sábado, 30 de novembro de 2013

Pombal/PB: TIM é condenada em R$200.000,00 por danos morais coletivos

A TIM CELULAR S.A. foi condenada ao pagamento do valor de R$200.000,00 (duzentos mil reais) de indenização por danos morais coletivos, em razão da precária qualidade dos serviços prestados, na Comarca de Pombal – PB, no período entre meados do ano de 2009 e o ano de 2011. O valor, conforme a sentença, será destinado ao Fundo Estadual de Proteção de Bens, Valores e Interesses Difusos (Lei Estadual nº 8102/2006).

A Comarca de Pombal – PB abrange os municípios de Pombal, São Bentinho, Cajazeirinhas, São Domingos e Lagoa, com uma população de aproximadamente 40.000 pessoas.

O caso foi apurado no processo nº 0002829-47.2011.815.0301, que corre perante a 3ª Vara Mista da Comarca de Pombal – PB, tendo por autor o Ministério Público do Estado da Paraíba (1ª Promotoria de Justiça de Pombal - PB).

A sentença, apesar de reconhecer a procedência quanto aos danos morais, não acatou os seguintes pedidos do Ministério Público que beneficiariam diretamente os consumidores locais: “a)em relação aos consumidores individuais com telefonia móvel“pré-pago” (15813 consumidores), ressarcimento/indenização dos danos causados através da concessão, para cada consumidor, de 5.400 (cinco mil e quatrocentos) minutos de bônus para ligações locais (dentro do mesmo DDD), para números TIM. Aqui, trata-se da reparação por danos individuais; b) em relação aos consumidores individuais com telefonia móvel“pós-pago” (1004 consumidores): b.1) obrigação de restituir-lhes os valores correspondentes à metade do que foi pago no último biênio (dois anos de comprovada má prestação de serviços), com incidência de correção monetária e juros, em dinheiro (através de conta bancária a ser informada pelo consumidor) ou através de descontos nas próximas faturas (excetuadas as ligações abrangidas pelo desconto previsto no próximo item). Aqui, trata-se da isenção parcial de cobrança pelo período em que os serviços foram comprovadamente prestados de modo precário; b.2) ressarcimento/indenização dos danos causados através da concessão de descontos, para cada consumidor, durante os 182 (cento e oitenta e dois)meses futuros, correspondentes à isenção de cobrança nas ligações locais (mesmo DDD) para números TIM. Aqui, trata-se da reparação por danos individuais;”.

Quanto aos pedidos não acatados, a Promotoria de Justiça de Pombal – PB formalizou recurso de apelação ao Tribunal de Justiça da Paraíba, requerendo o reconhecimento da procedência também em relação aos mesmos, ou, subsidiariamente, a fixação de uma condenação genérica, consolidando a responsabilidade da TIM CELULAR S.A. pelos danos causados aos consumidores, para posterior liquidação e execução individual pelos interessados (arts. 95 e 97, CDC).
 
O Promotor de Justiça que intentou a referida ação foi o Dr. Leonardo Fernandes Furtado.

Águia da Noite


                            Soube do falecimento do amigo durante o cortejo fúnebre: não houve tempo hábil para avisá-lo que estaria prestes a habitar, como crê o povo vermelho americano, nas pradarias celestes junto ao Grande Espírito.                     

                            Corria o ano de 1990. A Associação dos Estudantes Universitários de Pombal (AEUP), entidade engajada nas lutas dos estudantes do ensino superior, com sede no centro da cidade, promovia mais uma semana universitária. Com uma programação bem diversificada — debates sobre vários campos do saber humano, com convidados ilustres do corpo docente universitário paraibano, e shows com bandas de outros estados, dentre outras atrações —, o evento estudantil mobilizava também outros setores da sociedade, como o poder público em suas várias instâncias.

                            Sob a égide da nova década, um jovem não universitário, idealista e cheio de vida, sonhava em ser agraciado com o título de sócio benemérito da referida entidade. De nome oficial pouco conhecido entre seus amigos, João Bosco (Teté) desempenhava a função de sonoplasta na boate da associação, habitualmente com esmero e maestria, nos fins de semana e dias de festa. Alegrava-nos com sua seleção de músicas feita com discos de vinil — numa época em que o CD ainda era novidade no mercado brasileiro de música — embalando os enamorados que ouviam e dançavam nas noites menos quentes, pois o vento que soprava do Aracati amenizava a temperatura escaldante do Sertão paraibano.

                            Sujeito de olhar terno, de estatura relevante, magricela e de bom caráter. Conheci-o no fim dos anos 1980. Mal fomos apresentados um ao outro, e já nossas conversas se desenvolveriam em torno das histórias em quadrinhos de Tex, gibi muito apreciado pelos jovens de todo o país. Ranger e chefe dos índios navajos, o herói do Velho Oeste era conhecido entre os indígenas por “Águia da Noite”. Teté,  quando a mim se dirigia, durante as minhas frequentes estadas em Pombal, passou a tratar-me carinhosamente por “Cabelos de Prata” — forma como a  nação navajo denominava o grande amigo de Tex, o também ranger Kit Carson.

                            Numa determinada noite, logo que cheguei à Praça do Centenário, o amigo observando-me de uma pequena distância encenou a emissão de sinais de fumaça, forma de comunicação entre os peles-vermelhas norte-americanos, provocando inúmeros risos entre os ali presentes. Repetiu tal encenação diversas vezes, sempre com graça e certa ingenuidade.

                            Outro sonho acalentado durante anos a fio era o de responder tudo sobre Tex no programa Sem Limites da  extinta TV Manchete. Esse programa teve convidados ilustres como o poeta e político campinense Ronaldo Cunha Lima — que respondeu com exatidão todas as perguntas formuladas sobre Augusto dos Anjos, grande bardo paraibano. Fazendo, assim, jus ao prêmio dado pela emissora carioca.

                            Dos poucos momentos de convivência desfrutados com Teté, não raras vezes tive a sensação dele “andar com os pés no chão e a cabeça nas nuvens”.     A abstração era um aspecto de sua alma que se alheava, com frequência, do mundo circunscrito a ação do tempo e do homem para, quem sabe, forjar novos objetivos de vida.

                            A Águia fez seu último voo, de duração efêmera, sobre a paisagem deslumbrante que tanto se acostumara a contemplar. Instantes depois de perscrutar  com olhar atento e constatar que não havia sinais de fumaça no ar: pousou no infinito. 

