sábado, 26 de maio de 2018
Humor
Um matemático estava a caminho de uma conferência, quando o seu motorista comentou:
- Patrão, já ouvi tantas vezes a sua palestra que tenho certeza de que poderia fazê-la no seu lugar.
- Isso é impossível!
- Quer apostar?
E fizeram a aposta! Trocaram de roupa e, quando chegaram no local da
conferência, o motorista foi para a tribuna enquanto o matemático
instalou-se na última fila, como se fosse seu motorista.
Depois da palestra, começou a sessão de perguntas, que ele respondeu
com precisão. No final, levantou-se um sujeito que apresentou uma
questão dificílima. Com muita calma, ele respondeu:
- Meu jovem, essa pergunta é tão fácil... mas, tão fácil... que vou pedir para o meu motorista responder!
Ecos D'Alma
Oh! madrugada de ilusões, santíssima,
Sombra perdida lá do meu Passado,
Vinde entornar a clâmide puríssima
Da luz que fulge no ideal sagrado!
Longe das tristes noites tumulares
Quem me dera viver entre quimeras,
Por entre o resplendor das Primaveras
Oh! madrugada azul dos meus sonhares.
Mas quando vibrar a última balada
Da tarde e se calar a passarada
Na bruma sepulcral que o céu embaça
Quem me dera morrer então risonho
Fitando a nebulosa do meu sonho
E a Via-Látea da Ilusão que passa!
Augusto dos Anjos
Sombra perdida lá do meu Passado,
Vinde entornar a clâmide puríssima
Da luz que fulge no ideal sagrado!
Longe das tristes noites tumulares
Quem me dera viver entre quimeras,
Por entre o resplendor das Primaveras
Oh! madrugada azul dos meus sonhares.
Mas quando vibrar a última balada
Da tarde e se calar a passarada
Na bruma sepulcral que o céu embaça
Quem me dera morrer então risonho
Fitando a nebulosa do meu sonho
E a Via-Látea da Ilusão que passa!
Augusto dos Anjos
sexta-feira, 25 de maio de 2018
As coisas
O encanto
sobrenatural
que há
nas coisas da Natureza!
No entanto, amiga,
se nelas algo te dá
encanto ou medo,
não me digas que seja feia
ou má,
é, acaso, singular...
E deixa-me dizer-te em segredo
um dos grandes segredos do mundo:
- é simplesmente porque
não houve nunca quem lhes desse ao menos
um segundo
olhar!
Mário Quintana
Fonte: aqui
sobrenatural
que há
nas coisas da Natureza!
No entanto, amiga,
se nelas algo te dá
encanto ou medo,
não me digas que seja feia
ou má,
é, acaso, singular...
E deixa-me dizer-te em segredo
um dos grandes segredos do mundo:
- é simplesmente porque
não houve nunca quem lhes desse ao menos
um segundo
olhar!
Mário Quintana
Fonte: aqui
Versículos do dia
Haveria coisa alguma difícil ao Senhor? Ao tempo determinado tornarei a ti por este tempo da vida, e Sara terá um filho.
Não rejeiteis, pois, a vossa confiança, que tem grande e avultado galardão.
Interventor chega à FPF e Amadeu Rodrigues é oficialmente afastado
A espera pelo interventor da
Federação Paraibana de Futebol acabou. Na tarde desta quinta-feira (17),
o advogado Flavio Boson Gambogi chegou acompanhado de um grupo de
pessoas que estarão junto com ele durante este período. Foi ele mesmo
que notificou oficialmente o afastamento do presidente Amadeu Rodrigues,
que foi o responsável por recebê-lo em João Pessoa, acompanhado do
diretor executivo Eduardo Araújo e do advogado Hilton Souto Maior.
No grupo que ficará na FPF por um período inicial de 30 dias estão
Rômulo Fernandes (especialista em finanças), Ricardo Almeida
(arbitragem), Ricardo Bretas (governança), além da jornalista Fernanda
Coimbra.
Sem falar oficialmente com a imprensa, Flavio disse poucas palavras e adiantou que a missão é restabelecer o curso normal da entidade paraibana.
