sábado, 30 de junho de 2012

Auanne Dayra

Hoje, batizamos a nossa mais recente afilhada Auanne Dayra, filha do casal e agora compadres Zildo de Souza e Marlene Alves. A cerimônio foi realizada pelo Pe. Aldeone, pároco da igreja de São Pedro, no Bairro dos Pereiros.

A afilhada, graciosa e alegre, distribuiu simpatia aos presente.

Que Deus possa lhe abençoar e cobrir de sucesso os seus caminhos minha querida!

Shanghai Debut: Hennessy V.S.O.P from Dustin Lynn on Nowness.com.

Have I Told You Lately That I Love You



Click e ouça!!!

Por uma imprensa livre de pressões e opressores

Escultura em areia

Pescado do face de Maria França

Aerosmith

Quando a norma equivale ao erro


"Invejo a burrice, porque é eterna".
Nelson Rodrigues


O que dantes era emendado como erro básico de ortografia, próprio de gente burra, agora é mantido solenemente em artigos de jornal por vir com a chancela quase oficial da agência Lusa, primeiro órgão de informação a substituir o português pelo acordês. Os resultados estão à vista: a palavra contacto, que nem o "pacto de submissão" aos interesses das editoras brasileiras previa, é amputada duas vezes no mesmo texto de origem (e felizmente emendada no título do jornal). Na dúvida, opta-se pela burrice à boleia do tal acordo destinado a suprimir consoantes.

Começa-se pelas chamadas "consoantes mudas" e logo se transita para a caça às sonoras, que assim deixam de o ser. Até cada um passar a escrever como lhe der na real gana. Sem norma, com imensas "facultatividades", sem a noção básica da etimologia. Como António Guerreiro sublinha aqui, a propósito de panóptico, palavra que «nunca teve outra pronúncia que não fosse a da 'norma culta'» e que apesar disso passou alarvemente a escrever-se panótico por imposição dos "corretores ortográficos" em acordês.

À falta de um vocabulário ortográfico comum - promessa nunca concretizada pela brigada acordista - passa a valer tudo: erro e norma tornam-se irmãos siameses. "O AO", estúpido como é - de uma estupidez cómico-grotesca -, promove constantemente erros de hipercorrecção, sem fornecer meios que os possam evitar. E, hipertélico, acaba por ir além dos seus próprios fins e anulá-los. Sem o 'p' a palavra refere-se à audição, e não à visão, ou então é utilizada no campo da química para designar um corante», sublinha Guerreiro, crítico literário do Expresso.

Sábio - nesta matéria, como em tantas outras - era Fernando Pessoa. Que escreveu, cheio de razão: «A ortografia é um fenómeno da cultura, e portanto um fenómeno espiritual. O Estado nada tem com o espírito. O Estado não tem direito a compelir-me, em matéria estranha ao Estado, a escrever numa ortografia que repugno, como não tem direito a impor-me uma religião que não aceito.»

Sobretudo quando procura impor uma norma que equivale ao erro

 
Pedro Correia
(Pedro Correia é português)

Ipsis verbis

"Toda a sociedade que não é esclarecida por filósofos é enganada por charlatães."

Condorcet

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Fim do mundo

Sobre as vantagens e desvantagens da crença no fim do mundo para a vida.


2012 é um ano marcado com o que para uns é possibilidade e, para outros, mera neurose popular, a curiosa crença no fim do mundo. Nem uma coisa nem outra, a crença no fim do mundo inventada pelas religiões é, de certo modo, uma hipótese tão importante na economia política da qual as ideias fazem parte como a teoria do Big Bang ou as narrativas míticas de povos em geral, sejam os gregos, os africanos ou americanos nativos que se ocupam de um começo. O gênese bíblico até hoje faz muito sucesso. Mundo é uma ideia que ocupou filósofos metafísicos de Platão a Leibniz, de Descartes a Kant, até os contemporâneos. Uns dizem “o mundo”, outros dizem “meu mundo”, enquanto é bom lembrar que Giordano Bruno falava em “mundos” e acabou sendo morto por isso. Daí que muitos tentem controlar a ideia de mundo evitando que se pense na ideia de um “outro mundo possível” em termos sócio-econômicos, por exemplo. O controle sobre o que podemos chamar de mundo das ideias que circulam por aí pela religião ou pela publicidade define práticas tão simples como o desejo de comprar um carro ou a música que se há de ouvir. Das ideias advém as ações. Nenhuma novidade.

A crença no fim do mundo se tornou ainda mais popular com a advento dos meios de comunicação de massa. A religião compartilha com eles o poder de difusão das ideias. Se antes o sacerdote falava para a multidão no púlpito, hoje ele fala nas telas para maiorias impressionantes e nem precisa acreditar no que diz. A força da crença no fim do mundo prova que vivemos num mundo carregado de religião ainda que pareça secularizado: dizer que o capital é Deus e que a mercadoria é o fetiche não é novidade. Problema é de quem acredita nisso e de quem, não acreditando, precisa engolir. Só que, enquanto crença, o fim do mundo é, como aquela coisa de podre que havia no hamletiano reino da Dinamarca, uma parte incômoda no pacote da crendice que religião e publicidade vendem, cada uma, à sua maneira.

Para crer em qualquer coisa é preciso não pensar, seja em Deus seja na “marca”. No cálculo geral que a razão faz sobre a vida, para muitos é melhor simplesmente crer e deixar de lado o ponto de interrogação que deveria acompanhar nossos atos de pensamento mais básicos. A crença no fim do mundo está em voga, mas a crença na eternidade do mundo também. A verdade dominante pode até admitir o juízo final judaico-cristão, mas a profecia das minorias, seja a maia, a oriental ou a africana deve ser ridicularizada. Seria para evitar a tristeza, a depressão das massas, a melancolia inevitável da ideia?

