Reblogged from preciousandfregilethings
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Compras de Natal
A cidade deseja ser diferente, escapar às suas fatalidades. Enche-se de brilhos
e cores; sinos que não tocam, balões que não sobem, anjos e santos que não se
movem, estrelas que jamais estiveram no céu.
As lojas querem ser diferentes, fugir à realidade do ano inteiro: enfeitam-se com fitas e flores, neve de algodão de vidro, fios de ouro e prata, cetins, luzes, todas as coisas que possam representar beleza e excelência.
Tudo isso para celebrar um Meninozinho envolto em pobres panos, deitado numas palhas, há cerca de dois mil anos, num abrigo de animais, em Belém.
Todos vamos comprar presentes para os amigos e parentes, grandes e pequenos, e gastaremos, nessa dedicação sublime, até o último centavo, o que hoje em dia quer dizer a última nota de cem cruzeiros, pois, na loucura do regozijo unânime, nem um prendedor de roupa na corda pode custar menos do que isso.
Grandes e pequenos, parentes e amigos são todos de gosto bizarro e extremamente suscetíveis. Também eles conhecem todas as lojas e seus preços — e, nestes dias, a arte de comprar se reveste de exigências particularmente difíceis. Não poderemos adquirir a primeira coisa que se ofereça à nossa vista: seria uma vulgaridade. Teremos de descobrir o imprevisto, o incognoscível, o transcendente. Não devemos também oferecer nada de essencialmente necessário ou útil, pois a graça destes presentes parece consistir na sua desnecessidade e inutilidade. Ninguém oferecerá, por exemplo, um quilo (ou mesmo um saco) de arroz ou feijão para a insidiosa fome que se alastra por estes nossos campos de batalha; ninguém ousará comprar uma boa caixa de sabonetes desodorantes para o suor da testa com que — especialmente neste verão — teremos de conquistar o pão de cada dia. Não: presente é presente, isto é, um objeto extremamente raro e caro, que não sirva a bem dizer para coisa alguma.
Por isso é que os lojistas, num louvável esforço de imaginação, organizam suas sugestões para os compradores, valendo-se de recursos que são a própria imagem da ilusão. Numa grande caixa de plástico transparente (que não serve para nada), repleta de fitas de papel celofane (que para nada servem), coloca-se um sabonete em forma de flor (que nem se possa guardar como flor nem usar como sabonete), e cobra-se pelo adorável conjunto o preço de uma cesta de rosas. Todos ficamos extremamente felizes!
São as cestinhas forradas de seda, as caixas transparentes os estojos, os papéis de embrulho com desenhos inesperados, os barbantes, atilhos, fitas, o que na verdade oferecemos aos parentes e amigos. Pagamos por essa graça delicada da ilusão. E logo tudo se esvai, por entre sorrisos e alegrias. Durável — apenas o Meninozinho nas suas palhas, a olhar para este mundo.
As lojas querem ser diferentes, fugir à realidade do ano inteiro: enfeitam-se com fitas e flores, neve de algodão de vidro, fios de ouro e prata, cetins, luzes, todas as coisas que possam representar beleza e excelência.
Tudo isso para celebrar um Meninozinho envolto em pobres panos, deitado numas palhas, há cerca de dois mil anos, num abrigo de animais, em Belém.
Todos vamos comprar presentes para os amigos e parentes, grandes e pequenos, e gastaremos, nessa dedicação sublime, até o último centavo, o que hoje em dia quer dizer a última nota de cem cruzeiros, pois, na loucura do regozijo unânime, nem um prendedor de roupa na corda pode custar menos do que isso.
