quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Nossa canção - Rosemary


Justiça de Pombal promove audiências públicas na Execução Penal


Indiscutivelmente um dos grandes problemas enfrentados pelo Poder Judiciário brasileiro diz respeito ao acompanhamento e fiscalização das questões que circundam a execução penal.
Nesse particular, de forma pioneira na Comarca de Pombal-PB, a Dra. Elza Bezerra da Silva Pedrosa, Juíza das Execuções Penais, juntamente com o Dr. Leonardo Fernandes Furtado, Promotor de Justiça da 1ª Vara e o Dr. Antônio Alves de Sousa, auxiliar da defensoria pública , realizaram nos dias 27 e 28 de novembro audiências públicas nas dependências da cadeia pública local a fim de proceder com a análise individual de todas as guias de recolhimento dos apenados que encontram-se cumprindo pena naquele ergástulo.
A medida proficiente e inovadora na Comarca não só aproxima o Estado do preso, mas se debruça sobre questões humanitárias e de direitos e garantias inerentes aos apenados e egressos, sobretudo como resposta célere àqueles que por ventura façam “jus” à progressão de regime ou até mesmo que já tenham cumprido sua pena e com direito a liberdade.

De igual modo, a efetividade da prestação jurisdicional  diretamente na cadeia pública, resulta não apenas agilidade no andamento dos feitos da execução penal, mas representa significante redução de custos e de logística, evitando-se o grande aparato necessário ao deslocamento de presos até o fórum de Pombal.
Indubitavelmente, a medida é merecedora de aplausos, representa avanço no tratamento da execução penal nesta Comarca de Pombal e deve ser imitada.
A equipe também se fez acompanhar do Dr. Altair Queiroga de Melo, técnico judiciário da 1ª Vara da Comarca de Pombal-PB.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

"As vezes construímos sonhos em cima de grandes pessoas... O tempo passa... e descobrimos que grandes mesmo eram os sonhos e as pessoas pequenas demais para torná-los reais!"
 
 
 Bob Marley

terça-feira, 27 de novembro de 2012

"P.S. Eu te amo"

Dedicatórias e cartas encontradas em livros revelam histórias emocionantes que mexem com corações e mentes de donos de sebos do Rio.
 
 
Sylvio Massa e a foto da mulher. No sebo Baratos da Ribeiro, ele reencontrou a dedicatória que escreveu para a falecida esposa em um livro de J.D. Salinger, em 1966 - Foto Leonardo Aversa/ Agência o Globo
 
RIO - Era uma noite de terça-feira insuspeita em Copacabana. No fim daquele dia, 23 de outubro, um grupo de frequentadores do sebo Baratos da Ribeiro faria exatamente o que faz há cinco anos: se espremeria entre as prateleiras abarrotadas da livraria para mais um encontro do Clube da Leitura, evento quinzenal em que leem trechos de livros e trocam impressões sobre contos próprios. Quando chegou a sua vez na roda, o dono do sebo e fundador do clube, Maurício Gouveia, tirou da gaveta um livro que guardava há dez anos escondido no acervo: um exemplar em italiano de “Nove contos”, do escritor americano J.D. Salinger.


Não tinha coragem de vendê-lo. Com as bordas amareladas e as páginas carcomidas, aquele “Nove racconti” guardava uma dedicatória em português na página de rosto que Maurício considerava mais bonita do que todo o livro do autor do clássico “O apanhador no campo de centeio”. Um homem comum — que poderia ser um médico, um vendedor de sapatos ou um trapezista de circo — declarava seu amor a uma mulher, em Milão, em 26 de dezembro de 1966. Maurício leu a dedicatória enorme, que começava com a frase “De tudo que vem de você, permanece em mim uma vontade de sorrir” e se encerrava com a oração “a vida é um contínuo chegar de esperanças”. Ao final, subiu o tom para ler o nome do santo: Sylvio Massa de Campos.


Foi quando um dos frequentadores do clube soltou um “opa!”. O jornalista George Patiño conhecia a família Massa, da qual Sylvio era o patriarca. Ele não vendia sapatos, trabalhava em circo ou morava em Milão: o matemático e escritor Sylvio Massa de Campos estava vivo, trabalhara a vida toda na Petrobras, tinha 74 anos e morava logo ali, no Leblon.

— Tem certeza? — perguntou Maurício.

— Trago ele aqui no próximo encontro — prometeu George.

Feito. No dia 6 de novembro, um senhor de cabelos brancos, sorriso fácil e porte altivo entrou no sebo acompanhado de duas filhas e três netos. Emocionado, recebeu das mãos de Maurício o livro perdido. Releu a dedicatória em voz alta, com pausas longas entre uma frase e outra, o que só aumentava o suspense na livraria, entrecortado pelo ruído dos netos inquietos. Depois de ser longamente aplaudido, contou aos novos colegas a história por trás daquela mensagem.


Em 1966, ele fazia mestrado em Matemática em Milão com uma bolsa do governo brasileiro. Lá, conheceu uma italianinha de nome Febea, que tinha concluído os estudos em Literatura em Londres, e acabava de retonar à Itália. Quando ela comentou que conhecia José Lins do Rego e João Cabral de Melo Neto, e que adoraria aprender português para ler Guimarães Rosa, Sylvio se apaixonou na hora: apesar de trabalhar com algoritmos, era na literatura que descansava seus teoremas. Prestes a terminar a pós-graduação, no entanto, logo voltaria ao Brasil. O amor foi construído à distância.


Nosso namoro durou um ano, 136 cartas, nove livros, dois telegramas e um telefonema — contou Sylvio, para suspiro coletivo da plateia, e espanto das filhas, que não conheciam todos aqueles números. — Naquele tempo, dar um telefonema era uma fortuna. Esta dedicatória escrevi no dia do meu aniversário, já doido por ela. Eu nem sei como perdi o livro, acho que foi numa mudança nos anos 80.


Um ano depois, Febea veio morar no Brasil, e Sylvio montou um apartamento no Méier para ela. Tiveram duas filhas, Isabella e Gabriella — que a essa altura se debulhavam em lágrimas na livraria —, e viveram felizes para sempre. Até que um câncer levou Febea aos 41 anos de idade. Sylvio nunca mais se casou.


A arte de viver é a arte de acreditar em milagres, disse o poeta italiano Cesare Pavese, e se hoje eu estou aqui é porque ele está certo. Febea foi a pessoa que eu amei mais profundamente em toda a minha vida. E ela está presente aqui, nessas cinco pessoas que fizemos, nossas duas filhas e três netos. Esse é o milagre — declarou Sylvio, lembrando, ao final, uma frase que ouvira do neto quando ele tinha 4 anos, e que levava como mantra de vida: “Vovô, nada é grave.”


