terça-feira, 5 de setembro de 2017

Nacional de Pombal divulga Nota Oficial a Sociedade Esportiva Paraibana

O Nacional Futebol Clube da cidade de Pombal-PB, vem, publicamente por intermédio de sua Diretoria, em face dos lamentáveis e pretéritos acontecimentos ocorridos durante a partida do Nacional de Pombal e o Nacional de Patos, onde a arbitragem, ao arrepio da legislação esportiva, da indiferença a prática do fair play e das regras do Futebol, autorizou, indevidamente, o reinício da partida sem que os jogadores do Nacional de Pombal estivessem em campo, gerando prejuízos incalculáveis a toda a equipe da cidade de Pombal, fato que ganhou repercussão nacional e internacionalmente, inclusive, culminando com o consequente afastamento da equipe de árbitros responsáveis por aquela fatídica partida.

Entrementes, como é sabido, o Nacional Futebol Clube da cidade de Pombal, apesar dos percalços aqui apontados, se classificou meritoriamente e enfrentará na próxima quarta-feira, dia 06 de setembro, pelas quartas de finais do Campeonato Paraibano da 2ª Divisão, a competente equipe da Desportiva Guarabira, jogo que acontecerá no Estádio Sílvio Porto, em Guarabira-PB, confiante sobremaneira na lisura e seriedade da Comissão de Árbitros da Paraíba, notadamente na hombridade e honestidade de todo o trio de árbitros chefiados pelo Sr. Eder Caxias, árbitro central da partida, membro dos quadros da CBF, devotando e reiterando a nossa percepção de que a partida, a partir da escolha dos árbitros, se desenvolverá dentro da prevalência e da estrita observância dos ditames do futebol praticado dentro de campo, sem influências, pressões externas ou alheias às quatro linhas, confiando que o espírito esportivo, a lealdade, honestidade, imparcialidade e a competitividade será o marco central do jogo e que certamente definirá o vencedor. 

Por fim, externamos a nossa maior expectativa de um bom jogo, uma partida séria, leal. “Acreditando que se todas as batalhas dos homens se dessem apenas dentro dos campos de futebol, quão belas seriam as guerras”. 

Atenciosamente,

Diretoria do Nacional Futebol Clube de Pombal

Quem foi Octaviano o Imperador Romano e qual sua importância histórica

A antiga Republica Romana, que durou quase 500 anos (509 a.C. a 27 a.C.), degenerou por completo graças à concentração de poder politico e econômico nas mãos de oligarquias. Um triunvirato militar, composto por três comandantes, passou a liderar 3 territórios distintos até que o líder de um deles venceu os outros: Octaviano, futuro César Augustus. O que fez Octaviano depois de unificar o território? Tornou-se um ditador? Não, ele abriu mão do controle politico e militar e reintroduziu a ordem republicana em todo o território controlado por Roma. Octaviano delegou aos governadores locais o controle dos exércitos das províncias, retornou plenos poderes ao Senado e tribunas, promoveu eleições livres e revitalizou as assembleias. Ao abrir mão do poder totalitário, Octaviano fortaleceu as instituições representativas dos cidadãos e, não muito tempo depois, a lei e a ordem retornaram.

Diferentemente de outros líderes de sua época, a autoridade de Octaviano se fez presente através da virtude. Até aquele momento, o poder executivo na antiga Republica Romana era exercido por dois cônsules, eleitos anualmente pelo Senado. Após obter a permissão do Senado, o líder romano assumiu uma das posições de cônsul em caráter permanente, enquanto a outra vaga continuava a ser eleita pelo senado. É o mesmo sistema adotado pelas monarquias parlamentaristas dos dias de hoje. Contrário à postura do típico déspota, que manipula as instituições para obter maior poder, Octaviano influenciava os senadores romanos a escolherem cônsules republicanos voltados ao fortalecimento das instituições, e não de seu poder pessoal. O que Octaviano queria era mais poder e fortuna? Não, ele sempre teve muito dos dois, tanto que muitas obras públicas foram financiadas diretamente por sua fortuna pessoal. O que movia Octaviano era o mesmo desejo de todo grande estadista da história: estabilidade política com legitimidade em prol do bem comum.