De que melancolia ou de que depressão se trata de evitar? Quando se fala nestes afetos negativos na indústria geral da felicidade que promove o desejo pelas marcas, objetos e corpos perfeitos, é preciso pensar em dois pesos e duas medidas: há uma depressão fomentada – a falsa pela falta de poder de compra – e outra a ser evitada – a verdadeira, pela percepção do sem-rumo no qual se estabelece a vida em sociedade. Fato é que as pessoas não creem realmente, elas apenas precisam dos resultados e efeitos positivos que as crenças tem diretamente sobre a vida. A consciência acomodada pode não ter paz, nem prazer, mas terá sua satisfação imediata e ilusória comprando ou injetando drogas autorizadas ou não. Ou simplesmente crendo que tudo está bem.

“Fim do mundo” pode parecer uma ideia inútil, mas nos ensina o sentido da profecia em nossas vidas, ajudando-nos a pensar a verdadeira questão do futuro: teremos futuro? Futuro é uma palavra abandonada no vocabulário da felicidade comercial vendida em nossos dias. Se o planeta desaparecerá um dia e com ele a espécie humana é questão inevitável. Não somos para sempre, mas olhar para a nossa morte implica rever o sentido da vida. E este desejo não está à venda no mercado.


Márcia Tiburi


*Da coluna da Márcia Tiburi na Revista Cult do mês de fevereiro

Reforma ortográfica






A foto que queima o seu filme

Há sempre um crime por trás de cada imagem


Uma foto pode queimar seu filme. E com a falta de privacidade, esta doença infantil do modernismo, basta uma “inocente” fotinha para sua batata assar na fogueira do ciúme.

O que era apenas um rosto colado para um “recuerdo” da turma vira um deus-nos-acuda. Vira uma D.R. mais longa que a Caxangá, a avenida de maior extensão em linha reta do mundo. Óbvio, fica no Recife, como todas as maiores coisas do universo.

D.R., amigo desavisado, vem a ser a sigla moderna para a mitológica Discussão de Relação.

Todo cuidado é pouco na hora da foto. Se for fotinha de festa, de boate etc, ave, qualquer um pode pagar caro.

Como diz meu amigo Lírio Ferreira, há sempre um crime da imagem.

Dependendo do ângulo, um rosto colado vira um beijo na boca ao melhor estilo Deborah Kerr e Burt Lancaster em “Além da eternidade”. Tudo bem, vamos lembrar um beijo de cinema mais recente: Juliette Binoche e Johnny Depp em “Chocolate”.

Agora falando sério: assim como no caso político de Lula com Maluf, a gente nem sempre fica bem na foto.

Todo político graúdo ou miúdo do país tem foto de aliança eleitoral com o “doutor Paulo”, como é chamado nas internas, mas com o cacique petista revelou-se a sua enorme ingratidão com os seus seguidores. Como se na política partidária ainda existisse espaço para queimar o filme.

Voltemos ao amor, que é o que conta na hora de passar a régua da existência. Com algumas companhias, ok, a sua fita não queima qual balão de festa junina. Com outras -não que sejam Malufs do amor porque não tem comparação- basta uma fotinha coletivíssima de “happy hour” da firma que já era. Em livre tradução: dá merda.

Você já queimou o filme em casa por conta de uma desajeitada aliança momentânea?

Pior é que não há como explicar uma imagem. Em um flagrante delito real você ainda pode dizer “não é nada disso que você está pensando”. Com uma fotinha maldosa postada na rede social, jamais. A imagem vale mais que mil explicações.
Em um bar ou boate, nossa, sem chance. Em um momento já de desconfiança do casal, esqueça, já era, perdidas ilusões.

Abra o seu coração, você já foi injustiçado(a) por uma foto? Como no filme “Blow up” [no cartaz aí acima], já viram um crime por trás do seu “inocente”retrato?


Xico Sá

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Barry Manilow - Can't Smile Without You

Não são raros os casos de amizades, íntimas e profundas, que se vêem destruídas pelas viagens e pela vontade de ver o mundo.

(Robert Walser)

Debaixo do tamarindo

No tempo de meu Pai, sob estes galhos,
Como uma vela fúnebre de cera,
Chorei bilhões de vezes com a canseira
De inexorabilíssimos trabalhos.

Hoje, esta árvore, de amplos agasalhos,
Guarda, como uma caixa derradeira,
O passado da Flora Brasileira
E a paleontologia dos Carvalhos!

Quando pararem todos os relógios
De minha vida, e a voz dos necrológios
Gritar nos noticiários que eu morri,

Voltando à pátria da homogeneidade,
Abraçada com a própria Eternidade

A minha sombra há de ficar aqui!

 
Augusto dos Anjos

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Ficha limpa também no serviço público

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira proposta de emenda constitucional (PEC) estendendo as exigências da Lei da Ficha Limpa para o preenchimento de cargos públicos efetivos e comissionados, ou seja, sem exigência de concurso público. A proposta vai para o plenário do Senado.

Se aprovada, regra vale para crimes dolosos cometidos 8 anos antes de ocupar cargo.


Chico Amaro e Luiz Gonzaga

Aqui, o sanfoneiro paraibano Chico Amaro com o imortal Luiz Gonzaga

A rainha má

Ravenna confiava somente no seu espelho. Dá para entender. Por um lado, espelhos não mentem. Por outro, sua fama de rainha má provavelmente afastava qualquer possibilidade de diálogo franco com interlocutores confiáveis.

Imagino que ela tenha formado uma corte incapaz de lhe contar a verdade. Seus conselheiros mais próximos provavelmente utilizavam meias verdades para construir mentiras inteiras. Apesar de tudo, ela tinha pelo menos algo ou alguém em quem podia confiar. Seu espelho, sempre prestativo, estava ali, a seu dispor, para responder a qualquer pergunta que sua rainha quisesse fazer.

Ela poderia ter perguntado ao espelho sobre as verdades do seu reino, sobre as necessidades dos seus comandados, ou sobre as consequências de suas ações. Ao invés, perguntava somente sobre sua beleza.

Obcecava com Branca de Neve como se esta fosse a razão pela qual as coisas não iam bem. Para Ravenna, matar Branca de Neve era sinônimo e garantia de beleza eterna e, claro, de poder.

