A moda e a mídia têm um certo complexo de vira-lata quanto ao corpo típico da brasileira.
Tal complexo foi inventado pelo gênio Nelson Rodrigues para definir o sentimento de inferioridade do nosso futebol antes das grandes conquistas mundiais.
O efeito Gisele Bundchen e o sucesso de outras top models no exterior reforçaram ainda mais o nosso fetiche pela (irreal) magreza absoluta.
Qualquer celulitezinha nas passarelas ou nas fotos de celebridades na praia passou a ser discutida como um crime de lesa Pátria.
Uma obsessão sem sentido.
O sociólogo Gilberto Freyre, no seu livro “Modos de homem & modas de mulher” (editora Record) alertava, ainda nos anos 1980, para esta negação do corpo miscigenado deste país.
É o que diz, em outras palavras –e que doces palavras-, a atriz Débora Nascimento, a Tessália de “Avenida Brasil”, à revista “TPM”.
Repare nas aspas: “Sempre fui uma mulher grande, tenho quadril, sou brasileira, né?”.
E como és, meu tesouro.
A moça, que mede 1,78 m de altura, conta ainda que ganhou 26 kg em quatro meses e chegou a pesar 84 kg. “Vestia 44, hoje uso 40. E daí?”
Daí que você pesando cem vai continuar um colosso. Daí que não podemos negar as belas ancas, bundas e coxas das nossas divinas flores do bairro.
Dai que repito, pela enésima vez, um velho mantra deste cronista: homem que é homem não sabe a diferença entre estria e celulite.
Xico Sá
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