sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Não há tempo consumido nem tempo a economizar. O tempo é todo vestido de amor e tempo de amar. O meu tempo e o teu, amada, transcendem qualquer medida. Além do amor, não há nada, amar é o sumo da vida.
 
 
Carlos Drummond de Andrade

Hora do recreio

 
 
 

Memória descritiva

Terá sido preto, o primeiro de que me recordo.
Preto da ardósia enorme onde esboçávamos as primeiras letras a giz, e lhe acrescentava a surpresa figurativa.
Outros pairavam por perto.
Em suportes tão diferentes como o cartão onde vinham as camisas novas do meu pai, dos caixotes de óleo da oficina e a madeira indefesa da carteira.
Ou até a terra do quintal onde cresci.
Nunca as árvores.
Muito cedo me apercebi que antes de fazer um desenho, ou pintar, precisava de o situar num espaço.
Como uma janela, por onde olhava o mundo.
Ou tentava fixá-lo como um retrato interior.
Muitos outros suportes se lhes seguiram: desde os papeis, aos tecidos, dos metais, às madeiras e ao vidro.
Ultrapassada a alegria da terra, e o fascínio efémero da areia da praia, permanece a vontade do ar.
Como uma ausência.
 

Causos

Zé de Gome era doido pela mulher, que por seu turno gostava dele e dos outros. E naquela tarde ele, Zé, entrou na bodega de João de Teté, asssustado, contando: “Cheguei em casa, encontrei minha mulher nua em pé e o guarda-roupa tossindo”.
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Chico Bocão, conhecido na paraíba por suas tiradas políticas, prestando contas de seu mandato de vereador em Patos-PB: -Povo dos Pato. Vocês tão veno o meu trabaio em favor da pobreza. Levo duente pru hospitá, tiro titu de inleitô e cumo achasse pouco, de vez in quando levo as lavadeira pru açude Jatobá com as trouxa toda insabuada.”
 
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O advogado Johnson Abrantes sentou-se à mesa do restaurante do BNB em Sousa-PB e notou que o garçom o atendia com uma banda do corpo torta. –Louro, tens escoliose? -, perguntou Johnson curioso, ao que Louro respondeu: -Tenho não, doutor Johnson, aqui só tem o que ta no cardápio”.
 
 
Do Blog do Tião Lucena

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Ressalva

Versos… não
Poesia… não
um modo diferente de contar velhas histórias


( Cora Coralina )

Agência Nacional das Águas anuncia redução na vazão do Açudes de Coremas e Mãe d’água

O açude Coremas – Mãe d’água vai sofrer nova redução na vazão em função do prolongamento da estiagem. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (29) pela Agência Nacional das Águas (ANA) em reunião realizada em João Pessoa com representantes de vários órgãos do Governo do Estado.
 
O secretário de Estado Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Ciência e Tecnologia, João Azevedo, solicitou que a diminuição no abastecimento fosse impostas aos grandes irrigantes. “Temos uma preocupação especial com 178 pequenos irrigantes que trabalham duro nas Várzeas de Sousa. Muitas famílias dependem da comercialização das culturas permanentes que são feitas lá”, alertou o secretário.
 
De acordo com o presidente da ANA, Vicente Andreu, as restrições afetarão principalmente os irrigantes. “Estamos dando continuidade do processo que vem sendo adotado desde junho de 2013. São medidas que visam um controle maior do processo de irrigação. É possível que em função do agravamento da seca a irrigação tenha que ser suspensa”, explicou o chefe do órgão responsável pelas águas de domínio federal.
 
Já o presidente da Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba, João Vicente Machado Sobrinho, destacou a importância do reforço na fiscalização para combater o desvio da água e do acompanhamento diários do volume repassado ao Rio Grande do Norte. “Temos que respeitar o Marco Regulatório que determina a vazão com a qual a água deve chegar no estado vizinho, mas também precisamos defender os interesses da Paraíba. É nossa obrigação colocar propostas que garantam a segurança hídrica dos paraibanos”, destacou.


falanotícia com SecomPB

Solitário

Como um fantasma que se refugia
Na solidão da natureza morta,
Por trás dos ermos túmulos, um dia,
Eu fui refugiar-me à tua porta!

Fazia frio e o frio que fazia
Não era esse que a carne nos contorta...
Cortava assim como em carniçaria
O aço das facas incisivas corta!

Mas tu não vieste ver minha Desgraça!
E eu saí, como quem tudo repele,
-- Velho caixão a carregar destroços --

Levando apenas na tumba carcaça
O pergaminho singular da pele
E o chocalho fatídico dos ossos!
 
 
Augusto dos Anjos

Brasil é o 8° país com maior número de analfabetos adultos, diz Unesco

Relatório mapeou os principais desafios da educação no mundo.
 
Dos 150 países analisados, apenas 41 atingiram meta de investimento.
 
Um relatório divulgado nesta quarta-feira (29) pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) aponta que o Brasil aparece em 8° lugar entre os países com maior número de analfabetos adultos. Ao todo, o estudo avaliou a situação de 150 países.

De acordo com a mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2012 e divulgada em setembro de 2013, a taxa de analfabetismo de pessoas de 15 anos ou mais foi estimada em 8,7%, o que corresponde a 13,2 milhões de analfabetos no país.

Em todo o mundo, segundo o 11° Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos, da Unesco, há 774 milhões de adultos que não sabem ler nem escrever, dos quais 64% são mulheres. Além disso, 72% deles estão em dez países, como o Brasil. A Índia lidera a lista, seguida por China e Paquistão.

O estudo também mapeou os principais desafios da educação no planeta. A crise na aprendizagem não é só no Brasil, mas global. Para a Unesco, o problema está relacionado com a má qualidade da educação e a falta de atrativos nas aulas e de treinamento adequado para os professores.

No Brasil, por exemplo, atualmente menos de 10% dos professores estão fazendo cursos de formação custeados pelo governo federal, segundo dados do Ministério da Educação (MEC). Entre os países analisados, um terço tem menos de 75% dos educadores do ensino primário treinados.