 
                                                                  Adauto Ferreira
                                                                   [João Pessoa (PB), 30/07/2012]

 

 

Frase

"Essa quebra encontraria justificativa apenas se fosse possível aceitar a existência de dois grupos de seres humanos: um digno de sofrer e passar por todas as agruras do cárcere e, outro, o qual deve ser preservado de tais efeitos negativos.
 
 
Trecho da decisão da Justiça do Distrito Federal, que determinou que os condenados do mensalão recebam o mesmo tratamento dos demais presos no presídio da Papupa

Curiosidade. Banheiro no topo de montanha na Rússia é o mais perigoso do mundo

Um banheiro de uma estação meteorológica remota nas Montanhas de Altai, na região russa da Sibéria, ganhou o "título" de o mais perigoso do mundo. O banheiro foi instalado ao lado de um precipício, segundo o jornal "Siberian Times".
 
A estação meteorológica de Kara-Tyurek fica no cume de uma montanha a 2.600 metros acima do nível do mar. Os funcionários utilizam o precário banheiro desde 1939.
Uma pesquisa recente elegeu o banheiro nas Montanhas de Altai como o localizado no local mais extremo.
 
O grupo que trabalha na estação é visitado uma vez por mês por um carteiro que recolhe os dados meteorológicos, além de um helicóptero que traz mantimentos, como comida, água e lenha.
 
 
Do G1

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Angola vira primeiro país do mundo a proibir o Islã

As autoridades de Angola proibiram a religião islâmica e começaram a fechar mesquitas, em um esforço para frear a propagação do "extremismo" muçulmano, segundo meios de comunicação africanos.


De acordo com a ministra angolana da Cultura, Rosa Cruz e Silva, "o processo de legalização do Islã não foi aprovado pelo Ministério da Justiça e Direitos Humanos de Angola, e portanto as mesquitas em todo o país serão fechadas e demolidas".


Além disso, os angolanos decidiram proibir dezenas de outras religiões e seitas que, segundo o governo, atentam contra a cultura da nação, cuja religião majoritária é o Cristianismo (praticado por 95% da população).

Por sua vez, o jornal angolano O País informa que cerca de 60 mesquitas já foram fechadas, enquanto os representantes da comunidade muçulmana denunciam que estas medidas foram tomadas sem consulta e que eles não constituem uma pequena seita.

Não obstante, as autoridades de Luanda entendem esumiram que "os muçulmanos radicais não são bem-vindos no país e que o governo angolano não está preparado para legalizar a presença de mesquitas em Angola", nação que se converteu na primeira do mundo a proibir o Islã.


Leia mais: http://portuguese.ruvr.ru/news/2013_11_26/Angola-vira-o-primeiro-pais-do-mundo-a-proibir-o-Isla-5003/

Charge

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Papa faz apelo pela renovação da Igreja

O Papa Francisco divulgou nesta terça-feira um documento no qual delineia a missão de seu Pontificado, detalhando como a Igreja Católica e o próprio Papado devem ser reformados para criar uma instituição mais missionária e misericordiosa, com atenção especial aos pobres. O texto - uma espécie de programa do Pontificado - é o primeiro exclusivamente publicado por Francisco e foi visto como uma proposta de grandes mudanças, fiel ao estilo do ocupante do Trono de Pedro.
 
“Eu prefiro uma Igreja que está machucada, ferida e suja porque foi para as ruas, em vez de uma Igreja que não é saudável por ser confinada e por se apegar à própria segurança”, afirma o Papa no documento. “Eu não quero uma Igreja preocupada em o ser o centro e, em seguida, acabar numa teia de obsessões e de processos”.
 
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O Globo
Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.
 
 

Interlúdio


terça-feira, 26 de novembro de 2013

Como é que se esquece alguém que se ama?

Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?


As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e ações de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar.
 
A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.

É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.

Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injeção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.

Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.

O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.

Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'

Nossas boas vindas ao Alemão, nosso mais novo seguidor.

Disco arranhado

Houve um tempo em que música vinha gravada em discos de vinil. Ou como preferem alguns, em LPs. A gravação era analógica. A música vinha impressa em um material plástico chamado vinil (normalmente feito de PVC), usualmente de cor preta, que registrava as informações de áudio, destinadas a serem reproduzidas através de um toca-discos.
 
O disco de vinil era caprichoso e delicado. Qualquer arranhão pode tornava-se uma falha, e comprometia a música. Precisavam ser constantemente limpos, estar sempre livres de poeira, e guardados sempre na posição vertical e dentro de sua capa e envelope de proteção, longe da poeira.
 
A falta de zelo um convite a que a qualidade da música gravada fosse comprometida por arranhões que, lamentavelmente, condenavam a repetir, eternamente, a mesma parte da música. Como espectadores do castigo de Sísifo, o ouvinte era condenado a ouvir a repetição infrutífera de tarefa inútil. Situação frequentemente resolvida com um golpe, na medida certa, no toca-discos.

Hoje em dia, na era digital, às vezes a gente se sente ouvindo disco arranhado. Parece que as notícias se repetem no sentido, forma e frequência. Como disco arranhado. Tudo parece ser notícia de ontem. Ou às vezes de anteontem.
 
Quando se acredita que o assunto acabou, lá vêm mais rios de tinta para dizer mais do mesmo. No mesmo tom. Com o mesmo ritmo. Com os mesmo interpretes. Com as mesmas ideias. E sem ao menos uma centelha de novidade que de para capturar a atenção, ou que sirva para dar sentido à repetição do assunto.
 
Já é tempo de dedicar estes rios de tinta a assuntos novos. De entregar a história os assuntos passados. A gente já entendeu que cumprir pena, por definição, não é agradável nem, do ponto de vista de quem a cumpre, desejável. Penas não foram feitas para deixar condenados felizes. A gente sabe. Mas não da para ouvir disco arranhado o tempo todo.
 
O toca-discos precisa de uma pancada, na dose certa, para que a música siga em frente. Quem sabe a música que vem em seguida agrade. E se não agradar, da sempre para trocar de disco.
É hora de virar a página.
 
 
Elton Simões mora no Canadá. Formado em Direito (PUC); Administração de Empresas (FGV); MBA (INSEAD), com Mestrado em Resolução de Conflitos (University of Victoria). E-mail: esimoes@uvic.ca

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Versiculos do dia

De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados. Lamentações 3:39
 
E por que atentas tu no argueiro que está no olho de teu irmão, e não reparas na trave que está no teu próprio olho? Lucas 6:41

Em um ano, Supremo condenou mais autoridades que desde 1985

O julgamento do mensalão foi “um ponto fora da curva”. A análise, feita pelo então candidato a ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, sobre a AP 470 quis mostrar que o STF foi mais rigoroso que o de costume em ações penais.

