quinta-feira, 21 de abril de 2016
O homem, a luta e a eternidade
Adivinho nos planos da consciência
dois arcanjos lutando com esferas e pensamentos
mundo de planetas em fogo
vertigem
desequilíbrio de forças,
matéria em convulsão ardendo pra se definir.
Ó alma que não conhece todas as suas possibilidades,
o mundo ainda é pequeno pra te encher.
Abala as colunas da realidade,
desperta os ritmos que estão dormindo.
À guerra! Olha os arcanjos se esfacelando!
Um dia a morte devolverá meu corpo,
minha cabeça devolverá meus pensamentos ruins
meus olhos verão a luz da perfeição
e não haverá mais tempo.
Murilo Monteiro Mendes
dois arcanjos lutando com esferas e pensamentos
mundo de planetas em fogo
vertigem
desequilíbrio de forças,
matéria em convulsão ardendo pra se definir.
Ó alma que não conhece todas as suas possibilidades,
o mundo ainda é pequeno pra te encher.
Abala as colunas da realidade,
desperta os ritmos que estão dormindo.
À guerra! Olha os arcanjos se esfacelando!
Um dia a morte devolverá meu corpo,
minha cabeça devolverá meus pensamentos ruins
meus olhos verão a luz da perfeição
e não haverá mais tempo.
Murilo Monteiro Mendes
Garoto de 11 anos desaparece em Pombal. Família pede ajuda em redes sociais para localizá-lo
Erick Gabriel saiu de casa informando que iria para a casa e um amigo e
foi visto pela última vez próximo ao parque de vaquejada.
O garoto está vestido com camisa amarela e short cinza e azul.
Durante toda a noite, familiares e amigos se mobilizaram para tentar localizá-lo, mas não obtiveram êxito. Pelas redes sociais, são vários os pedidos e compartilhamentos de fotos e informações sobre a criança.
Equipes do Tiro de Guerra e corpo de bombeiros também ajudaram nas buscas.
Ele é filho da agente comunitária de saúde Gracineide Muniz.
Qualquer informação pode ser repassada à polícia (190) aos bombeiros (193) ou à rádio Liberdade FM (3431-1108).
Naldo Silva - LiberdadePB
Seda, de Alessandro Baricco
Este livro me foi indicado após a leitura de Mr. Gwyn, romance do mesmo autor e do qual tinha gostado muito. Mas gostei menos deste Seda,
apesar da história ampla, interessante, contada num estilo de
minicontos com trechos que se repetem como numa fábula. A história narra
a trajetória de Hervé Joncour, morador de Lavilledieu, uma cidade
francesa cuja economia floresce, na metade do século XIX, com a produção
de seda.
Joncour compra e vende ovos de
bichos-da-seda. Ele mora com a amada esposa Hélène em Lavilledieu numa
casa confortável. Só que uma praga dizima os bichos-da-seda do
Mediterrâneo e cria-se a necessidade de comprar o produto num local onde
a praga não chegou: o Japão. Baldabiou — o mais rico de todos os
fabricantes de seda — pede-lhe que vá ao país do sol nascente buscar os
ovos.
O paradoxo do livro está no homem de
vida rotineira transformado em aventureiro. Ele vai ao Japão quatro
vezes. Leva meses em cada uma das viagens. Vai de trem, cavalo e em
navios de contrabandistas. Nas viagens que faz ao Japão para comprar o
produto, abre-se um mundo novo para aquele crasso europeu. Lá, ele vê
uma bela mulher de rosto ocidental e passa a ter um segundo motivo para
viajar. Quer revê-la e sentir seu toque de seda. Mas volta pelos
negócios e, fundamentalmente, porque não consegue esquecer a linda voz
de sua mulher na França.
Foi com esse livro que Baricco ficou famoso, mas, sabe?, faltou poesia. Como em Mr. Gwyn,
mais uma vez Baricco procura “um modo exato de estar no mundo” para um
personagem seu. Esta é a poesia maior do livro. E talvez de todos nós.
Do blog do Milton Ribeiro
O horror cósmico de William Sloane
Veio parar às minhas mãos a edição-ônibus de The Rim of
Morning (New York: New York Review Books, 2015), que reúne duas novelas de
William Sloane, ao que parece suas duas únicas incursões como autor de FC. Os dois livros são To Walk the
Night (1937) e The Edge of Running Water (1939). As duas
novelas vêm sendo publicadas em conjunto com o título The Rim of Morning desde
1964.
Falarei sobre a primeira delas. To Walk the Night é
contada sob a forma de flash-back por Bark Jones, um estudante recém-formado de
uma universidade na região de Nova York. O início do livro mostra Bark chegando
de carro, à noite, à casa do pai de um grande amigo seu, trazendo na mala um
vaso com as cinzas do amigo, morto alguns dias atrás no outro lado do país. A
reunião entre Bark e Mr. Lister, o pai do falecido Jerry Lister, é o tempo
presente da narrativa, que consiste na narração minuciosa, por parte de Bark,
de uma série de acontecimentos estranhos dos últimos dezoito meses, envolvendo
os dois amigos recém-saídos da faculdade, um professor que fazia pesquisas
obscuras sobre o espaço-tempo, e a misteriosa esposa deste.
