segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Quintana. Lição de humildade e grandeza

Quando Mario Quintana foi despejado do Hotel Majestic, no centro de Porto Alegre, por falta de pagamento, porque o jornal Correio do Povo, onde trabalhava, tinha fechado suas atividades, Falcão, jogador da seleção e comentarista esportivo, cedeu um dos quartos do Hotel Royal, de sua propriedade ( belo gesto). Quando uma amiga o visitou, achou o quarto pequeno. Quintana mostrou sua grandeza, dizendo: “Eu moro em mim mesmo. Não faz mal que o quarto seja pequeno. É bom, assim tenho menos lugares para perder as minhas coisas.”

Fonte aqui

O paradoxo do avô

As histórias de viagens no tempo, pela sua própria natureza, produzem um certo número de situações-padrão que se repetem  de modo aparentemente aleatório e de modo aparentemente orgânico ao longo dos tempos. 
O mais conhecido e mais desgastado deles é o famoso “Paradoxo do Avô”: João volta algumas décadas no passado, encontra seu próprio avô ainda jovem, e consegue matá-lo. Com isso, o avô não casa com a futura avó; o pai (ou a mãe) de João nunca chega a existir. Mas então João também não existiu. Portanto não poderia viajar no tempo, nem matar o próprio avô. Sendo assim, o avô ficou vivo, casou, lá vem o pai, lá vem João, a máquina do tempo...
É um loop que a cada volta anula seu próprio postulado de origem, mas prossegue em frente por pura bravata narrativa, até explodir de encontro à próxima bifurcação lógica, e tudo recomeça.  Nesse loop, a cada passada se tem uma resposta positiva e negativa, alternadamente (“matou mas então não nasceu”, “não matou e nasceu sim”), mas essa polaridade se inverte no fim de cada passada. É como um anel de Moebius, onde temos a sensação de estar numa superfície contínua mas ela muda de dimensão quando chega no ponto da “torção”.
O que sempre me intrigou neste clichê narrativo da pulp fiction foi o fato de que o avô entra na volúpia desse morticínio como entrou Pilatos no Credo e a Fiat no Pai Nosso. Por que matar o avô? Se o paradoxo inteiro se origina na possibilidade de anular a existência do viajante no tempo, bastava que ele voltasse e matasse o próprio pai, impedindo-o de gerar o filho. Pelo que entendo, o paradoxo não se alteraria.
O grande problema deve ser que talvez esse confronto ficasse freudiano e gráfico demais. Édipo anda com muita visibilidade. Voltar no tempo pra matar o próprio pai?!  Inaceitável pelas bilheterias. No máximo, voltar no tempo para garantir que seu pai vai ser homem bastante para comer sua mãe, como fizeram os autores de De Volta Para o Futuro (1985). 
Na maioria das histórias, o inconsciente coletivo (dos redatores em mesas grupais, ou de contistas em serões solitários) pulou o pai e colocou o avô em xeque. Não foi nada mal para ele. The Grandfather Paradox. Acho mais divertido ser nome de paradoxo do que ser nome de rua.
Talvez tenha sido um impulso márqueto-afetivo semelhante ao que fez Walt Disney e seus criadores transferir certos conflitos e certas liberdades, transferindo ambos para “tios” (Donald, Mickey, etc.) e não para pais e mães.
Nesse aspecto, acho que os escritores de FC nos pulp magazines dos anos 1940 tinham receio de mexer nesses países-baixos da mente humana , diante de um público leitor mais ou menos composto de jovens proto-nerds, zés-ninguéns desempregados, soldados em território de combate...  Matar o pai poderia ser perturbador, mas matar o avô era algo mais intermediado, mais diluído, era como acasalar com a prima.
O Paradoxo do Avô, portanto, é um circunlóquio, uma maneira mais tortuosa e menos impactante de sugerir uma ideia, usando uma volta mais comprida para fazer estalar o gatilho do enredo: um homem é capaz de anular a si mesmo a ponto de anular também essa anulação que ele mesmo promoveu. 

A auto-anulação voluntária: olha aí, Carlos Drummond já previa isto em seu poema “Science Fiction” (1962):

O marciano encontrou-me na rua
e teve medo de minha impossibilidade humana.
Como pode existir, pensou consigo, um ser
que no existir põe tamanha anulação de existência?

Afastou-se o marciano, e persegui-o.
Precisava dele como de um testemunho.
Mas, recusando o colóquio, desintegrou-se
no ar constelado de problemas.

E fiquei só em mim, de mim ausente.

Bráulio Tavares

domingo, 30 de outubro de 2016


Ser sensível é possuir alma de criança, é acreditar...
É se emocionar ao ouvir o barulho do mar...
 É conversar com os animais...
É sentir a pureza de uma rosa 
e se envolver no seu perfume...
É ouvir o cantar dos pássaros
 e se transportar ao sonho...
É admirar a liberdade das borboletas,
 seu colorido e a suavidade de seu toque nas flores...
É ouvir o sussurro do vento falando de amor aos seus ouvidos... 
É perceber na musicalidade da chuva, 
o sentido da vida...
É ver a tempestade, seus raios, 
trovões e vendavais, 
impondo limites à humanidade...
É entender que que as negras nuvens passam, 
e logo ao amanhecer, 
nasce o Sol com seus raios multicoloridos 
nos mostrando que 
VALE A PENA VIVER!!!
 
