sábado, 24 de setembro de 2016
Islândia vai pagar U$ 5mil por mês para quem casar com uma islandesa?
Será verdade que o Governo da Islândia vai dar um benefício
mensal para imigrantes que se casarem com as mulheres daquele país?
Descubra aqui no E-farsas!
A notícia ganhou força na internet aqui no Brasil no final da primeira quinzena de setembro de 2016 e mostra a decisão do governo islandês que, preocupado com a escassez de homens no país, teria pedido para que pessoas do sexo masculino de outros países se ofereçam para se casar com as belas islandesas.
A manchete ainda diz que a Islândia irá pagar um salário mensal de U$ 5mil para os noivos que aceitarem esse “desafio”.
Será que essa notícia é verdadeira ou falsa?
Verdade ou farsa?
Em primeiro lugar, os dados populacionais mais recentes sobre a Islândia (coletados em 2015) mostram que o povo desse país é dividido de forma quase que equilibrada em relação ao gênero: Cerca de 1007 homens para cada 1000 mulheres…
Ou seja, apenas com essa informação, já poderíamos atestar que se trata de mais uma e-farsa!
Origens
O primeiro site (ou um dos primeiros) a publicar essa notícia foi o The Spirit Whispers, em junho de 2016. Mesmo sem apresentar nenhuma prova da veracidade dos dados apresentados, esse site conseguiu que vários outros o copiassem! Igualmente, sem nenhuma verificação prévia.
Alguns sites ainda tentaram desmentir essa história logo após ele ter se espalhado na web, como o islandês Grapevine, e o Sunday Adelaja’s
(que chegou a publicar a notícia como se fosse real e depois fez uma
atualização se desculpando) mas – como já sentimos na pele aqui no
E-farsas sempre – o desmentido nunca tem a mesma força que o boato!
O Grapevine ainda diz que muitas islandesas estão reclamando de spams enviados com pedidos de casamento de homens do mundo todo…
Desmentido oficial
O boato foi tão grande que a Embaixada da Dinamarca no Egito (que trata de assuntos relacionados à Islândia) fez uma postagem em sua página do Facebook desmentindo essa história toda:
Conclusão
O Governo da Islândia não está em busca de homens de outros países para casar suas mulheres islandesas!
Fonte e crédito aqui
“Nunca tivemos uma geração tão triste”
Augusto Cury, o famoso psiquiatra que
tem livros publicados em mais de 70 países e dá palestras para multidões
no Brasil e lá fora, lançou recentemente uma versão para crianças e
adolescentes do seu best-seller Ansiedade – Como Enfrentar o Mal do
Século. O autor conversou com a gente sobre os desafios de se criar os
filhos hoje e não poupou críticas à maneira como a família e a escola
têm educado os pequenos. Confira!
Excesso de estímulos
“Estamos assistindo ao assassinato coletivo da infância das crianças e da juventude dos adolescentes no mundo todo. Nós alteramos o ritmo de construção dos pensamentos por meio do excesso de estímulos, sejam presentes a todo momento, seja acesso ilimitado a smartphones, redes sociais, jogos de videogame ou excesso de TV. Eles estão perdendo as habilidades sócio-emocionais mais importantes: se colocar no lugar do outro, pensar antes de agir, expor e não impor as ideias, aprender a arte de agradecer. É preciso ensiná-los a proteger a emoção para que fiquem livres de transtornos psíquicos. Eles necessitam gerenciar os pensamentos para prevenir a ansiedade. Ter consciência crítica e desenvolver a concentração. Aprender a não agir pela reação, no esquema ‘bateu, levou’, e a desenvolver altruísmo e generosidade”.