Ravenna podia ser rainha, mas não era uma líder. Ela era apenas chefe. Era detentora do poder naquele reino que, como rainha, comandava pessoas e tinha autoridade para mandar e exigir obediência. Se quisesse ser líder, a Rainha Má deveria ser muito mais que isso.

Ela deveria ser capaz de conduzir seus comandados de maneira a transformá-los numa equipe. Deveria ter a habilidade de motivar e influenciar os liderados, de forma ética e positiva, para que estes contribuíssem voluntariamente e com entusiasmo para alcançarem os objetivos do reino.

Liderança pressupõe a capacidade de aliança com os liderados. Exige que o líder se cerque de interlocutores confiáveis capazes de lhe entregar verdades amargas e evitar a embriaguez das mentiras doces.

O verdadeiro líder não olha para si. Olha para seus comandados e, fazendo-o, compreende e atende suas necessidades. Procura saber onde estão os problemas com a finalidade de resolvê-los, e não de justificá-los.

O papel de líder não permite o luxo de atribuir todos os problemas a causas externas. Não permite a apropriação do crédito do que dá certo enquanto atribui culpa aos outros por aquilo que dá errado. Líderes perdem pouco tempo justificando. Eles investem seu tempo na busca de soluções.

O líder compreende sua responsabilidade. Assume responsabilidade sobre tudo que acontece sob sua guarda. Seja ou não sua culpa. A ausência de culpa não o exime do peso da liderança. A reponsabilidade sobre erros, acertos e circunstancias é o ônus da liderança.


Elton Simões


Elton Simões mora no Canadá há 2 anos. Formado em Direito (PUC); Administração de Empresas (FGV); MBA (INSEAD), com Mestrado em Resolução de Conflitos (University of Victoria

Reblogged from darkface
(Source: yasmeen1)



A vida do homem divide-se em cinco períodos: infância, adolescência, mocidade, virilidade e velhice. No primeiro período o homem ama a mulher como mãe; no segundo, como irmã; no terceiro, como amante; no quarto, como esposa; no quinto, como filha.


Pierre Proudhon

terça-feira, 26 de junho de 2012

MPPB obtém decisão judicial que proíbe a suspensão no fornecimento de energia pela ENERGISA em caso de recuperação de débito


Dr. Leonardo Fernandes Furtado - Promotor de Justiça de Pombal-PB

O Ministério Público da Paraíba (Promotoria de Justiça de Pombal – PB) obteve decisão judicial liminar (antecipação de tutela), em ação civil pública contra a ENERGISA PARAÍBA – DISTRIBUIDORA DE ENERGISA S/A, que ficou impedida de efetuar a suspensão (“corte”) do fornecimento de energia elétrica das unidades consumidoras em decorrência de procedimento administrativo de recuperação de consumo, bem como ficou obrigada ao restabelecimento de energia elétrica das unidades consumidoras com corte promovido em decorrência da aludida recuperação de consumo.

A decisão abrange toda a Comarca de Pombal – PB, que engloba as cidades de Pombal, São Bentinho, Cajazeirinhas, São Domingos e Lagoa.

Em caso de descumprimento, a multa fixada pelo Poder Judiciário corresponde a R$500,00 (quinhentos reais) por unidade de consumo afetada.

O processo judicial foi tombado sob o número 03020120014482 (2ª Vara da Comarca de Pombal – PB).





Anticoncepcional inibe produção de espermatozoides


Novo gel anticoncepcional para homens apresentou resultados promissores em testes de laboratório, de acordo com estudo no The Endocrine Society's 94th Annual Meeting.

A pesquisa revela que os participantes que aplicaram o composto sobre a pele mostraram redução significativa na produção de espermatozoides.

O gel, criado pelos médicos do Instituto de Pesquisa Biomédica de Los Angeles (LA Biomed), combina dois tipos de hormônios para inibir a produção de espermatozoides.

Um deles é a testosterona, o hormônio masculino. O outro é chamado de "nestorone", uma variação sintética do hormônio feminino progesterona.

Entre os homens que participaram dos testes, 89% apresentaram redução na contagem de espermatozoides a níveis considerados de baixo risco para a fecundação.

"Esta é a primeira vez que testosterona e Nestorone foram aplicados sobre a pele em conjunto para fornecer quantidades adequadas de hormônios que inibem a produção de esperma. Os homens podem usar géis transdérmicos em casa, ao contrário dos habituais injeções e implantes, que deve ser feitas no consultório médico", afirma a pesquisadora Christine Wang.

Segundo Wang, nos homens, a progestina aumenta a eficácia contraceptiva da testosterona. "Tanto testosterona quanto progesterona trabalham em conjunto para desligar a produção de hormônios reprodutivos que controlam a produção de esperma. Além disso, ao contrário de outras progestinas estudadas como contraceptivos masculinos, Nestorone não tem atividade androgênica. Atividade androgênica pode causar efeitos secundários, tais como acne e mudanças nos níveis de colesterol bom e ruim", observa a pesquisadora.

Para o trabalho, os pesquisadores recrutaram 99 homens saudáveis para usar um dos tratamentos transdérmicos não identificados todos os dias durante seis meses. O tratamento atribuído ou era um gel contendo 10 gramas de testosterona e um placebo ou o gel de testosterona mesmo com um gel contendo 8 ou 12 miligramas (mg) de Nestorone.

Apenas 23% dos homens que receberam testosterona sozinha obteviram uma concentração espermática inferior a 1 milhão de espermatozoides por mililitro, em comparação com 89% dos que receberam o gel combinado.

O gel pode ser aplicado na pele e tem efeito reversível, ou seja, a fertilidade é restaurada quando ele para de ser usado. E o hormônio sintético não causa efeitos colaterais como acne e alterações no colesterol.

Ainda vai levar um tempo até que o gel chegue ao mercado. "A combinação da testosterona com Nestorone teve poucos efeitos adversos. Isso merece um estudo mais aprofundado como um contraceptivo masculino potencial", afirma Wang.