Lya Luft
E o amor?, você me pergunta. 
O amor, ah, sei lá. 
O amor nem dá pra definir direito. 
Acho que é um desejo de abraçar forte o outro,
 com tudo o que ele traz: passado, 
sonhos, projetos, manias, defeitos,
 cheiros, gostos. 
Amor é querer pensar no que vem depois,
 ficar sonhando com essa coisa
 que a gente chama de futuro, 
vida a dois. 
Acho que amor é não saber direito o que ele é,
 mas sentir tudo o que ele traz.
 É você pensar em desistir 
e desistir de ter pensado em desistir ao olhar pra cara da pessoa,
 ao sentir a paz que só aquela presença traz. 
É nos melhores
 e piores momentos da sua vida pensar 
preciso-contar-isso-pra-ele. 
É não querer mais ninguém 
pra dividir as contas e somar os sonhos. 
É querer proteger o outro de qualquer mal. 
É ter vontade de dormir abraçado e acordar junto.
 É sentir que vale a pena, 
porque o amor não é só festa, 
ele também é enterro. 
Precisamos enterrar nosso orgulho, 
prepotência, ciúme, egoísmo, 
nossas falhas, desajustes, 
nosso descompasso. 
O amor não é sempre entendimento,
 mas a busca dele. 
 
Clarissa Corrêa

"Talvez eu esteja enganado inúmeras vezes... mas não deixarei de acreditar que em algum lugar, alguém merece a minha confiança!"

 Aristóteles


Falando de mortes com crianças

"As perdas e a morte fazem parte do desenvolvimento humano desde o nascimento até o fim da vida. A criança pequena pode viver experiências de morte, mas ainda não sabe que da morte ninguém volta, e que essa acontece com pessoas queridas (pais, avós, amiguinhos, animais de estimação). Por isso são importantes esclarecimentos e a acolhida dos sentimentos. Os adultos familiares (pais, tios, avós, professores) são modelos para criança, um porto seguro. Essas primeiras experiências deixarão marcas profundas na vida de cada um de nós.

No estágio pré-operacional, segundo Piaget, a criança percebe a morte como um acontecimento temporário, que pode ser revertido, que é possível morrer 'só um pouquinho'. Filmes, revistas e desenhos reforçam esse conceito."

"Crianças apresentam pensamentos mágicos, acreditando que o que pensam ou desejam pode ocorrer. Se ocorrer uma morte, podem ter a idéia de que esse fato está relacionado com seu desejo ou pensamento. Se pais ou irmãos morrem, a criança pode se culpar. Elas ainda não sabem que da morte não há volta. Fazem perguntas sobre onde está a pessoa morta, se podem encontrá-la e também se vão morrer. Para os pais, que vivem seus processos de luto, ouvir e responder a essas perguntas pode ser uma tarefa difícil. Tentam evitá-la, afirmando que a criança vai sofrer ou não entender. A maneira de lidar com o sofrimento de forma construtiva não é evitá-lo, e sim favorecer a conversa, compartilhando os sentimentos.

A criança percebe quando ocorreu uma morte, e não falar sobre ela pode provocar medo, insegurança. O uso de metáforas para explicar a morte deve ser evitado. Exemplificando: falar da morte como 'sono eterno' pode causar incompreensão, porque se confunde com o sono diário, o mesmo ocorre quando se fala da morte como 'viagem eterna', comparada com as viagens de fim de semana, com ida e volta. O que tem como objetivo diminuir a dor pode causar dificuldades de compreensão.

Crianças mais velhas já compreendem que a morte é irreversível e universal principalmente se já viveram experiências pessoais.

Luto é definido com processo de elaboração de perdas vividas e faz parte da existência humana desde o seu início. A mãe é a principal figura de apego do bebê, e a criança a procura quando está com fome, cansada, com medo ou quando se sente insegura. Existem relações mãe-bebê em que há confiança e carinho, e a criança explora o ambiente, tendo a mãe como base segura. Há relações em que a mãe tem dificuldades de atender às necessidades do seu bebê, sem contato carinhoso e sem expressar suas emoções. Os bebês choram, ficam irritados nessa condição. Essas experiências se tornarão presentes quando ocorrerem as primeiras perdas do desenvolvimento. 

Crianças vivem processos de luto como os adultos, necessitam de acolhimento e cuidado. Podem apresentar distúrbios de alimentação, sono e alterações de comportamentos na escola. É um erro considerar que crianças não percebem quando ocorrem mortes e que por isso se deve agir como se nada tivesse acontecido. Outra falsa crença é a de que as crianças superam facilmente as perdas, distraindo-se com brincadeiras. Assim, a criança aprende que deve ocultar seus sentimentos. Falar, explicar, esclarecer não retira a dor, mas permite que a criança possa recorrer àquelas pessoas com as quais se sente mais segura. Crianças podem participar de velórios e enterros como membro integrante da família.

