sábado, 13 de maio de 2017

A nossa história em arte.

A gravura em água forte de Frans Post, de 1645, retrata a Batalha Naval do Cabo Branco, travada entre as esquadras holandesa e luso-espanhola, em 13 de janeiro de 1640, em frente à minha casa [Praia de Cabo Branco, em João Pessoa]. 
Segundo nos conta o enciclopédico Evandro da Nóbrega (http://migre.me/9Xk3L), a Batalha do Cabo Branco é parte de uma série de batalhas navais travadas entre holandeses e ibéricos ocorridas de 12 a 17 de janeiro de 1640, nas costas nordestinas. Pelo menos quatro dessas batalhas navais foram retratadas por Frans Post, da entourage científico-cultural trazida ao Brasil por Maurício de Nassau, e incluídas na obra de Kaspar van Baerle (Casparus Barlaeus) sobre a "História do Brasil Holandês". 
Na "refrega cruenta e terrível" travada à vista do Cabo Branco, tão intenso era, de parte a parte, o furor da artilharia, que a fumaça escondia "aos olhos o próprio céu e os inimigos". Coube aos holandeses a vitória... A esquadra holandesa estava sob o comando do almirante Willem Loos (morto em combate, foi sucedido por Jacob Huyghens), enquanto que a armada luso-espanhola era liderada pelo Conde da Torre, Dom Fernando Mascarenhas. Só a nau-almiranta espanhola San José contava com 54 canhões de bronze. As naus menores, com capacidade 100 a 400 toneladas, conduziam milhares de homens, "alistados na Espanha, Portugal, Bahia, Rio de Janeiro e Rio da Prata". A armada holandesa contava com pouco menos de 35 naus — mas sua grande vantagem era a mobilidade: enquanto os pesadões navios ibéricos tinham dificuldade em realizar manobras, as leves naus batavas moviam-se com rapidez. 

Marcílio Franca
 
(Publicado originalmente por Evandro da Nóbrega na última página da edição de 15 de novembro de 2009 do jornal A União, João Pessoa, PB)

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