Na rotina dos livreiros de sebos, dedicatórias anônimas aparecem com muita frequência. Mais até do que os exemplares usados de “O Xangô de Baker Street”, de Jô Soares, um campeão nacional em rotatividade. Os livros já chegam com cantadas, desculpas, felicitações, despedidas, malfazejos.


O livro usado traz uma história que muitas vezes é mais interessante do que aquela que ele conta. Aqui na Baratos nós tínhamos uma caixinha para guardar os objetos encontrados dentro das páginas, como cheques, receitas médicas, ingressos de cinema, flores, contas, fotos... Daria uma exposição — comenta Maurício, que também guardou por algum tempo dois livros trocados entre amigos, com dedicatórias irônicas em que tentavam dissuadir o outro das suas convicções políticas (um era de direita; o outro, um anarquista convicto).


Mas acabou vendendo os exemplares. É da natureza da profissão: o livreiro não é um colecionador, mas um comerciante.


Todo sebo começa do mesmo jeito, quando a pessoa precisa vender os próprios livros. Esta é a diferença de um livreiro para um colecionador. Só o livreiro tem coragem de se desapegar. Ele sabe que os livros que são de verdade voltam. Já encontrei livro que tinha sido meu em acervo que fui comprar. Todo lote sempre está cercado de histórias, seja uma morte, uma herança, uma mudança repentina de casa, de estilo de vida — explica Marcelo Lachter, que começou a vender livros usados há 14 anos e hoje é dono da Gracilianos do Ramo, um sebo virtual.


Mesmo defendendo o caráter comercial do ofício, Marcelo tem um “Nove racconti” para chamar de seu: há seis anos, guarda na gaveta um exemplar de “Recortes”, livro de ensaios de Antonio Candido publicado em 1993, na esperança de devolvê-lo à família do antigo dono. A história teve início em 2006, quando Marcelo recebeu o telefonema de uma moradora da Barra da Tijuca, interessada em se desfazer da biblioteca do marido, morto meses antes. Como era uma coleção especializada em Humanas, área com muita procura, Marcelo arrematou o lote todo. Antes de fechar negócio, no entanto, a viúva fez um pedido: caso ele encontrasse ali perdido um exemplar com uma dedicatória do ex-ministro da Fazenda Pedro Malan ao marido, que devolvesse o título. Ambos tinham sido amigos de infância, perderam o contato e retomaram pouco antes de Malan tornar-se o braço forte de Fernando Henrique Cardoso.


Marcelo encontrou o livro e a dedicatória: “Meu melhor, apesar de distante, amigo. Espero que você goste deste ‘Recortes’, deste gênio literário e excepcional figura humana que é Antonio Candido. Precisamos ler coisas como estas para que não esqueçamos nunca de que há muito mais coisas na vida e no mundo que o nosso trabalho e nossas pequenas procupações cotidianas. Feliz aniversário, um abraço deste amigo e saudoso, Pedro Malan.” Mas perdeu a viúva de vista.


Outra história que aguarda um desfecho parecido é a de Nice Motta, de 46 anos, livreira há dez. Assim como Marcelo, Nice desistiu de uma loja física para se dedicar às vendas pela internet, suporte que salvou da falência milhares de livreiros no país, através do sucesso de sites como o Estante Virtual. Dona da Bola de Gude Livros, um acervo que ocupa 98% do seu apartamento na Vila da Penha, Nice é ainda mais romântica do que os colegas livreiros: ela embarga a voz cada vez que se depara com um fragmento de história perdida nos livros que compra e vende. É mais metódica também. Os objetos encontrados nos livros são reunidos numa caixa que ela guarda como um pequeno museu alheio.


Em meio aos objetos, há fotos, desenhos infantis, ingressos de espetáculos e até um passaporte para o Museu do Holocausto, na Alemanha. Há uma carta bem alegre: “Esta porra foi concebida pelo maior amigo putinho, mas com carinho. Uma beijunda e umabraçaralho deste que te escreve, com muito amor, 27/10/86, Edinho”); e uma muito triste (“À amiga Katia: cursei faculdade e não terminei, namorei cinco anos e não me casei, escrevi um livro e não publiquei. Minha vida segue em frente, sempre pela metade. Wagner, 73.”


Mas a pepita é um livro encontrado por ela em 2007: “O poder do jovem”, best-seller de autoajuda do parapsicólogo Lauro Trevisan. O exemplar tem duas dedicatórias. Uma escrita nas costas da primeira página: “Bruno, eu vi este livro e achei que você ia gostar. É coisa de mãe, fica tentando adivinhar o gosto do filho, eu queria te dar o mundo, mas é melhor você descobrir com a ajuda deste livro o seu mundo inteiro. Estou sempre aqui, filho, conte comigo, sua mãe, beijos, te amo, te amo e te amo, Rio, 15/03/02.


Seria só uma mensagem emocionada, não houvesse a segunda, na página seguinte: “Rafael, este livro foi o último presente que eu dei para o Bruno, ele não chegou a ler. Como eu sei que ele te adorava, gostaria de dar a você, leia por ele e por você, com carinho, Clara, 15/03/06.”


É muito emocionante pensar no amor desta mãe, que o filho morreu, e que ela teve o carinho de dividir o amor com o amigo do filho. Eu sou mãe, e sei como é inconcebível pensar na perda de um filho. Se ao menos eu pudesse repará-la em relação à perda do livro... — diz Nice, sonhando com um acaso que a coloque no caminho daquela mãe. — Trabalhar com livros é apaixonante. O livro não é só a história que o autor conta, mas a história que o antigo dono também conta.


No início deste ano, Nice encontrou outro volume de “O poder do jovem”, que ela ainda está pensando se vai para a caixinha ou não. A mensagem na folha de rosto diz o seguinte: “Para o meu querido neto Fábio conservar à sua cabeceira, e enfrentar a caminhada da vida sempre forte! E vencedor! 05/88, vovó Abigail Araújo.” Por enquanto, vai ficar lá.
 
 
Mariana Filgueiras
O Globo

Moby



segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Campanha pela volta do cafuné

Além da volta da carta de amor, outra campanha permanente deste blog, repetida ad infinitum, é pela volta do cafuné.

Porque dos dengos femininos, ou historicamente femininos, o que mais nos faz falta, é o cafuné.
 
Nos dias avexados de hoje, não há mais tempo nem devoção para os delicados estalinhos no cocoruto do mancebo.
 