Grandes e pequenos, parentes e amigos são todos de gosto bizarro e extremamente suscetíveis. Também eles conhecem todas as lojas e seus preços — e, nestes dias, a arte de comprar se reveste de exigências particularmente difíceis. Não poderemos adquirir a primeira coisa que se ofereça à nossa vista: seria uma vulgaridade. Teremos de descobrir o imprevisto, o incognoscível, o transcendente. Não devemos também oferecer nada de essencialmente necessário ou útil, pois a graça destes presentes parece consistir na sua desnecessidade e inutilidade. Ninguém oferecerá, por exemplo, um quilo (ou mesmo um saco) de arroz ou feijão para a insidiosa fome que se alastra por estes nossos campos de batalha; ninguém ousará comprar uma boa caixa de sabonetes desodorantes para o suor da testa com que — especialmente neste verão — teremos de conquistar o pão de cada dia. Não: presente é presente, isto é, um objeto extremamente raro e caro, que não sirva a bem dizer para coisa alguma.
Por isso é que os lojistas, num louvável esforço de imaginação, organizam suas sugestões para os compradores, valendo-se de recursos que são a própria imagem da ilusão. Numa grande caixa de plástico transparente (que não serve para nada), repleta de fitas de papel celofane (que para nada servem), coloca-se um sabonete em forma de flor (que nem se possa guardar como flor nem usar como sabonete), e cobra-se pelo adorável conjunto o preço de uma cesta de rosas. Todos ficamos extremamente felizes!
São as cestinhas forradas de seda, as caixas transparentes os estojos, os papéis de embrulho com desenhos inesperados, os barbantes, atilhos, fitas, o que na verdade oferecemos aos parentes e amigos. Pagamos por essa graça delicada da ilusão. E logo tudo se esvai, por entre sorrisos e alegrias. Durável — apenas o Meninozinho nas suas palhas, a olhar para este mundo.
Cecília Meireles
Texto extraído do livro "Quatro Vozes", Editora Record - Rio de Janeiro, 1998, pág. 80.
A fome e a farra
Na seca, salários de prefeitos e vereadores crescem até 272%
Algumas cidades nordestinas convivem com
flagelos paradoxais. Enquanto a população pobre enfrenta os efeitos da
seca, prefeitos e vereadores celebram o aumento de liquidez de suas contas
bancárias. Gestores e legisladores municipais que assumirão em 1º de janeiro
terão reajustes salariais de até 272%. Abaixo, alguns exemplos relatados
pela repórter Silvia Amorim:
- Carira: a cidade fica em
Sergipe. Eleito em outubro, o prefeito Diogo Machado (PSD) receberá
salário mensal de R$ 24 mil. Vitaminada em 71%, a remuneração ficou maior do que
a de prefeitos de cidades como Salvador (R$ 18 mil) e Florianópolis (R$ 19 mil).
Algo que contrasta com o cenário ao redor. Afora a estiagem que castiga a
população de Carira, a prefeitura encontra-se sob intervenção da Justiça para
assegurar o pagamento dos salários dos servidores. Como se fosse pouco, os
vereadores também se autoconcederam um aumento de 100% —de R$ 3 mil para R$ 6
mil. O Ministério Público tenta anular os reajustes. Alega que a prefeitura,
quebrada, viola a Lei de Responsabilidade Fiscal.
- Alagoa Grande: Assentado no
sertão da Paraíba, o município sera gerido pelo prefeito eleito Bôda
(PR). Receberá vencimentos reajustados em 80%: R$ 18 mil por mês. Ali, os
vereadores elevaram também seus próprios vencimentos. Com um tônico de
62%, os contracheques passaram de R$ 3.700 para R$ 6.000. Quanto aos
moradores, recolhem no chafariz da cidade a pouca água disponível. Carregam os
vasilhames no lombo de jegues e em carrinhos de mão. Na zona rural, o
abastecimento é feito por carros-pipa enviados pelo governo estadual.
- Pombal: também localizada na
Paraíba, a cidade assistirá em janeiro à segunda posse da prefeita
Polyana Feitosa (PT). Reeleita, ela receberá um salário 67% mais gordo: R$ 20
mil mensais. Em novembro, a prefeitura de Pombal pediu Socorro ao governo do
Estado para pagar carros-pipa que levam água a comunidades rurais ao custo de R$
5 mil por mês.
