terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Visão

Vi em ti o poeta.
Abraçando-te, abracei imaterialmente o poeta.
Nunca nenhum outro me deu
a sensação de poesia transparente.
Não vi em ti o homem efêmero
sujeito aos safanões da vida.
Vi em ti o verso
- puro, luminoso, cristalino –
independente de ti, superior a ti,
acasalando no ar as suas células rítmicas.
 

Carlos Drummond de Andrade, no livro 'Poesia Errante'. Editora Record, 1988.

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