R7

O poder da arte - Bernini

domingo, 24 de junho de 2012

Fotografia - Christian Cravo




Depois de dez idas à Africa, Christian Cravo mostra o trabalho em que transforma bichos em paisagens e vice-versa

Adaptando-se às circunstâncias

O guerreiro da luz às vezes se comporta como água, e flui por entre os muitos obstáculos que encontra.

Em certos momentos, resistir significa ser destruído; então, ele se adapta às circunstâncias. Aceita, sem reclamar, que as pedras do caminho tracem seu rumo através das montanhas.

Nisto reside à força da água: ela jamais pode ser quebrada por um martelo, ou ferida por uma faca. A mais poderosa espada do mundo é incapaz de deixar uma cicatriz em sua superfície.

A água de um rio adapta-se ao caminho que é possível, sem esquecer do seu objetivo: o mar. Frágil em sua nascente, aos poucos vai ganhando a força dos outros rios que encontra.

E, a partir de determinado momento, seu poder é total.


Paulo Coelho
 
 
*Sugestão de postagem do amigo Adauto

Política da Solidão

Clinicalização do estar só escamoteia o verdadeiro mal da sociedade atual.


Algo vai muito mal com a autocompreensão do ser humano sob a crença de que existe um padrão normal dos afetos que calibraria o todo da experiência emocional humana. A crença na normalidade confirma apenas que vivemos mergulhados na incomunicabilidade. Os sentimentos humanos são nebulosos e confusos, mas não são expressos senão por meio de atos desesperados que falam por si mesmos.

Se a norma fosse estabelecida pelo que há de mais comum, teríamos de voltar ao paradoxo de Bacamarte: o anormal é normal, o normal é anormal.

O fenômeno contemporâneo da psiquiatrização da vida nasceu como tentativa de eliminar a estranheza humana. Hoje ele sustenta a indústria cultural da saúde, que se serve do sofrimento humano como a hiena se serve da carniça.

Para os fins do logro capitalista já não basta aproveitar a desgraça do outro, também se pode ajudar a incrementar a produção do infortúnio usando a arma do discurso. A moral une-se à ciência nessas horas e quem paga o preço é o indivíduo humano, do qual se extirpa a capacidade de pensar sobre sua própria vida.

Se a indústria farmacêutica depende da evolução das drogas e dos remédios, depende também da existência de doenças. Criar um remédio pode implicar a criação da doença.

Assim é que uma das mais fundamentais experiências humanas na mira dos sacerdotes da moral que propagam a psiquiatrização da vida é, hoje, a solidão. A banalidade da proposta não é pouco violenta.

Em pesquisa recentemente divulgada, um médico norte-americano definiu a solidão não apenas como doença, mas como epidemia. Tratou-a como uma tendência contrária à evolução. Definida como um erro da “natureza humana”, a solidão passa a ser vista fora de sua dimensão social e histórica. Como doença, ela seria a causa do sofrimento e não o efeito da perda de sentido da convivência entre as pessoas. Em última instância, daquilo que seria o significado mais próprio da política como universo da integração entre indivíduos e comunidades.

Em um mundo em que a política foi destruída pelo poder transformado em violência, a solidão é o sintoma do medo do outro que ameaça o indivíduo.

Diz-se indivíduo daquele que não pode ser dividido, que é inteiro. Podemos dizer que a solidão é constitutiva de si no mais simples sentido metafísico. Mas há a solidão como um fato que diz respeito à vida vivida fora das relações. É essa solidão que deve ser inscrita na filosofia política como afeto político.

Mas não há nada de anormal em um indivíduo viver só. A solidão da qual muitos se queixam hoje como um desprazer pode ser para outros tantos um prazer. Viver em comunidade não faz sentido para todo mundo e isso não leva necessariamente à conclusão de antissociabilidade da qual o indivíduo seria a vítima ou o culpado.

A solidão nas cidades grandes é muito mais um sinal da precariedade do sentido da comunidade e da convivência, é mais um problema sociocultural do que de escolha individual.

SELVA DE PEDRA

Certamente ela reflete a impossibilidade de retornar às florestas, como um dia fez Henry Thoreau. As florestas estão em extinção, assim como, curiosamente, a ideia de humanidade. Resta fugir para a moderna caverna na selva de pedra – sem querer reeditar lugares-comuns – que é a casa de cada um.

A solidão é, assim, a categoria política que expressa a nostalgia de uma vivência de si mesmo. Ela é, por isso, a tentativa de preservar a subjetividade e a intimidade consigo mesmo que não tem lugar no contexto de relações sociais transformadas em mercadorias baratas.

A sociedade da antipolítica precisa tratar a solidão como uma pena e um mal-estar quando não consegue olhar para a miséria da vez: o fetiche da hiperconectividade, que ilude de que não somos cada um em si mesmo não mais que “sozinhos”.

 
Márcia Tiburi
 
*Publicado originalmente na Revista Cult.


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Acabou em carnaval

Escrevo antes do encerramento da Rio+20, mas, pelo que tenho lido, dificilmente o documento final atenderá ao que dele se esperava ou se desejava. Com exceção da presidente Dilma, aparentemente satisfeita (“é um grande avanço e uma vitória para o Brasil”), quase todo mundo — dos cientistas aos ambientalistas, passando por empresários e economistas — repudia o texto considerado “tímido” e “frouxo”.

Na quarta-feira, o libanês Hamidan, da Rede de Ação Climática, já anunciava que mais de mil instituições da sociedade civil, entre ONGs e órgãos de pesquisa, estavam retirando suas assinaturas.

O caso mais curioso foi o do secretário da ONU, Ban Ki-moon, que primeiro acusou o relatório de não ter ambição — “não podemos mais nos dar o luxo de adiar decisões” — e no dia seguinte, com a mesma cara, classificou o documento de “grande sucesso” e “excelente”.

De consenso mesmo só o fato de que os países mais ricos e poderosos estão dispostos a salvar o planeta, desde que não tenham que enfiar a mão no bolso. Por isso, o momento mais significativo foi o do discurso da jovem neozelandesa de 17 anos Brittany Trilford, puxando a orelha dos chefes de estado, ao cobrar ação e mudanças urgentes: “Vocês têm 72 horas para decidir o destino de nossas crianças, dos meus filhos, dos filhos dos meus filhos.”

