quinta-feira, 31 de julho de 2008

Saudita é preso por ter duas esposas além do permitido


Lei islâmica só permite quatro mulheres; acusado é da polícia religiosa.


As autoridades na província de Jizan, na Arábia Saudita, estão investigando um integrante da polícia religiosa saudita acusado de ter seis esposas, quando a lei permite apenas quatro.

Segundo o jornal saudita al-Watan, o homem de 56 anos foi preso na província de Jizan, perto da fronteira com o Iêmen.

O jornal afirma que três das esposas são sauditas e as outras três, iemenitas.

O acusado negou que todas elas sejam suas esposas - ele afirmou que se divorciou de duas delas e é casado apenas com as quatro permitidas por lei.


Tratamento igual
Segundo a lei islâmica, as quatro esposas devem ser tratadas igualmente pelo marido.

Os integrantes da polícia religiosa da Arábia Saudita podem impor a severa interpretação do Islã na Arábia Saudita, principalmente no que diz respeito ao relacionamento entre os sexos.

Em junho, o Ministério Saudita de Assuntos Sociais apresentou a proposta de tornar obrigatório um curso para noivos.

O curso visa a diminuir o crescente número de divórcios entre os sauditas, principalmente entre os casais mais jovens.

Especialistas afirmam que o divórcio freqüentemente prejudica mais a mulher, pois é muito difícil para uma saudita conseguir um segundo casamento.


Da BBC

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Perfil do eleitorado paraibano

O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) divulga dados sobre o perfil do eleitorado paraibano.

Com relação à faixa etária, a maioria dos eleitores paraibanos tem entre 25 e 34 anos, o que equivale a um percentual de 24,38%, dos 2.655.370 eleitores no Estado. João Pessoa é o maior colégio eleitoral, com 443.777 mil eleitores; 16,7% do eleitorado da Paraíba.

Quanto ao grau de instrução, a maioria dos eleitores (30,94%) possui apenas o ensino fundamental incompleto. 2,65% do eleitorado tem o ensino superior completo e 12% é de analfabetos.

As mulheres continuam sendo a maioria do público votante, chegando ao patamar de um milhão e trezentos e noventa e seis mil, o que consiste em 52,6% da população apta a votar.


Fonte: TRE-PB

sábado, 26 de julho de 2008

Sósia do Rambo lança filme no Amazonas


Aldenyr Trindade Fortes, conhecido como Rambú da Amazônia, é o protanista do longa.Filme 'Rambú IV, o clone - a Amazônia é nossa' já vendeu duas mil cópias em Manaus.



O amazonense Aldenyr Trindade Fortes, 43 anos, que se considera sósia do astro Silvester Stallone, está lançando o filme "Rambú IV, o clone - a Amazônia é nossa". O longa-metragem é protagonizado por ele mesmo, que também é conhecido como Rambú da Amazônia. Cerca de duas mil cópias do DVD já foram vendidas em Manaus em menos de um mês.

"O filme é sucesso. Não imaginava tanta repercussão. Logo vamos querer começar a divulgar o filme em outras regiões do país. O Amazonas está ficando pequeno", disse ele.

Segundo o produtor Rubens Pereira da Silva, o sucesso foi tanto que até a pirataria entrou em cena. "Os camelôs já venderam mais de dez mil cópias. Não temos como correr contra isso. Por outro lado, eles acabam divulgando o nosso trabalho, mesmo que por vias tortas. É isso que queremos."

Os filmes estrelados por Rambú seguem a linha 'trash' e têm uma veia cômica acentuada. "Apesar disso, procuramos mostrar um pouco da preocupação com a Amazônia", disse Júnior Castro, diretor do trabalho.

O Clone, como é conhecido o mais recente trabalho, fala da história de um cientista que cria um soldado com as mesmas características de Rambú. Inconformado com sua situação, o clone se une a um travesti - morto no filme anterior da série - que é ressuscitado em um culto de umbanda.

Os dois vilões também tentam destruir a Amazônia, mas não conseguem, pois a floresta é protegida pelo Rambú verdadeiro.


Orçamento
Segundo Silva, o filme foi rodado com orçamento de R$ 25 mil. "Chegamos a colocar dinheiro do nosso bolso para terminar a filmagem". O valor é bem diferente das obras protagonizadas por Silvester Stallone, que costuma alcançar milhões de dólares.

O produtor afirmou ainda que a equipe pretende deixar a linha 'trash' para viabilizar mais recursos. "Queremos mostrar mais as belezas da Amazônia. O próximo filme que pretendemos fazer vai mostrar mais a cultura regional. Deixaremos de lado essa característica cômica e seguiremos mais para a aventura."


Filmografia
Rambú já fez quatro filmes em sua carreira de 18 anos. Dos dois primeiros, no entanto, não há registros e uma campanha está sendo comandada por ele para tentar resgatar imagens dos trabalhos. "Foram feitos em VHS e ninguém tem cópia, nem mesmo eu", disse.

O filme em questão é o "Rambú, o resgate da princesa", tem 15 minutos de duração e foi lançado em 1990. A história conta o seqüestro da namorada de Rambú.

O segundo trabalho foi feito em 1992 e tem o título "Rambú II, Rambo contra a galera". Também tem duração de 15 minutos e mostra a história do resgate de um disquete com informações sigilosas.

O terceiro trabalho do ídolo amazonense foi o "Rambú III, o rapto do jaraqui dourado", que trata do roubo de um amuleto guardado por uma tribo indígena e que pode proteger a Amazônia da destruição. Tem 30 minutos de duração.



Glauco Araújo. Do G1, em São Paulo

Após 70 anos de sua morte, Lampião continua presente na cultura popular


Museu em Pernambuco reúne documentos que retratam paradoxos do cangaço.
Historiador tem coleção de 115 peças que pertenceram ao bando de Lampião.


A morte de Lampião completa 70 anos na segunda-feira (28), mas o mito permanece vivo no cinema, na dança e na cultura popular. O cangaço seduziu artistas populares e os intelectuais. Inspirou quase 50 filmes. “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha, marcou a geração do cinema novo.

“O cineasta começou a ver no cangaço, na figura do cangaceiro, um herói, entre aspas, um herói ou um bandido sendo levado à telas com a chancela, com a identidade nacional”, diz Marcelo Dídimo de Oliveira, pesquisador cearense que tem uma tese de doutorado sobre esses filmes.

O “Baile Perfumado”, dos pernambucanos Paulo Caldas e Lírio Ferreira, mostra um bando muito cruel, mas que não descuida da aparência. Conta a história do fotógrafo Abraão Benjamim, que convenceu Lampião a deixá-lo acompanhar o grupo. Queria ser o primeiro a documentar o cangaço.

Do filme original resta um fragmento de aproximadamente 11 minutos, que revela a rotina de Lampião e seus comandados, inclusive as mulheres. Maria Bonita, entre elas.

O sírio-libanês Abraão Benjamim foi assassinado antes de Lampião. Muitas das fotos que ele tirou estão expostas em Serra Talhada, sertão de Pernambuco, onde Virgulino Ferreira nasceu. Um museu reúne documentos para quem quer entender um pouco dos paradoxos do cangaço, que teve lampião como principal personagem.

“Um dia de 1929, por exemplo, em que ele sangrou sete soldados do destacamento de Queimadas, na Bahia, uma hora depois estava dançando um forró animado com as damas da vizinhança, chamadas pra dançar com os cangaceiros. Então, essa convivência de contrários, essa convivência de antinomias, confere essa grandeza à personalidade de alguém que pode ser considerado tudo menos vulgar”, diz Frederico Pernambucano, historiador.

O historiador Frederico Pernambucano de Melo prepara o terceiro livro sobre cangaceiros. O título é “Estrelas de Couro - A estética do cangaço”. Ele tem uma coleção de 115 peças que pertenceram a diversos cabras de Lampião. Entre elas, os óculos de Virgulino, e o chapéu, onde exibia moedas de valor.

Os cangaceiros também estampavam nas bolsas que levavam a estética própria do cangaço. Como eram nômades, elas funcionavam como espécies de armários, onde levavam de tudo, dos alimentos ao ouro. Uma delas pertenceu ao próprio capitão Lampião.

Na roupa de Maria Bonita, encontrada dentro do bornal que ela carregava quando morreu, o desenho caprichado em galão. Nas luvas do companheiro, a declaração de fé em Santo Expedito.

“O nível de preocupação estética dele era muito maior do que a do moderno homem urbano. A estética do cangaço encerra também uma mensagem mística, no sentido de talismã ou de amuleto”, afirma Melo.

Lampião morreu há 70 anos e deixou herança na música e na dança. Quando queriam se divertir os cangaceiros dançavam xaxado. Até hoje jovens de Serra Talhada fazem o mesmo, sem descuidar não somente do passo, mas também de cada detalhe da roupa, do jeito dos cangaceiros.



Do G1, com informações do Jornal da Globo

quinta-feira, 24 de julho de 2008


Dos muitos delitos da infância, um ainda me persegue a consciência: Roubar siriguelas no caminho da escola. Era uma delícia saborear aquelas siriguelas madurinhas e ali a minha frente, sem ninguém para dizer NÃO! O fato de serem "alheias" e, por conseguintes, proibidas, parecia que as tornavam mais suculentas e doces!!!

Cerâmica feita nas coxas


Não, não estou fazendo nenhum tipo de crítica não, mas a frase está correta. Vou explicar.

No tempo da escravidão no Brasil, quando um escravo estava doente ou ferido e não podia ser aproveitado para os trabalhos normais, para não ficar sem nenhuma atividade era destinado à confecção de telhas de barro. Isso mesmo, aquelas telhas que são das coisas mais comuns de serem feitas com o barro. Naquela época, o escravo usava sua própria coxa para dar forma à telha. Tá dando pra imaginar, não é? Pois então, exatamente porque uma coxa nunca é igual a outra, as telhas ficavam todas diferentes, é claro. Imagine então o telhado. Daí é que vem a famosa expressão ” feito nas coxas”, que é usada para adjetivar as coisas que são feitas sem muito cuidado.

