domingo, 28 de fevereiro de 2010

Brasil fez caçada a Che entre 1966 e 1967

Disfarçado de 'comprador de couros', ele teria sido visto em Pirizeiro, em Mato Grosso, de acordo com informação classificada como 'confidencial'.

Arquivos secretos da Aeronáutica revelam que o governo brasileiro fez uma caçada silenciosa por todo o território nacional, de 1966 a 1967, para achar Ernesto Che Guevara, um dos principais líderes da revolução cubana. Em pelo menos um dos informes enviados ao Arquivo Nacional, o serviço de inteligência da Aeronáutica colheu relatos de que Che teria estado em Mato Grosso disfarçado de "comprador de couros".

Na expectativa de que entrasse no Brasil por algum ponto da fronteira com Paraguai ou Uruguai, o governo chegou a determinar ordem para sua prisão, caso fosse identificado e encontrado, como revela o Informe 386, emitido e classificado como "secreto" pelo Quartel General da Quarta Zona Aérea da Aeronáutica, em 21 de julho de 1966. "Se realmente identificado, solicita-se a prisão imediata", diz a ordem, que nunca foi revogada e inclui cópia de quatro fotos de Che, com e sem barba, de terno e com trajes militares.

Em pelo menos uma ocasião, o governo teve a certeza de sua entrada no Brasil. Segundo a Informação 038, classificada como confidencial e emitida em 30 de junho de 1967, ele teria sido visto no mês de março em Pirizeiro (MT), conforme relato do Comando da 9ª Região Militar.

Um oficial foi enviado para a região num avião Regente e ouviu pessoas. Mostrando a foto do guerrilheiro, o militar brasileiro teve a confirmação de que Che estivera no Estado.



Fonte: O Estado de São Paulo

Acontecimentos - Marina Lima


Uma bela canção na voz de uma bela cantora.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Entrevista - Dr. Adauto Neto


Os pais devem ler, em voz alta, para as crianças. Mesmo que estas não estejam, aparentemente, prestando atenção.”


"O Mundo como ele é" procurou o pombalense Dr. Adauto Ferreira de Almeida Neto para um bate-papo informal e descontraído que ao final resultou em mais uma entrevista grandiosa que temos a satisfação de apresentar para todos os nossos leitores!

Médico pediatra, detentor de uma biblioteca das mais variadas e homem dado a leitura dos mais diversos temas, o entrevistado é capaz de discorrer com facilidade sobre temas que migram dos heróis em quadrinho (com especial destaque para Tex Willer) à influência do neo-liberalismo neste início de século.

O Dr. Adauto durante muitos anos teve consultório instalado em Pombal onde também foi médico do PSF, além de realizar plantões na cidade portuária de Cabedelo-PB.Atualmente encontra-se residindo da capital do Estado.

Ao longo dos anos, o entrevistado vem acumulando em seu currículo uma série de referências que cuidamos aqui de destacar sucintamente algumas: Formado pela Universidade Federal da Paraíba, fez residência médica em Pediatria Geral pelo Hospital Infantil Cândido Fontoura, São Paulo (SP), 1995-1997, e é ainda detentor do título de especialista em Pediatria Geral pela Sociedade Brasileira de Pediatria e Associação Médica Brasileira com atualização em artrite reumatóide juvenil além de inúmeros outros cursos adicionais.

Em seu consultório, onde recebeu a equipe do Blog, Dr. Adauto conversou sobre medicina e literatura, concedendo-nos a seguinte entrevista:

BLOG - Antes de clinicar na Paraíba o senhor passou vários anos trabalhando como médico em São Paulo. Foi muito difícil se adaptar à realidade de um dos estados mais pobres da federação?

Dr. Adauto: As condições técnicas para o exercício da medicina e do ponto de vista financeiro são melhores em São Paulo.

BLOG - O Programa de Saúde da Família instituído pelo governo federal procura imitar o programa de saúde desenvolvido em Cuba. Que avaliação o senhor faz deste sistema de atendimento no Brasil?

Dr. Adauto - No Brasil as coisas não funcionam plenamente em quase todos os setores públicos. O Programa de Saúde da Família necessita de muitos ajustes técnicos e práticos para melhorar a qualidade. Por exemplo, o número excessivo de consultas prejudicando a qualidade do atendimento e a demora, quando necessário, em conseguirmos consultas com especialistas da área médica.

BLOG - A forma como a criança é educada pode, de algum modo, interferir diretamente em sua saúde?

Dr. Adauto – Sim. As crianças tendem a imitar os padrões de suas famílias.

BLOG - A sociedade evoluiu em seus costumes, as dificuldades em alguns aspectos sociais diminuíram, em outros tornaram-se mais aflitantes. O modo de vida de hoje é muito diferente do início do século passado, algumas especialidades médicas evoluíram muito nos últimos anos. A ciência já fala em clonagem e em tratamentos com células-tronco. Quais os avanços mais importantes da pediatria praticados hoje?

Dr. Adauto – Algumas conquistas na área de saúde foram fundamentais para a saúde da criança, quais sejam: melhora na alimentação, o uso de antibióticos, as vacinas e o soro de reidratação oral.

BLOG - A legislação eleitoral brasileira admite que o jovem aos 16 anos já possa escolher seus governantes. Aos 18 ele já pode exercer a sua capacidade civil plena e penal. Para a medicina qual a idade da maturidade biológica? Esses parâmetros podem ser base para os critérios de amadurecimento social?

Dr. Adauto – Do ponto de vista médico, a maturidade biológica ocorre no fim do período da adolescência. No entanto, a maturidade biológica nem sempre corresponde a capacidade plena intelecto-cognitiva do indivíduo. Tem pessoas de 30 anos, por exemplo, que pensam e agem como indivíduos de início da adolescência.

BLOG - Qual a sua opinião a respeito da diminuição da idade penal?

Dr. Adauto – Ainda não tenho opinião a respeito

BLOG - O trabalho realizado pelos “doutores da alegria” traz realmente resultados práticos para a recuperação da saúde das crianças?

Dr. Adauto – Sem dúvida. Melhora, por exemplo, a auto-estima da criança com repercussões importantes sobre o sistema imunológico.

BLOG - Recentemente foi aprovado pelo Congresso Nacional uma lei que determina a criação e instalação de “brinquedotecas” em hospitais com atendimento infantil. Os hospitais paraibanos já se adequaram a essa nova exigência legal?

Dr. Adauto – Acredito que não.

BLOG - “Sou do tempo em que doença de menino era moleira aberta, quebranto, espinhela caída ou lombriga, nada que uma boa benzedeira ou um chá de carqueija não pudesse curar...” (As despesas do envelhecer. Cineas Santos – Cronista). Hoje, quais os males mais comuns que acometem as nossas crianças?

Dr. Adauto – O binômio desnutrição-doença infecciosa (diarréia e pneumonia) em decorrência da péssima distribuição de renda em nosso País.

BLOG - Além da medicina o senhor é um amante da literatura. A edição francesa de “O Pequeno Príncipe” (Antoine de Saint-Exupéry), livro francês mais vendido em todo o mundo, esta completando 60 anos. Na sua opinião, esse clássico da literatura mundial continua influenciando a juventude dos nossos dias?

Dr. Adauto – Eu gostaria muito que pessoas de todas as idades pudessem ler uma obra tão importante como “O Pequeno Príncipe”. Creio que a influência sobre as novas gerações é bem menor do que no passado.

BLOG - Buenos Aires tem mais livrarias que todo o Brasil e, apesar de grandes eventos como a bienal do livro em São Paulo, ainda é muito baixo o índice de leitura no nosso país. A que o senhor atribui esse fato?

Dr. Adauto – Os pais devem ler, em voz alta, para as crianças. Mesmo que estas não estejam, aparentemente, prestando atenção. É preciso dar o exemplo e despertar a enorme curiosidade infantil.

BLOG - Se o senhor tivesse de comprar apenas três livros e nenhum outro mais, que títulos compraria?

Dr. Adauto - Os seguintes livros: “Bíblia Sagrada” (o mais amplo conjunto de conhecimentos sobre a vida), “O Pequeno Príncipe” (o amor e a amizade) e “Dom Quixote” (a perseverança).

BLOG - O senhor está escrevendo um manual de procedimentos médicos. Esse livro é destinado à pediatria ou a outras especialidades? E quando será lançado?

Dr. Adauto - Não estou escrevendo nenhum livro.

BLOG - Agradecemos a sua disponibilidade e muito obrigado pela entrevista.

Dr. Adauto - Muito obrigado pelo convite. Vida longa ao Blog!

"Guerra ao Terror" vence prêmio do Sindicato dos Roteiristas de Hollywood


O drama sobre o conflito no Iraque "Guerra ao Terror" ganhou ainda mais pontos como favorito ao Oscar ao ser anunciado no sábado como o vencedor do prêmio do Sindicato de Roteiristas dos Estados Unidos (WGA) na categoria roteiro original.

Com nove indicações ao Oscar, que acontece em 7 de março, o filme sobre o dia a dia de um esquadrão americano antibombas é o favorito para o maior prêmio da indústra cinematográfica.

O filme dirigido por Kathryn Bigelow já havia conquistado os prêmios do Sindicato dos Diretores (DGA) e do Sindicato de Produtores (PGA), considerados termômetros para o Oscar.

O roteiro de "Guerra ao Terror" foi escrito pelo jornalista Mark Boal, que passou várias semanas com uma unidade militar no Iraque.

Boal superou na disputa James Cameron por "Avatar", Joel e Ethan Coen por "Um Homem Sério", Neustadter Scott e Michael H. Weber pela comédia romântica "500 Dias com Ela", além de Jon Lucas e Scott Moore por "Se Beber Não Case".