Como o risco de uma guerra civil entre as províncias e contra Roma sempre foi uma constante, um novo poder se fazia necessário como forma de estabilização. O Senado Romano quis dar a Octaviano o poder de Ditador, algo que ele negou. Foi então que o Senado criou o cargo de Imperador, que conferia a Octaviano autoridade militar e poder de intervenção político nas demais esferas políticas, caso fosse necessário. Assim nasce o Império Romano.

Octaviano e os mitos

Contrário ao que vários pensam e divulgam de forma equivocada, do ponto de vista legal o Império Romano foi criado pelas instituições da República Romana, e não por um golpe de Estado militar organizado por um ditador carismático. Outro fato pouco conhecido é que a prosperidade floresceu, e as instituições republicanas e o direito romano avançaram tremendamente, assim como a sua economia e hegemonia política. Outro mito é a questão da sucessão, pois o Império Romano não era hereditário, ou seja, a posição de imperador não era passada de pai para filho. O sucessor de um imperador era sempre aclamado por mérito e, salvo uma única exceção, nunca eram filhos de imperadores. Diferentemente da crença popular, a república romana não desapareceu com o Império Romano, ela apenas reconheceu que precisava de um imperador para defende-la. Em outras palavras, o imperador romano servia a Roma, e não ao contrário.

Milhares de anos depois, o mesmo modelo existente em Roma foi aplicado na maior república do mundo. O cargo do presidente da República nos EUA foi inspirado no modelo romano. O chamado poder moderador, existente no Brasil Império, também nasceu a partir do dispositivo político de Roma. Octaviano foi o primeiro imperador romano e governou por quase 40 anos. Grande estadista, ele influenciou toda uma geração de romanos com seus valores, o que garantiu a longevidade do modelo criado por ele mais de 400 anos. Por que o Império Romano sucumbiu? Pelas mesmas razoes que a antiga República Romana ruiu: concentração de poder politico e econômico das oligarquias.

Essa concentração política e financeira nas mãos de poucos que visam somente seus próprios interesses é o que está acontecendo no Brasil. A mesma doença que matou a República e o Império Romano colocou o Brasil de cama. Ainda é tempo de medicar o doente, mas o pulso do nosso bem comum está cada vez mais fraco. Meu livro “Por que o Brasil é um país atrasado?“ ajuda a explicar esse mal e o que podemos fazer para combate-lo.

Fonte aqui



Digo-lhe que faz mal, que é melhor, muito melhor contentar-se com a realidade; se ela não é brilhante como os sonhos, tem pelo menos a vantagem de existir.


segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Versículos do dia

Certamente ele escarnecerá dos escarnecedores, mas dará graça aos mansos. Provérbios 3:34

E Jesus disse-lhe: Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê.E logo o pai do menino, clamando, com lágrimas, disse: Eu creio, Senhor! ajuda a minha incredulidade. Marcos 9:23,24

Eleições à vista

As eleições suplementares realizadas no último domingo no Amazonas para escolher o substituto do governador cassado mostraram que o povo não é bobo. Num universo de pouco mais de 2 milhões de eleitores, 1 milhão de amazonenses resolveram tomar vergonha na cara e não compareceram às urnas ou, se lá foram, votaram em branco ou nulo. Ou seja, o candidato, embora eleito, perdeu para os que não o querem governador.

De início vamos desmitificar essa crença de que uma eleição é anulada se mais de 50% dos eleitores se abstiverem de votar ou votarem em branco ou nulo. Para o resultado só são computados os votos validos. Assim, no caso do Amazonas aquele milhão de abstenções, votos brancos ou nulos aparentemente não serviram para nada, certo?

