Sopra lá fora um vento
À mercê do tempo
Como um assobio
Perdido
Num momento
Ou um sussurro ao ouvido
Entra pela alma dentro
Seja ventania ou simplesmente vento
Esta turbulência
Ou acalmia
Entoa uma melodia
Vinda do céu
Num cântico Celeste
Transportado em nuvens de algodão
Brancas como flocos de neve
Num movimento ora delicado e leve
Ora rodopio e turbilhão
E é nesta nostalgia
De fundo musical
Tempestuoso ou angelical
Que o desafio
Saio do meu ambiente de conforto
Cabelos ao vento
Como cavalos alados
A voar
Emaranhados
Abrindo espaços
De ar
No pensamento
Purificar
É a minha introspecção
O meu pedido de perdão
A minha confissão
E quando a lágrima cai
Pelo rosto abaixo
Outrora turva
Agora límpida e transparente
Estou consciente
Da minha renovação
Emoção
Regresso ao meu lar
Numa tão grande leveza
Coração envolto em pureza
Que até receio
Que o vento
Me pegue e leve
Pela força da natureza!
Luísa Rafael

Nenhum comentário:
Postar um comentário