O que dizer quando a criança pergunta se vai morrer, o que dizer quando está doente e observa que companheiros de quarto ou enfermaria desaparecem e não voltam? É importante clareza e sensibilidade para perceber as necessidades de acolhimento e cuidados e o que a criança está pedindo nesse momento.
O corpo mostra sinais, e as mudanças no comportamento trazem indícios do que está ocorrendo. A criança preocupada com o que percebe, busca nas pessoas à sua volta a confirmação de suas impressões. Fingir que está tudo bem fazendo com que as palavras comuniquem uma coisa, e o corpo expresse outra, pode instalar um sentimento de incerteza, dúvida e isolamento. Tampouco o silêncio permite que se compartilhem os sentimentos, as dúvidas e as questões de quando a morte se aproxima. Essa situação é conhecida como conspiração do silêncio.

Trata-se de 'teatro de má qualidade', no qual o conteúdo expresso em palavras não é consistente com o que o corpo e os olhos manifestam, já que esses são mais dificilmente controlados.

Crianças à morte querem ser asseguradas de que não serão esquecidas, que permaneçam na lembrança de quem amam, principalmente quando não estiverem entre eles. Mais do que a morte, existe o medo da separação e do abandono, nessas situações buscam a presença constante da mãe ou pessoas familiares. Crianças enfermas necessitam de explicações claras sobre o que está sendo feito no hospital, já que a internação é uma situação difícil com afastamento da família e de amigos.

Quando pensamos em cuidado, devemos considerar a comunicação, escutar as necessidades da criança enlutada de forma atenta, facilitar a expressão de sentimentos sem censura e julgamentos prévios, incluindo os irmãos saudáveis na comunicação, nos cuidados com as crianças doentes. Elas precisam ser ouvidas nos seus medos, possibilidades de identificação, culpa, sentimentos ambivalentes em relação ao irmão enfermo, entre os desejos de recuperação e de morte, já que frequentemente o irmão enfermo rouba a atenção dos pais. 

Gostaríamos de destacar a importância da escola no cuidado dispensado às crianças que sofreram perdas de pessoas próximas. Cada vez mais a morte é assunto também na escola, já que a morte faz parte do cotidiano das crianças, ela está presente na comunidade, em casos de homicídios, acidentes e suicídios, casos de morte 'escancarada' que não podem passar despercebidos no diálogo do ambiente escolar. Esse tipo de morte ocupa espaços, penetra na vida das pessoas a qualquer hora, dificultando a proteção e controle das consequências, as pessoas ficam expostas e sem defesas, além de ser brusca, inesperada e invasiva.

Outra forma de morte escancarada ocorre em programas de auditório, novelas, noticiários, invadindo lares a qualquer hora, inclusive durante as refeições em família. São cenas chocantes, repetidas com textos superficiais e depoimentos emocionados, acompanhados de notícias amenas ou de propaganda. Filmes, desenhos animados trazem imagens fantásticas de violência, de morte como se essa fosse espetáculo.
A psicoterapia para crianças, também conhecida como ludoterapia, utiliza desenhos e atividades lúdicas, já que a fala ainda é difícil para que elas expressem seus sentimentos. Os livros também são importantes para ajudar a elaborar o luto. Em muitas histórias, a criança pode se identificar com os processos vividos pelos personagens. A indicação deve ser feita com cuidado e não substitui o contato com pessoas, mas podem ser excelentes complementos, principalmente quando as histórias são lidas e compartilhadas com outras crianças e adultos como aponta Rubem Alves na introdução de vários dos livros que escreveu para crianças. Filmes que abordam o tema da morte e do adoecimento podem ser utilizados nas escolas e pelas famílias. Há clássicos como Bambi, Rei Leão e Rochedo Gibraltar. 

Estas são algumas das propostas que permitem que a morte, numa sociedade que a nega, possa ser mais bem compreendida por crianças vivendo situações de perda e morte."

Por Maria Júlia Kovács

Fonte: KOVÁCS, Maria J. Falando de morte com crianças. psico.usp: a revista sobre pesquisas do Instituto de Psicologia da USP/ IPUSP, São Paulo, n.2/3, p.170-173, 2016.


“Uma criança mimada será um adulto infeliz”

‘Somos uma civilização de mimados’ – Esta expressão é de autoria do professor Pondé – e é a ideia de que nós, especialmente as classes média e alta, nunca tivemos tantos privilégios, tão pouca noção de espaço e de limite. É comum a geração presente sempre dizer que a anterior era a verdadeira geração e que esta é uma geração degenerada – isso é só sinal de idade – sinal de que estamos envelhecendo.

A grande questão é que não está mais na nossa pauta a ideia do sacrifício (…), aquela questão de que qualquer vitória vem de um sacrifício. Nós achamos, por exemplo, que as crianças não devem ser traumatizadas – e Freud nos ensinou que sem trauma não há crescimento. Ou seja, que eu me dirija para o crescimento a partir de traumas. A ideia de que a criança não pode sofrer nada, que ela não pode ser contrariada é que faz de nós a civilização mais mimada do que jamais fomos. 

