde das mulheres 

O líder do grupo jihadista Estado Islâmico (EI), Abu Bakr al Baghdadi, ordenou a mutilação genital de todas as mulheres das famílias da cidade iraquiana de Mosul “para promover a atitude islâmica entre os muçulmanos”. Foram cerca de duas milhões de meninas iraquianas que receberam a ordem com o objetivo de “distanciamento da libertinagem e da imoralidade” mas o impacto pode chegar até quatro milhões de mulheres. Abu Bakr também afirmou que as consequências serão severas àquelas que descumprirem a decisão.

— Isso afetaria potencialmente quatro milhões de mulheres. Isso é algo muito novo no Iraque, especialmente nesta região. É algo que provoca grande preocupação e deve ser abordado— afirmou a coordenadora humanitária da ONU no Iraque, Jacqueline Badcock.

O grupo extremista surgiu como um braço da Al-Qaeda mas atualmente nega seu atual líder, Ayman al-Zawahiri. A facção é responsável pela série de decapitações que ocorrem desde agosto do ano passado com reféns ocidentais presos na Síria.

— Quando o EI chegou em Mosul, houve uma recepção calorosa. Mas, por causa das práticas horríveis do EI, especialmente a prática da mutilação feminina a força, está começando a ser evidente para as pessoas que o EI só sabe torturar — afirma Asil Jaml, ativistas dos direitos humanos.

O Globo

Seca. Açude cearense socorre a Paraíba

Carros-pipas estão retirando água do açude para levar para as comunidades do interior paraibano

Água atende mais de 20 cidades, que mais estão sofrendo com os anos seguidos de seca

Iguatu. Diariamente, 50 caminhões pipa oriundos da Paraíba percorrem em média 200 km para captar água no Açude Lima Campos, localizado no município de Icó, na região Centro-Sul do Ceará. Essa situação ocorre quando o sertão nordestino enfrenta uma das maiores crises de abastecimento dos últimos 50 anos e, com isso, reservatórios e poços estão secando.

A partir do próximo mês, o número de caminhões da Operação Pipa, coordenada pelo Exército, na Paraíba, que faz a captação de água no Ceará, deve ser acrescido em mais 70 veículos. No total, serão 120.

Pelo menos essa é a informação repassada pelos motoristas dos caminhões pipa (pipeiros) que desde novembro do ano passado começaram a vir pegar água no açude Lima Campos, reservatório administrado pelo Departamento Nacional de Obras e Combate à Seca (Dnocs).

O vai-e-vem de caminhões é intenso na margem do Açude Lima Campos. O serviço começa pela madrugada, por volta das 4 horas. A maioria faz duas viagens diariamente para socorrer milhares de famílias que enfrentam escassez de água no sertão paraibano, percorrendo mais de 400km. São cerca de 20 municípios atendidos, dentre eles: Uiraúna, Triunfo, Bernardino Batista, Poço Dantas, Cajazeiras, Souza, Aparecida, São João do Rio do Peixe, Marizopólis, São José de Piranhas, Diamante e centenas de localidades no Vale do Piancó.

Gravidade

"A situação das famílias é grave e depende dessa água",disse o pipeiro Jurandir Lacerda, que há seis anos trabalha como motorista de caminhão pipa, na região de Uiraúna. "Os açudes secaram, não tem mais água nos poços e o jeito que o Exército encontrou foi pegar água aqui no Ceará que está salvando a Paraíba", disse. "A gente coloca água numa cisterna e as famílias próximas vêm buscar com baldes".

Na manhã de ontem, o pipeiro José Duarte de Aquino contou que quando o caminhão chega às comunidades rurais, centenas de moradores se aglomeram e disputam uma lata de água. "Cercam o caminhão e se a gente não tiver cuidado pode atropelar as pessoas", disse. Há um ano que Aquino faz o transporte de água para o abastecimento de famílias no município de Triunfo e há quatro meses começou a viajar para o Ceará. "Esse açude é a nossa salvação", afirmou.

O sistema de abastecimento dos caminhões é simples e improvisado nas margens do Açude Lima Campos. Há dois motores movidos a óleo diesel que fazem o bombeamento para os tanques por meio de canos instalados em forquilhas de troncos de árvores nativas. Em 20 minutos, o caminhão fica cheio. Outros veículos têm sistema de bombeamento próprio. O encarregado local, Kenedy Alves, confirmou que a partir de fevereiro o movimento deve aumentar e serão 120 veículos vindos da Paraíba.