Geração triste
“Nunca tivemos uma geração tão triste, tão depressiva. Precisamos ensinar nossas crianças a fazerem pausas e contemplar o belo. Essa geração precisa de muito para sentir prazer: viciamos nossos filhos e alunos a receber muitos estímulos para sentir migalhas de prazer. O resultado: são intolerantes e superficiais. O índice de suicídio tem aumentado. A família precisa se lembrar de que o consumo não faz ninguém feliz. Suplico aos pais: os adolescentes precisam ser estimulados a se aventurar, a ter contato com a natureza, se encantar com astronomia, com os estímulos lentos, estáveis e profundos da natureza que não são rápidos como as redes sociais”.
Dor compartilhada
“É fundamental que as crianças aprendam a elaborar as experiências. Por exemplo, diante de uma perda ou dificuldade, é necessário que tenham uma assimilação profunda do que houve e aprender com aquilo. Como ajudá-las nesse processo? Os pais precisam falar de suas lágrimas, suas dificuldades, seus fracassos. Em vez disso, pai e mãe deixam os filhos no tablet, no smartphone, e os colocam em escolas de tempo integral. Pais que só dão produtos para os seus filhos, mas são incapazes de transmitir sua história, transformam seres humanos em consumidores. É preciso sentar e conversar: ‘Filho, eu também fracassei, também passei por dores, também fui rejeitado. Houve momentos em que chorei’. Quando os pais cruzam seu mundo com os dos filhos, formam-se arquivos saudáveis poderosos em sua mente, que eu chamo de janelas light: memórias capazes de levar crianças e adolescentes a trabalhar dores perdas e frustrações”.
Intimidade
“Pais que não cruzam seu mundo com o dos filhos e só atuam como manuais de regras estão aptos a lidar com máquinas. É preciso criar uma intimidade real com os pequenos, uma empatia verdadeira. A família não pode só criticar comportamentos, apontar falhas. A emoção deve ser transmitida na relação. Os pais devem ser os melhores brinquedos dos seus filhos. A nutrição emocional é importante mesmo que não se tenha tempo, o tempo precisa ser qualitativo. Quinze minutos na semana podem valer por um ano. Pais têm que ser mestres da vida dos filhos. As escolas também precisam mudar. São muito cartesianas, ensinam raciocínio e pensamento lógico, mas se esquecem das habilidades sócio-emocionais”.
Mais brincadeira, menos informação
“Criança tem que ter infância. Precisa brincar, e não ficar com uma agenda pré-estabelecida o tempo todo, com aulas variadas. É importante que criem brincadeiras, desenvolvendo a criatividade. Hoje, uma criança de sete anos tem mais informação do que um imperador romano. São informações desacompanhadas de conhecimento. Os pais podem e devem impor limites ao tempo que os filhos passam em frente às telas. Sugiro duas horas por dia. Se você não colocar limite, eles vão desenvolver uma emoção viciante, precisando de cada vez mais para sentir cada vez menos: vão deixar de refletir, se interiorizar, brincar e contemplar o belo”.
Parabéns!
“Em vez de apontar falhas, os pais devem promover os acertos. Todos os dias, filhos e alunos têm pequenos acertos e atitudes inteligentes. Pais que só criticam e educadores que só constrangem provocam timidez, insegurança, dificuldade em empreender. Os educadores precisam ser carismáticos, promover os seus educandos. Assim, o filho e o aluno vão ter o prazer de receber o elogio. Isso não tem ocorrido. O ser humano tem apontado comportamentos errados e não promovido características saudáveis”.
Conselho final para os pais
“Vejo pais que reclamam de tudo e de todos, não sabem ouvir não, não sabem trabalhar as perdas. São adultos, mas com idade emocional não desenvolvida. Para atuar como verdadeiros mestres, pai e mãe precisam estar equilibrados emocionalmente. Devem desligar o celular no fim de semana e ser pais. Muitos são viciados em smartphones, não conseguem se desconectar. Como vão ensinar os seus filhos e fazer pausas e contemplar a vida? Se os adultos têm o que eu chamo de síndrome do pensamento acelerado, que é viver sem conseguir aquietar e mente, como vão ajudar seus filhos a diminuírem a ansiedade?”.