Meu sublime torrão


O compositor paraibano Genival Marcedo falecido recentemente, vítima de uma parada cardíaca, no Hospital Alfa, em Boa Viagem. Famoso por compor sucessos como A mulher do Aníbal, gravada por Jackson do Pandeiro e também por Chico Buarque em dueto com Zeca Pagodinho, Genival compôs "Meu Sublime Torrão", considerado como o segundo hino da Paraíba.

Nascido em João Pessoa, em 29 de março de 1921, Genival Macedo trabalhou na Rádio Tabajara, foi contemporâneo de Jackson do Pandeiro, do maestro Severino Araújo, Rosil Cavalcanti, do maestro Moacir Santos.

Outro sucesso de Genival é a composição "Micróbio do Frevo", lançada por Jackson do Pandeiro, e mais tarde regravada por, entre outros, Silvério Pessoa e Gilberto Gil.

O compositor tinha moradia fixa no Recife, vinha com problema sérios de saúde há cinco meses. E sem dúvida, deixou uma enorme lacuna na música brasileira, em especial no cancioneiro paraibano.

Vejamos a letra da canção" Meu sublime torrão" que se tornou o segundo hino do Estado da Paraíba por exaltar a Paraíba e falar de suas belezas e encantos.



Meu Sublime Torrão
(Genival Macedo)

Num recanto bonito do Brasil.
Sorri a minha terra amada.

Onde o azul do céu
É mais cor de anil.
Onde o Sol tão quente.

Parece mais gentil.
Lá, eu nasci, me criei,
Fiz canções e amei.
Sempre tive inspiração.

Lá, no Nordeste imenso,
Tem um fulgor intenso.
Meu Sublime torrão.

A minha terra.
Que só encerra
Belezas mil.

Pode ser chamada.
A namorada.
Do meu Brasil.

Minha terra tem.
O Cantar dos passarinhos.
Na lagoa, os gansinhos.

Com seu nado devagar.
As morenas tão gentis.
Ostentando os seus perfis.

Numa noite de luar.
Não tem a fama da baiana
Mas a paraibana.
Sabe amar, tem sedução.

Paraíba hospitaleira.
Morena brasileira.
Do meu coração.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Juiz impugna candidatura de 13 reprovados em teste de português.


Juiz indeferiu candidaturas no município de Poço Fundo, em Minas.
Candidatos reprovados podem recorrer da decisão.



Doze candidatos a vereador e um a vice-prefeito de um município do sul de Minas Gerais tiveram suas candidaturas indeferidas após reprovação em um exame de língua portuguesa realizado pelo juiz eleitoral local.

Os 13 candidatos são de Poço Fundo e todos, juntamente com os outros 47 candidatos, fizeram a prova, que não era obrigatória, após receber o convite do juiz Válter José Vieira.

As provas se resumiram a dois ditados. No primeiro, os candidatos tiveram que escrever: “O ministro Gilmar Mendes soltou pela segunda vez Daniel Dantas”. Nesta, 21 não foram bem. O juiz eleitoral resolveu, então, dar uma segunda chance. No novo ditado, os candidatos tiveram que escrever: “A realização de qualquer ato de propaganda partidária ou eleitoral”. Treze deles, porém, foram reprovados.

“Muito simples, um ditadozinho só. Não fiz nem matemática. Simplesmente não sabiam escrever”, afirmou Vieira ao jornal "Regional 2ª Edição" da EPTV. O juiz afirmou que o exame é permitido pelo Tribunal Superior Eleitoral desde que sejam feito individual e reservadamente com cada candidato.

Pela lei, um analfabeto pode votar, mas não pode ser eleito.

O único vice-prefeito reprovado foi Francisco Souza, de 56 anos, do Partido Verde. Pedreiro, ele estudou até a quarta série do ensino fundamental. “Aplicação na obra é muito mais difícil do que isto. Ser vice-prefeito será mais fácil”, disse ele.

"Dois candidatos nossos foram impugnados, mas eles são semi-alfabetizados. Talvez por força de um nervosismo muito grande perante o juiz e promotora não conseguiram o desempenho. O partido vai até onde a Justiça nos permite", disse Irajá de Alencar, presidente do PSL.

Os demais candidatos e partidos também podem recorrer da decisão. No total, segundo a EPTV, foram quatro candidatos do PV, dois do PMDB, PT, PTN e PSL e um do DEM.

Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Poço Fundo tem 15.350 habitantes, conta com 12.143 eleitores, segundo o TSE, e fica a cerca de 400 km de Belo Horizonte. O município faz divisas com Machado, Campestre, Caldas, Ipuiúna, Espírito Santo do Dourado, São João da Mata, Silvianópolis e Carvalhópolis.


Fonte: G1

terça-feira, 22 de julho de 2008

Ensino sem demagogia


Professor da Unicamp ataca discurso vazio do governo na área e propõe soluções para a educação no Brasil

DERMEVAL SAVIANI
ESPECIAL PARA A FOLHA

Os mais variados diagnósticos põem em evidência o estado atual altamente precário da qualidade da educação pública brasileira. E o mais recente programa de enfrentamento da situação, o PDE [Plano de Desenvolvimento da Educação], se propôs a atacar de frente exatamente o problema da qualidade do ensino, mas tem um calcanhar-de-aquiles: o insuficiente investimento.


Tal situação agora repercute de forma ampliada por efeito da greve dos professores da rede pública estadual de SP [iniciada em 16/6], que põe em evidência o problema das condições precárias de trabalho que dificultam a ação dos professores e afetam a formação, desestimulando a procura pelos cursos de preparação docente.


Tanto para garantir uma formação consistente como para assegurar condições adequadas de trabalho, faz-se necessário prover os recursos financeiros correspondentes.


Eis o grande desafio a ser enfrentado. É preciso acabar com a duplicidade pela qual, ao mesmo tempo em que se proclamam aos quatro ventos as virtudes da educação, as políticas predominantes se pautam pela redução de custos, cortando investimentos.


Impõe-se ajustar as decisões políticas ao discurso imperante. Trata-se, pois, de eleger a educação como máxima prioridade, carreando para ela todos os recursos disponíveis.

Questão crucial
Não se trata de colocar a educação em competição com outras áreas necessitadas, como saúde, segurança, estradas, desemprego, infra-estrutura de transporte, de energia, abastecimento, ambiente etc. Ao contrário, como eixo do projeto de desenvolvimento nacional, a educação será a via escolhida para atacar de frente todos esses problemas.


Se ampliarmos o número de escolas, tornando-as capazes de absorver toda a população em idade escolar, se povoarmos essas escolas com todos os profissionais de que necessitam, em especial com professores em tempo integral e bem remunerados, estaremos atacando o problema do desemprego diretamente, pois serão criados milhões de empregos.


Estaremos atacando o problema da segurança, pois estaremos retirando das ruas e do assédio do tráfico de drogas um grande contingente de crianças e jovens.


Mas, principalmente, atacaremos todos os demais problemas, pois estaremos promovendo o desenvolvimento econômico, uma vez que esses milhões de pessoas com bons salários irão consumir e, com isso, ativar o comércio, que, por sua vez, ativará o setor produtivo (indústria e agricultura), que irá produzir mais e contratar mais pessoas.


De quebra, a implementação desse projeto provocará o crescimento da arrecadação de impostos, maximizando a ação do Estado na infra-estrutura e nos programas sociais.


Enfim, com esse projeto será resolvido o problema da qualidade da educação: transformada a docência numa profissão atraente em razão da sensível melhoria salarial e das boas condições de trabalho, para ela serão atraídos muitos jovens dispostos a investir recursos, tempo e energia numa alta qualificação obtida em graduações de longa duração e em cursos de pós-graduação.


Com um quadro de professores altamente qualificado e fortemente motivado trabalhando em tempo integral numa única escola, estaremos formando os cidadãos conscientes, críticos, criativos, esclarecidos e tecnicamente competentes para ocupar os postos do mercado de trabalho de um país que viria a recuperar, a pleno vapor, sua capacidade produtiva.

Falta de coerência
Estaria criado, por esse caminho, o tão desejado círculo virtuoso do desenvolvimento. Trata-se de uma proposta ingênua, romântica? Não. Ela apenas extrai as conseqüências do discurso hoje dominante, cobrando coerência aos portadores desse discurso.


Está lançado o desafio aos formadores de opinião, aos empresários, dirigentes dos vários níveis e dos mais diferentes ramos de atividade e, em especial, aos políticos.
Ou assumimos essa proposta ou devemos deixar cair a máscara e pararmos de pronunciar discursos grandiloqüentes sobre educação, em flagrante contradição com uma prática que nega cinicamente os discursos proferidos.


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DERMEVAL SAVIANI é professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e autor de, entre outras obras, "Política e Educação no Brasil" (ed. Autores Associados).

segunda-feira, 21 de julho de 2008


O Pombal Fest vem ai, não vamos transformar as nossas ruas e becos em privadas!

sábado, 19 de julho de 2008

Satiagraha

A Polícia federal tem sido muito criativa nas denominações de suas operações contra o crime nesse país. O batismo foi a "Operação Satiaghara", mas, afinal, o que significa essa expressão usada pela PF:
A palavra SATIAGRAHA tem relação direta com a Resistência Pacífica à serviço da Ética e da Verdade Moral.
Desenvolvida por Mahatma Gandhi no India durante a revolta à ocupação britânica Satia em sânscrito, significa Verdadade, Agraha significa Firmeza, as duas palavras juntas significa Firmeza da Verdade.

Gandhi criou o termo para descrever sua filosofia de resistencia pacífica.

Eu amarei a luz porque ela mostra o caminho. Contudo, eu suportaria a escuridão pois ela me mostra as estrelas.”


Og Mandino

À mulher de Cézar não basta ser honesta, tem que parecer honesta

Hoje em dia, a afirmação é usada em palestras de marketing para dizer, por exemplo, que um restaurante como a mulher de Cézar. De que adianta o estabelecimento ter comida de qualidade e bom atendimento, mas parecer uma espelunca ? na política, usa-se para dizer que os governantes, além de serem honestos, precisam agir como tal. A frase original surgiu após um escândalo em Roma, por volta de 60 a.C., envolvendo o homem mais poderoso do mundo, sua mulher e um nobre pretendente.