Preocupação

Nas primeiras semanas da chegada dos caminhões os moradores de Lima Campos ficaram preocupados, temendo a perda de água. "Sei que eles estão sofrendo, mas se o açude secar a gente vai sofrer também", disse a dona de casa Francisca Souza. O agricultor aposentado Raimundo Leandro da Silva gosta de acompanhar o movimento dos veículos e mostrou ser favorável ao abastecimento. "Acho certo porque eles precisam e todos são nossos irmãos", disse. O reservatório Lima Campos, construído em 1932, um dos mais antigos do Nordeste, acumula 55% de sua capacidade e é reabastecido pelo Orós, o segundo com maior volume do Ceará.

Além de afetar o abastecimento rural, o baixo nível dos reservatórios no sertão da Paraíba já atingiu áreas de produção de banana e de coco em perímetros irrigados, desde 2013, reduzindo a produção em 90%. Em Souza, o coqueiral no perímetro irrigado de São Gonçalo foi drasticamente atingido.O mesmo ocorreu em Cajazeiras, em núcleos de produção de banana irrigada.

O coordenador da Operação Pipa, no município de Uiraúna, Lindon Johnson Figueiredo, confirmou a gravidade da crise de abastecimento de água em cidades da região: Triunfo, Joca Claudino, Poço Dantas, Vieirópolis, Bernardino Batista e Uiraúna. "Temos 10 caminhões que atendem a 1500 famílias", disse Figueiredo. "Até agora nada de chuva e parece que em 2015 a situação vai piorar".

De acordo com dados da Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa), 28 açudes, dos 124 monitorados pelo órgão, estão com menos de 5% da capacidade armazenamento. Outros 20 mananciais já apresentam volume morto.


Honório Barbosa-Colaborador
Fonte aqui

Humor


Primeira aula de catecismo na escola. A professora pergunta; a um dos alunos: 
— Na tua casa rezam antes das refeições? 
— Não, senhora professora, não precisamos. A minha mãe é uma ótima cozinheira. 

A borboleta e o filósofo

É uma das fábulas preferidas de Jorge Luís Borges. Ele a cita com frequência, faz associações de idéias entre ela e diferentes coisas.  É a história de Chuan Tzu, o filósofo que sonhou que era uma borboleta, e sonhou isso com tal verossimilhança que ao acordar já não sabia se era um homem que tinha sonhado que era uma borboleta, ou se era uma borboleta sonhando agora que era um homem.

Borges, numa das suas Norton Conferences (1967-68, publicadas em 2000) examina mais de perto essa imagem.  Diz ele que em primeiro lugar a história alude a um sonho, e basta isso para contaminar de sonho qualquer realidade que se siga. Depois, porque a escolha do animal, a borboleta, não poderia ter sido mais adequada. 

De fato, uma borboleta é um bom exemplo de criatura que sabe o que é se transformar noutra.  Note-se que Chuan Tzu não sonha que é uma lagarta, então, quando ele se imagina e se projeta como borboleta, está admitindo que sua vida como Chuan Tzu tinha sido apenas o preparatório lagartóide para aquilo. Voltar a ser Chuan Tzu seria dar um passo atrás. Como o astronauta do conto de Clifford Simak (“Desertion”), que se transforma numa criatura jupiteriana, descobre a felicidade e não admite ser restaurado como humano.

A borboleta tanto é uma criatura inquieta, que vive sempre buscando algo, como é algo que atrai os olhares e as admirações em volta.  Chuan Tzu tem, na sua dimensão lepidóptera, o dom da beleza, que talvez lhe falte no mundo de cá, onde ele é filósofo gordinho ou um calvo comerciante.  Sem falar no voo, na terceira dimensão onipresente, na leveza.  Ser borboleta era o LSD de Chuan Tzu. Imagine-se como devia ser bom, acordar nos dias pares como Chuan Tzu, dormir, acordar nos ímpares como borboleta. 

“As borboletas têm algo de delicado e evanescente”, diz Borges. Claro que outros animais poderiam servir; mas a borboleta é perfeita.  Borges argumenta com simplicidade que seria inverossímil esta história com um tigre, uma máquina de escrever, uma baleia. Nenhum desses (concordo) parece ser capaz de pensar Chuan Tzu de volta, ou mesmo de dar a Chuan Tzu uma dimensão a mais que ele não tinha.  A borboleta, por dois ou três traços apenas, já ganha de goleada.