Pela volta imediata do mais nobre dos gestos de carinho e delicadeza. Nem que seja pago, como o sexo das belas raparigas dos lupanares, mas que devolvam vossas mãos às nossas cabeças.
 
Pela criação imediata da Casa de Cafunés Gilberto Freyre, como me propõe, em sociedade, a amiga Maria Eduarda Risoflora Belém. Ótima idéia a ser espalhada por todo o país. Milhares de casas, guichês, varandas, redes debaixo de coqueiros, sofás na rua… Tudo a serviço dos breves e deliciosos estalinhos dos dedos das moças.
 
Gilberto Freyre era um entusiasta do cafuné e a ele dedicou páginas e páginas. GF, aliás, escrevia como quem dá cafuné, prosa mole, ritmo dos mais sensoriais. Como também assenta palavras outro Freire, sem o estilingue do Y, o Marcelino de “Contos Negreiros”.
 
Que machos & fêmeas sejam treinados, em um programa social de emergência, para reaprenderem o hábito do cafuné.
 
Melhor: que seja feita uma campanha de saúde pública. Ah, quantas doenças de fundo nervoso seriam evitadas, quantos barracos de casais seriam esquecidos, quantos juízos agoniados seriam libertos!
 
Sem se falar no erotismo que desperta o dengo, como anotou outro sociólogo, o francês Roger Bastide, no seu belo ensaio “Psicanálise do Cafuné”. Pura libido.
 
Delícia de se sentir; beleza de se ver. O cafuné de uma mulher em outra, ave palavra!, puro cinema, para além muito além do lesbian chic.
 
Como era comum, na leseira de fim de tarde, nos quintais e nas calçadas.

Ao luar, então, sertões e agrestes adentro, era puro filme de Kurosawa. O resto era silêncio.
Ai que preguiça boa danada, ai que arrepio no cangote, quero de volta meus cafunés.
 
Viver de brisa, como na receita de Bandeira, numa rede na rua da Aurora, sob a graça dos dedos de uma morena jambo ou de uma morena caldo-de-feijão.
 
Como pode uma criatura, como esses rapazes de hoje, passarem pela vida sem provar do êxtase de um cafuné?
 
Pela obrigatoriedade do cafuné nos recreios escolares, nas missas, nos cultos, nos intervalos dos jogos de qualquer esporte.
 
Não é possível que se condene toda uma geração a viver sem cafuné. Eis uma questão de segurança nacional. Tão importante como aprender a assinar o próprio nome. O cafuné, aliás, é a assinatura em linda e barroca caligrafia de mulher.
 
 
Xico Sá
Fonte: Folha de S. Paulo

Ernesto Sabato

"Podia reservar para mim os motivos que me levaram a escrever estas páginas de confissão. Mas como não tenho qualquer interesse em passar por excêntrico, vou dizer a verdade, que é bastante simples: Pensei que poderiam ser lidas por muita gente, já que me tornei célebre. E, apesar de não ter muitas ilusões sobre a Humanidade em geral e os leitores em particular, anima-se a ténue esperança de que alguém chegue a entender-me. Mesmo que seja uma só pessoa."
 
 
[Ernesto Sabato, O Túnel; trad. Francisco Vale, Relógio d’Água, s. d.]

domingo, 25 de novembro de 2012

A moda pegou: Estudante paulista que reside na Bahia leiloa virgindade


Oi, meu nome é Rebeca e estou aqui para leiloar minha virgindade (...) Não tenho fantasias. Quem der mais, leva... tipo assim, né. Mas é isso, galera".

As frases são o começo e o final de um vídeo de menos de um minuto publicado há uma semana no YouTube por Rebeca Bernardo Ribeiro, 18, paulista que mora em Sapeaçu, a 155 km de Salvador.
Ela admitiu à Folha ter se inspirado no recente caso da catarinense Ingrid Migliorini, 20, que levantou R$ 1,5 milhão em um leilão do tipo, promovido para um documentário australiano.

Se Ingrid disse que pretendia usar o dinheiro para financiar casas populares, Rebeca diz buscar ajuda para a mãe Divinalva, 59, que passou por um segundo AVC (acidente vascular cerebral) há dois meses "e precisa de auxílio para andar e até comer".

O pai morreu há três anos e a irmã mais velha, há um, relata. A única renda da casa com 13 galinhas e um coelho no quintal é uma pensão de um salário mínimo (R$ 622).

Por causa das gozações na cidade, com 16,5 mil habitantes, ela deixou de frequentar as aulas do ensino médio e chegou a anunciar desistência. "Houve uma repercussão muito negativa, mas eu decidi levar em frente".

Ela apresenta o amigo Matheus Souza, 18, cantor de uma dupla sertaneja em que Rebeca era backing vocal, como seu "assessor" na empreitada. É quem atende às ligações no celular, organiza entrevistas e faz a intermediação com os interessados.

"Já tivemos um lance de R$ 60 mil, de um empresário do sul do Estado", diz ele. Os lances são recebidos por e-mail e telefone, com a meta de chegar aos R$ 100 mil.

O episódio chamou a atenção da promotora Sônia Suga, da comarca local. "A posição do rapaz é criminosa. Age como se fosse um rufião, um cafetão no popular", afirma ela, apontando crimes do Código Penal.

A promotora diz que precisaria da consumação do fato para tomar alguma medida. "A menina não tem muito juízo. Ela não percebeu que virou um ponto de referência local, que pode ficar para o resto da vida."

Questionado pela reportagem, Matheus mudou de versão. "O povo que me apelidou de assessor. Eu estava só tentando ajudar como amigo."

Mas a garota diz que "ainda está analisando a situação". Dependeria de conseguir dinheiro de outra forma, a exemplo de uma doação.
 
 
FONTE: O Dia Online

Kleiton e Kledir - Nem pensar


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sábado, 24 de novembro de 2012

U2 - One


"Não é quem eu sou por dentro e sim o que eu faço que me define"


Bruce Wayne (Batman)

Ostentação

A hipervalorização de bens ditos “de marca” é uma característica das sociedades contemporâneas. Delas advém a distinção como forma de poder que fascina tanto ricos quanto pobres no cenário da dessubjetivação partilhada por todos, da loja de luxo ao camelódromo das falsificações.
 
A questão da distinção guarda em seu fundo um aspecto mais tenebroso, concernente ao presente da condição subjetiva da vida dos usuários devorados pelas antipolíticas autodestrutivas do consumismo transformado em regra.
 
