sábado, 25 de fevereiro de 2023

 

Por que não escreveste nunca? Não é de te ler que mais tenho saudade. É o som da aca rasgando o envelope que trazia a tua carta. E sentir, de novo, uma carícia na alma, como se algures estivessem golpeando um cordão umbilical. Engano meu: não há faca, não há carta. Não há parto de nada, nem de ninguém.

Mia Couto
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Matteo Baroni

Para que a memória não se apague

 


 


 foto: Ivan Gallini

 
"Com o tempo, não vamos ficando sozinhos apenas pelos que se foram: vamos ficando sozinhos uns dos outros".

Mário Quintana

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Saúde mental

 "Acabo de saber da existência de um filósofo grego chamado Alcméon, que viveu no século 6 Antes de Cristo e que, certa vez, disse que saúde é o equilíbrio de forças contraditórias. O psicanalista Paulo Sergio Guedes, nosso contemporâneo, reforça a mesma teoria em seu novo livro (A Paixão, Caminhos & Descaminhos, em que ele discute os fundamentos da psicanálise). Escreve Guedes: “A saúde constitui sempre um estado de equilíbrio instável de forças, enquanto a doença traz em si a ilusória sensação de estabilidade e permanência”.

Não sei se entendi direito, mas me pareceu coerente. O sujeito de boa cuca não é aquele que pensa de forma militarizada. Não é o que nunca se contradiz. Não é o cara regido apenas pela lógica e que se agarra firmemente em suas verdades imutáveis. Esse, claro, é o doente.

Do nascimento à morte, há uma longa estrada a ser percorrida. Para atravessá-la, recebemos uma certa munição no reduto familiar, mas nem sempre é a munição que precisávamos: em vez de nos darem conhecimento, nos deram regras rígidas. Em vez de nos ofertarem arte, nos deram apenas futebol e novela. Em vez de nos estimularem a reverenciar a paixão e o encantamento, nos adestraram para ter medo. E lá vamos nós, vestidos com essa camisa-de-força emocional, encarar os dias em total estado de insegurança, desprotegidos para uma guerra que começa já dentro da própria cabeça.

Armados até os dentes contra qualquer instabilidade, como gozar a vida?

A paz que tanto procuramos não está na previsibilidade e na constância, e sim no reconhecimento de que ambas inexistem: nada é previsível nem constante. E isso enlouquece a maioria das pessoas. Quer dizer que não temos poder nenhum? Pois é, nenhum.

É um choque. Mas o segredo está em acostumar-se com a ideia. Só então é que se consegue relaxar e se divertir.

Ou seja, a pessoa de mente saudável é aquela que, sabedora da sua impotência contra as adversidades, não as camufla, e sim as enfrenta, assume a dor que sente, sofre e se reconstrói, e assim ganha experiência para novos embates, sentindo-se protegido apenas pela consciência que tem de si mesmo e do que a cerca – o universo todo, incerto e mágico.

Acho que é isso. Espero que seja isso, pois me parece perfeitamente curável, basta a coragem de se desarmar. O sujeito com a mente confusa é um cara assustado, que se algemou em suas próprias convicções e tenta, sem sucesso, se equilibrar em um pensamento único, sem se movimentar.

Já o sadio baila sobre o precipício. "

Martha Medeiros

 


 



Existem pessoas que tornam nossa caminhada mais significativa... pela companhia, pelo apoio, pelo carinho... e porque nos tornam melhores.


Demoro
a fechar janelas
porque me dói
a vida entre dentro e fora.
 
Mia Couto

 


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

Todos temos nossas dores de estimação.
O que nos diferencia uns dos outros é a capacidade de conviver amigavelmente com elas.

Martha Medeiros


 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023


 “Se você fechar a porta para todos os erros,
a verdade também ficará de fora"

Rabindranath Tagore Imagem: i.pinimg - Pinterest

JULIANO MOREIRA: FACULDADE DE MEDICINA AOS 14 ANOS.


A comovente história de Juliano Moreira, nosso ilustre baiano, que entrou para a Faculdade de Medicina da Bahia, com apenas 14 anos.

 Infelizmente, a brilhante carreira do jovem negro e pobre, que superou todas as adversidades, para realizar seu sonho de ser médico, é desconhecida da maioria dos baianos.
 
