Barbosa disse que falta na imprensa brasileira "diversidade política e
ideológica", o que considerou uma desvantagem da mídia nacional ao falar em
evento da Unesco
Foto: Ailton de Freitas / O Globo
Em congresso sobre a liberdade de imprensa, o presidente do Supremo Tribunal
Federal (STF), Joaquim Barbosa, afirmou que os três maiores jornais brasileiros
têm opiniões "mais ou menos" de direita. E reclamou da ausência de negros nas
redações de jornais e televisões do País.
No discurso que fez, em inglês, Barbosa disse que falta na imprensa
brasileira "diversidade política e ideológica", o que ele considerou uma
desvantagem da mídia nacional ao falar a jornalistas de outros países em evento
organizado pela Unesco.
"Agora o Brasil só tem três jornais nacionais, todos mais ou menos se alinham
à direita no campo das ideias", disse ele, ressaltando que essa era uma opinião
pessoal, não como chefe da Suprema Corte, mas como um "cidadão político, livre e
consciente".
No discurso, o presidente não mencionou expressamente o nome dos jornais. Mas
em outros momentos, reservadamente, já havia expressado essa opinião em relação
ao jornal O Estado de S. Paulo e aos jornais Folha de S.Paulo e O Globo.
Barbosa ainda apontou como falha na imprensa brasileira a ausência de "negros
e mulatos" nas redações. "Como muitos aqui devem saber, no Brasil, negros e
mulatos compõem 50% a 51% do total da população, de acordo com o último censo de
2010", disse.
"Mas não brancos são muito raros nas redações, nas telas da televisão, sem
mencionar a ausência nas posições de controle ou liderança nas empresas de
mídia", acrescentou.
Apesar das críticas, Barbosa afirmou não acreditar em "democracias perfeitas"
e disse que não podia negar os "formidáveis ganhos" na liberdade de imprensa e
de expressão após a redemocratização e a promulgação da Constituição de
1988.
Barbosa, que criticou publicamente jornalistas ao longo e depois do
julgamento do mensalão, disse que todo "agente público numa sociedade
democrática" deve viver sob a supervisão da imprensa.
Felipe Recondo, Estadão, site da revista EXAME

Nenhum comentário:
Postar um comentário