Pompéia vivia muito sozinha, enquanto o marido Júlio Cézar passava meses com o seus exércitos. É nesse cenário perfeito para as fofocas que surge Clódio, um nobre admirador da moça. “Numa noite para conseguir se aproximar de Pompeía, ele entrou no palácio disfarçado, mas acabou se perdendo pelos corredores mas acabou sendo descoberto e preso”.

O jovem foi levado ao Tribunal e o próprio Cézar convocado para prestar esclarecimentos. “ele declarou ignorar o que se dizia sobre sua mulher e a julgou inocente”.

O penetra foi absolvido mas Pompéia não se livrou do ostracismo e do repúdio do marido. Para quem o acusava de estar sendo contraditório, ao defender a mulher no Tribunal e condená-la em casa, ele teria afirmado: não basta que a mulher de Cézar seja honrada, é preciso que sequer seja suspeita”.
Fonte: Aventura na História

O importante é se comunicar



quinta-feira, 17 de julho de 2008

Ainda há juízes em Brasília?

SERGIO GARDENGHI SUIAMA e ANA LÚCIA AMARAL


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A soltura de Daniel Dantas é caso típico de "supressão de instância" e contraria, assim, centenas de decisões do STF. Inclusive do Gilmar Mendes
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O ADVOGADO de um dos presos da Operação Satiagraha, Alberto Z. Toron, publicou neste espaço no último domingo um artigo em defesa do ministro Gilmar Mendes. Disse que Mendes foi vítima de um "covarde e sórdido ataque" e enalteceu a forma "independente e corajosa" com que determinou a soltura de "alguém que calha ser banqueiro".

Curiosamente, o artigo passa ao largo de uma das mais importantes garantias do devido processo legal, que é a idéia de que todo cidadão tem o direito de ser julgado por um juiz constitucionalmente competente.

No nosso direito, as regras estabelecem que, exceto casos de foro especial previstos na Constituição, todos os cidadãos devem ser julgados por um juiz de primeira instância e, contra as decisões deste, podem recorrer a um tribunal de segunda instância.

Se a defesa perder o recurso, pode depois impetrar habeas corpus no STJ (Superior Tribunal de Justiça). O STF (Supremo Tribunal Federal), órgão presidido pelo ministro Gilmar Mendes, é competente para julgar habeas corpus apenas quando a decisão impugnada for do STJ, de outro tribunal superior ou quando o coator ou paciente for autoridade sujeita à jurisdição do STF. O desrespeito a essas regras não prejudica só o acusado, prejudica todo o sistema de Justiça, na medida em que dá margem à violação da imparcialidade do juiz. Por esse motivo, o STF e o STJ têm centenas de decisões rejeitando o que em "juridiquês" chamamos de "supressão de instância", isto é, o recurso direto a um tribunal superior sem que a questão tenha sido previamente discutida por um tribunal inferior. O próprio ministro Gilmar, em mais de 30 casos, teve a oportunidade de rejeitar habeas corpus impetrados no STF sob o argumento de "supressão de instância".

Em uma dessas ocasiões, o réu havia sido preso acusado de matar a mulher. O Tribunal de Justiça anulou a decisão da juíza de primeiro grau, mas manteve a prisão. O advogado do caso (coincidentemente, Toron) impetrou habeas corpus no STJ alegando que seu cliente estava preso havia mais tempo do que deveria. Como essa questão não havia sido anteriormente discutida, o STJ se recusou a examinar o recurso.

Inconformado com a decisão do STJ, o advogado impetrou outro habeas corpus, agora no STF. O relator do processo, ministro Gilmar Mendes, manteve a decisão do STJ, argumentando que, "de fato, não se encontravam dentre as alegações do recurso o excesso de prazo da prisão preventiva. Desse modo, não havia nenhuma obrigação de o TJ reconhecê-lo. Qualquer manifestação nesse sentido por outro órgão, seja o STJ, seja o STF, caracterizaria supressão de instância, vedada pelo ordenamento jurídico" (HC 82.297-5/SP. A decisão, pública, está no site do STF).

No caso da prisão daquele que "calhou de ser banqueiro", todavia, o ministro decidiu de forma diferente. Uma reportagem deste ano dizia que Daniel Dantas estava sendo investigado pela PF "em razão de fortes indícios de crimes financeiros". Com esse fundamento (a reportagem), seus advogados impetraram sucessivos habeas corpus para conseguir um "salvo-conduto" ao poderoso cliente.

Nenhuma das ações chegou a ser definitivamente julgada; o mero indeferimento liminar do pedido em uma era causa para a impetração de outro habeas corpus em tribunal mais elevado. O STJ, por duas vezes, indeferiu o pedido de liminar formulado pelos advogados. Novo pedido estava pendente no STF quando sobreveio a prisão temporária de Dantas.

O decreto expedido pelo juiz de primeira instância faz referência a fatos que nunca foram debatidos nos três habeas corpus anteriores. Portanto, jamais poderia o presidente do STF avaliá-los em uma liminar concedida durante o recesso forense, nem muito menos "pular" a competência do Tribunal Regional Federal e do STJ para decidir sobre a prisão decretada por um juiz de primeira instância.

Igualmente teratológica foi a decisão seguinte, pela qual o presidente do STF avocou a si decidir sobre prisão preventiva de alguém suspeito de tentar corromper o delegado responsável pela investigação. Tal decisão, vale repetir, contraria centenas de outros julgados do STF, inclusive relatados pelo próprio ministro Gilmar.

Eventuais atentados às liberdades dos investigados devem ser apurados com rigor, mas não podem servir de pretexto para que o presidente da mais alta corte do país avoque a decisão de soltar liminarmente um cidadão comum que, pelo acaso da Fortuna, vem a ser um banqueiro, suspeito de corrupção e lavagem de dinheiro, e não um dos milhares de réus pobres esquecidos pela justiça dos homens nas infectas penitenciárias do Brasil.


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SERGIO GARDENGHI SUIAMA , 36, é procurador da República em São Paulo. Foi defensor público criminal. ANA LÚCIA AMARAL , 56, é procuradora regional da República da 3ª Região.

domingo, 13 de julho de 2008


“...as leis são teias de aranha que servem para apanhar insetos, mas que se deixam romper pela pressão de qualquer corpo mais pesado.”

(Dom José da Cunha Azevedo Coutinho)

Em caso de empate, idade define eleição


Não são apenas os votos que podem decidir as eleições deste ano nos mais de 5 mil municípios brasileiros. No caso de dois candidatos terminarem empatados na primeira colocação, o eleito será o mais velho, segundo a legislação eleitoral.

Eleições decididas pela idade, por sinal, não são algo impossível de acontecer. No último pleito municipal, em 2004, as cidades de Grão Pará (SC) e Embaúba (SP) tiveram empate entre dois candidatos. Nos dois casos, assumiu a prefeitura o candidato mais velho.

Grão Pará

Em Grão Pará, que tinha 4.752 eleitores em 2004, Amilton Ascari, que concorria na época pelo PFL (atual DEM), e Valdir Dacoregio (PT) somaram 50% dos votos válidos – cada um teve 2.270 votos. Ascari acabou eleito porque era quase dois anos velho que o adversário - tinha 47 anos, contra 45 de Dacoregio.

“Eu tinha 47 anos e ganhei por dois anos de diferença. Mas, na verdade, a pressão foi muito grande. Abria a urna, empatava, abria outra e um ganhava com um voto, dois votos. Foi uma situação inacreditável”, disse Ascari, em entrevista ao G1.

Segundo o atual prefeito, Dacoregio chegou a festejar a vitória. “Naquela oportunidade, eles somaram errado os votos deles e festejaram antes a vitória, pois achavam que tinham vencido. Mas, quando o juiz eleitoral foi conferir a urna eletrônica, deu empate.”

Em entrevista ao G1, Dacoregio disse que pensava que iria vencer a eleição. “Nós tínhamos uma apuração paralela, e o pessoal da nossa apuração mostrava que tínhamos vencido a eleição. Eu jamais esperava que fosse dar empate”, afirmou.

Embaúba

No município paulista de Embaúba, que contava com 1.787 eleitores em 2004, os candidatos Luiz Finoto Neto, que concorria pelo PSDB, e Jesus Natalino Peres, pelo PFL (atual DEM), também terminaram iguais – cada um obteve 830 votos.

Derrotado pela idade, Natalino Peres disse ao G1 que ainda não se conforma com aquele resultado. “É uma crueldade você perder uma eleição pela idade. É uma injustiça. Na minha opinião, deveria haver uma nova eleição na época”, disse.

Na época da eleição, em 2004, Natalino tinha 45 anos e era 22 anos mais novo que seu adversário. Ele diz estar decepcionado com a política por ter perdido a eleição por causa da idade. “Se durar mais cem anos, não vou esquecer o que aconteceu”, comentou.

Finoto, que tinha 67 anos em 2004, disse que esperava uma eleição muito disputada. "Eu achava que ia ser difícil. Durante a campanha, eu até falei para meu adversário: 'você tem que ganhar no voto, pois, se empatar, eu sou prefeito de Embaúba'", disse ele.

Para o advogado Arthur Rollo, especialista em direito eleitoral, “a idade serve de critério de desempate constitucional”. “É utilizado, por exemplo, para concurso público. É um critério prévio, objetivo e criado previamente”, afirmou Rollo.

Na avaliação do advogado, utilizar a idade como desempate em uma eleição é a melhor alternativa. “É um critério, no meu entender, correto. Ninguém pode reclamar porque todo mundo já sabe a regra do jogo”, acrescentou o especialista.


Do G1

Papel higiênico esconde US$ 55 mil em prisão dos EUA


Valor foi encontrado dentro de banheiro em centro de detenção de St. Louis.
Detentos foram questionados, mas ninguém assumiu ser dono do dinheiro.


Funcionários da prisão do condado de St. Louis (Minnesota, EUA) encontraram US$ 55 mil em um dos banheiros desse centro de detenção. A quantia estava escondida atrás de um dispositivo que libera papel higiênico.