Um dos aspectos mais interessantes de flashbacks deste tipo
é que, como se trata de uma narração verbal, ela admite de vez em quando (e
Sloane faz uso consciente disso) interrupções do flashback para o retorno ao
tempo presente, quando os personagens trocam impressões e comentários sobre os
fatos passados. Em alguns casos, nas histórias mais pulp fiction, este
artifício é usado para fornecer explicações sobre o enredo, explicações que o
autor teve dificuldade de encaixar na ação da narrativa e preferiu dar de graça
ao leitor usando falas do personagem-narrador.
Não é o que faz Sloane. Os comentários entre Bark e Mr. Lister
esclarecem detalhes dos acontecimentos passados mas, de um modo geral, fazem
alusões incompletas a outros fatos ou circunstâncias, o que aumenta o mistério
e o suspense narrativo. É uma dessas histórias cheias de referências indiretas
ao futuro, do tipo “Naquele instante, não percebi a importância deste pequeno
detalhe”, ou “Eu não poderia saber as consequências que esse fato aparentemente
banal iria ter dias depois”. Bem usado, esse artifício é um gancho poderoso
para prender o leitor até que sua curiosidade seja satisfeita.
Não revelarei muita coisa do argumento, para não dar spoilers
aos dois ou três leitores que talvez venham um dia a ler o livro. Que vale a
pena, sim. A história lembra, por um certo ângulo, o filme Lifeforce
(Tobe Hooper, 1985), inspirado no romance de Colin Wilson The Space Vampires
(1976), onde a bela Mathilda May encarna um ser alienígena que suga com
indiferença a vida dos humanos com que se defronta. Lembra também aqueles
contos de Lovecraft onde, depois que algum fato espantoso provoca uma tragédia
sem explicação, alguns personagens se reúnem e comparam lembranças, tentam
encaixar as peças do quebra-cabeças para entrender o que aconteceu. Também
lembra (muito) o Arthur Machen de The Great God Pan (1894), que provavelmente
lhe serviu de inspiração.
Uma história lovecraftiana, mas o que assombra, mais do que
o enredo, é a prosa límpida e clássica de Sloane, um autor de quem eu nunca
tinha ouvido falar. Não lembro de muita gente na FC de 1937 que escrevesse tão
bem quanto Sloane neste livro. Lembra a prosa limpa-de-exageros de Heinlein,
mas Heinlein só estrearia dez anos depois. E tem um certo tom clássico, talvez
mais britânico do que norte-americano, o que me leva a achá-lo muito mais
próximo de autores ingleses dos anos 1930 como Aldous Huxley e Olaf Stapledon
do que com os grandes nomes da FC norte-americana da época, que seriam talvez
E. E. Doc Smith, Stanley Weinbaum, A. Merritt, o próprio Lovecraft... Todos podem ganhar no quesito imaginação,
mas nenhum, me parece, escreveu tão bem, de forma tão clara, expressiva,
controlada, quanto Sloane. Se me dissessem que o livro é de hoje, eu poderia
acreditar.
Além dos dois romances citados (lerei em breve o
segundo), Sloane (1906-1974) publicou duas antologias de FC: Space, Space,
Space (1953) e Stories for Tomorrow (1954), sendo esta última a mais
elogiada. Foi professor de escrita criativa na Bread Loaf Writer’s Conference
durante vinte e cinco anos, e algumas de suas aulas foram reunidas em The
Craft of Writing (1983). Durante a maior parte da vida trabalhou com editor
na Rutgers University Press.
Bráulio Tavares
Mundo Fantasmo
quarta-feira, 20 de abril de 2016
Hora que passa
Vejo-me triste, abandonada e só
Bem como um cão sem dono e que o procura
Mais pobre e desprezada do que Job
A caminhar na via da amargura!
Bem como um cão sem dono e que o procura
Mais pobre e desprezada do que Job
A caminhar na via da amargura!
Judeu Errante que a ninguém faz dó!
Minh’alma triste, dolorida, escura,
Minh’alma sem amor é cinza, é pó,
Vaga roubada ao Mar da Desventura!
Minh’alma triste, dolorida, escura,
Minh’alma sem amor é cinza, é pó,
Vaga roubada ao Mar da Desventura!
Que tragédia tão funda no meu peito!…
Quanta ilusão morrendo que esvoaça!
Quanto sonho a nascer e já desfeito!
Quanta ilusão morrendo que esvoaça!
Quanto sonho a nascer e já desfeito!
Deus! Como é triste a hora quando morre…
O instante que foge, voa, e passa…
Fiozinho d’água triste… a vida corre…
O instante que foge, voa, e passa…
Fiozinho d’água triste… a vida corre…
Florbela Espanca
terça-feira, 19 de abril de 2016
Muito cedo para decidir
Gandhi se casou menino. Foi casado menino. O contrato, foram os grandes que assinaram. Os
dois nem sabiam direito o que estava acontecendo, ainda não haviam completado 10 anos de
idade, estavam interessados em brincar. Ninguém era culpado: todo mundo estava sendo
levado de roldão pelas engrenagens dessa máquina chamada sociedade, que tudo ignora
sobre a felicidade e vai moendo as pessoas nos seus dentes. Os dois passaram o resto da
vida se arrastando, pesos enormes, cada um fazendo a infelicidade do outro.