- Arneiroz: Fica no Ceará. Reeleito, o
prefeito Monteiro Filho (PMDB) receberá depois da re-posse de janeiro
contracheques com 272% de aumento. Receberá 11.900. Sob a alegação de falta de
caixa, a prefeitura suspendeu uma bolsa-auxílio que pagava a estudantes. Coisa
de R$ 250.
Rogério Rodrigues a Silva, presidente da
Abracam (Associação Brasileira das Câmaras Municipais), defende
os reajustes. “O vereador é um político diferenciado em termos de obrigação
se comparado a outros parlamentares. Ele está na base. Além de legislar, ele faz
prestação de serviços à população, principalmente nas cidades pequenas”,
diz.
Vereador há 30 anos na cidade mineira de
Coromandel, Rogério acrescenta: “Por experiência própria, eu digo que, quanto
menor a cidade, mais difícil ser vereador. A cobrança é grande. As aflições da
população são as nossas aflições.”
Leia a reportagem na íntegra clicando aqui
Fonte: Jornal O Globo
Mentir sobre o Papai Noel faz bem para as crianças?
Você lembra quando deixou de acreditar nessa
história do velhinho que sai por aí distribuindo presentes para as crianças do
mundo todo? Foi traumático ou não fez a menor diferença?
Se você, assim como eu, não se lembra desse
momento, provavelmente, não foi tão ruim assim acreditar (e descobrir) nas
mentiras que seus pais contavam sobre o Papai Noel. Diz a ciência, aliás, que
acreditar em fantasias faz bem para as crianças.
Acreditar no Papai Noel faz com que elas imagem
as histórias e como seria se tudo desse errado – já pensou como seria caótico se
as renas adoecessem bem no dia 24 e não pudessem viajar pelo mundo? Aí as
crianças pensam em soluções e se tornam mais criativas. É o que diz o psicólogo
Alison Gopnik, autor do livro “The Philosophical Baby: What Children’s Minds
Tell Us About Love, Truth and the Meaning of Life”. De acordo com a pesquisa
dele, esse tipo de pensamento faz com que as crianças entendam como o mundo
funciona e criem ideias novas.
Num outro estudo, psicólogos da Universidade de
Oregon, fizeram testes com 152 crianças de 3 a 4 anos. Primeiros eles foram
questionados sobre as fantasias que criavam e acreditavam. Em seguida, fizeram
alguns testes para saber como entendiam o mundo real. E as crianças que
brincavam e acreditavam mais em fantasias se saíam melhor na hora de entender a
expectativa dos outros e distinguir a realidade da ilusão (sabem que um coelho
não vai mudar de cor só porque alguém colocou um filtro de cor na frente dele).
Elas também entendiam que as percepções dependem do contexto (conseguem entender
que as pessoas podem ver uma figura de um jeito diferente se for mostrado apenas
uma parte delas).
Espertinhas, não? A mesma universidade fez
recentemente outro teste com crianças que tinham amigos imaginários. E, diz a
pesquisa, elas conseguem entender melhor seus sentimentos e emoções.
Viu, faz bem. É tipo uma mentira boa.
Fonte: Superinteressante
domingo, 23 de dezembro de 2012
O lar é o reflexo do coração, um reflexo que vocês estão começando a entender.
De minha parte, acredito que diante do imensurável universo que nos rodeia é uma graça divina ter nascido na terra e, sobretudo, na era do conhecimento e da nano tecnologia.
É uma dádiva!
É uma dádiva!
Não olhar para trás
Não basta o governo investir, tem que investir certo. “Construir pirâmides
não vai desenvolver o país”, diz Armínio Fraga. Trem-bala é pirâmide, na visão
dele. Aliás, de muita gente. O governo está neste momento com nostalgia do
modelo dos anos 1970. “Não sou pessimista com o Brasil a médio prazo, mas agora
o governo está olhando demais para um modelo que deu errado.”
No domingo, o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga e o economista
Edward Amadeo publicaram um artigo neste jornal se perguntando se não está
chegando ao fim a herança bendita. Foi sobre isso que conversei com Fraga no
programa da Globonews.