Parece que não lhe deram ouvidos.

Mas, enquanto lá dentro do Riocentro era aquele chove não molha, em outras partes da cidade, principalmente no Centro, o que se via era uma grande e divertida efervescência, lembrando os desfiles de blocos carnavalescos.

Nunca houve tantas e tão variadas manifestações de protesto em tão pouco tempo. Passeatas, marcha global, marcha da maconha. Rapazes com nariz de palhaço e bocas tapadas com fita adesiva protestavam contra os rumos da conferência. Índios com tacape, arcos e flechas deixavam a polícia sem saber o que fazer, já que podiam representar ameaça.

Na Cinelândia, o senador Eduardo Suplicy, com chapéu de Robin Hood, cantava Bob Dylan para propor a criação de um imposto financeiro. Uma bonita moça com os seios à mostra, como se representasse as femens da Ucrânia, a Riquezinha, tocava tambor em defesa das lésbicas, das negras e da liberdade feminina.

Um frequentador do aterro que num dia viu os lindos seios nus da jovem e no outro esbarrou com as bundas nuas dos participantes do movimento Ocupa Rio, disse que aquilo parecia ser não a Cúpula, mas a “Cópula dos povos”.

A Rio+20 pode ter sido um fracasso, mas os movimentos sociais fizeram o seu carnaval.

Descobri que, de todas as novas tecnologias da comunicação, o Skype é a mais avançada, a mais revolucionária, a mais útil, a que prefiro.

Afinal, é o que está permitindo que diariamente eu veja, ouça e fale com Alice, que está longe, viajando.


Zuenir Ventura
O Globo

Caravaggio

Nus

Cerca de 1,7 mil voluntários nus posam para o artista americano Spencer Tunick na cidade de Munique


Humor: pegadinha

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(Source: themindgame)



sexta-feira, 22 de junho de 2012

Elba Ramalho ameaçada!

RIO - A cantora Elba Ramalho revelou ao GLOBO que tem sido vítima de ameças por parte de militantes feministas por ser contra o aborto. Cristã e participante do movimento Pró-Vida, Elba fez o desabafo no camarim do Galpão da Cidadania, onde fez um show como parte da programação gratuita do Ministério da Cultura (MinC) durante a Rio+20.

Ao comentar a manchete do GLOBO da última quarta-feira (“Até Vaticano consegue esvaziar o documento final da Rio+20”, sobre o veto no texto sobre o direito reprodutivo das mulheres), a cantora disse que não tem medo das ameaças, mas que ficou muito tempo calada.

- Tenho recebido várias ameaças de grupos feministas, que vão me perseguir. Enquanto feministas vão para a porta de igreja mostrar os seios e gritar enquanto um grupo de mulheres grávidas oravam, é uma preocupação que o Brasil deveria ter de não ser um país que legalizasse o aborto oficialmente. Vivemos em um país em que se matar um passarinho é um crime, legalizar a morte de bebês inocentes é contraditório - disse Elba, enquanto segurava seu terço em que cada conta representa um útero com um feto dentro.

Filosofia do asfalto

Horário do Fim

Morre-se nada
quando chega a vez

é só um solavanco
na estrada por onde já não vamos

morre-se tudo
quando não é o justo momento

e não é nunca
esse momento


Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"

quinta-feira, 21 de junho de 2012

São João de antigamente - Luiz Gonzaga

É sempre assim. Morre-se. Não se compreende nada. Nunca se tem tempo de aprender. Envolvem-nos no jogo. Ensinam-nos as regras e à primeira falta matam-nos.


Ernest Hemingway
"Deixa-me que te mostre, leitor amigo, um homem que, se não estou enganado, escrevia as cartas mais nobres e delicadas à sua mulher, no tempo em que ela era ainda a sua noiva, como se prestasse fervoroso culto à feminilidade. Mais tarde, porém, quando a formosa noiva e terna amiga era já sua esposa, reservou à boa mulher um trato bem diferente. Remeteu-a para o cantinho modesto do lar, que era também, de acordo com as opiniões correntes e tradicionais de qualquer homem honrado, o lugar devido da mulher. Enquanto se colocava a si próprio, bem como à sua grandeza e excelência, em todos os pedestais interiores e exteriores mais altos que encontrasse, concedia ainda a graça de subordinar a sua companheira de vida ao esplêndido papel de humilde serviçal, julgando assim dar prova inquestionável de ser um verdadeiro alemão – erro este, aliás, tão comum como as pedras da calçada."


[Robert Walser, Histórias de Amor; trad. Isabel Castro Silva, Relógio d’Água, Abril 2008]

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Marilena Chauí emociona público em ato pela Comissão da Verdade da USP


A filósofa e professora relembra como era entrar na universidade após o AI 5, de 1968, e a sensação de não saber se voltaria para casa.

O preço do amor

Por que certos homens continuam obcecados por prostitutas, mesmo com a liberação sexual da mulher? Só muda a qualidade do serviço – e o nome. Pobre transa com “puta”. Rico transa com “garota de programa”.

Às vezes, milionários poderosos também curtem um baixo meretrício sem qualquer preocupação estética. Não precisa ser no cinema ou na literatura, mas na vida real mesmo. É só lembrar Hugh Grant, flagrado e detido pelo sexo oral no carro com Divine Brown. Bem casado com uma mulher bonita e independente.

Outros homens não se contentam com a atração momentânea e eventual pelo sexo pago – um tipo de transa que, por definição dos clientes, deveria passar em branco, sem deixar traços ou marcas, algo banal e prazeroso como uma boa refeição num restaurante.

Há homens que vão além: são viciados em prostitutas. Na comédia que será lançada em 550 cinemas no dia 22 de junho, E aí...Comeu?, baseada na peça de Marcelo Rubens Paiva, um dos três amigos na mesa do bar só gosta de prostitutas. Porque tem medo de amar. O personagem quer publicar um livro, mas, segundo seu editor, ele fala de amor como um químico fala de laboratório.

