quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A beleza da mulher deve avaliar-se não pelas proporções do corpo, mas pelo efeito que estas produzem.

Anne Lambert

Belo Monte. O outro lado da moeda

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

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A nossa dor e a dor dos outros

Vivemos na atualidade o culto ao sofrimento. Tanto o que resulta de motivos concretos como o desamparo e a violência, quanto o que advém da experiência da angústia em relação à própria vida, uma espécie de convivência com o nada cada vez mais facilitada pela forma de vida em que nenhuma esfera nos dá garantia de sentido. Aprendemos, em nossa cultura, a viver com o sofrimento ao ponto de dar sentido a ele ou até mesmo gozar por meio dele. É um modo de se sobreviver ao nonsense. Muitos são felizes porque são infelizes. Eis um paradoxo nada difícil de compreender em nosso tempo.

A dor parece ser mais do que sintoma corpóreo, ela parece residir na alma, a instância abstrata que agrega sentimentos sempre de certo modo inacessíveis à nossa capacidade de compreender. No corpo ela aparece como incômodo e mal-estar. No nível do sentimento ela é o nome próprio do horror de ser quem se é, de não poder ser outra pessoa. Até parece ser a dor o que nos resgata do absurdo da vida e nos responde sobre quem somos.

Experimentada como algo íntimo, cada indivíduo em nossa cultura negligencia o que a dor possa significar para o outro. Imaginamos, pela força que a caracteriza como experiência pessoal, que ela é apenas nossa e não do outro. “Eu tenho a minha dor” diz a música enquanto o outro parece não ter nenhuma. É porque sentimos dor que cremos em nossa unidade. A dor, já foi o nome do “eu” no romantismo, corrente de pensamento e estilo de vida que desde o século XIX e pelo século XX afora criou seitas e adeptos nas artes, na literatura, mas também na vida. Novamente a dor retorna em amálgama com o eu à cultura definindo o eixo da depressão que, se para muitos é patologia e medicável, não podemos esquecer que é, acima de tudo, desajuste existencial. A este desacordo entre o “eu” e o mundo, a esta “dor de viver” marcadamente romântica, Schopenhauer, o filósofo que melhor entendeu o sofrimento como um aspecto inalienável da vida, erigiu sua visão de mundo. Um resumo de suas idéias define que “sofro porque desejo”, mas sofrer e desejar são dois reflexos da condição própria da vida.

Dor de viver

Entre nós a metáfora da dor de viver se faz corpo. Eu que sou um corpo que vive e experimenta a vida, já não sou mais “um eu” que pensa ou sente, mas alguém que sofre. Eis o que sobra do sujeito moderno e do pós-moderno, que se estilhaçou, se perdeu de vista e, a cada dia com mais veemência emite o conhecido juízo acerca de seu lugar no mundo: estou deprimido. Poderia traduzir sua frase pelo “não desejo nada”. Neste caso, não estaria a dizer que “desejo não desejar”, mas que cessou o desejo. O paradoxo que surge é que não desejar nada parece ser a solução para o sofrimento que vem do desejo, quem não desejasse estaria a salvo. Mas não desejar nada é que se mostra como sendo, na verdade, o sofrimento maior. Quem deprime sabe disso. Mas de onde tirar forças para reconstruir o desejo? A vontade sem sentido que nos liga à vida e nos faz dar sentido à vida? Muitas vezes a dor de viver apenas mascara a culpa que pomos no outro ao qual queremos responsabilizar por nosso próprio fracasso diante do mistério da vida. Por isso, a depressão é, muitas vezes, a máscara de um rosto chamado covardia.

O Espetáculo da dor

Há um verdadeiro contentamento com a dor em nossa cultura. Tal gosto pelo sofrimento é, todavia, escandalização da dor e, paradoxalmente, sua banalização. De tanto ser vivida se tornou banal. A dor é um elemento de uma democracia perversa, parece ser só o que realmente nos esmeramos por compartilhar. As imagens da morte de indivíduos ou grupos, das catástrofes históricas ou da violência em escala cotidiana alegram os olhos de quem aprendeu a viver no mundo do espetáculo, o grande território que na sociedade atual, mede a vida, os corpos, os desejos, com imagens prévias do que devemos ser. O que chamamos espetáculo é ele mesmo um olho que nos vê e forja o nosso próprio modo de olhar. Que futuro há para uma cultura que vive o voyerismo da catástrofe, que goza com o sofrimento alheio pensando estar a salvo dele?

Há solidariedade que possa nos salvar diante do apelo à morte do outro, ao ódio escancarado, a que nos convidam todos os dias as formas de vida – descaso e violência - que vivemos?


A compaixão

O que há de comum entre a nossa dor e a dor dos outros? O que poderia romper o ciclo perverso de gozo e satisfação com o espetáculo da dor pessoal – na depressão - e alheia – na catástrofe assistida? Schopenhauer falou no século XIX sobre a compaixão para basear a ética. Seus críticos logo acordaram dizendo que a justiça e não a compaixão seria um melhor fundamento da ética. A justiça entendida como medida, como regramento, como o que sustenta a lei é realmente algo que pode manter a sociedade em ordem, mas a idéia da compaixão guarda um aspecto que não deve ser esquecido. A compaixão é a capacidade de perceber o sofrimento alheio e saber que ele não é bom. O termo, do latim, compassio, significa mais do que sofrimento comum: é o sentir a dor do outro como se fosse a sua. Uma sociedade que aprendesse que todos estamos mergulhados no sofrimento teria chance de verificar que previamente já há um elo que nos une e que nossa tarefa é ultrapassar sua força de destruição.


Marcia Tiburi


Publicado originalmente em Vida Simples

domingo, 27 de novembro de 2011

Maus tratos

"Se os números que vemos em violência doméstica fossem aplicados ao terrorismo ou à violência de gangues, o país inteiro estaria em pé de guerra e seria esse o elo de ligação dos noticiários, todas as noites.”
(Mark Green, 2005)
10e Triennale de Mons de l’affiche sociale et politique, Bélgica
Alizée Freudenthal, menção honrosa, 2007

O que vale mais: um preso ou um estudante ?