O prêmio de roteiro adaptado foi conquistado por Jason Reitman e Sheldon Turner por "Amor Sem Escalas" ("Up in the Air").



Fonte:
Agência AFP

Adoniran e Elis Regina

Manuscrito bíblico de 1.300 anos é achado sem querer

Uma descoberta acidental possibilitou a junção de dois fragmentos de um manuscrito bíblico de 1.300 anos, que pode revelar novas pistas sobre um período obscuro da história da Bíblia hebraica. Pesquisadores não sabiam da existência das partes isoladas até que a fotografia de uma delas, publicada em sua primeira exibição pública em Israel, chamou a atenção dos especialistas, que se encarregaram de juntá-los.

Os fragmentos compõem o Segundo Cântico do Mar, cantado pelos israelitas após a fuga do Egito, enquanto assistiam à destruição dos exércitos do faraó no Mar Vermelho. Uma mostra no Museu Nacional de Israel, dedicada ao Cântico do Mar, agora pôde reunir as duas peças.

Uma página do cântico, conhecida como o Manuscrito Ashkar, estava abrigada numa biblioteca de livros raros na Universidade Duke, nos EUA, e foi exibida pela primeira vez em Israel em 2007. Foi nessa oportunidade que a fotografia do manuscrito apareceu em um jornal e chamou a atenção de dois paleógrafos israelenses, Mordechay Mishor e Edna Engel, que notaram a semelhança com uma outra página em hebraico, o Manuscrito de Londres, que é parte de uma coleção particular.

"A uniformidade das letras, a estrutura do texto e as técnicas usadas pelo escriba deixaram muito claro para mim", disse Engel. A relação não seria óbvia para o observador leigo. O Ashkar está escurecido pela exposição aos elementos e o texto está praticamente invisível, enquanto o Londres é legível e se encontra muito mais bem preservado.

Após estudos com raios ultravioleta, os especialistas confirmaram que os textos não só foram escritos pela mesma mão, mas eram parte de um mesmo rolo de pergaminho. Estudiosos acreditam que o pergaminho foi escrito por volta do século sétimo, em alguma parte do Oriente Médio, possivelmente no Egito. Não se sabe como essas partes foram separadas, ou o que aconteceu com o restante do material escrito.

A reunificação dos fragmentos é um elo importante na corrente, mostrando como a escrita da Bíblia hebraica evoluiu ao longo do chamado período "silencioso" - entre os séculos terceiro e décimo - do qual não resta praticamente nenhum texto bíblico. O Cântico nos Manuscritos do Mar Morto está escrito como prosa, por exemplo, e no manuscrito reunido, em versos.


Agência Estado

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Terapia do cinema: filmes podem ajudar a lidar com emoções

Especialistas usam os filmes em terapias para trabalhar percepções, emoções e realidades diversificadas.

Às vezes nos deparamos com problemas que parecem insolúveis ou, no mínimo, difíceis de resolver. Especialistas de diversas áreas, como psicologia e comunicação empresarial, afirmam que, em muitos casos, os filmes funcionam não só como uma válvula de escape, mas também como uma ferramenta preciosa para ajudar a lidar com conflitos.

“O cinema é encantador, único, impactante e um grande facilitador de reflexões e emoções”, afirma a psicóloga Josiane Zhaga, de São Paulo, que sempre utiliza filmes para trabalhar as percepções, emoções e realidades diversificadas. “Procuro focar nas cenas e destacar quais são as semelhanças e elaborações que estas causam em cada pessoa. Uso cenas de filmes antigos ou os que passam no momento no cinema.”

Na terapia, em geral o profissional foca na reação que causa no inconsciente de cada um ou propõe histórias que sirvam de exemplos e modelos de comportamento. Os filmes podem ser vistos como se fossem o sonho de outra pessoa, pois trazem situações e momentos que atingem o inconsciente de quem assiste. Muitos profissionais que lidam com treinamento de equipes e capacitação profissional também costumam utilizar os filmes para facilitar que as pessoas tenham insights e reflexões importantes na busca de resoluções e atitudes na vida – é o caso dos consultores Renato Gringerb, Christian Barbosa e Renata di Nizo, todos de São Paulo, que, a exemplo de Josiane Zhaga, selecionaram alguns problemas e as respectivas “produções terapêuticas”. Confira!


TRABALHAR EM EQUIPE
“Avatar” (2009), de James Cameron. “Embora a trama não tenha um tom didático ou engajado, está clara a mensagem ecológica: respeito a natureza é o que interessa, e o maior inimigo do homem é ele mesmo. Para salvar a civilização, é necessária, contudo, a sincronização da diversidade. O segredo para derrotar a tecnologia de última geração é vencer todas as barreiras, confiando uns nos outros, como um verdadeiro time. O embrião da verdadeira solidariedade nasce no espírito de time, e essa é a grande mensagem de Avatar”, comenta Renata di Nizo, educadora e fundadora da Casa da Comunicação, de São Paulo.


SUPERAR PERDAS
“Simplesmente Martha” (2001), de Sandra Nettelbeck. Chef de raro talento, a introvertida Martha tem um cotidiano monótono e solitário. Sua rotina sofre mudanças radicais depois que a irmã morre em um acidente e ela se vê obrigada a cuidar da sobrinha de oito anos. “A perda a faz reencontrar um sentido na vida, além de uma nova reestruturação familiar e de projeto pessoal extremamente significativo”, comenta Josiane.


REFORÇAR A FÉ
“Ray” (2004), de Taylor Hackford. O longa-metragem conta a trajetória marcada por altos e baixos do pianista Ray Charles (1930-2004), cego desde a infância. Para a psicóloga Josiane Zhaga, a vida de Ray Charles - e sua fé na música e nele mesmo - é uma excelente fonte de inspiração para quem busca força e determinação para alcançar tudo o que deseja.


LIDAR COM A RAIVA
“Hurricane - O Furacão” (1999), de Norman Jewison. Inspirado em um caso real ocorrido na década de 1960, a história mostra como enfrentar esse sentimento negativo. No auge da carreira, lutador de boxe é preso injustamente acusado de assassinato. Na prisão, escreve um livro contando sua história. A obra é alvo de interesse de um ativista a favor dos direitos humanos, que o ajuda a recuperar a liberdade e a dignidade.


TER COMPAIXÃO
“Uma Lição de Amor” (2001), de Jessie Nelson. Sam Dawson (Sean Penn) é um homem com deficiência mental que cria sua filha Lucy (Dakota Fanning) com o apoio dos amigos. Quando a menina completa 7 anos e começa a ultrapassá-lo intelectualmente, a situação chama a atenção de uma assistente social que quer Lucy internada em um orfanato. A advogada Rita Harrison (Michelle Pfeiffer) é quem se encarrega de defendê-lo. “A história mostra a importância de educar e cuidar com afeto do desenvolvimento de uma criança, além de abordar as dificuldades que todos encontram quando assumem responsabilidades na vida”, comenta a psicóloga Josiane Zhaga.


PERCEBER QUE NÃO ESTÁ SÓ NO MUNDO
“Antes de partir” (2007), de Rob Reiner. Calcado nas ótimas interpretações de Jack Nicholson e Morgan Freeman, trata da relação de dois homens no final da vida, da amizade e da felicidade de encontrar um vínculo que propicia serenidade.


CRISE NO CASAMENTO
“Diário de uma Paixão” (2004), de Nick Cassavetes. Numa clínica geriátrica, Duke, um dos internos com boa saúde, lê para uma senhora com um quadro mais grave um diário que conta a história de Allie Hamilton (Rachel McAdams) e Noah Calhoun (Ryan Gosling), dois jovens enamorados que, em 1940, se conheceram num parque de diversões. A trajetória marcada por separações e problemas mostra como um vínculo amoroso se consolida e, apesar das crises sucessivas no casamento, se fortalece e se torna inquebrável.


VISÃO E PLANEJAMENTO
“Um Sonho de Liberdade” (1994), de Frank Daramont. O personagem de Tim Robbins tinha à sua frente um objetivo que parecia impossível: fugir de uma prisão de segurança máxima, na qual estava confinado injustamente, mas com uma visão clara de onde queria chegar e qual seria sua recompensa (a liberdade). “Demorou 20 anos, mas ele conseguiu conquistá-lo”, diz Renato Gringerb, que aponta este filme como uma trama sem igual na proposta de provar como são importantes a visão e o planejamento para alcançar metas pessoais ou profissionais.


PERSEVERANÇA
“Rocky Balboa” (2006), de Sylvester Stallone. “Esse filme mostra que, mesmo enfrentando todas as dificuldades que apareciam à sua frente, o lutador Rocky nunca desanimava. Pelo contrário, vencia todos os obstáculos com determinação e muita dedicação”, comenta Renato Gringerb, especialista em mercado de trabalho, de São Paulo.


FRUSTRAÇÃO
“Sucesso a Qualquer Preço” (1992), de James Foley. Bastante recomendado por Renato Gringerb para estimular equipes, o filme relata o dia a dia de profissionais de venda e mostra como não é difícil lidar com as frustrações de ser rejeitado por tantos clientes. “Um dos pontos altos é o discurso do personagem de Alec Baldwin para a equipe de vendas, mostrando que, se queriam vencer, deveriam lidar com as frustrações como adultos e realmente se empenharem para transpor as barreiras que apareciam”, destaca o especialista.


DAR VALOR À VIDA
“Click” (2006), de Frank Coraci. “Este filme nos faz refletir sobre como utilizamos o nosso tempo. É fantástico para aquelas pessoas que colocam o trabalho em primeiro plano e se esquecem das maravilhas que existem em outras áreas da vida”, afirma Christian Barbosa, especialista em gestão do tempo, de São Paulo. Interpretado por Adam Sandler, o workaholic Michael Newman encontra um controle remoto que pode adiantar, pausar ou voltar cenas da sua trajetória. Acaba perdendo, literalmente, o controle de sua vida, e envelhece deixando de viver momentos inesquecíveis com a família. “Com este filme podemos entender o quanto é importante administrar bem o tempo e viver todas as áreas da vida por igual”, pondera Christian.


