quinta-feira, 30 de abril de 2015

Charge


A maior dor humana

Que imensas agonias se formaram 
sob os olhos de Deus! Sinistra hora 
em que o homem surgiu! Que negra aurora, 
que amargas condições o escravizaram! 

As mãos, que um filho amado amortalharam, 
erguidas buscam Deus. A Fé implora... 
E o céu, que respondeu? As mãos baixaram 
para abraçar a filha morta agora. 

Depois um pai em trevas vai sonhando, 
e apalpa as sombras deles onde os viu 
nascer, florir, morrer! Desastre infando! 

Ao teu abismo, pai, não vão confortos... 
És coração que a dor empederniu, 
sepulcro vivo de dois filhos mortos. 


Camilo Castelo Branco
A síntese de Celso de Mello [no STF - voto contra a liberação dos empreiteiros presos pela Operação Lava Jato]

O Antagonista

Por que Ricardo Pessoa não poderia ter sido solto, na síntese do voto do ministro Celso de Mello:

"Torna-se inviável a conversão da prisão preventiva em medidas cautelares alternativas quando a privação cautelar da liberdade individual tem fundamento, como sucede na espécie, na periculosidade do réu em face da probabilidade real e efetiva de continuidade da prática de delitos gravíssimos, como os de organização criminosa, de corrupção ativa e de lavagem de valores e de capitais."

Bolhas


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Um bebê foi resgatado depois de ficar soterrado cerca de 22 horas sob os escombros de uma construção no Nepal depois de o local ter sido atingido pelo terremoto do último sábado.
Segundo informações da agência CNN, o menino, de apenas 4 meses, passa bem.
O site local Kathmandu Today informou que o resgate foi feito por militares, que já tinha haviam deixado o local por não acreditarem na existência de sobreviventes no local. Contudo, horas depois, choros do bebê foram ouvidos e o trabalho recomeçaram.
O site divulgou fotografias que mostram o momento da ação. Ainda não há informações sobre familiares do bebê. O sismo de magnitude 7,8 graus na escala Richter que devastou o Nepal. O trabalho de resgate ainda acontece em diversas áreas do país.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Quem dera a sociedade brasileira pudesse dispor sempre de um socorro, um sinal luminoso no céu quando se sentisse atacada por qualquer quadrilha!


Teófilo Júnior

Entenda o fenômeno dos corpos incorruptos

Um dos fenômenos que mais chamam a atenção é a preservação até a incorruptibilidade do corpo de certos santos. É fato que em condições excepcionais pode acontecer que um corpo não se desfaça inteiramente por razões meramente naturais.
Porém, o fenômeno dá-se com os santos em proporções muito acima do normal, sendo que na quase totalidade das vezes foram sepultados em condições comuns e que, portanto, deveriam se pulverizar como os outros.
No processo de canonização, a Igreja estabelece a abertura dos sarcófagos para conferir que o corpo ali enterrado pertence verdadeiramente ao Servo de Deus e constatar seu estado. A conservação inusitada desse corpo é um sinal que, entre outros, contribui a definição da santidade do Servo de Deus.
Há, portanto, três tipos de preservação:
1 ‒ milagrosa (incorruptíveis strictu sensu);
2 ‒ deliberada por meios científicos (quando o corpo foi embalsamado, como foi o caso de B. Juan XXIII);
3 ‒ natural e acidental.
A incorruptibilidade propriamente dita é a preservação milagrosa que não se explica por nenhuma lei ou fator natural e é independente das circunstâncias (umidade, temperatura, tempo, cal ou outros elementos que poderiam acelerar a decomposição).
Só pode se ter certeza da incorruptibilidade quando o corpo admiravelmente conservado jamais foi embalsamado ou tratado com qualquer tipo de procedimento visando uma preservação. Em alguns casos acresce que os corpos de santos também exsudam aromas ou perfumes, sobre tudo no momento da exumação.
A incorruptibilidade não é a mumificação (nem natural, nem por obra humana). Os corpos mumificados apresentam características facilmente reconhecíveis pela ciência.
Um dos casos mais impressionantes de incorruptibilidade é o da vidente de Lourdes, Santa Bernadette Soubirous. Seu corpo encontra-se exposto na capela do convento de Saint-Gildard, na cidade de Nevers, França. Junto ao túmulo de Santa Bernadette, um cartaz esclarece:
“O corpo de Santa Bernadette repousa nesta capela desde o dia 3 de agosto de 1925. Ele está intacto e “como petrificado” segundo foi reconhecido pelos médicos juramentados e pelas autoridades civis e religiosas por ocasião das exumações de 1909, 1919 e 1925.
“O rosto e as mãos enegreceram em contato com o ar e foram recobertos com ligeiras máscaras de cera, moldadas diretamente do corpo.
“A posição da cabeça inclinada à esquerda foi tomada pelo corpo dentro do caixão.”
Nas referidas exumações constatou-se:
Na primeira, em 22 de setembro de 1909: na presença do bispo, da Madre superiora, de dois médicos e quatro operários que fizeram juramento de declarar a verdade, o corpo apareceu totalmente preservado, sem odor, a pele tinha cor pálida, os músculos e os ossos estavam unidos pelos ligamentos naturais, dentes e unhas também no seu lugar.
Verificou-se que o hábito estava ensopado pela umidade do túmulo e o terço estava completamente enferrujado. As freiras lavaram o corpo, o vestiram e o puseram num ataúde forrado de seda.
Na segunda, em 3 de abril de 1919, o corpo estava no mesmo estado. Apenas que por causa da lavagem feita pelas freiras tinha-se criado mofo no corpo. Foi observado que as veias ainda estavam proeminentes como se estivessem cheias de sangue.
Na terceira, em 18 de abril de 1925, o corpo estava no mesmo estado, com a pele mais escura. Os músculos mostravam-se tonificados, a pele estava elástica e inteira salvo em algumas partes mínimas. O fígado estava elástico, quase normal, quando deveria estar reduzido a pó ou petrificado.
Fonte aqui