E deve ser divertido para ela, também.  Ter braços, perna e barriga.  Um corpo que tem de ficar preso ao chão.  Lidar com objetos!  Uma aventura fascinante.  Independente do animal escolhido, essa fábula é a fábula da intercambiabilidade das consciências.  Lovecraft, Edgar Rice Burroughs, Edmond Hamilton e outros escreveram histórias sobre mentes que conseguem trocar de corpo.  Ou corpos capazes de intercambiar suas mentes.


Bráulio Tavares
(Mundo Fantasmo) 

Baleia envolve mergulhadores em 'turbilhão de fezes'

MOMENTO 'DESAGRADÁVEL' FOI REGISTRADO EM FOTOS, ALGO RARO DE ACONTECER.


O canadense Keri Wilk fotografava baleias cachalotes nas águas da ilha de Dominica quando teve uma surpresa desagradável: ele e outros três mergulhadores de repente notaram que estavam envoltos em um 'turbilhão' de fezes. 

Fotografia


Easy

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Retiro de Carnaval 2015


A morte do vaqueiro


Uma das mais lindas melodias de Luiz Gonzaga se reveste de uma flagrante denúncia contra o descaso das autoridades com a morte do vaqueiro Raimundo Jacó!

José Romero Araújo Cardoso lança seu segundo e-book com estudos nordestinos.

             Não é de hoje que o professor José Romero Araújo Cardoso presenteia os amantes da boa literatura com obras de grande relevância para os estudos nordestinos. Ao longo da carreira já são mais de doze livros publicados e um incontável número de plaquetes (publicações com menos de 50 páginas).

                  Adaptando-se aos novos tempos, acaba de sair do “forno” o segundo e-book de autoria do historiador, intitulado "Notas para a História do Nordeste". A obra foi organizada pela professora Marinalva Freire da Silva, da Universidade Estadual da Paraíba, e conta trinta e três textos, alguns ainda inéditos, como o "Josué de Castro e a Ousadia de Denunciar um Tema Ainda Proibido".

              "É um texto que causa reflexão pelas disparidades sociais ainda hoje. A fome ainda é um assunto delicado de se tocar e Josué de Castro ainda é a maior referência sobre este assunto", diz Romero.

                  Assuntos como a origem do comércio do Nordeste (A Civilização do Couro) e as tradições nordestinas (O Heroísmo das Parteiras Tradicionais) também estão presentes no trabalho que reúne escritos produzidos pelo autor há mais de dez anos.

Sem data ainda para lançamento, "Notas Para a História do Nordeste" pode ser adquirido diretamente com o escritor pelos seus telefones: 9702-3596 e 8738-0646 ao custo de dez reais.


Jornal O Mossoroense com Clemildo, Comunicação & Rádio

Porque tudo depende do seu ponto de vista!

Versículos do dia

Porque quem sou eu, e quem é o meu povo, para que pudéssemos oferecer voluntariamente coisas semelhantes? Porque tudo vem de ti, e do que é teu to damos. 1 Crônicas 29:14
Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. 1 Pedro 4:10

Seca: até hoje só choveu 0,2mm na cidade de Pombal-PB


"...mas doutor uma esmola a um homem que são ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão!"


terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Libertação de Auschwitz completa 70 anos

O mundo lembra nesta terça-feira as atrocidades do nazismo no aniversário de 70 anos da libertação do complexo de campos de concentração e extermínio de Auschwitz-Birkenau por tropas soviéticas em 1945.O local foi construído em 1940 nos arredores da cidade de Oswiecim (Polônia) para ser uma prisão. No auge das atividades, o complexo se espalhava por uma área de 40 km² e era composto por 40 campos menores de extermínio. Na época, conta a fundação Auschwitz Museum, contava 135 mil presos.Dias antes da chegada dos soviéticos, os oficiais alemães tentaram destruir as evidências que mostravam os horrores em Auschwitz. Evacuaram quase 50 mil pessoas, queimaram registros e explodiram as câmaras de gás e crematórios.Ao todo, sete mil presos, dos quais apenas 300 seguem vivos, foram resgatados. O complexo funcionou por apenas cinco anos, mas foi o suficiente para deixar uma assustadora marca: estima-se que 1,5 milhão de pessoas de diferentes etninas foram mortas, entre judeus, prisioneiros de guerra, presos políticos, homens, mulheres, crianças e idosos.Veja nas imagens registros históricos e atuais de Auschwitz e conheça mais sobre este que foi um dos maiores campos de extermínio da 2ª Guerra Mundial.