– O único objetivo nosso é ajudar a Federação Paraibana a sair
desta crise. Precisamos conversar com todos, desde funcionários até os
diretores, para entendermos o que de fato está acontecendo – resumiu.
Na segunda-feira (14), através de nota enviada à imprensa, a Comissão
de Ética do Futebol Brasileiro, órgão representativo da Confederação
Brasileira de Futebol, anunciou o afastamento de Amadeu Rodrigues do
cargo de presidente da FPF, por suposto envolvimento com esquemas de
compras de árbitros e manipulação de resultados. Detalhes das investigações foram divulgados no domingo (13), em matéria do Correio da Paraíba.
No mesmo dia em que foi afastado, Amadeu convocou uma coletiva e leu uma
carta ao lado dos seus advogados, mas não respondeu os questionamentos
da imprensa.
O mandatário afastado se limitou a falar sobre as conquistas da FPF sob o
seu comando e deixou que os advogados da Federação respondessem as
perguntas da coletiva.
– Quem errou que pague. Não tomamos qualquer atitude com intuito de
ludibriar instituições ou pessoas. Aos que pedem minha renúncia, digo
que continuarei lutando pelo futebol e provarei a minha inocência – disse Amadeu, durante a leitura da carta.
Do Voz da Torcida com Correio da Paraíba.
A vaquinha do Corinthians na Venezuela
Jogadores e funcionários do Corinthians fizeram uma vaquinha e
arrecadaram cerca de 3.000 dólares para os funcionários do hotel em que
estão hospedados em Barquisimeto, na Venezuela, informa o Globo Esporte.
Hoje à noite, o time paulista enfrenta o Deportivo Lara em jogo da Libertadores.
“Foi uma ação que partiu dos atletas, que perceberam as
dificuldades dessas pessoas. Todo mundo ajudou com o que pôde. Para se
ter uma ideia, o salário mínimo na Venezuela é de aproximadamente 3
dólares por mês. Eles levariam décadas para ganhar esse valor”, disse o diretor-adjunto de futebol do clube, Jorge Kalil.
O Grêmio –que jogou contra outro time venezuelano, o Monagas, na
terça-feira– também fez doações aos funcionários do hotel em que se
hospedou.
O Antagonista
Carpe Diem é uma frase em latim de um poema de
Horácio, e é popularmente traduzida para colha o dia ou aproveite o
momento. É também utilizada como uma expressão para solicitar que se
evite gastar o tempo com coisas inúteis ou como uma justificativa para o
prazer imediato, sem medo do futuro.
Vindo da decadência do
império Romano o termo Carpe diem era dito para retratar o “cada um por
si”, devido o império estar se desfazendo, naquele momento a visão de
que cada dia poderia ser realmente o último era retratado pela frase que
hoje é utilizada como uma coisa boa, porém sua origem vem do desespero
da destruição de um grande império antigo.
No filme “A Sociedade dos Poetas Mortos”, o personagem de Robin Williams, Professor Keating, utiliza-a assim:
“Mas
se você escutar bem de perto, você pode ouvi-los sussurrar o seu
legado. Vá em frente, abaixe-se. Escute, está ouvindo? – Carpe – ouve? –
Carpe, carpe diem, colham o dia garotos, tornem extraordinárias as suas
vidas.”
O poema relacionado à ideia de Carpe Diem, de autoria de Walt Whitman, utilizado como mote no filme:
Aproveita o dia (Walt Whitman)
Aproveita o dia,
Não deixes que termine sem teres crescido um pouco.
Sem teres sido feliz, sem teres alimentado teus sonhos.
Não te deixes vencer pelo desalento.
Não permitas que alguém te negue o direito de expressar-te, que é quase um dever.
Não abandones tua ânsia de fazer de tua vida algo extraordinário.
Não deixes de crer que as palavras e as poesias sim podem mudar o mundo.
Porque passe o que passar, nossa essência continuará intacta.
Somos seres humanos cheios de paixão.
A vida é deserto e oásis.
Nos derruba, nos lastima, nos ensina, nos converte em protagonistas de nossa própria história.
Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua, tu podes trocar uma estrofe.
Não deixes nunca de sonhar, porque só nos sonhos pode ser livre o homem.
Não caias no pior dos erros: o silêncio.
A maioria vive num silêncio espantoso. Não te resignes, e nem fujas.
Valorize a beleza das coisas simples, se pode fazer poesia bela, sobre as pequenas coisas.
Não atraiçoes tuas crenças.
Todos necessitamos de aceitação, mas não podemos remar contra nós mesmos.
Isso transforma a vida em um inferno.
Desfruta o pânico que provoca ter a vida toda a diante.
Procures vivê-la intensamente sem mediocridades.
Pensa que em ti está o futuro, e encara a tarefa com orgulho e sem medo.
Aprendes com quem pode ensinar-te as experiências daqueles que nos precederam.
Não permitas que a vida se passe sem teres vivido…
Não deixes que termine sem teres crescido um pouco.
Sem teres sido feliz, sem teres alimentado teus sonhos.
Não te deixes vencer pelo desalento.
Não permitas que alguém te negue o direito de expressar-te, que é quase um dever.
Não abandones tua ânsia de fazer de tua vida algo extraordinário.
Não deixes de crer que as palavras e as poesias sim podem mudar o mundo.
Porque passe o que passar, nossa essência continuará intacta.
Somos seres humanos cheios de paixão.
A vida é deserto e oásis.
Nos derruba, nos lastima, nos ensina, nos converte em protagonistas de nossa própria história.
Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua, tu podes trocar uma estrofe.
Não deixes nunca de sonhar, porque só nos sonhos pode ser livre o homem.
Não caias no pior dos erros: o silêncio.
A maioria vive num silêncio espantoso. Não te resignes, e nem fujas.
Valorize a beleza das coisas simples, se pode fazer poesia bela, sobre as pequenas coisas.
Não atraiçoes tuas crenças.
Todos necessitamos de aceitação, mas não podemos remar contra nós mesmos.
Isso transforma a vida em um inferno.
Desfruta o pânico que provoca ter a vida toda a diante.
Procures vivê-la intensamente sem mediocridades.
Pensa que em ti está o futuro, e encara a tarefa com orgulho e sem medo.
Aprendes com quem pode ensinar-te as experiências daqueles que nos precederam.
Não permitas que a vida se passe sem teres vivido…
Walter Whitman (1819 – 1892) foi um jornalista, ensaísta e poeta americano considerado o “pai do verso livre” e o grande poeta da revolução americana.
quinta-feira, 24 de maio de 2018
Holanda enfrenta 'crise penitenciária': sobram celas, faltam condenados
Enquanto a maioria dos países do
mundo enfrenta problemas de superlotação no sistema carcerário, a
Holanda vive a situação oposta: gente de menos para trancafiar. Nos
últimos anos, 19 prisões foram fechadas e mais deverão ser desativadas
em 2017, obedecendo a um decréscimo agudo da população carcerária. Mas
há quem veja nisso um problema.
O cheiro de cebolas fritas deixa a
cozinha e se espalha pelo pavilhão. Detentos estão preparando o jantar.
Um deles, usando uma longa faca, corta legumes.
"Tive seis anos de treino, então só posso melhorar", brinca ele.
O prisioneiro fala alto, porque a faca está presa a uma longa corrente presa à bancada em que trabalha.
"Eles
não podem carregar a faca por aí", explica Jan Roelof van der Spoel,
vice-diretor da prisão de segurança máxima de Norgerhaven, no norte da
Holanda, que tem capacidade para 243 detentos.
"Mas os detentos podem pegar emprestadas pequenas facas de cozinha.
Para isso, precisam deixar conosco sua identificação para que possamos
saber quem está com o que".
Alguns dos homens em Norgerhaven
cumprem sentenças por crimes violentos, então pode parecer algo perigoso
deixá-los andar com facas pela prisão. Mas as aulas de culinária fazem
parte das iniciativas de reabilitação dos detentos.
