quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Incansável e solitário defensor do meio ambiente, o ambientalista paraibano Aramy Fablicio tem se valido das redes sociais para chamar a atenção do Brasil para um tema bastante pertinente, a exigência de uma campanha nacional em defesa do animal símbolo da Copa da FIFA - o Tatu bola.

“Alguém já viu a FIFA ou qualquer outra entidade fazer campanha para salvar o símbolo da Copa de Futebol? É uma vergonha o descaso com os animais no Brasil”, postou Aramy.

“O TATU Símbolo da Copa de Futebol está em processo de extinção, mas ninguém mostra e nada se faz por eles. VERGONHA!”, protestou em outro post.

Neste ultimo final de semana Aramy libertou do cativeiro (um tonel de plástico) um tatu que estava na engorda para ser degustado por habitantes de Fagundes, a cidade onde ele mora, nas cercanias de Campina Grande. O ambientalista postou várias fotos no Facebook e revoltou-se com o descuido para com o pequeno animal que está em vias de ter sua espécie extinta pela ação depredadora dos humanos.

O chamado ‘tatu-bola-da-caatinga’ foi anunciado em 16 de setembro de 2012 como mascote da copa do mundo de 2014. É a menor, menos conhecida e única espécie de tatu endêmica do Brasil, pois a sua distribuição se restringe à Caatinga e ao Cerrado brasileiros. Facilmente reconhecidas pela capacidade muito peculiar de se defender, fechando-se na forma de uma bola, protegendo as partes moles do corpo no interior da carapaça rígida, o que justifica o nome de tatu-bola.

Apelidado nacionalmente de FULECO nesses tempos de Copa do Mundo, o tatu-bola se diferencia de sua espécie irmã pela presença de cinco unhas nas patas anteriores. Durante a época de acasalamento, observa-se mais de um macho acompanhando uma mesma fêmea, o que facilita ainda mais a captura de vários exemplares por vez. As fêmeas produzem, por ninhada, um ou mais raramente dois filhotes, que nascem completamente formados. Alimenta-se de cupins, formigas, areia e material vegetal.

A escolha para ser mascote da Copa foi sugestão da Associação Caatinga, que comemorou com grande satisfação o feito por dois importantes motivos:

Primeiro porque o objetivo principal da Associação Caatinga ao lançar a campanha do tatu-bola para mascote em janeiro de 2012, e com isso associar questões ambientais ao maior evento esportivo do planeta, foi atingido! E segundo, com a visibilidade dada à espécie graças ao mascote da FIFA, surge uma oportunidade ímpar de sensibilizar a sociedade para a preservação da espécie e da Caatinga.

Com essa finalidade, a Associação Caatinga, em parceria com a ONG The Nature Conservancy e a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), desenvolveu o projeto de conservação intitulado “Tatu-bola e a Copa do Mundo 2014 – Juntos marcando um gol pela sustentabilidade”. O foco principal da iniciativa seria reduzir o risco de ameaça de extinção que o tatu-bola sofre através da mobilização da FIFA, dos patrocinadores, participantes e principalmente dos torcedores da Copa do Mundo 2014, todos juntos, em busca da preservação ambiental, o que percebe-se não está acontecendo, conforme denuncia Aramy.

O projeto deveria contar com o apoio do Ministério do Meio Ambiente e Ministério do Esporte, e previa um conjunto de ações voltadas à ampliação do conhecimento sobre a distribuição e ocorrência atual da espécie, a criação de áreas protegidas na Caatinga e a mobilização da sociedade para conhecer melhor a espécie e a Caatinga.

Habitante dos biomas mais ameaçados do Brasil, Caatinga e Cerrado, o Tatu Bola, além já ter perdido nos últimos 10 anos mais de 50% do seu habitat natural, ainda é vítima da ação predatória do homem, sendo caçado de forma indiscriminada graças à inoperância dos órgãos que deveriam fiscalizar e a falta de consciência da população.

Estima-se que nos últimos 10 anos a população do tatu-bola sofreu uma redução de pelo menos 30% devido ao desmatamento e a caça e que se nada for feito para a conservação da espécie, em menos de 50 anos poderá estar extinto na natureza.

Esperava-se que como símbolo oficial da Copa, o tatu bola pudesse despertar a atenção das autoridades, no entanto, como alerta o ambientalista Aramy Fablicio, nada tem sido feito e os animais continuam sendo caçados de forma criminosa e tendo o seu habitat destruído pela ação do homem.
 
 
Marcos Marinho

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