Errado; serviram sim e muito. Primeiramente serviram para mostrar que essa coisa de voto obrigatório é uma palhaçada. Igual ao próprio título de eleitor, que sozinho não serve para nada, sequer para votar. Mas os “não votos” serviram principalmente para mostrar aos políticos o grau de insatisfação e descrença que eles conseguiram sozinhos, sem ser necessário quem os ajudasse, arrebanhar junto ao eleitorado. E serviram por fim para retirar do mandato alcançado pelo “eleito” qualquer legitimidade que se pretenda com a tal “consagração nas urnas”. Ou será que um político que teve muito menos votos do que os que sequer votaram ainda terá a cara de pau de se dizer representante do povo? .... Pensando bem, cara de pau é o que não lhes falta.

De minha parte há mais de 5 eleições eu vou a Cabedelo, justifico meu voto e sempre deixo de passar a vergonha que os eleitores constrangidos sofrem quando seus candidatos são flagrados nessas negociatas, alianças espúrias e até roubo. Mas limito meu protesto a esse ato.

Nada a ver com a loucura que meu amigo A disse. Segundo ele, na combinação dos artigos 33 e 121 do Código Penal, se o cidadão eliminar um político corrupto não deve cumprir pena. “- Dr. Marcos, o senhor que é Advogado, me diga mesmo se não é verdade que matar alguém por motivo de relevante valor social ou moral sendo eu primário e de bons antecedentes me daria uma pena máxima de 3 anos em regime aberto? ”

Pelo amor de Deus, até para efeitos do IBAMA (que cuida da preservação de espécies exóticas) não vão matar os políticos; basta não votar neles, quem sabe preservando a espécie em gaiolas ou jaulas?

Marcos Pires
Do Blog do Tião

Dom José e o esquadrão da morte

Lembro-me muito bem da chegada de Dom José Maria Pires a esta capital para assumir o arcebispado da Paraíba. A igrejinha de Santo Antônio, lá no Oitizeiro, a mesma onde Rui Carneiro costumava fazer suas orações todas as vezes que aportava no Estado, foi o ponto de espera. Uma carreata, tendo à frente um jeep sem capota conduzindo o novo chefe da Igreja entre nós, seguiu pelas ruas desta cidade, os fiéis estacionados nas laterais a saudá-lo. Os organizadores da recepção, aos poucos, foram deixando o círculo do poder católico que se instalava. Não rezavam pela cartilha do novo líder. O Palácio do Bispo seria ocupado pelos mais humildes, os injustiçados, os perseguidos. O seu inquilino optara pela Senzala, para desgosto dos donos das Casas Grandes que acabavam de se encastelar no poder, graças à assunção dos militares. Era 1965. 

Dom José, nascido em 15 de março de 1919 no distrito de Córregos, Conceição do Mato, MG, tinha um trabalho pastoral voltado para os desvalidos, o que não agradaria às elites dominantes. Seus sermões foram por vezes gravados e censurados pelo regime de então. Era uma missão que ultrapassaria as nossas fronteiras e, uma palavra ouvida com respeito na CNBB. Os bispos nordestinos o entronizaram na presidência da Comissão Episcopal Regional e os trabalhadores de Alagamar, agradecidos, acataram-no como um deles e o amaram para sempre. Subscritor do Pacto das Catacumbas, firmado por Padres Conciliares que se comprometiam a viver na pobreza e a renunciar aos privilégios do poder, deixou a vivenda nobre da praça Dom Adauto e passou a residir em uma pequena casa defronte ao Cruzeiro, no ádrio de São Francisco.

Foi nessa humilde residência que o procurei em um dia de 1985, a pedido do governador Tarcísio Burity. A Paraíba, naqueles tempos, estava violentada pelo chamado Esquadrão da Morte, um grupo paramilitar que pretendia eliminar notórios criminosos e fazer Justiça com as próprias mãos. Os registros de mortes encomendadas cresceram e, pessoas sem qualquer histórico criminal mas, apenas, por serem testemunhas da ação ilegal dos mascarados de capa e botas pretas, foram, igualmente, condenadas. O pároco de Guarabira, Padre Adelino, tomara para si a tarefa de denunciar os matadores que, segundo era sabido e ninguém tinha coragem de denunciar, eram chefiados por um tenente da Policia Militar, chefe do P2 e seus seguidores, um dos quais, por ironia, chamava-se Pacífico. O padre entrou na lista dos marcados para morrer e foi esse o motivo da minha visita a Dom Jos&ea cute;.