 
Com maior ou menor rigor, o fato é que o processo do mensalão chegou ao fim superando o total de políticos já condenados pelo Supremo desde a redemocratização. Dos 16 políticos que receberam penas em processos encerrados no tribunal após 1985, dez são mensaleiros.
 
A proporção também é maior entre os presos que já cumprem penas em prisões. Até a última sexta-feira, eram três políticos mensaleiros contra um parlamentar. O processo do mensalão ainda interrompeu outra tradição: foi concluído sem que os crimes prescrevessem.
 
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Marcelo Remigio, O Globo

domingo, 24 de novembro de 2013

"Há dois tipos de pessoas: as que fazem as coisas e as que ficam com os louros. Procure ficar no primeiro grupo: há menos competição lá.”

(Indira Gandhi)

Meus sapatos


“...só andando com os sapatos dos outros é que poderíamos saber como é a vida de alguém”
morre-se nada
quando chega a vez


é só um solavanco
na estrada por onde já não vamos


morre-se tudo
quando não é o justo momento


e não é nunca
esse momento



Mia Couto, in “Raiz de Orvalho e Outros Poemas”

O DNA dos mais de 80

Num país onde os velhos são considerados um estorvo, alguém está procurando mostrar que eles podem ser muito úteis, fornecendo seu DNA para um estudo que pretende ajudar as futuras gerações a viver mais e melhor.
 
Estou me referindo ao projeto chamado 80+, que a premiada geneticista e bióloga molecular Mayana Zatz, nascida em Israel e criada em SP, vem desenvolvendo com pessoas que estão envelhecendo de forma saudável, particularmente do ponto de vista cognitivo.
 
Especialista em doenças neuromusculares, sobre as quais tem trabalhos pioneiros, ela batalhou muito pela aprovação das pesquisas com células-tronco no Brasil. O estudo de agora, com apoio do CNPq, Fapesp e Hospital Albert Einstein, tem como objetivo formar um banco de dados e imagens funcionais do cérebro para fornecer à medicina elementos que possibilitem entender melhor distúrbios neurológicos como o Alzheimer e a esclerose que atingiu o físico britânico Stephen Hawking.
 
“O banco de dados dos 80+”, explica Mayana, “é formado por pessoas que têm chances mínimas de desenvolver essas doenças, pois gozam de boa saúde em idade já avançada. Se um jovem fizer o seqüenciamento do genoma, poderemos verificar se as mutações que ele tem são semelhantes às dos idosos saudáveis.”
 
Depois de catalogar o código genético de mais de 400 oitentões, o projeto vai ter agora um desdobramento: um livro com 20 desses personagens, escolhidos por continuarem trabalhando e produzindo ativamente, contará um pouco de suas histórias, filosofia de vida, ambiente de trabalho.
 
Já têm posição garantida nesse time Cleonice Berardinelli, Adib Jatene, Hélio Bicudo, Beatriz Segall, Boris Fausto, Delfim Netto. Já Fernando Henrique Cardoso não quis participar e Fernanda Montenegro precisa conciliar sua agenda.
 
Como também fui convidado, me vejo agora no Albert Einstein para os exames de admissão, que incluem ressonância magnética, teste de memória e coleta de sangue para a obtenção do DNA genômico, além de uma entrevista. Estou morrendo de medo de ser desconvocado por falta de requisitos.
 
Posto que cada vez mais me esqueço das coisas, temo repetir aqui a piada do idoso que se queixa ao médico: “Doutor, acho que estou perdendo a memória.” “Desde quando?” “Desde quando o quê?”
 
Felizmente não dei vexame. Passei na avaliação mnemômica com louvor. Entre outros itens, disse meu nome certo, o endereço, a cidade em que me encontrava e até o bairro em que moro. Brilhante! Um elefante não faria melhor. Só errei o dia do mês, fazendo confusão com a véspera.
 
Mas, em compensação, as três palavras que o dr. Michel pediu para eu memorizar — camisa, marrom e honestidade — pude repeti-las sem hesitação uns 40 minutos depois. Agora só falta o resultado da ressonância, que esquadrinhou minha cabeça.
 
A esperança é que, quando Alice e Eric tiverem a minha idade, quase no ano 3000, livres de alguns dos males que afetam a velhice hoje, eles saibam que o avô, de saudosa memória, teve alguma utilidade. Pelo menos como cobaia.
 
 
 
Zuenir Ventura é jornalista.
O Globo

Cientistas criam material 'mais à prova d'água já feito'

Inspirados em folhas de uma planta e asas de borboleta, engenheiros americanos desenvolveram tecnologia que pode ser usada em roupas e até turbinas de aviões
 
Engenheiros nos Estados Unidos criaram o que chamam de 'o material mais à prova d'água do mundo', inspirados em folhas e asas de borboleta. Assista ao vídeo (se necessário, desabilite o bloqueador de pop-ups).
 
A nova superfície - chamada de 'super-hidrofóbica' pelos cientistas, por repelir a água - pode ser usada para a criação de roupas ultraimpermeáveis e turbinas de aviões que não congelem em baixas temperaturas.
 
Até recentemente, a folha de lótus era tida como a melhor superfície à prova d'água encontrada na natureza, mas os cientistas que trabalham no instituto americano Massachusetts Institue for Technology (MIT), em Boston, dizem ter conseguido resultados ainda melhores com sua invenção.
 
Ao acrescentar pequenas linhas à superfície feita de silicone, eles conseguiram fazer a água rebater nela em um ritmo 40% superior ao registrado na folha de lótus. A estrutura artificial é inspirada em dois exemplos encontrados na natureza: as borboletas do gênero Morpho e as folhas do gênero Tropaeolum (como as plantas cinco-chagas).
 
Efeito 'lótus'

 
'Nós acreditamos que essas são as superfícies mais super-hidrofóbicas já criadas', escreve o professor Kripa Varanasi, na revista científica 'Nature'.
 
'Por anos a indústria vem imitando a folha de lótus. Eles deveriam ter tentado imitar as borboletas ou as cinco-chagas.'
 
Quanto mais rápido a água rebate em um material, como roupa, mais seca a roupa fica. Com isso, o tecido fica menos exposto à corrosão ou congelamento.
 
Os cientistas filmaram gotas batendo em superfícies e mediram o tempo que demora para a água 'se grudar'.