Fonte e créditos aqui

"Pracas"








Poema

O grilo procura
no escuro
o mais puro diamante perdido.

O grilo
com as suas frágeis britadeiras de vidro
perfura

as implacáveis solidões noturnas.

E se o que tanto busca só existe
em tua limpida loucura

-que importa?-

isso
exatamente isso
é o teu diamante mais puro!



Mário Quintana

A falsidade é susceptível de uma infinidade de combinações; mas a verdade só tem uma maneira de ser.Rosseau

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Lei transforma vaquejada em esporte na Paraíba e recebe críticas de ONGs e até de apresentadora de TV

Uma lei estadual publicada na última quarta-feira (21) no Diário Oficial do Estado da Paraíba reconheceu a vaquejada como um esporte no âmbito estadual.
A norma estadual n° 10.428, de autoria do deputado Doda de Tião (PTB), gerou uma onda de protestos e repúdio nas redes sociais por parte de ativistas e ONGs que lutam pela defesa dos animais.
A ONG Harmonia dos Protetores Independentes dos Animais (Harpia) foi uma das primeiras instituições a vir a público repudiar a lei sacionada no dia 20 de janeiro pelo presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Ricardo Marcelo (PEN).
Em uma postagem em uma rede social no dia 21 de janeiro, a ONG ressaltou que “é dever do Poder Público a preservação/proteção da fauna, não pode este tolerar (omissão) e, muito menos ‘autorizar’ (ação), ainda que por lei, atividade de atentado à fauna”.
Já o presidente da Federação de Vaquejada da Paraíba, Arthur Freire, comemorou a entrada em vigor da lei. Segundo ele, existe um regulamento que proteja os animais de maus-tratos nas competições.
“Nós temos regulamento. É proibido, por exemplo, a utilização qualquer tipo de objeto pontiagudo que venha a perfurar o boi. Tem também a quantidade de terra mínima que deve ser usada para proteger o animal”, explicou.
Para ele, a falta de conhecimento sobre as atividades das vaquejadas é que causam as polêmicas.
“Os bois e cavalos são tratados hoje como animais muito especiais. Têm comida boa, recebem muita vitamina. Eles são muito bem alimentados e preparados para a vaquejada. A gente entende isso como falta de conhecimento. A maioria não tem nenhum conhecimento do que é uma vaquejada”, analisou.
O deputado Doda de Tião, autor da lei, divulgou nota defendendo a regulamentação da vaquejada. Segundo ele, a prática faz parte da cultura nordestina. “A vaquejada, antes de tudo, é uma atividade cultural, cultura essa arraigada no sangue e nas famílias dos nordestinos, dos sertanejos. Cultura que remonta aos antigos vaqueiros que buscavam o gado no campo. Com o passar do tempo, foi sendo profissionalizada e organizada”, avaliou.
Ainda na nota, ele ressalta que a vaquejada movimenta a economia e emprega profissionais da área.
“Hoje é uma atividade que emprega milhares de cidadãos em todo o país, movimenta semanalmente milhões e milhões de reais através dos diversos eventos que ocorrem tantos no estado, como no resto do país, com ênfase para o Nordeste. A atividade emprega pessoal nas fazendas, nos haras, veterinários, motoristas, vaqueiros, movimentando bandas de musicas, vendedores autônomos das diversas áreas. Diante da vaquejada estar inserida na cultura nordestina, bem como pela movimentação financeira com emprego e renda a que a envolve, encaminhamos esse projeto de lei que nos honrou com a aprovação por parte dos meus colegas deputados paraibanos que votaram no nosso projeto”, defendeu.
A regulamentação na Paraíba ganhou destaque nacional com ativistas conhecidos repercutindo o caso, como a ex-apresentadora, Luísa Mell, que luta pelas causas dos animais. Em seu perfil no Facebook, considerou a vaquejada como um esporte cruel e criticou o deputado Doda de Tião pela criação da lei.

Tem problema em deixar um smartphone na tomada a noite toda?

Já é rotina dos proprietários de smartphones ao chegar em casa ligar o aparelho no carregador, para deixa-lo carregado para o outro dia, mas pode deixar o smartphone a noite toda na tomada ?

