segunda-feira, 5 de agosto de 2013

 
"Sobre esta Estrada ilumineira e parda,
dorme o lajedo, ao sol, como uma cobra.
Tua nudez na minha se desdobra
- ó Corsa branca, ó ruiva leoparda.
 
O anjo sopra a corneta e se retarda:
seu cinzeu corta a pedra e o porco sobra.
Ao toque do Divino o bronze dobra,
enquanto assolo os peitos da javarda
 
Vê: um dia a Bigorna desses passos
cortará no martelo o som dos aços
e o sangue hão de abrasar os inimgos
e a morte em trajes pretos e amarelos
brandirá contra nós doidos cutelos
e as asas rubras dos dragões antigos."
 
Ariano Suassuna


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