Sossegue coração

sossegue coração
ainda não é agora
a confusão prossegue
sonhos afora

calma calma
logo mais a gente goza
perto do osso
a carne é mais gostosa



Paulo Leminsky

Roberto Carlos

Sintep chama decisão do TJ de "imoral" e diz que desembargadores não passam de burocratas

O Sindicato dos Professores Estaduais, o conhecido Sintep, decidiu declarar guerra ao Tribunal de Justiça, por causa da decisão dos desembargadores de considerar ilegal a greve da categoria. Segundo nota distribuída hoje com a imprensa, a decisão da justiça “é imoral”.

“A decisão da justiça é imoral. Desembargadores recebem altos salários e tem vários privilégios, não estão nem ai com a situação dos professores e dos técnicos administrativos, nem da situação do povo pobre. Esses burocratas detestam movimentos sociais estão ao lado dos ricos, por isso, em todos os estados decretam a ilegalidade da greve e ainda determinam multas pesadas contra os sindicatos”, enfatizou a nota, que é assinada, no particular, pelo professor Sizenando Leal Cruz, docente da EFM São Sebastião, de Campina Grande.

Na mesma nota o governador é chamado de mentiroso e de outros adjetivos. O Sindicato garante que a greve continua, numa frontal resposta à decisão do Tribunal de Justiça da Paraíba.


Do Blog do Tião Lucena

A carência retórica

Uma coisa que me inquieta nas discussões das redes sociais e nos comentários de websaites é a imensa truculência, grosseria e estupidez com que as pessoas se exprimem quando estão discutindo algo que as incomoda. A Internet levantou o tapete do Brasil e nos mostrou o que estava oculto há muitas gerações. A liberdade de “dizer o que bem entender” tem sido usada por essas pessoas para insultar e agredir verbalmente qualquer bode expiatório que passar pela sua frente. E não venham me dizer que é a “Direita hidrófoba” que faz essas coisas. É todo mundo, de um extremo ao outro, e principalmente nos dois extremos.

Vou deixar de lado os que são meio psicopatas, os que aceleram o carro pra cima de uma passeata, os que se desentendem numa fila e daí a pouco matam um desconhecido com seis tiros, os que se juntam para linchar uma pessoa que foi confundida com outra. São pessoas em ebulição permanente, a ponto de explodir, e para elas tudo é pretexto. Casos perdidos, e não é neles que penso. Penso nas pessoas que não são assim (entre as quais amigos, conhecidos meus) e que “do nada” produzem frases de uma violência e um teor ofensivo que... não vou dizer que me assustam, porque não me assusto com nada, e em matéria de violência verbal sou capaz de entestar com qualquer um. Mas não creio que a “indignação cívica” baste para justificar não apenas as coisas que são ditas, mas o vocabulário rasteiro, brutal com que são ditas.