Alguns números falam mais do que mil palavras. No Brasil, um preso federal custa o triplo de um aluno do ensino superior. E um preso estadual demanda quase nove vezes o custo de um estudante do ensino médio. A princípio, o que uma coisa tem a ver com a outra? Tudo. Há carência de recursos tanto em escolas quanto em prisões. Mas o absurdo maior é a negligência do Brasil com o saber, com o conhecimento.

Quando essa equação vai fechar? Vamos gastar muito mais com os presidiários se quisermos tornar as cadeias brasileiras menos degradantes. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, prometeu que “agora vai”.

Não sei se você, assim como eu, sente vergonha ao ver as cenas de mãos saindo pelas grades. São seres humanos empilhados, espremidos e seminus. É um circo dos horrores. E piora nos rincões remotos do Norte e Nordeste, longe das câmeras.

Mesmo assim, o Estado gasta mais de R$ 40 mil por ano com cada preso em presídio federal. E R$ 21 mil com cada preso em presídio estadual.

Esses valores, absolutos, não significam nada para nós. Mas, se dermos uma olhada no nível de instrução dos 417.112 presos, ficará claro como os dois mundos, o das escolas e o das prisões, estão intimamente ligados.

Dos nossos detentos, mais da metade (254.177) é analfabeta ou não completou o ensino fundamental. O menor grupo é o que concluiu a faculdade: 1.715 presos. Esses números estão no relatório do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) do ano passado. Os presídios são um retrato de nossa sociedade. Do lado de fora, poucos têm acesso a universidades. E criminosos ricos e influentes podem pagar bons advogados.

Poderíamos ficar resignados a nosso destino de país pobre em desenvolvimento humano. Poderíamos também construir macropresídios seguros para prender cada vez mais gente em cômodos amplos, com direito a boa alimentação, pátios, esportes e reeducação.

Poderíamos melhorar a gestão penitenciária e reduzir a roubalheira. Em algumas cidades, os presos começam a ser soltos por falta de espaço.


Ruth de Aquino, Revista Época
Leia a íntegra na Revista Época

sábado, 26 de novembro de 2011

Barriga é barriga

Barriga é barriga, peito é peito e tudo mais. Confesso que tive agradável surpresa ao ver Chico Anísio no programa do Jô, dizendo que o exercício físico é o primeiro passo para a morte. Depois de chamar a atenção para o fato de que raramente se conhece um atleta que tenha chegado aos 80 anos e citar personalidades longevas que nunca fizeram ginástica ou exercício - entre elas o jurista e jornalista Barbosa Lima Sobrinho - mas chegou à idade centenária, o humorista arrematou com um exemplo da fauna:

A tartaruga com toda aquela lerdeza, vive 300 anos. Você conhece algum coelho que tenha vivido 15 anos?

Gostaria de contribuir com outro exemplo, o de Dorival Caymmi. O letrista compositor e intérprete baiano era conhecido como pai da preguiça. Passava 4/5 do dia deitado numa rede, bebendo e mastigando. Autêntico marcha-lenta, levava 10 segundos para percorrer um espaço de três metros. Pois mesmo assim e sem jamais ter feito exercício físico viveu 90 anos.

Conclusão: Esteira, caminhada, aeróbica, musculação, academia? Sai dessa enquanto você ainda tem saúde...

E viva o sedentarismo ocioso!!! Não fique chateado se você passar a vida inteira gordo. Você terá toda a eternidade para ser só osso!!!
Então: NÃO FAÇA MAIS DIETA!! Afinal, a baleia bebe só água, só come peixe, faz natação o dia inteiro, e é GORDA!!! O elefante só come verduras e é GORDOOOOOOOOO!!!

Viva a batata frita e a coca cola!

Você, menina bonita, tem pneus? Lógico, todo avião tem!
E nunca se esqueçam: 'Se caminhar fosse saudável, o carteiro seria imortal.´

E lembrem-se sempre:

Celulite quer dizer : eu sou gostosa! Em braile!


Arnaldo Jabour


*Indicação de Zildo de Souza

Curiosidade

Machado de Assis em seu conto "O anjo", publicado em 1869, antecipou em dezoito anos a descrição da doença psíquica "folie à deux" (loucura a dois), feita pelos psiquiatras franceses Lasegue e Falret em 1887.
Fonte: Revista Metáfora, n. 01, pág. 29

Lacraia - Manoel de Barros

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Canto Gregoriano

Namorar

Namorar quer dizer inspirar amor em alguém, cativar o outro, desejar ardentemente o pretendente. Se a tradução para essa palavra contém sentimentos tão fortes, por que será que, depois de estabelecer uma relação afetiva estável, nós nos esquecemos de praticar o namoro, como se o outro já estivesse ganho, não precisasse mais ser conquistado por nós?

Moro num bairro arborizado e todos os dias saio para caminhar bem cedo. Antes das sete da manhã encontro diariamente o casal Elizabeth e Adrian, dois alemães de cabeça branca, mas olhos muito ardentes. Outro dia, depois de presenciar uma sessão de alongamento, em que ele a ajudava a esticar a coluna, Adrian me disse: “agora vamos para casa tomar o nosso café e namorar um pouquinho. Essa caminhada abre completamente nosso apetite.”

Se você sabe bem o que é pretensão, pode entender o que senti quando ouvi as palavras de Adrian. Pensei que, quando meus cabelos também estiverem bem branquinhos, vou querer ser assim, ativa, apaixonada e acesa como eles.

A vida de um casal é cheia de desafios e também de muitas tentações. Quando esquecemos de manter a chama do namoro acesa entre nós e o objeto do nosso afeto, corremos o risco de um outro ouvir e fazer aquilo que deveríamos estar praticando com extrema dedicação.