Zerada a intersubjetividade que se definia na interação afetiva e comunicativa entre pessoas, o que resta são as coisas – e as pessoas como coisas – que podem ser compradas. Diga-se de passagem que as pessoas não compram coisas, mas sinais que informam sobre um capital simbólico. Coisificação da consciência é o nome velho para o fenômeno em que a concretude das coisas é substituída pela abstração da insígnia.
 
A fascinação de tantas pessoas por roupas, carros e até eletrodomésticos ditos “de marca” em nossa época é a declaração auto-exposta da morte do sujeito. Espantalhos de uma ordem que previu o assassinato do desejo, do pensamento e da liberdade – conjunto do que aqui chamamos de subjetividade – são incapazes de compreender seu descarado simulacro.
 
A morte por assassinato da subjetividade é percebida na redução do indivíduo a uma espécie de morto-vivo em três tempos. 1 – A destituição do direito ao próprio desejo: a publicidade colonizou a capacidade de sentir e projetar a autobiografia de cada um que é apagada na encenação da “vida fashion”. 2 – A desaparição da possibilidade de pensar: a publicidade oferece os jargões e slogans a serem repetidos sob a ilusão de ideias próprias. 3 – O direito à ideia-prática da liberdade é extirpado: resta o simulacro da escolha entre uma marca e outra. A ação torna-se acomodação ao mesmo de sempre.
 
A escolha entre o nada e a coisa nenhuma é bem disfarçada no poder de ostentar que promete redimir do buraco subjetivo. Não tendo mais o que expressar, alguém simplesmente “ostenta” um relógio caro, um computador moderninho, um carrão oneroso. Ou um piercing, um músculo forte. Tudo e cada coisa é reduzida à marca, emblema do capital e seu poder na era do Espetáculo.
 
Cultura da falsa expressão
 
Podemos dizer que a ostentação é a cultura da pseudo-expressão no tempo das marcas. Se o poder de ostentar é proporcional ao esvaziamento da expressão, resta perguntar o que foi feito dessa potência humana? Ora, a expressão é fator subjetivo que se cria em um contexto social e político em que está em jogo a capacidade de “dizer alguma coisa”, de “dizer o que se pensa”, o que se “deseja”.
 
Só que fomos privados da expressão com a derrocada da formação de sujeitos desejantes, reflexivos e livres. Se as pessoas não dizem o que pensam, é porque a capacidade de pensar e dizer lhes foi extirpada. No lugar, podem travestir-se com a insígnia do poder fundamentalista das marcas da religião capitalista. A cruz para Cristianismo, a Estrela de Davi para o Judaísmo, a Lua Crescente para o Islamismo e uma marca famosa para o servo fiel do capital.
 
Os jovens são as principais vítimas dessa violência. Que sejam o “público alvo” quer dizer que são a presa fácil para um tiro certeiro. Os rebanhos de zumbis nikezados, abercrombizados, macdonaldizados, são arregimentados no exército de otários das massas manobradas, paramentados para o grande sacrifício sem ritual do capitalismo, em que a subjetividade é diariamente morta a pauladas.
 
A saída é a arte, a poesia, a negação ativa contra o uso e o consumo de marcas. A prática anti-capitalista é um ateísmo e começa com a recusa aos seus deuses como simples profanação cotidiana.
 
 
Marcia Tiburi
Publicado originalmente na revista Cult
 

O sorriso e o esgar

A foto de Dida Sampaio é mais que o registro do momento em que Dilma Rousseff, presidente da República há quase dois anos, cumprimentou o ministro Joaquim Barbosa, que acabara de assumir a presidência do Supremo Tribunal Federal.
 
A imagem documenta a colisão frontal, estridentemente silenciosa, entre sentimentos antagônicos

 
O chefe do Poder Judiciário está feliz. A chefe do Poder Executivo está contrafeita, nas fímbrias da amargura. Joaquim Barbosa é o anfitrião de uma festa. Dilma Rousseff é a conviva involuntária que nada tem a festejar.
 
Ele se sente em casa e pensa no que fará. Ela pensa no que ele anda fazendo e se sente obrigada a enviar um recado fisionômico aos condenados no julgamento do mensalão: se pudesse, estaria longe dali.
 
Só ele sorri. O sorriso contido informa que o ministro não é homem de exuberâncias e derramamentos. Mas é um sorriso. Os músculos faciais se distenderam, os dentes estão expostos, o movimento da pálpebra escava rugas nas cercanias do olho esquerdo.
 
O que se vê no rosto da presidente é um esgar. A musculatura contraída multiplica os vincos na face direita, junta os lábios num bico assimetricamente pronunciado e desvia o olhar do homem à sua frente.
 
O descompasso das almas é sublinhado pelas mãos que não se apertam. A dele ao menos se abre. A dela, nem isso. Dilma apenas toca Joaquim com a metade dos quatro dedos. Ele cumprimenta como quem chegou. Ela cumprimenta como quem não vê a hora de partir.
 
Conjugados, tais detalhes sugerem que, se Joaquim Barbosa sabe que chefia um dos três Poderes independentes, Dilma Rousseff imagina chefiar um Poder que dá ordens aos outros.
 
O julgamento do mensalão já deixou claro que não é assim. A maioria dos ministros é imune a esgares.
 
Os que temem carrancas nem precisam disso para atender aos interesses do governo. Não são juízes. São companheiros.
 
 
Augusto Nunes
Fonte: Blog do Augusto Nunes
"Um dos maiores prazeres da vida consiste em fazer o que os outros lhe dizem que você não pode."

 

( Walter Bagehot )

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Hora do recreio

Um homem vai ao psiquiatra:- Qual é o seu problema? - Perguntou o doutor. - Bem... é que eu tive uma discussão com a minha sogra e ela disse-me que não falaria comigo durante um mês. E o psiquiatra: - Para muitos, isso não é problema. Muito pelo contrário... - Só que para mim é um grande problema! - Mas porquê? É que o prazo termina hoje!

Qualidades do professor

Se há uma criatura que tenha necessidade de formar e manter constantemente firme uma personalidade segura e complexa, essa é o professor.


Destinado a pôr-se em contato com a infância e a adolescência, nas suas mais várias e incoerentes modalidades, tendo de compreender as inquietações da criança e do jovem, para bem os orientar e satisfazer sua vida, deve ser também um contínuo aperfeiçoamento, uma concentração permanente de energias que sirvam de base e assegurem a sua possibilidade, variando sobre si mesmo, chegar a apreender cada fenômeno circunstante, conciliando todos os desacordos aparentes, todas as variações humanas nessa visão total indispensável aos educadores.