Antes, eu já promovera um encontro entre o padre Adelino, o governador Burity e o secretario Talião, na residência de Bosco Carneiro, em Alagoa Grande, instado pelo advogado Paulo Freire, que me apresentou ao vigário. O governador tomou conhecimento da estratégia do grupo de extermino e lembrou sua experiência anterior, quando enfrentou em Campina Grande outro grupelho que se cognominou de Mão Branca, com os mesmo objetivos daquele que passou a atuar em Guarabira e municípios vizinhos. Prometeu tomar providencias. Dias depois, eu cumpriria missão junto a dom José, como narrei no início. Burity estava informado por fonte da inteligência da Policia Militar que o Padre Adelino estava com os dias contados. Para evitar esse desfecho, teria que deixar o país. Foi o recado que levei a Dom José.

Homem preocupado com o respeito aos direito humanos, chegando a criar um Instituto para essa finalidade, Dom José só tinha a lamentar que durante sua gestão como Arcebispo, surgissem, na Paraíba, esses grupos de extermínios. O governador confessava que não tinha como evitar a morte do padre e se comprometia a custear seu exílio quase voluntário. Dom José compreendeu a situação e conseguiu um curso para padre Adelino em Roma. Dois anos depois, desfeito o Esquadrão da Morte, presos ou foragidos os seus integrantes, Adelino retorna à Paraíba e entra na política. Se elege vereador na Capital e depois deputado. Os militares responsáveis pela morte de mais de quarenta pessoas foram sentenciados a penas que ultrapassavam mais de cem anos. Dom José, que coordenava um esquadrão do bem, deu também seu contributo para eliminar o esquadrão tilde; o do mal. Desde o último domingo, repousa em paz, ao lado do Pai.

Ramalho Leite

domingo, 3 de setembro de 2017

Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.

William Shakespeare

Versículos do dia

E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído. Daniel 7:14

Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; João 1:11,12

Grande são os Desertos - Fernando Pessoa por Paulo Autran

E umas das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi criadora de minha própria vida.

Clarice Lispector

13 linhas para viver

1. Gosto de você não por quem você é, mas por quem sou quando estou contigo.
2. Ninguém merece tuas lágrimas, e quem as merece não te fará chorar.
3. Só porque alguém não te ama como você quer, não significa que este alguém não te ame com todo o seu ser.
4. Um verdadeiro amigo é quem te pega pela mão e te toca o coração.
5. A pior forma de sentir falta de alguém é estar sentado a seu lado e saber que nunca vai poder tê-lo.
6. Nunca deixes de sorrir, nem mesmo quando estiveres triste, porque nunca se sabe quem pode se apaixonar por teu sorriso.
7. Pode ser que você seja somente uma pessoa para o mundo, mas para uma pessoa você seja o mundo.
8. Não passes o tempo com alguém que não esteja disposto a passar o tempo contigo.
9. Quem sabe Deus queira que você conheça muita gente errada antes que conheças a pessoa certa, para que quando afinal conheças esta pessoa saibas estar agradecido.
10. Não chores porque já terminou, sorria porque aconteceu.
11. Sempre haverá gente que te machuque, assim que o que você tem que fazer é seguir confiando e só ser mais cuidadoso em quem você confia duas vezes.
12. Converta-se em uma pessoa melhor e tenha certeza de saber quem você é antes de conhecer alguém e esperar que essa pessoa saiba quem você é.
13. Não se esforce tanto, as melhores coisas acontecem quando menos esperamos.
 

Solidão

Aproximo-me da noite
o silêncio abre os seus panos escuros
e as coisas escorrem
por óleo frio e espesso

Esta deveria ser a hora
em que me recolheria
como um poente
no bater do teu peito
mas a solidão
entra pelos meus vidros
e nas suas enlutadas mãos
solto o meu delírio

É então que surges
com teus passos de menina
os teus sonhos arrumados
como duas tranças nas tuas costas
guiando-me por corredores infinitos
e regressando aos espelhos
onde a vida te encarou

Mas os ruídos da noite
trazem a sua esponja silenciosa
e sem luz e sem tinta
o meu sonho resigna

Longe
os homens afundam-se
com o caju que fermenta
e a onda da madrugada
demora-se de encontro
às rochas do tempo


 Mia Couto

Descoberto pelo Google Earth um impressionante “muro submarino” que cerca todo o planeta!