Por herança bendita, ele entende as reformas que o Brasil fez a partir da
década de 1990. Abertura da economia, estabilização, modernização do Estado e
inclusão dos mais pobres. Acha que esses bons passos foram dados por governos
diferentes, e não apenas o de Fernando Henrique, no qual trabalhou. Destaca
avanços importantes no governo Lula, principalmente o combate à pobreza:
— Mas, aos poucos, começou a mudar. Hoje, olhando para trás, dá para saber
que a guinada começou no segundo mandato do presidente Lula.
Ele contrapõe o modelo novo, em que houve muitas reformas, com o velho, dos
anos 50 a 70, em que houve pouca poupança, pouca ênfase na educação e na
produtividade:
— Temos que nos organizar para avançar. No novo modelo, o Estado continua
necessário — e nem seria diferente numa sociedade tão desigual quanto a nossa —
mas para concentrar-se no que é mais importante. Nos outros setores, tem que
atuar apenas como regulador. Hoje, o Estado está entrando cada vez mais na
produção e está correndo riscos.
Leia mais clicando aqui
Miriam Leitão, O Globo
sábado, 22 de dezembro de 2012
O desafio da ética na sociedade do conhecimento
Ética é uma das questões mais importantes no contexto de nossa sociedade, tanto da esfera pública, quanto de nossas vidas privadas. Somos éticos quando refletimos sobre o que fazemos, quando medimos e qualificamos nossas ações levando em conta o que somos e podemos ser, com base no reconhecimento do outro, seja ele nosso próximo, a sociedade ou até mesmo o planeta. Sem a ética não sabemos nos situar em nenhuma esfera de nossas vidas. Sem a ética nos tornamos alienados, ou seja, figuras desconectadas de uma reflexão sobre o sentido da vida em sociedade.
Mas o que é ética hoje? Como ela vem sendo entendida? O que é ética no mundo do trabalho, na família, no cotidiano, na escola? O que os meios de comunicação tem feito da ética? Ética é, principalmente, a relação que estabelecemos uns com os outros. É o questionamento sobre o sentido da convivência baseada na pergunta “o que estamos fazendo uns com os outros?”.
Ética é um tipo de postura e, consequentemente, de ação, certamente mediada em princípios tais como o respeito à subjetividade, à dignidade da pessoa, à diversidade, ao outro. Mas não se trata de uma pura ação. Antes trata-se da relação entre pensamento e ação. Neste sentido, para que cheguemos à ética, precisamos lutar pela desmistificação da separação entre teoria e prática. Esta é uma das questões mais fundamentais quando falamos de ética como a “filosofia prática” que ela, de fato, é. Ética é a capacidade de pensar e fazer a partir de uma princípio de autonomia pessoal em que cada sujeito se questiona sobre o que pensa e faz, levando em conta que o questionamento já é, em si mesmo, pensamento e ação que terá consequências concretas. Quem não pensa por conta própria é levado a pensar o que os outros para ele definiram como verdade. É neste sentido que muitos introjetam aquilo mesmo que lhes faz mal, que édito contra eles mesmos. A heteronomia pode até ser moral, mas não é ética, pois enquanto a moral é confirmação do hábito ou do previamente estabelecido, a ética implica seu questionamento.
No entanto, falamos de ética como de uma palavra mágica que, pelo simples fato de ser pronunciada, adquire validade concreta. Isso tem dois lados. De um, muitos acreditam que basta “falar” ética para ser ético. De outro, é verdade que a palavra ética tem um poder performativo radical. Quando pronuncio ética, a palavra como que ricocheteia sobre mim exigindo que eu a realize na prática. Isso quer dizer que se alguém fala em ética sem ser ético, uma contradição se escancara.