Sobre os investimentos na área, das 150 nações analisadas, apenas 41 atingiram a meta da Unesco, ou seja, aplicaram em educação 6% ou mais de seu Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todas as riquezas geradas. O Brasil é um deles, mas o gasto anual por aluno da educação básica é de cerca de R$ 5 mil. Em países ricos, esse valor é três vezes maior.

Meta até 2015

No Fórum Mundial de Educação realizado em 2000, 164 países (entre eles, o Brasil), 35 instituições internacionais e 127 organizações não governamentais (ONG) adotaram o Marco de Ação de Dacar, em que se comprometem a dedicar os recursos e esforços necessários para melhorar a educação até 2015.

Na ocasião, foram traçados seis objetivos: os países devem expandir os cuidados na primeira infância e na educação; universalizar o ensino primário; promover as competências de aprendizagem e de vida para jovens e adultos; reduzir o analfabetismo em 50%; alcançar a paridade e igualdade de gênero; e melhorar a qualidade da educação.

Segundo o relatório da Unesco, esse compromisso não deve ser atingido globalmente, apesar de alguns países terem apresentado avanços nos últimos anos.

Em todo o mundo, a taxa de alfabetização de adultos passou de 76% para 82% entre os períodos de 1985-1994 e 1995-2004. Mas, por região, os índices ainda permanecem bem abaixo da média na Ásia Meridional e Ocidental e na África Subsaariana (ao sul do deserto do Saara), com aproximadamente 60%. Nos Estados Árabes e no Caribe, as taxas estão em cerca de 70%.
 
 
Do G1, com informações do Bom Dia Brasil

Orquestra feita de lixo reciclado


Memória descritiva

É uma fenda na falésia, como uma colherada furtiva num doce de domingo.
Visto de cima assemelha-se a uma mão entreaberta, com os dedos entregues à massagem das vagas.
Ou desentrançando as algas, com paciência de mãe em cabeleira amotinada.
Nunca o vi do mar.
Mas entretenho-me a imaginá-lo, sem o risco de repetir a surpresa e a segurança da atracagem.
Procuro-o a horas diferentes, e disposições indiferentes, nem sempre as mais fiéis, para lhe continuar a medir a dimensão da mão.
Como um aconchego.
Uma carícia reinventada.
Nele fundeei algumas das melhores recordações, e maiores sustos.
Covos como ele, à dimensão dos cais da descoberta.
 
 

Oito em cada dez pessoas não têm controle total de gastos, diz pesquisa

Levantamento foi feito pelo SPC Brasil e CNDL em todas as capitais.Falta de disciplina para registrar todos os gastos é a maior dificuldade

Oito em cada dez brasileiros não tem controle total de suas despesas pessoais, segundo pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), divulgada nesta terça-feira (28).

O levantamento foi realizado com 656 consumidores de todas as capitais brasileiras, sendo que a margem de erro é de 3,8 pontos percentuais. De acordo com a pesquisa, somente 18% dos entrevistados têm conhecimento total sobre o quanto possuem de renda e de gastos. A maioria (71%) tem apenas "conhecimento parcial" de suas finanças e outros 10% têm "baixo ou nenhum" conhecimento.

Classe social

Os dados do levantamento mostram ainda que não há diferença significativa entre os estratos sociais. Entre os que têm renda domiciliar de até R$ 1.330,00, o conhecimento pleno é de 16%. Somente 15% dos que ganham entre R$ 1.331,00 e R$ 3.140,00 apresentam total conhecimento sobre as próprias contas e, dentre os que têm renda acima de R$ 3.141,00, o percentual sobe um pouco mais, para 23%, segundo o estudo.

Na avaliação da economista do SPC Brasil Luiza Rodrigues, os dados reforçam a ideia de que a educação financeira está ligada ao comportamento e não necessariamente à renda dos indivíduos. “É uma questão de hábito. Mais dinheiro no bolso nem sempre significa melhor comportamento financeiro, incluindo pagamento de contas, uso do crédito e hábito de compras”, avaliou.

Falta de disciplina

Mesmo entre os que sabem pelo menos um pouco sobre suas finanças (controle total ou parcial das contas), há uma parcela significativa (28%) de pessoas que não utiliza um método organizado e faz o controle financeiro apenas “de cabeça”. “É preocupante que um contingente tão expressivo da população não utilize um método sistemático para organizar as próprias contas”, alerta a economista do SPC Brasil.

Quando indagados sobre as dificuldades que enfrentam na hora de fazer o planejamento das contas, a maior parte dos consumidores alegou que a falta de disciplina para registrar todos os gastos (39%) é a principal dificuldade. Outras opções como unir todas as informações (29%), recordar todos os pagamentos que não constam no extrato bancário (28%), falta de tempo (23%) e não saber calcular taxa de juros (11%) também foram citadas pelos entrevistados.

Comportamento de risco

A pesquisa detectou uma série de comportamentos que demonstram a falta de planejamento dos consumidores. Mais de um terço dos brasileiros (36%), segundo os números, admitiram não saber o valor exato das contas que terá de pagar no mês seguinte. Já em relação aos gastos extras, a maioria (57%) também afirma não saber com precisão o quanto terão de desembolsar no próximo mês, fato que dificulta o planejamento e o controle financeiro do próprio orçamento.

Consequência direta da falta de conhecimento sobre as próprias despesas, 36% dos entrevistados afirmaram terem deixado de pagar ou terem pago com atraso alguma conta nos últimos 12 meses. "Faturas de cartão de crédito (31%) e despesas fixas, como água, luz e telefone (28%) se destacam como os principais compromissos que não foram pagos em dia", informaram o SPC Brasil e a CNDL.

Ainda sobre o comportamento dos entrevistados no pagamento de contas, quatro em cada dez (38%) brasileiros que possuem conta corrente em banco admitem ter entrado pelo menos uma vez no cheque especial nos últimos 12 meses – sendo que 30%, mais de duas vezes. O mesmo se repete entre os têm cartão de crédito. Pelo menos 40% deles já deixaram de pagar a fatura integral no último ano, sendo que 26% são reincidentes e atrasaram mais de duas vezes ao menos.

“O cheque especial e cartão de crédito são as modalidades que cobram os juros mais altos do mercado. O atraso no pagamento dessas contas tem consequências perigosas para o consumidor”, alerta a economia Luiza Rodrigues, do SPC Brasil.