Nasceu em Salvador, no ano de 1872. 
 
Tornou-se um dos mais importantes e famosos psiquiatras do Brasil, que procurou humanizar o tratamento dos pacientes.
 
Dois hospitais psiquiátricos, um no Rio de Janeiro e outro em Salvador, levam seu nome.
 
Enfrentou todas as dificuldades da época e o preconceito da elite baiana, ao prestar exames para Medicina.
 
Não se deixou abater pelas críticas e perseguições, Juliano Moreira tornou-se um dos mais brilhantes alunos da faculdade.
 
Filho de uma empregada doméstica, o garoto Juliano prometeu que daria muito orgulho pra sua mãe, formando-se médico.
 
Infelizmente, sua mãe não viu o sonho do filho ser realizado, pois faleceu quando ele tinha 13 anos.
 
O jovem acreditava que a pobreza e a barreira da cor da sua pele seriam obstáculos.
 
E nunca, um impedimento.
 
Recebeu apoio do seu padrinho, e patrão da sua mãe, o Barão de Itapuã, que também era médico.
 
Mas o mérito foi do jovem Juliano.
 
No ano de 1886, ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, com apenas 14 anos.
 
Formou-se médico, aos 19.
 
Defendeu a tese "Sífilis Maligna Precoce".
 
Concluiu o doutorado, aos 22.
 
Fez estágios na área de "doenças mentais", na Alemanha, Inglaterra, França, Itália e Escócia.
 
No Egito, conheceu Augusta Peick, enfermeira alemã, com que casou-se.
 
No ano de 1910, Juliano e Augusta vieram para o Brasil.
 
O doutor baiano foi longe, representando o Brasil em diversos países, como França, Alemanha, Portugal, Itália, Holanda, Inglaterra e Bélgica.
 
Tornou-se professor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.
 
E na instituição de ensino que estudou e foi discriminado, depois de formado, retornou como professor.
Humanizou o tratamento dos pacientes portadores de transtornos mentais, que na época eram "coisificados", ou seja eram tratados como "objetos", sem direito a voz e vez.
 
Diante de tanta resistência por parte dos colegas médicos, Juliano Moreira lutou e conseguiu abolir o aprisionamento dos pacientes com correntes.
 
Acreditava que os portadores de transtornos mentais, eram seres humanos e que precisavam de tratamento mais humanizado.
 
Na época, acreditava-se que a origem dos transtornos mentais estavam ligados à cor de pele dos pacientes.
 
O médico baiano, lutou contra esse tipo de preconceito e combateu racismo "cientifico", tão comum nas universidades da época.
 
Morre em 1933, aos 61 anos.
 
Não vamos permitir que a história do nosso baiano, caia no esquecimento!
 
Adson Brito Do Velho professor e psicólogo.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

 

(...) A desgraça saturou-lhe a alma de dor, como um abscesso maduro, e apresentava-se-lhe claramente, a cada instante, na forma de uma ideia consciente e torturante. [...] todo aquele objetivo de vida que um dia cintilara diante dele numa luz de felicidade se apagou de repente nas trevas eternas.

- Fiódor Dostoiévski em, “ Gente Pobre”
 
"The Misery"- Cristóbal Rojas, 1886

 

 

É preciso vencer os nossos medos e não desistir. Nessa jornada de dificuldades e de quedas, pedir ajuda não é um ato de fraqueza, é um gesto de resistência, perseverança e de coragem. A vida lhe fez um vencedor. Pense nisso.

Assista o vídeo até o final
 
Teófilo Júnior

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

domingo, 19 de fevereiro de 2023

 


 

"...a vida é a espera do que pode ser vivido.“

Mia Couto

sábado, 18 de fevereiro de 2023

 


 

"Esquece todos os poemas que fizeste. 
Que cada poema seja o número um".  
 
Mário Quintana

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

 

"Somos todos mortais, até o primeiro beijo e a segunda taça de vinho."

Eduardo Galeano

Dom Quixote

 

“Sabe, Sancho(…) todas essas tempestades que acontecem conosco são sinais de que em breve o tempo se acalmará; porque não é possível que o bem e o mal durem para sempre, e segue-se que, havendo o mal durado muito tempo, o bem deve estar por perto.”

Miguel de Cervantes, in Dom Quixote de la Mancha

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023