Fonte aqui
A direita não acredita em ideias e acha que intelectual é animador de festa
Sim, a direita é meio tosca mesmo. E não me
refiro à direita horrorosa a favor da ditadura militar. Refiro-me à direita
liberal, a favor da sociedade de mercado. Ela ainda acha que pensar é arroz de
festa.
Alguns anos atrás escrevi uma coluna que falava
de uma outra dificuldade estrutural da direita liberal no Brasil: não sabe
pegar mulher. Na época, me referia a necessidade da direita liberal jovem
deixar de ser chata e criar uma "direita festiva". Não saber pegar
mulher é uma coisa muita séria para um homem. Saber pegar mulher é um traço
adaptativo importante na história do Sapiens.
Nelson Rodrigues dizia que um homem com menos de
18 anos não devia nem dizer "bom dia" para uma mulher porque só diria
besteiras.
Um jovem liberal deveria, antes de falar com uma
mulher, observar como os jovens de esquerda se movem de forma competente quando
se trata de pegar mulher. Sabem conversar sobre filmes, livros, sentimentos.
Arriscaria dizer que mesmo liberais de mais de quarenta anos continuam bobos
diante de uma mulher e acabam por falar coisas grosseiras e idiotas. Nunca se
deve menosprezar a importância de saber pegar mulher quando se trata do futuro
da humanidade em jogo.
Mas, há uma outra dificuldade estrutural da
direita liberal: só acredita em economia e não acredita em ideias, por isso
nunca investe nelas e considera um intelectual um animador de festa e jantares.
Acredita mesmo que tudo pode ser comprado e aí apanha da esquerda, que tem uma
visão mais abrangente do Sapiens, mesmo que a use para mentir ou criar mundos
absurdos. Falta à direita um repertório humanista, por isso é meio tosca.
Isso pode parecer uma questão de detalhe, mas
não é. Claro que não se trata de uma regra geral, mas, diria, se trata de um
caso quase perdido. A direita liberal acha que o pragmatismo econômico é a
única forma de ação que existe no homem. Aqui já aparece sua pobreza de
espírito: deixa para a esquerda toda a rica reflexão acerca da humanidade e do
"cuidado" para com nosso sofrimento, agonia e inseguranças. A falta
de compreensão para com o sofrimento humano é uma das piores faces que a
direita liberal apresenta para o mundo. E isso cria a reserva do "mercado
humanista" para a esquerda.
A "mania econômica" da direita liberal
a cega para o fato que muito já se produziu em matéria de reflexão sobre a
humanidade ao longo dos séculos, e, com isso, condena os mais jovens às
inutilidades do humanismo raso da esquerda, nascido do ressentimento.
Por isso, essa direita será sempre incapaz de
enfrentar a esquerda no plano das ideias. Contará sempre com partidos
fisiológicos para lidar com a inquestionável hegemonia intelectual da esquerda
no país. E nunca terá interlocução no mundo da produção de conteúdo porque,
exatamente, não acredita na inteligência.
No fundo, é a velha mesquinharia característica
de quem vê a vida a partir do "livro-caixa da loja". Falta uma certa
coragem espiritual à direita liberal, o que, reconheçamos, não falta à esquerda
em geral. Não consegue entender que, se a vida é em grande parte uma cadeia
produtiva sem garantia ou piedade, ela é, também, uma narrativa sobre esse
sentimento asfixiante de contingência, abandono e solidão que acomete o Sapiens
há milênios.
Narramos nossa vida e nossas experiências porque
precisamos dessas narrativas. Na falta de certezas sobre o sentido maior das
coisas, aprendemos, ao longo dos milênios, a sentar ao redor do fogo para
contar histórias, experiências, medos e projetos de como superá-los.
A direita não acredita na importância das
narrativas sobre a vida, sobre nossas vitórias e sobre nossas derrotas. E
quando olha para esses assuntos, o faz, sempre e unicamente, com os olhos do
marketing. E o pecado do marketing é sua estrutural contradição para com a
ideia de autenticidade. E todos, inclusive quem trabalha com o marketing, sabe
desse abismo que o separa da ânsia de verdade que nos assola desde o
Paleolítico. Falta à direita liberal humildade para aprender com nossas
sombras. Falta a ela reverência pelo fracasso.