Seis em cada dez (56%) entrevistados pelo SPC Brasil informaram que chegaram ao fim do último mês sem ter conseguido poupar nenhum centavo. Na avaliação dos especialistas do SPC Brasil, a constatação é reflexo da “cultura do imediatismo” que conduz o pensamento de boa parte dos brasileiros. De cada dez entrevistados, 36% admitem que costumam adquirir produtos mesmo não tendo condições de gastar, ainda que eventualmente.

Fonte: G1

Sociedade de aparências


A cantora húngara Boggie, talvez motivada pelo cansaço da busca excessiva da beleza, lançou este vídeo clipe que, ao mesmo tempo que entretém, também traz uma mensagem social poderosa. Vale a pena ver e mostrar às crianças, principalmente às meninas.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Charge

Os espaços ‘Fan Protest’

Foto: Christophe Simon
 
O governo pode criar áreas delimitadas para a realização de protestos na Copa. A proposta foi levada à presidente Dilma pelo Ministério da Defesa. E será um dos temas da reunião de amanhã no Planalto. Integrantes do governo justificam: não há tempo para suprir o despreparo da polícia nem há espaço para dissuadir os manifestantes. O “Fan Protest” não terá telão nem o glamour das “Fan Fest”.
 
 
Ilimar Franco, O Globo

Mimosa mata Deca com um coice na hora de fazer amor

Deca Batalhão, também conhecido como Cícero Balbino da Nóbrega, morreu de amor em Patos-PB. Explico: o rapaz, de 20 anos, assediou sexualmente a jumenta Mimosa, tentando fazer amor com ela por trás da Igreja Santo Expedito, localizada no Bairro Dona Melindra, mas Mimosa não correspondeu. Ao contrário, deu-lhe umcoice nos ovos que levou o rapaz ao chão. E de lá ele não levantou-se mais. Seu corpo foi encontrado por populares sem camisa, com a calça abaixada até a altura dos joelhos, tendo ao seu lado Mimosa, amarrada e comendo grama como se nada tivesse acontecido.A polícia acredita que o animal foi amarrado durante a madrugada, mas no momento do ato sexual desferiu o coice fatal no desempregado. Seu corpo, o dele, claro, foi encaminhado para a Unidade de Medicina Legal de Patos-PB.

Abaixo o Négo

O empresário Roberto Cavalcanti quer tirar o Négo da bandeira da Paraíba. Ele mexe com um vespeiro ao se posicionar assim, mas como tem panos pras mangas, com certeza não será hostilizado como seria outro mortal comum que inventasse essa coisa.
 
Na verdade, temos a bandeira mais feia do Brasil. Horrorosa, para ser mais exato. Aquelas cores vermelha e preta com um Négo no meio é mais uma demonstração de mau gosto do que afirmação de altivez, como quiseram fazer crer os bajuladores de João Pessoa nos idos de 30, logo após a sua morte com três tiros na caixa dos peitos.
 
Está mais do que na hora de se acabar com esse culto a personalidade de um homem comum como comuns foram outros homens que habitaram o nosso chão. João Pessoa foi um homem comum. Se perpetuou na memória bajulatória de alguns historiadores chinfrins porque foi morto a tiros e a sua morte serviu de tema para o golpe de estado desferido por Getúlio Vargas. Tivesse ele terminado o Governo e se aposentado, como os outros, hoje seria, no máximo dos máximos, um nome de rua, e rua sem expressão.
 
Mas morreu e como morto serviu de escada para um grupo de espertalhões, que lucraram com sua memória e ainda lucram com o culto ao seu nome. Tudo errado e montado, tudo mentira, tudo ficção científica da pior qualidade.
 
Ele teve algum mérito, não se pode negar. Todo mundo tem algum. Mas daí a ser transformado em herói e mártir vai uma distância quilométrica. Outros conterrâneos foram muito mais do que João Pessoa e morreram na orfandade das homenagens póstumas. Cito, por exemplo, Augusto dos Anjos, ainda hoje enterrado em Minas Gerais porque não quis voltar à terra madrasta que lhe negou pão e água. Temos outros, muitos outros, ilustres outros que passaram por aqui, marcaram presença e , quando não foram vítimas da indiferença dos conterrâneos, mereceram deles a pecha de bandidos e anti-heróis, exatamente porque isso convinha aos que se tornaram vencedores de uma guerra sem futuro.
 
Por isso merece acolhida a sugestão do pernambucano Roberto Cavalcanti. Foi preciso importar um sujeito de fora para abrir os olhos e curar a cegueira do povo daqui.

 
 
Do Blog do Tião Lucena

A esposa surda

Um velho telefona ao médico para marcar uma consulta para a sua mulher. A secretária pergunta:- Qual o problema de sua esposa?- Surdez. Não ouve ...quase nada.- Então o senhor vai fazer o seguinte: antes de trazê-la, faz um teste para facilitar o diagnóstico do médico. Sem ela olhar, o senhor, a certa distância, fala em tom normal, até que perceba a que distância ela consegue ouvi-lo. E quando vier, diz ao médico a que distância o Sr. estava quando ela o ouviu.- Certo?- Está certo. À noite, quando a mulher preparava o jantar, o velhote decidiu fazer o teste.
 
Mediu a distância que estava em relação à mulher. E pensou: "Estou a 15 metros de distância. Vai ser agora"- Maria, o que temos para jantar? Silêncio. Aproxima-se a 10 metros:- Maria, o que temos para jantar? Silêncio. Fica a uma distância de 5 metros:- Maria, o que temos para jantar? Silêncio. Por fim, encosta-se às costas da mulher e volta a perguntar:- Maria! O que temos para jantar?- Frango, ... É a quarta vez que eu respondo!
 