Vocês dirão que felizmente esse costume nunca existiu entre nós: obrigar crianças que nada sabem a entrar por caminhos nos quais terão de andar pelo resto da vida é coisa muito cruel e... burra! Além disso já existe entre nós remédio para casamento que não dá certo.
Antigamente, quando se queria dizer que uma decisão não era grave e podia ser desfeita, dizia-se: "isso não é casamento!". Naquele tempo, sim, casamento era decisão irremediável, para sempre, até que a morte os separasse, eterna comunhão de bens e comunhão de males. Mas agora os casamentos fazem-se e desfazem-se até mesmo contra a vontade do Papa, e os dois ficam livres para começar tudo de novo...
Pois dentro de poucos dias vai acontecer com nossos adolescentes coisa igual ou pior do que aconteceu com o Gandhi e a mulher dele, e ninguém se horroriza, ninguém grita, os pais até ajudam, concordam, empurram, fazem pressão, o filho não quer tomar a decisão, refuga, está com medo. "Tomar uma decisão para o resto da minha vida, meu pai! Não posso agora!" e o pai e a mãe perdem o sono, pensando que há algo errado com o menino ou a menina, e invocam o auxílio de psicólogos para ajudar...
Está chegando para muitos o momento terrível do vestibular, quando vão ser obrigados por uma máquina, do mesmo jeito como o foram Gandhi e Casturbai (era esse o nome da menina), a escrever num espaço em branco o nome da profissão que vão ter.
Do mesmo jeito não: a situação é muito mais grave. Porque casar e descasar são coisas que se resolvem rápido. Às vezes, antes de se descasar de uma ou de um, a pessoa já está com uma outra ou um outro. Mas, com a profissão não tem jeito de fazer assim. Pra casar, basta amar.
Mas na profissão, além de amar tem de saber. E o saber leva tempo pra crescer.
A dor que os adolescentes enfrentam agora é que, na verdade, eles não têm condições de saber o que é que eles amam. Mas a máquina os obriga a tomar uma decisão para o resto da vida, mesmo sem saber.
Saber que a gente gosta disso e gosta daquilo é fácil. O difícil é saber qual, dentre todas, é aquela de que a gente gosta supremamente. Pois, por causa dela, todas as outras terão de ser abandonadas. A isso que se dá o nome de "vocação"; que vem do latim, vocare, que quer dizer "chamar". É um chamado, que vem de dentro da gente, o sentimento de que existe alguma coisa bela, bonita e verdadeira à qual a gente deseja entregar a vida.
Entregar-se a uma profissão é igual a entrar para uma ordem religiosa. Os religiosos, por amor a Deus, fazem votos de castidade, pobreza e obediência. Pois, no momento em que você escrever a palavra fatídica no espaço em branco, você estará fazendo também os seus votos de dedicação total á sua ordem. Cada profissão é uma ordem religiosa, com seus papas, bispos, catecismos, pecados e inquisições.
Se você disser que a decisão não é tão séria assim , que o que está em jogo é só o aprendizado de um ofício para se ganhar a vida e, possivelmente, ficar rico, eu posso até dizer: "Tudo bem! Só que fico com dó de você! Pois não existe coisa mais chata que trabalhar só para ganhar dinheiro."
É o mesmo que dizer que, no casamento, amar não importa. Que o que importa é se o marido — ou a mulher — é rico. Imagine-se agora, nessa situação: você é casado ou casada, não gosta do marido ou da mulher, mas é obrigado a, diariamente, fazer carinho, agradar e fazer amor. Pode existir coisa mais terrível que isso? Pois é a isso que está obrigada uma pessoa, casada com uma profissão sem gostar dela. A situação é mais terrível que no casamento, pois no casamento sempre existe o recurso de umas infidelidades marginais. Mas o profissional, pobrezinho, gozará do seu direito de infidelidade com que outra profissão?
Não fique muito feliz se o seu filho já tem idéias claras sobre o assunto. Isso não é sinal de superioridade. Significa, apenas, que na mesa dele há um prato só. Se ele só tem nabos cozidos para comer, é claro que a decisão já está feita: comerá nabos cozidos e engordará com eles. A dor e a indecisão vêm quando há muitos pratos sobre a mesa e só se pode escolher um.
Um conselho aos pais e aos adolescentes: não levem muito a sério esse ato de colocar a profissão naquele lugar terrível. Aceitem que é muito cedo para uma decisão tão grave. Considerem que é possível que vocês, daqui a um ou dois anos, mudem de ideia. Eu mudei de idéia várias vezes, o que me fez muito bem. Se for necessário, comecem de novo. Não há pressa. Que diferença faz receber o diploma um ano antes ou um ano depois?