Segundo o policial Thomas Byrne, os US$ 55 mil estavam divididos em notas de US$ 100 e US$ 50. As autoridades interrogaram os detentos para saber a origem do dinheiro, mas ninguém admitiu ter qualquer relação com a quantia encontrada.

O dinheiro foi depositado em uma conta bancária até que seu verdadeiro dono seja identificado, afirmou a polícia.

Fonte G1

A idade de ser feliz


Existe somente uma idade para a gente ser feliz,somente uma época na vida de cada pessoa em que é possível sonhar e fazer planos e ter energia bastante para realiza-los a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.
Uma só idade para a gente se encontrar com a vida e viver apaixonadamente e desfrutar tudo com toda intensidade sem medo nem culpa de sentir prazer. Fases douradas em que a gente pode criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança e vestir-se com todas as cores e experimentar todos os sabores e entregar-se a todos os amores sem preconceito nem pudor.
Tempo de entusiasmo e coragem em que todo desafio é mais um convite à luta que a gente enfrenta com toda disposição de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO, e quantas vezes for preciso. Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se PRESENTE e tem a duração do instante que passa.


Mário Quintana

sábado, 12 de julho de 2008

Feridas abertas


Depois dos procuradores se manifestarem contra o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, agora mais de 130 juízes federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul divulgaram carta de apoio ao juiz federal da 6ª Vara, Fausto Martin De Sanctis, responsável por expedir o pedido de prisão do banqueiro Daniel Dantas. Procuradores divulgam carta de repúdio a Gilmar Mendes 42 procuradores divulgaram carta aberta, na qual lamentam decisão de Gilmar Mendes no habeas corpus que tirou Daniel Dantas da prisão pela primeira vez.


Para eles, "as instituições democráticas brasileiras foram frontalmente atingidas pela decisão liminar que, em tempo recorde, sob o pífio argumento de falta de fundamentação, desconsiderou todo um trabalho criteriosamente tratado nas 175 páginas do decreto de prisão provisória proferido por juiz federal".

Sanctis foi acusado nesta sexta-feira por Gilmar Mendes de mandar a Polícia Federal monitorar o gabinete do ministro. No entanto, uma varredura no STF não encontrou escutas no local. Mendes concedeu hoje, pela segunda vez, liminar para suspender a decisão da prisão de Dantas, pedida por Sanctis.

No texto, os juízes demonstram "indignação com a atitude" de Gilmar Mendes, pelo ministro ter determinado o encaminhamento de cópias da decisão do juiz Fausto De Sanctis sobre o habeas corpus que soltou Dantas para o Conselho Nacional de Justiça, o Conselho da Justiça Federal e a Corregedoria Geral da Justiça Federal da Terceira Região.

"Não se vislumbra motivação plausível para que um juiz seja investigado por ter um determinado entendimento jurídico. Ao contrário, a independência de que dispõe o magistrado para decidir é um pilar da democracia e princípio constitucional consagrado. Ninguém nem nada pode interferir na livre formação da convicção do juiz, no direito de decidir segundo sua consciência, pena de solaparem-se as próprias bases do Estado de Direito".











MANIFESTO DA MAGISTRATURA FEDERAL DA 3ª REGIÃO

Nós, juízes federais da Terceira Região abaixo assinados, vimos mostrar, por meio deste manifesto, indignação com a atitude de Sua Excelência o Ministro Gilmar Mendes, Presidente do Supremo Tribunal Federal, que determinou o encaminhamento de cópias da decisão do juiz federal Fausto.


Não se vislumbra motivação plausível para que um juiz seja investigado por ter um determinado entendimento jurídico. Ao contrário, a independência de que dispõe o magistrado para decidir é um pilar da democracia e princípio constitucional consagrado. Ninguém nem nada pode interferir na livre formação da convicção do juiz, no direito de decidir segundo sua consciência, pena de solaparem-se as próprias bases do Estado de Direito. Sanctis nega que tenha pedido monitoramento.


O juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara, divulgou nota, na qual diz que não pediu o monitoramento pela PF do gabinete do presidente do STF, Gilmar Mendes

Prestamos, pois, nossa solidariedade ao colega Fausto De Sanctis e deixamos clara nossa discordância para com este ato do Ministro Gilmar Mendes, que coloca em risco o bem tão caro da independência do Poder Judiciário.

Até às 18 horas de hoje, 11 de julho, os Juízes Federais abaixo identificados manifestaram-se conforme o presente manifesto, sem prejuízo de novas adesões.

1 - Carlos Eduardo Delgado
2 - José Eduardo de Almeida Leonel Ferreira
3 - Katia Herminia Martins Lazarano Roncada
4 - Raecler Baldresca
5 - Rubens Alexandre Elias Calixto
6 - Claudia Hilst Menezes
7 - Edevaldo de Medeiros
8 - Denise Aparecida Avelar
9 - Taís Bargas Ferracini de Campos Gurgel
10 - Giselle de Amaro e França
11 - Erik Frederico Gramstrup
12 - Angela Cristina Monteiro
13 - Elídia Ap Andrade Correa
14 - Decio Gabriel Gimenez
15 - Renato Luis Benucci
16 - Marcelle Ragazoni Carvalho
17 - Silvia Melo da Matta
18 - Isadora Segalla Afanasieff
19 - Daniela Paulovich de Lima
20 - Otavio Henrique Martins Port
21 - Cristiane Farias Rodrigues dos Santos
22 - Claudia Mantovani Arruga
23 - Paulo Cezar Neves Júnior
24 - Venilto Paulo Nunes Júnior
25 - Rosana Ferri Vidor
26 - João Miguel Coelho dos Anjos
27 - Fabiano Lopes Carraro
28 - Rosa Maria Pedrassi de Souza
29 - Sergio Henrique Bonachela
30 - Rogério Volpatti Polezze
31 - Wilson Pereira Júnior
32 - Nilce Cristina Petris de Paiva
33 - Cláudio Kitner
34 - Fernando Moreira Gonçalves
35 - Noemi Martins de Oliveira
36 - Marilia Rechi Gomes de Aguiar
37 - Gisele Bueno da Cruz
38 - Gilberto Mendes Sobrinho
39 - Veridiana Gracia Campos
40 - Letícia Dea Banks Ferreira Lopes
41 - Lin Pei Jeng
42 - Luiz Renato Pacheco Chaves de Oliveira
43 - Fernando Henrique Corrêa Custodio
44 - Leonardo José Correa Guarda
45 - Alexandre Berzosa Saliba
46 - Luciana Jacó Braga
47 - Marisa Claudia Gonçalves Cucio
48 - Carla Cristina de Oliveira Meira
49 - José Luiz Paludetto
50 - Carlos Alberto Antonio Júnior
51 - Márcia Souza e Silva de Oliveira
52 - Maria Catarina de Souza Martins Fazzio
53 - Nilson Martins Lopes Júnior
54 - Fabio Ivens de Pauli
55 - Mônica Wilma Schroder
56 - Louise Vilela Leite Filgueiras Borer
57 - José Tarcísio Januário
58 - Valéria Cabas Franco
59 - Marcelo Freiberger Zandavali
60 - Rodrigo Oliva Monteiro
61 - Ricardo de Castro Nascimento
62 - Luciane Aparecida Fernandes Ramos
63 - José Denílson Branco
64 - Paulo César Conrado
65 - Alexandre Alberto Berno
66 - Luciana Melchiori Bezerra
67 - Mara Lina Silva do Carmo
68 - Raphael José de Oliveira Silva
69 - Anita Villani
70 - Higino Cinacchi Júnior
71 - Maria Vitória Maziteli de Oliveira
72 - Márcio Ferro Catapani
73 - Silvia Maria Rocha
74 - Luís Gustavo Bregalda Neves
75 - Denio Silva The Cardoso
76 - Fletcher Eduardo Penteado
77 - Leonardo Pessorrusso de Queiroz
78 - Carlos Alberto Navarro Perez
79 - Renato Câmara Nigro
80 - Ronald de Carvalho Filho
81 - Luiz Antonio Moreira Porto
82- Hong Kou Hen
83- Pedro Luís Piedade Novaes
84- Flademir Jerônimo Belinati Martins
85- Luís Antônio Zanluca
86- Omar Chamon
87- Sidmar Dias Martins
88- João Carlos Cabrelon de Oliveira
89- Antonio André Muniz Mascarenhas de Souza
90- Marilaine Almeida Santos
91-Alessandro Diaféria
92- Paulo Ricardo Arena filho
93- Hélio Egydio de Matos Nogueira
94- Ricardo Geraldo Rezende Silveira
95 - Cláudio de Paula dos Santos
96 - Leandro Gonsalves Ferreira
97 - Caio Moysés de Lima
98 - Ronald Guido Junior
98 - Clécio Braschi
99 - Roberto da Silva Oliveira
100 - Vanessa Vieira de Mello
101 - Ivana Barba Pacheco
102 - Simone Bezerra Karagulian
103 - Gabriela Azevedo Campos Sales
104 - Kátia Cilene Balugar Firmino
105 - Fernanda Soraia Pacheco Costa
106 - Leonora Rigo Gaspar
107 - Marcos Alves Tavares
108 - Jorge Alexandre de Souza
109 - Anderson Fernandes Vieira
110 - Raquel Fernandez Perrini
111- Adriana Delboni Taricco Ikeda
112 - Tânia Lika Takeuchi
113- Janaína Rodrigues Valle Gomes
114- Fernando Marcelo Mendes
115- Simone Schroder Ribeiro
116- Nino Oliveira Toldo
117 - João Eduardo Consolim
118 - Raul Mariano Júnior
119 - Mônica Aparecida Bonavina
120 - Dasser Lettiere Júnior
121 - Renata Andrade Lotufo
122 - Paula Mantovani Avelino
123 - Renato de Carvalho Viana
124 - Marcelo Guerra Martins
125 - Maíra Felipe Lourenço
126 - Andréa Basso
127 - Diogo Ricardo Goés Oliveira
128 - Guilherme Andrade Lucci
129 - Carla Cristina Fonseca Jorio
130 - Maria Isabel do Prado
131 - Roberto Modesto Jeuken
132 - Aroldo Jose Washington
133 - João Eduardo Consolim
134 - Fabíola Queiroz



Fonte: Uol.com.br


-Enquanto isso muitos pobres (alguns inocentes) apodrecem na cadeia a espera de um interrogatório, de uma defesa mínima, do apoio de uma Defensoria Pública que, quando chega, em sua maioria é ineficaz e tardia. E, no entanto, tudo é silêncio...