Ao mesmo tempo, vivemos em uma sociedade caracterizada por uma relação imediata com a informação e certa ideia de conhecimento que parece não prever muito espaço e tempo para o cultivo da subjetividade que nos permitiria a invenção da ética entre nós. Os relacionamentos já não são baseados em princípios éticos porque não existe mais a esfera da subjetividade, ou, em outros termos, da interioridade, da consciência de si, do autoquestionamento e da crítica social. Aquilo que antigamente chamávamos de “alma”. Experimentamos nos diversos contextos da experiência vivida, transformações profundas que alteram nosso modo de ver e, portanto, de agir no mundo. As novas tecnologias, a Internet, as Redes Sociais, têm levantado muitas questões que tanto o campo da filosofia, quanto o da antropologia, da sociologia e da educação procuram responder. A contradição entre um mundo de informação e a desvalorização da comunicação e da educação é uma delas. Nossa cultura desvaloriza, igualmente, a cultura… Como fomentar a subjetividade se estas esferas que a criam estão aviltadas em nossos meios?
Perguntar pelo sentido do conhecimento em nossos dias é uma questão que se torna cada vez mais urgente. Ele também nos coloca o sentido do autoconhecimento que, visto de um ponto de vista crítico, ainda teria muito a nos dizer sobre nossa potencialidade ética (e que será sempre, por fim, política). Mas quem quer autoconhecimento hoje? Só que esta pergunta esconde uma outra: onde está o desejo? E outra: quem tem direito a seu desejo hoje? Neste campo, a pergunta ética por excelência é “o que cada uma de nós está fazendo consigo mesmo?” quando nos entregamos às ordens de uma sistema econômico, social e comunicacional deturpados?
Neste contexto, a reflexão sobre a ética se torna fundamental como modo de pensar e promover a ação nas variadas experiências no mundo da vida levando em conta os problemas culturais de nosso país que vão do analfabetismo generalizado à corrupção. Também a arquitetura tem seu papel e sua responsabilidade nessa seara: desde o questionamento sobre o lugar dos profissionais de arquitetura até as questões relativas à política do espaço relacionada à habitação e ao direito à cidade, no qual incluo o direito visual à cidade. O arquiteto é o filósofo prático do espaço que é algo sempre partilhado, tanto na vida privada quanto na esfera pública. Seu papel social não é pequeno quando estamos em uma sociedade ignorante do sentido coletivo do espaço, do sentido da cidade. O sentido do conhecimento também foi perdido quanto ao espaço. Nossa cultura sofre disso. A reflexão sobre a ética permite re-situar o sentido do conhecimento e da cultura, dirigindo-nos a uma valorização da educação em termos de formação que transcende o espaço da escola e nos liga novamente ao sentido da vida como um todo, ao espaço que habitamos, a cidade onde vivemos, a sociedade que ajudamos a formar com todas as nossas ações.
A ética em nossos dias começa com a reflexão que não pode parar.
Marcia Tiburi
Aos desiludidos do amor, com carinho
E o mundo não se acabou. A não ser debaixo de alguns tetos. Então seguimos com a nossa retrospectiva caliente de 2012.
Hoje me dirijo exclusivamente aos que andam meio ressabiados, cínicos ou descrentes.
Triste de quem fica desiludido(a) e evita outro amor de novo, cai no conto, blasfema, diz “tô fora”, já era, tira onda, ri de quem ama, pragueja e nunca mais se encontra dentro das próprias vestes.
Como se o amor fosse uma bodega de lucros, um comércio, como se dele fosse possível sair vivo, como nunca tivesse ouvido aquela parada de Camões, a do fogo que arde e não se sente, a da ferida, aquela sabedoria do soneto musicado pelo menino Renato Russo.
Triste de quem nem sabe se vingar do baque, sequer cantarola, no banheiro ou no botequim, “só vingança, vingança, vingança!”, o clássico de Lupícinio Rodrigues, o inventor da dor-de-cotovelo, a esquina dos ossos úmero com os ossos ulna (antigo cúbito) e rádio, claro, lição da anatomia e da espera no balcão da existência.
Tudo bem não querer repetir, com a mesma maldita e peçonheta criatura,os mesmos erros, discussões, barracos e infernos avulsos e particularíssimos.