É, certamente, uma grande obra chegar a consolidar-se numa personalidade assim. Ser ao mesmo tempo um resultado — como todos somos — da época, do meio, da família, com características próprias, enérgicas, pessoais, e poder ser o que é cada aluno, descer à sua alma, feita de mil complexidades, também, para se poder pôr em contato com ela, e estimular-lhe o poder vital e a capacidade de evolução.


E ter o coração para se emocionar diante de cada temperamento.


E ter imaginação para sugerir.


E ter conhecimentos para enriquecer os caminhos transitados.


E saber ir e vir em redor desse mistério que existe em cada criatura, fornecendo-lhe cores luminosas para se definir, vibratilidades ardentes para se manifestar, força profunda para se erguer até o máximo, sem vacilações nem perigos. Saber ser poeta para inspirar. Quando a mocidade procura um rumo para a sua vida, leva consigo, no mais íntimo do peito, um exemplo guardado, que lhe serve de ideal.


Quantas vezes, entre esse ideal e o professor, se abrem enormes precipícios, de onde se originam os mais tristes desenganos e as dúvidas mais dolorosas!


Como seria admirável se o professor pudesse ser tão perfeito que constituísse, ele mesmo, o exemplo amado de seus alunos!


E, depois de ter vivido diante dos seus olhos, dirigindo uma classe, pudesse morar para sempre na sua vida, orientando-a e fortalecendo-a com a inesgotável fecundidade da sua recordação.


Texto de Cecília Meireles, extraído do livro Crônicas de Educação 3
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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Visto no blog do setecandeeiros

E o PAC, do governo federal, inicia novos empreendimentos:

"MINHA CELA, MINHA VIDA..."
As tuas mãos grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já cor de terra
- como são belas as tuas mãos
pelo quanto lidaram, acariciavam ou fremiam da nobre cólera dos justos...
Porque há nas tuas mãos, meu velho pai, essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam nos braços da cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas...
Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo.
Como quem junta gravetos e tenta acendê-los contra o vento?
Ah! Como os fizestes, arder, fulgir, como o milagre de suas mãos!
E é ainda, a vida que transfigura as tuas mãos nodosas...
essa chama de vida - que transcende a própria vida
...e que os Anjos, um dia, chamarão de alma.

 

Mario Quintana
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Frase

"Eu fui presidente da República; e daí? Se eu matar alguém, tenho de ir para a cadeia. Essa igualdade perante a lei é fundamental para uma sociedade decente.
 
 
Fernando Henrique Cardoso
Não raramente grandes batalhas acontecem em nossas pequenas guerras interiores

Boa noite

Boa noite, Maria! Eu vou-me embora.
A lua nas janelas bate em cheio...
Boa noite, Maria! É tarde... é tarde...
Não me apertes assim contra teu seio.

Boa noite!... E tu dizes – Boa noite.
Mas não digas assim por entre beijos...
Mas não me digas descobrindo o peito,
– Mar de amor onde vagam meus desejos.

Julieta do céu! Ouve.. a calhandra
já rumoreja o canto da matina.
Tu dizes que eu menti?... pois foi mentira...
...Quem cantou foi teu hálito, divina!

Se a estrela-d'alva os derradeiros raios
Derrama nos jardins do Capuleto,
Eu direi, me esquecendo d'alvorada:
"É noite ainda em teu cabelo preto..."

É noite ainda! Brilha na cambraia
– Desmanchado o roupão, a espádua nua –
o globo de teu peito entre os arminhos
Como entre as névoas se balouça a lua...

É noite, pois! Durmamos, Julieta!
Recende a alcova ao trescalar das flores,
Fechemos sobre nós estas cortinas...
– São as asas do arcanjo dos amores.

A frouxa luz da alabastrina lâmpada
Lambe voluptuosa os teus contornos...
Oh! Deixa-me aquecer teus pés divinos
Ao doudo afago de meus lábios mornos.

Mulher do meu amor! Quando aos meus beijos
Treme tua alma, como a lira ao vento,
Das teclas de teu seio que harmonias,
Que escalas de suspiros, bebo atento!

Ai! Canta a cavatina do delírio,
Ri, suspira, soluça, anseia e chora...
Marion! Marion!... É noite ainda.
Que importa os raios de uma nova aurora?!...

Como um negro e sombrio firmamento,
Sobre mim desenrola teu cabelo...
E deixa-me dormir balbuciando:
– Boa noite! –, formosa Consuelo...


Castro Alves

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

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O amor pintam-no cego e com asas; cego para não ver os obstáculos; com asas para os transpor.
 
 

De PT, Ayres e egos

Poucos dias depois que a Executiva Nacional do PT lançou uma nota oficial criticando as condenações da Ação Penal 470, vulgo mensalão, e acusando o STF de “instaurar um clima de insegurança jurídica no país”, o ex-presidente da Corte Carlos Ayres Britto, que acaba de se aposentar, deu uma longa entrevista aos repórteres Valdo Cruz e Felipe Seligman, da “Folha de S.Paulo”.
 
Entre as duas manifestações, a do partido e a do ministro, há um abismo. Lendo o que ele disse e sabendo de sua inatacável reputação, é impossível admitir sem má-fé que esse poeta e filósofo declaradamente “contemplativo”, “espiritualista”, adepto da física quântica, da meditação e de um violão, íntegro, sereno e sensato, tenha permitido que a Casa presidida por ele tivesse sido capaz de “partidarizar” o julgamento, fazendo política em vez de justiça, entre outros desvios jurídicos como falta de isenção, “transferência do ônus da prova aos réus”, “transformação de indícios em provas”, “penas desproporcionais”.
 
É bom lembrar que, paradoxalmente, todas essas queixas-denúncias foram apresentadas justamente pelo partido no qual Ayres Britto militou durante 18 anos e pelo qual ainda nutre uma mal disfarçada simpatia, ressaltando, por exemplo, que o mensalão “não é o julgamento do PT; são réus que ocuparam cargos de direção no PT”.
 
Ao analisar o que ele considera ser o esgotamento da “fase ideológica” do PSDB e do PT, com perda do que os gregos chamam de “Deus dentro da gente”, entusiasmo, ou seja, “aquele ímpeto depurador das instituições”, Britto adverte: “Não podemos ser injustos, porque o PT continua com quadros muito bons.” E cita o caso do governador Tarso Genro, “que chegou a escrever um artigo a favor do Supremo”.
 