Por que o fazem? Chamo isso de carência retórica. Pessoas que precisam exteriorizar um sentimento muito intenso que brota numa região primitiva, pré-verbal. Tive um amigo que era o entusiasmo em pessoa, era um tipo como Maiakóvski (“sou coração dos pés à cabeça”). Chegava com um livro e dizia: “Esse livro é a coisa mais absolutamente genial e sensacionalmente maravilhosa que eu já vi em toda minha vida”. Dizia variantes disso, dez vezes por dia, com dez coisas diferentes. Eu dizia: “Rapaz, por que tu não inventa um elogio que prescinda de hipérboles?” (eu falava assim aos 18 anos).

Somente entusiasmos desse tipo, só que de repulsa, justificam expressões como as que a gente vê nas redes sociais, escritas por gente que sabemos educadas, por gente que sabemos terem bons sentimentos e bom caráter (coisas que têm apenas um pouco a ver com opções políticas), mas que parecem estar sempre de palavrão em riste para desferi-lo na direção de um político, um artista, uma pessoa que saiu no jornal devido a um acontecimento qualquer. Essa carência retórica mostra acima de tudo que o que o indivíduo diz passou por longe de sua consciência. Brota direto do lugar onde alguém lhe cravou os implantes mentais.

Bráulio Tavares
Mundo Fantasmo

Frase

A gente não acha que o PT inventou a corrupção, mas roubaram demais. Exageraram

CARLOS LUPPI, PRESIDENTE DO PDT, ALIADO DO PT

terça-feira, 28 de abril de 2015

Humor


De que são feitos os dias?

De que são feitos os dias? 
- De pequenos desejos, 
vagarosas saudades, 
silenciosas lembranças. 

Entre mágoas sombrias, 
momentâneos lampejos: 
vagas felicidades, 
inactuais esperanças. 

De loucuras, de crimes, 
de pecados, de glórias 
- do medo que encadeia 
todas essas mudanças. 

Dentro deles vivemos, 
dentro deles choramos, 
em duros desenlaces 
e em sinistras alianças... 

Cecília Meireles, in 'Canções' 

Sem vetos

Uma decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região acaba de eliminar as restrições criadas pelo Exército para ingresso na tropa. Desde 2005, os militares impediam candidatos com altura inferior a 1,60 metro (homens) ou 1,55 metro (mulheres). Também vetavam soldados com menos de vinte dentes naturais e portadores de doenças como aids ou sífilis. Se as novas regras não entrarem em vigor imediatamente, uma multa diária de 5 000 reais será aplicada ao Comando do Exército.
A decisão do TRF-1, relatada pelo desembargador Souza Prudente, foi tomada ao se analisar recursos do Ministério Público Federal e da União a uma decisão anterior, da Justiça Federal no Distrito Federal, que havia decidido contra a regra que discriminava candidatos por serem baixos. O MPF pedia que fossem atendidos os outros pedidos, enquanto a União defendia a manutenção da portaria na íntegra.
Diz Souza Prudente:
- Isso era discriminação sem nenhuma razão. Essas características não incapacitam ninguém ao trabalho.

Por Lauro Jardim  (Veja)

Charge


Versículos do dia

Quem é como o Senhor nosso Deus, que habita nas alturas? O qual se inclina, para ver o que está nos céus e na terra!

Salmos 113: 5-6

Foco em equidade

Durante os últimos 135 anos do beisebol profissional nos EUA, somente 20 arremessadores fizeram jogadas perfeitas. Em 2 de junho de 2010, Armando Galarraga da equipe de Detroit Tigers teria sido o número 21, mas um erro do árbitro lhe negou o sonho de todo arremessador.
O replay do vídeo mostrou a verdade. Mesmo o árbitro tendo, depois, reconhecido seu erro e se desculpado com Galarraga, a decisão tomada em campo não poderia ser alterada.
Em todo o tempo, Galarraga permaneceu calmo, expressou compreensão pelo arbitro e nunca o criticou. Armando recusou-se a retaliar e surpreendeu fãs, jogadores e repórteres esportivos. 
Se insistirmos em receber tratamento justo, poderemos nos sentir irritados e frustrados.