Quem pensa que só porque se casou ou mantém uma relação muito duradoura não corre riscos está se apegando a uma falsa segurança. Assim como gostamos de ser conquistados o tempo todo, devemos nos manter atentos para conquistar o outro no dia a dia, fazendo pequenos carinhos, preenchendo suas expectativas afetivas, nos mantendo por perto e bem alertas.

Casais felizes sabem que... casais felizes, que estão juntos por pouco ou muito tempo, conservam o traço do namoro como uma característica comum. Não só hoje, no dia dos namorados, mas sempre, vale um beijo mais ardente, um passeio de mãos dadas, um abraço com entrega..., o que não vale é descuidar do outro, deixando de trazê-lo sempre para perto do nosso coração.


Anna Saslow
(101 Segredos dos Casais Felizes)

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Vela aberta - Sucesso de 1979


Linda composição...

A árvore dos problemas

Esta é uma história de um homem que contratou um carpinteiro para ajudar a arrumar algumas coisas na sua fazenda.

O primeiro dia do carpinteiro foi muito difícil. O pneu de seu carro furou. A serra elétrica quebrou, cortou o dedo. E ao final do dia, o seu carro não funcionou.

O homem que contratou o carpinteiro ofereceu uma carona para casa.

Durante o caminho, o carpinteiro não falou nada.

Quando chegaram a sua casa, o carpinteiro convidou o homem para entrar e conhecer a sua família.

Quando os dois homens estavam se encaminhando para a porta da frente, o carpinteiro parou junto a uma pequena árvore e gentilmente tocou as pontas dos galhos com as duas mãos.

Depois de abrir a porta de sua casa, o carpinteiro transformou-se.

Os traços tensos do seu rosto transformaram-se em um grande sorriso, e ele abraçou os seus filhos e beijou a sua esposa.

Um pouco mais tarde, o carpinteiro acompanhou a sua visita até o carro.

Assim que eles passaram pela árvore, o homem perguntou:

- Por que você tocou na planta antes de entrar em casa?
- Ah! Esta é a minha árvore dos problemas. Eu sei que não posso evitar ter problemas no meu trabalho, mas certos problemas não devem chegar até os meus filhos e a minha esposa.
- Então, toda noite, eu deixo os meus problemas nesta árvore quando chego em casa e os pego no dia seguinte.
- E quer saber de uma coisa?
- Toda manhã, quando eu volto para buscar os meus problemas, eles não são nem metade do que eu me lembro de ter deixado pendurado em seus galhos na noite anterior.


(Anônimo)

Pintura em 3D

De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados. (Lamentações 3:39)

E por que atentas tu no argueiro que está no olho de teu irmão, e não reparas na trave que está no teu próprio olho. (Lucas 6:41)

Artista britânico cria a maior pintura em 3D do mundo

Cenário de Guerra: Paraíba é o segundo estado mais violento do Brasil; supera SP, RJ, MG, PE, BA e CE

A Paraíba atingiu os maiores índices de violência do País. De acordo com dados apresentados na 5ª Edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na tarde desta quarta-feira (23), na 2ª Conferência do Desenvolvimento (Code) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o estado ocupa a segunda colocação em crimes violentos letais intencionais.

Segundo os dados, em cada grupo de 100 mil habitantes, 38,8 dos paraibanos são vítimas da violência. Em 2009, foram registrados 1209, no ano passado houve um acréscimo de 20.87% e pulou para 1406

O estado governado pelo socialista Ricardo Coutinho ocupa também o segundo lugar em homicídio doloso. Mais uma vez fica atrás apenas de Alagoas. Em 2009, foram registrados 1.176 homicídios dolosos no Estado. Em 2010, o número subiu para 1.438, um acréscimo de 22,4%.

Ainda, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, a média de idade atingida pela violência na Paraíba varia entre 23 e 45 anos. Já em Alagoas, a idade é acima dos 45 anos.

Nos demais estados da federação foi registrada uma queda de 2% na quantidade de assassinatos entre 2009 e 2010. No ano passado, foram 40.974 mil homicídios. A taxa de crimes para cada 100 mil habitantes foi reduzida de 21,9 para 21,5, valor ainda alto para os padrões internacionais.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) considera aceitáveis níveis abaixo de 10 mortes para cada 100 mil pessoas.


Do clickpb

Pérola do vestibular

Durma-se com uma redação desta...

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Descoberta de moedas antigas deve mudar história do Muro das Lamentações

Arqueólogos israelenses anunciaram o achado de moedas antigas que podem subverter as crenças largamente mantidas sobre as origens do Muro das Lamentações de Israel, um dos locais mais sagrados para o Judaísmo. O anúncio da descoberta foi feito nesta quarta-feira.

Por séculos, muito do que se pensava sobre o muro era que ele fora construído pelo rei Herodes (que detém má fama, na tradição do Cristianismo, por ser algoz nos esforços de perseguição do bebê Jesus, de acordo com a história original dessa religião).

Mas arqueólogos afirmaram ter encontrado moedas enterradas sob os alicerces do muro, e que foram cunhadas 20 anos depois da morte do rei Herodes, em 4 d.C. --o que demonstra que a estrutura foi completada pelos reinados sucessores.

A descoberta pode significar uma revisão nos guias turísticos para as multidões que visitam a cidade.

"Cada guia turístico baseado na história de Jerusalém responde 'Herodes' quando perguntado sobre quem construiu o muro", disse a autoridade de antiguidades de Israel, em comunicado.

"Essa partícula da informação arqueológica ilustra o fato de que a construção do muro foi um projeto enorme que levou décadas e que não foi completado durante a vida de Herodes", disse a autoridade israelense.

A autoridade disse que os historiadores acadêmicos já tinham conhecimento, a partir de fatos narrados pelo historiador judeu Flávio Josefo (37 ou 38 d.C. - 100 d.C), de que o muro fora completado pelo bisneto de Herodes.

Mas esse relato não ajudou a dissipar a história popular de que Herodes concluiu o Muro das Lamentações. As moedas foram a primeira evidência concreta para fazer uma atualização da versão de Flávio Josefo.