"Aqui na Holanda, nós olhamos para o indivíduo. Se alguém tem um
problema com drogas, tratamos o vício. Se é agressivo, providenciamos
gestão da raiva. Se tem dívidas, oferecemos consultoria de finanças.
Tentamos remover o que realmente causou seu crime. É claro que o detento
ou a detenta precisam querer mudar, mas nosso método tem sido bastante
eficaz", explica Van der Spoel.
O diretor acrescenta que alguns
reincidentes normalmente recebem sentenças de dois anos e programas
personalizados de reabilitação. Menos de 10% voltam à prisão. Em países
como Reino Unido e EUA, por exemplo, cerca de 50% dos detentos cumprindo
pequenas penas voltam a ser presos nos primeiros dois anos após a
libertação (no Brasil, diversos estudos estimam que a taxa geral de
reincidência é de 70%).
Norgerhaven fica na cidade de Veenhuizen, onde também está situada
outra prisão de segurança máxima - Esserheem. Ambas contam com bastante
espaço. O pátio é do tamanho de quatro campos de futebol e têm
carvalhos, mesas de piquenique e redes vôlei.
Van der Spoel conta
que o ar fresco reduz o estresse tanto para detentos quanto guardas.
Detentos podem andar "a vontade por áreas comuns como biblioteca,
departamento médico e cantina, e essa autonomia os ajuda na readaptação à
vida em liberdade.
Não poderia ser uma situação mais diferente de 10 anos atrás, quando a
Holanda tinha uma das maiores populações carcerárias da Europa. Hoje, a
proporção é de 57 pessoas por cada 100 mil habitantes, comparada a 148
por 100 mil no Reino Unido e 193 no Brasil.
Mas os programas de
reabilitação não são a única razão para o declínio de 43% no número de
pessoas atrás das grades na Holanda - que era de 14.468 em 2005 e caiu
para 8.245 em 2015.
O ano de 2005, por sinal, foi o auge da
população carcerária e especialistas acreditam que o salto se deu ao
aumento na segurança do principal aeroporto de Amsterdã e a consequente
explosão na prisão de "mulas" carregando cocaína. Mas, como explica
Pauline Schuyt, professora de direito criminal, a polícia mudou suas
prioridades.
"Eles mudaram o foco das drogas para concentrar esforços no combate ao tráfico humano e ao terrorismo", explica.
Juízes
holandeses também vêm aplicando cada vez mais penas alternativas à
prisão, como trabalhos comunitários, multas e monitoramento eletrônico.
A diretora do serviço penitenciário da Holanda, Angeline van Dijk,
diz que o encarceramento tem se tornado algo mais aplicado para casos de
criminosos de alta periculosidade ou para detentos em situação
vulnerável, que podem se beneficiar dos programas disponíveis.
"Às
vezes é melhor que pessoas fiquem em seus empregos e suas famílias, e
que cumpram a pena de outra forma", explica Van Dijk.
"Como temos penas mais curtas e uma taxa de criminalidade em queda, isso está levando a celas vazias".
Oficialmente,
crimes caíram 25% na Holanda desde 2008, mas há quem alegue que isso é
resultado de maiores problemas em registrar queixas - um efeito
colateral do fechamento de delegacias, como parte de pacotes de cortes
de gastos públicos.
Ex-diretora de prisão e hoje porta-voz para assuntos de Justiça do
partido de oposição Apelo Democrático Cristão, Madeleine Van Toorenburg
diz que a escassez de prisioneiros está ligada a uma espécie de
impunidade.
"A polícia está sobrecarregada e não consegue lidar com seu trabalho. A resposta do governo é fechar prisões", critica.
E
agentes penitenciários tampouco se dizem satisfeitos com o que chamam
de instabilidade profissional. Frans Carbo, líder sindical, diz que
agentes estão frustrados e que a presente situação desestimula a
renovação da força de trabalho.
"Os jovens não querem trabalhar
no sistema penitenciário porque não há mais futuro na profissão. Você
nunca sabe quando sua prisão será fechada".
As prisões desativadas
são normalmente convertidas em centros de triagem para refugiados e
oferecem uma oportunidade de trabalho para guardas que perderam o
emprego. Mas uma unidade nas imediações de Amsterdã foi convertida em um
hotel de luxo.
