Eu tinha cabelo, mas ainda não tinha barba, e provavelmente meus treze,
quatorze anos. Gostava de escrever. No Dante fui coautor de um opúsculo
sobre óvnis com um colega italiano que de tão remota é essa história
não recordo-me seu nome. Depois escrevi "Um passo segue o meu" e
lastimavelmente num ataque de insegurança e modéstia rasguei em
pedacinhos. Era um conto policial escrito à mão num caderno pautado. Fiz
outro de poesias e mantive um "diário" durante uns tempos, e tiveram o
mesmo fim. Achei que era coisa de menina. Dentre os escritos da época me
ficou a máxima: "Feliz é quem nunca pensou em felicidade." Profunda e
filosófica para minha idade à época. Não havia lido a história de
Diógenes, filósofo grego, que fez da autossuficiência e do controle das
paixões os valores centrais de sua vida. Não conhecia os escritos do
padre Antônio Vieira : "Quereis só o que podeis, e sereis
omnipotentes."
Eduardo P. Lunardelli
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