DA REUTERS, EM JERUSALÉM

Placas ou seria pracas???


terça-feira, 22 de novembro de 2011

A dúvida é o principio da sabedoria.

Aristóteles

Carta da montanha

Ergui minha choupana entre as nuvens espessas.
Que o pó do mundo apague as marcas dos meus passos.
Não me pergunte como passa o tempo.
Flui o arroio à janela; à cabeceira, os livros.




Liu Yu-Si (poeta da dinastia Tang 618-906)
A verdade se corrompe tanto com a mentira como com o silêncio.

(Marco Túlio Cícero, 106-43 a.C)

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O silêncio dos livros

Lovis Corinth [ Girl Reading ] 1888

Hora do recreio

O português vai até seu chefe (português também): - Chefe, nossos arquivos estão abarrotados. Será que nós não poderíamos jogar fora as pastas e documentos com mais de vinte anos??? - ótima idéia! Mas antes tire uma copia de tudo.

Por que homens e mulheres são tão diferentes?

A grande opção.

Apesar de todas as dificuldades e desafios que a relação a dois envolve, as pessoas continuam encontrando boas razões para se casarem, que vão desde o medo de estar só (Gn. 2.18), até os desencadeados pelos temores da vida contemporânea, de construir um lar que funcione como porto seguro num mundo cada vez mais cheio de incertezas, além de outros.

As diferentes motivações e necessidades.

Homem e mulher são dois modos de ser. Têm estruturas cerebrais diferentes, estruturas emocionais diferentes e diferentes campos perceptuais da dimensão espiritual, ainda que em essência, sejam seres humanos.

Em face dessas diferenças fica mais fácil compreender que, em se tratando de casamento, as razões do homem parecem não ser as mesmas da mulher, de modo que, ao empreenderem o matrimônio, ambos o fazem por diferentes necessidades e motivações.

O QUE ELES QUEREM.


Satisfação sexual.

Sem nenhum exagero, para o homem, o casamento se faz na cama. Acredito que este instinto é mais focalizado no homem que na mulher.

No casamento o homem projeta a sua realização e satisfação sexual. Quando isto não acontece, o casamento pode perder a sua razão de ser, pois quase nada pode compensar tal carência. É evidente, que com a exploração que a mídia e a sociedade em geral, fazem do sexo, os problemas sexuais no homem, podem se transformar facilmente em traumas psicológicos.

Companhia prazerosa.

Desde o principio foi constatado por Deus. De fato, o homem é carente de uma companhia, da presença estável de uma mulher que esteja ao seu lado, livrando-o da terrível sensação de solidão.

O relacionamento para o homem é presença; ele se guia pela vista, ainda que não necessariamente, pelo tato, como acontece com a mulher. É necessário porém, que esta companhia lhe seja prazerosa, no sentido de lhe proporcionar certas gratificações ou prêmios, em face de sua condição de provedor. Pelo menos é assim na psique do homem.

O homem considera uma atividade compartilhada com a sua companheira como uma alta expressão de intimidade. Isto lhe causa muito prazer. A mulher conquistaria melhor seu marido se participasse mais, com ele, de atividades recreativas. Na realidade, para o homem, não é tão importante o realizar junto, mas, estar junto dele em atividades que lhe dão prazer.

Uma esposa atraente.

O livro dos cânticos de Salomão ilustra bem esta necessidade do homem. O escritor, ao longo de todo o livro não deixa de expressar o seu encanto com as formas de sua esposa, partes do seu corpo que em geral, recebem alta cotação de clube masculino, chegando mesmo a descrevê-la, comparando-a com paisagens e formas da natureza que tanto o fascina. Talvez, em função da valorização que o homem dá à aparência de sua esposa, muitas mulheres estão percorrendo verdadeiros calvários para manter suas formas bem acentuadas, o que tem levado algumas, inclusive, a comportamentos obsessivos a esse respeito. É bom lembrar que nem sempre as pessoas têm total controle sobre alterações que se processam no seu corpo.

Uma guardiã do lar.

Muitas mulheres enganam-se, ao imaginar que os homens abandonaram definitivamente a imagem internalizada, ao longo de milhões de anos, da esposa que cuida da casa, desempenhando tarefas típicas dessa função. Muitas mulheres, inspiradas nos ideais feministas abandonaram por completo o cuidado da casa, para que não fossem vistas como súditas do império machista. Esta mudança radical causou um forte impacto na relação conjugal. Nem a mulher nem o homem conseguiram assimilar bem tal mudança. Estudos revelam que a grande maioria dos homens casados ainda se incomoda muito quando as suas esposas deixam de lhes fazer pequenas tarefas como, pregar os botões de suas camisas, por exemplo.

Admiração.

O desejo de ser admirado e reconhecido é mais aguçado no homem que na mulher. O homem parece viver em função desse desejo, que lhe é visto como o preço mais justo que pode lhe ser pago por aquilo que ele realiza. Sem admiração o homem definha e empobrece. Sem admiração, sua motivação para as conquistas e para as realizações se esvaem e seu entusiasmo pela vida desaparece. A admiração para o homem funciona como combustível e ao mesmo tempo, como parâmetro que mede a eficácia de seus atos.

O QUE ELAS QUEREM.


Afeto.

A mulher é movida por afeto, que é o mais nutritivo alimento do seu coração. Quando elege o seu cônjuge, ela espera receber dele afeto, em forma de palavras, de toques e de atitudes, pois as relações conjugais lhes são sinônimos de relações afetivas. A sensibilidade da mulher ao toque, por exemplo, é dez vezes maior do que a do homem. O casamento para a mulher, é acima de tudo, a expressão máxima de amor e compromisso entre duas pessoas, e só secundariamente, entendido como uma instituição.

O afeto é uma de suas necessidades permanentes e, independente do tempo que está casada, a mulher espera receber sempre do seu esposo boas e constantes doses de carinho e afeto.

Intimidade.