Quando lhe foi perguntado se houve “traição” e se os presidentes petistas erraram nas nomeações, já que, dos dez ministros do julgamento, sete foram indicados por Lula ou Dilma, ele respondeu: “A nossa postura técnica, independente, isenta, desassombrada, é uma postura que honra os nomeantes. Não só os nomeados.” E aproveitou para esclarecer que Lula nunca “se aproximou para cobrar, fazer queixa”.
 
Diante das homenagens que lhe estão sendo prestadas, é curioso observar que foi preciso o discreto e recatado Ayres Britto se aposentar para que se prestasse atenção nele, presidente, e não só no relator e no revisor. Uma questão de mais ou de menos ego.
 
Durante os próximos 15 dias, concederei a vocês um merecido descanso — de mim.

 
Zuenir Ventura
O globo
Na Grécia Antiga, a Acrópole era o ponto mais alto da cidade (geralmente uma montanha). Ela  possuía um papel muito importante na vida das pólis (cidades-estado) gregas.

A Acrópole servia como refúgio para os habitantes das cidades no momento de ataques militares dos inimigos. Serviam também para observação militar. Os gregos também costumam construir templos religiosos na naquele ponto.

A mais conhecida foi e continua sendo a Acrópole de Atenas, que abriga o Partenon (templo da deusa grega Atenas). As ruínas da Acrópole de Atenas são um dos pontos turísticos mais visitados da Grécia.
 

terça-feira, 20 de novembro de 2012


"Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo"
 
 
José Saramago

Vergonha nacional

Faz falta ao Brasil uma boa lei que facilite — ou, melhor, torne obrigatória — a punição dos bandidos de terno e gravata. É como se pode definir os chefões da corrupção no país. Existe um projeto de lei cuidando do assunto.
 
Foi proposto pelo Poder Executivo em 2010. Infelizmente, ele dorme numa comissão especial da Câmara dos Deputados há mais de um ano.
 
Isso se deve, segundo informam deputados da própria comissão, a um lobby sustentado por empresas de engenharia e de construção civil. Não são conhecidos os argumentos usados pelos lobistas. Mas a turma da arquibancada, também conhecida como opinião pública, ainda não tomou conhecimento do assunto.
 
Há pouco tempo, a arquibancada tomou conhecimento das estripulias do banqueiro de bicho Carlinhos Cachoeira, e isso foi decisivo para a prisão de Carlinhos. A lei contra a corrupção, se já estivesse em vigor, aumentaria consideravelmente o número de companheiros dele na cadeia.
 
Faz falta um movimento popular que torne isso possível. Seria o lobby da opinião pública contra o lobby das empresas. A sua meta seria uma pressão sobre o Legislativo para levar adiante a tramitação da lei contra a corrupção. Deputados e senadores dificilmente resistiriam a uma forte manifestação da vontade dos eleitores.
 
Seria muito difícil para os representantes do povo resistirem a uma manifestação firme da vontade dos cidadãos que lhes concederam a representação. Principalmente porque a nova lei significaria a obediência do Brasil ao compromisso assumido pelo seu governo, há 12 anos, quando ratificou uma convenção da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico contra o suborno.
 
Há pouco tempo, levamos um puxão de orelhas da OCDE, acompanhado da ameaça de uma recomendação a empresas dos seus países-membros, no sentido de que suspendessem seus negócios com o Brasil.
 
É de envergonhar. Será preciso que o povo volte às ruas, para cobrar decência de seus representantes?

 
 
Luiz Garcia é jornalista
O Globo
"Os sonhos não envelhecem... Vai em frente. Sorriso no rosto e firmeza nas decisões. Deus resolveu reformar o mundo, e escolheu o seu coração para iniciar a reforma. Isso prova que Ele ainda acredita em você. E se Ele ainda acredita, quem é você para duvidar!..."
 
 

Quem disse que a morte é chata


O lupanar

Ah! Por que monstruosíssimo motivo
Prenderam para sempre, nesta rede,
Dentro do ângulo diedro da parede,
A alma do homem polígamo e lascivo?!
Este lugar, moços do mundo, vêde:
É o grande bebedouro colectivo,
Onde os bandalhos, como um gado vivo,
Todas as noites, vêm matar a sede!
É o afrodístico leito do hetairismo,
A antecâmara lúbrica do abismo,
Em que é mister que o gênero humano entre,
Quando a promiscuidade aterradora
Matar a última força geradora
E comer o último óvulo do ventre!
 
 
Augusto dos Anjos

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Os ungidos

Pelo amor de Deus, não confie em intelectuais pedindo emprego em órgãos executivos. Não estou enterrando meu próprio time, estou apenas dizendo onde devemos jogar.

 

A função do intelectual é ler, escrever, dar aula, orientar pesquisas, participar do debate público, mas não assumir funções executivas porque somos obcecados por nossas visões de mundo, corretas ou não, somos monstruosamente vaidosos e pouco democráticos, pelo contrário, adoramos o poder, e nos achamos superiores moralmente.


Qualquer um sabe o escândalo de como os intelectuais compactuaram com todo tipo de violência (criadora ou não... risadas?) desde o século 18. O último lugar onde se deve olhar quando buscarmos líderes é um departamento de humanidades.


As ciências duras geram produtos técnicos, testáveis e que quando erram são mais facilmente identificáveis. E se nem sempre o são, a causa é aquilo que o epistemólogo Imre Lakatos chamava de conteúdos exteriores ao "rational belt", ou cinturão racional, ou seja, componentes exteriores ao próprio método científico, como fatores políticos, econômicos, morais, psicológicos.


Nas ciências humanas se pode dizer tudo, porque nada é testável, e normalmente quando se erra, se inventa alguma hipótese "ad hoc" (basicamente, neste caso, desculpas chiques) para justificar.

 

Tanto no marxismo quanto no cristianismo, hipóteses "ad hoc" funcionam porque ambas são especulações e nada mais. No cristianismo se diz "a igreja traiu Cristo", no marxismo se diz "a União Soviética traiu a causa da liberdade".


Quando um de nós assume cargos de gestão, começa a inviabilizar qualquer iniciativa que não reze na cartilha de suas teorias salvacionistas.


Torquemada, o grande inquisidor espanhol do século 15, patrono dos intelectuais em ministérios ou secretarias, se sentia moralmente superior queimando hereges.


Concordo com isso tudo que escrevi acima, mas esta crítica não é minha. Ela está na obra de um intelectual americano negro quase desconhecido no Brasil. Friso que ele é negro porque quase todo mundo, devido a nossa atávica ignorância com relação ao pensamento norte-americano que não seja o blá-blá-blá do Partido Democrata e da "new left", pensa que conservador americano em política é sempre branco babão e estúpido.