FAZER AS PAZES COM O PASSADO
“Duas Vidas” (2000), de Jon Turtelbaud. Russ (Bruce Willis) é alguém contaminado pelo “deixa a vida me levar”. Ele se esquece dos sonhos passados até se encontrar com ele mesmo, quando tinha 8 anos de idade. A criança não fica feliz em saber que não realizou seu sonho de ser piloto de avião, então juntos eles relembram os sonhos de infância, para que ele se torne o adulto que sempre sonhou. “Este filme é ideal para não nos esquecermos de administrar o nosso tempo e assim realizar os sonhos pessoais, pois o tempo pode passar sem que nos demos conta de que não vivemos aquilo que realmente queríamos”, explica Christian.


FORTALECER A AUTOESTIMA
“Julie & Julia” (2009). Trata-se de uma mistura de filme biográfico e comédia dramática, baseado na vida (e em um livro) de uma mítica cozinheira e na obra de uma jovem norte-americana. As histórias se entrecruzam e o que é nítido no decorrer do filme é o fortalecimento da autoestima de ambas as personagens. Por um lado, o despontar da pioneira chef de cozinha; por outro, o cotidiano medíocre de uma funcionária que trabalha em um cubículo. Quando ela se propõe a testar as receitas e a contar suas experiências em um blog, a página da web se converte em um êxito e o blog se transforma em um livro. “O conceito que cada uma tinha de si se transforma à medida que elas se recriam e encontram um significado, uma razão de ser”, ressalta Renata di Nizo.



Fonte e créditos para:
FERNANDA JUNQUEIRA
Colaboração para o UOL

Entre Aspas

"Cada sociedade e cada época recriam seus próprios Outros"


Edward Saïd - Orientalismo

Você acha que esse anúncio deve ser proibido?

A campanha da cerveja Devassa Bem Loura, do Grupo Schincariol. estrelada pela socialite Paris Hilton, acabou na mira do Conselho Nacional de Autoregulamentação Publicitária (Conar), depois de o órgão ter recebido denúncias de consumidores e de associações ligadas às mulheres e acabou sendo alvo de um processo também do próprio Conar.

O apelo sexual excessivo do filme publicitário e a promoção exposta no site, que pode sugerir o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, foram alguns dos pontos destacados nos três processos que o Grupo Schincariol e a agência Modd, responsável pela campanha da cerveja terão de responder. O Grupo Schincariol e a agência Mood informaram que ainda não receberam a notificação do Conar.


Fonte:
De Érica Ribeiro, de O Globo.
Blog do Ricardo Noblat

Charge - Amarildo


Pulseira com GPS para maridos violentos

Os deputados franceses aprovaram nesta quinta-feira por unanimidade um projeto de lei para combater a violência conjugal que prevê que maridos considerados violentos usem uma pulseira eletrônica equipada com um GPS.

Os trajetos percorridos pelos maridos acusados de violência doméstica serão monitorados em tempo real pela polícia, que poderá verificar se eles se aproximam dos locais frequentados por suas esposas.

A ministra francesa da Justiça, Michèle Alliot-Marie, disse que a pulseira eletrônica poderá ser utilizada antes do julgamento dos acusados de atos de violência e até mesmo em casos apenas de ameaças feitas contra a mulher.

O texto aprovado pelos deputados será examinado pelo senado francês a partir do final de março.

Fonte:
De Daniela Fernandes para a BBC Brasil:

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Barata pousa em apresentadora de TV da Paraíba

Isso mesmo. Uma barata voadora resolveu pousar logo na blusa de uma apresentadora da TV Paraíba, na cidade de Campina Grande esta semana, justamente no momento em que ela fazia uma transmissão ao vivo para TV Cabo Branco em João Pessoa.

Segundo a imprensa, o episódio foi muito além de uma simples "barata com espirito de pop star" tendo aparecer. O seu pouso acabou gerando a demissão de dois funcionários da empresa, um diretor de estúdio e um câmera.

"Alguns funcionários da TV Paraíba disseram estar inconformados com a decisão por parte da superintendência da empresa, mas como não podem fazer nada, apenas lamentam o ocorrido. Depoimentos dos funcionários afirmam que mesmo sendo humanos, não é possível que se erre, contrariando o dito popular de que “errar é humano”.



Fonte:PB Agora

Por que somos corruptos?


A máxima “o poder corrompe” é a bandeira que cobre o caixão no qual velamos a política. Ela é primeiro desfraldada por aqueles que pretendem evitar a partilha do poder que constitui a democracia. Ela é aceita por todos aqueles que se deixam levar pela noção de que o poder não presta e, deste modo, doam o poder a outros como se dele não fizessem parte. Esquecem-se que a falta de poder também corrompe, mas esquecem sobretudo de refletir sobre o que é o poder, ou seja, ação conjunta.

Democracia é partilha do poder. É o campo da vida comum, a vida onde todos estamos juntos como numa mesma embarcação em mar aberto. Partilhamos o poder querendo ou não, mas podemos fazê-lo de modo submisso ou democrático, omisso ou presente. Estamos dentro da democracia e precisamos seguir suas conseqüências.

Democracia é também responsabilização pelo contexto em que vivemos: pelo resultado das eleições, pela miséria, pelo cenário inteiro que produzimos por ação ou omissão. Mas não nos detivemos em escala social para entender o que a democracia é e, por isso, falta-nos a reflexão que é capaz de orientar o seu sentido, bem como o sentido do poder e da política.

Acreditamos que o poder é mau. Que a política é ação para espíritos corruptíveis. Construímos a noção de que política não combina com ética, com moral, com princípios. Quem acredita nisso já contribui para a manutenção do estado geral da política, pois afirmamos uma essência em lugar errado. Onde deveria estar a ação que constitui a política, está a crença que determina o preconceito e a inação. Neste sentido, a compreensão disseminada no senso comum, já é corrupta. Ela compactua com a corrupção ao reafirmá-la no discurso que sempre orienta a prática.

É nosso dever hoje reavaliar a experiência brasileira diante da política. A compreensão da política como campo da profissão, por definição, corrupta, é ela mesma corrompida e corrupta. Ela destrói a política, cujo significado, precisamos hoje, refazer.

Esta é a ação política mais urgente.

Acostumamo-nos ao pré-conceito de que política é apenas governabilidade e deixamos de lado a idéia fundamental de que a política é projeto de sociedade da qual participam todos os cidadãos. Reclusos em nossas casas, acreditamos que a esfera da vida privada está imune ao político. Esquecemos que o pessoal é também político, não como espetáculo, mas como lugar de relação e modelo da esfera macroscópica da sociedade. Políticos somos porque falamos e estamos com os outros. Política é relação “entre-nós” produzida pela linguagem, pela nossa fala, por nossos discursos. O que dizemos é sempre político. Pois falar é o primeiro passo do fazer ou, mesmo, a primeira de nossas ações.

Política é a relação estabelecida no enlace inevitável entre indivíduos e sociedade. Na omissão praticamos a anti-política. Toda anti-política que seja omissão e não crítica é corrupção da política por ser corrupção da ação. A mais urgente das ações políticas na atualidade, além da punição dos que transformaram nossa governabilidade em prostituição da ação, é refazermo-nos como políticos no verdadeiro sentido.


Marcia Tiburi

* Artigo publicado em Zero Hora de 30 de abril de 2006. Coluna Tema para Debate.

Versículos do dia

E direis naquele dia: Dai graças ao SENHOR, invocai o seu nome, fazei notório os seus feitos entre os povos, contai quão excelso é o seu nome. (Isaías 12:4)

E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra.Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém. (Mateus 28:18,20)

Drummond por ele mesmo

Nossos Sabores - Siriguelas e Cajás


Charge


Bilhete


Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...


Mário Quintana

Ação contra agressor doméstico continua dependendo da vontade da vítima, diz STJ

Por maioria, a 3ª Seção do STJ (Superior Tribunal de Justiça) manteve a necessidade de representação da vítima de agressão doméstica - crime enquadrado na Lei Maria da Penha - para que uma ação penal seja proposta pelo Ministério Público. Ou seja, a vítima deve manifestar sua vontade de processar o agressor para que a ação siga adiante. O entendimento deverá ser obedecido por todos os tribunais do país.

O entendimento foi contrário ao do relator do processo, ministro Napoleão Nunes Maia Filho, que considerava não haver incompatibilidade em se adotar a ação penal pública incondicionada (aquela que não depende da vontade da vítima) nos casos de lesão corporal leve ocorrida no ambiente familiar.

"Por vezes, isso se dá para proteger a intimidade da vítima em casos que a publicidade do fato delituoso, eventualmente, pode gerar danos morais, sociais e psicológicos. É o que se verifica nos crimes contra os costumes. Assim, não há qualquer incongruência em alterar a natureza da ação nos casos de lesão corporal leve para incondicionada enquanto se mantêm os crimes contra os costumes no rol dos que estão condicionados à representação”, afirmou o relator.

O entendimento predominante, no entanto, considerou mais salutar admitir-se a condição de manter obrigatória a representação. Desse modo, o agressor só pode sofrer processo se houver manifestação de vontade do ofendido ou de seu representante legal. Para o decano da Seção, ministro Nilson Naves, “a pena só pode ser cominada quando for impossível obter esse fim através de outras medidas menos gravosas”.

Ele foi acompanhado pelos ministros Felix Fischer, Arnaldo Esteves Lima, Maria Thereza de Assis Moura, Jorge Mussi e o desembargador convocado Celso Limongi. Og Fernandes e o desembargador convocado Haroldo Rodrigues acompanharam o voto do relator.