No relacionamento conjugal, quando mais proximidade, melhor. No caso da mulher, parece que sua estrutura emocional e sua estrutura cerebral, têm este campo de necessidade maior que a do homem, fazendo com que, a convivência intima seja muito mais buscada por ela do que por ele, no casamento. A mulher cobra constantemente do homem esse tipo de convivência e um ambiente onde haja compreensão empática e um nível de confiança baseado no compromisso da fidelidade e da continuidade das relações conjugais.

Diálogo.

Um outro aspecto relevante, é que para a mulher, a comunicação vai além da mera conversa clichê, aquela que se faz através de frases prontas e chavões, em que as palavras soam vazias. As se comunicar, a mulher expressa sentimentos e usa a comunicação num nível mais profundo, para se aproximar e tornar-se intima. Daí a sua grande necessidade de falar sobre a relaçºao e de ter o feedback do seu cônjuge a esse respeito.

Se sombras de dúvida, ao lado de um homem calado, com o olhar perdido, sempre há uma mulher se sentindo desprezada e distante, com a sensação de que algo vai muito mal na sua relação conjugal. O silêncio do homem é uma das maiores ameaças para a mulher.

Honestidade.

A personalidade de uma pessoa sempre foi um aspecto importante a ser avaliado no momento de se decidir por uma relação duradoura. Nas mulheres, isto parece ser ainda mais valorizado que nos homens. Enquanto estes têm a tendência de se basear mais pela vista, aquelas se interessam mais por qualidades interiores do homem, os traços de sua personalidade, suas características pessoais, seu caráter. A honestidade é um dos traços que a mulher mais admira no homem. Só numa relação de honestidade e franqueza a mulher se sente segura e tranqüila para expressar livremente toda a grandeza dos seus sentimentos.


Sustento financeiro.

Quase que em toda história da humanidade o homem exerceu o papel de provedor da família. Era o responsável pelo abrigo e o sustento desta. Há no seu cérebro, uma estrutura programada para este tipo de comportamento e, mesmo nos nossos dias, não é simples para ele conviver numa situação em que a mulher esteja fazendo o seu papel, como acontece em muitas famílias. A mulher, por sua vez, não superou o condicionamento de milhões de anos, vivendo sob a proteção do homem e continua a vê-lo como mantenedor do lar, mesmo nos casos em que esteja ganhando mais que ele.

Concluindo, a dinâmica dessas diferenças dentro de um ambiente de mútua compreensão enriquecerá ainda mais a fascinante aventura da vida, o casamento.


Pr. Risan-joper

Belo Monte. Você é contra ou a favor?

O aluno brasileiro custa menos que o detento

O Brasil investe mais de R$ 40 mil por ano em cada preso recolhido em presídio federal. Por outro lado, gasta uma média de R$ 15 mil anualmente com cada aluno do ensino superior — cerca de um terço do valor gasto com os detentos.

Leia mais em O Globo. Clique aqui

domingo, 20 de novembro de 2011

Propaganda bem bolada da Samsung Galaxy Tab

Retrato

"Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida a minha face?"




Cecília Meireles

Sucesso de 1976

A distância faz ao amor aquilo que o vento faz ao fogo: apaga o pequeno, inflama o grande.

Roger Bussy-Rabutin

sábado, 19 de novembro de 2011

Pink Floyd


Porque hoje é sábado...
Quando penso no universo: sua complexidade e imensidão, penso nos meus problemas e no quão pequenos eles são.

Clarice Pacheco

Um idoso na fila do Detran

"O senhor aqui é idoso", gritava a senhora para o guarda, no meio da confusão na porta do Detran da Avenida Presidente Vargas, apontando com o dedo o tal "senhor". Como ninguém protestasse, o policial abriu o caminho para que o velhinho enfim passasse à frente de todo mundo para buscar a sua carteira.

Olhei em volta e procurei com os olhos 0 velhinho, mas nada. De repente, percebi que o "idoso" que a dama solidária queria proteger do empurra-empurra não era outro senão eu.

Até hoje não me refiz do choque, eu que já tinha me acostumado a vários e traumáticos ritos de passagem para a maturidade: dos 40, quando em crise se entra pela primeira vez nos "entra"; dos 50, quando, deprimido, salte que jamais vai se fazer outros 50 (a gente acha que pode chegar aos 80, mas aos 100?); e dos 60, quando um eufemismo diz que a gente entrou na "terceira idade". Nunca passou pela minha cabeça que houvesse uma outra passagem, um outro marco, aos 65 anos. E, muito menos, nunca achei que viesse a ser chamado, tão cedo, de "idoso", ainda mais numa fila do Detran.

Na hora, tive vontade de pedir à tal senhora que falasse mais baixo. Na verdade, tive vontade mesmo foi de lhe dizer: "idoso é o senhor seu pai. O que mais irritava era a ausência total de hesitação ou dúvida. Como é que ela tinha tanta certeza? Que ousadia! Quem lhe garantia que eu tinha 65 anos, se nem pediu pra ver minha identidade? E 0 guarda paspalhão, por que não criou um caso, exigindo prova e documentos? Será que era tão evidente assim? Como além de idoso eu era um recém-operado, acabei aceitando ser colocado pela porta adentro. Mas confesso que furei a fila sonhando com a massa gritando, revoltada: "esse coroa tá furando a fila! Ele não é idoso! Manda ele lá pro fim!" Mas que nada, nem um pio.

O silêncio de aprovação aumentava o sentimento de que eu era ao mesmo tempo privilegiado e vítima — do tempo. Me lembrei da manhã em que acordei fazendo 60 anos: "Isso é uma sacanagem comigo", me disse, "eu não mereço." Há poucos dias, ao revelar minha idade, uma jovem universitária reagira assim: "Mas ninguém lhe dá isso." Respondi que, em matéria de idade, o triste é que ninguém precisa dar para você ter. De qualquer maneira, era um gentil consolo da linda jovem. Ali na porta do Detran, nem isso, nenhuma alma caridosa para me "dar" um pouco menos.