(Falar nisso, nunca mais ouvi o velho e bom “eles renovaram o namoro”. Coisa linda, linda, linda, o mais comum era dizer apenas “eles renovaram”. Prestou atenção na força das palavras?)
Não estamos tratando desse tema. O caso aqui é de quem se desilude ao infinitum. Triste de quem encerra o afeto de vez, como se aquela mulher e/ou aquele homem “x” fossem fumar o king size, duvidoso e sem filtro, lá fora, e representassem o último dos humanos.
Chega do clichê e do chavão de que todos os homens ou mulheres são iguais. São, mas não são, senhoras e senhores. Cada vez que uma folha se mexe no universo a vida é diferente. Todos os machos e todas as fêmeas são novidades. Podem até ser piores, uns mais do que os outros, porém dependem de vários fatores.
Não adianta chamar o garçom do amor e passar a régua para sempre por causa de apenas um(a) sujeito(a) – como se representassem a parte pelo todo da panelinha do mundo. O que não vale mesmo é eliminar o amor como proposta mínima na plataforma política de estar vivo.
Já pensou quantos amores possíveis, como diria Calvino, você estaria dispensando por essa causa errada? E quem disse que amor é para dar certo?
Amor é uma viagem. De ácido.
Amar é… dar ou levar pé-na-bunda. Depois, como se diz, a fila anda, mesmo que mais demorada que a do velho INPS ou do que a dos ingressos para a final do campeonato.
E tem mais: a única vacina para um amor perdido é um novo amor achado. Vai nessa, aconselho! Só cura mesmo com outro.
Sim, o amor acaba, se não você não entendeu ainda… Corra a ler o gênio mineiro Paulo Mendes Campos: em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.
Vamos esquecer a ilusão católica do até que a morte separe os pombinhos e viver lindamente o amor e o seu calendário próprio. Muitas vezes, não temos o amor da vida, mas temos um belo amor da quinzena, que, de tão intenso e quente, logo derrete. Foi bonito.
Vale tudo, só não vale o fastio e a descrença.
Xico Sá
Fonte: Folha de S. Paulo
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Saber viver
Não sei… Se a vida é
curta
Ou longa demais pra
nós,
Mas sei que nada do que
vivemos
Tem sentido, se não tocamos o
coração das pessoas.
Muitas vezes basta
ser:
Colo que acolhe,
Braço que
envolve,
Palavra que
conforta,
Silêncio que
respeita,
Alegria que
contagia,
Lágrima que
corre,
Olhar que
acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro
mundo,
É o que dá sentido à
vida.
É o que faz com que
ela
Não seja nem
curta,
Nem longa demais,
Mas que seja
intensa,
Verdadeira, pura… Enquanto
durar
Cora Coralina
'Justiça atrasada não é justiça'
(...) Mas justiça atrasada não é justiça, senão injustiça qualificada e
manifesta. Porque a dilação ilegal nas mãos do julgador contraria o direito das
partes, e, assim, as lesa no patrimônio, honra e liberdade.
Os juízes tardinheiros são culpados, que a lassidão comum vai tolerando. Mas
sua culpa tresdobra com a terrível agravante de que o lesado não tem meio de
reagir contra o delinqüente poderoso, em cujas mãos jaz a sorte do litígio
pendente.
Nas sejais, pois, desses magistrados, nas mãos de quem os autos penam como as
almas do purgatório, ou arrastam sonos esquecidos como as preguiças do mato.
(...) Não acompanheis os que, no pretório, ou no júri, se convertem de
julgadores em verdugos, torturando o réu com severidades inoportunas,
descabidas, ou indecentes; como se todos os acusados não tivessem direito à
proteção dos seus juízes, e a lei processual, em todo o mundo civilizado, não
houvesse por sagrado o homem, sobre quem recai acusação ainda inverificada.