Eu só lamento ser de uma geração que, quando eu era aluno, meus professores sempre tinham razão independente se eles erravam e eu estava certo. Porque os meus pais o Sistema sempre apoiavam os professores e lamento hoje ser professor num Sistema onde o aluno sempre tem razão e eu nunca. Então eu não tive nenhum bom momento. Eu poderia ter sido professor há cinquenta anos ou aluno hoje, mas eu peguei o pior de dois mundos. Absolutamente o pior.

Eu acho que nós superamos alguns defeitos do passado, por exemplo, punição física de crianças que é inadmissível – uma violência, não apenas prevista como crime ou contravenção – mas também porque é errado você praticar violência física contra alguém que não possa se defenderMas a ideia de corrigir, estabelecer limites e não ceder a manha e ao mimo, é uma ideia que nos faz muita falta. E não digo porque eu, como professor, posso sofrer o produto final dessa falta de limites,mas é porque eu acho que uma pessoa mimada é muito infeliz. Acho que a primeira vítima de criança mimada é ela mesma. Porque sendo mimada ela nunca terá tudo que ela acha que merece e assim será um adulto infeliz, pois nunca teve a ideia de ser enfrentada e como a vida enfrenta muito, ela será infeliz.

Eu diria que nós devemos estabelecer limites e regras, não exatamente porque é bom ou ruim para os pais, mas por uma questão profunda de atenção aos filhos e aos alunos. Porque eles serão infelizes se eles forem assim (mimados)”.

Leandro Karnal

Este texto é a transcrição literal da fala do professor Leandro Karnal neste vídeo:


Água do Açude de Coremas chegou ao fim; Rio que há 74 anos não secava parou de fluir; população clama a Deus por misericórdia

Água do Açude de Coremas chegou ao fim; Rio que há 74 anos não secava parou de fluir; população clama a Deus por misericórdia; Imagem e Vídeo.

O Rio Turbina que há 74 anos não secava, levava água para mais de 20 Cidades da Paraíba e Rio Grande do Norte, hoje se encontra na lama.

Esse é o relatório do nativo do município de Coremas, José Albertino que não pode nem falar sobre o assunto do maior açude da Paraíba, o 3ª do Nordeste, Estevam Marinho chegar o seu segundo volume morto, ele começa a chorar.

Com capacidade para 1,350 (Hum Bilhão, trezentos e cinquenta milhões de metros cúbicos), o Açude de Coremas hoje se encontra com apenas 2,3% de sua capacidade. “Secou completamente. É triste para gente aqui em Coremas ver uma realidade desta”, completou José Albertino que todos os dias, sai de sua residência no Centro da Cidade e vai observar o manancial vazio.

O Rio Turbina parou suas atividades. As calhas de evasão secaram todas. O senário é desolador para quem conhece a realidade daquela Manancial.

Os moradores do Município de Coremas, fizeram um vídeo, mostrando a realidade do Açude, e pedem a Deus chuva para recarga, caso o contrário no próximo ano, não terá água nem para beber para aquela população sertaneja.

HISTÓRIA
A construção foi executada pelo DNOCS, que no dia 8 de abril de 1937 iniciou a maior obra de engenharia brasileira da época, a qual foi concluída no dia 8 de maio de 1942, tendo como responsável o engenheiro potiguar Estevam Marinho (1896–1953). Na época, Coremas–Mãe dÁgua foi considerada a maior barragem do Brasil, assim permanecendo até 1960, quando foi inaugurada a Barragem de Orós.
Essa barragem teve grande importância na vida das pessoas naquela região e no aproveitamento do potencial hídrico da Paraíba, a ponto de receber três visitas presidenciais: Getúlio Dornelles Vargas em 16 de outubro de 1940, Eurico Gaspar Dutra em 1º de outubro de 1949 e Juscelino Kubitschek em 15 de janeiro de 1957.
Portal Coremas  

Veja o vídeo 

Versículos do dia

Então te agradarás dos sacrifícios de justiça, dos holocaustos e das ofertas queimadas; então se oferecerão novilhos sobre o teu altar. Salmos 51:19

E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são;Para que nenhuma carne se glorie perante ele. 1 Coríntios 1:28,29

sábado, 29 de outubro de 2016

Multa por som alto agora pode ser aplicada sem medidor de decibéis


Som alto pode ser infração grave, com 5 pontos na carteira (Foto: Gustavo Epifanio/G1)

Contran aprova resolução que prevê multa independente do volume.Perturbar 'o sossego público' é considerado infração grave.

O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) regulamentou a multa por causa de som alto dentro do carro por meio da Resolução nº 624, aprovada na quarta-feira (19).
 
Segundo informou o Ministério das Cidades, agora quem for pego perturbando "o sossego público" pode ser multado, mesmo sem medição do volume em decibéis.

Até então, o artigo 228 do Código Brasileiro de Trânsito estabelecia um limite aceitável de até 80 decibéis a uma distância de 7 metros, e de 98 decibéis, a apenas 1 metro.

Por isso, as multas dependiam de um equipamento chamado decibilímetro, certificado pelo Inmetro. Com a nova resolução, a autuação agora pode ser feita, "independente do volume ou frequência".