Luiz Felipe Pondé
(Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizfelipeponde/2016/09/1814522-a-direita-nao-acredita-em-ideias-e-acha-que-intelectual-e-animador-de-festa.shtml.
Acesso em: 19 setembro 2016.)
Emergência
Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela
abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo —
para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.
Mário Quintana
Sugestão de postagem da amiga Marisa Bello
Respira, tu que estás numa cela
abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo —
para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.
Mário Quintana
Sugestão de postagem da amiga Marisa Bello
sexta-feira, 23 de setembro de 2016
Versículo do dia
A sabedoria oferece proteção,
como o faz o dinheiro,
mas a vantagem do conhecimento é esta:
a sabedoria preserva a vida
de quem a possui.
Eclesiastes 7:12
como o faz o dinheiro,
mas a vantagem do conhecimento é esta:
a sabedoria preserva a vida
de quem a possui.
Eclesiastes 7:12
Soneto - Mulher Abstrata
Sou quem sou, simplesmente mulher, não fujo, nem nego,
Corro risco, atropelo perigo, avanço sinal, ignoro avisos.
Procuro viver, sem medo, sem dor, com calor, aconchego,
Supro carências, rego desejos, desabrocho em risos...
Matéria cobiçada... na tez macia, no calor ardente.
Alma pura, envolta em completa fissura. Sem frescuras!
Encontro prazer na forma completa, repleta, latente.
Meretriz sem pudor,mulher no ponto, uva madura!
Sou quadro abstrato, me entrego no ato à paixão que aflora.
Sou enigma permanente, sem ponto final, sem continências,
Sou mulher tão somente, vivendo o momento, sorvendo as horas.
Sou pétala recolhida, sem forma, sem cor, completa em essência.
Exalo a esperança, transpiro vontades. Não me tenhas senhora.
Sou mulher insolúvel, nada volúvel. Vivo a vida em reticências...
Corro risco, atropelo perigo, avanço sinal, ignoro avisos.
Procuro viver, sem medo, sem dor, com calor, aconchego,
Supro carências, rego desejos, desabrocho em risos...
Matéria cobiçada... na tez macia, no calor ardente.
Alma pura, envolta em completa fissura. Sem frescuras!
Encontro prazer na forma completa, repleta, latente.
Meretriz sem pudor,mulher no ponto, uva madura!
Sou quadro abstrato, me entrego no ato à paixão que aflora.
Sou enigma permanente, sem ponto final, sem continências,
Sou mulher tão somente, vivendo o momento, sorvendo as horas.
Sou pétala recolhida, sem forma, sem cor, completa em essência.
Exalo a esperança, transpiro vontades. Não me tenhas senhora.
Sou mulher insolúvel, nada volúvel. Vivo a vida em reticências...
Ângela Bretas
quinta-feira, 22 de setembro de 2016
Não é a distância que separa as pessoas. É o “tanto faz”
Maldita parafernália eletrônica que nos mantêm cativos voluntários de
seus atrativos. E alguém quer ficar livre livre disso? Meia dúzia,
talvez, consiga viver no acrisolamento “sociovirtual”. Mas a maioria
dirá que não abre mão das facilidades que elas nos trazem. Ocorre que
você envia uma mensagem para alguém e o aplicativo mostra: mensagem
enviada, mensagem entregue, mensagem lida… Mas a pessoa, do outro lado
da tela, não lhe responde.
Tudo bem, o mundo está uma loucura. A gente fica antenado dezoito
horas por dia e são tantas atualizações: email, WhatsApp, Facebook,
Google +, Twitter, Instagram, Mesenger… Ufa.. E tem alguém ali, em todas
elas, dizendo “oi”.
