sábado, 17 de fevereiro de 2018

A vontade é impotente perante o que está para trás dela. Não poder destruir o tempo, nem a avidez transbordante do tempo, é a angústia mais solitária da vontade.

Friedrich Nietzsche

"A Pátria, a honra, a liberdade...Nada disso!!: O Universo gira em torno de par de nádegas e isso é tudo..." 

Jean-Paul Sartre

"Tentar descrever os grandes enigmas da vida torna a experiência menos bela". 

 (Rubem Alves na revista Psique Ciência & Vida)

Elogio ao amor

Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.
Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido....Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem.

A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.

Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.

O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.

Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.

A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira.

E valê-la também.

Miguel Esteves Cardoso 

As épocas são mais inteligentes ou menos inteligentes. 
Mais sóbrias ou menos nobres, 
românticas ou cínicas, 
perversas ou heroicas, etc. etc. 
Nos coube por fatalidade uma das épocas débeis mentais
 e das mais espantosas da história. 
Há uma debilidade mental difusa, 
volatizada, atmosférica. 
Nós a respiramos.
 Isso aqui e em todos os idiomas. 
É um fenômeno internacional tão nítido,
 tão profundo, que não cabe nenhuma dúvida,
 não cabe nenhum sofisma.
E acontece, então, esta coisa nunca vista: 
Todos agem e reagem como imbecis. 
Não que o sejam, absolutamente. 
Muitos são inteligentes, sábios, clarividentes; 
e tem um nobilíssimo caráter,
 e uma fina sensibilidade,
 e uma alma de superior qualidade. 
Mas num mundo de débeis mentais, 
temos de imitá-los. 
Não sei se me entendem.
 Mas para viver, para sobreviver,
 para coexistir com os demais, 
o sujeito precisa ir ao fundo do quintal 
e lá enterrar todo o seu íntimo tesouro.
 
Nelson Rodrigues 
Não guardo nem dinheiro, vou guardar rancor e mágoas?
Descobri coisas deliciosas a meu respeito, como por exemplo, 
uma pessoa superficial e de mentira jamais aguentaria ficar perto de mim

Eles me rotularam, me analisaram,
 jogaram mil complexos em cima de mim, problemas,
 introjeções, fugas, neuroses, recalques, traumas...
Nenhuma luta haverá jamais de me embrutecer, 
nenhum cotidiano será tão pesado a ponto de me esmagar, 
nenhuma carga me fará baixar a cabeça. 
Quero ser diferente.
 Eu sou. 
E se não for, me farei.
Então vem, amor. 
Me completa. 
Me mostre que se importa.
 Cuida de mim. 
Me beije e me envolva nos teus braços.

(...) me poupe do trabalho de adivinhar seus pensamentos.
 Diga que me quer apenas quando for verdade. 
Eu não vou te pedir nada. 
Não vou te cobrar aquilo que você não pode me dar.

Não é que pensei outra coisa de gente grande?
 Esta é assim: 
tudo que parece meio bobo é sempre muito bonito, 
porque não tem complicação.
 Coisa simples é lindo. 
E existe muito pouco.

Odeio circos. 
Aliás odeio tudo que me encanta e depois vai embora.

É hora de fazer tudo o que sempre quis. 
E é maravilhoso ver que tudo o que sempre quis é simples, 
belo, acessível, fácil e do bem.
Hoje acordei pra viver, levantar e seguir em frente.

Depois que comecei a cuidar do jardim aprendi tanta coisa,
 uma delas é que não se deve decretar a morte de um girassol antes do tempo. 
E que as plantas sentem dor, que nem a gente.

E eu acredito no mecanismo do infinito,
 fazendo com que tudo aconteça na hora exata.

Preciso de segurança, de amor, 
de compreensão, de atenção, 
de alguém que sente comigo e fale: 
"Calma, eu estou com você".

Caio Fernando Abreu
Quem mata o tempo não é um assassino, é um suicida.

Millôr Fernandes

Brasil fica em penúltimo em pesquisa sobre simpatia de vendedores

Pesquisa aponta que 79% dos funcionários sorri ao ver um cliente entrar na loja. Na Irlanda, país que ficou em primeiro lugar, o percentual é 97%.

Esse ambiente de preocupação na economia parece que tem contaminado o humor do pessoal que trabalha no comércio no Brasil.

“Aqui tem uma esfiha tão boa, tão boa, tão boa, que dá até dó de vender” – a esfiha pode até ser uma delícia, mas o anúncio é melhor ainda. Só assim mesmo pra tentar vencer o marasmo. É que tá ruim o negócio... Literalmente!

