(...) Precisamos aprender a ser igualmente bons contra o que é agudo e rápido
como contra o que é cruel e prolongado. Sempre foi dito que os britânicos são
melhores nessa última situação. Eles não esperam viver de crise em crise; não
esperam que a cada dia surja uma nobre chance de guerrear; mas quando embora
vagarosamente decidem que algo tem que ser feito e resolvido, então, mesmo que
leve meses – ou anos – eles o fazem.
Outra lição que podemos tirar ao recordar o ambiente de nosso encontro de
então, e o de hoje, é que as aparências muitas vezes enganam e como bem disse Kipling
precisamos “lidar com o Triunfo e a Derrota. E tratar esses dois impostores do
mesmo jeito”.
Não podemos calcular pelas aparências como as coisas se passarão. Muitas
vezes a imaginação torna tudo pior do que é; no entanto, sem imaginação, pouca
coisa pode ser feita. Os imaginativos vêm mais perigos do que talvez existam;
certamente muito mais do que os que enfrentarão; mas também são os que precisam
rezar por mais coragem para enfrentar tudo o que imaginaram.
Para todos, com certeza, o que atravessamos nesse período – estou me
dirigindo à Escola – certamente desses dez meses extraímos uma lição: nunca
desistir, nunca desistir, nunca, nunca, nunca, –
em nada, seja grande ou pequeno, importante ou irrelevante – nunca desistir a
não ser diante das convicções da honra e do bom senso. Nunca ceder à força;
nunca ceder ao aparente poder excepcional do inimigo.
Estávamos sozinhos um ano atrás e para muitos países parecia que nossa conta
estava fechada, estávamos acabados. Todas essas nossas tradições, nossas
canções, a história da nossa Escola, esta parte da História deste país, estavam
acabadas, encerradas, liquidadas.
Mas quão diferente é nosso espírito hoje. A Grã-Bretanha, pensavam outras
nações, passou uma esponja em sua lousa. Mas, ao contrário, nosso país enfrentou
o golpe. Não houve hesitações, nenhuma intenção de desistir. E no que pareceu
quase um milagre para aqueles de fora dessas Ilhas, apesar de nós nunca termos
duvidado, agora estamos em posição de poder dizer que estamos certos que
precisamos somente perseverar para vencer.
(...) Não falemos em dias negros: melhor nos referirmos a difíceis. Estes não
são dias escuros; são dias brilhantes – os maiores que nosso país jamais viveu;
devemos agradecer a Deus por nos ter sido permitido, a cada um de nós de acordo
com seu papel, tornar memoráveis estes dias na História de nosso povo.
Sir Winston Leonard Spencer-Churchill (1874/1965),
Primeiro-Ministro do Reino Unido por duas vezes, de 1940 a 1945 (durante a II
Guerra Mundial) e depois de 1951 a 1955, foi político, orador, historiador,
ensaísta, jornalista, oficial do Exército Britânico e pintor. Prêmio Nobel de
Literatura em 1953
* O discurso foi proferido em 29 de outubro de 1941, quando Winston Churchill compareceu à cerimônia anual da
escola onde estudou. Dez meses antes ele ali estivera e as condições de seu país eram assustadoras. A
Inglaterra enfrentava sozinha a fúria dos bombardeios nazistas; estava desarmada
e muito pouco preparada para o horror que se abatia sobre a ilha e que ele,
Churchill, sabia que só ia aumentar. Agora, como ele lembrava aos rapazes, o
país já não estava absolutamente só, estava mais preparado e mais forte, e ele
pensava que a rapaziada pudesse estar intrigada com aquela aparente calmaria.
Fonte:
Blog do Ricardo Noblat
Fonte:
Blog do Ricardo Noblat

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