"O agente de trânsito deverá registrar, no campo de observações do auto da infração, a forma de constatação do fato gerador da infração", afirmou o órgão público.

A infração continua considerada grave (5 pontos), com penalidade de R$ 127,69 (vai subir para R$ 195,23 em 1º de novembro) e retenção do veículo.

Ficam fora desta regra as buzinas, alarmes, sinalizadores de marcha-a-ré, sirenes, veículos de publicidade com caixas de som e carros de competição e entretenimento em locais permitidos pelas autoridades competentes.

Fonte G1
"Rir junto é melhor que falar a mesma língua. 
Ou talvez o riso seja uma língua anterior 
que fomos perdendo à medida que o mundo
 foi deixando de ser nosso".
 
Mia Couto 


A dor

Crescer dói... 
Você pode ter as melhores instruções do mundo
 e seguir uma vida tranquila, 
mas você só conhecerá a tua força
 e a tua sabedoria quando fores submetido a dor, 
ao sofrimento.
A dor é uma mestra cruel. 
Ela cega, revolta, magoa, 
fere no mais íntimo de teu espírito,
 mas se conseguires vencer a escuridão da dor,
 resplandecerá em ti a luz de uma pessoa vitoriosa, 
dona de uma felicidade calma
 e ao mesmo tempo contagiante,
 típica das pessoas que já conhecem bem este mundo.
Mas o sofrimento não acabará. 
O mundo continuará tendo sua natureza fascinante,
 linda, amarga e cruel. 
E não faltarão forças que tentarão te colocar de joelhos
 - a diferença é que neste momento,
 você não cairá mais. 
Você terá vencido a dor, 
e agora apenas a paz e a felicidade te esperarão.
 
Augusto Branco

O amor

O AMOR, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar, 
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...
 
Fernando Pessoa 

"Só me sinto digna de minhas asas, se eu as utilizar para fazer os outros voarem!" 

Augusto Cury

Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita de luz e pão e sombra, 
eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há-de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.
 
Pablo Neruda 

"Uma coisa aprendi na vida. Quem tem medo da infelicidade nunca chega a ser feliz". 

Mia Couto

23 carros para salvar a sua vida no fim do mundo

O que se espera normalmente de um carro? Conforto, segurança, tecnologia avançada, economia de combustível, potência, arranque, dentre tantos outros predicados, é o que se espera como resposta à tal questionamento. No entanto, há um motivo um tanto quanto incomum que pode te fazer preferir modelos específicos: sobreviver ao apocalipse! Pense bem, é preciso estar preparado para tudo nessa vida. E em uma situação como essa, não vai ser qualquer máquina que vai te ajudar. Confira a seguir 23 veículos próprios para te salvar no fim do mundo:

Supacat HMT

Além de enorme, o Supacat HMT acomoda duas metralhadoras. Ideal para combater criaturas do mal.

Mercedes-Benz Unimog

Este caminhão usado desde 1946 pode trafegar em qualquer terreno, já que possui estrutura e configurações mecânicas típicas das máquinas mais "parrudas".

Conquest Vehicle - Knight XV (carro de guerra)

Desenvolvido especialmente para situações de confronto armado, este blindado deixaria qualquer um mais seguro durante o fim dos tempos.

Lamborghini LM002

Levando em conta que se trata do carro utilizado pelo Rambo, personagem clássico do cinema que encara qualquer batalha, nada mais precisa ser dito, não é mesmo?

Mercedes-Benz G63 AMG 6X6

Com pneus enormes e resistentes como os do G63 AMG 6X6, fica fácil passar por qualquer terreno sem dificuldades. Ótima opção para fugas em florestas ou montanhas.

Paramount Marauder

Produzido pelo Paramount Group, África do Sul, este modelo próprio para situações de conflito é outra opção que deixa qualquer um mais seguro estando em seu interior, ainda mais se a humanidade estiver enfrentando o fim dos tempos.

Toyota Hilux

Levado pelo apresentador britânico Jeremy Clarkson para o Polo Norte, no programa televisivo "Top gear: polar special", a Toyota Hilux definitivamente seria útil no caso de Apocalipse.

Toyota Land Cruiser

O Land Rover é tido como a melhor opção para se embrenhar no meio da mata. Todavia, a sugestão ideal mesmo para tal ambiente é, sem dúvidas, o Cruiser.

Mazda MX-5

Apesar de não apresentar a mesma envergadura dos demais modelos apresentados até aqui, o Mazda MX-5 conta com a velocidade a seu favor, algo que pode ser muito útil na hora de fugir de adversidades.

Cadillac "the beast" (veículo presidencial dos EUA)

O carro que transporta o homem mais importante da nação que detém a hegemonia do mundo só pode ser absolutamente seguro e precavido contra possíveis ataques. Por isso mesmo aparece nesta lista pensada para o fim dos tempos.

Lexus LS400

Tendo como um dos principais trunfos a durabilidade, este carro dificilmente te deixaria na mão caso você precisasse fugir de ameaças durante o fim dos tempos.

Mercedes-Benz 600

Mesmo aparentando ser todo "classudo" e inofensivo, este modelo era propriedade de terríveis tiranos, tais como Saddam Hussein, Pol Pot, Nicolae Ceausescu e Idi Amin.