Existe uma categoria que pisa mais fundo. É a do executivo Marcos Matsunaga, alvejado, degolado e esquartejado quando só queria comer uma pizza em casa. São homens que se apaixonam, casam e têm filhos com garotas de programa. Quando percebem que a moça dócil se tornou uma “esposa” com seus próprios desejos e cobranças, alguns resolvem ter um caso. Com outra prostituta.

Felizmente para eles, as Elizes são uma exceção. Essa história triste, cruel e trágica que abalou o país não deveria atiçar o moralismo boçal: “Está vendo? Quem manda?”. Não tenho nada pessoal contra mulheres que alugam ou vendem seu corpo. Tampouco sinto pena ou solidariedade. Muitas fazem esse trabalho com profissionalismo, honestidade e, hoje, com camisinha. E não ofendem nem roubam. Até pouco tempo atrás, nossos pais, maridos, namorados ou filhos iniciavam sua vida sexual com prostitutas, por falta de namoradas disponíveis a perder a virgindade.

Antes dos namoros com sexo, a relação com a prostituta era tão natural e familiar que o homem, ao casar, precisava reaprender a se relacionar na cama. Havia a noção de que mulher “direita” não gostava de sexo e só o fazia para satisfazer o marido e procriar. Mulheres não trabalhavam fora como hoje. O homem financiava a casa.

Gabriela Leite, a ex-aluna de filosofia na USP que virou prostituta aos 22 anos, criou a grife Daspu e hoje é líder da classe. Ela escreveu um livro em que diz que a maior parte dos homens não sabe transar e prefere quantidade em vez de qualidade: “Eles dependem quase integralmente de uma parceira que lhes ensine os mistérios de seu corpo”. Segundo ela, os homens morrem de medo de brochar. “Mas, na verdade”, diz Gabriela, “o homem viril é o homem que se dá.”

Uma vez perguntaram ao ator Jack Nicholson por que, com tanta mulher querendo dar para ele de graça, buscava prostitutas. “Não pago para transar, pago para ela ir embora”, disse. A cabeça do homem que paga pelo sexo é assim: satisfaço meu desejo e pronto. Prostituta, além de ser mais barata, não dá aquela trabalheira antes, durante e depois do sexo. Não há negociação – além do preço.

“Com a prostituta, há o exercício do poder, do controle e da vontade própria, sem necessidade de sedução ou conquista”, diz o psicanalista Luiz Alberto Py. “Ela faz o que o homem quer, não fica fazendo doce. O cara paga de acordo com seus desejos e, quanto mais complicado o desejo, mais caro.” Pode haver um clima de romance fake, diz Py: “Se o homem teve uma decepção amorosa, tem medo de sofrer ou não encontra uma mulher que o queira, é fácil se deixar seduzir por moças sempre dispostas a fazer um charme. Ele fecha os olhos à transação comercial. E fantasia: elas me querem não pelo dinheiro, mas porque eu sou o cara”. Garotas de programa competentes costumam oferecer um serviço de qualidade. O serviço inclui escutar os carentes, ser carinhosa com os sensíveis, ser criativa, fingir que goza e, às vezes, até gozar de verdade.

Mulheres começam a usar serviços de garotos de programa – pelas mesmas razões que os homens. “É um fenômeno marcante nos consultórios”, afirma Py, “primeiro porque antes isso não existia e também porque, para elas, ainda é uma transgressão, está longe de ser uma banalidade. Diferentemente do homem, a mulher que paga por sexo precisa digerir essa ideia. E tem medo de ser criticada pelas próprias amigas.” Ainda há outra particularidade, segundo Py. As mulheres tendem a se apegar aos rapazes de programa e a se tornar ciumentas. O amor nunca sai de graça.
 
Por RUTH DE AQUINO


Colunista da Revista Época

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Homem se esquece de tudo e torna a se apaixonar pela mesma mulher

Alcino já era pai de três filhos quando deu o primeiro beijo. “Na hora que eu estava me aproximando dela me deu vontade de desistir, foi um friozaço na barriga até”, conta.

É que, aos 34 anos, algo muito estranho aconteceu na vida dele. Na madrugada de 18 de fevereiro ele acordou com vontade de ir ao banheiro, mas não sabia onde era o banheiro. Não sabia onde estava. Pediu para pessoa que dormia ao lado dele para guiá-lo.

Depois disso, voltou pra cama e fingiu que dormia. “Aí estava já dando umas 10 horas ele não levantava, fui conversar com ele e fui lá chamei disse: Alcino,vamos levantar, e ele assim: ‘mas que nome é esse que você está me chamando?’”, conta Priscila.

Alcino acordou sem memória. “Eu não sabia o que estava passando. Não sabia onde estava, não sabia quem eu era, é como se você entrasse em outro planeta”, diz alcino.

“Aí eu perguntei: você sabe quem sou eu? E ele: ‘não, não sei’”.

Alcino ouviu um choro que o assustou. Quando viu a criança, ele não sabia quem era. “Eu não sabia o que fazer, não sabia o que pensar. Olhando para ela eu não sentia nada”, conta

E Cristina, a filha de 11 meses também não o reconheceu. “Ela vinha para o meu colo e meio que chorava”, lembra Alcino

Priscila resolveu tentar fazer Alcino se lembrar. Ela mostrou as fotos do casal.

“A gente junto, viagens, passeios, as fotos da gravidez, então ele foi sentindo um pouco mais seguro”, diz Priscila.

Mas ele ainda não se lembrava de nada. Alcino começou então a escrever um diário, com medo de esquecer também da nova vida. “Levei ele a vários médicos, psiquiatra, neurologista, clinico geral, psicólogo. Até então a única resposta que a gente tinha é que era uma crise de estresse que ia passar”, lembra Priscila.

Os dois largaram o emprego. Começaram a viver em função do esquecimento. Procuravam um médico, um especialista, que desse a resposta, a solução para o problema. Foi aí que o Alcino lembrou, que antes de tudo, ele precisava reaprender a viver.