Normalmente na vida pensamos que as deficiências são sempre dos outros e não nossas.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

O que é cumplicidade e intimidade? - Flávio Gikovate


Versículos do dia

Lembra-te destas coisas, ó Jacó, e Israel, porquanto és meu servo; eu te formei, meu servo és, ó Israel, não me esquecerei de ti. (Isaías 44:21)
 
Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento. (Romanos 11:29)

Euzinho

Tradição nada tem a ver com se pintar como aborígenes pra defender reservas indígenas

A modernidade é uma declaração de guerra à ideia de tradição. Mas nós, modernos, continuamos a não perceber isso, e o resultado é que suspiramos como bobos diante do que pensamos ser uma tradição, apesar de detestarmos qualquer sinal verdadeiro de tradição.

Procuramos tradições em workshops xamânicos, espaços budistas nas Perdizes, livros baratos sobre como viviam os druidas.

São muitas as definições de tradição. Não vou dar mais uma, mas sim elencar atitudes que estão muito mais próximas do que é uma tradição do que cursos de cabala nos Jardins. Nada tenho contra estudar culturas antigas, apenas julgo um equívoco confundir a ideia de tradição com modas de uma espiritualidade de consumo.

Não existe xamã na Vila Madalena. A cabala não vai salvar meu casamento. Meditação não fará de mim uma pessoa melhor no trabalho. Imitar a alimentação de monges tibetanos não aliviará minha inveja. Frequentar cachoeiras indígenas não fará de mim uma pessoa menos consumista. Tatuar palavras védicas não me impedirá de fazer qualquer negócio pra viver mais. Visitar templos no Vietnã não fará de mim alguém menos dependente das redes sociais. Desejar isso fará de mim apenas ridículo.

Uma tradição, pra começo de conversa, nada tem a ver com "escolha". Não se escolhe uma tradição. Neste sentido, muitos rabinos têm razão em desconfiar de conversos ao judaísmo por opção. Uma tradição funciona sempre contra sua vontade, à revelia de sua consciência, submetendo-a ao imperativo que escapa à razão mais imediata. A única forma de tradição a que a maioria de nós ainda tem acesso é a língua materna.

Colocar os filhos pra dormir todos os dias é mais próximo do que é uma tradição do que estudar velhos símbolos indígenas ou brincar com eles em pousadas nas chapadas. Não poder sair à noite porque um dos filhos tem febre é tradição. Velá-lo durante a noite é tradição. Morrer de medo durante esta noite é tradição. Nada menos tradicional do que uma mulher sem filhos. Ela até pode aprender capoeira, mas será apenas iludida, se sua intenção for experimentar a tradição afro.

Nada tenho contra mulheres não terem filhos, digo apenas, de forma modesta, o que é uma tradição.

Homens que sustentam sua mulher e filhos são tradicionais, mesmo em tempos como os nossos em que todo mundo mente sobre isso. Levar seus velhos ao hospital, enterrá-los, em agonia ou com absoluta indiferença, é tradição. Andar pela casa à noite pra ver se tem algum ladrão, enquanto sua mulher e filhos ficam protegidos no quarto, é tradição. Ser obrigado a ser corajoso é uma tradição, maldita, mas é.

Pular sete ondas numa Copacabana lotada nada tem de tradicional, é apenas chato. Tradição é ir pra guerra se não sua mulher achará você covarde. Lavar louça, fazer o jantar, lavar banheiros, morrer de medo diante do médico. Falar disso pra quem vive uma situação semelhante a você. Ter que passar nas provas na escola. Ter que ser melhor do que os colegas. Sangrar todo mês.

Tradição é pagar contas, enfrentar finais de semana vazios e não desistir. É sonhar com um futuro que nunca chega. Engravidar a namorada. Ter ciúmes. Odiar Deus porque somos mortais. Ter inveja da amiga mais bonita, do amigo mais forte e inteligente. É cuidar dos netos. É educar os mais jovens e não deixar que eles acreditem nas bobagens que inventam.

Tradição funciona como hábitos que se impõem com a força de um vulcão, de um terremoto, de um tsunami, de uma febre amarela. Nada tem a ver com se pintar como aborígenes pra defender reservas indígenas ou abraçar árvores.

Evolução espiritual é um dos top em quem quer "adquirir" uma tradição. Mas esta nada tem a ver com "buscar" uma evolução espiritual como forma de fugir de filhos que têm febre ou compromissos afetivos. A evolução espiritual verdadeira é algo que nos acomete como uma disciplina aterrorizante.

Teste definitivo: você busca evolução espiritual pra aperfeiçoar seu "euzinho"? Lamento dizer que qualquer evolução espiritual (se existir) começa com você esquecer que seu euzinho existe.


LUIZ FELIPE PONDÉ

Folha de São Paulo

ponde.folha@uol.com.br

Stephen Hawking: buracos negros não existem

Desde o fim dos anos 60, quando o físico americano John Wheeler popularizou o termo “buraco negro” (foto abaixo, em simulação feita pela NASA), estes fenômenos astrofísicos entraram no imaginário popular como “monstros” cósmicos cuja gravidade é tão forte que nem a luz pode escapar.


Mas poucos anos depois, em 1974, o britânico e também físico Stephen Hawking mostrou que o cenário não era bem assim. Ao aplicar os princípios da mecânica quântica aos buracos negros, Hawking revelou que eles “evaporam”, lentamente emitindo pequenas quantidades de energia na forma de uma radiação que acabou batizada com seu nome.


Isso, no entanto, gerou um novo problema. Segundo a Teoria da Relatividade Geral de Einstein, um hipotético e desavisado astronauta que por acaso cruzasse o horizonte de eventos de um buraco negro, como é chamada a “fronteira” destes objetos com o espaço-tempo “normal”, não sentiria nada até que a gravidade ficasse tão poderosa que a força de atração em seus pés seria muito maior do que a sobre a cabeça, esticando-o como um espaguete, num tipo de morte que ficou conhecido como “espaguetificação”.

Leia mais clicando aqui


Cesar Baima, O Globo

Frase

"Eu tenho algo a dizer: eu acho que a imprensa brasileira presta um grande desserviço ao país ao abrir suas páginas nobres a pessoas condenadas por corrupção. Pessoas condenadas por corrupção devem ficar no ostracismo. Faz parte da pena
 
 
Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal

À mesa

Já ninguém tem regras nem horas para estar à mesa, dizem os mais velhos. Pelo menos no que respeita à terminologia estarão cheios de razão.