Um “oizinho” não é importante, deixa pra lá, depois falo com essa
pessoa. Depois do “oi”, você envia outra mensagem que é visualizada e
ignorada. Tudo bem, lá vamos nós, o mundo anda uma correria… e blá, blá…
Mas então você percebe que a pessoa entrou várias vezes – maldito
aplicativo que tudo informa – e ela sequer envia um emoticon pra dizer,
“perai”. Não pode escrever? Manda um áudio. Visualizar e não responder –
em momento algum – é deselegante e demonstra desrespeito por quem
envio. E o respeito é a coisa mais importante em todos as relações.
“Nunca o nosso mundo teve ao seu dispor tanta comunicação. E nunca foi tão dramática a nossa solidão”, disse Mia Couto em um de seus discursos. E Zygmunt Bauman completa: “Eu
penso que a atratividade desse novo tipo de amizade, o tipo de amizade
de Facebook, como eu a chamo, está exatamente aí: que é tão fácil de
desconectar. É fácil conectar e fazer amigos, mas o maior
atrativo é a facilidade de se desconectar. Na internet é tão fácil, você
só pressiona ‘desfazer amizade’ e pronto, em vez de 500 amigos, você
terá 499, mas isso será apenas temporário, porque amanhã você terá
outros 500, e isso mina os laços humanos”.
“Mas, por quê a mensagem enviada é quase sempre é ignorada num ‘tanto faz se essa pessoa me envia uma mensagem ou não’ – Você pensa: ‘o que eu disse de errado?’.
Nunca antes a indiferença, maquiada pela tecnologia, ‘destruiu’
tantas expectativas como atualmente. Não é o ‘ódio’ pelo outro que
desmonta seu sorriso tão duramente costurado. Não é a ofensa que apaga
do coração a centelha de uma afinidade qualquer. O que entristece a
alma, aquilo que pode afogar os sentimentos mais básicos de um coração,
chama-se indiferença. A indiferença é arte do desdém.
Quem pratica a indiferença possui uma veia artística. Esse tipo de
pessoa costuma pintar em matizes opacas no rosto do desdenhado a palavra
‘desumanidade’. Pois o que seria a indiferença senão a desconstrução da
humanidade? Quem pratica a indiferença – ‘te respondo quando me der na telha e olhe lá’ – faz do outro qualquer coisa, menos ser humano.
Ignorar aquele que nos escreveu uma mensagem, que deixou um recado na
caixa postal do telefone ou que nos enviou um ‘olá’ pelas redes sociais
é desrespeitoso.
Quem já leu Franz Kafka sabe o que é ver a indiferença tomar ares épicos. Tomo como exemplo ‘O Processo’.
Na obra, um homem é processado sem saber o porquê procura entender o
crime que cometeu sem ter cometido crime algum. Ele recebe menosprezo de
seus detratores, amigos, família… todos. É visível durante a obra uma
desconstrução de sua personalidade até sobrar nada mais do que algo, não
alguém. O mesmo aconteceu com ‘monstro’ erudito do
doutor Frankenstein. Foi o desprezo, o preconceito, generalização e
discriminação que o transformou numa criatura cruel.
Não é preciso morrer de amores por alguém que lhe escreve um ‘oi’ e você por educação lhe retribui com outro singelo ‘oi‘.
Nunca soube de alguém que morresse por ser gentil, educado. Sejamos
gentis nem que seja para dizer “gostaria que você não me escrevesse
mais, ok?”. Acredite, isso soa mais ‘delicado’ do que o silêncio da
indiferença.
A multiplicidade aplicativos que nos conectam, carregam em seu DNA,
como se projetados de fábrica, o recurso do desdém. É óbvio que não é
uma boa ideia dar corda para aquele chato que a todo custo quer sair com
você (Desfazer amizade e/ou bloquear são cortesias dos aplicativos).