A questão foi apreciada em um recurso especial. Diante dos inúmeros recursos que chegam ao STJ sobre esse ponto da lei, o relator decidiu destacar um que servisse para embasar todas as futuras decisões sobre o tema.

O recurso foi interposto pelo Ministério Público do Distrito Federal com o objetivo de reverter decisão do tribunal local que entendeu pela necessidade de representação da vítima. O MP sustentou que o crime de lesão corporal leve sempre se processou mediante ação penal pública incondicionada e que valeria de acordo com a Lei Maria da Penha.


Fonte:
Do UOL Notícias
Em São Paulo

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Magistrados são afastados MT por tráfico de influência

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aposentou compulsoriamente 10 magistrados de Mato Grosso acusados de envolvimento em um suposto esquema de desvio de recursos públicos para socorrer financeiramente uma loja maçônica em Cuiabá. O julgamento é em instância final e não cabe recursos. A votação foi por unanimidade, com todos os conselheiros seguindo o voto do relator Ives Gandra da Silva Martins Filho, que pediu a aposentadoria dos acusados.

Foram condenados os desembargadores José Ferreira Leite, ex-presidente do TJ do Mato Grosso e grã-mestre da Ordem Maçônica do estado, José Tadeu Cury e Mariano Travassos. Também foram condenados os juízes Marcelo Souza de Barros e Marcos Aurélio dos Reis Ferreira (filho de José Ferreira Leite), Antônio Horácio da Silva Neto, Juanita Clait Duarte, Graciema Caravellas, Maria Cristina Simões e Irênio Lima Fernandes.


Da TVCA - O Globo

P.S. Curioso é que diferentemente de outros tipos de sanções, a pena aplicada aos Magistrados foi a de aposentadoria compulsoria.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A Coluna da Hora e o algarismo romano.

A primeira reação de quem passa pela nossa Praça do Centenário e olha para o mostrador do relógio da Coluna da Hora, é, no mínimo, de espanto. Lá no alto se vê o indicativo do número 4 romano com a escrita IIII e não como IV, como estamos acostumados a ver e escrever. De inopino, os mais apressados, logo identificam ali um erro grotesco na indicação das horas do nosso marcador do tempo.

Mas, calma, as duas formas de indicação do número 4 em romano estão corretas e são perfeitamente aceitas, inclusive, é bom que se diga que a versão romana que surgiu primeiro para tal dígito é a com o numeral IIII. A razão da substituição da forma escrita IV (IV=V-I), só surgiu posteriormente, sendo, porém a mais utilizada nos dias de hoje.

Todavia, a exemplo do nosso relógio da Coluna da Hora, muitos mostruários utilizam a variação mais antiga (IIII), seja porque o IIII propicia um melhor equilíbrio estético ao relógio uma vez que as primeiras quatro horas são representadas pelo numeral I (I,II,III,IIII), as quatro seguintes pelo número V (V,VI,VII,VIII) e as demais indicadas pelo X (IX,X,XI,XII).

Outra explicação para adoção do numeral IIII tem explicação meramente religiosa. Como se sabe a escrita do nome romano do deus Júpiter tem sua grafia em latim como IVUPITER. Para não se utilizar as iniciais do sagrado "em vão" alguns romanos optaram pela variação da escrita antiga IIII.

Além do nosso velho relógio da Coluna da Hora temos ainda o relógio da Estação da Luz em São Paulo que, igualmente, utiliza a grafia do numeral IIII e não IV.

Drama da fome: Feridas abertas que os poderosos insistem em não curar

As paisagens urbanas e rurais, através de sua geografia humana, sobretudo nas periferias do capitalismo globalizado que marca os dias atuais, vem sendo caracterizadas pelas manifestações aviltantes cada vez mais agudas do drama da fome, as quais cristalizam o significado da exclusão de grande parcela dos seres humanos, espalhada pelos quatro cantos do planeta, a qual ainda não foi beneficiada pelas conquistas tecnológicas e por sua capacidade degerar emprego e renda decentes que garantam melhores dias, formulando de forma efetiva o real sentido da cidadania.

Os donos dos meios de produção selecionam metodicamenteespaços que são e serão beneficiados pela ação do capital em suas múltiplas metamorfoses e interesses, relegando ao esquecimento àqueles que não interessam de imediato à reprodução das estruturas de poder. São os espaços marginalizados que não servem a curto ou médio prazos, muitas vezes também a longo prazo, aos propósitos definidos em infindáveis reuniões temperadas pelo gosto refinado por dinheiro em quantidade absurdamente estratosférica.

Assim, cotidianamente milhares de pessoas são atiradas no fosso da miséria, da pobreza e da fome, pois sem perspectivas de melhores dias amargam a triste realidade do abandono e do infortúnio,sendo submetidas à escravidão da falta de interesses dos poderosos que as enxergam apenas como frios números das estatísticas que permitem absurda maximização de lucros com interessante minimização de custos para àqueles que são contemplados pelas benesses do sistema.

Citando exemplo clássico presente nas distorções inter-regionais brasileiras, indubitavelmente podemos afirmar que em consonância com o despovoamento do campo no nordeste brasileiro desponta de forma imperiosa o agrobusiness em determinados espaços rurais previamente selecionados, dotado de tecnologia de primeiro mundo. Em contrapartida, a agricultura familiar vem sendo notavelmente prejudicada e desestimulada em razão que percentual significativo dos investimentos garantidos pelas políticas públicas voltadas para o agro, viabilizadas pela ação do Estado, destina-se ao sucesso da produção agrícola concentrada em atender as exigências do mercado externo a fim de gerar divisas para fomentar a política paternalista que caracteriza a atuação do Estado em garantir os privilégios da poderosa classe que detém o poder.

Além do mais, os poucos recursos destinados ao fomento à agricultura familiar não vem acompanhado de necessária e eficaz instrução técnica que permita favorecer o sucesso da produção e da comercialização agropecuária, não esquecendo ainda que existem graves denúncias de corrupção envolvendo a destinação dos recursos para este setor produtivo que garante inúmeros benefícios para suprir o mercado interno, ao contrário do primo rico que se dedica a atender as exigências externas cada vez mais sofisticadas.

O resultado óbvio é o recrudescimento da situação de penúriados que sofrem com a intransigência da lógica do capital, avançando de forma desumana as conseqüências trágicas da desnutrição. Crianças, elos frágeis da teia maléfica montada pelo capitalismo, perdem a visão por falta de alimentos, ficando apenas no couro e no osso devido à ausência de proteínas que possam garantir a sobrevivência e engrossando dia-a-dia as estatísticas referentes à mortalidade infantil, motivada por doenças provocadas pela fome.

Esqueléticas e famintas desfilam suas desditas pelos espaços menos privilegiados das favelas, alagados, palafitas, pontes, camposadustos, lócus urbanos sem infra-estruturas e outros locais usados como moradias, pois sinônimos da ausência de compromissos, esses lugares se constituem nos territórios da fome e das privações.

Enquanto isso, os poderosos que mandam e desmandam não demonstram nenhuma sensibilidade, nenhuma comoção, nenhuma atitude concreta, que seja pragmática de fato, a qual possa reverter o quadro surreal que vem tomando aspecto tétrico, cada dia pintado de forma mais intensa com cores berrantes que revelam o drama da miséria e dafome, da insensibilidade de parcela intransigente da humanidade satisfeita e feliz com o esquema montado sobre privilégios.

Recantos esquecidos espalhados na imensidão nordestina abrigam populações famintas e desvalidas cujas condições de vida são iguais às apresentadas pelos grandes bolsões de carência crônica do continente africano, pois os indicadores sócio-econômicos teimam em se repetir em cada amostragem populacional que busca revelar a situação do povo brasileiro, embora saibamos que muitas foram propositalmente maquiadas para atender determinados interesses.

Mães aflitas, viúvas das secas e dos descasos, choram pelo destino que o sistema relegou aos seus filhos, aos quais tudo é negado, desde um prato de comida decente à educação de qualidade que possa garantir-lhes um futuro melhor, com esperanças e felicidades,não esquecendo ainda que saúde também é algo negado de forma injuriosa e infame. A injustiça tornou-se palavra de ordem no imaginário dos poderosos.

Historicamente a pobreza vem sendo tratada como caso depolícia, pois exemplo disso temos na forma desumana como os aparelhos repressivos do Estado trataram Canudos, como verdadeiro caso desegurança nacional, simplesmente por que a sociedade alternativa fundada no sertão baiano conseguiu superar os limites extremos da exploração desmedida capitaneada pelo draconiano latifúndio que impera desde a formação sócio-econômica brasileira.

A intensificação do drama da fome foi profetizada e alertada pelo cientista Josué Apolônio de Castro (Recife – 05/09/1908 – Paris –24/09/1973) quando de sua magnífica campanha em prol da erradicação do maior drama da humanidade, mas desde então nada foi feito, pelo contrário, pois o problema ainda está sendo encarado como um tema proibido, o qual escancara a mesquinhez contida na manutenção e na reprodução das estruturas de poder que privilegiam poucos e humilham agrande maioria excluída do complexo processo que caracteriza os dias atuais.

A ousadia e a independência de Josué de Castro, quando denunciou a fome como flagelo fabricado pelos homens, foram responsáveis por momentos ímpares na história da humanidade, mas que infelizmente responsabilizaram-se também pelos momentos de angústia que o levaram à morte prematura em seu exílio na França, imposto pela intransigência dos militares que derrubaram o governo constitucionalde João Goulart, histórico herdeiro político de Vargas. Refletir sobre as bases do pensamento do importante teórico nacional, reconhecendo a importância da atualidade de suas pregações edefesas, é condição sine qua non para que busquemos lutar pela superação dos aviltantes contrates que separam incluídos e excluídos,contribuindo dessa forma para a consolidação de um mundo melhor, comjustiça social e harmonia para o gênero humano.