Começava-se o dia com a parva (a pequena refeição) ou desjejum, o mata-bicho, hoje o pequeno-almoço.
 
O almoço vinha um pouco mais tarde, mas ainda à pressa, ao calhar da conveniência dos horários de cada um. A palavra não é árabe, como pode julgar-se pelo al inicial. É romana: ad-morsus, ou seja, à dentada, rapidamente para ir à vida.
 
A merenda fazia-se no pino do calor como um intervalo indispensável, ao meio-dia (meridie) e só no regresso a casa a família acabava por se juntar na ceia (do grego Koene: conjunto). Os simpósios que hoje reúnem professores, cientistas, etc. não passavam de uma patuscada, de pretexto para mais uns copos, pois simpósio significa beber em conjunto.
 
Na Idade Média, a mesa era posta pela simples razão de que não havia casa de jantar e comia-se ao gosto do momento, aqui ou ali.
 
A mesa (ou mensa como se diz nalguns sítios do Alentejo mantendo exactamente o termo latino) era armada (posta) sobre pernas em xis, como ainda se faz com os tabuleiros dos vendedores ambulantes.
 
Antes de se levantar a mesa, tirava-se a toalha, já bem suja porque os comensais ali tinham limpo as mãos (embora fosse regra não meter na comida mais do que as pontas dos dedos, que também podiam limpar-se ao pêlo dos cães que solicitavam um osso sobrante). O que vinha depois, as frutas e os doces era comido directamente sobre a mesa. Daí a sobremesa. Comia-se com colher ou à mão de um recipiente comum e daí cada um meter a sua colherada.
 
O garfo só vai aparecer no século XVI. Objeto insólito, cuja primeira utilidade, então com um só dente, fora a de escrever as missivas romanas sobre tabuinhas de cera. Era o graphium com que se grafava, ou se escrevia.
 
Garfo, que, no passado, se apelidara stylum, o instrumento com que se gravavam os caracteres cuneiformes nas Babilónias e Caldeias. Cada qual com o seu estilo, e os cirurgiões com o seu estilete para fazerem talhos nos males que nos afligem, e daí talhante o que corta a carne que comemos, cada dia mais doloroso… E comemos, claro, com os nossos talheres.
 
 
[Roby Amorim, Elucidário de Conhecimentos (quase) inúteis; 2.ª ed. revista e ampliada. Edições Salamandra, Julho 1985]

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Coremas lidera competição do Fantástico do pôr-do-sol mais bonito do Brasil

A cidade de Coremas-PB foi destaque no Fantástico, da Globo, nesse domingo, 26, em um quadro lançado pelo programa para escolher o pôr do sol mais bonito do Brasil. É que uma foto do sol poente sobre as águas do açude coremense Estevam Marinho, enviada ao programa por um telespectador, está sendo a mais votada entre mais de 150 imagens selecionadas para a escolha pública.
 
O resultado será divulgado no programa do próximo domingo, 4 de fevereiro. A votação do pôr-do- sol mais bonito do Brasil ocorre pelo site http://pordosol.g1.globo.com/fantastico/batalha/. Ao acessá-lo, o internauta encontra duas fotos na página e deve votar em apenas uma, clicando em cima da imagem que considerar mais bonita. A cada votação, mais duas fotos são colocadas para ser escolhida apenas uma. Abaixo da foto se encontra a posição parcial dela no momento.
 
Desde o final do programa de ontem na liderança, a foto do açude Estevam Marinho, o maior da Paraíba, tem tudo para ser a vencedora. Os internautas do país inteiro têm se encantado com a forte luminosidade do pôr do sol coremense, o que poderá render bons frutos para o turismo do município, já que, após a divulgação na televisão, muita gente vai requer ver de perto essa maravilha da natureza.
 
 
Fonte: íntegra do falanoticia

Gaivota ataca pomba da paz solta por papa Francisco durante oração

 
Em janeiro do ano passado, um episódio semelhante ocorreu durante uma celebração do papa Bento XVI

Fiéis que acompanhavam a oração de papa Francisco na Praça São Pedro, no Vaticano, neste domingo (26), presenciaram o ataque de uma gaivota a uma das pombas representantes da paz, libertadas por Papa Francisco, com auxílios de crianças. O ataque ocorreu pouco tempo depois da pomba sair voando....
 

Novos começos


Refrão

"Bota o cabelo na testa, tira o cabelo da nuca, ficava bem mais barato ter comprado uma peruca.
 
 
Trecho do samba do bloco Pacotão, de Brasília, em homenagem ao senador Renan Calheiros, que voou em avião da FAB para implantar no Recife 10 mil fios de cabelo

Memória descritiva - Poesia

Depois das fogueiras ancestrais, a poesia viajou de mão em mão, na garupa dos cavalos, entre os sabores e os cheiros.
Foi contrabandeada, moeda de troca, entre tribos do deserto, mendigos nômades e a insónia das crianças.
 
Todas as tentativas para a aprisionarem em tábuas de argila, na trama colorida dos teares, na sinalética efémera dos curtumes, cederam à desertificação, à corrupção e à fome.
 
Isso é o que gostaria de acreditar, o que a cultura me ensinou ser de bom-tom e ficar bem em qualquer página.
 
Decorridos cinquenta anos, se tivesse de deitar contas à vida, digamos que a passei a escrever poemas.
 
Sem conseguir perceber onde fui apanhado pela poesia.
 
E sem me preocupar que o descaramento do balanço ou a indiferença pelo início, me exponham ao ostracismo e à desconfiança.
 
Recordo-me vagamente de uma tribo de ciganos à porta de casa, de um bibe a declamar numa sala vazia, de uma oliveira dilacerada pelo tempo e os canivetes.
 
Recordo-me também de um velho livro, com as capas roçadas pelo uso e as letras gastas por dedos titubeantes e fascinados.
Ao contrário do que talvez fosse de esperar, não agradeço nada à poesia, nem sinto que lhe deva o que quer que seja.
 
E se a nossa coexistência nem sempre foi pacífica, isso deve-se mais à atenção a que nos forçam, do que à ausência que nos exigimos.
 