Em tudo isso o que causa a maior ansiedade não é nada sério: é aquela sensação boba que domina pais e filhos de que a vida é uma corrida e que é preciso sair correndo na frente para ganhar. Dá uma aflição danada ver os outros começando a corrida, enquanto a gente fica para trás.
Mas a vida não é uma corrida em linha reta. Quando se começa a correr na direção errada, quanto mais rápido for o corredor, mais longe ele ficará do ponto de chegada. Lembrem-se daquele maravilhoso aforismo de T. S. Eliot: "Num país de fugitivos os que andam na direção contrária parecem estar fugindo."
Assim, Raquel, não se aflija. A vida é uma ciranda com muitos começos.
Coloque lá a profissão que você julgar a mais de acordo com o seu coração, sabendo que nada é definitivo. Nem o casamento. Nem a profissão. E nem a própria vida...
Vocês dirão que felizmente esse costume nunca existiu entre nós: obrigar crianças que nada sabem a entrar por caminhos nos quais terão de andar pelo resto da vida é coisa muito cruel e... burra! Além disso já existe entre nós remédio para casamento que não dá certo.
Antigamente, quando se queria dizer que uma decisão não era grave e podia ser desfeita, dizia-se: "isso não é casamento!". Naquele tempo, sim, casamento era decisão irremediável, para sempre, até que a morte os separasse, eterna comunhão de bens e comunhão de males. Mas agora os casamentos fazem-se e desfazem-se até mesmo contra a vontade do Papa, e os dois ficam livres para começar tudo de novo...
Pois dentro de poucos dias vai acontecer com nossos adolescentes coisa igual ou pior do que aconteceu com o Gandhi e a mulher dele, e ninguém se horroriza, ninguém grita, os pais até ajudam, concordam, empurram, fazem pressão, o filho não quer tomar a decisão, refuga, está com medo. "Tomar uma decisão para o resto da minha vida, meu pai! Não posso agora!" e o pai e a mãe perdem o sono, pensando que há algo errado com o menino ou a menina, e invocam o auxílio de psicólogos para ajudar...
Está chegando para muitos o momento terrível do vestibular, quando vão ser obrigados por uma máquina, do mesmo jeito como o foram Gandhi e Casturbai (era esse o nome da menina), a escrever num espaço em branco o nome da profissão que vão ter.
Do mesmo jeito não: a situação é muito mais grave. Porque casar e descasar são coisas que se resolvem rápido. Às vezes, antes de se descasar de uma ou de um, a pessoa já está com uma outra ou um outro. Mas, com a profissão não tem jeito de fazer assim. Pra casar, basta amar.
Mas na profissão, além de amar tem de saber. E o saber leva tempo pra crescer.
A dor que os adolescentes enfrentam agora é que, na verdade, eles não têm condições de saber o que é que eles amam. Mas a máquina os obriga a tomar uma decisão para o resto da vida, mesmo sem saber.
Saber que a gente gosta disso e gosta daquilo é fácil. O difícil é saber qual, dentre todas, é aquela de que a gente gosta supremamente. Pois, por causa dela, todas as outras terão de ser abandonadas. A isso que se dá o nome de "vocação"; que vem do latim, vocare, que quer dizer "chamar". É um chamado, que vem de dentro da gente, o sentimento de que existe alguma coisa bela, bonita e verdadeira à qual a gente deseja entregar a vida.
Entregar-se a uma profissão é igual a entrar para uma ordem religiosa. Os religiosos, por amor a Deus, fazem votos de castidade, pobreza e obediência. Pois, no momento em que você escrever a palavra fatídica no espaço em branco, você estará fazendo também os seus votos de dedicação total á sua ordem. Cada profissão é uma ordem religiosa, com seus papas, bispos, catecismos, pecados e inquisições.
Se você disser que a decisão não é tão séria assim , que o que está em jogo é só o aprendizado de um ofício para se ganhar a vida e, possivelmente, ficar rico, eu posso até dizer: "Tudo bem! Só que fico com dó de você! Pois não existe coisa mais chata que trabalhar só para ganhar dinheiro."
É o mesmo que dizer que, no casamento, amar não importa. Que o que importa é se o marido — ou a mulher — é rico. Imagine-se agora, nessa situação: você é casado ou casada, não gosta do marido ou da mulher, mas é obrigado a, diariamente, fazer carinho, agradar e fazer amor. Pode existir coisa mais terrível que isso? Pois é a isso que está obrigada uma pessoa, casada com uma profissão sem gostar dela. A situação é mais terrível que no casamento, pois no casamento sempre existe o recurso de umas infidelidades marginais. Mas o profissional, pobrezinho, gozará do seu direito de infidelidade com que outra profissão?
Não fique muito feliz se o seu filho já tem idéias claras sobre o assunto. Isso não é sinal de superioridade. Significa, apenas, que na mesa dele há um prato só. Se ele só tem nabos cozidos para comer, é claro que a decisão já está feita: comerá nabos cozidos e engordará com eles. A dor e a indecisão vêm quando há muitos pratos sobre a mesa e só se pode escolher um.