Insistindo em nãocurar as feridas abertas com o drama da fome, os poderosos do planeta alimentam insatisfações cujas conseqüências poderão se revelar imprevisíveis, pois a partir do momento que o grito dos excluídos tornar-se mais intenso e estridente talvez a composição contida na super estrutura não surta tanto efeito a fim de abafar as reclamações que se avolumam de forma impressionante devido a ausência de amor quevem sendo observada na conjuntura em que imperam a ganância e a faltade compromissos com a sofrida realidade humana daqueles que estão à espera de olhares mais humanos e compenetrados com suas situações desesperadoras.


(*) José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo (UFPB). Professor-adjunto doDepartamento de Geografia (DGE) da Faculdade de Filosofia e CiênciasSociais (FAFIC) da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte(UERN). Especialista em Geografia e Gestão Territorial (UFPB) e emOrganização de Arquivos (UFPB). Mestre em Desenvolvimento e MeioAmbiente (PRODEMA – UERN).

Charge - Amarildo


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010


'Tem rapariga aí? Se tem, levante a mão!'. A maioria, as moças, levanta a mão. Diante de uma platéia de milhares de pessoas, quase todas muito jovens, pelo menos um terço de adolescentes, o vocalista da banda que se diz de forró utiliza uma de suas palavras prediletas (dele só não, de todas bandas do gênero). As outras são 'gaia', 'cabaré', e bebida em geral, com ênfase na cachaça. Esta cena aconteceu no ano passado, numa das cidades de destaque do agreste (mas se repete em qualquer uma onde estas bandas se apresentam). Nos anos 70, e provavelmente ainda nos anos 80, o vocalista teria dificuldades em deixar a cidade.

Pra uma matéria que escrevi no São João passado baixei algumas músicas bem representativas destas bandas. Não vou nem citar letras, porque este jornal é visto por leitores virtuais de família. Mas me arrisco a dizer alguns títulos, vamos lá:

Calcinha no chão (Caviar com Rapadura),
Zé Priquito (Duquinha),
Fiel à putaria (Felipão Forró Moral),
Chefe do puteiro (Aviões do forró),
Mulher roleira (Saia Rodada),
Mulher roleira a resposta (Forró Real),
Chico Rola (Bonde do Forró),
Banho de língua (Solteirões do Forró),
Vou dá-lhe de cano de ferro (Forró Chacal),
Dinheiro na mão, calcinha no chão (Saia Rodada),
Sou viciado em putaria (Ferro na Boneca),
Abre as pernas e dê uma sentadinha (Gaviões do forró),
Tapa na cara, puxão no cabelo (Swing do forró).

Esta é uma pequeníssima lista do repertório das bandas.

Porém o culpado desta 'desculhambação' não é culpa exatamente das bandas, ou dos empresários que as financiam, já que na grande parte delas, cantores, músicos e bailarinos são meros empregados do cara que investe no grupo. O buraco é mais embaixo. E aí faço um paralelo com o turbo folk, um subgênero musical que surgiu na antiga Iugoslávia, quando o país estava esfacelando-se. Dilacerado por guerras étnicas, em pleno governo do tresloucado Slobodan Milosevic surgiu o turbo folk, mistura de pop, com música regional sérvia e oriental. As estrelas da turbo folk vestiam-se como se vestem as vocalistas das bandas de 'forró', parafraseando Luiz Gonzaga, as blusas terminavam muito cedo, as saias e shortes começavam muito tarde. Numa entrevista ao jornal inglês The Guardian, o diretor do Centro de Estudos alternativos de Belgrado, Milan Nikolic, afirmou, em 2003, que o regime Milosevic incentivou uma música que destruiu o bom-gosto e relevou o primitivismo estético. Pior, o glamour, a facilidade estética, pegou em cheio uma juventude que perdeu a crença nos políticos, nos valores morais de uma sociedade dominada pela máfia, que, por sua vez, dominava o governo.

Aqui o que se autodenomina 'forró estilizado' continua de vento em popa. Tomou o lugar do forró autêntico nos principais arraiais juninos do Nordeste. Sem falso moralismo, nem elitismo, um fenômeno lamentável, e merecedor de maior atenção. Quando um vocalista de uma banda de música popular, em plena praça pública, de uma grande cidade, com presença de autoridades competentes (e suas respectivas patroas) pergunta se tem 'rapariga na platéia', alguma coisa está fora de ordem. Quando canta uma canção (canção?!!!) que tem como tema uma transa de uma moça com dois rapazes (ao mesmo tempo), e o refrão é: 'É vou dá-lhe de cano de ferro/e toma cano de ferro!', alguma coisa está muito doente. Sem esquecer que uma juventude cuja cabeça é feita por tal tipo de música é a que vai tomar as rédeas do poder daqui a alguns poucos anos.

Ariano Suassuna


Enviada por e-mail por um amigo.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Apresentação do clássico "Bolero de Ravel" pelas irmãs Labeque no "Theatre des Champs-Elysees", em Paris.

A peça clássica é a mais executada em todo o mundo há mais de meio século.

Charge - Cau Gomez

Cau Gomez é chagista do jornal A Tarde (BA)

Estudo científico: preservativos de tamanho errado reduzem prazer

Muito grandes ou pequenos, estreitos ou largos, os preservativos não apenas podem deslizar ou se romper, mas também reduzem o prazer sexual do casal, segundo um estudo publicado nesta terça-feira pela revista Sexually Transmitted Infections.

Os pesquisadores do Instituto Kinsey (Universidade de Indiana, EUA) analisaram questionários feitos por 436 homens entre 18 e 67 anos, voluntários recrutados através da imprensa e da página da Internet de uma empresa que vende preservativos.

Os voluntários declararam ter usado camisinhas em relações sexuais com penetração vaginal nos últimos três meses. Segundo os pesquisadores, quase a metade deles (44,7%) afirmou ter feito a experiência com preservativos inadequados. E essa parcela sofreu 2,5 mais riscos de que os preservativos inadequados deslizassem ou se rompessem, e cinco vezes mais chances de acabar com uma irritação no pênis.

Estes usuários também correram duas vezes mais riscos de ter um problema de ereção ou dificuldades, o mesmo que suas companheiras, para chegar ao orgasmo. Também foram duplicadas as chances de retirarem a camisinha antes do final da relação sexual.

O estudo, baseado em declarações voluntárias, mostra ainda que são necessárias "mensagens de saúde" para alertar os homens a escolher o tamanho adequado do preservativo, afirmam os autores Richard Crosby e Bill Yarber.

Bill Silver disse em um podcast (http://podcast.bmj.com/sti) que os fabricantes de preservativos deviam chamar as camisinhas menores de "grandes" e as de tamanho médio de "extra grandes". "As pessoas não comprariam preservativos rotulados de 'pequeno' ou 'super pequeno'", advertiu.


Terra

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Foiarás e As Virgens do Beco da Cadeia: tradição e irreverência de um quase carnaval








Oficialmente a cidade de Pombal não tem carnaval. Não há trios elétricos sacudindo a cidade nem colombina nem pierrôs. Há anos que os gestores públicos não incentivam decisivamente na comemoração da folia momesca pelas bandas de cá.

Apesar disso, dois blocos carnavalescos teimam em dar as caras todos os anos. Os blocos "As Virgens do Beco da Cadeia" e os "Foirás" travam disputas acirrada nos quesitos de apresentação pelas ruelas da pequena Pombal, interior da Paraíba.

Formados em sua maioria por cidadãos humildes e utilizando seus parcos recursos e a pouco ajuda financeira dispensada, os blocos inovam em seus adereços utilizando recursos naturais como folhas, cabaças, capim e palhas de coqueiro para a confecção de suas fantasias. É certo que sempre tem aquele (ou aquela) folião mais "afoito" que logo aparece com uma dessas fantasias mais espalhafatosa.

Sem samba enredo nem marcação de bateria, rapazes se vestem de moças ou "quase moças" e com seus trajes percorrem a cidade sob o combustível de 40 litros de aguardente (todos doados por populares) que são, cuidadosamente, consumidos no percurso da nossa Marques do Sapucaí que vai do Bairro do Cacete Armado para a Praça do Centenário, ponto da apoteose carnavalesca.

Este ano, na terça-feira de carnaval, nêgo Carú, de posse de um potente microfone e de cima de uma das calçadas se encarregou de organizar a saída dos Foiarás.

No dia anterior havia sido a vez das "Virgens do Beco da Cadeia", que trouxe como atração, a exuberância da fantasia de Vandeca, um dos passistas mais animados.

Apesar do pouco investimento, "As Virgens do Beco da Cadeia" e "Os Foiarás", ao seu modo, vêm consolidando uma tradição de anos em nossa cidade com suas irreverências e alegrias.

Talvez seus desfiles se traduzam num solitário grito de socorro cultural, quem sabe, ou talvez aos olhos de muitos, seja apenas uma inconsequente manifestação de desocupados, nada mais que isso!

O importante é que eles, de novo este ano, alegraram as nossas tristes tardes de um quase carnaval.


EM TEMPO:

O Dr. Zildo de Souza, leitor do Blog, diligentemente nos acudiu com a necessária correção de alguns dados sobre os Blocos Foirá e as Virgens do Beco da Cadeia. Como não temos compromisso com os nossos enganos, cuidamos de transcrever seu providencial complemento as informações aqui prestadas.

