Chico veio de Patos para João Pessoa e sempre foi largo no gastar com
os amigos. Selecionei algumas de suas histórias, que antes tive o
cuidado de confirmar com mais de uma testemunha.
Ele possuía um
Chevrolet Opala 6 cilindros, com motor 4.100, o automóvel mais caro do
país na época e o que mais consumia combustível. Pois bem, toda vez que a
gasolina aumentava de preço ele mandava secar o tanque e encher com o
combustível a preço novo: “- Magnata, não sei usar carro, roupa nem
gasolina antigos”.
Perguntassem que ano era seu carro? “- Magnata,
em que ano estamos? ”. Consta que estava no restaurante Chaplin em
Natal, na época o mais sofisticado e caro da cidade. Mesa cheia de
convidados, pediu o cardápio. Ao receber o “livrinho” irritou-se: “-
Não, amigo, eu não quero ler o cardápio, quero o cardápio todo”. E assim
foi feito; serviram todas as entradas, pratos principais e sobremesas
que a casa dispunha.
Nerivan me contou que estava em sua farmácia
no início de uma semana santa. Chico chegou procurando pelos amigos
comuns. Ao saber que haviam ido para a Praia da Pipa, convidou o Neri
para acompanha-lo. Nerivan explicou que não poderia ir porque teria que
faturar nos feriados para pagar duplicatas que venceriam na semana
seguinte: “- Magnata, me faça um favor, some essas duplicatas todas e me
diga quanto dá”. Pois é; meteu a mão no bolso e pagou. Dali partiu com
Nerivan para uma boutique onde compraram roupas e em seguida chegaram em
Pipa. À noite souberam que num município próximo estava havendo uma
vaquejada e foram lá. Chico ia entrando com quatro caríssimas garrafas
de uísque embaixo dos braços. O porteiro informou que era proibido
entrar com bebida, mas garantiu que vendiam a mesma marca:”- Ah, meu
amigo, se é assim está resolvido”. Ato continuo abriu os braços,
deixando as garrafas se espatifarem no chão. Depois, muito bem acomodado
na mesa principal, notou que o chão do ambiente era de terra batida e
havia poeira no ar. À custa de uma polpuda gorjeta contratou dois dos
garçons, que ficaram ao seu redor a noite inteira despejando grades de
agua mineral no chão para evitar a poeira.
Tenho de Chico uma
lembrança muito carinhosa, desde a maneira como tratava as senhoras
(Madame) ao sorriso permanente no rosto. Tem gente assim, que não
precisava morrer para se tornar bom. Chico era uma dessas pessoas. Já
chegou no céu prontinho.
Eita saudade!
Marcos Pires
Fonte Blog do Tião
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