Outra solução encontrada pelo governo para lidar com celas ociosas
foi alugar espaço para prisioneiros de países com problemas de lotação,
como a vizinha Bélgica e a Noruega.
Norgerhaven, por exemplo,
recebe prisioneiros noruegueses, a mesma nacionalidade do novo diretor
da unidade Karl Hillesland. Mas os guardas são todos holandeses. O
curioso é que o sistema penal norueguês é mais liberal que o holandês.
Prisioneiros podem dar entrevistas e assistir aos DVDs que quiserem,
porque o princípio básico é do da normalização - a vida na prisão deve
ser o máximo possível parecida com a do mundo lá fora para ajudar a
reintegração.
"Fazemos as coisas de maneiras diferentes. Aqui (na Holanda), tomamos
ações disciplinares assim que um prisioneiro quebra as regras, ao passo
que os noruegueses primeiro abrem inquérito e depois tomam
providências. Esse estilo confundiu os guardas no começo", diz Van der
Spoel.
"Mas, no geral, compartilhamos os mesmos valores básicos sobre como administrar uma prisão", diz Hillesland.
O
diretor diz que alguns prisioneiros do sistema norueguês foram
transferidos unilateralmente para a Holanda, mas que a maioria se
voluntariou porque artigos como tabaco, por exemplo, são mais baratos na
Holanda.
Mas a transferência criou problemas para parentes, que precisam
custear do próprio bolso visitas à prisão - o que pode custar mais de R$
2 mil em passagem aérea e acomodação. Por isso, Norgerhaven hoje contra
com uma "sala de Skype". Mas a maioria dos prisioneiros "importados" é
composta de estrangeiros que jã não viam suas famílias em pessoas quando
estavam atrás das grades na Noruega.
O operário polonês Michael é
um exemplo. Ele usa a internet para ver a esposa e os quatro filhos,
algo que não tinha na Noruega - os parentes estão na Polônia.
"Minha
mulher está ocupada com a tarefa de cuidar das crianças e o trabalho.
Então optei por vir para esta prisão para que não apenas ouvisse a voz
da minha família. É difícil (controlar a emoção) depois de falar com
eles, mas é melhor que nada", explica Michael.
Veenhuizen também
esconde um passado sombrio e bem menos progressista que o do atual
sistema penitenciário: um reformatório que ficou conhecido como a
"Sibéria Holandesa" e que foi usado para a internação forçada de
mendigos, órfãos e outros marginalizados no século 19. E que funcionou
até os anos 70.
De acordo com demógrafos, pelo menos um milhão
dos 17 milhões de holandeses hoje vivos descende de alguém "exilado" em
Veenhuizen.
Hoje, o prédio do reformatório abriga o Museu Penitenciário.
BBC Brasil
Como D. Pedro II salvou o telefone
Ninguém queria saber de Graham Bell antes do imperador aparecer
RETROTECH
É quase folclórica a história de como nosso bonachão imperador se
aproximou do estande de Alexander Graham Bell, testou um aparelho e
exclamou “Meu Deus, isto fala!”. O que pouca gente sabe é que isso foi
uma imensa mão para o inventor. Era a Exibição Internacional Centenária,
na Filadélfia, em 1876, e o telefone estava concorrendo, entre outras
coisas, com a lâmpada elétrica, um telégrafo musical, a máquina de
escrever e o ketchup Heinz.
Ninguém tinha ouvido falar de Bell, e seu estande acumulava poeira. Ninguém com exceção de dom Pedro, que o cumprimentou efusivamente, em bom inglês. Dias antes, ele havia atendido a uma aula sua na Universidade de Boston. O brasileiro teve a honra de ligar o motor a vapor que provia eletricidade para a exposição - o que dá uma ideia de seu prestígio. O que fez tirou Bell da sombra.
