terça-feira, 4 de março de 2014

Terça de carnaval

Gostaria que este, e todos os futuros carnavais fossem exterminados, abolidos, tirados do calendário nacional. Não conheço mais uma só pessoa que tenha visto ou participado desse coisa, este ano. Acho até que carnaval é lenda, como a da mula sem cabeça, a do saci de uma perna só, e outras que passam de pai para filho, mas que todos sabem ser pura lenda. O que mantém o mito do carnaval são os vídeo tapes que passam durante 24 horas todos os dias dessa festa pagã. Todos fingem acreditar serem desfiles ao vivo e com as cores características dessa folia. Carros alegóricos sempre idênticos todos os anos. Passistas e baterias iguais, porta bandeira e muita pluma tingida com purpurina e cores irreais. Nada muda de um ano para o outro. Só o nome do samba enredo, e a escola vencedora. Mas na verdade são filmes de outros carnavais. Mesmo porque todos foram iguais. A bem da verdade, as pernas, bundas e peitos eram verdadeiros, muito antigamente. Hoje são todos plastificados. Autênticos como relógio suíço vendido na esquina por dez reais. Carnaval a festa do armário. Dele, do armário, saem nesses dias os mais variados viados. E põem suas mais prediletas fantasias, cílios e muita maquiagem. "As águas vão rolar" é uma promessa cada dia mais distante. Este ano os reservatórios são prova disso. "É dos carecas que elas gostam mais", eu testemunho ser grossa mentira. O Carnaval deveria ser extinto como foi a poliomielite, malária, e outras pestes. De fato já acabou, mas as TVs e rádios insistem em nos enganar.
 
 
Eduardo P. Lunardelli

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