"Meu Caro Téo Jr, parabéns pelo Artigo, mas faço só uma correção. O nome é "Foiará" (no singular mesmo) ou também "Folhará", ou seja, devido aos parcos recursos dos seus membros, eles fizeram suas fantasias de folhas, era de bananeira, oiticica, e outras folhas mais, daí esse curioso nome.
Esse, como também nos últimos 5 ou 6 anos, houve uma divergência e surgiu o "Azulão" que seria originário do Constituinte, numa clara alusão, sem trocadilhos, à cor predominante de umas das principais esquipes de futebol de nossa cidade, e comandado por Valmir Dantas de Morais - o folclórico "Nêgo Carú", viu-se também "mais essa agremiação" carnavalesca, portanto, o que você viu ali foi a mistura dos Blocos Foiará e Azulão com a sensual adesão das Virgens do Beco da Cadeia, este dirigido por "Raimunda de João Facundo" conhecida corretora de imóveis nesta urbe.
Sim, é preciso registrar que Nêgo Carú ficou furioso quando de sua "cata" por patrocínios, "Zurué", carnavalesco do Foiará, disse que só a diretoria do seu antigo bloco que segundo ele teria mais de 32 anos, era maior do que todo o Azulão.
Mas no mais vale a resistência cultural. Vamos apoiar esses insistentes e valorosos animadores populares.

Curiosidade...

"Muita calma nesta hora. A solução para o estresse nosso de cada dia pode estar dentro de uma latinha. Pelo menos é o que prometem os fabricantes de um novo tipo de bebida nas gôndolas de mercados e lojas de conveniência dos EUA: os "desenergéticos". São drinques não alcoólicos feitos para relaxar, à base de ervas e calmantes. E já ganharam apelidos carinhosos: "maconha em lata" e "anti-Red Bull."

Fonte: íntegra da Super Interessante

Elizeth Cardoso - As pastorinhas

A marcha-rancho "As Pastorinhas", de autoria de João de Barro(Braguinha) e Noel Rosa, é um das canções mais queridas pelo nosso povo. A melodia sempre compõe o repertório dos nossos carnavais.

6 mil pessoas participam de Ceia Histórica

Depois de 12 anos de realização do Encontro da Consciência Cristã, no último domingo, aconteceu a celebração da Ceia do Senhor. O fato inédito ocorreu na Representação do Tabernáculo Bíclico, no Parque do Povo, onde acontecem as grandes concentrações noturnas do evento.

Líderes das mais diversas denominações evangélicas participaram do ato, que foi realizado diante de um público de mais de seis mil pessoas. O pastor Paulo Solonca, pregador da noite, ministrou a Ceia e convidou a multidão a buscar mais a comunhão com Deus e com o seu próximo.

Na ministração da Santa Ceia, o pastor ressaltou que a morte de Cristo na Cruz selou a derrota de satanás e conclamou a multidão a refletir sobre a importância de se cultivar a unidade na Igreja de Cristo, como justamente o que estava acontecendo naquele momento na Representação do Tabernáculo Bíblico.

Em seguida uma equipe de obreiros serviu pão e vinho aos participantes da ceia ao final da qual o presidente da VINACC, pastor Euder Faber, ressaltou, com alegria, que aquela era a primeira vez que acontecia a Santa Ceia dentro da Consciência Crista.


PB Agora com Ascom

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Marchinhas de Carnaval - Emilinha Borba

Os 10 melhores álbuns pop da história, segundo o Vaticano

A lista com os dez melhores álbuns pop de todos os tempos, publicada na edição de domingo do jornal do Vaticano, “L´Osservatore Romano”, está causando sensação em todo o mundo cristão. A surpresa não é tanto pelas escolhas dos jornalistas Giuseppe Fiorentino e Gaetano Vallini, questionáveis como sempre ocorre em eleições deste tipo, mas pelo fato de ser, de fato, uma lista pop bem honesta.

O pretexto para a publicação da lista, explicam os jornalistas, é a proximidade de mais uma edição do popular Festival de San Remo, que vai despejar nas rádios, por toda a temporada, mais uma safra de músicas de baixa qualidade. Trata-se, portanto, de “um pequeno guia de resistência musical, para sobreviver não apenas aos rigores do inverno, mas à onda de festivais de música”

O bom humor dá o tom do artigo. Além de classificar a lista como “meio séria”, Fiorentino e Vallini justificam a ausência de Bob Dylan no top 10 pelo fato de o músico ser indiretamente responsável por gerações e gerações de compositores acharem que seus “pensamentos sinuosos podem interessar a alguém.”

Como pode-se ver abaixo, a lista parece ter sido elaborada sem muitos preconceitos de ordem moral ou religiosa. É verdade que a ausência de "Beggar's Banquet" (que inclui “Sympaty for the Devil”), dos Rolling Stones, foi notada por alguns críticos, mas há entre os 10 discos escolhidos pelo Vaticano vários que incluem músicas com alusões a drogas e outros pecados..

Como lembra o “Times”, de Londres, o jornal oficial do Vaticano vem passando, já há dois anos, por uma reforma no sentido de torná-lo mais leve e atual. Em 2009, “L´Osservatore Romano” elogiou um livro da série “Harry Potter” e teceu considerações positivas sobre “Os Simpsons”, dizendo que a confusão religiosa de Homer é “um espelho da indiferença e das necessidades que o homem moderno sente em relação à fé”.

Este ano, o jornal criticou “Avatar” como “uma parábola anti-imperialista e antimilitarista sentimental e fácil” e falou mal também da série “Crepúsculo”, de Stephenie Meyer, por se aproveitar de “um vácuo moral com uma mensagem desviante”.

Abaixo, o top 10 pop do Vaticano:

1. “Revolver”, Beatles
2. “If I could Only Remember My Name”, David Crosby
3. “The Dark Side of the Moon”, Pink Floyd
4. “Rumours”, Fleetwood Mac
5. “The Nightfly”, Donald Fagen
6. “Thriller”, Michael Jackson
7. “Graceland”, Paul Simon
8. “Achtung Baby”, U2
9. “(What's the story) Morning Glory”, Oasis
10. “Supernatural”, Carlos Santana

Blog do Mauricio Stycer
http://mauriciostycer.blog.uol.com.br/arch2010-02-14_2010-02-20.html
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João Pessoa é a cidade com mais xixi na rua

No carnaval de rua de todo o Brasil não falta gente animada, criativa e mal educada. Esse povo sem noção que faz xixi em qualquer lugar está em toda parte e cada vez mais ousado.

A justificativa está na ponta da língua: “Acabei de fazer ali porque não tem banheiro no circuito”, justificou um folião.

O pessoal está abusado demais. E para contabilizar o número de foliões que anda fazendo das ruas mictório, equipes do Fantástico ficaram de plantão durante duas horas seguidas em pontos específicos de blocos de carnaval de cinco cidades brasileiras.

Uma delas levou o Troféu Manequinho! Não entendeu o nome do troféu? A inspiração veio de uma fonte que fica em Bruxelas, na Bélgica, e tem uma réplica no Rio, em frente à sede do Botafogo.

Em Fortaleza, o teste flagrou 25 manequinhos ao lado da Igreja do Rosário, no centro da cidade. Na verdade, foram 24 manequinhos e uma manequinha! Eles deixaram um rio de urina na calçada.

No Rio de Janeiro, quase a mesma quantidade de manequinhos em Santa Tereza: 26. Um caminhão servia de moita até o motorista dar a partida. Mas não foi o fim da festa. Rapidinho os mal educados arrumaram plantinhas para regar. Tudo foi flagrado da janela de uma república de estudantes.

“Todo dia tem muita gente fazendo xixi. No carnaval aumenta muito mais”, conta o estudante Gustavo Bittencourt.

“A diferença é que desta vez tem mais fiscalização”, acrescenta o estudante Ricardo Lobão.

Enquanto as câmeras flagravam os manequinhos, a polícia prendia 14 deles em outro ponto do bloco, incluindo duas mulheres – as primeiras a serem detidas por xixi na rua neste carnaval. Até agora, no Rio, mais de cem pessoas já foram parar na delegacia. Elas respondem por ato obsceno e podem pegar de três meses a um ano de prisão ou pagar multa.

Em Salvador, não há ordem para prender os manequinhos. A polícia apenas adverte. O problema é que quando os guardas viram as costas, o portão do distrito da Marinha vira banheiro a céu aberto. Foram flagrados 75 porcalhões nas duas horas de teste.

Mas o Troféu Manequinho não foi para Salvador.

O muro de um prédio residencial do bairro Miramar, em João Pessoa, Paraíba, foi alagado durante a passagem do bloco Virgens de Tambaú, aquele em que os homens se fantasiam de mulher.

João Pessoa é a dona incontestável do Troféu Manequinho, com inacreditáveis 260 mal educados.

Agora, outra notícia impressionante: em Santos, a equipe do Fantástico não flagrou nenhum manequinho. Onde será, então, que o povo está se aliviando?

“Em bares ou em padarias por onde passamos. Na rua, nunca”, diz um folião.

Está aí o bom exemplo para os manequinhos de plantão. Eles ainda têm dois dias para se redimirem neste carnaval.


Globo

Madonna e Jesus no carnaval do Rio ao lado de Sérgio Cabral e Dilma

Presença de peso no camarote do Governo do Rio. A convite do governador Sérgio Cabral, Madonna esteve na primeira noite de desfiles na Marquês de Sapucaí, acompanhada do modelo Jesus Luz e sua filha, Mercy. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, também compareceu.

A cantora levou ao desespero os integrantes da Imperatriz Leopoldinense, responsáveis pela evolução da agremiação na avenida, ao descer do camarote do Governo para ver a escola de perto.

Acompanhada de Jesus e vários amigos, a cantora viu passar o carro abre-alas e tentou acompanhar a escola, estimulada pelo próprio Cabral. Foi contida pelos seguranças da agremiação, preocupados com o tumulto.

Cercada por fotógrafos e cinegrafistas, Madonna acabou voltando ao camarote menos de 15 minutos depois de descer até a avenida.