Prof. Menegatti

segunda-feira, 27 de abril de 2015


A vida e o Direito: breve manual de instruções

Luis Roberto Barroso foi patrono de uma turma de formandos em Direito e fez o discurso durante colação de grau.Foram 47 mil curtidas em apenas dois dias.

I. Introdução

Eu poderia gastar um longo tempo descrevendo todos os sentimentos bons que vieram ao meu espírito ao ser escolhido patrono de uma turma extraordinária como a de vocês. Mas nós somos – vocês e eu – militantes da revolução da brevidade. Acreditamos na utopia de que em algum lugar do futuro juristas falarão menos, escreverão menos e não serão tão apaixonados pela própria voz.

Por isso, em lugar de muitas palavras, basta que vejam o brilho dos meus olhos e sintam a emoção genuína da minha voz. E ninguém terá dúvida da felicidade imensa que me proporcionaram. Celebramos esta noite, nessa despedida provisória, o pacto que unirá nossas vidas para sempre, selado pelos valores que compartilhamos.

É lugar comum dizer-se que a vida vem sem manual de instruções. Porém, não resisti à tentação – mais que isso, à ilimitada pretensão – de sanar essa omissão. Relevem a insensatez. Ela é fruto do meu afeto. Por certo, ninguém vive a vida dos outros. Cada um descobre, ao longo do caminho, as suas próprias verdades. Vai aqui, ainda assim, no curto espaço de tempo que me impus, um guia breve com ideias essenciais ligadas à vida e ao Direito.

II. A regra nº 1

No nosso primeiro dia de aula eu lhes narrei o multicitado "caso do arremesso de anão". Como se lembrarão, em uma localidade próxima a Paris, uma casa noturna realizava um evento, um torneio no qual os participantes procuravam atirar um anão, um deficiente físico de baixa altura, à maior distância possível. O vencedor levava o grande prêmio da noite. Compreensivelmente horrorizado com a prática, o Prefeito Municipal interditou a atividade.

Após recursos, idas e vindas, o Conselho de Estado francês confirmou a proibição. Na ocasião, dizia-lhes eu, o Conselho afirmou que se aquele pobre homem abria mão de sua dignidade humana, deixando-se arremessar como se fora um objeto e não um sujeito de direitos, cabia ao Estado intervir para restabelecer a sua dignidade perdida. Em meio ao assentimento geral, eu observava que a história não havia terminado ainda.

E em seguida, contava que o anão recorrera em todas as instâncias possíveis, chegando até mesmo à Comissão de Direitos Humanos da ONU, procurando reverter a proibição. Sustentava ele que não se sentia – o trocadilho é inevitável – diminuído com aquela prática. Pelo contrário.

Pela primeira vez em toda a sua vida ele se sentia realizado. Tinha um emprego, amigos, ganhava salário e gorjetas, e nunca fora tão feliz. A decisão do Conselho o obrigava a voltar para o mundo onde vivia esquecido e invisível.

Após eu narrar a segunda parte da história, todos nos sentíamos divididos em relação a qual seria a solução correta. E ali, naquele primeiro encontro, nós estabelecemos que para quem escolhia viver no mundo do Direito esta era a regra nº 1: nunca forme uma opinião sem antes ouvir os dois lados.

III. A regra nº 2

Nós vivemos em um mundo complexo e plural. Como bem ilustra o nosso exemplo anterior, cada um é feliz à sua maneira. A vida pode ser vista de múltiplos pontos de observação. Narro-lhes uma história que li recentemente e que considero uma boa alegoria. Dois amigos estão sentados em um bar no Alaska, tomando uma cerveja. Começam, como previsível, conversando sobre mulheres. Depois falam de esportes diversos. E na medida em que a cerveja acumulava, passam a falar sobre religião. Um deles é ateu. O outro é um homem religioso. Passam a discutir sobre a existência de Deus. O ateu fala: "Não é que eu nunca tenha tentado acreditar, não. Eu tentei. Ainda recentemente. Eu havia me perdido em uma tempestade de neve em um lugar ermo, comecei a congelar, percebi que ia morrer ali. Aí, me ajoelhei no chão e disse, bem alto: Deus, se você existe, me tire dessa situação, salve a minha vida". Diante de tal depoimento, o religioso disse: “Bom, mas você foi salvo, você está aqui, deveria ter passado a acreditar". E o ateu responde: "Nada disso! Deus não deu nem sinal. A sorte que eu tive é que vinha passando um casal de esquimós. Eles me resgataram, me aqueceram e me mostraram o caminho de volta. É a eles que eu devo a minha vida". Note-se que não há aqui qualquer dúvida quanto aos fatos, apenas sobre como interpretá-los.

