"O amor fica condicionado às limitações da natureza humana e, portanto, ele é frágil. Mas, também, às mudanças de natureza íntima. Passamos por diversas estações. Não são quatro estações dentro de nós, são inúmeras. E essas estações nem sequer são sucessivas. Então, nós não sabemos hoje o que sentiremos amanhã. Essa precariedade, a falta de continuidade do sentimento humano, é o maior entrave ao amor e o amor, se é para nós esplendoroso, magnificente, cheio de luz, amanhã ele fica escuro, fica turvado como o dia que aparece claro ou escuro. Eu escrevo muito sobre amor, mas escrever sobre amor não é amar... O importante é dizer que eu acredito no amor. Eu procuro amar, mas devo confessar que acho que eu não sei amar como eu gostaria de saber."
[Trechos de uma entrevista concedida pelo poeta Carlos Drummond de Andrade à sua única e querida filha Maria Julieta. Foi na tarde de 22 de janeiro de 1984. Ver o suplemento Valor - Eu& de sexta-feira e fim de semana, 11, 12 e 13 de agosto de 2000. Ano I - Número 15, pp.16-21/www.valoronline.com.br].
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