domingo, 13 de novembro de 2016

Sobre a felicidade

Eu tinha cabelo, mas ainda não tinha barba, e provavelmente meus treze, quatorze anos. Gostava de escrever. No Dante fui coautor de um opúsculo sobre óvnis  com um colega italiano que de tão remota é essa história não recordo-me seu nome. Depois escrevi "Um passo segue o meu" e lastimavelmente num ataque de insegurança e modéstia rasguei em pedacinhos. Era um conto policial escrito à mão num caderno pautado. Fiz outro de poesias e mantive um "diário" durante uns tempos, e tiveram o mesmo fim. Achei que era coisa de menina. Dentre os escritos da época me ficou a máxima: "Feliz é quem nunca pensou em felicidade." Profunda e filosófica para minha idade à época. Não havia lido a história de Diógenes, filósofo grego, que fez da autossuficiência e do controle das paixões os valores centrais de sua vida. Não conhecia os escritos do padre Antônio Vieira : "Quereis  só o que podeis, e sereis omnipotentes."

Eduardo P. Lunardelli

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