Um conselho aos pais e aos adolescentes: não levem muito a sério esse ato de colocar a profissão naquele lugar terrível. Aceitem que é muito cedo para uma decisão tão grave. Considerem que é possível que vocês, daqui a um ou dois anos, mudem de ideia. Eu mudei de idéia várias vezes, o que me fez muito bem. Se for necessário, comecem de novo. Não há pressa. Que diferença faz receber o diploma um ano antes ou um ano depois?
Em tudo isso o que causa a maior ansiedade não é nada sério: é aquela sensação boba que domina pais e filhos de que a vida é uma corrida e que é preciso sair correndo na frente para ganhar. Dá uma aflição danada ver os outros começando a corrida, enquanto a gente fica para trás.
Mas a vida não é uma corrida em linha reta. Quando se começa a correr na direção errada, quanto mais rápido for o corredor, mais longe ele ficará do ponto de chegada. Lembrem-se daquele maravilhoso aforismo de T. S. Eliot: "Num país de fugitivos os que andam na direção contrária parecem estar fugindo."
Assim, Raquel, não se aflija. A vida é uma ciranda com muitos começos.
Coloque lá a profissão que você julgar a mais de acordo com o seu coração, sabendo que nada é definitivo. Nem o casamento. Nem a profissão. E nem a própria vida...
Rubem Alves
O texto acima foi extraído do livro "Estórias de quem gosta de ensinar — O fim dos Vestibulares", editora Ars Poetica — São Paulo, 1995, pág. 31.
Eduardo Cunha, desde 1991 esperando ser preso
Em 1991, Cunha foi nomeado por Collor para presidir a Telerj
Em 1992, Cunha foi acusado de superfaturamento na Telerj e contratou servidores sem concurso.
Em 1993, Cunha foi acusado de participação no Esquema PC.
Em 1999, Cunha foi demitido da Companhia Estadual de Habitação por fraudes em licitações.
Em 2001, Cunha foi investigado pela Receita por movimentações incompatíveis com sua renda.
Em 2007, Cunha esteve ligado em
negócios suspeitos da Furnas Centrais Elétricas com o grupo Gallway,
sediado em um paraíso fiscal.
Em 2015, Cunha é acusado de receber propina na Lava Jato e tem contas secretas na Suíça descobertas.
Em 2016, foi envolvido no escândalo mundial dos Panamá Papers.
O Amor, Meu Amor
Nosso amor é impuro
como impura é a luz e a água
e tudo quanto nasce
e vive além do tempo.
como impura é a luz e a água
e tudo quanto nasce
e vive além do tempo.
Minhas pernas são água,
as tuas são luz
e dão a volta ao universo
quando se enlaçam
até se tornarem deserto e escuro.
E eu sofro de te abraçar
depois de te abraçar para não sofrer.
as tuas são luz
e dão a volta ao universo
quando se enlaçam
até se tornarem deserto e escuro.
E eu sofro de te abraçar
depois de te abraçar para não sofrer.
E toco-te
para deixares de ter corpo
e o meu corpo nasce
quando se extingue no teu.
para deixares de ter corpo
e o meu corpo nasce
quando se extingue no teu.
E respiro em ti
para me sufocar
e espreito em tua claridade
para me cegar,
meu Sol vertido em Lua,
minha noite alvorecida.
para me sufocar
e espreito em tua claridade
para me cegar,
meu Sol vertido em Lua,
minha noite alvorecida.
Tu me bebes
e eu me converto na tua sede.
Meus lábios mordem,
meus dentes beijam,
minha pele te veste
e ficas ainda mais despida.
e eu me converto na tua sede.
Meus lábios mordem,
meus dentes beijam,
minha pele te veste
e ficas ainda mais despida.
Pudesse eu ser tu
E em tua saudade ser a minha própria espera.
E em tua saudade ser a minha própria espera.
Mas eu deito-me em teu leito
Quando apenas queria dormir em ti.
Quando apenas queria dormir em ti.
E sonho-te
Quando ansiava ser um sonho teu.
Quando ansiava ser um sonho teu.
E levito, voo de semente,
para em mim mesmo te plantar
menos que flor: simples perfume,
lembrança de pétala sem chão onde tombar.
para em mim mesmo te plantar
menos que flor: simples perfume,
lembrança de pétala sem chão onde tombar.
Teus olhos inundando os meus
e a minha vida, já sem leito,
vai galgando margens
até tudo ser mar.
Esse mar que só há depois do mar.
e a minha vida, já sem leito,
vai galgando margens
até tudo ser mar.
Esse mar que só há depois do mar.
No livro “Idades cidades divindades”
Mia Couto
segunda-feira, 18 de abril de 2016
Como a televisão decide o que você pensa, o que você quer e o que você faz
Digamos que você trabalhe demais e não
tenha tempo justamente para cuidar do tempo que sobra, se é que sobra
algum tempo. Então você deixa que uma empresa cuide disso pra você. Se
você já se aposentou ou não tem trabalho, pode parecer difícil usar o
tempo com outras coisas e você também aceita os serviços da empresa.
Como você vive em uma sociedade que
valoriza a informação, e a empresa lhe dá justamente isso, parece lógico
que o que ela fornece é uma coisa boa em troca de uma coisa meio chata
como é a propaganda. Mas parece uma troca justa e você pensa que não tem
porque ver um problema nisso.