A razão desta ignorância é porque nossos alunos só podem ler o que achamos que está certo, e sonegamos o resto.


Thomas Sowell é praticamente desconhecido entre nós, apesar de termos a excelente tradução de sua obra capital "Intelectuais e Sociedade", pela É Realizações.

 

"Ungidos", título da coluna de hoje, é um termo usado por Thomas Sowell no seu "The Vision of The Anointed, Self-Congratulation as Basis for Social Policy", Basic Books, 1995 (a visão do ungido, autocongratulação como base para política social). Esta obra é uma excelente "entrada" para conhecer seu pensamento. Uma das vantagens é que ela é bem menor e menos complexa do que "Intelectuais e Sociedade".


Nela, Sowell mostra como esta classe de ungidos (a esquerda que tem formado a maior parte das políticas públicas nos EUA e Ocidente em geral) falou besteiras nos últimos anos, principalmente em três áreas: 1. "Guerra à pobreza" (suas ideias apenas pioraram a miséria), 2. "Educação sexual" (destruíram a família, os laços afetivos e a relação entre homens e mulheres) e 3. "Justiça e combate ao crime" (criaram um blá-blá-blá que o criminoso é criminoso porque é vítima da sociedade e, portanto, se você é assaltado, a culpa é sua, e não dele, o que só piorou muito a segurança pública).


O padrão de funcionamento deles é basicamente dizer/fazer o seguinte: 1. Catástrofes vão acontecer e não percebemos, só eles. 2. Ação urgente necessária que só eles sabem qual é. 3. Necessidade de medidas drásticas, criadas por eles, uma minoria ungida e mimada, para uma maioria ignorante. 4. Desprezo por todo argumento contrário, acusado de ser coisa de gente malvada, desinformada, irresponsável e motivada por interesses duvidosos (eles, claro, são movidos pela pureza de coração).


Você reconheceu o padrão?


Luiz Felipe Pondé,

 
Pernambucano, filósofo, escritor e ensaísta, doutor pela USP, pós-doutorado em epistemologia pela Universidade de Tel Aviv, professor da PUC-SP e da Faap, discute temas como comportamento contemporâneo, religião, niilismo, ciência. Autor de vários títulos, entre eles, "Contra um mundo melhor" (Ed. LeYa). Escreve às segundas na versão impressa de "Ilustrada".


Fonte



domingo, 18 de novembro de 2012

A evolução da educação...

Ensino de matemática em 1970:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é igual a 4/5 do preço.
Qual é o lucro?
 
Ensino de matemática em 1980:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Qual é o lucro?
 
Ensino de matemática em 1990:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Escolha a resposta certa, que indica o lucro:
( ) R$ 20,00 ( ) R$ 40,00 ( ) R$ 60,00 ( ) R$ 80,00 ( ) R$ 100,00
 
Ensino de matemática em 2000:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
O lucro é de R$ 20,00.
Está certo?
( ) SIM ( ) NÃO
 
Todo mundo está 'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos filhos. Quando é que se "pensará" em deixar filhos melhores para o nosso planeta?
 
 
*Da net

Felipe, mais um seguidor do blog

Grande Felipe, obrigado por se tornar membro seguidor do nosso blog. Nossas boas vindas a você, nosso mais novo membro!!
O correr das águas, a passagem das nuvens, o brincar das crianças, o sangue nas veias. Esta é a música de Deus.
 
 

Cicatrizes - MPB 4 e Roberta Sá


Versículo do dia

Bem-aventurado o homem que suporta a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam.
 
Tiago 1-12
Reblogged from taiguar

Política e psiquiatria

Nélson Rodrigues dizia que o século XX, entre outras façanhas, introduziu o idiota na vida pública. Pessoas sem qualquer conhecimento de causa passavam a influir e decidir em questões as mais complexas, a partir de slogans e palavras de ordem.
 
 
Numa de suas crônicas de “O Óbvio Ululante” (1968), dizia que “os idiotas estão por toda a parte – na política como nas letras, nas finanças como no cinema, no teatro como na pintura (...), liderando povos, fazendo História e fazendo Lendas”.
 
Sob esse prisma, esboçou um rico e caricatural painel da vida pública brasileira na segunda metade do século passado, atribuindo tal decadência à hegemonia cultural da esquerda, já então em curso, não obstante ainda não no poder.
 
Ortega y Gasset anteviu o mesmo fenômeno bem antes, no interregno entre as duas guerras mundiais.
 
No clássico “A Rebelião das Massas”, que começou a ser escrito ainda nos anos 20, deu consistência sociológica e abrangência universal ao fenômeno, ao examinar a ascensão das ideologias coletivistas - fascismo, socialismo e comunismo.
 
 
O que nenhum dos dois previu foi que, naquela sequência, outro personagem entraria em cena: o psicopata.
 
Segundo os doutores norte-americanos Scott O. Lilienfeld e Hal Arkowitz, poucos transtornos são tão incompreendidos quanto a personalidade psicopática. Pensa-se, em regra, que são violentos, mas, segundo eles, não são – muito pelo contrário.
 
Descrita pela primeira vez em 1941 pelo psiquiatra americano Hervey M. Cleckley, do Medical College da Geórgia, a psicopatia consiste num conjunto de comportamentos e traços de personalidade específicos.
 
São pessoas muito inteligentes, encantadoras à primeira vista, causam boa impressão e são tidas como “normais” pelos que as conhecem superficialmente.
 
 
Por Ruy Fabiano
 
Leia a íntegra clicando aqui
 
Fonte O Globo

Sexo animal

Na Flórida, um inseto da família do bicho-folha permanece cinco meses ligado à fêmea após a cópula. Já o sexo do coelho dura menos de um minuto. Essas são algumas das informações que podem ser conferidas na exposição "Feras do Sexo", que se dedica à reprodução no reino animal.
 
A exposição chega a Paris após passar por diversas cidades europeias e pode ser conferida no Palais de la Découverte, até 25 de agosto de 2013.


Ele explica, por exemplo, que em geral são os machos que devem seduzir as fêmeas no reino animal. Por isso, seus corpos costumam ser mais coloridos ou chamativos. Quanto mais imponente a plumagem de um pássaro, maior a probabilidade de que ele encontre uma parceira - como notou o cientista Charles Darwin.
 
A exposição também conta que em algumas espécies os machos com frequência têm de lutar pela fêmea para garantir a reprodução - e alguns usam armas perigosas na disputa. Os veados, por exemplo, tentam ferir seus oponentes com os chifres.
 