“Eu falei: estou cansado, vamos passear, vamos em algum lugar que eu possa fazer mais ou menos o que fazia.

Eles foram até a uma praia. Lá, tentaram conversar sobre outras coisas, relaxar.

Foi o momento em que Alcino se aproximou da mulher que conhecera há um mês.

“Foi como se fosse o primeiro. Eu não tinha lembrança. E agora eu tenho lembrança dos dois e garanto que meu segundo beijo com ela foi melhor foi mais carinhoso.

“Ali naquele momento a gente era a Priscila e o Alcino, marido e mulher.

Ele se apaixonou duas vezes pela mesma mulher. “Eu percebi que era muito mais difícil para ela do que pra mim, que não lembrava. Eu comecei a olhar para ela com outros olhos”, revela.

E a vida mudou. Tudo ficou um pouco mais leve. Ele viu como se fosse pela primeira vez os filmes que antes eram os seus favoritos. E reaprendeu uma antiga paixão.

“Olhava o Ronaldinho jogando no Flamengo e a Priscila dizia: ‘é seu time’. Mas pra mim era indiferente”, lembra.

Mas afinal, o que aconteceu com Alcino? Por que ele perdeu a memória por dois meses?

O médico que atendeu Alcino já tem um primeiro diagnóstico: “A gente chama de amnésia global transitória. Você pode perder a memória por algum tempo, 4h, 6h 12h e recuperar a memória pro progressivamente”, analisa o neurocirurgião Élcio Machado.

Para o coordenador do departamento científico de neurologia cognitiva da Academia Brasileira de Neurologia, o caso de Alcino tem peculiaridades, por isso não poderia ser chamado de amnésia global transitória.

“Ela geralmente tem uma duração curta, em horas, minutos no máximo horas. Ele conhece as pessoas que o cercam: conhece esposa, filhos, mas não sabe o que está fazendo, não sabe onde está”, explica o neorologista Ivan Okamoto.

Foi isso que aconteceu com Wilson. “Eu me lembro de estar fazendo a barba, e a partir daí eu praticamente não me lembro mais do que aconteceu até me levarem ao hospital e lá que eu percebi que eu estava no hospital.Isso demorou talvez oito ou nova horas até eu em recuperar”, lembra Wilson Teixeira.

Agora, o caso do Alcino é muito raro. Ele não ficou oito ou nove horas, mas dois meses sem memória!

Depois de um monte de exames, o que o médico dele já conseguiu descobrir é que a irrigação sanguínea no cérebro não funcionava bem.

O Alcino agora precisa fazer uma cirurgia para implantar um stent numa veia que não deixava o sangue passar. Só que, mês passado, como mágica, ele começou a lembrar de tudo.

“Minha cabeça deu um: sabe como se tivesse vindo tudo de uma vez. Como se eu fosse um garoto, começasse a falar sem parar”, lembra.

Alcino se sente hoje outra pessoa. “Eu tenho que ser mais carinhoso, mais atencioso, mais afetivo”, reflete Alcino.


Da Net

Charge - Néo Correia

Manifestações nas ruas do Centro marcam o sexto dia da Rio+20

Ambientalistas pedem veto ao Código Florestal, índios protestam no BNDES contra fundo de investimento da Amazônia e mulheres com seios de fora reivindicam direitos.



O sexto dia da Rio+20 é marcado por manifestações pelas ruas da cidade. Três manifestações ocorreram nesta quinta-feira no Centro da cidade, unindo ambientalistas, índios e mulheres de seios de fora. O trânsito na região ficou caótico durante todo o dia, e, mesmo com todos as vias já liberadas, segue problemático

Foto: O Globo

O protesto deste fim de tarde é de ONGs ambientalistas contra o Código Florestal.Empunhando faixas e cartazes com críticas à presidente Dilma Rousseff, os manifestantes do movimento organizado pelo Comitê Brasil em Defesa das Florestas — o mesmo que liderou a campanha “Veta Dilma” — caminharam pela Avenida Presidente Antônio Carlos em meio ao trânsito.



Eles sentaram na rua por dois minutos e prosseguiram com o protesto. Os manifestantes seguiram pelas avenidas Almirante Barroso e Rio Branco. O trânsito foi liberado nestas vias por alguns minutos, em quanto os manifestantes seguiam pela Avenida Chile, onde protestaram em frente à sede do BNDES.






O Globo
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A Dor da Ingratidão


Obrigado. Valeu. Um abraço. Um sorriso. Palavras e gestos tão simples, tão fáceis, tão necessários, que infelizmente estão entrando em extinção. Não que eu conceda favores esperando receber reconhecimento ou algo em troca, mas fazer tudo por uma pessoa sem ganhar nenhum tipo de agradecimento ou consideração machuca. Dói ainda mais se nos retribuem com a ingratidão de uma fofoquinha maldosa ou com um olhar torto quando os papéis se invertem e nós é que precisamos de apoio.

Quantas vezes defendemos um amigo mesmo sabendo que ele está errado? Quantas vezes deixamos de realizar nossas vontades pra ajudá-lo? Passamos tardes de sol inteiras trancados num quarto escuro emprestando o ombro pra que a pessoa desabafe. Vamos pra festas quando o que mais queremos é ficar em casa, embaixo das cobertas. Desmarcamos compromissos pra cuidá-lo quando fica doente. Nada mais justo e normal. Saber que confortamos alguém especial, que seu dia foi mais alegre apenas por nosso suporte, nossa companhia, nos faz um bem enorme.

No entanto, investir numa amizade, ser sincero e fiel desde primeiro momento até o último, pra ser enganado assim que surge uma oportunidade, inevitavelmente, abre um rombo no peito de quem um dia acreditou numa relação verdadeira. Chega uma hora em que ser amigo pelos dois cansa, perde a graça.