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Mil e uma utilidades


Espelho


Por acaso, surpreendo-me no espelho:
Quem é esse que me olha e é tão mais velho que eu? (...)
Parece meu velho pai - que já morreu! (...)
Nosso olhar duro interroga:
"O que fizeste de mim?" Eu pai? Tu é que me invadiste.
Lentamente, ruga a ruga... Que importa!
Eu sou ainda aquele mesmo menino teimoso de sempre
E os teus planos enfim lá se foram por terra,
Mas sei que vi, um dia - a longa, a inútil guerra!
Vi sorrir nesses cansados olhos um orgulho triste..."

Mário Quintana

fonte: JORNAL DA POESIA

Carrinho de mão é opção para motorista que consumiu álcool

Carregador cobra pelo menos R$ 1 para transportar pessoas na Paraíba.'Passageiro' pode usar capacete, para evitar problemas em caso de queda.


Depois que a nova lei seca entrou em vigor, em junho, muitos donos de bares e restaurantes passaram a contratar motoristas para levar os clientes para casa. No litoral da Paraíba, o serviço é bem menos sofisticado, mas também funciona.

O carregador Alexandre Alves cobra R$ 1 para transportar passageiros em um carrinho de mão com almofadas e até capacete, para prevenir problemas em caso de queda. Mas, dependendo do peso, o preço pode aumentar. "Não é preconceito, não. O gordinho é mais pesado, custa R$ 2."

O carrinho tem uma placa com o nome do serviço ("trans bêbado") e o telefone do carregador.

Fonte: TV Globo


quinta-feira, 10 de julho de 2008

E haja milagres!!!


Paisagem de Interior


Matuto no meio da pista
menino chorando nu
rolo de fumo e beiju
colchão de palha listrado
um par de bêbo agarrado
preto véo rezador
jumento, jipe e trator
lençol voando estendido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior

três moleque fedorento
morcegando um caminhão
chapéu de couro, gibão
bodega com sortimento
poeira no pé do vento
tabuleiro de cocada
banguela dando risada
das prosa dum cantador
buchuda sentindo dor
com o filho quase parido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior

Bêbo lascano a canela
escorregando na fruta
num batente, uma matuta
areando uma panela
cachorro numa cadela
se livrando das pedrada
ciscador, corda e enxada
na mão do agricultor
no jardim, um beija-flor
num pé de planta florido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior

Mastruz e erva cidreira
debaixo de jatobá
menino quereno olhar
as calça da lavadeira
um chiado de porteira
um fole de oito baixo
pitomba boa no cacho
um canário cantador
caminhão de eleitor
com os voto tudo vendido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior

Um motorista cangueiro
e um jipe chêi de batata
um balai de alpercata
porca gorda no chiqueiro
um camelô trambiqueiro
aveloz, lagartixa
bode véio de barbicha
bisaco de caçador
um vaqueiro aboiador
um bodegueiro adormecido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior

Meninas na cirandinha
um pula corda e um toca
varredeira na fofoca
uma saca de farinha
cacarejo da galinha
novena no mês de maio
vira-lata e papagaio
carroça de amolador
fachada de toda cor
um bruguelim desnutrido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior

Uma jumenta viçando
jumento correndo atrás
um candeeiro de gás
véi na cadeira bufando
rádio de pilha tocando
um choriço, um manguzá
um galho de trapiá
carregado de fulô
fogareiro, abanador
um matador destemido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior

Um soldador de panela
debaixo da gameleira
sovaqueira, balinheira
uma maleta amarela
rapariga na janela
casa de taipa e latada
nuvilha dando mijada
na calçada do doutor
toalha no aquarador
um terreiro bem varrido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior


Um forró pé de serra
fogueira, milho e balão
um tum-tum-tum de pilão
um cabritinho que berra
uma manteiga da terra
zoada no mei da feira
facada na gafieira
matuto respeitador
padre prefeito e doutor
os home mais entendido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior


Jessier Quirino

Bordel oferece mulher 'com gasolina' para esquentar negócio


Cliente ganha vale-combustível a cada US$ 300 gastos com uma profissional da casa. Proprietário do estabelecimento em Nevada, nos EUA, diz que o sucesso foi imediato.


Um bordel de Nevada, nos Estados Unidos, está atraindo novos clientes com uma promoção que mistura mulher e gasolina. A cada US$ 300 (R$ 480) gastos na casa, os clientes do Shady Lady Ranch ganham um vale-gasolina de US$ 50 dólares. Esse preço garante uma hora de serviços das moças do bordel.

O proprietário, James Davis, disse que a procura explodiu – ele já teve de encomendar mais US$ 1 mil em vales. A primeira remessa evaporou em uma semana. "Estamos bombando. Junho e julho historicamente não são bons meses", disse James. Ele toca o negócio com a esposa, Bobbi, há 16 anos.

Como a procura sempre cai nesta época do ano, eles bolam ofertas especiais para tentar aquecer o movimento. Desta vez, quem teve a idéia do vale-gasolina foi Bobbi.

O criativo bordel fica na cidade de Beatty, a 210 quilômetros de Las Vegas. Os US$ 50 devem ser suficientes para cobrir os custos dessa viagem. O preço da gasolina nos Estados Unidos chegou a US$ 4,08 por galão na semana passada. Um galão tem 3,8 litros. O litro custa, portanto, US$ 1,07. Os US$ 50 do vale-combustível compram 46,7 litros de gasolina. Um carro que faça 10 quilômetros por litro será capaz de rodar 467 quilômetros com o vale.

Os bordéis são ilegais na maior parte do território norte-americano, com exceção de alguns lugares em Nevada.


Fonte: G1

Isso sim é que é milagre!


Abaixo o som alto


Cada vez que eleições se aproximam, penso no problema do barulho e fico sonhando com a possibilidade de que algum candidato, finalmente, faça esse assunto entrar na sua plataforma política. Acho que tenho poucas chances de interessar alguém. Afinal, as campanhas eleitorais no Brasil, como tudo por aqui, são também barulhentas! Nesse caso, como fazer me ouvir? Vou tentar, valendo-me de um argumento utilitarista.

Falando como os economistas, acho que existe no eleitorado brasileiro uma demanda reprimida pelo direito ao silêncio. É só ver a indignação resignada de quem mora junto a locais onde se realizam mega-eventos, muitas vezes com o patrocínio dos poderes públicos, e tem a casa invadida pelo barulho infernal de axés, pagodes, funks e agora um tal de “créu”. Certa feita vivi essa experiência ao visitar amigos num apartamento próximo a um desses infernos. O barulho era tanto que fomos obrigados a nos refugiar num quarto provido de ar condicionado para conversar. O ruído do aparelho atenuava, mas não neutralizava o barulho que vinha de fora. Foi nesse momento que me passou pela cabeça a idéia de que esses moradores estavam presos em verdadeiras câmaras de tortura!

Talvez esteja exagerando. Mas a verdade é que infligir sons em altíssimo volume a pessoas confinadas é uma forma de tortura! Tortura limpa, que não deixa marcas, e inventada pelos civilizados ingleses. Mas mesmo assim, tortura! No tempo da ditadura militar, aliás, chegou-se a improvisar num dos porões da base aérea do Galeão um cubículo desse tipo. O barulho insuportável era fornecido “gratuitamente” pelas turbinas dos aviões em manobra na cabeceira da pista. É claro que, diferentemente dos presos de então, os moradores de agora podem escapar da situação a que estão submetidos. Como? Saindo de casa! O absurdo da situação clama aos céus.

Isso no atacado. No varejo, quem de nós já não teve sua paz acintosamente violada por um desses carros munidos de caixas de som que vêm se instalar na frente do bar onde estamos tomando nossa cervejinha? Mas, aqui também, a indignação resigna-se. Afinal, um boçal capaz de uma coisa dessas, do que será capaz se formos reclamar? Só que às vezes a coisa derrapa. No meio deste artigo, tive a idéia de pesquisar na internet. Fui ao google e lá digitei: “som alto causa homicídio”. Tomei um susto: havia mais de 28 mil entradas! A primeira era: “Discussão por causa de som alto acaba com dois mortos e um ferido” A notícia era deste ano e vinha da próxima Paraíba. Como se vê, incivilidade às vezes se transforma em caso de polícia.

Por isso acho que um candidato disposto a levar essa questão a sério faria uma bela colheita. Relato um precedente interessante. No começo dos anos 90, era prefeito de São Paulo ─ vejam só! ─ Paulo Maluf. Pois foi Maluf quem sancionou uma lei municipal instituindo a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança no trânsito da cidade. Houve, naturalmente, protestos. E até mesmo inícios de processos judiciais levantando a inconstitucionalidade da medida, sob a alegação de que era a União, não o Município, quem tinha competência para legislar sobre trânsito. Pois bem. Não sei o que foi feito dos processos. Mas a verdade é que havia uma demanda reprimida pelo uso do cinto, tanto que boa parte dos cidadãos aderiu e a parte relutante logo se acostumou. A iniciativa virou rastilho e vários outros municípios começaram a adotar idêntica medida. Pouco depois, a chegada do Novo Código de Trânsito Brasileiro acabou a discussão, obrigando o uso em todo o país.

Uma coisa que me ocorre é que barulho não tem ideologia. Ou seja: diferentemente do que se passa com o superávit primário ou o regime cubano, esquerda e direita, no Brasil, partilham a mesma indiferença a certas regras de convivência civilizada, entre as quais severas limitações à capacidade de incomodar proporcionada pelos modernos meios de amplificação sonora. Prova disso é o fato de que entra governo e sai governo e a famosa “lei do silêncio”, sobre que todo mundo fala e ninguém sabe muito bem o que é, continua sendo rotineiramente desrespeitada. O que parece mesmo valer é um ditado com força de lei sociológica: “os incomodados que se mudem!” Definitivamente, é tempo de os cidadãos começarem a não mais aceitar um princípio moleque desse tipo como regra de convivência. Se fosse candidato, essa seria minha plataforma!