Na forma de notícias, a informação é
algo que serve para você saber em que mundo está, saber o que está
acontecendo, e, evidentemente, não ser ingênuo.
Você pensa: não parece lógico que alguém
use informação para te enganar e te tornar ingênuo. Isso não faria
sentido e você se entrega de corpo e alma o que tem pela frente.
No meio disso tudo, você acredita e
confia mesmo no que recebe, afinal se você não está enganando ninguém,
ninguém teria por que enganar você.
E como você é uma pessoa confiante, você
também confia na justiça e sabe que propaganda enganosa pode dar cadeia
e segue vendo tudo de bom que o aparelho que você comprou te oferece de
graça. Quer dizer, é bom lembrar que não é bem de graça, tem aquela
troca, mas isso não vem ao caso agora, pois tudo parece muito justo.
A tecnologia muda de tempos em tempos, o
aparelho fica ultrapassado e você precisa comprar um novo. Você nem
queria esse aparelho último tipo, assim como você não quer as coisas que
ele mostra, mas você passa a usar porque todo mundo está usando. Ficar
longe do aparelho é o que ninguém quer. Ficar desatualizado diante dos
colegas e familiares também pega mal. Assim você que não anda
conversando nada muito interessante com ninguém, sente que ainda faz
parte de uma comunidade que agora é chamada de audiência.
Você parou de falar com as pessoas,
perdeu a noção dos amigos e dos familiares, as pessoas só perguntam se
você viu a novela. É claro que você assitiu tudo, perdeu algum capítulos
dormindo, pois não era tão interessante assim, mas não tem problema
porque o seu mundo emocional está completamente preenchido com as
alegrias e tristezas das personagens.
A sua vida moral, ética e política está
totalmente controlada, já não dá mais trabalho. O aparelho que você
comprou garantiu todas as suas ideias por meio dos noticiários e criou
um verdadeiro estilo de vida para você. Você está convencido de que a
vida não pode ser diferente.
Agora você pode ficar sentando diante do
aparelho vendo pessoas parecidas com você convivendo dentro de uma
casa. Elas parecem mergulhadas na banalidade do dia a dia e você chega,
num descuido, a pensar que elas são meio idiotas. Como não dá para fazer
muita coisa com um idiota, você pode dar um telefonema para expulsar um
deles da casa. Você vai achar essa atitude meio pequena e miserável,
mas como isso fará você se sentir poderoso, você que anda tão sozinho e
meio deprimido e sentindo uma inveja incrível daquelas pessoas, você
digita os números e manda bala.
Em outro belo dia faltou energia
elétrica e você ficou a olhar para o teto tentando dormir. Deu tempo
para desconfiar que estavam querendo, na verdade, te vender esse
aparelho e a programação que ele mostra. Você lembrou que te chamaram de
alienado quando comentou com colegas que não gostava tanto assim de
ficar na frente do aparelho, e que te chamaram de chato por ver problema
onde tudo parecia ir tão bem. Como você não estava pensando como todo
mundo, achou que estava errado e resolveu dormir.
Para compensar, no dia seguinte você
comprou alguma coisa de tudo aquilo que era oferecido na tela. Longe de
ser ingênuo você sabia que não poderia comprar muita coisa porque não
teria dinheiro para tanto. Você sentiu inveja de quem podia comprar
mais, mas comprou o que pode, um carro que te ajudaram a escolher em um
comercial cheio de mulheres lindas. Você fez isso mesmo sem querer ou
precisar porque parecia que era para fazer isso e não queria justificar
para ninguém que poderia ser diferente. O problema do dinheiro se
resolveu em prestações, você relaxou e passou a achar uma vantagem
comprar mais coisas daquelas. É verdade que você se incomodou por estar
endividado, mas alguém te disse que isso faz parte da vida, pois todos
estão endividados como você. Você se incomodou também com a inveja, mas
percebeu que a ostentação, seja o carro, seja da roupa, compensavam
diante dos amigos e aprendeu a conviver com esse novo dado da realidade
da melhor forma possível.
Com o tempo, você começou a notar que as
propagandas eram mais interessantes que as novelas, os programas de
auditório e até os noticiários, afinal o homem que lê as notícias andava
meio repetitivo e insistente mostrando apenas o que parecia dito para
você pensar igual. Você pensou em desligar o aparelho, mas como você
esqueceu que podia fazer outra coisa com o seu tempo, por algum motivo
parece que realmente já não tinha nada de melhor para fazer com ele.
Antigamente, antes de tudo isso, você
pensava que a vida poderia ser diferente. Com o tempo você esqueceu essa
pergunta e se alguém ousa fazê-la hoje, você se irrita muito e é você
que aponta essa pessoa como uma alienada e uma chata. Você fica muito
triste por pensar assim, mas como o ressentimento incomoda muito, você
deixa por isso mesmo.
Como você tem um aparelho novo – e um
carro igualmente novo – você está feliz em pensar que é o último tipo
que estão vendendo nas lojas mais próximas e que as prestações, como as
dores, logo vão passar.