A rainha do pop chegou ao Sambódromo às 22h15 e subiu direto para o camarote do Estado. Lourdes Maria, outra filha da cantora, também foi assistir ao primeiro dia do desfile do Grupo Especial.

Depois de passar quase duas horas no camarote de Cabral, a estrela, no intervalo entre a Imperatriz e a Unidos da Tijuca, cercada por trinta seguranças, atravessou a pista e passou o resto da noite no camarote da Brahma.


Estadão
(Foto Marcos de Paula /AE)

Casal desfila nu nas principais avenidas do Distrito Federal


Flagra aconteceu na noite de domingo, na avenida W3, em Brasília. Homem e mulher usavam apenas chapéu.

Um casal flagrado como “Adão e Eva” surpreendeu os motoristas que trafegavam por uma das mais movimentadas avenidas de Brasília, a W3. O homem e a mulher usavam apenas chapéu.

Quem passava pelo local buzinava. Eram 22h de domingo quando o casal foi descoberto abaixado perto de arbustos na calçada. À luz da câmera da TV Globo, começaram a caminhar tranquilamente. Abraçadinhos, tomaram o caminho de casa.

A dupla não foi identificada. Andar pelado na rua é considerado ato obsceno na Constituição. Crime que prevê pena de até um ano de detenção e multa.


G1

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Recadinho...


STJ acata pedido da OAB e decreta prisão preventiva de Arruda por suposto suborno

Por 12 votos a 2, os ministros da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiram nesta quinta-feira (11) pela decretação da prisão preventiva do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), suspeito de envolvimento em esquema de corrupção que envolve membros do governo, deputados e empresários.

A Corte Especial do STJ também decretou a prisão de mais quatro envolvidos em suposta tentativa de suborno ao jornalista Edmilson Edson dos Santos, conhecido como Sombra. Arruda teria proposto o pagamento de propina na tentativa de fazer com que Sombra mentisse em depoimento à Polícia Federal. Havia um delegado presenciando a sessão. Assim que os ministros decidiram referendar a decisão de prender o governador, ele deu ordem aos agentes da PF para efetivarem a ordem de prisão.

A assessoria de Arruda disse que ele vai se entregar. Os únicos ministros que votaram contra a prisão do governador foram Nilson Naves e Teori Zavascki.

De acordo com a decisão do STJ, também serão presos Rodrigo Arantes, sobrinho e secretário do governador, Welinton Moraes, ex-secretário de governo, o ex-deputado distrital Geraldo Naves (DEM), que agora é suplente, e Haroaldo Brasil Carvalho, ex-diretor da Companhia Energética de Brasília (CEB).

As prisões foram pedidas pela Procuradoria-Geral da República (PGR), sob o argumento de que Arruda e os demais estariam atrapalhando o curso das investigações sobre o chamado mensalão do DEM de Brasília.

O ministro do STJ Fernando Gonçalves, que preside o inquérito do mensalão do DEM, afirmou haver "indícios" que justificam a prisão preventiva do governador. "Há indícios de ameaça à ordem pública e à instrução criminal pela corrupção de testemunha", disse Gonçalves, em seu voto. "Está caracterizada a falsidade ideológica e corrupção de testemunha, o que justifica a prisão preventiva", disse o ministro.


G1


Charge - Amarildo


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Novo filme do Homem-Aranha já tem data de estreia


A Sony Pictures divulgou hoje, via comunicado oficial, que o novo filme do Homem-Aranha, que irá recomeçar a série, já tem data de estreia nos EUA. Será no dia 3 de julho de 2012 e terá exibição em 3D. A produção começa no final desse ano.

O novo longa do Homem-Aranha terá direção de Marc Webb, de (500 Dias) Com Ela. Ele entrou no lugar de Sam Raimi depois que a Sony decidiu abortar o quarto filme e voltar desde o início da história do Aracnídeo. Tobey Maguire, que interpretava Peter Parker também saiu, assim como Kristen Dusnt. Ela vivia Mary Jane.

Jeff Blake, chefão da Sony, comentou no comunicado que o “Homem-Aranha será a grande experiência do verão (de 2012) e estamos muito empolgados que o próximo filme será em 3D. O personagem é um dos mais populares do mundo e sabemos que o público está ansioso para descobrir a fantástica visão de Marc (Webb, diretor) para Peter Parker e para a franquia”.

O roteiro é de James Vanderbilt.

Fonte:http://ocapacitor.uol.com.br/cinema/nota-novo_filme_do_homem-aranha_ja_tem_data_de_estreia-1446.html



Por Edu Almeida

Regras para declaração do IRPF ano base 2009

A Secretaria da Receita Federal publicou nesta quarta-feira (10), no Diário Oficial da União, as regras para a declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) de 2010, ano-base 2009.

Segundo o órgão, o prazo de entrega da declaração do IR deste ano começa em 1º de março e vai até o dia 30 de abril deste ano. Quem perder o prazo está sujeito a uma multa mínima de R$ 165,74.

Formas de entrega

A declaração poderá ser enviada pela internet, por meio da utilização do programa de transmissão da Receita Federal (Receitanet), via disquete nas agências do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica Federal, ou em formulário, nas agências e nas lojas franqueadas da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), durante o seu horário de expediente. Neste último caso, o custo é de R$ 5, a ser pago pelo contribuinte.

Obrigatoriedade

Segundo a Receita Federal, estão obrigadas a apresentar a declaração as pessoas físicas que receberam rendimentos tributáveis superiores a R$ 17.215,08 em 2009.

Também estão obrigados a apresentar o documento os contribuintes que receberam rendimentos isentos, não-tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, cuja soma foi superior a R$ 40 mil no ano passado.

Também é obrigatória a entrega para quem obteve, em qualquer mês de 2009, ganho de capital na alienação de bens ou direitos, sujeito à incidência do imposto, ou realizou operações em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas.

Quem teve a posse ou a propriedade, em 31 de dezembro do ano passado, de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor total superior a R$ 300 mil, também deve declarar IR neste ano.

Aqueles contribuintes que passaram à condição de residente no Brasil, em qualquer mês do ano passado, e nesta condição se encontravam em 31 de dezembro, também devem declarar IR neste ano.

A obrigatoriedade também vale para quem optou pela isenção do imposto sobre a renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda de imóveis residenciais, cujo produto da venda seja destinado à aplicação na aquisição de imóveis residenciais localizados no país, no prazo de 180 dias contados da celebração do contrato de venda.

Atividade rural

Também é obrigatória a entrega da declaração de IR 2010 para quem teve, em 2009, receita bruta em valor superior a R$ 86.075,40 oriunda de atividade rural. O documento também tem de ser entregue por quem pretenda compensar, no ano-calendário de 2009 ou posteriores, prejuízos de anos-calendário anteriores ou do próprio ano-calendário de 2009.

Completo ou simplificado

A Receita Federal lembra que os contribuintes podem optar por dois modelos na entrega do documento: simplificado ou completo. A regra para fazer a declaração simplificada continua a mesma: desconto de 20% na renda tributável. Este desconto substitui todas as deduções legais da declaração completa. Neste ano, o limite do desconto é de R$ 12.743,63. Em 2009, o limite foi de R$ 12.194,86.

No caso da dedução por dependentes, possível apenas por meio da declaração completa, o valor subiu de até R$ 1.655,88 em 2009 para até R$ 1.730,40 neste ano. Nas despesas com educação (ensino infantil, fundamental, médio, técnico e superior, o que engloba graduação e pós-graduação), o limite individual de dedução passou de até R$ 2.592,29 no em 2009 para até R$ 2.708,49 neste ano, também disponível somente no modelo completo.

Para despesas médicas, as deduções continuam sem limite máximo. Podem ser deduzidos pagamentos a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, hospitais, além de exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias.

O governo também manteve neste ano a possibilidade de dedução da contribuição para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) da contribuição patronal do empregado doméstico - limitado a um por declaração. Os empregadores recolhem uma alíquota mensal de 12% do salário do empregado doméstico. Segundo a Receita Federal, a dedução está limitada a R$ 732 neste ano, contra R$ 651,40 em 2009.

Imposto a pagar

Ao declarar o Imposto de Renda, os contribuintes podem receber restituições, ter saldo zero de imposto (não paga nem recebe) ou pode ser obrigado a acertar as contas com o Leão e efetuar pagamentos.

Segundo a Receita Federal, os impostos devidos podem ser pagos em até oito parcelas mensais, mas nenhuma pode ser inferior a R$ 50. Se o valor da dívida do IR for inferior a R$ 100, o pagamento deve ser feito em cota única.

A primeira cota do IR deve ser paga até 30 de abril e, as demais, até o último dia útil de cada mês. Os valores serão acrescidos de juros equivalentes à taxa Selic, acumulada mensalmente, e de 1% no mês do pagamento.

Segundo a Receita federal, é o contribuinte pode antecipar, total ou parcialmente, o pagamento do imposto ou das cotas, devendo, nesse caso, apresentar declaração retificadora com a nova opção de pagamento.

Os pagamentos podem ser feitos via transferência eletrônica, ou nas instituições financeiras. A opção de débito em conta corrente, que começou a ser permitida em 2007, também foi mantida neste ano.

O débito automático, porém, somente será permitido para declaração original ou retificadora, elaborada em computador, apresentada até 31 de março de 2010, para a primeira cota ou cota única. E até 30 de abril para débitos a partir da segunda cota.


G1

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Escritórios

Paraibano processa Boris Casoy por ofensa

O caso do comentário jocoso do jornalista Boris Casoy (foto) a respeito de dois garis durante a edição de 31 de dezembro do "Jornal da Band" pode gerar um imbróglio judicial de proporções incalculáveis à TV Bandeirantes e ao âncora.