Luciano Oliveira
Professor da UFPE

Aprovado projeto que pune crimes praticados pela internet


O Senado aprovou na noite desta quarta-feira (9) uma proposta que enquadra crimes cometidos pela internet, como a pirataria virtual e a pedofilia, e endurece a pena para os crimes já existentes. No total, o projeto, relatado pelo senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), cria 13 novos crimes.

O projeto considera crime estelionato e falsificação de dados eletrônicos ou documentos; criação ou divulgação de arquivos com material pornográfico envolvendo crianças e adolescentes; roubo de senhas de usuários do comércio eletrônico; e divulgação de imagens privadas.

Um dos pontos mais importantes determina que os provedores terão de guardar por três anos os registros de acesso para que se possa saber quem acessou a Internet, em que horário e a partir de qual endereço.

Os provedores de Internet serão obrigados a preservar em seu poder, para futuro exame, arquivos requisitados pela Justiça, assim como encaminhar às autoridades judiciais quaisquer denúncias de crimes que lhes forem feitas.

A matéria segue agora para a Câmara dos Deputados. Para o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), "aprovamos um projeto rigoroso contra o crime, mas que garante a liberdade de expressão na Internet". "Os brasileiros poderão ter com a futura lei um ambiente seguro em que desenvolver suas atividades no campo da informática."

O senador paulista explicou que essas regras foram objeto de discussão com entidades como a Abranet (Associação Brasileira dos Provedores de Acesso, Serviços e Informações da Rede Internet) e o Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados).


Fonte:
da Folha Online
da Agência Senado

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Só na lembrança é que se pode voltar


Durante a festa do Rosário de Pombal, o Parque de diversões MAIA, pertencente ao campinense Zé Maia, foi o pioneiro em trazer novidades para crianças e adultos na nossa tradicional festa. Nos idos de 1963 tinha este parque, um carrossel de cavalinhos, um chapéu mexicano quatro canoas, duas rodas Gigantes, sendo uma grande e a outra menor.

Na parte onde ficava o eixo central de cada roda gigante, era colocado um projetor de SOM (difusora), direcionados para a Rua Nova, com um som muito bonito e agradável para aquela época que só existia som monofônico. Tinha um locutor chamado LUIZ, de cor morena, pouco alfabetizado, mas de voz grave e impressionante, que dentro do pequeno Studio dizia: “você está ouvindo a PR-Maia, Radio Amplificador ponto 3, pertencente ao Parque de Diversões Maia, o inimigo número 1 da tristeza.

O pequeno STUDIO DE SOM era decorado com capas de Lps, no formato de 12 polegadas dos seguintes cantores: Waldick Soriano, Orlando Dias, Silvinho, Bienvenido Granda, Ataulfo Alves, e, até mesmo Jackson do Pandeiro, que eram os sucessos daquele bom tempo. Existia ainda um retrato em preto e branco de Zé Maia no tamanho 12 X 25 cm, que era o dono do Parque Maia. Dois amplificadores de SOM e um toca discos, todos da melhor qualidade, transmitiam alegria e animavam a festa com os sucessos daquela bela época.

Lembro-me da música de um gaúcho de “São Leopoldo,” que após acompanhar Teixeirinha com seu acordeom em excursões pelo Rio Grande do Sul, Paraguai e Argentina, gravou pela PHILLIPS DO BRASIL S/A, um LP intitulado: “Um Gaúcho Forasteiro”. Desse Lp, a gravadora extraiu um 78rpm, que foi sucesso no país inteiro e chegou a pombal exatamente na festa do Rosário de 1963. A música era de autoria de Dorico: “Amor Fingido”. Na outra face do disco, “Noite Escura”, sucessos que permaneceram nas paradas por quase dois anos. Estas músicas tocavam incessantemente tanto no Parque Maia, como na radiola do Bar Centenário, recentemente inaugurado e de propriedade dos irmãos: Sales e Nilton Venceslau. Até hoje ainda conservo em minha discoteca essa raridade em 78 rpm originalíssima.

Nesse ano a que me refiro, eu tinha apenas 16 anos. Um rapaz pobre, filho de uma viúva, liso, sem dinheiro no bolso. Ficava na frente do parque, louco de vontade pra rodar nos cavalinhos, mas não tinha dinheiro. Mas a música sempre foi a minha maior paixão. Sempre fui apaixonado pelos discos. Ficava extasiado em ver capas de Lps e por isso estava ali todas as noites pra observar tudo aquilo. Em ver tudo isso, eu acabava esquecendo dos cavalinhos do parque.
Duas semanas depois, o Parque Maia foi embora. Tinha terminado a festa do Rosário, mas a música de Ademar Silva não me saía da mente. Passados alguns meses, já bem perto do fim do ano, sem ter o que fazer, ia passando pela calçada da rua. Cel. José Fernandes, bem próximo ao Grande Hotel, quando ouvi a música de Ademar Silva. Parei, escutei, virei de um lado para outro e pude observar que o som vinha da casa de Napoleão da Padaria. Não tive dúvidas, era a radiola de Claudete que estava tocando. Aproximei-me daquela casa em estilo antigo, frente para o nascente, janela escancarada, porta aberta de cima abaixo.

Aí vi um rapaizinho franzino, branco como uma vela, cabelo claro e escorrido pela testa, de cócora, manuseando o toca disco “Garrad” e tocando músicas. Assim que parei na porta, a música terminou, pois um disco de 78 Rpm tem somente uma faixa de cada lado e termina rápido. O jovem rapaz logo tirou o disco (que era emprestado da Loja de Zé de Tó), e colocou outro de ANISIO SILVA. Desta vez um LP de l2 faixas, recheado de boleros e guarânias. “Alguém me disse”, era a primeira faixa. Após fechar a tampa da radiola, levantou-se e disse: Entre! você gosta de música? E foi logo me mostrando a capa do LP que ainda me recordo o MFB 3042 da ODEON. Naquele instante eu conheci o melhor amigo meu: Clemildo Brunet. 44 anos de amizade, sempre o mesmo homem sincero e leal.

Pois bem, o tempo foi passando, se modernizando, as tradições se acabando, as difusoras dos parques também desapareceram, tudo mudou. Nem o Parque Maia existe mais. Hoje são caixas de som que sonorizam os parques nas noites de festa. Nem o Studio onde se transmitia não se vê mais. A gente escuta apenas o som, sem saber de onde ele vem. Tudo ficou invisível. A onda agora é um televisor conjugado com um aparelho de DVD, mostrando imagens da Banda Aviões do Forró, com mulheres quase nuas acompanhadas de músicas pornográficas, muito diferentes daquelas que se ouvia nos anos 60.

O bom daquele tempo era ouvir um locutor semi- analfabeto, atendendo aos pedidos musicais, com cinco ou seis canas na cabeça, falando errado, encachaçado, já com a voz embaraçada puxando pelo “r” e pelos “ss”, pensando que estava abafando e paquerando a mocinha ingênua que o ouvia falar.


O tempo passou.

Envelhecemos e não percebemos.

Hoje,

“SÓ NA LEMBRANÇA É QUE SE PODE VOLTAR”.


Genival Severo
Radialista

Exigências da vida moderna (quem aguenta tudo isso??)

Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro.
E uma banana pelo potássio.
E também uma laranja pela vitamina C.

Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.
Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água.
E uriná-los, o que consome o dobro do tempo.
Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão).

Cada dia uma Aspirina, previne infarto.
Uma taça de vinho tinto também.
Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso.
Um copo de cerveja, para... não lembro bem para o que, mas faz bem.
O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber.

Todos os dias deve-se comer fibra.
Muita, muitíssima fibra.
Fibra suficiente para fazer um pulôver.
Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente.
E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada.
Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia.

E não esqueça de escovar os dentes depois de comer.
Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da laranja, das seis refeições e enquanto tiver dentes, passar fio dental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax.
Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai passar ali várias horas por dia.

Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia, mais as cinco comendo são vinte e uma.
Sobram três, desde que você não pegue trânsito.

As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia.
Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a voltar, ou a meia hora vira uma).

E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar delas quando eu estiver viajando.

Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia para comparar as informações.

Ah! E o sexo.
Todos os dias, tomando o cuidado de não se cair na rotina.
Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução.
Isso leva tempo e nem estou falando de sexo tântrico.

Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e espero que você não tenha um bichinho de estimação.

Na minha conta são 29 horas por dia.

A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo tempo!!!

Tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os dentes. Chame os amigos e seus pais.
Beba o vinho, coma a maçã e dê a banana na boca da sua mulher.

Ainda bem que somos crescidinhos, senão ainda teria um Danoninho e se sobrarem 5 minutos, uma colherada de leite de magnésio.

Agora tenho que ir.

É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que ir ao banheiro.

E já que vou, levo um jornal...

Tchau....

Se sobrar um tempinho, me manda um e-mail.


Luís Fernando Veríssimo


Batman entre a anarquia e a moral e os bons costumes


Entre a anarquia completa e a moral e os bons costumes há uma infinidade de possibilidades. Mas vivemos em um período de extremos e a polarização parece ser o caminho natural para resolver questões fundamentais da vida em sociedade. Por mais que os fãs de histórias em quadrinhos e afins se esgoelem para destacar as qualidades "viscerais" de "Batman - O Cavaleiro das Trevas", essa parece ser a tônica do segundo filme de Christopher Nolan nessa franquia.

As qualidades do filme vão muito além de elogios rasgados e vazios às interpretações de Heath Ledger (morto em janeiro) no papel de um perturbado Coringa ou de Aaron Eckhart como o atormentado Harvey Dent - sem contar Christian Bale como o Homem-Morcego. Ele fala de como nos alimentamos de uma correção política inexistente, de falsos heróis e, especialmente, de heroísmos desnecessários.

Christopher Nolan está entre os cineastas de Hollywood que se esforçam para dar um sentido ao "cinemão mainstream". Já demonstrava sinais disso em "Batman Begins", o primeiro filme da nova fase da franquia do personagem de Bob Kane. Agora, confirmou o que se suspeitava: realmente há vida inteligente por trás de adaptações de super-heróis de histórias em quadrinhos para o cinema. E Nolan certamente está entre elas.