Hyundai Elantra Coupé "The walking dead"

Inspirado na série "The walking dead", este modelo é a máquina de sobrevivência anti-zumbi da Hyundai.

Local Motors Rally Fighter

Sempre pronto pra briga, esta máquina te dará a segurança e a confiança necessárias para enfrentar o Apocalipse. Além de tudo, faz parecer que você está no universo de "Mad Max".

Hummer H2

Usado na guerra do Iraque desde que foi lançado, em 2002, esta máquina "nasceu" pronta para encarar situações adversas. Se bobear, o fim dos tempos seria "fichinha" para o Hummer H2.

Ford F-150 SVT Raptor

Com dados invejáveis em termos de potência, robustez e tração, o Ford F-150 SVT Raptor é ideal para te levar para qualquer terreno, independente da carga transportada.

Land Rover Defender

Com uma robustez e durabilidade inigualáveis, o Land Rover Defender é um 4x4 bastante rústico e resistente. Nome certo em qualquer guia de sobrevivência.

Nissan Patrol

Utilizado em alguns países como veículo militar, o Nissan Patrol também é ideal para atravessar a África devido à sua força. Se encaixaria muito bem no contexto do fim do mundo.

Daewoo Musso

Como não falta comprimento e robustez a este veículo, fica fácil entender por que ele seria ideal no fim dos tempos.

Papamóvel

Assim como o veículo do presidente dos EUA, o Papamóvel é outro que não poderia deixar de ser extremamente seguro. Afinal, conduz o maior líder religioso do planeta.

Bugatti Veyron Supersport

Tido como o carro de linha mais rápido do mundo pelo Guinness Book, o Bugatti Veyron Supersport deixará todos os zumbis "comendo poeira".

Aston Martin Vanquish

Conhecido como "carro invisível", o Aston Martin Vanquish tem tudo para passar despercebido pelos olhos do inimigo. Além de tudo, ele é rápido demais. Segura essa vantagem dupla!

Terrafugia Transition

Em desenvolvimento desde 2006, esta máquina é um híbrido de carro e avião que serve como uma luva em momentos de fuga intensa. Imagine correr de zumbis no fim do mundo e poder contar com esta "belezinha" para se salvar. Perfeito, não?

por Fabrício Mainenti

Fonte aqui

“Use a porta do lado” – Um sábio conselho que você precisa ler

Tem um nível de exigência absurdo em relação à vida, que queremos que absolutamente tudo dê certo, e que, às vezes, por aborrecimentos mínimos, somos capazes de passar um dia inteiro de cara amarrada. Um exemplo trivial, que acontece todo dia na vida da gente…

É quando um vizinho estaciona o carro muito encostado ao seu na garagem (ou pode ser na vaga do estacionamento do shopping).

Em vez de simplesmente entrar pela outra porta, sair com o carro e tratar da sua vida, você bufa, pragueja, esperneia e estraga o que resta do seu dia.

Eu acho que esta história de dois carros alinhados, impedindo a abertura da porta do motorista, é um bom exemplo do que torna a vida de algumas pessoas melhor, e de outras, pior. Tem gente que tem a vida muito parecida com a de seus amigos, mas não entende por que eles parecem ser tão mais felizes.

Será que nada dá errado pra eles? Dá aos montes. Só que, para eles, entrar pela porta do lado, uma vez ou outra, não faz a menor diferença. O que não falta neste mundo é gente que se acha o último biscoito do pacote.

Que “audácia” contrariá-los!

 São aqueles que nunca ouviram falar em saídas de emergência: fincam o pé, compram briga e não deixam barato. Alguém aí falou em complexo de perseguição? Justamente. O mundo versus eles.

Eu entro muito pela outra porta, e às vezes saio por ela também. É incômodo, tem um freio de mão no meio do caminho, mas é um problema solúvel. E como esse, a maioria dos nossos problemões podem ser resolvidos assim, rapidinho.

Basta um telefonema, um e-mail, um pedido de desculpas, um deixar barato. Eu ando deixando de graça… Pra ser sincero, vinte e quatro horas têm sido pouco pra tudo o que eu tenho que fazer, então não vou perder ainda mais tempo ficando mal-humorado.

Se eu procurar, vou encontrar dezenas de situações irritantes e gente idem; pilhas de pessoas que vão atrasar meu dia. Então eu uso a “porta do lado” e vou tratar do que é importante de fato. “Eis a chave do mistério, a fórmula da felicidade, o elixir do bom-humor, a razão por que parece que tão pouca coisa na vida dos outros dá errado”.

Quando os desacertos da vida ameaçarem o seu bom humor, não estrague o seu dia, use a porta do lado e mantenha a sua harmonia.

Lembre-se, o humor é contagiante – para o bem e para o mal  – portanto, sorria, e contagie todos ao seu redor com a sua alegria. A “Porta do lado” pode ser uma boa entrada ou uma boa saída… Experimente!


Texto atribuído ao doutor Drauzio Varella. Mas não encontramos nenhuma fonte segura. Se você souber, por favor, nos informe. Obrigada.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016



Como é mesmo o nome?