Nas folhas de lótus, a água cai como 'uma panqueca', segundo os cientistas, primeiro se fragmentando em diversas partes e depois se reagrupando novamente em uma grande gota simétrica.
O 'efeito Lótus' inspirou a indústria na criação de tecidos, tintas e telhados - todos seguindo os princípios observados nas nanoestruturas da folha da planta.
 
O segredo do 'efeito Lótus' está no ângulo de contato da água. Apenas uma parte minúscula da água entra em contato com a superfície do material.
 
Para superar isso, os cientistas se guiaram por outro princípio: o tempo de contato.

Eles aumentaram a superfície de contato da água com o líquido, fazendo com que as gotas se fragmentassem mais rapidamente e em partes assimétricas.

 
Os testes foram feitos em superfícies de óxidos de alumínio e de cobre, com bons resultados. Em temperaturas muito baixas, a água é repelida antes de ter tempo de congelar - uma descoberta que os cientistas acreditam poder ser útil no revestimento de turbinas de aviões.
 
'O desafio agora é durabilidade', disse Varanasi à BBC. 'A maioria dos materiais super-hidrofóbicos são polímeros frágeis - eles não resistem ao atrito ou altas temperaturas. Mas combinações destas texturas com materiais mais fortes, como metais e cerâmicas, podem nos levar a superar esses defeitos.'
 
Ele acredita que é possível aperfeiçoar ainda mais a criação, reduzindo em 70% a 80% o tempo de contato da água com as superfícies.
 
'Nos nossos estudos, nós usamos linhas simples, mas nas asas das borboletas há linhas que se cruzam, quebrando a gota d'água em quatro partes. Quanto mais vezes você quebrar a gota d'água, mais rápido ela desliza.'
 
O laboratório do MIT recentemente foi premiado por inventar outra tecnologia, a LiquiGlide, um revestimento que faz com que seja possível retirar todo o conteúdo de uma garrafa de ketchup, até a última gota.


 
Fonte: G1

sábado, 23 de novembro de 2013

Hora do recreio

Irritado com seus alunos, o professor lança um desafio.
— Aquele que se julgar burro, faça o favor de ficar em pé.
Todo mundo continua sentado, no mais completo silêncio. Alguns minutos depois, Joãozinho levanta-se.
— Quer dizer que você se acha burro? — pergunta o professor, indignado.
— Bem, pra dizer a verdade, não! Mas fiquei com pena de ver o senhor aí, em pé, sozinho!
Quem cometer injustiça receberá de volta injustiça, e não haverá exceção para ninguém.

 Colossenses 3:25


O batmóvel e a democracia

Infeliz do povo que precisa de heróis.
 
A frase foi colocada pelo teatrólogo alemão Bertolt Brecht na boca de seu personagem Galileu na peça “Vida de Galileu”. Brecht era marxista militante e provavelmente não imaginava a riqueza de significados que a sua frase ganharia na história da semântica ideológica de metade do século passado e no começo deste.
 
A determinação do presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa para que se executassem as penas a que foram condenados os denunciados na Ação Penal 457 -- o mensalão -- mostrou como era sábia a frase de Brecht.
 
O gesto de braços erguidos e de punhos cerrados que dois dois principais condenados encenaram ao chegar às sedes da polícia federal onde resolveram se apresentar para obedecer à ordem de prisão teve um suave toque de patética melancolia.
 
É um pouco grotesco pintar com tintas de heroísmo um gesto tão banal quanto o de apresentar-se aos carcereiros para cumprir uma pena por corrupção decretada por maioria insofismável dos juízes da Suprema Corte de um país que vive há pelos menos um quarto de século em pleno processo democrático.
 
Apresentar-se como “presos políticos” foi uma opção teatral encampada pelos condenados e, pior ainda, endossada pelo partido a que pertencem, que há mais de dez anos comanda a maioria parlamentar de uma coalizão de governo e que está muito perto de conquistar o terceiro mandato consecutivo.
 
O paradoxo de ser preso político de um governo do qual eles mesmo fazem parte e do qual são -- ou foram -- líderes ou expoentes talvez seja um caso sem precedentes na história política moderna e nenhum deles demonstrou o menor constrangimento em participar dessa pantomima, sem dar-se conta do grotesco da situação.
 
Pois se é, relembrando o Galileu de Brecht, infeliz do povo que precisa de heróis, principalmente quando construídos sob premissas tão esfarrapadas e contraditórias, não é menos verdade que tão infeliz quanto precisar desse tipo de heróis, é a face oposta da mesma moeda.
 
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, nomeado para uma vaga de juiz pelo ex-presidente Lula quando estava à procura de um negro para preencher simbolicamente uma vaga na Suprema Corte oscilou, como os mensaleiros condenados, entre os extremos de herói e vilão da Pátria. Foi chamado por alguns de capitão do mato e outros entregariam de bom grado a ele a espada do justiceiro.
 
Uma prova de que a democracia brasileira ainda é jovem e imberbe e que o país precisa tanto de heróis quanto de vilões porque ainda não aprendeu que não é com picos de adrenalina que se constrói um País mais justo, mais equânime e mais democrático.
 
A Nação só poderá orgulhar-se de estar madura para a democracia quando não precisar mais da sirene do batmóvel para anunciar que alguém está correndo atrás do Coringa.


 
 
Sandro Vaia é jornalista

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Mistérios do facebook

Uma das coisas mais fascinantes das redes sociais é o fato de que, quando temos um número grande de seguidores ou amigos, temos direito a vislumbres rapidíssimos e enigmáticos da vida de pessoas que conhecemos só superficialmente, ou que nem fazemos idéia de quem são. Parece uma lei-não-escrita dessas redes que cada um de nós é livre para postar o que bem entender; mas, devido ao excesso de exposição pública, é melhor não ser demasiado explícito. Vai daí que as redes sociais são um terreno fértil para a Insinuação, a Indireta, a Vagueza Proposital, a Alfinetada Sutil, a Cotovelada de Quem Não Está Mais Aqui, a Ameaça Pública Velada, o Queixume Com Destino Certo...
 