Ao transportar para a tela histórias seminais da "cronologia" de Batman, o cineasta se despiu de todas as obrigações e inseriu o Homem-Morcego num contexto contemporâneo. A demolição da mansão Wayne em "Batman Begins" deu sentido à "criação" do Homem-Morcego e fez referência à queda das Torres Gêmeas. Aqui, o mal primitivo representado pela figura abjeta do Coringa e a ambigüidade do (literalmente) dividido Harvey Duas-Caras levam Batman e o comissário Gordon a uma montanha-russa de emoções.

Com a ajuda do elenco afiado e de primeira, Nolan transforma essa pantomima e as falas de efeito - sempre presentes nos filmes de super-heróis - em um espetáculo visual. Não apenas pela ambientação, a caracterização dos personagens ou os efeitos especiais, mas por saber manejar a câmera de forma a dar sentido a cada um dos personagens e seu peso na história. Preste atenção na seqüência em que Batman segura o Coringa de cabeça para baixo em uma espécie de andaime e ambos discutem. Há muita sofisticação no modo como ela foi filmada e montada.

Se não tem sentido festejar as qualidades de um filme porque seu personagem é herói popular dos quadrinhos, também não tem sentido descartá-lo por gozar dessa popularidade toda. Julgar sem ver ou ao menos tentar entender o que significam filmes como "Batman Begins" e "Batman - O Cavaleiro das Trevas" no contexto de hoje está longe de ser inteligente.



ALESSANDRO GIANNINI
Editor de UOL Cinema
Fonte: www.uol.com.br

terça-feira, 8 de julho de 2008

Lei seca


Faço votos que essa lei realmente venha para ficar, afinal, no Brasil é assim: não basta a existência da lei, ela tem ainda que "se firmar" como norma, o que, convenhamos, é um absurdo. Mas, o importante é que ela está ai em plena vigência e seus efeitos já são sentidos estatisticamente nos grandes centros, a exemplo de Rio e São Paulo que já conseguiram reduzir em 30% o número de acidentes com veículos automotivos.

O que me vem causando espanto, porém, tem sido posição da OAB em ingressar com ações na Justiça se contarpondo a lei que restringe a bebida alcoólica para quem vai dirigir. Sinceramente, essa é de "vaca desconhecer bezerro" como dizia seu "João Fogueteiro".


P.S. * Lembrete necessário: o sobrenome "Fogueteiro" nada tem a ver com aguardente.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Carta

Meu caro poeta,

Por um lado foi bom que me tivesses pedido resposta urgente, senão eu jamais escreveria sobre o assunto desta, pois não possuo o dom discursivo e expositivo, vindo daí a dificuldade que sempre tive de escrever em prosa. A prosa não tem margens, nunca se sabe quando, como e onde parar. O poema, não; descreve uma parábola tracada pelo próprio impulso (ritmo); é que nem um grito. Todo poema é, para mim, uma interjeição ampliada; algo de instintivo, carregado de emoção. Com isso não quero dizer que o poema seja uma descarga emotiva, como o fariam os românticos. Deve, sim, trazer uma carga emocional, uma espécie de radioatividade, cuja duração só o tempo dirá. Por isso há versos de Camões que nos abalam tanto até hoje e há versos de hoje que os pósteros lerão com aquela cara com que lemos os de Filinto Elísio. Aliás, a posteridade é muito comprida: me dá sono. Escrever com o olho na posteridade é tão absurdo como escreveres para os súditos de Ramsés II, ou para o próprio Ramsés, se fores palaciano. Quanto a escrever para os contemporâneos, está muito bem, mas como é que vais saber quem são os teus contemporâneos? A única contemporaneidade que existe é a da contingência política e social, porque estamos mergulhados nela, mas isto compete melhor aos discursivos e expositivos , aos oradores e catedráticos. Que sobra então para a poesia? - perguntarás. E eu te respondo que sobras tu. Achas pouco? Não me refiro à tua pessoa, refiro-me ao teu eu, que transcende os teus limites pessoais, mergulhando no humano. O Profeta diz a todos: "eu vos trago a verdade", enquanto o poeta, mais humildemente, se limita a dizer a cada um: "eu te trago a minha verdade." E o poeta, quanto mais individual, mais universal, pois cada homem, qualquer que seja o condicionamento do meio e e da época, só vem a compreender e amar o que é essencialmente humano. Embora, eu que o diga, seja tão difícil ser assim autêntico. Às vezes assalta-me o terror de que todos os meus poemas sejam apócrifos!

Meu poeta, se estas linhas estão te aborrecendo é porque és poeta mesmo. Modéstia à parte, as disgressões sobre poesia sempre me causaram tédio e perplexidade. A culpa é tua, que me pediste conselho e me colocas na insustentável situação em que me vejo quando essas meninas dos colégios vêm (por inocência ou maldade dos professores) fazer pesquisas com perguntas assim: "O que é poesia? Por que se tornou poeta? Como escrevem os seus poemas?" A poesia é dessas coisas que a gente faz mas não diz.

A poesia é um fato consumado, não se discute; perguntas-me, no entanto, que orientação de trabalho seguir e que poetas deves ler. Eu tinha vontade de ser um grande poeta para te dizer como é que eles fazem. Só te posso dizer o que eu faço. Não sei como vem um poema. Às vezes uma palavra, uma frase ouvida, uma repentina imagem que me ocorre em qualquer parte, nas ocasiões mais insólitas. A esta imagem respondem outras. Por vezes uma rima até ajuda, com o inesperado da sua associação. (Em vez de associações de idéias, associações de imagem; creio ter sido esta a verdadeira conquista da poesia moderna.) Não lhes oponho trancas nem barreiras. Vai tudo para o papel. Guardo o papel, até que um dia o releio, já esquecido de tudo (a falta de memória é uma bênção nestes casos). Vem logo o trabalho de corte, pois noto logo o que estava demais ou o que era falso. Coisas que pareciam tão bonitinhas, mas que eram puro enfeite, coisas que eram puro desenvolvimento lógico (um poema não é um teorema) tudo isso eu deito abaixo, até ficar o essencial, isto é, o poema. Um poema tanto mais belo é quanto mais parecido for com o cavalo. Por não ter nada de mais nem nada de menos é que o cavalo é o mais belo ser da Criação.

Como vês, para isso é preciso uma luta constante. A minha está durando a vida inteira. O desfecho é sempre incerto. Sinto-me capaz de fazer um poema tão bom ou tão ruinzinho como aos 17 anos. Há na Bíblia uma passagem que não sei que sentido lhe darão os teólogos; é quando Jacob entra em luta com um anjo e lhe diz: "Eu não te largarei até que me abençoes". Pois bem, haverá coisa melhor para indicar a luta do poeta com o poema? Não me perguntes, porém, a técninca dessa luta sagrada ou sacrílega. Cada poeta tem de descobrir, lutando, os seus próprios recursos. Só te digo que deves desconfiar dos truques da moda, que, quando muito, podem enganar o público e trazer-te uma efêmera popularidade.

Em todo caso, bem sabes que existe a métrica. Eu tive a vantagem de nascer numa época em que só se podia poetar dentro dos moldes clássicos. Era preciso ajustar as palavras naqueles moldes, obedecer àquelas rimas. Uma bela ginástica, meu poeta, que muitos de hoje acham ingenuamente desnecessária. Mas, da mesma forma que a gente primeiro aprendia nos cadernos de caligrafia para depois, com o tempo, adquirir uma letra própria, espelho grafológico da sua individualidade, eu na verdade te digo que só tem capacidade e moral para criar um ritmo livre quem for capaz de escrever um soneto clássico. Verás com o tempo que cada poema, aliás, impõe sua forma; uns, as canções, já vêm dançando, com as rimas de mãos dadas, outros, os dionisíacos (ou histriônicos, como queiras) até parecem aqualoucos. E um conselho, afinal: não cortes demais (um poema não é um esquema); eu próprio que tanto te recomendei a contenção, às vezes me distendo, me largo num poema que vai lá seguindo com os detritos, como um rio de enchente, e que me faz bem, porque o espreguiçamento é também uma ginástica. Desculpa se tudo isso é uma coisa óbvia; mas para muitos, que tu conheces, ainda não é; mostra-lhes, pois, estas linhas.

Agora, que poetas deves ler? Simplesmente os poetas de que gostares e eles assim te ajudarão a compreender-te, em vez de tu a eles. São os únicos que te convêm, pois cada um só gosta de quem se parece consigo. Já escrevi, e repito: o que chamam de influência poética é apenas confluência. Já li poetas de renome universal e, mais grave ainda, de renome nacional, e que no entanto me deixaram indiferente. De quem a culpa? De ninguém. É que não eram da minha família.

Enfim, meu poeta, trabalhe, trabalhe em seus versos e em você mesmo e apareça-me daqui a vinte anos. Combinado?


Mario Quintana

Presença


É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar, a trevo machucado,
as folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.