O Google Earth é um programa computacional que renderiza imagens 3D em alta resolução da terra por meio de capturas por satélite e foi criado pela companhia Keyhole Inc, o qual foi comprado em 2004 pelo Google, que, posteriormente, lançou a versão para celular. O programa mapeia a área e fornece a informação geográfica do local, que pode ser vista em detalhes e em vários ângulos. Você pode usar o Google Earth com o seu mouse, pelo computador, ou pelo aplicativo, disponível tanto para iOs quanto para Android. Pessoas curiosas em todo o mundo, muitas vezes, usam o programa para conhecer e viajar por países sem sair de casa. Sensacional, não é?

Um vídeo publicado no YouTube afirma que há uma parede localizada embaixo dos oceanos da Terra, o qual envolve quase todo o planeta. Alguns especialistas pensam que ela está há milhões de anos ali. A pergunta é: Como chegou ali? Será que é só um erro do Google Earth? É uma parede de tamanho grande, e sua perfeita linearidade indicam que não é uma formação natural. Há várias teorias de como foi construída, mas… por quem?

Fonte aqui






Para que tanto orgulho?

Um príncipe, orgulhoso da sua realeza, foi certo dia caçar e a certa altura, viu um velho eremita, sentado diante de sua gruta, segurando uma caveira nas mãos.

Indignado por não lhe ter o velho dado a menor atenção, o príncipe aproximou-se dele, e disse-lhe: - Levanta-te quando por ti passa o teu senhor! Que podes ver de tão interessante nessa caveira, que chegas a te abstrair da passagem de um príncipe?

O eremita respondeu em voz mansa. – Perdoe-me, senhor. Eu estava procurando descobrir se esta caveira pertenceu a um mendigo ou a um príncipe. Eu não saberia dizer se devia levantar-me ou conservar-me sentado diante daquele que em vida foi o dono deste crânio anônimo.

Prof. Menegatti 

sábado, 2 de setembro de 2017


A arte da leitura

As contas de somar e de multiplicar são o único exemplo, em todo o Universo, de uma situação em que “a ordem dos fatores não altera o produto”.  (Ok, sei que não são o único, mas é de outra coisa que vou falar, isto aqui é mero pretexto.)

Se você estuda literatura, cinema, teatro, quadrinhos, qualquer arte narrativa, você aprende que “a ordem dos fatores é a principal maneira de alterar o produto”, sendo “produto” no caso a impressão produzida na mente do público.

Ordem é tudo. Não “ordem” no sentido de “coisa organizada, toda arrumadinha, sem mexer uma pestana”. Ordem no sentido da “sucessão temporal das experiências”: a sucessão das palavras, dos sons, das imagens.

As escolas de cinema mostram aos alunos o Experimento Kulechov, de um cineasta russo. Ele pegou o mesmíssimo plano de um ator e o mostrou a três turmas. Na primeira, após a imagem do ator vinha a de um prato de comida. Na segunda, um revólver. Na terceira, uma criança brincando. Os três grupos descreveram a expressão do ator (que, aliás, tinha sido filmado sem olhar para nada específico) como de “fome”, “ameaça” e “ternura”.  (Os numerosos relatos sobre o experimento mudam sempre os exemplos – mas o princípio é o mesmo.)

Toda a teoria de montagem nasceu dessa teoria da justaposição e sequência dos planos.  Desde os pioneiros do cinema norte-americano como Griffith e Chaplin, até a vanguarda russa, o expressionismo alemão, todo o alicerce do cinema nasceu desse princípio básico.

Toda narração, e por extensão toda sequência, é uma sintaxe. O que vem antes influencia o que vem depois.