O cantor Cassiano é paraibano, precursor da soul music do Brasil e fez escola no seu estilo musical nos anos 70 e 80, juntamente com Hyldon, Carlos Dafé, Tim Maia entre outros.


Sebastião Formiga

domingo, 26 de janeiro de 2014

 
 

Com vocês, um analfabyte

Às vezes, acho que sou o único no mundo a não usar celular, a não ter página no facebook, a não acessar blogs e a nunca ter enviado ou recebido uma mensagem por Twitter, o que não me impede de eventualmente aparecer nessas redes dando opinião, recomendando produtos, ditando regras, dizendo coisas aceitáveis e até bobagens que muita gente curtiu.

Já tuitei, por exemplo, o elogio rasgado a um artista que admiro, tudo bem. Mas, e se eu tivesse falado mal dele? Pior foi a descoberta, que já contei aqui, da existência do que chamei de meu “fakebook”. Depois de não sei quanto tempo e de algum sucesso junto a inúmeros e desprevenidos seguidores, soube da fraude, reclamei e a página foi retirada do ar.

E se um amigo não tivesse me avisado? Como adivinhar o que é falso em meio a informações corretas e outras que poderiam ser? Censura, nem pensar. Mas não haverá um filtro para impedir esses e outros contos do vigário virtuais? É um dos problemas que a internet ainda não resolveu e que tira dela a credibilidade.

No entanto, não é por isso que sou um analfabyte, é por incompetência mesmo, o que me deixa “desconectado”, isto é, isolado de um mundo em que as pessoas cada vez mais passam horas diante dessas redes sociais vendo a vida passar. Foi-se o tempo do contato direto, do boca a boca, do olho no olho. É como se toda comunicação hoje tivesse que ser mediada por uma tecnologia: internet, TV, rádio.

Por isso, e porque não aguento mais o desprezo por não saber lidar com as novas ferramentas, estava decidido a me atualizar e entrar para o facebook. Mas aí li que uma pesquisa da Universidade de Princeton chegou à conclusão de que essa rede está em declínio e perderá 80% de seus usuários até 2017. O mais curioso é que o estudo usa o “modelo epidemiológico”, ou seja, trata o hábito ou mania como uma infecção, que se adquire por contágio, pelo contato com outras pessoas. Ou seja, como uma doença.

Eu já desconfiava, pelo menos nos casos crônicos, mas não disse nada com medo de que o doente fosse eu.

Duas cenas chamaram a atenção no acidente com o trem que descarrilou no Rio na quinta-feira. A primeira foi a foto do secretário estadual de Transportes às gargalhadas, enquanto as pessoas, num sol de 50 graus, caminhavam desesperadas pelos trilhos em busca de condução alternativa. De que será que ele ria tanto?

A outra foi a declaração do presidente da SuperVia elogiando a “rapidez” com que o tráfego foi restabelecido: “Nosso pessoal está de parabéns.” Ele se referia ao fato de que os trens voltaram a circular 13 horas depois. Será que estava falando sério ou era para rir também?


Zuenir Ventura é jornalista.

Guerras na África voltam a recutar crianças

Foto: Jacky Naegelen / Reuters

O recrudescimento das guerras na República Centro-Africana e no Sudão do Sul revelou que tanto os grupos rebeldes como as milícias pró-governo usam meninos como combatentes e meninas como escravas sexuais.

Organismos internacionais como o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e a Anistia Internacional calculam que há hoje cerca de 20 países onde crianças são sistematicamente recrutadas para serem soldados.

Projeto dá aos presos direito até a salão de beleza e nutricionistas

Parado na Câmara há quatro anos, um projeto de lei derivado da CPI do Sistema Carcerário cria o Estatuto Penitenciário Nacional, com modelos de prisões que, se saírem do papel, vão transformar a realidade das penitenciárias do país.
 
O estatuto, com 119 artigos, prevê, entre outras medidas, banho com temperatura adequada ao clima; artigos de higiene como creme hidratante, xampu, condicionador, desodorante, absorvente, barbeador e creme dental; salão de beleza para as presas; e equipamentos para atividade física.
 
Diz ainda que, para cada grupo de 400 presos, serão obrigatórios: 5 médicos, sendo 1 psiquiatra e 1 oftalmologista; 6 técnicos de higiene mental e nutricionistas.
 
A proposta ainda cria tipos de crime para o agente penitenciário que não tratar o preso da maneira prevista no texto. Quem, por exemplo, negar ao preso xampu, creme hidrante e condicionador pode pegar de 3 a 6 anos de reclusão.
 
Leia mais clicando aqui

Evandro Éboli e André de Souza, O Globo

Frase

"Faço saber que dei fim à minha vida em comum com Valérie Trierweiler.
 
Francois Hollande, presidente da França, que tem um caso com a atriz Julie Gayet.

Justiça determina que réu deve indenizar ex-noiva por danos morais

O Tribunal de Justiça da Paraíba, por meio de julgamento dos membros da Quarta Câmara Cível, negou provimento ao recurso de Apelação (0009297-39.2009.815.2001) interposto pelos apelantes Mariana Medeiros Targino Botto e Hilton Hril Martins Maia. Com esta decisão o Tribunal manteve a sentença do juízo da 16ª Vara Cível de João Pessoa determinando que Hilton Hril, a título de indenização por danos morais, pague a Mariana Medeiros a quantia de R$ 20 mil referentes à violência doméstica.

Consta nos autos que a apelante havia ingressado no primeiro grau com uma Ação Ordinária de Reparação de Danos Materiais e Morais contra o réu por conta das despesas oriundas do cancelamento da celebração matrimonial. No entanto o pedido foi julgado parcialmente procedente, sendo concedido apenas o dano moral, o que fez a autora apelar junto ao TJPB.

Contudo, o dano material não foi concedido pelo fato do relator do processo, o desembargador Fred Coutinho, constatar que as provas juntadas aos autos pela parte autora não convergem para o acatamento da tese defendida em suas razões recursais, diante da ausência de demonstração de vontade do réu em contrair matrimônio.

“Inexiste comprovação da anuência do réu com relação aos gastos, pois, como assegurado por testemunhas, o relacionamento durou apenas três meses”, explicou o relator.