Você vê as novelas, os filmes, os
programas de culinária, humor, entrevistas, está tudo tão bem feito,
tudo tão bonito que você nem precisa de mais nada. Você se identifica
com tudo aquilo que é mostrado. Até parece que não existe outro jeito de
viver. Claro que existe, você pensa, mas daria muito trabalho. Então
você vê as tragédias que aparecem e se auto-compensa pensando que você
não faz parte delas. Alguém diz a você que o mundo é terrível, mas que
ele está do seu lado e não vai deixar você ser enganado. Isso porque
você confia tanto na cabeça que aparece falando na sua frente, aquela
que te dá as informações de graça em troca das propagandas que você vê e
das coisas que você compra, que ele só pode ser um trabalhador honesto
como você que nunca lhe faria mal.
Essa cabeça falante está só mostrando a
vida como ela é, você entendeu. Como ele tem uma audiência ao redor, da
qual você faz parte porque quer, afinal, você escolheu tudo isso, você
não pode se queixar de nada. E como deixar de assisti-la seria ridículo
diante dos seus colegas e familiares, você segue firme e forte usando
agora o controle remoto para escolher entre os trezentos generosos
canais de programação que preenchem o vazio mental, o vazio das emoções,
e o vazio da ação que você poderia sentir. Esses canais te dão a
impagável sensação de poder de escolha. Na verdade eles não tem muita
graça, tanto que você troca de canal a cada segundo, mas você não
imagina que possa haver algo além disso para ver, lá fora, na vida.
O aparelho que te dá todas as
informações que você não precisa, mas aceita, afinal, do cavalo dado não
se olham os dentes, tornou sua vida mais fácil. Você já sabe o que está
acontecendo, por mais que na sua vida nada de interessante esteja
acontecendo. Por um segundo, surge a dúvida quanto à qualidade dessa
vida, mas dura pouco porque não se deve sofrer perguntando coisas desse
tipo.
Quem sabe um dia, seja você que possa
estar ali aparecendo e você finalmente exista como aquelas pessoas
todas. Você chega a fantasiar uma coisa dessas enquanto a inveja – essa
fixação no que é visível – se instaura em sua intimidade. Enquanto isso,
basta tentar pensar como elas, sentir o que elas sentem, fazer o que
elas fazem. Eles decidirão o que você vê pensando que tem todo o
direito, afinal de contas, você terceirizou o seu olhar e com ele o
pensamento, a emoção e a ação.
Elas decidirão o que você vê, o que você
compra, o deus no qual você deve crer, as músicas que você vai ouvir.
Decidirão o seu voto e o regime de governo que vai reger a sua vida.
Vão te informar de tudo o que eles acham
importante ou conveniente para controlar a sua vida tirando de você a
sensação angustiante da liberdade.
Só não vão te informar que você ficou
cego. E que eles deveriam pagar uma grande indenização por anos e anos
de assédio cognitivos e moral. Os danos éticos e políticos são
irreparáveis.
Então, quando você perceber que
implantaram no seu corpo um olho de vidro, que essa prótese não vai
resolver o seu problema de visão, mas vai iludir a todos de que você
ainda vê, você não conseguirá mais saber que está diante da tela do
aparelho. Pensará que é a realidade.
Morto há tempos diante da tela,
transformado em um zumbi que não pensa, não sente e não age em nome de
mais nada que não seja a ordem teleguiada recebida, você será chamado de
“vidiota” por alguém que, por algum motivo, ficou longe disso tudo. Mas
porque já não consegue entender nada, você parte pra cima dele com a
única coisa que restou na sua vida subjetiva, ódio barato e
agressividade sem fim.
Márcia Tiburi
Delírio
Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
– Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!
Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.
Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
– Mais abaixo, meu bem! – num frenesi.
No seu ventre pousei a minha boca,
– Mais abaixo, meu bem! – disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci....
Olavo Bilac
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
– Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!
Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.
Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
– Mais abaixo, meu bem! – num frenesi.
No seu ventre pousei a minha boca,
– Mais abaixo, meu bem! – disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci....
Olavo Bilac
O poder ultrajovem
— QUERO LASANHA.
Aquêle anteprojeto de mulher — quatro anos, no máximo, desabrochando
na ultraminissaia — entrou decidido no restaurante. Não precisava de
menu, não precisava de mesa, não precisava de nada. Sabia
perfeitamente o que queria. Queria lasanha.
O pai, que mal acabara de estacionar o carro em uma vaga de milagre,
apareceu para dirigir a operação-jantar, que é, ou era, da
competência dos senhores pais.
— Meu bem, venha
cá.
— Quero lasanha.
— Escute aqui,
querida. Primeiro, escolhe-se a mesa.
— Não, já escolhi.
Lasanha.
Que parada — lia-se na cara do pai. Relutante, a garotinha
condescendeu em sentar-se primeiro, e depois encomendar o prato:
— Vou querer
lasanha.
— Filhinha, por que
não pedimos camarão? Você gosta tanto de camarão.
— Gosto, mas quero
lasanha.
— Eu sei, eu sei
que você adora camarão. A gente pede fritada bem bacana de camarão.
Tá?