Alguem há de lembrar o famoso Capítulo XXXIII das Memórias Póstumas de Brás Cubas, onde Machado de Assis faz o seu narrador conhecer uma jovenzinha linda, Eugênia – linda e vivendo seus últimos anos de inocência, inocência da qual o valoroso Brás a ajuda a se desvencilhar. Acontece que Eugênia é coxa de uma perna, o que leva o narrador, enquanto lhe desfruta de leve os atributos, a chamá-la de “Vênus Manca”, e a se consumir em filosofias insones:

O pior é que era coxa. Uns olhos tão lúcidos, uma boca tão fresca, uma compostura tão senhoril; e coxa! Esse contraste faria suspeitar que a natureza é às vezes um imenso escárnio. Por que bonita, se coxa? por que coxa, se bonita? Tal era a pergunta que eu vinha fazendo a mim mesmo ao voltar para casa, de noite, sem atinar com a solução do enigma. 

Como sempre, a arte de Machado está na maneira de arrumar verbalmente os fatos e as idéias. “Por que bonita, se coxa? Por que coxa, se bonita?”. 

A primeira pergunta nos faz pensar: “Que diabos, por que desperdiçar beleza numa criatura que puxa duma perna? Por que a Natureza ou a Providência Divina não a fizeram logo feia, para que nós, os rapazes sedutores que vivem de rendas, sem trabalhar, não perdêssemos tempo tentar roubar-lhe um beijo, e o que vem depois do beijo?”

Mas Brás Cubas, sem conseguir pegar no sono, também pensa: “Por que coxa, se bonita?” Se a menina é bonita, a boniteza talvez lhe seja um atributo mais essencial, mais genético, do que o defeito físico. Por que então, Senhor, dar a ela essa marca de Caim, esse argueiro que impede a apreciação tranquila da beleza? Por que obrigar, com esse defeito, que o próprio Brás Cubas, tão disposto a conquistas, se demorasse nesta apenas um fim de semana?

O que vem antes influi, condiciona, impõe um viés ao que vem depois, e que será necessariamente assimilado à luz do que foi lido primeiro.

Um conhecido poema de Bertolt Brecht usa esse recursos para nos fazer pensar na contradição insolúvel entre as soluções individuais para problemas coletivos e as soluções coletivas para problemas individuais. (A tradução é minha, da versão inglesa de George Rapp).

UMA CAMA PARA PASSAR A NOITE

Ouvi dizer que em Nova York
na esquina da Rua 26 com a Broadway
há um homem que fica, durante os meses do inverno,
pedindo aos transeuntes que passam por ali
um lugar para os sem-teto dormirem.

Isso não vai mudar o mundo.
Isso não vai melhorar as relações entre os homens.
Isso não vai abreviar a era da exploração;
mas
alguns homens vão ter uma cama onde passar a noite;
naquela noite, pelo menos, o vento não vai maltratá-los,
e a neve destinada a eles vai cair na calçada vazia.

Não abaixe o livro quando ler isto, leitor.

Alguns homens vão ter onde passar a noite;
naquela noite, pelo menos, o vento não vai maltratá-los,
e a neve destinada a eles vai cair na calçada vazia;
mas
isso não vai mudar o mundo.
Isso não vai melhorar as relações entre os homens.
Isso não vai abreviar a era da exploração.

Lendo isso, ficamos como os fantasmas de Tim Powers, que se deixam hipnotizar por palíndromos porque não conseguem parar de lê-los da frente pra trás e de trás pra frente.

O otimismo da solução individual (estrofe 2) nos anima, porque somos indivíduos, e quem já dormiu ao relento em noite fria porque não tinha opção sabe o quanto é importante ter um lugar quente onde dormir numa noite de inverno.


O pessimismo da ausência de solução coletiva (estrofe 4) também nos anima, porque há indivíduos que, quando conseguem finalmente um lugar quente onde dormir numa noite de inverno, deitam-se, cobrem-se com a manta, apagam a luz, aconchegam-se ao travesseiro, mas nesse instante abrem os olhos e pensam: “E os outros?”. 
 
Bráulio Tavares 
Mundo Fantasmo