A resposta é sim, hoje em dia as baterias modernas de íon de lítio já não possuem o velho “efeito memória” das baterias de celulares mais antigos. E segundo David MacKay, professor na Universidade de Cambridge, Inglaterra, que fez um estudo sobre o assunto, o que pode acontecer é que todos os componentes possuem um ciclo de vida que é diminuído quanto mais eles permanecem conectados na rede elétrica, mas o professor assegura que esse tempo ainda é maior do que o período no qual você irá ficar com o seu aparelho eletrônico.

Outra conclusão que estudo chegou, é que o consumo de energia do carregador conectado na tomada, mas sem o smartphone plugado, é mínimo. “Desligar obsessivamente o carregador é como socorrer o Titanic com uma colher de chá. Desligue-o, mas, por favor, tenha ciência de quão pequeno esse gesto é”, disse o professor, E se o aparelho estiver conectado ao carregador após atingir 100% da carga, entretanto, há um pequeno aumento no consumo de energia, ainda que pouco. Nesta situação, há um consumo de 2,4 W em um ano.

E as chances do aparelho explodir durante a noite são muito pequenas, pois os aparelhos e carregadores modernos cortam boa parte da energia depois que a carga está completa. Por isso pode ficar tranquilo quando deixar se smartphone carregando durante a noite.

Mas a dica de colocar o smartphone no modo avião ou no carregamento rápido, que já faz parte da maioria dos aparelhos recém-lançados e carregam o aparelho em poucos minutos, pode ser uma boa opção para você não deixar o aparelho a noite toda na tomada se quiser.

Mundo Conectado
R7


domingo, 25 de janeiro de 2015

Cuidado!

“O que é mais assustador? A ideia de extraterrestres em mundos estranhos, ou a ideia de que, em todo este imenso universo, nós estamos sozinhos?"

 Carl Sagan

Açude de Sousa-PB com uso restrito

Justiça suspende 56 outorgas de uso da água do manancial São Gonçalo para a irrigação. Ideia é retardar crise hídrica na região.


A Justiça Federal da Paraíba suspendeu 56 outorgas de uso dos recursos hídricos do açude São Gonçalo, em Sousa, Sertão paraibano. O objetivo da medida foi retardar a crise de fornecimento de água para os municípios abastecidos pelo manancial. De acordo com a decisão liminar, as medidas anunciadas pelos órgãos reguladores para diminuir a crise na perda de água do reservatório seriam incertas e não estariam sendo fiscalizadas.

A decisão da Justiça foi tomada em razão da ação civil pública impetrada pelo Ministério Público Federal, contra a ANA e o Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs) e valem enquanto perdurar a situação emergencial do açude. Para isso devem ser suspensas todas as outorgas de uso de recursos hídricos, além de ser realizada forte fiscalização ostensiva e imediata quanto às captações no reservatório.

Se as determinações forem descumpridas, a ANA e o Dnocs podem pagar multa de R$ 5 mil por dia. De acordo com a Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa), o manancial está com apenas 9,8% de sua capacidade, pouco mais de 4,3 metros cúbicos de água, ou seja, em estado de observação. E registra o nível mais baixo dos últimos 10 anos.

Isso acontece, principalmente, pela retirada de água acima do que foi estabelecido nas outorgas, além de captações irregulares de terceiros não autorizados e das concessões dadas pela ANA, sem planejamento a longo prazo, o que resultaria em um colapso no abastecimento de água da região ainda este ano.
O açude está em área federal e abastece Sousa, Marizópolis e distrito de São Gonçalo.


ANDRÉIA XAVIER
JornaldaParaíba

Capa da Veja


Humor: Qualidades irrefutáveis


— O meu avô é tão importante que todos lhe chamam excelência — dizia o neto de um embaixador. 
O sobrinho de um cardeal diz: 
— Isso não é nada. O meu tio é tão ilustre que todos lhe chamam eminência. 
Diz o outro: 
— Olha que grande coisa! O meu pai, só por ser gordo, quando passa na rua toda a gente exclama: meu Deus! 

Humberto Teixeira 100 anos

No dia 5 de janeiro passado foi comemorado o centenário de nascimento de Humberto Teixeira (1915-1979), o primeiro grande parceiro de Luiz Gonzaga, a quem coube criar o baião junto com o sanfoneiro do Exu. Humberto foi uma figura muito diferente de Gonzaga.  Trouxe para o baião o lado literário, urbano e culto, enquanto Gonzaga forneceu o talento telúrico. Nascido no Iguatu (CE), teve formação musical desde a infância, tocando flauta e bandolim.  Ao contrário do que se imagina, não era apenas “o letrista de Gonzagão”. Também compunha melodias, e sem dúvida há muitas parcerias dos dois em que ele fez o principal da letra e da música, e Gonzaga contribuiu com arranjo, floreios, refrão, etc.  Em qualquer parceria musical existem diferentes proporções da participação de cada um, não é aquela coisa mecânica de “A faz a letra e B faz a música”.