Você vai correndo a tela, olha aqui, olha acolá, e de repente se depara com alguém que posta: “Muita gente pensa que só quem cai pra baixo é a chuva, mas não perde por esperar!”. Como sou um cara meio paranóico, tudo que leio penso que é comigo, até as quadras de Nostradamus. Aí, verifico direitinho quem é a pessoa, peço ao Facebook para exibir nossa amizade, acabo me tranquilizando. Não é comigo. Mas quando retorno à página, um sujeito de má catadura acabou de postar: “De falsos intelectuais este Facebook está cheio, mas tudo bem, isso me dá motivos para gargalhadas, e faz bem à saúde!”. Recuo, desconcertado. Que mal fiz eu ao barbudo para ele me chamar de pseudo-intelectual? Meia hora para me auto-dissuadir, para me refazer.
 
Você se distrai com as postagens de uns e de outros, este aqui indicando um clip de erros de continuidade no cinemão blockbuster, outro mostrando um número ao vivo de Django Reinhardt, outro com a lista dos dez gols mais bonitos na votação da Fifa... O mundo vira um parque de diversões inofensivo, ou uma confeitaria onde as guloseimas são de graça e não empanturram. Mas de repente, surge aquela postagem lacônica de alguma senhora: “Uma certa pessoa deveria tirar o cavalinho da chuva pensando que está com a bola toda. Não está não, mas vai descobrir da pior maneira possível”. Meu dia desmorona. O que foi que eu fiz a essa postante? Nem reconheço o nome! Clico, verifico a foto, a verdade é que nunca a vi mais gorda, tenho até vontade de comentar seu post dizendo isso, mas se ela já está belicosa é capaz até de levar a mal.

O que me salva são os mistérios positivos. Uma moça posta: “Tiiinnn-tiiinnn... Gente, não caibo em mim (é caibo que se diz? Xapralá!), estou com uma novidade ma-ra-vi-lho-sa mas por motivos óbvios não posso tornar público ainda. # felizdavida”. Continuo sem saber quem é, o que será que lhe aconteceu; mas a luz alheia também nos ilumina, e por essa noite vou dormir feliz.
 
 
Eduardo Salles

A mulher do vizinho

Contaram-me que na rua onde mora (ou morava) um conhecido e antipático general de nosso Exército morava (ou mora) também um sueco cujos filhos passavam o dia jogando futebol com bola de meia. Ora, às vezes acontecia cair a bola no carro do general e um dia o general acabou perdendo a paciência, pediu ao delegado do bairro para dar um jeito nos filhos do sueco.

O delegado resolveu passar uma chamada no homem, e intimou-o a comparecer à delegacia.

O sueco era tímido, meio descuidado no vestir e pelo aspecto não parecia ser um importante industrial, dono de grande fabrica de papel (ou coisa parecida), que realmente ele era. Obedecendo a ordem recebida, compareceu em companhia da mulher à delegacia e ouviu calado tudo o que o delegado tinha a dizer-lhe. O delegado tinha a dizer-lhe o seguinte:

— O senhor pensa que só porque o deixaram morar neste país pode logo ir fazendo o que quer? Nunca ouviu falar numa coisa chamada AUTORIDADES CONSTITUÍDAS? Não sabe que tem de conhecer as leis do país? Não sabe que existe uma coisa chamada EXÉRCITO BRASILEIRO que o senhor tem de respeitar? Que negócio é este? Então é ir chegando assim sem mais nem menos e fazendo o que bem entende, como se isso aqui fosse casa da sogra? Eu ensino o senhor a cumprir a lei, ali no duro: dura lex! Seus filhos são uns moleques e outra vez que eu souber que andaram incomodando o general, vai tudo em cana. Morou? Sei como tratar gringos feito o senhor.

Tudo isso com voz pausada, reclinado para trás, sob o olhar de aprovação do escrivão a um canto. O sueco pediu (com delicadeza) licença para se retirar. Foi então que a mulher do sueco interveio:

— Era tudo que o senhor tinha a dizer a meu marido?

O delegado apenas olhou-a espantado com o atrevimento.

— Pois então fique sabendo que eu também sei tratar tipos como o senhor. Meu marido não e gringo nem meus filhos são moleques. Se por acaso incomodaram o general ele que viesse falar comigo, pois o senhor também está nos incomodando. E fique sabendo que sou brasileira, sou prima de um major do Exército, sobrinha de um coronel, E FILHA DE UM GENERAL! Morou?

Estarrecido, o delegado só teve forças para engolir em seco e balbuciar humildemente:

— Da ativa, minha senhora?

E ante a confirmação, voltou-se para o escrivão, erguendo os braços desalentado:

— Da ativa, Motinha! Sai dessa...
 
 
Fernando Sabino

Texto extraído do livro "Fernando Sabino - Obra Reunida - Vol.01", Editora Nova Aguiar - Rio de Janeiro, 1996, pág. 872
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Charge

Frase

"Em alguns dias, a bancada de deputados presidiários na Câmara será maior do que a do PSOL, com três parlamentares.
 
 
Vanderlei Macris, Deputado federal, PSDB-SP

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

No dia mundial da criança, 'lei da palmada' enfrenta impasse

No dia em que se celebra do Dia Mundial dos Direitos da Criança, o projeto de lei 7.672, mais conhecido como a "lei da palmada", que proíbe pais de aplicar castigos físicos nos filhos, enfrenta falta de interesse dos legisladores e segue à espera de aprovação no Congresso.
 
De autoria do Poder Executivo, o texto, que já gerou acaloradas discussões no plenário da Câmara, está há quase seis meses parado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde, por falta de quórum e oposição de parte dos deputados, permanece fora da pauta de votação e sem perspectivas de retorno ao debate parlamentar.
 
Considerada por especialistas um avanço na legislação que protege as crianças e os adolescentes, a "lei da palmada" prevê a mudança da lei 8.069, de 1990, ao estabelecer "o direito da criança e do adolescente de serem educados e cuidados sem o uso de castigos corporais ou de tratamento cruel ou degradante".

 
Leia mais clicando aqui


BBC Brasil

Luminária


A vida de uma luminária e seus amigos...


Tao Hu
China, 2013

A Regra Fundamental de Vida

Quando nós dizemos o bem, ou o mal... há uma série de pequenos satélites desses grandes planetas, e que são a pequena bondade, a pequena maldade, a pequena inveja, a pequena dedicação... No fundo é disso que se faz a vida das pessoas, ou seja, de fraquezas, de debilidades... Por outro lado, para as pessoas para quem isto tem alguma importância, é importante ter como regra fundamental de vida não fazer mal a outrem. A partir do momento em que tenhamos a preocupação de respeitar esta simples regra de convivência humana, não vale a pena perdermo-nos em grandes filosofias sobre o bem e sobre o mal. «Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti» parece um ponto de vista egoísta, mas é o único do género por onde se chega não ao egoísmo mas à relação humana.