Quem está certo? Onde está a verdade? Na frase feliz da escritora Anais Nin, “nós não vemos as coisas como elas são, nós as vemos como nós somos”. Para viver uma vida boa, uma vida completa, cada um deve procurar o bem, o correto e o justo. Mas sem presunção ou arrogância. Sem desconsiderar o outro. 

Aqui a nossa regra nº 2: a verdade não tem dono.

IV. A regra nº 3

Uma vez, um sultão poderoso sonhou que havia perdido todos os dentes. Intrigado, mandou chamar um sábio que o ajudasse a interpretar o sonho. O sábio fez um ar sombrio e exclamou: "Uma desgraça, Majestade. Os dentes perdidos significam que Vossa Alteza irá assistir a morte de todos os seus parentes". Extremamente contrariado, o Sultão mandou aplicar cem chibatadas no sábio agourento. Em seguida, mandou chamar outro sábio. Este, ao ouvir o sonho, falou com voz excitada: "Vejo uma grande felicidade, Majestade. Vossa Alteza irá viver mais do que todos os seus parentes". Exultante com a revelação, o Sultão mandou pagar ao sábio cem moedas de ouro. Um cortesão que assistira a ambas as cenas vira-se para o segundo sábio e lhe diz: "Não consigo entender. Sua resposta foi exatamente igual à do primeiro sábio. O outro foi castigado e você foi premiado". Ao que o segundo sábio respondeu: "a diferença não está no que eu falei, mas em como falei".

Pois assim é. Na vida, não basta ter razão: é preciso saber levar. É possível embrulhar os nossos pontos de vista em papel áspero e com espinhos, revelando indiferença aos sentimentos alheios. Mas, sem qualquer sacrifício do seu conteúdo, é possível, também, embalá-los em papel suave, que revele consideração pelo outro. 

Esta a nossa regra nº 3: o modo como se fala faz toda a diferença.

V. A regra nº 4

Nós vivemos tempos difíceis. É impossível esconder a sensação de que há espaços na vida brasileira em que o mal venceu. Domínios em que não parecem fazer sentido noções como patriotismo, idealismo ou respeito ao próximo. Mas a história da humanidade demonstra o contrário. O processo civilizatório segue o seu curso como um rio subterrâneo, impulsionado pela energia positiva que vem desde o início dos tempos. Uma história que nos trouxe de um mundo primitivo de aspereza e brutalidade à era dos direitos humanos. É o bem que vence no final. Se não acabou bem, é porque não chegou ao fim. O fato de acontecerem tantas coisas tristes e erradas não nos dispensa de procurarmos agir com integridade e correção. Estes não são valores instrumentais, mas fins em si mesmos. São requisitos para uma vida boa. Portanto, independentemente do que estiver acontecendo à sua volta, faça o melhor papel que puder. A virtude não precisa de plateia, de aplauso ou de reconhecimento. A virtude é a sua própria recompensa. 

Eis a nossa regra nº 4: seja bom e correto mesmo quando ninguém estiver olhando.

VI. A regra nº 5
Em uma de suas fábulas, Esopo conta a história de um galo que após intensa disputa derrotou o oponente, tornando-se o rei do galinheiro. O galo vencido, dignamente, preparou-se para deixar o terreiro. O vencedor, vaidoso, subiu ao ponto mais alto do telhado e pôs-se a cantar aos ventos a sua vitória. Chamou a atenção de uma águia, que arrebatou-o em vôo rasante, pondo fim ao seu triunfo e à sua vida. E, assim, o galo aparentemente vencido reinou discretamente, por muito tempo. A moral dessa história, como próprio das fábulas, é bem simples: devemos ser altivos na derrota e humildes na vitória. Humildade não significa pedir licença para viver a própria vida, mas tão-somente abster-se de se exibir e de ostentar. Ao lado da humildade, há outra virtude que eleva o espírito e traz felicidade: é a gratidão. Mas atenção, a gratidão é presa fácil do tempo: tem memória curta (Benjamin Constant) e envelhece depressa (Aristóteles). Portanto, nessa matéria, sejam rápidos no gatilho. Agradecer, de coração, enriquece quem oferece e quem recebe.