Subi e a mocinha da mesa de informações apontou para os balcões 15 e 16, onde havia um cartaz avisando: "Gestantes, deficientes físicos e pessoas idosas." Hesitei um pouco e ela, já impaciente, perguntou: "O senhor não tem mais de 65 anos? Não é idoso?"

— Não, sou gestante — tive vontade de responder, mas percebi que não carregava nenhum sinal aparente de que tinha amamentado ou estava prestes a amamentar alguém. Saí resmungando: "não tenho mais, tenho só 65 anos."

O ridículo, a partir de uma certa idade, é como você fica avaro em matéria de tempo: briga por causa de um mês, de um dia. "Você nasceu no dia 14, eu sou do dia 15", já ouvi essa discussão.

Enquanto espero ser chamado, vou tentando me lembrar quem me faz companhia nesse triste transe. Ai, se não me falha a memória — e essa é a segunda coisa que mais falha nessa idade —, me lembro que Fernando Henrique, Maluf e Chico Anysio estariam sentados ali comigo. Por associação de idéias, ou de idades, vou recordando também que só no jornalismo, entre companheiros de geração, há um respeitável time dos que não entram mais em fila do Detran, ou estão quase não entrando: Ziraldo, Dines, Gullar, Evandro Carlos, Milton Coelho, Janio de Freitas (Lemos, Cony, Barreto, Armando e Figueiró já andam de graça em ônibus há um bom tempo). Sei que devo estar cometendo injustiça com um ou com outro — de ano, meses ou dias —, e eles vão ficar bravos. Mas não perdem por esperar: é questão de tempo.

Ah, sim, onde é que eu estava mesmo? "No Detran", diz uma voz. Ah, sim. "E o atendimento?" Ah, sim, está mais civilizado, há mais ordem e limpeza. Mas mesmo sem entrar em fila passa-se um dia para renovar a carteira. Pelo menos alguma coisa se renova nessa idade.


Zuenir Carlos Ventura

Tributo

Sexo sem egoismo


Foto Pascal Renoux

“Ele me usa e logo depois me joga fora”. Desta maneira uma mulher descreveu seu problema sexual com o marido.

Já pude ver nos olhos de muitas mulheres frustrações, desilusões e desapontamentos por seus maridos serem egoístas durante a relação sexual. Ansiosos por seu prazer pessoal, nem ao menos pensam na esposa, nos sentimentos dela, preferindo fazer tudo rápido e bruscamente. Eles as usam para extravasar suas necessidades, tensões e desejos. Para elas, desmotivadas, inferiorizadas, conhecedoras apenas de um amor egoísta e deturpado que seus maridos lhes oferecem, a relação sexual se torna uma obrigação penosa. As reclamações que, em geral, escuto das mulheres que têm experimentado essa frustração, e que refletem o machismo e egoísmo de muitos homens são basicamente as mesmas:

- meu marido só pensa nele mesmo, em dar vazão e satisfazer egoisticamente suas necessidades emocionais e físicas, independente do que eu sinta ou queira. O estimulo, o despertamento, o preparo para o ato sexual é mecânico e rápido, não me dando tempo para sentir-me parte dele física e emocionalmente. Ele está mais interessado em aperfeiçoar uma técnica física do que em alcançar intimidade física; a maior preocupação do meu esposo não é que chegue ao orgasmo para sentir-me realizada, mas para ficar provado que ele é um “sucesso” na cama, para alimentar seu ego. Ele é repetitivo, enfadonho, sempre desenvolvendo o ato sexual da mesma maneira. Meu marido leva a relação sexual mais a sério do que deve. Quando por algum motivo ela não é consumada, ele se sente frustrado, inseguro de sua masculinidade. Infelizmente, ele não é sensível às minhas preferências sexuais.

Este é o reflexo da idéia de que a mulher é um objeto, um simples brinquedo na mão do homem machista e egoísta. Talvez esta tenha sido uma das razões que levaram as mulheres a erguerem a bandeira da “libertação feminina”. Não estou dizendo que isto seja em tudo correto, já que o movimento foi muito desvirtuado em suas reivindicações básicas. Porém, não resta dúvida que trata-se de um alerta para uma situação desmerecedora e sem a mínima consideração que lhes foi imposta. Quando as necessidades das esposas não são supridas, elas podem vir a ter um comportamento estranho e às vezes, até infiel, puro fruto de insatisfação e frustração.

“Ninguém deve buscar o seu próprio bom, mas sim o dos outros” (1 Coríntios 10:24)

PENSE NISSO:

O criador presenteou o homem e a mulher com o sexo para que ambos desfrutassem das alegrias e do prazer que ele oferece, desfrutando-o e conhecendo-o em todas as suas dimensões. Aproveitem-no ao máximo.


Judith Kemp
(Devocional para Casais)

Viúva morre e Justiça divide pensão de marido entre amantes em SC

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina decidiu que a pensão de um funcionário público deverá ser dividida entre duas amantes dele. A decisão ocorreu após a morte da viúva.

A mulher do funcionário recebia R$ 15 mil. Segundo o TJ, as duas amantes entraram com o pedido --separadamente-- depois que a viúva do funcionário público morreu. Detalhes do caso não foram divulgados porque o processo corre em segredo de Justiça.

A decisão foi tomada no dia 10 de novembro, mas só foi divulgada nesta sexta-feira.

Segundo parte da decisão divulgada pelo tribunal, as duas apresentaram documentação e depoimentos de testemunhas que comprovam as uniões estáveis. Ainda segundo o TJ, antes de entrar com as ações, as duas mulheres, que moram em cidades diferentes, não sabiam da existência uma da outra.

De acordo com o próprio TJ, o "quadrilátero amoroso" gerou curiosidade entre os juízes que julgaram o caso.

"Ouso afirmar que os meandros folhetinescos desta história rivalizam, no mais das vezes, com as mais admiráveis e criativas obras de ficção da literatura, do teatro, da televisão e do cinema, demonstrando, uma vez mais, que a arte imita a vida --ou seria o contrário?", afirmou o desembargador Eládio Torret Rocha, relator da matéria.