— Quero lasanha,
papai. Não quero camarão.
— Vamos fazer uma
coisa. Depois do camarão a gente traça uma lasanha. Que tal?
— Você come camarão
e eu como lasanha.
O garçom aproximou-se, e ela foi logo instruindo:
— Quero uma
lasanha.
O pai corrigiu:
— Traga uma fritada
de camarão pra dois. Caprichada.
A coisinha amuou. Então não podia querer? Queriam querer em nome
dela? Por que é proibido comer lasanha? Essas interrogações também
se liam no seu rosto, pois os lábios mantinham reserva. Quando o
garçom voltou com os pratos e o serviço, ela atacou:
— Môço, tem
lasanha?
— Perfeitamente,
senhorita.
O pai, no contra-ataque:
— O senhor
providenciou a fritada?
— Já, sim, doutor.
— De camarões bem
grandes?
— Daqueles legais,
doutor.
— Bem, então me vê
um chinite, e pra ela... O que é que você quer, meu anjo?
— Uma lasanha.
— Traz um suco de
laranja pra ela.
Com o chopinho e o suco de laranja, veio a famosa fritada de
camarão, que, para surprêsa do restaurante inteiro, interessado no
desenrolar dos acontecimentos, não foi recusada pela senhorita. Ao
contrário, papou-a, e bem. A silenciosa manducação atestava, ainda
uma vez, no mundo, a vitória do mais forte.
— Estava uma coisa,
hem? — comentou o pai, com um sorriso bem alimentado. — Sábado que
vem, a gente repete... Combinado?
— Agora a lasanha,
não é, papai?
— Eu estou
satisfeito. Uns camarões tão geniais! Mas você vai comer mesmo?
— Eu e você, tá?
— Meu amor, eu...
— Tem de me
acompanhar, ouviu? Pede a lasanha.
O pai baixou a cabeça, chamou o garçom, pediu. Aí, um casal, na mesa
vizinha, bateu palmas. O resto da sala acompanhou. O pai não sabia
onde se meter. A garotinha, impassível. Se, na conjuntura, o poder
jovem cambaleia, vem aí, com fôrça total, o poder ultrajovem.
Carlos Drummond de Andrade
Texto extraído do livro “O poder ultra jovem”, Ed. José Olympio – Rio de Janeiro, 1972, pág. 3.
Fábula
Um dos aspectos mais perigosos da aviação é a
aterrissagem. Quanto mais próxima a aeronave está para pousar, maior é o
tráfego aéreo, o clima em solo pode ser muito pior do que a nove mil
metros, e as pistas de pouso podem estar congestionadas. Deste modo, os
pilotos confiam nos controladores de voo para coordenarem todos os
detalhes, para que todos os aviões possam aterrissar sem qualquer
incidente. Sem o controlador de voo, o caos seria certo.
Imagine então, o pânico quando o piloto de um avião
comercial, cheio de passageiros, contatou a torre e não recebeu
resposta. Finalmente, foi descoberto que o controlador de voo estava a
postos, mas dormindo, colocando o piloto, os passageiros e o avião em
grande perigo.
Deus conhece os perigos iminentes e incansavelmente
direcionará o tráfego de sua vida com tranquilidade, pois Deus, o
principal controlador de voo, nunca dorme.
Prof. Menegatti
domingo, 17 de abril de 2016
O "golpe"" e a lei
Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra:
(...)
VI - a lei orçamentária;
(...)
(Constituição Federal)
________________________________
Art. 35. É vedada a realização de operação de crédito entre um ente da Federação, diretamente ou por intermédio de fundo, autarquia, fundação ou empresa estatal dependente, e outro, inclusive suas entidades da administração indireta, ainda que sob a forma de novação, refinanciamento ou postergação de dívida contraída anteriormente.
Art. 36. É proibida a operação de crédito entre uma instituição financeira estatal e o ente da Federação que a controle, na qualidade de beneficiário do empréstimo.
(LEI COMPLEMENTAR Nº 101, DE 4 DE MAIO DE 2000 que
estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providências)
_________________________________
Contratação de operação de crédito
Art. 359-A. Ordenar, autorizar ou realizar operação de crédito, interno ou externo, sem prévia autorização legislativa: (Incluído pela Lei nº 10.028, de 2000)
Pena – reclusão, de 1 (um) a 2 (dois) anos. (Incluído pela Lei nº 10.028, de 2000)
(Código Penal Brasileiro)
Teófilo Júnior
Versículo dia
“Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos pecados de todo o mundo.”
— 1 João 2:2
sábado, 16 de abril de 2016
O mapa
Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo...
(É nem que fosse meu corpo!)
Sinto uma dor esquisita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei...
Há tanta esquina esquisita
Tanta nuança de paredes
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei...)
Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso
Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar
Suave mistério amoroso
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)
E talvez de meu repouso...
Mário Quintana
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo...
(É nem que fosse meu corpo!)
Sinto uma dor esquisita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei...
Há tanta esquina esquisita
Tanta nuança de paredes
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei...)
Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso
Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar
Suave mistério amoroso
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)
E talvez de meu repouso...
Mário Quintana
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