Mas pior ainda é silenciar diante das conexões virtuais. Estar conectado
com todos é, ao mesmo tempo, não estar com ninguém. Não são poucos os
que abdicam da vida social para viver atrás de um avatar que lhes
garanta o anonimato. Ledo engano. Estamos todos mergulhados, alguns
mais, outros menos, no lago da decisão alheia. Ele vai me responder? Ela
vai me ligar? Poxa, não custa nada. E assim dependentes de palavras
vindas do outro lado da tela permanecemos ansiosos e reféns da
indiferença.
Utilizo como exemplo algo que foi fantástico aos meus olhos. Enviei no modo ‘mala direta’
por e-mail algumas dicas de filmes e livros para várias pessoas. Nessas
ocasiões é ‘normal’ não se esperar respostas. Mas a minha surpresa foi
quando uma colega de livre vontade, com sua educação peculiar, me
respondeu agradecendo as dicas.
É assim com pequenos gestos de atenção e respeito pelo outro que a
sociedade muda. Se o desdém, a indiferença, a insensibilidade podem
matar almas; gestos de educação podem revigorá-las. E isso vale mais que
mil beijos.
Texto de Israel de Sá (Adaptado)
Fonte aqui
Frases célebres de Lampião e os respectivos cordéis.
(Ao então Governador do Estado de Alagoas, Costa Rego)
"DIGA AO COSTA REGO, QUI TÔ ACOSTUMADO A SARTÁ RIACHO, QUI DIRÁ REGO..."
Fale pro Governador,
Este tá de Costa Rego,
Ele pode vim de frente,
Qui de costa num dá medo,
Eu sarto inté riacho,
Qui dirá um simpre rêgo!?
Grupo https://www.facebook.com/groups/CANGACEIROSND/
Foto: Lauro Cabral, Juazeiro do Norte, CE. 1926
Fale pro Governador,
Este tá de Costa Rego,
Ele pode vim de frente,
Qui de costa num dá medo,
Eu sarto inté riacho,
Qui dirá um simpre rêgo!?
Grupo https://www.facebook.com/groups/CANGACEIROSND/
Foto: Lauro Cabral, Juazeiro do Norte, CE. 1926
O imperador do Brasil
“Acordar como um inseto não é muito diferente do que acordar como Napoleão ou George Washington”, diz Nabokov
Na famosa história do Kafka, um dia Gregor Samsa acorda de um sono
inquietante e se vê transformado num monstruoso... o que, exatamente?
Convencionou-se que o desafortunado Gregor acordou transformado numa
barata. Vladimir Nabokov concluiu que o inseto era um grande besouro, e
estranhou que Kafka ignorasse que os besouros têm asas. Se o inseto do
Kafka pudesse sair voando, a história teria outro sentido. Ou mais um
sentido, além de todas as outras interpretações dadas à obscura
alegoria.
Nabokov dedica sua conjetura sobre as asas (está na coleção de
palestras sobre literatura que fez antes de ficar famoso com a
publicação de “Lolita”) a todas as pessoas que têm asas mas não sabem.
Entre as muitas interpretações de “A metamorfose” que Nabokov rejeita
com mais desdém é a freudiana, segundo a qual a origem da história é a
relação difícil do Kafka com seu pai, e seu sentimento de culpa. Freud
era uma das principais antipatias de Nabokov. E elas não eram poucas.
Nabokov não propõe nenhuma interpretação, pelo menos nenhuma com uma
inegável marca pessoal. Nota certas reincidências no texto — como o
número três (as três portas do quarto de Gregor, os três membros da
família mais três empregados, os três hospedes com três barbas) —, mas
recomenda que não se dê muita importância à coincidência, que é mais
técnica do que simbólica.
A fantasia de Kafka tinha sua lógica, e o que pode ser mais lógico do
que o velho trio, tese, antítese e síntese? Acima de tudo, se deveria
evitar qualquer mito proposto por seguidores do “feiticeiro de Viena”,
que era como ele chamava Freud.
Para Nabokov, interpretações além da realidade do texto eram
desnecessárias. Afinal, nós todos já tivemos a sensação de acordar
estranhamente, como Gregor Samsa. “Acordar como um inseto não é muito
diferente do que acordar como Napoleão ou George Washington”, diz
Nabokov. E conta: “Conheci um homem que acordou como o imperador do
Brasil”.