Outro dado interessante é que depois da cópula, em algumas espécies os machos também contam com estratagemas para garantir que os filhotes carregarão seus genes. O sêmen do porco-espinho forma uma barreira natural no aparelho reprodutor da fêmea que dificulta a cópula com outros machos.
 
Segundo a exposição, a homossexualidade foi observada em cerca de 450 espécies, entre elas a dos macacos bonobos. Eles escolhem parceiros sexuais sem ligar para sexo ou idade. E os cientistas acreditam que a atividade sexual tem um efeito calmante sobre as comunidades dessa espécie, que têm um nível baixo de agressividade.
 
 
BBC Brasil

Reblogged from akapearlofagirl
 
"Tantos anos e tantas costas, para perceber:
o mar não se vê, olha-se."
 
 
Fallorca


Tatiana, a mais nova seguidora

Nossas saudações a Tatiana, a mais nova seguidora do blog. Obrigado pela sua escolha e sinta-se em casa nesse espaço virtual que é de todos nós.
 

Maravilhoso


sábado, 17 de novembro de 2012

Humor

O velhinho caminhava tranquilamente quando passa em frente a um prostíbulo.
Uma prostituta grita: “Oi, Vovô!, Por que não experimenta?”
O velhinho responde:
“Não, minha filha, já não posso!”
A prostituta: “Ânimo!!!! Venha, vamos tentar!!!”
O velhinho entra e funciona como um jovem de 25 anos, 3 vezes… e sem descanso!
“Puxa”, diz a prostituta, “E o senhor ainda dizia que já não pode mais?”
O velhinho responde:
“Aaahhh minha filha, transar eu posso, o que eu não posso é pagar!!!”

STF indefere liminar pedida por governadores contra cálculo do piso salarial dos professoras

O ministro Joaquim Barbosa, do STF, indeferiu pedido de liminar formulado por governadores de seis Estados contra a fixação do reajuste do piso salarial dos professores pelo Ministério da Educação. Os autores da ação alegam que cabe aos Estados, não ao ministério, decidir sobre a matéria. Barbosa discordou.
 
Sancionada em 2008, a lei que criou o piso salarial dos professores (11.738) atribuiu à pasta da Educação a prerrogativa de definir o índice anual de reajuste. Sob Aloizio Mercadante, o MEC adotou como parâmetro para a definição do aumento o valor gasto por aluno no Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica).

Com base nesse critério, o reajuste de 2012 foi fixado em 22,22% –bem superior à taxa oficial de inflação de 2011, que foi de 6,08%. Vitaminados pelo aumento real, os contracheques dos professores foram de R$ 1.187 para R$ 1.451 por mês. É pouco para quem recebe. Mas os governadores alegam que lhes falta caixa. Daí o recurso ao STF.

A petição é pluripartidária. Assinaram a peça os governadores do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB); de Goiás, Marconi Perillo (PSDB); do Piauí, Wilson Martins (PSB); de Roraima, José de Anchieta Júnior (PSDB); de Santa Catarina, Raimundo Colombo (PSD); e até o do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, filiado ao mesmo partido do ministro Mercadante, o PT.

Chama-se Ação Direta de Inconstitucionalidade a ferramenta jurídica usada pelos governadores para tentar brecar o reajuste definido por Mercadante. Em essência, alega-se que o artigo que transferiu para o MEC o poder de definir os aumentos viola a Constituição, cujo texto confere aos Estados autonomia para deliberar sobre seus orçamentos.

Os governadores incluíram na ação o pedido de liminar (decisão provisória, tomada antes do julgamento definitivo da causa) sob a alegação de que o reajuste definido pelo MEC submete a saúde financeira dos Estados a riscos imediatos. Algo que, no latinório dos advogados, é chamado de ‘periculum in mora’. No despacho em que indeferiu a liminar, Joaquim Barbosa, relator do processo, recordou que os governadores já haviam protocolado uma outra ação contra o piso dos professores.

Nessa primeira ação, questionava-se a constitucionalidade do próprio piso salarial. Ao julgá-la, o STF postou-se ao lado dos professores. Considerou que a novidade instituída há quatro anos não fere o texto da Constituição. O piso foi mantido em pé. Barbosa estranhou que os governadores não houvessem questionado no recurso anterior o pedaço da lei que autoriza o MEC a ditar os reajustes.

O ministro anotou: “Essa omissão sugere a pouca importância do questionamento ou a pouco ou nenhuma densidade dos argumentos em prol da incompatibilidade constitucional do texto impugnado, de forma a afastar o periculum in mora.” Traduzindo para o português das ruas: na opinião de Barbosa, o pedido de liminar não faz nexo. Se o perigo fosse tão evidente e iminente, os governadores teriam se mexido antes.

De resto, Barbosa recordou que a lei do piso prevê que, quando Estados e municípios não dispuserem de caixa para honrar os salários dos professores, a União é obrigada a complementar a diferença. Assim, realçou o ministro, a alegação de risco à higidez financeira dos Estados só faria sentido se ficasse comprovado que o governo federal coloca “obstáculos indevidos” ao repasse dos complementos.

Sem a prova de hipotéticos embaraços por parte da União, a pretensão dos requerentes equivale à supressão prematura dos estágios administrativo e político previstos pelo próprio ordenamento jurídico para correção dos déficits apontados”, escreveu Barbosa.

O ministro repisou a tecla: o STF já decidiu que o piso é constitucional. E não há na Constituição nenhum artigo que autorize Estados e municípios a deixar de prever em seus orçamentos anuais o dinheiro necessário à cobertura dos gastos obrigatórios. Entre eles o salário dos professores.

Com base nesse entendimento, Barbosa concluiu: no momento, quem corre riscos são os professores, não os Estados. “Se não houver a obrigatoriedade de revisão periódica dos valores, a função do piso nacional poderia ser artificialmente comprometida pela simples omissão dos entes federados. Essa perda continuada de valor forçaria o Congresso Nacional a intervir periodicamente para reequilibrar as expectativas.”

Assim, enquanto o STF não julgar o mérito da ação, os governadores serão obrigados a pagar o piso dos professores nos valores fixados pelo MEC. Não há prazo para que Barbosa leve o julgamento da encrenca ao plenário do Supremo. Como que antevendo o malogro do questionamento, os governadores incluíram na ação uma reivindicação secundária.

Na hipótese de o STF concluir que são constitucionais os poderes atribuídos ao MEC, pedem que o tribunal ao menos adote a interpretação segundo a qual os reajustes definidos em Brasília não têm validade nacional. Valeriam apenas para as escolas federais, não para as estaduais e municipais. Uma tese dura de roer.
 
 
Por Josias de Souza