Em quase todos os meus discursos de formatura, desde que a vida começou a me oferecer este presente, eu incluo a passagem que se segue, e que é pertinente aqui. "As coisas não caem do céu. É preciso ir buscá-las. Correr atrás, mergulhar fundo, voar alto. Muitas vezes, será necessário voltar ao ponto de partida e começar tudo de novo. As coisas, eu repito, não caem do céu. Mas quando, após haverem empenhado cérebro, nervos e coração, chegarem à vitória final, saboreiem o sucesso gota a gota. Sem medo, sem culpa e em paz. É uma delícia. Sem esquecer, no entanto, que ninguém é bom demais. Que ninguém é bom sozinho. E que, no fundo no fundo, por paradoxal que pareça, as coisas caem mesmo é do céu, e é preciso agradecer".

Esta a nossa regra nº 5: ninguém é bom demais, ninguém é bom sozinho e é preciso agradecer.

VII. Conclusão

Eis então as cláusulas do nosso pacto, nosso pequeno manual de instruções:
1. Nunca forme uma opinião sem ouvir os dois lados;
2. A verdade não tem dono;
3. O modo como se fala faz toda a diferença;
4. Seja bom e correto mesmo quando ninguém estiver olhando;
5. Ninguém é bom demais, ninguém é bom sozinho e é preciso agradecer.
Aqui nos despedimos. Quando meu filho caçula tinha 15 anos e foi passar um semestre em um colégio interno fora, como parte do seu aprendizado de vida, eu dei a ele alguns conselhos. Pai gosta de dar conselho. E como vocês são meus filhos espirituais, peço licença aos pais de vocês para repassá-los textualmente, a cada um, com toda a energia positiva do meu afeto:
(i) Fique vivo;
(ii) Fique inteiro;
(iii) Seja bom-caráter;
(iv) Seja educado; e
(v) Aproveite a vida, com alegria e leveza.
Vão em paz. Sejam abençoados. Façam o mundo melhor. E lembrem-se da advertência inspirada de Disraeli: "A vida é muito curta para ser pequena".

Luis Roberto Barroso
Ministro do STF

Versículos do dia

Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará.
Direi do Senhor: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei.
Porque ele te livrará do laço do passarinheiro, e da peste perniciosa.


Salmos 91:1-3
O passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente.

Mário Quintana

O namorado que não acredita em inferno

A garota chega para mãe, reclamando do ceticismo do namorado. 
- Mãe, o Pedro diz que não acredita em inferno!
A mãe responde:
- Case-se com ele minha filha e deixe o resto comigo!

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Sobrevivente do terremoto o Nepal é retirado dos escombros (Foto: Narendra Shrestha / EFE)

Frase

Eu sou mais uma entre as pessoas que se decepcionaram com o PT e não enxergam a possibilidade de o partido retomar sua essência

MARTA SUPLICY, SENADORA DO PT-SP

Crônica diária

"PRESO ENVIA PEDIDO DE LIBERDADE AO STJ ESCRITO EM PAPEL HIGIÊNICO". CORTE HAVIA RECEBIDO PEDIDOS DE HABEAS CORPUS DO MESMO DETENTO EM PEDAÇOS DE LENÇOL NO ANO PASSADO.

"EM CARTA A AMIGOS, PALOCCI DIZ QUE CONSULTORIAS PRESTADAS SÃO ‘LEGÍTIMAS RELAÇÕES COMERCIAIS’"EX-MINISTRO AFIRMA TER REALIZADO SERVIÇOS PARA AS EMPRESAS PÃO DE AÇÚCAR, JBS E CAOA

"CUNHADA DE VACCARI DIZ QUE RECEBEU R$ 200 MIL DO PT POR ‘DANOS MORAIS’".MARICE CORRÊA DE LIMA USOU O PAGAMENTO PARA COMPRAR APARTAMENTO INVESTIGADO NA OPERAÇÃO LAVA-JATO

