Chego finalmente, nesta exposição do papel desempenhado pelos sentidos na bibliofilia, ao tato, que os antigos acreditavam ser o derradeiro e mais ignóbil deles, talvez porque, como lembra Aristóteles, ele é comum a todos os animais, a exceção de alguns imperfeitos.
Hoje, porém, isso não seria aceito, e os mais perspicazes apoiariam Brillat-Savarin, na afirmação de que o sentido do tato terá a sua vez, e nos propiciará uma fonte de maneiras novas de prazer. O que aumentava a probabilidade disso, sustentava ele, era o fato de que a sensibilidade táctil, não estando restrita a uma parte especial do corpo, pode, pois, atuar na totalidade dele.
Desse modo os bibliófilos alcançam uma satisfação rica e peculiar, um prazer extraordinário em afagar seus livros. A lombada polida de um belo volume antigo é uma tentação irresistível. Eles precisam tocá-la, e tocando exacerbam-se em seu deleite.
In O Tato: Uma das Cinco Portas do Amor ao Livro, extraído e traduzido
por Cláudio Giordano da obra The Anatomy of Bibliomania by Holbrook
Jackson
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