sexta-feira, 9 de novembro de 2018

As nossas mil e uma noites

“As Mil e uma Noites” é o título de uma das mais famosas obras da literatura árabe, em suma, ela é composta por uma coleção de contos escritos entre os séculos XIII e XVI. O livro trata de uma história de amor que não acaba nunca. 

Um sultão, traído pela esposa, resolve tomar uma cruel decisão. Não podendo viver sem o amor de uma mulher, resolve determinar que se casaria, a cada dia, com as moças mais belas dos seus domínios e, para não mais suportar a possibilidade de uma outra traição, mandaria decapitar a escolhida após a noite de núpcias. Uma forma de renovar o amor a cada dia. 

Assim, correm as notícias das tragédias pelo Tribunal, digo, pelo palácio real. As jovens desapareciam após o casamento. Sherazade, filha do vizir, procura seu pai e anuncia o desejo de se tornar esposa do Sultão. Apesar da advertência do pai, a jovem se mantém irredutível. E Sherazade se casa com o Sultão. Ao nascer do dia, a jovem passa a contar histórias ao Sultão, envolve-o sempre com a expectativa de um final dramático que nunca vem, discorre um enredo com sinuosos cálculos, cria obstáculos, dificuldades e ganha mais um dia. 

As palavras de Sherazade parecem músicas aos ouvidos do Sultão e outras reuniões são marcadas, juras, promessas, pompas, expectativas, mais cálculos, mais impossibilidades, aventuras e Sherazade ganha mais um dia. 

Relata o clássico literário que o Sultão, encantado pelas histórias de Sherazade, foi adiando, adiando, adiando por mil e uma noites, eternamente e um dia mais a sua execução, permanecendo incólume no Tribunal.

Parece que nessa história da data-base nós temos a nossa Sherazade e o nosso Sultão. Aquele que, com sutileza, se delicia com os estranhos sabores de negar direitos, penalizar e suprimir salários. Ora, o palácio é do palácio, da casa grande. O bom da história é que resta, em cada um de nós servidores, a certeza que as madrugadas passam e se renovam, elas não terminam com o sopro que apaga a luz, mas com o vento que sopra a brasa e faz a luz reacender.

Amanhã há de ser outro dia!

Teófilo Júnior
Técnico Judiciário da 1ª Vara de Pombal

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