Estudando em Fortaleza, Humberto participou de grupos musicais e chegou até a acompanhar filmes mudos ao vivo, como se fazia na época.  Já no Rio, largou estudos de medicina e formou-se em Direito. Foi vendedor de óculos rayban, foi agente de restaurante, foi telefonista.  Enquanto isso, compunha por conta própria. Já tinha mais de 100 músicas editadas quando, através do seu cunhado Lauro Maia (também cearense e compositor), conheceu Gonzaga; a história da criação e do sucesso do baião já é conhecida de todos.

Humberto queixava-se da historiografia da MPB, que, passava direto das canções românticas dos anos 1940 para a Bossa Nova dos anos 1950 sem mencionar que nesse intervalo houve dez anos em que só tocava baião no Brasil. Foi deputado federal pelo Ceará, mas ele mesmo dizia: “Política é um negócio que você tem que usar de muitas éticas, e a minha ética é uma só”.  Trabalhou muito pela implantação dos direitos autorais e pela divulgação da música brasileira no exterior, criando caravanas que percorreram muitos países. 

A parceria com Gonzaga foi interrompida porque naquele tempo (vejam só) era proibido registrar músicas de parceiros que pertencessem a entidades arrecadadoras diferentes. Quando Gonzaga foi para a SBACEM, Humberto decidiu permanecer fiel à UBC e a dupla se desfez. Ainda assim, não saíram perdendo: Gonzaga engatou a parceria com Zédantas, e Humberto passou a assinar sozinho suas músicas, a começar pelo baião “Kalu”, gravado por Dalva de Oliveira, Yves Montand, Edith Piaf e mais umas 60 gravações mundo afora.  Vale a pena procurar o filme O Homem Que Engarrafava Nuvens, de Lírio Ferreira e o livro Humberto Teixeira, voz e pensamento (Banco do Nordeste, Fortaleza, 2006) para conhecer melhor esse poeta que fez História.


Bráulio Tavares
Mundo Fantasmo 

Amar

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui… além…
Mais este e aquele, o outro e a toda gente…
Amar! Amar! E não amar ninguém! Recordar? Esquecer? Indiferente!…
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disse que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida, Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar.
E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que eu saiba me perder… pra me encontrar…

Florbela Espanca

À beira do racionamento, procura-se plano de emergência em São Paulo

Empresas, hospitais e hotéis não têm um plano B no caso de água faltar na cidade de São Paulo 

Frase

É a corrupção sustentando um esquema de poder. Não há para mim a menor dúvida que esse esquema é um grande sistema de manutenção de grupos políticos.

ANTÔNIO AUGUSTO FIGUEIREDO BASTO, ADVOGADO DO DOLEIRO ALBERTO YOUSSEF, SOBRE A ROUBALHEIRA NA PETROBRAS

sábado, 24 de janeiro de 2015

Dois gigantes

Ninão (considerado atualmente o homem mais alto do Brasil com 2,37cm) ladeado pelo meu filho Yan. 

Esqueça um livro

Uma iniciativa bem legal está ocorrendo no Facebook para incentivar a doação de livros.
O nome é Esqueça um livro em Natal - RN e propõe que cada um de nós esqueçamos um livro em algum ponto da cidade com um recado explicando que a ideia é de ler e repassar o livro.

João Pessoa é a cidade mais violenta do país

Foto Walter Paparazzo

Informação foi divulgada pela ONG mexicana Seguridad, Justicia y Paz. Campina Grande também aparece no ranking da violência. 

Dentre as 50 cidades listadas como as mais violentas do planeta estão 19 municípios brasileiros, dos quais 10 estão na região Nordeste

João Pessoa possui o maior índice de homicídios por habitantes, situando-se no primeiro lugar do ranking das cidades mais violentas do país. Em uma escala mundial, a capital é considerada o 4º município mais violento do mundo. A informação faz parte de uma pesquisa produzida e divulgada pela Organização Não Governamental (ONG) mexicana Seguridad, Justicia y Paz.

Para realizar os cálculos, a instituição levou em consideração a proporção entre o número de homicídios registrados no ano de 2014 e o número de habitantes de municípios com população superior aos 300 mil, formulando uma lista com as 50 cidades mais violentas do mundo.

