Litogravura de Darel -da série "As prostitutas"
A polícia não está gostando nada dessa ideia. Então, óbvio, é uma ótima ideia -não me acostumo visualmente com idéia sem acento!
Os muito religiosos idem. Não estão gostando nada dessa ideia. Então é uma ideia genial, ora pois.
Os corretíssimos e moralistas tampouco. Então é um ideia estupenda. Alvíssaras meus camaradas.
Falo da proposta da comissão de reforma do Código Penal de acabar com punições para donos de prostíbulos e reconhecer a mais antiga das profissões.
Tramita na Casa de Mãe Joana. Não é possível que sofra tanta resistência naquele estabelecimento legisferante.
A polícia perderia sua boquinha do achaque permanente. Palmas. As irmãs Cajazeiras e as pastorinhas perderiam o assunto das pequenas províncias.
Os corretíssimos, ah, deixa esses conselheiros Acácios pra lá, não vamos perder mais tempo.
A prostituição anda perdendo muito com a liberalidade dos costumes. Que bom que ganhe essa parada.
A difícil vida fácil.
Tem gente enfezada com o assunto. A senadora Vanessa Grazziotin, do PCdoB amazônico, falou na “Voz do Brasil”:
“Você vai legalizar o comércio do corpo, que é uma coisa degradante. Não conheço ninguém que faça isso sem ser por necessidade. A história que a gente ouve é de violência”.
Não é bem assim não, nobre senhora.
Acreditar que a prostituição é só por necessidade é o mesmo erro de achar que o homem é violento apenas quando vive em situação social arruinada. Como se apenas os feios, sujos e malvados cometessem atrocidades.
Conheço belas putas por vocação e com muitas convivi uma vida. A quem agradeço parte da minha miúda filosofice.
Tudo que sei de metafísica aprendi nos lupanares e cabarés. Não se ensina existência no colégio.
Só as putas salvam. Inclusive muitos casamentos em ruínas.
Só as putas desdenham do amorzinho burguês de ficção e consumo fake.
Por que os homens, mesmo os que têm mulheres incríveis, mulheres maravilhosas, procuram as putas?
É uma pergunta tão antiga quanto a humanidade. Uma indagação tão respeitável quanto a clássica “o que querem as mulheres?”.
Segundo o meu pequeno repertório sobre o caso, uma das melhores respostas sobre o assunto foi a do monstro sagrado Jack Nicholson.
Quiseram saber do velho lobo da celulóide o motivo pelo qual pagava para que prostitutas o servissem, sempre em domicílio.
Por que, afinal, um cara charmoso, fueda e interessante como ele, capaz de ficar com as melhores mulheres desse mundo, ainda apelava para tal expediente?
Nicholson não titubeou um segundo sequer.
“Ora”, disse, “não pago somente para que essas respeitáveis mulheres se desloquem até a minha casa. Pago caro, sim, pela possibilidade de poder mandá-las embora na hora em que eu bem entender, nisso elas são lindas, generosas e imbatíveis”.
Xico Sá

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