terça-feira, 20 de abril de 2010

René Magritte - Os amantes (1928)

O pintor belga René Magritte nasceu em Lessines no ano de 1898. Teve uma infância infeliz: sua mãe se matou por afogamento em um rio; com três crianças, a vida da família foi sempre muito tumultuada pela instabilidade financeira do pai, sempre metido em maus negócios. Não é preciso falar de como a morte de sua mãe e a insegurança da vida familiar o marcaram.

Aos 12 anos começa a estudar pintura com um professor da escola de Lessines, lê muito os livros de Edgar Allan Poe e de Maurice Leblanc e não perde um filme de Fantômas. Em 1914 segue para Bruxelas onde se matricula na Escola de Belas Artes. Em 1922 reencontra uma menina que o impressionara na adolescência, Georgette Berger, que será sua musa e sua esposa.

Em 1923, ao ver uma foto de um quadro de Giorgio de Chirico, “Chant d’ amour” (1914), Magritte fica impressionado e inicia sua trajetória no surrealismo. Junta-se ao grupo que marcará o surrealismo belga.

Em 1927, ele decide ir para Paris, onde conhece André Breton, Paul Eluard e os surrealistas parisienses. Chega a participar do último número da revista “A Revolução surrealista” com um texto emblemático: “As Palavras e as Imagens”. Mas suas relações com André Breton se deterioram e ele volta para Bruxelas onde funda, com o irmão Paul, uma agência de publicidade: Studio Dongo.

Em 1928 ele pinta “Os Amantes” que faz parte de um pequeno grupo de telas no qual a identidade das figuras está envolta em panos brancos. Desse grupo faz parte a tela que hoje mostramos; a “História Central”, (1927); “A invenção da vida”, (1927/28); e uma quarta tela também intitulada "Os Amantes” (1928), na qual as mesmas figuras encobertas tentam se beijar através do tecido que as encobre, só que alí o tecido é cinza.

Muito se tentou explicar porque as cabeças estão escondidas por panos. Alguns atribuem ao encantamento do pintor, assim como muitos surrealistas, com o herói Fantômas, cuja identidade jamais é revelada; outros a um fato muito angustiante, mas nunca comprovado: que sua mãe havia enrolado a camisola em volta da cabeça antes de se atirar no rio onde morreu.

O artista não explicou suas intenções ao não revelar a face dos amantes. Mas através do simples artifício do pano envolver suas cabeças e pescoços, como cordas, o quadro que poderia ser apenas uma imagem de um casal brincando, assombra com a sensação de alienação, sufocamento e até morte. Aparentemente inocente, absurda, é a imagem de uma realidade crua se pusermos a imaginação para funcionar.

National Gallery of Austrália

Fontes

Blog do Ricardo Noblat (visite-o)

http://www.musee-magritte-museum.be/Typo3/index.php?id=accueil&L=1

http://nga.gov.au/International/Catalogue/Detail.cfm?IRN=148052

Um comentário:

Dagvan disse...

A SIMBOILOGIA DESSES "PANOS NA CARA" DÁ PARA ESCREVER UM LIVRO!!! AH,AH,AH... :)