Além da capital, a cidade de Campina Grande também aparece na pesquisa, ocupando o 12º lugar no país e a Rainha da Borborema é a 30ª cidade mais violenta do mundo.

A ONG também tinha produzido um estudo no ano de 2013, no qual João Pessoa tinha sido classificada como a 3ª cidade mais violenta do país e a 9ª mais violenta do planeta, situação que, conforme a pesquisa, piorou no ano passado.

Já Campina Grande, em anos anteriores nem era citada pela pesquisa. Mas já em 2013 era considerada a 9ª mais perigosa do país e a 25ª do mundo, situação que melhorou no ano passado.

Ainda assim, a Rainha da Borborema é a única cidade do Brasil citada no estudo que não é capital e, pela segunda vez passou a ser colocada como uma das mais violentas do planeta.

Ao todo, conforme a ONG, 620 pessoas foram vítimas de homicídios dolosos na capital da Paraíba no ano passado, pelo menos 100 a mais do que o contabilizado no ano anterior (515). Tomando a proporção das mortes com o número de habitantes, coloca a cidade com uma taxa de 79,41% – o que significa que, para cada grupo de 100 mil habitantes, pelo menos 79 pessoas foram assassinadas. Em Campina Grande, foram 153 crimes deste tipo no ano passado contra 184 no ano anterior, demonstrando, assim, uma taxa de 37,97%.

Dentre as 50 cidades listadas como as mais violentas do planeta estão 19 municípios brasileiros, dos quais 10 estão na região Nordeste. No âmbito regional, João Pessoa lidera a lista seguida por Maceió (AL), Fortaleza (CE), São Luís (MA), Natal (RN), Salvador (BA), Teresina (PI), Recife (PE), Campina Grande (PB) e Aracaju (SE). O estudo da ONG mexicana também destaca os números de homicídios das cidades de Vitória (ES), Cuiabá (MT), Belém (PA), Goiânia (GO), Manaus (AM), Porto Alegre (RS), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR) e Macapá (AP).

De acordo com a pesquisa ONG, das cidades mais violentas do mundo, 19 estão localizadas no Brasil, 10 no México, cinco na Colômbia, quatro na Venezuela, 4 nos Estados Unidos, três na África do Sul, duas em Honduras, uma em El Salvador, uma na Guatemala e uma na Jamaica. Dos 50 municípios, 47 estão na América e 43, em especial, na América Latina. O campeão entre os municípios mais violentos do planeta é San Pedro Sula, localizado em Honduras e que pelo quarto ano seguido permanece em primeiro lugar no ranking.

SEDS CONTESTA METODOLOGIA DE ESTUDO 

A Secretaria da Segurança e da Defesa Social (Seds) se pronunciou por meio de sua assessoria alegando que o órgão contesta os dados apresentados pelo estudo. Como justificativa para tal, a assessoria enviou nota por e-mail explicando, inicialmente, que os dados não tomam por base fontes oficiais de informação.

Na própria metodologia do estudo, a ONG explica que a apuração dos dados foi feita por meio de “notícias reproduzidas pela mídia e projeções com uma metodologia não explicada para o ano todo”, conforme explicou a nota.

No texto, a Seds informou que, “de acordo com o Núcleo de Análise Criminal e Estatística (Nace) da secretaria, a capital da Paraíba teve 481 assassinatos em 2014 [e não 620 conforme o apresentado no estudo], 7% a menos do que o contabilizado em 2013 (515). Dessa forma, a publicação traz uma quantidade de homicídios 29% maior do que a realidade para o ano passado”. Ainda em nota, a assessoria informou que “outro dado oficial do Nace é que em 2010 a cidade de João Pessoa apresentava taxa de homicídios de 71,3 (por 100 mil habitantes) e depois do Programa Paraíba Unida Pela Paz, desde 2011, a taxa caiu para 61,6 em 2014” - número que se contrapõe ao da pesquisa, que mostra a capital com uma taxa de mortalidade de 79,41% .