Especulação fascinante: e se Nabokov tivesse aproveitado a história do
homem que acordou como imperador do Brasil e seguisse seus passos depois
da metamorfose? Pode-se imaginar ele chegando aqui para reclamar o
trono, num país decididamente kafkiano.
Só
Da série “Só no Brasil”. O Japonês da Federal, também conhecido como o
Japonês Bonzinho, está desempenhando normalmente suas funções, inclusive
a escolta de presos na Lava-Jato, com uma tornozeleira. Ele também está
indiciado, e em prisão domiciliar, de onde só sai para prender os
outros. Kafkiano, decididamente kafkiano.
Luis Fernando Veríssimo
quarta-feira, 21 de setembro de 2016
Versículos do dia
Atende ao meu clamor; porque estou muito abatido. Livra-me dos meus perseguidores; porque são mais fortes do que eu. Salmos 142:6
Porque
vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade
para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor. Gálatas 5:13
Morrer está ficando chato
Algumas
coisas estão acabando com as nossas antigas, como direi, diversões. Um
amigo meu, desses que conheço desde a infância, tem a mania de
frequentar velórios. Assim como alguns gostam de ir aos estádios
assistir jogos de futebol ou tomar uma cervejinha, ele adora participar
da última homenagem aos mortos.
Pouco
importa se o falecido era parente ou conhecido. O que vale é estar ali,
participar de tudo; até ver as coroas de flores chegando. Diz ele que
uma maneira muito fácil de saber se o morto era importante é contar
quantas coroas de flores recebeu. Valem como critério de desempate os
nomes estampados nos laços que arrodeiam aquelas flores. Quem recebe
coroa de flores de político importante já sai na frente.
E
foi ele quem me disse a novidade. As funerárias estão criando um
sistema de transmissão ao vivo, via internet, dos velórios e enterros,
para que parentes e amigos distantes não precisem viajar a fim de
assistir às exéquias.
“-
É um absurdo. Imagina, Marcos, que o melhor dos velórios é conversar
sobre o defunto, seus casos extraconjugais, a situação financeira da
família e principalmente reencontrar os amigos, porque somente nos
enterros temos essa oportunidade. Mas o pior é que se esses avanços
tecnológicos continuarem, vai chegar o dia em que não haverá mais
necessidade das pessoas segurarem nas alças do caixão, uma máquina vai
fazer tudo sozinha”. Foi aí que eu entendi a angustia do velho e querido
amigo.
Ele
tem uma espécie de tara. Além de adorar velórios e enterros, sua paixão
é segurar em uma das alças do caixão. Por conta desse vício, ele foi
protagonista de uma cena que ficou famosa nos anos 90 aqui na Paraíba.
Talvez
os leitores menos jovens lembrem do fato. No enterro de uma autoridade
local, justo na hora de deslocar o corpo, ele aboletou-se junto à
primeira das três alças laterais do caixão, que ele considera o máximo
da distinção, porque vai na frente. Ocorre que o de cujus
tinha 4 filhos que assumiram as 4 primeiras alças, sobrando ao meu
amigo brigar pelas duas últimas, mas foi empurrado por próceres locais
com os quais não podia competir. Frustrado, viu o cortejo indo embora.
Com lágrimas de raiva nos olhos, lá de longe gritou bem alto: “- Ei,
magote de FDP, podem socar esse defunto no...”.
Por conta disso ficou proibido muito tempo de frequentar os velórios da cidade.
Marcos Pires
Quantos ficaram?
Joãozinho chega na escola e a professora pergunta:
- Numa árvore havia três passarinhos, deram um tiro na árvore e ele acertou um passarinho, quantos ficaram?
- Ficou apenas um passarinho.
- Por que um, Joãozinho? - a professora pergunta.
- Só o que morreu... Os outros fugiram, né!
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