Levou o manequim de madeira à festa porque não tinha companhia e não queria ir sozinho.

Gravata bordeaux, seda. Camisa pregueada, cambraia. Terno riscado, lã. Tudo do bom. Suas melhores roupas na madeira bem talhada, bem lixada, bem pintada, melhor corpo. Só as meias um pouco grossas, o que porém se denunciaria apenas se o manequim cruzasse as pernas. Para o nariz firmemente obstruído, um lenço no bolsinho.

No relógio de ouro do pulso torneado, a festa já tinha começado há algum tempo.

Sorridentes, os donos da casa se declararam encantados por ter ele trazido um amigo.

— Os amigos dos nossos amigos são nossos amigos — disseram saboreando a generosidade da sua atitude. E o apresentaram a outros convidados, amigos e amigos de nossos amigos. Todos exibiram os dentes em amável sorriso.

Recebeu o copo de uísque, sua senha. E foi colocado no canto esquerdo da sala, entre a porta e a cômoda inglesa, onde mais se harmonizaria com a decoração.

A meia hilaridade pintada com tinta esmalte e reforçada com verniz náutico exortava outras hilaridades a se manterem constantes, embora nenhuma alcançasse idêntico brilho. Abriam-se os transitórios vizinhos em amenidades que o compreensivo calar-se do outro logo transformava em confidências. Enfim alguém que sabia ouvir. Relatos sibilavam por entre gengivas à mostra e se perdiam em quase espuma na comissura dos lábios. Cabeças aproximavam-se, cúmplices. Apertavam-se as pálpebras no dardejado do olhar. O ruge, o seio, o ventre, a veia expandida palpitavam. O gelo no uísque fazia-se água.

A própria dona da casa ocupou-se dele na refrega de gentilezas. Trocou-lhe o copo ainda cheio e suado por outro de puras pedras e âmbar. Atirou-se à conversa sem preocupações de tema, cuidando apenas de mantê-lo entretido. Do que logo se arrependeu, naufragando na ironia do sorriso que lhe era oferecido de perfil. A necessidade de assunto mais profundo levou-a à única notícia lida nos últimos meses. E nela avançou estimulada pelo silêncio do outro, logo úmida de felicidade frente a alguém que finalmente não a interrompia. No mais frondoso do relato o marido, entre convivas, a exigiu com um sinal. Afastou-se prometendo voltar.

O brilho de uma calvície abandonou o centro da sala e coruscou a seu lado, derramando-lhe sobre o ombro confissões impudicas, relato de farta atividade extraconjugal. Sem obter comentários, sequer um aceno, o senhor louvou intimamente a discrição, achando-a, porém, algo excessiva entre homens. Homens menos excessivos aguardavam em outros cantos da sala a repetição de suas histórias.

Não acendeu o cigarro de uma dama e esta ofendeu-se, já não havia cavalheiros como antigamente. Não acendeu o cigarro de outra dama e esta encantou-se, sabia bem o que se esconde atrás de certo cavalheirismo de antigamente. Os cinzeiros acolheram os cigarros sem uso.

Um cavalheiro sentiu-se agredido pelo seu desprezo. Um outro pela sua superioridade. Um doutor enalteceu-lhe a modéstia. Um senhor acusou-lhe a empáfia. E o jovem que o segurou pelo braço surpreendeu-se com sua rígida força viril.

Nenhum suor na testa. Nenhum tremor na mão. Sequer uma ponta de tédio. Imperturbável, o manequim de madeira varava a festa em que os outros aos poucos se descompunham.

Já não eram como tinham chegado. As mechas escapavam, amoleciam os colarinhos, secreções escorriam nas peles pegajosas. Só os sorrisos se mantinham, agora descorados.

No relógio torneado do pulso rijo a festa estava em tempo de acabar.

As mulheres recolhiam as bolsas com discrição. Os amigos, os amigos dos amigos, os novos amigos dos velhos amigos deslizavam porta afora.

Mais tarde, a dona da casa, tirando a maquilagem na paz final do banheiro, dedos no pote de creme, comentava a festa com o marido.

— Gostei — concluiu alastrando preto e vermelho no rosto em nova máscara —, gostei mesmo daquele convidado, aquele atencioso, de terno riscado, aquele, como é mesmo o nome?

Marina Colasanti

O texto acima foi extraído do livro "O leopardo é um animal delicado", Editora Rocco — Rio de Janeiro, 1998, pág. 131

Lágrimas e testosterona

Atenção, mulheres, está demonstrado pela ciência: chorar e golpe baixo. As lágrimas femininas liberam substâncias, descobriram os cientistas, que abaixam na hora o nível de testosterona do homem que estiverem por perto, deixando o sujeito menos agressivos. Os cientistas queriam ter certeza de que isso acontece em função de alguma molécula liberada — e não, digamos, pela cara de sofrimento feminina, com sua reputação de derrubar até o mais insensível dos durões. Por isso, evitaram que os homens pudessem ver as mulheres chorando. Os cientistas molharam pequenos pedaços de papel em lágrimas de mulher e deixaram que fossem cheirados pelos homens. O contato com as lágrimas fez a concentração da testosterona deles cair quase 15%, em certo sentido deixando-os menos machões.