José Saramago, in "Revista Diário da Madeira, Junho 1994"


Surpresa


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

UFCG de Pombal-PB ganha Curso de Engenharia Civil

Serão oferecidas anualmente 90 vagas, 45 por período letivo, através do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) ao qual a instituição disponibilizará todas as vagas de acesso à graduação a partir do Período 2014.2
No tempo de meu Pai, sob estes galhos,
Como uma vela fúnebre de cera,
Chorei bilhões de vezes com a canseira
De inexorabilissimos trabalhos!

Hoje, esta árvore, de amplos agasalhos,
Guarda, como uma caixa derradeira,
O passado da Flora Brasileira
E a paleontologia dos Carvalhos!

Quando pararem todos os relógios
De minha vida e a voz dos necrológios
Gritar nos noticiários que eu morri,

Voltando à pátria da homogeneidade,
Abraçada com a própria Eternidade
A minha sombra há de ficar aqui!
 
Augusto dos Anjos
A Fundação Edge, nos EUA, perguntou aos 151 maiores cientistas e experts do mundo: Qual é a descoberta, ou invenção, que vai transformar a humanidade? Nós selecionamos as 10 melhores respostas. Depois de lê-las, sua cabeça jamais será a mesma.

O cruzamento entre homem e animal
Richard Dawkins, biólogo - Universidade de Oxford

Um cruzamento bem-sucedido entre homem e chimpanzé. Isso é um enorme tabu, mas não é impossível. Poderíamos criar um embrião experimental. Mesmo que gerasse uma criatura estéril, como o jumento, isso teria um impacto salutar sobre a sociedade, pois nos faria redefinir o que vem a ser humano. Hoje, nós encaramos as células humanas como se elas tivessem algo de especial ou sagrado, e fossem eticamente diferentes das células animais (mesmo quem é contra a eutanásia em humanos, por exemplo, não se oporia a colocar para dormir um bichinho de estimação que estivesse sofrendo). E isso vai contra a Teoria da Evolução. Mas uma demonstração prática da evolução, com o cruzamento entre homem e chimpanzé, mudaria tudo. Como já conhecemos inteiramente o DNA do homem e do chimpanzé, outra possibilidade é usar a engenharia genética para reconstruir nosso ancestral comum. Traríamos o australopiteco de volta à vida. E isso poderia (posso dizer que vai?) mudar tudo.


Aliens vivendo na Terra
Paul Davies, físico - Universidade do Arizona

Charles Darwin, 150 anos atrás, nos deu uma teoria convincente sobre a evolução. Mas a origem da vida continua sendo um dos maiores mistérios de todos os tempos. Os cientistas estão convencidos de que todas as espécies têm a mesma origem e fazem parte de uma só linha evolutiva. Mas e se não tiver sido assim? E se a vida na Terra tiver começado não uma, mas duas (ou várias) vezes? Eu acho bastante provável que o nosso planeta possua uma segunda biosfera, com criaturas que surgiram e evoluíram à parte das espécies que conhecemos; o produto de uma segunda gênese. Esses organismos aliens podem estar em nichos onde a vida como a conhecemos não poderia existir, devido ao excesso de calor, frio, acidez ou outras variáveis. Também podem estar bem debaixo do nosso nariz - ou até dentro dele. E, se a vida pôde começar duas vezes na Terra, isso torna bem mais provável que exista também em outros lugares. Descobrir a segunda biosfera nos daria propriedade para afirmar: não estamos sozinhos no Universo.


Vida Artificial

Craig Venter, geneticista - Mapeou o DNA humano


Nós seremos capazes de criar DNA. Na verdade, eu e meus colegas já fizemos isso - nós fabricamos um cromossomo de bactéria em laboratório. No futuro, a humanidade vai projetar seres vivos para realizar tarefas específicas: microorganismos cujo único propósito seja fabricar combustível ou eliminar a poluição ambiental, por exemplo. O DNA é o resultado de 3,5 bilhões de anos de evolução da vida na Terra. O domínio sobre ele vai mudar nossa maneira de ver a vida. E a própria definição de vida.

"A ciência vai prolongar a juventude do cérebro - e os adultos serão capazes de aprender com a mesma facilidade das crianças."
Alison Gopnik, psicóloga - Universidade de Berkeley


A destruição de todos os computadoresAnton Zelinger, físico - Universidade de Viena

Um dia, todos os circuitos eletrônicos do mundo serão destruídos. Não haverá eletricidade nem água. Os carros e celulares vão deixar de funcionar. E ninguém poderá acessar a internet para saber o que aconteceu. A causa dessa catástrofe será um gigantesco pulso eletromagnético, gerado pela explosão de uma bomba atômica no espaço. A menos que nos livremos de todas as armas nucleares, o que é extremamente improvável, isso vai acontecer.


O fim do trabalho
Ed Regis, escritor - Autor de 8 livros sobre ciência

E se fosse possível criar máquinas microscópicas, capazes de produzir objetos de qualquer tamanho, e de qualquer tipo, a partir do zero? Elas seriam programadas para fazer um carro, um barco ou uma nave espacial sozinhas, sem precisar de ajuda - só um fluxo constante de alguns elementos muito simples, como luz, oxigênio e carbono. A ideia soa absurda, mas só até você perceber que objetos tão grandes e tão complexos quanto as baleias, os dinossauros e os humanos se formaram assim - começaram como estruturas muito simples, que foram se duplicando e modificando sozinhas. As fábricas do futuro funcionarão sozinhas, e vão deixar tudo tão barato que a pobreza vai acabar. Isso só levanta um problema. O que as pessoas, libertas de seus trabalhos, vão fazer com todo o seu tempo livre?


5ª dimensãoGino Segrè, físico - Universidade da Pensilvânia

A Teoria da Relatividade revolucionou a ciência, mas mudou muito pouco no dia-a-dia das pessoas. Se no futuro descobrirmos que existem outras dimensões [além das 3 que constituem o espaço e uma que representa o tempo], isso terá um efeito profundo na psique humana - nos dará a confiança de que fenômenos inimagináveis estão por ser descobertos. Hoje, as teses mais em moda entre os físicos, como a Teoria das Supercordas, presumem a existência de outras dimensões. A busca já começou, e estão surgindo estudos interessantes a respeito, que também podem encontrar a chamada matéria escura [um componente misterioso do Universo]. Os desafios serão enormes, mas as recompensas também.