O relator também afirmou que mesmo sendo inadmissível o reconhecimento uniões estáveis concomitantes, era preciso "dar proteção jurídica a ambas as companheiras", e que isso era possível após a viúva do funcionário ter morrido.

A decisão ainda será publicada no "Diário da Justiça Eletrônico".


Deu na Folha.com

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Elegância no comportamento

Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento. É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.

É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto. É uma elegância desobrigada.

É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.

É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros. É possível detectá-la em pessoas pontuais.

Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.

Oferecer flores é sempre elegante. É elegante não ficar espaçoso demais. É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao do outro. É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.

É elegante retribuir carinho e solidariedade. Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto. Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante.

Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural através da observação, mas tentar imitá-lo é improdutivo.

A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que “com amigo não tem que ter estas frescuras”.

Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os inimigos é que não irão desfrutá-la. Educação enferruja por falta de uso. E, detalhe, não é frescura!


(Anônimo)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Hora do cafezinho

Sempre que o expediente forense se estende na parte da tarde a turma do Fórum Dr. Francisco Nelson da Nóbrega, costumeiramente, dá uma pausa para o coffee break ou "rega bofe", como queiram. É o momento de botar o assunto em dia e rir um pouco com os "causos" contados por Klébia.

Tudo regado a um cafezinho, quase sem açucar, pão e creme...
Watson, Fátima, Klébia, Ed, Ana Paula e Seane

Seane, Fátima, café e pão...

Ed, Ana Paula e Seane

Fátima e Klébia

Suedja e Klébia, com a mão..., ou melhor, com a boca na massa...

Comercial divertido

Somos livres ?

Somos livres. Esta frase pode parecer muito abstrata hoje diante do cotidiano atropelado de afarezes, atividades, responsabilidades que todas as pessoas têm. Ninguém tem tempo de pensar na questão de “ser livre” e esta falta de tempo parece ser a prova de que a liberdade não existe. Quem, ao trabalhar demais, sem poder realizar outros aspectos de sua vida (como o conhecimento que envolve leituras, filmes, boas conversas, até mesmo a possibilidade de freqüentar cursos, de fazer viagens, de desenvolver sua criatividade, de aprender, enfim, coisas novas), pode dizer que é livre?

Lazer é o nome que damos a tudo isso que constantemente nos falta. O lazer não é algo que podemos abandonar em nome do trabalho. Em geral, é o que deixamos de lado quando estamos na luta pela sobrevivência. Mas é o nosso lazer que nos ensina e nos prepara para sermos seres humanos melhores, mais elaborados, inclusive no trabalho e, sobretudo, em relação a nossa família e amigos. É neste mundo que recarregamos nossas energias para os esforços que temos que fazer em nosso dia a dia.

Onde entra a liberdade neste caso? O lazer não é só um pacto que fazemos com a liberdade, mas a chance de expandi-la para todas as esferas da nossa vida. Liberdade é o nome que se dá ao fato de que escolhemos nossos rumos. Se não escolhemos não somos livres. O fato de que não temos tempo para o lazer prova que não temos liberdade. Ou que não sabemos usá-la. Uma parte da vida se perde aí. O problema maior da liberdade é que a vida também pode ficar meio sem sentido quando não pensamos no que estamos fazendo com ela. A liberdade é, portanto, mais do que algo que se tem ou não se tem, que se sabe ou não se sabe usar. Ela é uma capacidade de pensar na própria vida e de optar de modo responsável pelas próprias escolhas.

A liberdade é algo que faz parte do ser humano. Ninguém pode sentir que se tornou um ser humano sem que tenha tomado a liberdade como algo seu. Esta é uma idéia que vem de não muito tempo atrás. É uma idéia moderna que apareceu junto com o desejo humano que cada indivíduo tem de ter posse sobre si mesmo. Liberdade não é apenas algo que nos limita desde que pensamos que a de um termina onde começa a de outro. É mais que isso. Liberdade é a capacidade de organizar a vida para que trabalho e lazer possam ser possíveis. Mas, sobretudo, é ter consciência de si dentro destas dimensões da vida.


Marcia Tiburi

* Originalmente publicado na Revista De Mulher para Mulher, n. 1; p.64 e 65.

Propaganda

Alarme

Piada

Ser ou não ser...

O rapaz está paquerando uma moça no bar. A certa altura da conversa ele dispara:
- Você aceitaria fazer amor comigo por um milhão de dólares ?
Depois de pensar alguns segundos, ela responde:
- Por um milhão, aceitaria sim!
- E por vinte dólares?
- Escuta aqui - responde ela, indignada. - Você está pensando que eu sou alguma prostituta?!
E o rapaz:
- O que você é, nós já decidimos na pergunta anterior. Agora é uma questão de preço...
Há 2 espécies de chatos: os chatos propriamente ditos e ... os amigos, que são os nossos chatos prediletos.


Mário Quintana

Polêmica: Benetton retira de circulação fotomontagem do papa beijando imã na boca


A grife italiana Benetton anunciou nesta quarta-feira que vai retirar de circulação a campanha publicitária que usa uma fotomontagem do papa Bento 16 beijando na boca o imã Mohammed Al Tayeb, da mesquita Al-Azhar, uma autoridade religiosa dos muçulmanos no Egito.

Através de um comunicado, a empresa, conhecida por suas polêmicas campanhas publicitárias, lamentou que o uso da imagem do pontífice tenha ferido a sensibilidade da Santa Sé e dos fiéis católicos, que exigiram que o material publicitário fosse retirado depois de ter sido exibido nesta quarta-feira a poucos metros do Vaticano.

"Acreditamos que o sentido desta campanha é, exclusivamente, combater a cultura do ódio em qualquer forma", disse a empresa em comunicado ao justificar a propaganda intitulada "Unhate" ("contra o ódio"). "Lamentamos que o uso da imagem do pontífice tenha ferido a sensibilidade dos fiéis. Confirmando nosso sentimento, decidimos retirar esta imagem de qualquer publicação", concluiu.

