segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Dicionário Aldebarã XIII

 (ilustração: Hannes Bok)

O planeta de Aldebarã-5 tem uma civilização influenciada pelos colonizadores terrestres.  Seu vocabulário exprime as características da natureza do planeta e o seu modo de observar os fenômenos da psicologia e da cultura.  Confiram os verbetes abaixo, recolhidos, meio ao acaso, do Pequeno Dicionário Interplanetário de Bolso.


“Slikh-slikh”: Pequena serpente multicolorida, inofensiva, que se esconde nas frestas das paredes e é muito procurada pelas crianças para servir-lhes de pulseira, colar, etc.

“Noribsin”: Frutas artificiais de massa caseira, preparadas para os dias festivos, combinando o sabor de uma fruta natural e o formato de outra: um “abacaxi” com sabor de morango, uma penca de “bananas” com sabor de goiaba, etc.

“Kolupa”: A situação de impasse, numa negociação, quando cada um dos oponentes possui um elemento indispensável para a solução do problema mas se recusa a compartilhá-lo com os demais.

“Essondiran”: Fórmulas rimadas e ritmadas que são recitadas em uníssono por amigos quando se reencontram depois de muito tempo, para mostrar que a amizade continua a mesma.

“Giunk”: Dieta mágica que consiste em comer, durante uma semana inteira, apenas alimentos cujos nomes tenham a letra inicial do nome da pessoa: bife, bacon, brócolis, berinjela, bruschetta, banana...

“Harnaplon-Kok”: Casas pertencentes a uma mesma família, dando as frentes para ruas diferentes, mas situadas fundos-com-fundos e partilhando um quintal e às vezes uma cozinha em comum.

“Valagium”: jogo que usa complicados esquemas numéricos e alfabéticos para sortear  voluntários, que se comprometem por contrato a cumprir ou aceitar o que lhes couber.

“Litarns”: Tigelas colocadas no centro da mesa, durante as refeições, e onde todos vão depositando cascas de frutas, ossos, etc. à medida que comem.

“Nhossub”: Espécie de vinho barato que traz um prêmio diferente escondido em cada garrafa, a ser quebrada pelos colecionadores desses pequenos brindes. Alguns colecionam as garrafas intactas com o prêmio dentro, visível ou não.

“Ankh-nog-tian”: Pequenos episódios de infância de alguém, eternamente recontados pela família, que vê neles um sinal premonitório qualquer.

“Umpends”: O hábito de alguém distribuir por vários bolsos da roupa o dinheiro que carrega, para diminuir o prejuízo caso seja roubado.

“Khavid’: Pacto de fidelidade entre um homem e uma mulher, casados com outras pessoas, que se prometem um ao outro quando um dia ambos estiverem livres dos seus votos.

“Lo-Habug”: Qualquer situação, em casa, na vida social, na política, em que alguém é forçado a elogiar alguma coisa de que não gostou, devido a um motivo de força maior.

“Maham-puya”: o limite final de pequenas irregularidades que se pode cometer impunemente sem fazer soar os alarmes da lei.

“Thecoor”: pequenas áreas, em cada aposento, reservada aos animais domésticos, que são treinados para usarem apenas aqueles trechos. Cães têm acesso apenas à mesa do jantar. Gatos às cadeiras e sofás.

“Sarinium”: misto de festividade e torneio de contadores de histórias em que era preciso fazer rir a platéia inteira ao mesmo tempo, num prazo combinado.

“Gamp-Gum”: o andar agressivo, mesmo que discreto, de quem sai à rua para praticar um assalto.

Bráulio Tavares
Mundo Fatasmo

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