SÓ PODERIA ACONTECER NO BRASIL. NO MESMO DIA, NO MESMO JORNAL, TRÊS MANCHETES COM TRÊS NOTÍCIAS PARA NOS MATAR DE RIR, OU CHORAR DE VERGONHA. AS DUAS PRIMEIRAS NEM CARECEM DE COMENTÁRIOS. MAS A DESCULPA PARA JUSTIFICAR OS R$200 MIL DO PT, QUE A "CUNHADA DO VACCARI" USOU, É FANTÁSTICA: "DANOS MORAIS". E PIOR, PASMEM OS SENHORES, O PARTIDO NEGA TER PAGO, POR CONTA DE QUE SEU NOME (IMPOLUTO) TIVESSE SIDO CITADO NO PROCESSO DO MENSALÃO. ESSA GENTE É REALMENTE EXTRAORDINÁRIA. NÃO LHES FALTA OUSADIA. PAPUDA NELA. 

PS- DIAS DEPOIS FOI COLOCADA EM LIBERDADE. É O BRASIL. ELA NEGA SER ELA QUE ESTA NA CENA DO CRIME. DIZ SER A IRMÃ. A IRMÃ, MULHER DO VACCARI NEGA TAMBÉM. QUE AVACALHAÇÃO...


Eduardo P. Lunardelli

domingo, 26 de abril de 2015


Rubem Braga


Bicicleta dobrável



Bicicletas dobráveis: uma solução urbana de primeira. Com uma dessas, você pode até pegar o metrô em hora de rush. #Design
Posted by Portal AECweb on Quinta, 23 de abril de 2015

Soneto de agosto



Tu me levaste, eu fui... Na treva, ousados
Amamos, vagamente surpreendidos
Pelo ardor com que estávamos unidos
Nós que andávamos sempre separados.

Espantei-me, confesso-te, dos brados
Com que enchi teus patéticos ouvidos
E achei rude o calor dos teus gemidos
Eu que sempre os julgara desolados.

Só assim arrancara a linha inútil
Da tua eterna túnica inconsútil...
E para a glória do teu ser mais franco

Quisera que te vissem como eu via
Depois, à luz da lâmpada macia
O púbis negro sobre o corpo branco.


Vinicius de Moraes


Já conhece o coletor menstrual? Saiba tudo sobre o novo queridinho das mulheres!