Ninguém precisa de falsos amigos ou daqueles que ficam por perto apenas quando as coisas estão indo às mil maravilhas. Queremos pessoas sempre prontas a nos ouvir, nos entender e respeitar nossas particularidades e limitações. Queremos amigos que ofereçam o colo quando estamos sós, que nos puxem as orelhas quando erramos, que se preocupem em nos ver felizes. Amigos em quem podemos contar em qualquer momento e que confiem em nós acima de qualquer coisa. Pessoas incapazes de duvidar da nossa lealdade, do nosso caráter, e, principalmente, que saibam dizer muito obrigado, seja com palavras ou com o coração.

A quem não se encaixa nesse perfil, só nos resta a certeza de que não merece fazer parte de nossas vidas, e também um recado: Tchauzinho, já vai tarde!


Márcia Duarte

domingo, 17 de junho de 2012

"Ousar é perder o equilíbrio momentaneamente. Não ousar é perder-se."


Soren Kierkegaard

Fim do exame da OAB deve ser votado na Câmara

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que é constitucional a exigência do exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), previsto na Lei 8.906/94 – o chamado Estatuto da Advocacia. A decisão aconteceu no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 603583, realizado em 26 de outubro de 2011.

O julgamento da Suprema Corte, no entanto, não convenceu o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que apresentou o projeto de Lei nº 2154/2011, que se aprovado revoga o inciso IV e § 1º do art. 8º da Lei nº 8.906, de 04 de julho de 1994, - Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Assim, milhares de bacharéis poderão advogar sem exigência de exame de ordem, atualmente regulamentado em provimento do Conselho Federal da OAB.

Para o deputado, o exame de ordem é uma forma de reserva de mercado e, é uma aviltação enorme a todo cidadão que se gradua em Direito e não pode trabalhar.

O projeto será votado na Câmara talvez antes do recesso de julho, basta a pauta de mês destrancar, e acho que terminará todo o processo legislativo, assim como o projeto das eleições diretas na OAB, antes da eleição do próximo presidente da Ordem.


Fonte: Justiça em foco

Tempos de crise: o problema da mesóclise


Na Ilha de Caras, Fernando Pessoa disse que está bem mais leve depois que passou a ser um só.“Além de mala, aquele Alberto Caeiro não pegava ninguém.” 


Em pronunciamento que pegou de surpresa o mercado editorial, o poeta e investidor Fernando Pessoa anunciou ontem a fusão dos seus heterônimos. Com o enxugamento, as marcas Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro passam a fazer parte da holding Fernando Pessoa S.A. “É uma reengenharia”, explicou o assessor e empresário Mario Sá Carneiro, acrescentando que “de uns tempos para cá ficou claro que era preciso fazer um streamlining na nossa operação se quiséssemos sobreviver num ambiente poético cada vez mais competitivo.” Pessoa confessou que a decisão foi tomada “de coração pesado”, mas o seu CFO não lhe deu alternativas. “Drummond sempre foi um só. A operação dele é enxutinha. Como competir?”, indagou. O poeta chegou a pensar em terceirizar os heterônimos através de um call-center em Goa, mas questões de gramática e semântica acabaram inviabilizando as negociações. “Eles não usam mesóclise”, explicou Pessoa.

A notícia dividiu o mercado editorial. Luiz Schwarcz, editor da Companhia das Letras, disse que a eliminação dos heterônimos ajudará a diminuir os custos de marketing: “O brasileiro médio sabe quem é Fernando Pessoa. Mas as marcas Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro nunca chegaram a se firmar.” Já a Central Única dos Poetas, sindicado ligado à CUT, declarou, em nota, que a medida é “mais um exemplo da brutalidade do mercado”, e confirmou para amanhã uma greve de 48 horas, na qual nenhum poeta fará rimas e Gilberto Gil dirá coisas compreensíveis.
Mario Sá Carneiro declarou que, uma vez consolidada a fusão, a holding Fernando Pessoa S.A. pretende adquirir as marcas T. S. Eliot, Albert Camus, Jean Paul Sartre e Friedrich Nietzsche. “E claro, no futuro, se tivermos bala, toda a obra poética de José Sarney.”
 
Deu no The Piauí Herald



O truque da renúncia

Diz a lenda que Jânio Quadros renunciou à presidência para testar seu poder de fogo. Acreditava que o povo não aceitaria perdê-lo e que eclodiriam manifestações por todo o país implorando pela sua permanência. Desse modo, seu cargo seria mantido com apoio popular e o desgaste político que vinha ocorrendo seria esquecido. Erro brutal de cálculo. A renúncia de Jânio não só foi aceita como foi muito bem-vinda. Ninguém o segurou pelos pés pedindo que ficasse. O truque falhou. Essas renúncias armadas pela vaidade acontecem com muita freqüência entre casais. O cara ou a garota resolve dizer que está insatisfeito com o rumo que a relação tomou e avisa que está saltando fora. No fundo, quer apenas testar o amor do outro, ver o outro desesperado com a ausência iminente e argumentando em favor da continuidade do relacionamento. Às vezes dá certo. Às vezes não.

Posso ver a cena:

- Fabiana, acho que todo relacionamento precisa de um mínimo de cuidado, e eu sinto que você está se lixando para o nosso namoro. Talvez seja a hora de acabarmos tudo.

O que ele quer ouvir é:

- De onde você tirou essa idéia? Eu sou louca por você, não consigo nem imaginar ficar longe de você. O que está errado? Vamos conversar.

Mas o que ele escuta é uma navalhada no ego:

- Tudo bem, Ricardo.

É um jogo perigoso. A pessoa que toma a iniciativa de romper tem suas razões para isso, e o faz, quase sempre, com a intenção de terminar tudo mesmo, inclusive torcendo para que não haja reação dramática do outro lado. Mas a aceitação pacífica do final do romance acaba magoando, pois é a prova de que não faremos tanta falta. Rompimentos não devem ser usados como testes de ibope. Se o outro gosta mesmo de você, vai sofrer inutilmente. E se não gosta, quem vai sofrer é você, pois terá dado a ele o álibi perfeito para sair da situação sem culpa. Renuncie só quando estiver mesmo disposto a abandonar o barco. De mentirinha, é um risco que é melhor não correr.
 
 
Martha Medeiros
Foto AFP