Ele vivia furioso com a mulher. Por, achava ele, boas razões. Ela era relaxada com a casa, deixava faltar comida na geladeira, não cuidava bem das crianças, gastava de mais. Cada vez porém, que queria repreendê-la por urna dessas coisas, ela começava a chorar. E aí, pronto: ele simplesmente perdia o ânimo, derretia. Acabava desistindo da briga, o que o deixava furioso: afinal, se ele não chamasse a mulher à razão, quem o faria? Mais que isso, não entendia o seu próprio comportamento. Considerava-se um cara durão, detestava gente chorona.

Por que o pranto da mulher o comovia tanto? E comovia-o à distância, inclusive. Muitas vezes ela se trancava no quarto para chorar sozinha, longe dele. E mesmo assim ele se comovia de uma maneira absurda.

Foi então que leu sobre a relação entre lágrimas de mulher e a testosterona, o hormônio masculino. Foi urna verdadeira revelação. Fina! mente tinha uma explicação lógica, científica, sobre o que estava acontecendo. As lágrimas diminuíram a testosterona em seu organismo, privando-o da natural agressividade do sexo masculino, transformando o num cordeirinho.

Uma idéia lhe ocorreu: e se tomasse injeções de testosterona? Era o que o seu irmão mais velho fazia, mas por carência do hormônio.

Com ele conseguiu duas ampolas do hormônio. Seu plano era muito simples: fazer a injeção, esperar alguns dias para que o nível da substância aumentasse em seu organismo e então chamar a esposa à razão.

Decidido, foi à farmácia e pediu ao encarregado que lhe aplicasse a testosterona, mentindo que depois traria a receita. Enquanto isso era feito, ele. de repente caiu no choro,um choro tão convulso que o homem se assustou: alguma coisa estava acontecendo?

É que eu tenho medo de injeção, ele disse, entre soluços. Pediu desculpas e saiu precipitadamente. Estava voltando para casa. Para a esposa e suas lágrimas.

Moacyr Scliar

(Publicado no caderno Ciência, 7 de Janeiro de 2011)

quinta-feira, 27 de outubro de 2016


O apito

Tudo o que o Mafra dizia, o Dubin duvidava. Eram inseparáveis, mas viviam brigando. Porque o Mafra contava histórias fantásticas e o Dubin sempre fazia aquela cara de conta outra.

— Uma vez...

— Lá vem história.

— Eu nem comecei e você já está duvidando?

— Duvidando, não. Não acredito mesmo.

— Mas eu nem contei ainda!

— Então conta.

— Uma vez eu fui a um baile só de pernetas e...

— Eu não disse? Eu não disse?

O Mafra às vezes fazia questão de provar as suas histórias para o Dubin.

— Dubin, eu sou ou não sou pai-de-santo honorário?

O Dubin relutava, mas confirmava.

— É.

Mas em seguida arrematava:

— Também, aquele terreiro está aceitando até turista argentino...

Então veio o caso do apito. Um dia, numa roda, assim no mais , o Mafra revelou:

— Tenho um apito de chamar mulher.

— O quê?

— Um apito de chamar mulher.

Ninguém acreditou. O Dubin chegou a bater com a cabeça na mesa, gemendo:

— Ai meu Deus! Ai meu Deus!

— Não quer acreditar, não acredita. Mas tenho.

— Então mostra.

— Não está aqui. E aqui não precisa apito. É só dizer "vem cá".

O Dubin gesticulava para o céu, apelando por justiça.

— Um apito de chamar mulher! Só faltava essa!

Mas aconteceu o seguinte: Mafra e Dubin foram juntos numa viagem (Mafra queria provar ao Dubin que tinha mesmo terras na Amazônia, uma ilha que mudava de lugar conforme as cheias) e o avião caiu em plena selva. Ninguém se pisou, todos sobreviveram e depois de uma semana a frutas e água foram salvos pela FAB. Na volta, cercados pelos amigos, Mafra e Dubin contaram sua aventura. E Mafra, triunfante, pediu para Dubin:

— Agora conta do meu apito.

— Conta você — disse Dubin, contrafeito.

— O apito existia ou não existia?

— Existia.

— Conta, conta — pediram os outros.

— Foi no quarto ou quinto dia. Já sabíamos que ninguém morreria. A FAB já tinha nos localizado. O salvamento era só uma questão de tempo. Então, naquela descontração geral, tirei o meu apito do bolso.

— O tal de chamar mulher?

— Exato. Estou mentindo, Dubinzinho?

— Não — murmurou Dubinzinho.

— Soprei o apito e pimba.

— Apareceram mulheres?

— Coisa de dez minutos. Três mulheres.

Todos se viraram para o Dubin incrédulos.

— É verdade?

— É — concedeu Dubin.

Fez-se um silêncio de puro espanto. No fim do qual Dubin falou outra vez:

— Mas também, era cada bucho!


Luís Fernando Veríssimo  

A crônica acima foi extraída do livro "Outras do analista de Bagé", L & PM Editores - Porto Alegre, 1982, pág. 15.