A estudante de Relações Públicas de 23 anos, Lara Pascom, sempre se sentiu desconfortável com o uso dos absorventes convencionais. Após descobrir que eles podem causar irritações, tanto pelo material químico presente no algodão do absorvente como por deixarem a região abafada, ela começou a usar o coletor menstrual, conhecido também como "copinho", em 2012. 
coletor menstrual, como o próprio nome indica, é um copinho que coleta o sangue da menstruação. Feito de silicone hipoalergênico [livre de substâncias que podem causar alguma reação alérgica] e antibacteriano, ele se ajusta facilmente ao corpo da mulher.
"Li uma matéria sobre as mulheres usarem oito toneladas de absorventes ao longo da vida e isso me deixou bastante pensativa. Descobri o coletor numa loja de produtos naturais. Eu buscava um absorvente lavável e achei o coletor que, além de lavável, é interno e me poupa do desconforto do volume que os absorventes causam", conta a estudante.
Manuseio do coletor menstrual
O produto é mais barato do que os absorventes íntimos convencionais e é mais ecológico porque não produz lixo. Em média, as mulheres gastam R$ 9 mil com absorventes descartáveis, seja internos ou externos, ao longo da vida. Além disso, o coletor menstrual é mais prático: diferente do absorvente íntimo, que é colocado ao fundo do canal vaginal, o coletor fica na entrada da vagina, facilitando a remoção sem sujeira.
Claro que no começo colocar o coletor menstrual tem lá suas dificuldades, dizem as adeptas, mas todas elas são bem superáveis. A estudante Lara Pascom conta que, como os coletores vêm com haste para facilitar a retirada, a experiência inicial foi desconfortável. "Um dos pontos positivos no uso do coletor é você criar consciência do seu músculo da pélvis. Eu entendi que ao fazer uma força similar a da urina eu conseguiria retirar o coletor sem a haste e isso tornou o uso confortável porque ele fica todo interno. Sem contar que é seguro e encaixa sem causar desconforto. Parece que estou sem nada", diz a estudante.
"O uso do coletor me permitiu ter mais contato com o meu corpo sem nojo, sem tabus, o que é um um pouco difícil para as mulheres que nunca tiveram esse estímulo e tratam a menstruação como um problema, como uma semana chata do mês", reforça a estudante, que costuma fervê-lo numa panela utilizada exclusivamente para isso no primeiro dia do ciclo e no último menstrual. "Para as mulheres que desejam testar o coletor, você vai gastar uma vez só com algo que usará todo mês e que vai durar anos. Nesses três anos nunca troquei o produto e ele ainda está ótimo", recomenda.
Coisas que você precisa saber sobre o coletor!
A ginecologista e sexóloga Carol Ambrogini, coordenadora do Projeto Afrodite, centro de sexualidade feminina do Departamento de Ginecologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), recomenda o uso do coletor menstrual. "Ele traz praticidade para a vida das mulheres. Como o coletor é intravaginal, ele pode ser um empecilho para aquelas que têm mais dificuldade de lidar com a própria vagina, algo que não é tão raro, infelizmente", explica.
coletor menstrual pode ficar até 12 horas sem precisar esvaziar, mesmo para a mulher que tem fluxo intenso. "Além disso, é bom para ir à praia, dormir, fazer exercícios, namorar ou se masturbar (sem penetração)", afirma Lara Pascom.
O produto custa entre R$ 79 e R$ 100 (os preços podem variar) e algumas empresas vendem pela internet como a MoonCup e a InCiclo, por exemplo. O uso do coletor menstrual só não é indicado para mulheres com alergia ao silicone, que estão no pós-parto, que têm má-formação vaginal, secreção vaginal aumentada ou infecção.
"O coletor não provoca alteração da flora vaginal e é até melhor porque não 'abafa' a vagina como os absorventes tradicionais. Seu uso não causa infecção urinária. Mas ele só deve ser usado no período menstrual", reforça a ginecologista Carol Ambrogini.
Fonte: aqui

"Pracas"







Arte de amar

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus – ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.


Manuel Bandeira

CNBB divulga nota mostrando preocupação com situação do país

Para entidade, os três poderes da República "têm o dever do diálogo para a solução que devolva a certeza de superação da crise"
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reunida em sua 53ª assembleia geral, em Aparecida São Paulo, divulgou nesta sexta-feira, nota em que demonstra preocupação com a realidade brasileira, marcada por crises que ameaça conquistas e coloca em risco a ordem democrática do país.
“A retomada de crescimento do país, uma das condições para vencer a crise, precisa ser feita sem trazer prejuízo à população, aos trabalhadores e, principalmente, aos mais pobres. Projetos, como os que são implantados na Amazônia, afrontam sua população, por não ouvi-la e por favorecer o desmatamento e a degradação do meio ambiente”.
Sob o ajuste fiscal que a presidente Dilma Rousseff pretende fazer, a CNBB alerta que “a retomada de crescimento do país, uma das condições para vencer a atual crise, precisa ser feita sem trazer prejuízo à população, aos trabalhadores e, principalmente, aos mais pobres”.
A entidade não poupou críticas a outros temas como a lei que permite a terceirização do trabalho, aprovada na Câmara. “É inadmissível que a preservação dos direitos sociais venha a ser sacrificada para justificar a superação da crise’.
Quanto a redução da maioridade penal, em discussão no Congresso e que foi tema de uma entrevista a este blog, com o secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, reeleito, o documento classifica como um “equívoco que precisa ser desfeito”.
Para a CNBB, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em vigor há 25 anos, responsabiliza o adolescente, a partir dos 12 anos, por qualquer ato contra a lei, aplicando-lhe as medidas socioeducativas. Dispensando, segundo a entidade, a necessidade da redução de 18 para 16 a maioridade penal.
“Ao invés de aprovarem a redução da maioridade, os parlamentares deveriam criar mecanismos que responsabilizem os gestores por não aparelharem seu governo para a correta aplicação das medidas socioeducativas”
O texto é assinado pelo cardeal Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida, que nesta sexta-feira (24) transmitiu a dom Sérgio da Rocha, arcebispo de Brasília, o cargo de presidente da CNBB.
Edjalma Borges

sábado, 25 de abril de 2015