A genética das raçasJonathan Haidt, psicólogo - Universidade da Virgínia

Hoje, a ideia de que as diferenças comportamentais entre grupos étnicos possam ter alguma base genética é considerada ofensiva. Mas, conforme o genoma das pessoas for sendo decodificado, nós vamos encontrar dezenas ou centenas de diferenças entre as etnias. A constatação de que grupos diferentes adquirem determinadas virtudes de maneira diferente, e que isso tem fundamentos genéticos, é o que vai mudar tudo. E deverá detonar uma guerra entre os cientistas na próxima década - que fará as discussões dos anos 1990, com o debate sobre a “curva do sino” [tese que defendia uma explicação genética para a diferença de QI entre povos], parecer pequenas. Mas espero que cheguemos a um consenso: a ciência não é racista. E que as (muitas) qualidades e (poucas) fraquezas das etnias, como as dos indivíduos, sejam reconhecidas como dependentes do contexto em que vivem.


TelepatiaFreeman Dyson, físico - Universidade de Cambridge

No final do século 21 será inventado um microimplante neurológico, com 100 mil circuitos, que permitirá transmitir pensamentos, sentimentos e ordens de um cérebro para outro. Isso será um grande instrumento de mudança social - para o bem e para o mal. A telepatia poderá ser a base do entendimento entre as pessoas e da paz mundial, ou um forte instrumento de opressão. Para evitar abusos, teremos leis defendendo um novo direito humano: o de desligar o chip telepático a qualquer momento.


A química das emoçõesHelen Fisher, bióloga - Universidade Rutgers

Segurar a mão de alguém gera uma sensação de confiança - porque estimula a produção do hormônio ocitocina. Quando você vê uma pessoa rindo e tem vontade de sorrir também, é por causa de um tipo de circuito cerebral: os neurônios-espelho. Num beijo de língua, a saliva fica carregada de testosterona (que estimula o desejo sexual). Nós já começamos a descobrir o que move as emoções humanas. No futuro, vamos entender os mecanismos que regem todos os nossos desejos e sentimentos. Isso levará à criação de um novo arsenal de substâncias químicas, que cada vez mais as pessoas usarão para manipular sua própria mente. E, ao mudar as mentes, uma de cada vez, vamos mudar tudo o que existe.
 
 
Revista Superinteressante

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Versículos do dia

"Agora, que o temor do Senhor esteja sobre vocês. Julguem com cuidado, pois o ­Senhor, o nosso Deus, não tolera nem injustiça nem parcialidade nem suborno".

 2 Crônicas 19:7

O estímulo à leitura

Uma biblioteca móvel passava todo mês perto de casa quando eu era criança. De início, eu ia para acompanhar minha mãe, mas com o tempo encontrei no ônibus verde e branco um novo mundo quando subia seus degraus. E, ao descê-los, estava sempre abraçada, satisfeita e orgulhosa, a um livro.
 
Lembrei disso ao ler sobre uma pesquisa recente feita no Reino Unido que descobriu que uma em cada cinco crianças tem vergonha de ser vista com um livro.
 
O estudo da National Literacy Trust, instituição de caridade que estimula a alfabetização, revelou que não se trata dos jovens mudando seus padrões de leitura do papel para o meio digital pois nos últimos anos a leitura em praticamente todos os formatos caiu.
 
Apenas 25% das crianças disse ler no seu tempo livre e uma em três disse ler só quando precisa. A pesquisa mostrou também que muitas crianças acreditam que seus pais não se importam se elas leem ou não.
 
Uma das principais conclusões do estudo, feito com crianças com idades entre oito e dezesseis anos é que os jovens tendem a ler menos quanto mais suas vidas ficam ocupadas. Ou seja, a garotada desiste de ler para dar preferência a outras atividades.
 
O que leva à crença de que são necessários maiores incentivos que mostrem que a leitura é uma coisa boa.
 
A Inglaterra estimula a leitura de um modo muito bacana. Todo bebê nascido no país recebe, na primeira semana de vida, uma sacola com cinco livros infantis. A iniciativa é parte do projeto Bookstart, que procura “inspirar o amor pela leitura”.
 
Depois, aos três anos, a criança recebe outra sacola. Existem versões para crianças cegas e em 29 línguas para quem não tem o inglês como língua materna.
 
O incentivo à leitura continua com as crianças mais velhas. Escolas públicas organizam eventos em que autores infantis visitam a escola para falar dos seus livros.
 
Mesmo com incentivos como esses do governo, crianças e jovens estão lendo menos e desenvolvendo atitudes mais negativas em relação à leitura. Se essa é a tendência na Inglaterra, um país que estimula a leitura, me deprime imaginar a relação das crianças com livros em países como o Brasil.
 
O que me dá esperança são episódios como um que aconteceu com minha mãe em Brasília. Ao se dirigir a uma livraria, um menino de rua falou: “tia, me dá um livro?”. E recebendo um “claro” como resposta, ele acompanhou minha mãe para dentro da livraria.
 
Na sessão infanto-juvenil, ele ficou acanhado e pediu para minha mãe escolher algo. Naquele dia, o menino ganhou “O Último dos Moicanos” de James Fenimore Cooper e mais um livro que um senhor, ao ver a cena, também comprou para ele.
 
Ainda bem que ainda existem crianças que, satisfeitas e orgulhosas, saem abraçadas aos seus livros.


 
Beatriz Portugal é jornalista. Depois de viver em Brasília, São Paulo e Washington, fez um mestrado em literatura na Universidade de Londres e resolveu ficar.

Conversa para boi dormir

A expressão "conversa para boi dormir" surgiu numa altura em que a pecuária era de suprema importância para a população local. O boi era dos animais mais importantes, tendo em conta que dele era possível se aproveitar quase tudo, com a excepção do berro. Por este motivo, o boi tinha uma grande importância para os pecuaristas, que tratavam o animal quase como uma pessoa, e muitas vezes até conversavam com ele. Porém, não conversavam para o fazer dormir.

Em 1950, na copa do mundo, o Brasil venceu Espanha por 6 a 1 e quase 200 mil pessoas cantaram "Touradas em Madrid", música composta por Carlos Alberto Ferreira Braga, também conhecido como Braguinha, que termina com este verso: “Queria que eu tocasse castanholas e pegasse um touro a unha/caramba, caracoles/não me amoles/pro Brasil eu vou fugir/ isso é conversa mole/ para boi dormir”.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Reflexão

Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente?
- perguntou o Samurai.
"A quem tentou entregá-lo" - respondeu um dos discípulos.
"O mesmo vale para a inveja, a raiva, e os insultos" - disse o mestre.
"Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo.
A sua paz interior depende exclusivamente de você.
As pessoas não podem lhe tirar a calma, só se você permitir..."