Com a amizade, menos de um ano depois, o Brasil se tornaria o segundo país do mundo a ter telefone, primeiro ligando a residência imperial às dos ministros de Estado. O elegante aparelho do imperador, cuja réplica está no Museu das Telecomunicações do Rio de Janeiro, era bem diferente do que se entende por telefone hoje. E nem era um só. Em 1878, não haviam nem inventado a telefonista ainda, muito menos o disco. As linhas eram instaladas de ponto a ponto, e um aparelho se comunicava apenas e diretamente com outro. Assim, o imperador tinha um aparelho para cada ministro. O telefone tinha uma grande bateria para as ligações, mas isso não provia energia suficiente para a campainha – por isso havia uma manivela conectada a um magneto, que acionava o sino do outro lado.
E esse aparelho primitivo já era uma grande evolução em relação ao que dom Pedro havia visto nos Estados Unidos. Os primeiros telefones comerciais, que não chegaram ao Brasil, eram só uma caixa com uma única saída, que servia tanto de fone quanto microfone. O usuário gritava no buraco e punha o ouvido depois, para ouvir a resposta. Também não tinha campainha – o grito era o “toque de chamada”.
A central telefônica – e as telefonistas – chegaria em 1879, permitindo com que se falasse com qualquer outro aparelho. A ideia de passar o emprego às mulheres também havia surgido nos primeiros meses da telefonia – telegrafistas homens, com experiência, foram contratados primeiro. Mas, como estavam acostumados a só se comunicar por escrito, eram informais demais, usavam linguajar impróprio e faziam piadinhas.
Fábio Marton
aventurasnahistoria.uol.com.br
Ninguém tinha ouvido falar de Bell, e seu estande acumulava poeira. Ninguém com exceção de dom Pedro, que o cumprimentou efusivamente, em bom inglês. Dias antes, ele havia atendido a uma aula sua na Universidade de Boston. O brasileiro teve a honra de ligar o motor a vapor que provia eletricidade para a exposição - o que dá uma ideia de seu prestígio. O que fez tirou Bell da sombra.
Com a amizade, menos de um ano depois, o Brasil se tornaria o segundo país do mundo a ter telefone, primeiro ligando a residência imperial às dos ministros de Estado. O elegante aparelho do imperador, cuja réplica está no Museu das Telecomunicações do Rio de Janeiro, era bem diferente do que se entende por telefone hoje. E nem era um só. Em 1878, não haviam nem inventado a telefonista ainda, muito menos o disco. As linhas eram instaladas de ponto a ponto, e um aparelho se comunicava apenas e diretamente com outro. Assim, o imperador tinha um aparelho para cada ministro. O telefone tinha uma grande bateria para as ligações, mas isso não provia energia suficiente para a campainha – por isso havia uma manivela conectada a um magneto, que acionava o sino do outro lado.
E esse aparelho primitivo já era uma grande evolução em relação ao que dom Pedro havia visto nos Estados Unidos. Os primeiros telefones comerciais, que não chegaram ao Brasil, eram só uma caixa com uma única saída, que servia tanto de fone quanto microfone. O usuário gritava no buraco e punha o ouvido depois, para ouvir a resposta. Também não tinha campainha – o grito era o “toque de chamada”.
A central telefônica – e as telefonistas – chegaria em 1879, permitindo com que se falasse com qualquer outro aparelho. A ideia de passar o emprego às mulheres também havia surgido nos primeiros meses da telefonia – telegrafistas homens, com experiência, foram contratados primeiro. Mas, como estavam acostumados a só se comunicar por escrito, eram informais demais, usavam linguajar impróprio e faziam piadinhas.
Fábio Marton
aventurasnahistoria.uol.com.br
quarta-feira, 23 de maio de 2018
“Não basta o que a vida ensina, pois
como mestra a vida ensina mal: é demorada, insuficiente, especula com os
dados de seu interesse imediato e muito se inclina a acomodar-se. Ela
por si não larga segredos. O fundamental consiste em que cada um aprenda
como as coisas são. Nesse aprendizado, sucessão de atos de coragem e
dureza, principalmente coragem de fechar as portas ao erro que foi
verdade, encontra-se a justificativa mais ilustre da existência humana”.
Carlos Drummond de Andrade
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