Por outro lado, o réu também havia interposto apelação cível no sentido de modificar a condenação pelos danos morais. No entanto, no voto, o desembargador Fred Coutinho reconhece o dever do réu de indenizar os danos morais sofridos pela autora em razão de ato por ele praticado.

“Levando em consideração a extensão do dano, bem como, as circunstâncias do fato, sua repercussão e as condições socioeconômicas da vítima e do ofensor, concluo que o valor fixado merece ser mantido”, ressaltou o relator.

Força de trabalho encolhe no Nordeste

Além da maior taxa de desemprego do país, a região Nordeste abriga a maior proporção de pessoas que não trabalham nem procuram ocupação -e esse percentual está crescendo.
 
O descompasso entre o mercado de trabalho nordestino e o do resto do país ficou evidente com a nova pesquisa de emprego do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que passou a coletar dados em todo o território nacional.
 
Enquanto a apuração anterior, limitada às maiores metrópoles, sugeria um cenário de pleno emprego, os novos números mostraram que no Nordeste 10% procuram uma vaga sem conseguir.
 
Além disso, na região, 43,9% das pessoas consideradas em idade de trabalhar -de 14 anos de idade ou mais- estão fora do mercado, por opção ou por desalento. No país, o percentual médio é de 38,5%.
 
Não parece difícil imaginar por que os números nordestinos são mais elevados que os das demais regiões: pobreza, setor empresarial menos estruturado e menor participação do trabalho feminino são explicações plausíveis.
 

Mais complicado é explicar por que a força de trabalho está encolhendo no Nordeste, como mostram números calculados pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, ligado ao Palácio do Planalto).
 
Montado a partir de pesquisas populacionais do IBGE, o banco de dados do Ipea aponta que, em dez anos, a população economicamente ativa -quem trabalha e quem procura emprego- caiu de 55,7% para 51,8% da população em idade ativa (nesse cálculo, entram pessoas com dez anos de idade ou mais).
 
Nesse período, de 1992 a 2012, o percentual cresceu no Sudeste, no Centro-Oeste e no Norte, com leve queda no Sul. O Nordeste, que fez cair o percentual do país, teve crescimento econômico acima da média nacional.
"É um certo paradoxo", diz a pesquisadora Ana Luiza Neves, do Ipea. Um estudo do instituto mostra que, de 2009 para cá, a força de trabalho diminuiu em todas as regiões -e a queda nordestina foi a mais aguda.
 
Segundo os dados nacionais, boa parte dessa diminuição se deve a jovens que retardam o ingresso no mercado -na melhor das hipóteses, porque podem estudar mais; na pior, porque não acreditam nas suas chances de conseguir uma ocupação.
As pesquisas disponíveis ainda não permitem identificar com segurança se o encolhimento da força de trabalho está mais ligado a bons ou maus motivos, mas o Ipea adianta que, entre os brasileiros de 15 a 24 anos de idade, 40,6% das mulheres e 25,7% dos homens estão fora da escola.
 
BENEFÍCIOS SOCIAIS

 
Para o economista Miguel Pinho Bruno, estudioso do mercado de trabalho, a maior oferta de educação e benefícios sociais deu opções para jovens e adultos.
"Em vez de aceitar imediatamente um emprego de baixa remuneração, a pessoa pode ficar na escola ou recorrer a algum programa social."
 
Ele é cauteloso, porém, ao relacionar os programas de renda, como o Bolsa Família, à redução da força de trabalho no Nordeste, porque os dados sobre isso ainda são precários.
 
Ana Luiza Neves não acredita nessa hipótese: "A evidência empírica mostra que o impacto desses programas no mercado de trabalho é quase nulo".
 
 
 
Folha de São Paulo

Comercial que mostra "saga" de casal com filho faz sucesso na internet

Um comercial da Coca-Cola tem feito sucesso na internet. O anúncio, veiculado na Argentina, mostra um resumo da vida de um casal que tem filho. Com atmosfera calorosa e aconchegante e com trilha sonora de "To Love Somebody", do Bee Gees, o vídeo mostra a saga do casal desde o momento da descoberta da gravidez até os primeiros anos do pequeno e a notícia de um novo bebê.

Durante as cenas é possível se identificar com o casal que passa por todos os "desafios" de criar um filho. O vídeo retrata a falta de intimidade, a bagunça típica de todas as casas com crianças e os momentos de desespero dos adultos ao descobrirem algo "destruído" pelos pequenos. Ainda assim, todos os "perrengues" são superados e esquecidos com a notícia de mais uma criança a caminho.

O comercial criado pela agência Santo, de Buenos Aires, tinha como objetivo anunciar a chegada da versão Life da Coca-Cola na Argentina. Veja:

sábado, 25 de janeiro de 2014

Os 10 mandamentos do homem feio

Demorei! Meus leitores atentos -ô sorte!- cobraram.
 
Como em todo começo de ano, desde o princípio da Internet no país, publico e republico este manifesto encorajador, minha oração aos moços, pobres moços. Quase sempre acrescento, corto, como de costume na minha reescrita permanente dos mesmos textos.
 
Sem mais metalinguices, vamos à tábua dos dez mandamentos. Coisas que um homem feio deve saber para tirar mais proveito da vida, essa ingrata:
 
I) Que a beleza é passageira e a feiúra é para sempre, como repetia o mal-diagramado Sérge Gainsbourg – o tio francês que pegava a Brigitte Bardot e a Jane Birkin, entre outras deusas. Sim, aquele mesmo francês cabra-safado autor do maior hino de motel de todos os tempos, “Je t´aime moi non plus”, claro.
 
II) Que as mulheres, ao contrário da maioria dos homens, são demasiadamente generosas. E não me venha com aquela conversinha miolo-de-pote de que as crias das nossas costelas são interesseiras. Corta essa, meu rapaz. Se assim procedessem, os feios, sujos e lascados de pontes e viadutos não teriam as suas bondosas fêmeas nas ruas. Elas estão lá, bravas criaturas, perdendo em fidelidade apenas para os destemidos vira-latas.
 
III) Que o feio, o malassombro propriamente dito, saiba também e repita um velho mantra deste cronista de costumes: homem que é homem não sabe sequer a diferença entre estria e celulite.
 