Não estejais com os que agravam o rigor das leis, para se acreditar com o
nome de austeros e ilibados. Porque não há nada menos nobre e aplausível que
agenciar uma reputação malignamente obtida em prejuízo da verdadeira
inteligência dos textos legais.
Não julgueis por considerações de pessoas, ou pelas do valor das quantias
litigadas, negando as somas, que se pleiteiam, em razão da sua grandeza, ou
escolhendo, entre as partes na lide, segundo a situação social delas, seu
poderio, opulência e conspicuidade.
Porque quanto mais armados estão de tais armas os poderosos, mais inclinados
é de recear que sejam à extorsão contra os menos ajudados da fortuna; e, por
outro lado, quanto maiores são os valores demandados e maior, portanto, a lesão
argüida, mais grave iniqüidade será negar a reparação, que se demanda.
Não vos mistureis com os togados, que contraíram a doença de achar sempre
razão ao Estado, ao Governo, à Fazenda; por onde os condecora o povo com o
título de "fazendeiros". Essa presunção de terem, de ordinário, razão contra o
resto do mundo, nenhuma lei a reconhece à Fazenda, ao Governo, ou ao Estado.
Antes, se admissível fosse aí qualquer presunção, havia de ser em sentido
contrário; pois essas entidades são as mais irresponsáveis, as que mais abundam
em meios de corromper, as que exercem as perseguições, administrativas,
políticas e policiais, as que, demitindo funcionários indemissíveis, rasgando
contratos solenes, consumando lesões de toda a ordem (por não serem os
perpetradores de tais atentados os que os pagam), acumulam, continuamente, sobre
o tesouro público terríveis responsabilidades.
Ruy Barbosa de Oliveira, jurista, político, diplomata,
escritor, filólogo, tradutor e orador brasileiro.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Carta ao papai Noel
Bernardo
Rodrigues
Querido Papai Noel,
Desculpa eu escrever tão devagar é que
eu tenho nove anos mas ainda não sei escrever dereito nem meu nome que é muito
complicado. Você sabe como é que é aqui agente não temos escola pra todo mundo e
fica todo mundo quinem eu. Eu sei que o senhor tem muita carta pra ler e que
todo mundo escreve carta pro senhor aí eu resolvi escrever de uma vez pro senhor
não ter desculpa depois que tá muito ocupado quinem meu pai todo ano fala. Mais
eu queria era fazer essa carta pra falar com o senhor o que eu quero ganhar de
Natal.
Se não for muinto defício pro senhor eu queria quatro presentes deferentes. O primeiro é um papagaio. Uma vez falei com meu pai que queria um papagaio e ele me deu um, só que o que ele me deu era de papel igual pipa. Eu quero é um daquele verde que paresse uma maritaca e fala um monte de coisa. O Esquerdinha amigo meu ele faz muinta coisa errada mais é do bem e é bom de bola. Aí ele falou que eu não poço ganhar papagaio porque eu sou gago esqueci de falar isso com o senhor mas ele falou que eu sou gago e que gago não pode ter papagaio sinão o papagaio gageja também. Eu acho bobice do Esquerdinha porque o papagaio custa caro e deve ter estudado em escola particular e menino de escola particular não gageja. E si ele vier com defeito aí eu peço pra trocar. Mais como o senhor é que vai trazer eu confio no senhor. O senhor já ta velhinho mas é de confiança deferente dos político daqui. Intão eu queria ganhar um papagaio e uma chutera nova. Agora a chutera eu queria o pé direito número 34 e o esquerdo numero 30 porque eu quero devidir com o Isquerdinha meu amigo porque ele não tem chutera e ainda joga bem pra caramba. Ele chuta de perna isquerda aí pode ser asim. Um papagaio uma chutera e uma camionete. Eu quiria dar uma caminonete pra minha mãe pra ela poder carrega as roupa que ela lava sem ficar com dor nas costa. Mina mãe tem poblema sério de coluna aí eu queria mesmo é que ela sarace mas eu sei que o sinhor não é médico nem pai de santo e que o problema da minha mãe é sério. Mas a caminhonete eu acho que ajuda ela um pouco. O outro presente eu queria sarar da minha gagera. Eu vi na televisão que tem um médico que sara gago. Eu queria ganhar um médico desse de presente. Não cei se o senhor dá médico de presenti mas acho que pode ser um presente ispessial. Nem precisa imbrulhar porque senão o médico morre asfiquiciado quinem o policial falou do meu irmão quando mataram ele. Eu quero sarar da gagera pra todo mundo parar de rir de mim e o papagaio não ficar gago mas eu acho que não tem nada a ver é coisa do Esquerdinha que ta com inveja eu acho. E também eu poço falar bonito pra minha professora gostar de mim. Ela é nova e é bonita pra caramba e eu queria cazar com ela pra ela poder me ensenar escrever dereito e mas depressa.