OTHACYA LOPES
JornaldaParaíba

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Charge


Não é próprio falar sobre os alunos

Gosto de ouvir conversas. Mania de psicanalista. É que nas conversas moram mundos diferentes do meu. Thomas Mann, no seu livro “José do Egito”, conta um diálogo entre José e o mercador que o comprara para vendê-lo como escravo, no Egito: “Estamos a um metro de distância um do outro. E, no entanto, ao teu redor gira um universo do qual o centro és tu, e não eu. E ao meu redor gira um universo do qual o centro sou eu, e não tu”. Fascinam-me esses universos que me tangenciam e que, no entanto, estão distantes de mim. Gosto de ouvir conversas para viajar por outros mundos.
Por vários anos eu viajei diariamente de trem, de Campinas para Rio Claro, no Estado de São Paulo, onde eu era professor na antiga Faculdade de Filosofia. No mesmo vagão viajavam também muitos professores a caminho das escolas onde trabalhavam. Iam juntos, alegres e falantes… Por anos escutei o que falavam. Falavam sempre sobre as escolas. Era ao redor delas que giravam os seus universos. Falavam sobre diretores, colegas, salários, reuniões, relatórios, férias, programas, provas. Mas nunca, nunca mesmo, eu os ouvi falar sobre os seus alunos. Parece que nos universos em que viviam não havia alunos, embora houvesse escolas. Se não falavam sobre alunos é porque os alunos não tinham importância.
Participei da banca que examinou uma tese de doutoramento cujo tema eram os livros em que, nas escolas, são registradas as reuniões de diretores e professores. A candidata se dera ao trabalho de examinar tais reuniões para saber sobre o que falavam diretores e professores. As coisas registradas eram as coisas importantes que mereciam ser guardadas para a posteridade. Nos livros estavam registradas discussões sobre leis, portarias, relatórios, assuntos administrativos e burocráticos, eventos, festas. Mas não havia registros de coisas relativas aos alunos. Os alunos, aqueles para os quais as escolas foram criadas, para os quais diretores e professoras existem: ausentes. Não, não era bem assim: os alunos estavam presentes quando se constituíam em perturbações da ordem administrativa. Os alunos, meninos e meninas, alegres, brincalhões, curiosos, querendo aprender, alunos como companheiros dessa brincadeira que se chama ensinar e aprender —sobre tais alunos o silêncio era total.
Essa ausência do aluno — não do aluno a quem o discurso administrativo das escolas se refere como o “o perfil dos nossos alunos”, nem esse nem aquele, todos, aluno abstrato— não esse, mas aquele aluno de rosto inconfundível e nome único, esse aluno de carne e osso que é a razão de ser das escolas. Ah!, é importante nunca se esquecer disso: alunos não são unidades biopsicológicas móveis sobre os quais se devem gravar os mesmos saberes, não importando que sejam meninos nas praias do Nordeste, nas montanhas de Minas, às margens do Amazonas, ou nas favelas do Rio. Os alunos são crianças de carne e osso que sofrem, riem, gostam de brincar, têm o direito de ter alegrias no presente e não vão à escola para serem transformados em unidades produtivas no futuro. E é essa ausência do aluno de carne e osso que está progressivamente marcando os universos que giram em torno da escola. Os professores não falam sobre os alunos. Na verdade, não é próprio que os professores falem com entusiasmo e alegria sobre os alunos. Os alunos não são tema de suas conversas. Acontece nas escolas primárias (ainda escrevo do jeito antigo porque não acredito que a mudança de nomes mude a realidade…). Mas não só nelas. Lembro-me de uma brincadeira séria que corria entre os professores de uma de nossas universidades mais respeitadas. Diziam os professores que, para que a dita universidade fosse perfeita, só faltava uma coisa: acabar com os alunos… Brincadeira? Psicanalista não acredita na inocência das brincadeiras. Com isso concordam os critérios de avaliação dos docentes, impostos pelos órgãos governamentais: o que se computa, para fins de avaliação de um docente, não são as suas atividades docentes, a relação com os alunos, mas a publicação de artigos em revistas indexadas internacionais. O que esses critérios estão dizendo aos professores é o seguinte: “Vocês valem os artigos que publicam: publish or perish”! Num universo assim definido pelo discurso dos burocratas, o aluno, esse em particular, cujo pensamento é obrigação do professor provocar e educar, esse aluno se constitui num empecilho à atividade que realmente importa. Os raros professores que têm prazer e se dedicam aos seus alunos estão perdendo o tempo precioso que poderiam dedicar aos seus artigos.
“Aquele que é um verdadeiro professor toma a sério somente as coisas que estão relacionadas com os seus estudantes — inclusive a si mesmo”, afirmou Nietzsche. Eu sonho com o dia em que os professores, em suas conversas, falarão menos sobre os programas e as pesquisas e terão mais prazer em falar sobre os seus alunos.

Rubem Alves