IV) Que mulher linda até gay deseja e encara, quero ver é pegar indiscriminadamente toda e qualquer assombração e visagem que aparecer pela frente.
 
V) Que homem que é homem não trabalha com senso estético. Ponto. Que não sabe e nunca procurou saber sequer que existe tal aparato “avaliatório’’do glorioso sexo oposto.
 
VI) Que as ditas “feias” decoram o Kama Sutra logo no jardim da infância.
 
VII) Que para cada mulher mal-diagramada que pegamos, Deus nos manda duas divas logo depois de feita a caridade.
 
VIII) Que mulher é metonímia, parte pelo todo, até na mais assombrosa das criaturas existe uma covinha, uma saboneteira, uma omoplata, um cotovelo, um detalhe que encanta deveras.
 
IX) Que me desculpem as muito lindas, mas sem imperfeição não há tesão. Um quê de feiúra é fundamental, empresta à fêmea uma humildade franciscana quase sempre traduzida em benfeitorias de primeira qualidade na alcova.
 
X) Saiba, por derradeiro, irmão mal-diagramado, que a vida é boxe: um bonitão tenta ganhar uma mulher sempre por nocaute, a nossa luta é sempre por pontos, minando lentamente a resistência das donzelas.
 
Boa sorte, amigo esteticamente prejudicado, nesse grande ringue da humanidade!
 
 
 
Xico Sá

Elvis


Descaso na educação

Escola de palha em Balsas-MA. Foto: Cristiano Mariz / VEJA
 
O Maranhão é um retrato de absoluto descaso com os mais fundamentais direitos humanos. Para falar só de educação, o estado conta com alguns dos piores indicadores em um país que já não tem indicadores muito bons.
 
Desde cedo, crianças maranhenses estão muito atrás do resto do país. De acordo com a Prova ABC, ao fim do 3º ano do ensino fundamental, só 27,9% delas são proficientes em leitura, 10% em matemática e 13% em escrita. As médias brasileiras são respectivamente 44,5%, 33,3% e 30%. Ou seja: o Maranhão tem menos de metade dos resultados já ruins do país, sendo que essas crianças estão apenas iniciando a trajetória escolar.
 
Observando a outra ponta, vemos que, no Maranhão, somente 45% dos jovens de 15 a 17 anos estão matriculados no ensino médio, segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Apenas 38% dos jovens de 19 anos que conseguiram chegar a essa etapa de ensino no estado a concluíram e, entre eles, só 11,8% aprenderam o mínimo adequado em língua portuguesa, e 1,6% em matemática.
 
A renda média dos demais 79.576 jovens dessa idade que não têm o ensino médio completo é de menos de 500 reais por mês. O estado está condenando essas pessoas a um ciclo perverso de desigualdade.
 
No sistema carcerário do Maranhão, palco das atrocidades que chocaram o país nos últimos dias, a cobertura educacional é precária: a taxa de matrícula de pessoas com privação de liberdade era de apenas 5% em 2012, segundo dados do InfoPen (Ministério da Justiça). Aqueles que não chegaram ao fim do ensino médio somavam então 91%, e, entre eles, a grande maioria sequer completou o ensino fundamental.
 
É urgente que haja maior prioridade, atenção e ação para rompermos a situação de calamidade da educação no Maranhão há anos. Até quando vamos remediar desastres anunciados? Não seria o caso de o Brasil acordar de vez para a importância estratégica e humanitária da educação das nossas crianças e jovens? Resta alguma dúvida sobre qual é a área em que deveríamos estar investindo prioritariamente nossos recursos para mudarmos de patamar e conquistarmos um Brasil que seja realmente de todos?
 
Entre o urgente e o importante, chegamos ao ponto de ter que lidar com ambos ao mesmo tempo. A vida de muitas crianças e jovens depende de nós — uma parte muito pequena de pessoas privilegiadas que acordam de manhã e pegam o jornal para ler.
 
Depende de nós demandar uma nova prioridade estratégica para o país de olhar o futuro de forma mais generosa para com toda a população brasileira, principalmente para aqueles que, mesmo sendo a maioria, têm pouca voz e influência.
 
Chegou a hora de a indignação se voltar para os milhões de crianças maranhenses e brasileiras cujo direito à educação é negado.
 
 
Priscila Cruz é diretora executiva do movimento Todos Pela Educação.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

É graça divina começar bem. Graça maior persistir na caminhada certa. Mas graça das graças é não desistir nunca.
 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014


Como deixar de fumar

Assim que entro num táxi acendo um cigarro. Acho que é pra me desforrar de quando entro num elevador e fico a viagem toda sem fumar. Antes de tirar um cigarro estendi o maço aberto para o motorista. Ele fez que não com a cabeça e vi um cigarro no outro canto da boca.

— Não reparei que já estava fumando.

— O cigarro está apagado.

Estendi o isqueiro.

— Obrigado. Deixei de fumar.

Quase guardei o isqueiro aceso no bolso.

— Fumar cigarro apagado não prejudica a saúde — ele explicou.

— Rê rê — eu ri com toda a naturalidade. E quantos cigarros apagados o sr. fuma por dia?

— Três ou quatro.

— Poucos, não?

— Quando eu fumava cigarro aceso eram dois três maços.

— É preciso muita força de vontade pra jogar fora um cigarro apagado.

— Isso é verdade.

— E quando é que um cigarro apagado acaba?

— Quando molha.

— Igual um cigarro aceso.

— Não, é quando molha a ponta que tá na boca. Aí eu jogo o cigarro apagado molhado fora e pego um cigarro apagado seco.

Acendi o meu cigarro e depois é que me lembrei de perguntar:

— A fumaça não incomoda?

— Pelo contrário, até me dá vontade de experimenta dessa marca. Agora aceito um cigarro apagado dos seus.

— Cigarro apagado com filtro deve prejudicar ainda menos a saúde, não?

Ele pegou um cigarro do maço e botou na boca, sem tirar o outro. Dois cigarros apagados com filtro devem fazer menos mal ainda.


Reginaldo José de Azevedo Fortuna,
maranhense de 1931, foi jornalista, desenhista, humorista e artista gráfico.