Mario Quintana

Componente da melancia têm mesmo efeito do viagra, sugere estudo


"A melancia tem componentes que podem desencadear efeitos similares ao viagra nos vasos sangüíneos e até aumentar a libido, segundo estudo da Universidade Texas A&M, nos Estados Unidos. De acordo com os autores, boa parte dos muitos benefícios que a fruta apresenta para a saúde pode ser atribuída aos fito-nutrientes, compostos naturais que podem reagir com o organismo para desencadear reações saudáveis. Entre eles estão o licopeno, o beta-caroteno e principalmente a citrulina. Esse último, após a ingestão da melancia, seria convertido, com ajuda de certas enzimas, em arginina, aminoácido benéfico para o funcionamento do coração e dos sistemas circulatório e imunológico. Além disso, ele aumenta os níveis de óxido nítrico, que relaxa os vasos sangüíneos, mesmo efeito da droga para disfunção erétil. Como os maiores níveis estão na casca, os cientistas estão tentando criar novas variedades da fruta com altas concentrações na polpa."

sábado, 5 de julho de 2008

Meus sabores

Claro que tinha o quebra-queixo meu bom amigo. Olha ele ai! E o refrão da nossa infância era o mesmo por essas ruas: -Olha o quebra-queixo!! Olha o quebra-queixo!! Troca-se por garrafa, meia garrafa e litro! (assim como se fazia com o pirulito vendido em tábua). Era uma delícia. Eu particularmente enchia a boca só com a rima que o vendedor utilizava para vender o doce. Para os meus 11 anos, aqueles gritos representavam a maior propaganda já realizada pois me consumia o desejo e me fazia salivar somente a passagem do doceiro.
Aquele sim, era um marqueteiro de verdade.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Tábua de pirulito

Nunca esqueci a paisagem de minhas ruas, elas tinham vida, tinha cor, tinha sabor... pelas manhãs via-se o velho vendedor de pirulitos todos devidamente encaixados em uma tábua e prontos para serem devorados pelos moleques da época.
A propaganda da iguaria era simples e direta. Gritava o vendedor:
- Olha o pirulito!!! olha o pirulito!!! troca-se por garrafa, meia garrafa e litro!
Bons tempos, bons tempos...

"(...) Suponho ter sido a única vez que, em qualquer parte do mundo, um sino, uma câmpula de bronze inerte, depois de tanto haver dobrado pela morte de seres humanos, chorou a morte da Justiça. Nunca mais tornou a ouvir-se aquele fúnebre dobre da aldeia de Florença, mas a Justiça continuou e continua a morrer todos os dias. Agora mesmo, neste instante em que vos falo, longe ou aqui ao lado, à porta de nossa casa, alguém a está matando. De cada vez que morre, é como se afinal nunca tivesse existido para aqueles que nela tinham confiado, para aqueles que dela esperavam o que da Justiça todos temos o direito de esperar: justiça, simplesmente justiça. Não a que se envolve em túnicas de teatro e nos confunde com flores de vã retórica judicialista, não a que permitiu que lhe vendassem os olhos e viciassem os pesos da balança, não a da espada que sempre corta mais para um lado que para o outro, mas uma justiça pedestre, uma justiça companheira cotidiana dos homens, uma justiça para quem o justo seria o mais exato e rigoroso sinônimo do ético. (...) Uma justiça exercida pelos tribunais, sem dúvida, sempre que a isso os determinasse a lei, mas também, e sobretudo, uma justiça que fosse a emanação espontânea da própria sociedade em ação, uma justiça em que se manifestasse, como um iniludível imperativo moral, o respeito pelo direito a ser que a cada ser humano assiste".


(José Saramago)

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.

Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.



Pablo Neruda

Do livro "Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada"

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Meu sonho de consumo

Um dia eu terei a minha. Sem enérgia, sem água encanada, sem telefone (inclusive celular). Uma casinha perdida da "civilização", esquecida em qualquer curva de estrada onde possa abrigar uma velhice calma e sem surpresas.
P.S. Obviamente sem as gaiolas penduradas.

quarta-feira, 2 de julho de 2008


A cada dia me convenço mais ainda que a felicidade é construída com tijolinhos soltos ou empilhados no nosso coração onde, vez por outra, sopra um vento de desesperança, de desassossego, mas inócuo a construção da nosso edificação interior, cimento de nossas emoções.
Bombas e metralhadoras atingem e destroem territórios, mas não conseguem exterminar uma nação. O conceito de nação, a definição de um povo, é imbatível e está incrustada em cada cidadão.

O povo afegão é um exemplo disso. Um território praticamente destruído, mas que, no entanto, a alma do seu povo parece não ter sido atingida pela guerra!






Brasil cinza


O uso do nome Brasil para designar nosso país é anterior ao descobrimento de 1500. Dizia-se de um lugar paradisíaco, terra das delícias. Isso pode ser lenda apesar dos planisférios que já no século XIV traziam inscritos uma ilha Brasil, sempre a oeste dos Açores. Costuma-se dizer, apesar da fábula – e por coincidência ou não – que o nome Brasil vem da árvore Pau-Brasil, Caesalpinia echinata segundo a denominação de Lamarck , Ibirapitanga, a árvore ou madeira vermelha dos índios, encontrada neste começo de século XXI quiçá apenas em hortos, reservas e jardins botânicos. Foi extinta com a extinção da Mata Atlântica, após lutas sangrentas pela madeira cor de sangue da qual extraia-se a brasileína para tingir as vestes dos europeus ricos, manchadas doutra forma – que se acrescente - pelo sangue dos ameríndios e de todos os países conquistados e colonizados. Da madeira cor de brasa, também se fazia o arco de violinos desde o século XVIII - quando então era chamada Fernambouc por sua proveniência pernambucana. A moda e mesmo a arte, a sublime música, participava ou aproveitava-se da (vegetal) carnificina guardando na delicadeza de seus produtos a memória do gesto predatório (e, noutro registro, genocida) que está na origem da relação entre Europa e Américas.

O Pau-Brasil tem a cor do sangue com que a Europa – principalmente no caso americano, na figura de espanhóis e portugueses - banhou a América Central e a América do Sul. A cultura européia é a confirmação da relação de dominação entre cultura e natureza.

*

Conheci a madeira do Pau-Brasil em formato de cinzeiro na casa de uma família de fumantes. Aquele receptáculo de cinzas de cigarro é o signo imundo do tempo passado e do futuro guardados num objeto cotidiano, que servia a depositório de cinzas, sendo também enfeite e, lembro, do qual se orgulhava aquela célula da sociedade burguesa. Esse objeto traz, no resumo que ele corporifica, a miséria da existência burguesa, da história e da cultura humanas. (Não quero dizer com isso de um preconceito moral contra o tabagismo, que não haja uma poética no ato de fumar, muito antes ao contrário, confio na interpretação de nosso poeta Mário Quintana, para quem o gesto do fumante esconde suspiros, mas é de uma ironia curiosa esse fato que deve ser comum ao cotidiano de muitos.)

O design aparecia ali como fóssil histórico, representante da forma exata adquirida pela natureza no presente.

*

O Brasil é um país de pouco mais de 500 anos. Pouco tempo considerando a história ocidental, mas um tempo suficiente para declará-lo – por suas muitas mortes e muita destruição – parte da história da cultura como domínio da natureza. A morte das espécies da natureza, a morte da natureza como tal ultrapassa a velocidade do tempo: ela é o signo do futuro.

Nosso futuro (a quem pertencerá?) cabe no presente no qual o passado foi exorcizado como a árvore no cinzeiro, como o símbolo de uma terra, e de uma nação, é capaz de morrer na forma de um pequeno objeto de uso privado.

Poucos séculos de Brasil: o Brasil é a extinção da coisa natural que lhe dá nome segundo a oportunidade mimética que a linguagem oferece. A extinção de sua matéria, de sua origem simbólica, de seu significante é, hoje, o nome do Brasil. Definir o Brasil, pensar sua identidade como Nome apenas pode ser algo que produza emancipação se pensamos na significação da extinção do elemento mimético que produz esse nome. Estamos batizados pelo que eliminamos. Somos batizados pelo que lançamos ao lixo, pelo que matamos. Brasil significa, do ponto de vista histórico, a extinção de um tipo de vida vegetal e de muitas vidas humanas. Brasil, um nome vindo da natureza, demarca culturalmente a natureza como algo morto. A dominação da natureza fazendo-a coisa morta é uma de nossas marcas. Somos, no entanto, em território estrangeiro país visto muitas vezes como uma paisagem tropical. Fora do Brasil somos bananas e carnaval, mulatas e praia. Cor, alegria, sensualidade, brasas de corpos e imagens. A linguagem demonstra, no Nome Brasil, toda a sua camuflagem e o seu engodo. O nome Brasil apaga a sua verdade. Brasil é não Brasil. Nossa melhor pintura seria um quadro de natureza morta.

Cadáveres de micos dourados pendurados aos fios de eletricidade. Cruzes no lugar de árvores com a inscrição Jabuticaba. Papagaios em espetos em vitrines de restaurantes caros. Índios vestidos como Drag Queens vendendo missangas e espelhos no saguão dos grandes hotéis. Essa seria a nossa real paisagem se fôssemos realmente pornográficos. Mas nosso bom comportamento apenas nos permite olhar a tela “Traição das imagens” de Magritte, e - substituindo o cachimbo - escrever: “isto não é um cinzeiro”.

Não somos o que significamos? Ou significamos a morte do elemento primitivo que nos significa? Como pode sobreviver um signo cultural forjado na dependência do signo natural, se este foi extinto?

Temos, então, nas mãos um vazio.

O vazio da linguagem é o único momento que fala a verdade do ser. O oco do cinzeiro é a verdade do Pau-Brasil, o oco a ser preenchido com cinzas.

O vazio é também o nome de um desespero. E, como desesperados, seria lógico que procurássemos a verdade dos sonhos como fizeram os surrealistas.

*

Nossa esperança não é verde, mais apropriada para fotografar nossa paisagem seria a cor de cinzas tal como aparecem os sonhos. Sonhos não são verdes, mas cinzentos como a cor melancólica da morte e da falta. De um lado, a melancolia nos atinge em cheio, vinda de Portugal com Fernando Pessoa e os saudosistas, chegando à literatura na prosa machadiana, na poesia romântica, em Lima Barreto, em tantos outros e penetrando os movimentos modernistas que tentavam superar a tristeza pelo ufanismo, cantando as belezas coloridas da pátria. O ufanismo futurista e ingênuo impediu um enfrentamento do cinza: o surrealismo, o movimento que trata do sonho, não se instaurou com sua força revolucionária nos prados brasileiros, absorvemos tudo, mas não o uso revolucionário do sonho; ele nos faria olhar para a pátina empoeirada e a impossibilidade de limparmos a fotografia em banco e preto de nossa realidade.

O espírito surrealista não vingou no Brasil.

Faltou-nos uma revolução de cor cinza. A revolução surrealista que invertesse o real e o sonho, que refizesse a relação entre o onírico e a vigília, fazendo o sonho penetrar com força avessa na história para destapá-la de seus véus ideológicos.


Marcia Tiburi
Para Fernando Fuão