O advogado José Dinart Freire de Lima, que junto à advogada Miriam de Souza Lima, é responsável pelo processo do gari paraibano Demilson Emídio dos Santos contra o jornalista - o quarto do caso - declarou em entrevista ao Portal IMPRENSA que, só na cidade de Campina Grande, sob sua tutela, existem outras 12 ações de garis que sentiram-se ofendidos com o episódio.

Lima explicou que os pedidos de indenização possuem textos idênticos e se apoiam no princípio de que "todo o gari pode se manifestar, pois a ofensa foi contra a categoria", não especificamente a um profissional, tese que pode ser comprovada, segundo o advogado, pela parte do comentário do jornalista que adjetiva o profissional que atua em limpeza e manutenção como sendo "o mais baixo da escala do trabalho".

O valor estipulado nas ações paraibanas é de R$ 50 mil, mas Lima acredita que, após julgamento da primeira ação, será estipulado um teto que "não onere de maneira desproporcional nem a emissora, tampouco o jornalista".

A ação dupla - contra a Band e Casoy - justifica-se, no entendimento do advogado, pois a Rede facilitou a disseminação do comentário do jornalista, uma vez que lhe forneceu a plataforma para tal.

Questionado se o número de ações não indicaria oportunismo, Lima observou que cada gari brasileiro que sentiu-se ofendido com o comentário pode pedir indenização, desde que "prove atuação na área".

Já o pedido de indenização - mesmo depois da retratação pública do jornalista - é legítimo, segundo o advogado, pois houve uma ofensa que não se repara com declarações, considerando a "angústia" a que foram submetidos os garis.


Do Portal Imprensa

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Cante lá que eu canto cá!

(...)
A saudade é um parafuso,
que, na rosca, quando cai,
só entra se for torcendo,
porque, batendo, não vai;
e, se enferrujar por dentro,
pode quebrar, mas não sai!

Antônio Pereira
Poeta repentista

Campanha pela educação

Entre Aspas

“Trago-te flores, - restos arrancados da terra que nos viu passar unidos e ora mortos nos deixa separados.”

(Machado de Assis)

“Mas tu estavas de olhos fechados prendendo o tempo em teu sorriso. E em tua vida a primavera não pôde achar nenhum motivo.”

(Cecília Meireles)

Religião salva?

Na maioria das vezes, quando alguém pergunta se religião salva, está querendo saber se é necessário pertencer a uma agremiação religiosa para alcançar a salvação. Essas pessoas têm, portanto, a noção de salvação associada à expectativa de que, após a morte, ressuscitarão e receberão a recompensa pelo modo como conduziram suas vidas. Mas, para alcançar a vida eterna não seria suficiente fazer o bem? Praticar uma religião muda alguma coisa? Afinal, existem tantas pessoas religiosas que se comportam com hipocrisia e maldade!

A prática do bem é muito importante. A despeito das variações culturais, a humanidade tende para a constituição de uma espécie de código de ética universal, que estabelece alguns valores como válidos para todos os homens em todos os tempos. Assim, o amor ao próximo, a paz, a honestidade e a verdade, entre outras coisas, devem ser perseguidas por todo ser humano em qualquer povo.

Em geral, quando uma pessoa busca sinceramente a verdade e o bem, ela caminha em direção a Deus, que é o Sumo Bem. Mesmo que não intente diretamente seguir os preceitos de uma religião, sua procura sincera faz com que ela esbarre em Deus e a Ele se religue. Ao receber o anúncio do Evangelho, a pessoa tende a perceber que, na verdade, procura uma religião, ou seja, ela quer religar-se a Deus. Seu esforço altruísta é apenas uma manifestação desse desejo. Nesse momento, escusar-se de praticar religião por orgulho ou comodismo significa desviar-se de Deus e, portanto, desviar-se do bem.[2] Então, mesmo que pratique obras boas, não poderá se salvar, porque se nega a acolher o Salvador. Nesse sentido, religião salva!

Mas não adianta ser religioso e não praticar o bem. Isso se constitui num grande escândalo, que faz com que muitas pessoas temam aproximar-se da prática religiosa. Aceitar e propagar os preceitos de uma determinada religião, cumprir com todos os seus ritos individuais e coletivos, externar sua adesão e, ao mesmo tempo, comportar-se com maldade e falta de amor, de nada adianta: “Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver amor não sou nada” (1 Cor 13, 2). Nesse sentido, religião não salva!

Evidentemente, nem todas as religiões são verdadeiras. Elas são diferentes e, às vezes, divergem frontalmente numa mesma matéria. Como poderiam ser todas verdadeiras se pregam coisas opostas? Normalmente, quem defende que as religiões são todas iguais é porque não quer praticar nenhuma, pois não quer compromisso com ninguém. Isso reflete a condição de alguém fechado em si mesmo, que assume uma postura egoísta diante de certos desafios da vida.

Todas as religiões contêm “sementes” da verdade e pessoas de qualquer religião que buscam sinceramente a Deus podem se salvar. Além disso, as religiões podem e devem se respeitar, reforçando seus pontos comuns em vez de realçar suas diferenças. Mas é preciso proceder a um discernimento e acolher a verdade.

Jesus Cristo é a verdade. Ele quis salvar o mundo através da Igreja. Ela é a via normal da salvação, embora não a única: “Deus pode por caminhos dele conhecidos levar à fé todos os homens que sem culpa própria ignoram o Evangelho”.[3] Se o homem reconhece, realmente, a necessidade de ser salvo, reconhecerá também, quando o Evangelho lhe for mostrado, a necessidade de ser cristão. Se jamais se deparar com a mensagem salvífica de Cristo, encontrará em sua própria consciência, de algum modo, o caminho para o infinito. Mesmo que não pratique religião!


Ronaldo José de Sousa
ronaldo@remidosnosenhor.com.br

Reflexão: Augustus e Sócrates

Certo dia, Augustus procurou Sócrates e disse-lhe:

- Sócrates, preciso contar-lhe algo sobre alguém! Você não imagina o que me contaram a respeito de...

Nem chegou a terminar a frase, quando Sócrates ergueu

os olhos do livro que lia e perguntou:

- Espere um pouco Augustus. O que vai me contar já passou pelo crivo das três peneiras?

- Peneiras? Que peneiras?

- Sim. A primeira, Augustus, é a da verdade. Você tem certeza

certeza de que o que vai me contar é absolutamente verdadeiro?

- Não. Como posso saber? O que sei foi o que me contaram!

- Então suas palavras já vazaram a primeira peneira.

Vamos então para a segunda peneira: a bondade.

O que vai me contar, gostaria que os outros também dissessem a seu respeito?

- Não, Sócrates! Absolutamente, não!

- Então suas palavras vazaram, também, a segunda peneira.

Vamos agora para a terceira peneira: a necessidade.

Você acha mesmo necessário contar-me esse fato, ou mesmo passá-lo adiante? Resolve alguma coisa?

Ajuda alguém? Melhora alguma coisa?

- Não, Sócrates... Passando pelo crivo das três peneiras, compreendi que nada me resta do que iria contar.

E Sócrates sorrindo concluiu:

- Se passar pelas três peneiras, conte! Tanto eu, quanto você e os outros iremos nos beneficiar. Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia entre irmãos.

Devemos ser sempre a estação terminal de qualquer comentário infeliz! Da próxima vez que ouvir algo, antes de ceder ao impulso de passá-lo adiante, submeta-o ao crivo das três peneiras porque: Pessoas sábias falam sobre idéias; Pessoas comuns falam sobre coisas; Pessoas medíocres falam sobre pessoas.

Hora do "ANGELUS"

Quando o ocaso faz-se, de repente,
No patamar das serras apagadas,
À tumba enorme e rubra do poente,
Vão começar as horas sossegadas...

Deita-se lento o sol sobre as quebradas,
Volta, da roça, o pobre alegremente,
E, ao voejar das aves assustadas,
Ouve a nhandu gemer dolentemente.

Soa distante o sino da capela,
Brilha, no céu, a Dalva, estrela bela,
Astro fiel, altar de inspiração...

Sobe, então, nas asas do fervor,
A oração vesperal cheia de amor,
Como, de amor, é cheio o meu sertão...

(Arlindo Ugulino)


Num soneto clássico, de versos decassílabos e esquema rimático abab, baba nos quartetos e ccd, eed nos tercetos, o poeta descreve uma cena campestre na sublime hora do “ângelus”, momento de oração que ocorre no fim do dia: Quando o ocaso faz-se, de repente, / No patamar das serras apagadas. Pela falta da luz solar, as serras perdem o brilho natural. O clima é de paz, pela realização do dia de trabalho do camponês: Deita-se lento o sol sobre as quebradas, / Volta, da roça, o pobre alegremente.

Caracteriza-se a hora do ângelus pela religiosidade expressa no toque do sino: Soa distante o sino da capela - a igrejinha rural. É a hora da Ave-maria.

O prenúncio da noite é vislumbrado pela estrela mais brilhante que enxergamos no firmamento: Brilha, no céu, a Dalva, estrela bela, / Astro fiel, altar de inspiração...

A oração do fim do dia sela a devoção do camponês: Sobe, então, nas asas do fervor, / A oração vesperal cheia de amor, / Como, de amor, é cheio o meu sertão...

O soneto é construído numa perspectiva de tranqüilidade e sugere o amor telúrico que o camponês tem pelo seu rincão e a sublimação desse espaço do dia que termina na oração expressa pela hora do ângelus.

Entretanto, a alegria do camponês, pela realização de mais um dia de trabalho, contrasta com um toque de nostalgia presente no canto do nhandu: Ouve a nhandu gemer dolentemente.

Numa construção poeticamente trabalhada, a opção vocabular do texto é de uma simplicidade tal, que torna clássica não só a forma como também linguagem do poema clássico - o soneto.

Terezinha Almeida Silva
Professora