Poema (1)

Meus mortos não estão encarapitados
no alto das árvores
não são eles que balançam
os galhos quando eu passo nos dias de calmaria
não estão debaixo da terra nem voam pálidos
sobre minha cabeça debaixo do céu azul
Aparecem nos sonhos e desaparecem
quando são cinco ou seis da manhã
meus mortos são covardes
não têm coragem
de viver.

5 Poemas de Simone Brantes in Inimigo Rumor Revista de Poesia

O pesadelo

Mesmo que nossa opinião venha a mudar, podemos tirar duas conclusões, pelo menos por esta noite. A primeira é que os sonhos são uma obra estética, talvez a expressão estética mais antiga; e podem adquirir formas estranhamente dramáticas, já que somos (no dizer de Addison) o teatro, o espectador, os atores, e o enredo.

A segunda conclusão se refere ao horror que o pesadelo nos provoca. Em nossa vigília, existem momentos terríveis em que a realidade nos massacra – quando morre um ente querido ou uma pessoa amada nos abandona; são tantos os motivos de tristeza, de desespero... E, no entanto, nada disso se parece com o pesadelo, que tem um horror peculiar, possível de se expressar mediante qualquer enredo.

Pode se manifestar pelo beduíno que também é Dom Quixote, como em Wordsworth; ou por tesouras e fios soltos; ou pelos famosos pesadelos de Poe. Entre eles todos existe algo comum, aquilo que constitui o sabor do pesadelo. Nunca se menciona esse horror nos tratados que consultei.

Aqui poderíamos propor uma interpretação teológica, bem de acordo com a etimologia. Tomo qualquer uma das palavras mencionadas: a latina incubus, a saxônica nightmare, ou a alemã Alp.

Todas sugerem a presença de um elemento sobrenatural. Pois bem: e se os pesadelos forem estritamente sobrenaturais? Digamos que fossem fendas do inferno. Dentro dos pesadelos, não estaríamos literalmente no coração do inferno? Por que não?

Tudo me parece tão estranho que até isso seria possível.

Jorge Luis Borges in Sete Noites. São Paulo

domingo, 17 de novembro de 2013

Elvis Presley - My Way


Prisão de Genoíno e Dirceu vira meme na internet

O grande assunto do Brasil neste feriado de 15 de novembro foi, sem dúvida, a prisão dos mensaleiros condenados pelo STF.

Imediatamente, como costuma acontecer, as imagens das prisões foram apropriadas pelos humoristas de plantão e compartilhadas pelas redes sociais.

Os alvos preferidos são Genoino e José Dirceu, que fizeram gestos simbólicos nos momentos que antecederam a prisão.

Veja algumas das criações que agora circulam pela internet:







Da folha política
O velho Leon Tolstoi fugiu de casa aos oitenta anos
E foi morrer na gare de Astapovo!
Com certeza sentou-se a um velho banco,
Um desses velhos bancos lustrosos pelo uso
Que existem em todas as estaçõezinhas pobres do mundo
Contra uma parede nua...
Sentou-se ...e sorriu amargamente
Pensando que
Em toda a sua vida
Apenas restava de seu a Gloria,
Esse irrisório chocalho cheio de guizos e fitinhas
Coloridas
Nas mãos esclerosadas de um caduco!
E entao a Morte,
Ao vê-lo tao sozinho aquela hora
Na estação deserta,
Julgou que ele estivesse ali a sua espera,
Quando apenas sentara para descansar um pouco!
A morte chegou na sua antiga locomotiva
(Ela sempre chega pontualmente na hora incerta...)
Mas talvez não pensou em nada disso, o grande Velho,
E quem sabe se ate não morreu feliz: ele fugiu...
Ele fugiu de casa...
Ele fugiu de casa aos oitenta anos de idade...
Não são todos que realizam os velhos sonhos da infância!



Mario Quintana

Prisões

Quando os figurões do governo Nixon envolvidos no escândalo de Watergate começaram a ir para a cadeia, um cômico americano imaginou-os liderando um motim entre os presos, batendo nas mesas do refeitório com seus talheres e pedindo “Montrachet! Montrachet!” ou outro vinho da mesma estirpe para acompanhar a comida.
 
Se a prisão dos acusados do mensalão estiver mesmo inaugurando uma nova prática jurídica no país, o encarceramento de condenados sem distinção de nível social ou importância política, uma das consequências disso pode ser uma melhora dos serviços penitenciários para receber a nova clientela.
 
Prevejo duas coisas: uma que quando exumarem esse processo do mensalão daqui a alguns anos, como agora fazem com os restos mortais do Jango Goulart, descobrirão traços de veneno, injustiças e descalabros que hoje não dão na vista ou são ignorados. O que só desgravará alguns dos condenados quando não adiantar mais nada. Outra profecia é que, mesmo sem “Montrachet”, a comida das penitenciárias certamente melhorará.
 
Prisões mais humanas e democráticas serão um avanço, mas nossa meta deve ser o que acontece na Suécia, como li há dias. Lá vão fechar algumas penitenciárias por falta de detentos. Diminuiu a população carcerária na Suécia, abrindo imensos espaços ociosos até para — por que não? — importarem presos de países onde há superpopulação carcerária.
 
Não se imagina uma campanha de incentivo à criminalidade na Suécia para reabastecer suas penitenciárias igual a campanhas de incentivo à fertilidade que havia na França, onde as pessoas eram premiadas por ter filhos.
 
Na Itália havia, e acho que ainda há, uma crise educacional grave, não por falta de lugar nas escolas, mas por excesso de lugar: simplesmente não existiam crianças suficientes para encher as salas de aula e fazer o sistema funcionar normalmente.
 
A solução era animar a população: façam filhos, façam filhos! Ou, no caso da Suécia: roubem! Matem! Enganem o fisco! Temos uma cela quentinha para você!
 
Especula-se que os programas de reabilitação de presos nas cadeias sejam responsáveis pela diminuição da criminalidade na Suécia e que... Mas do que adianta sonhar com outra realidade quando a nossa, nesse assunto, ainda é medieval?
 
Mesmo que melhore a frequência nas nossas cadeias ainda estaremos longe do ideal. Ou, no mínimo, do escandinavo.


 
Luís Fernando Veríssimo é jornalista.