Obrigado pela atensão espero que o senhor esteje bem sua mãe es seus parentes. Manda um abraço pros viadinho que carrega sua carroça. Um ispecial praquele que ta gripado. Ele já sarou?
Um abraço.
Maicodiéquisso dos Santos da Silva
Se não for muinto defício pro senhor eu queria quatro presentes deferentes. O primeiro é um papagaio. Uma vez falei com meu pai que queria um papagaio e ele me deu um, só que o que ele me deu era de papel igual pipa. Eu quero é um daquele verde que paresse uma maritaca e fala um monte de coisa. O Esquerdinha amigo meu ele faz muinta coisa errada mais é do bem e é bom de bola. Aí ele falou que eu não poço ganhar papagaio porque eu sou gago esqueci de falar isso com o senhor mas ele falou que eu sou gago e que gago não pode ter papagaio sinão o papagaio gageja também. Eu acho bobice do Esquerdinha porque o papagaio custa caro e deve ter estudado em escola particular e menino de escola particular não gageja. E si ele vier com defeito aí eu peço pra trocar. Mais como o senhor é que vai trazer eu confio no senhor. O senhor já ta velhinho mas é de confiança deferente dos político daqui. Intão eu queria ganhar um papagaio e uma chutera nova. Agora a chutera eu queria o pé direito número 34 e o esquerdo numero 30 porque eu quero devidir com o Isquerdinha meu amigo porque ele não tem chutera e ainda joga bem pra caramba. Ele chuta de perna isquerda aí pode ser asim. Um papagaio uma chutera e uma camionete. Eu quiria dar uma caminonete pra minha mãe pra ela poder carrega as roupa que ela lava sem ficar com dor nas costa. Mina mãe tem poblema sério de coluna aí eu queria mesmo é que ela sarace mas eu sei que o sinhor não é médico nem pai de santo e que o problema da minha mãe é sério. Mas a caminhonete eu acho que ajuda ela um pouco. O outro presente eu queria sarar da minha gagera. Eu vi na televisão que tem um médico que sara gago. Eu queria ganhar um médico desse de presente. Não cei se o senhor dá médico de presenti mas acho que pode ser um presente ispessial. Nem precisa imbrulhar porque senão o médico morre asfiquiciado quinem o policial falou do meu irmão quando mataram ele. Eu quero sarar da gagera pra todo mundo parar de rir de mim e o papagaio não ficar gago mas eu acho que não tem nada a ver é coisa do Esquerdinha que ta com inveja eu acho. E também eu poço falar bonito pra minha professora gostar de mim. Ela é nova e é bonita pra caramba e eu queria cazar com ela pra ela poder me ensenar escrever dereito e mas depressa.
Obrigado pela atensão espero que o senhor esteje bem sua mãe es seus parentes. Manda um abraço pros viadinho que carrega sua carroça. Um ispecial praquele que ta gripado. Ele já sarou?
Um abraço.
Maicodiéquisso dos Santos da Silva
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Beleza e simpatia na nossa confraternização de final de ano
As belas: Even Monalisa, Izabella e Maria de Fátima
Da esquera para direita: Polyana, Ana Paula, Monalisa, Izabela, Maria de Fátima, Suedja e Márcia
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