O anúncio da decisão da Benetton foi divulgado minutos depois que o porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, ter informado em nota oficial que a Secretaria de Estado do Vaticano estudava possíveis medidas para buscar, junto "às autoridades competentes, garantir uma justa tutela de respeito à figura do papa".

"Trata-se de uma grave falta de respeito com o papa, uma ofensa aos sentimentos dos fiéis, uma demonstração evidente de como no âmbito da publicidade é possível violar todas as regras elementares do respeito para atrair atenção", afirma Lombardi no texto.

O papa Bento 16 não é o único que aparece nas fotomontagens. O presidente americano, Barack Obama, por exemplo, também aparece beijando o líder venezuelano Hugo Chávez, assim como o presidente francês, Nicolas Sarkozy, com a chanceler alemã, Angela Merkel.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, também foram retratados se beijando.

A campanha publicitária foi apresentada nesta quarta-feira em Paris pelo vice-presidente executivo de Benetton, Alessandro Benetton, que alegou que o fato de a fotomontagem usar a figura de líderes internacionais é só "uma simplificação para transmitir essa mensagem".


Da agência EFE
Cercaram-me como abelhas; porém apagaram-se como o fogo de espinhos; pois no nome do SENHOR as despedaçarei.


Salmos 118:12

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Procura-se uma grande cozinheira

Estou há anos procurando uma cozinheira de mão-cheia. Uma Dona Flor, mas que não precisa ter o corpo da Sônia Braga - precisa é cozinhar mesmo. Fazer aquela grande e vasta comida brasileira. E se ainda souber fazer comida baiana, melhor ainda. Um bom mal-assado, uma feijoada como se come lá nas festas do terreiro do Gantois.

Não precisa saber cozinha francesa e italiana. Porque a cidade já dispõe de grandes restaurantes para isso.

Precisa, sim, de leitão a pururuca, de sequilhinhos, de um belo bolo de laranja. Tendo mão e alma boa, não precisa nem ter gênio bom. Basta ser divina. Como a cozinheira da grande estilista Lenny Niemeyer, que faz todos os domingos o melhor almoço do Brasil.

Escrevo este artigo porque acredito muito na força mobilizadora da mídia impressa, dos jornais que todos os dias entram na nossa casa cedinho gritando as notícias em silêncio.

Escrevo também para lembrar que os primeiros anúncios publicitários feitos neste país foram de coisas triviais como vender um burro, achar um cão perdido ou buscar uma cozinheira.

O peixe que um anúncio vende pode ser vender um carro, um perfume, recrutar uma cozinheira, mas anúncios são feitos para vender o peixe.

Os melhores anúncios são aqueles que se não se esquecem disso.

Que não se esquecem de que a propaganda foi feita para chamar a atenção da pessoa, para reter o leitor, o telespectador. Como você já está lendo este texto por alguns parágrafos, é sinal de que estou sendo bem-sucedido nessa função.

O título "Procura-se uma grande cozinheira" é chamativo. Porque é inesperado. Sobretudo no caderno Mercado da Folha.

Títulos têm de ser inesperados, senão ninguém lê anúncio. E as pessoas, como você bem sabe, não nasceram para ler anúncios.

A chamada é verdadeira. Não é propaganda enganosa. Porque preciso de fato de uma cozinheira.

É verdade que a quituteira que procuro talvez não leia este caderno. Mas a Folha é o jornal mais lido em todo o país e certamente deve ter alguém entre seus leitores que pode conhecer a minha prenda.

Estamos chegando ao final do ano, ao período de Natal, as pessoas estão imbuídas do espírito natalino e podem fazer essa boa ação para um ex-gordo como eu.

Portanto, se você conhece uma grande cozinheira, mande um e-mail para nizan@africa.com.br. É óbvio que preciso de referências. Melhor ainda se forem de gourmets ou gordos, de pessoas de colesterol e acido úrico altos.

A razão do meu desespero por uma cozinheira é fruto do bom momento econômico do Brasil.

Como em qualquer país que se preze, graças a Deus não é mais fácil encontrar empregados domésticos no nosso prezado país.

As pessoas querem ter seu próprio negócio, abraçar profissões "mais nobres". E isso é ótimo para elas e para o país.

É uma mudança transformadora, que nos impacta das melhores maneiras possíveis, mas também nos coloca na desesperadora e cafajeste situação de desejar a cozinheira do próximo.

Peço aos leitores que sejam solidários comigo e aos jovens redatores de propaganda que lembrem o que o grande guru da propaganda David Ogilvy me ensinou: propaganda é para vender.

Ela tem de ser sedutora, confiável e vendedora como um bom corretor de imóvel. Seja o anúncio de um celular, seja o anúncio procurando uma cozinheira, ele tem de ter impacto, eficiência e graça.

Se não entretém, não chama a atenção e não vende, não é boa propaganda. Propaganda tem de ter molho e sal. E ser feito por gente que tem boa mão.

Espero que este artigo-anúncio classificado atinja seus objetivos. E que graças à força da Folha e de santo Expedito eu encontre a minha tão sonhada cozinheira.

Aliás, cozinheira anda tão difícil que hoje a gente não pede mais para santo Expedito, a gente pede é para santo Antônio.


Texto de NIZAN GUANAES
Na Folha

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Show no Texas

Não quero nunca renunciar à liberdade deliciosa de me enganar.



Che Guevara

A complicada arte de ver

Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. "Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões - é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto."

Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: 'Rosa de água com escamas de cristal'. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver".

Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.

William Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.

Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.

Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. "Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios", escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada "satori", a abertura do "terceiro olho". Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: "Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram".

Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, "seus olhos se abriram". Vinicius de Moraes adota o mesmo mote em "Operário em Construção": "De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa - garrafa, prato, facão - era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção".

A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas - e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.

Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas".

Por isso - porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver - eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos"...


Rubem Alves

O texto acima foi extraído da seção "Sinapse", jornal "Folha de S.Paulo", versão on line, publicado em 26/10/2004.