“Tá muito difícil. Você tem que reduzir sua margem assustadoramente pra não perder os seus clientes”, afirmou a empresária Patrícia Gabriel.

E, pelo jeito, quando reduz a margem de lucro, reduz também a de felicidade. Porque o vendedor brasileiro tem recebido os clientes de um jeito, digamos, cada vez menos alegre.

Muitas vezes, quando um cliente chega numa loja, ele lê a seguinte mensagem na parede: "sorria, você está sendo filmado". Só que em alguns casos, a plaquinha que tá faltando para o vendedor dentro é  outra: sorria, ponto. Parece óbvio alguém que está querendo vender alguma coisa dar um simples sorriso para um cliente que chega. Mas na pesquisa do vendedor simpático, o brasileiro ficou na penúltima colocação.

Quem diria... O país com fama de ter riso frouxo, hoje só tem vendedores mais sorridentes que o recatado Japão. Na pesquisa, que foi feita em vários países do mundo, 97% dos vendedores irlandeses estão rindo de bobeira quando chega cliente. No Brasil, só está na cara de 79% dos funcionários.

Está achando que nem é um resultado tão ruim assim? A coordenadora da pesquisa discorda.

“De dez clientes que entraram na loja, dois não foram recebidos com sorriso. Isso é grave. Parece um número pequeno, mas não, se a gente multiplicar isso, quantos entram, quantos clientes entram nas lojas por dia, é um número bastante preocupante”, afirmou Stella Susskind, coordenadora da pesquisa no Brasil.

“Eu posso até comprar se eu estiver precisando muito, mas eu não voltaria mais por conta da má recepção”, disse o bancário Eduardo Bitencourt.

Quando até o manequim está triste ou escondendo o rosto pra quem passa na rua, como no vídeo, o clima está estranho mesmo. Mas tem solução pra depressão pré-venda: o manequim do vídeo, o primeiro que aparece na loja da dona Maria Cecília. Que delícia comprar com ela... 45 anos de gargalhadas compridas no comércio de São Paulo.

Jornal Nacional: O que a senhora faz quando vê um funcionário da senhora com cara feia?
Maria Cecília Medeiros, comerciante: Ah, eu ando descansar um pouquinho lá atrás.
Jornal Nacional: É fácil dar um sorriso, né?
Maria Cecília Medeiros, comerciante: É fácil.
Jornal Nacional: É de graça?
Maria Cecília Medeiros, comerciante: É de graça.


Jornal Nacional/ G1

 

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018


Soneto Póstumo

- Boa tarde... - Boa tarde! - E a doce amiga
E eu, de novo, lado a lado, vamos!
Mas há um não sei quê, que nos intriga:
Parece que um ao outro procuramos...

E, por piedade ou gratidão, tentamos
Representar de novo a história antiga.
Ma vem-me a idéia... nem sei como a diga...
Que fomos outros que nos encontramos!

Não há remédio: é separar-nos, pois.
E as nossas mãos amigas se estenderam:
- Até breve! - Ate breve! - E, com espanto

Ficamos a pensar nos outros dois.
Aqueles dois que há tanto já morreram...
E que, um dia, se quiseram tanto! 


Mário Quintana 

Como começar uma história

Existem mil regras para começar uma história. Cormac MacCarthy dizia que nunca se deve começar um livro descrevendo o clima que faz. Certamente para fugir àquele clichê mais que famoso de Edward Bulwer-Lytton: “Era uma noite escura e tempestuosa...”.

Melhor do que inventar fórmulas (e do que segui-las) é escolher começos que nos parecem bons e fazer aquela pergunta crucial: Por que isto é bom?

Digressão: sempre que faço oficinas, aconselho aos participantes que interrompam uma leitura sempre que gostarem ou não gostarem de algo. E que se perguntem: “Por que isto é bom? O que o torna ‘algo bem escrito’? E se me pareceu mal escrito, por que foi?”  Fazer essas perguntas nos ajuda a entender os efeitos produzidos em nós pela escrita alheia. Em geral, a gente gosta mas não pára pra pensar, e acaba sem saber por que gostou.

O conselho mais universal sobre o começo de uma história, seja conto ou romance, é a teoria do “gancho” (“hook”): algo que agarra a atenção do leitor e não permite que ele afaste os olhos da página daí em diante.

O começo de uma história, segundo essa teoria, tem que ser o que em certa época a gente chamava de “começo Mike Tyson”, ou seja, desde a primeira palavra o texto tinha que partir pora cimja do leitor como o feroz Tyson partia, ao soar do gongo, pra cima dos seus adversários: batendo sem parar, sem lhes dar tempo para respirar sequer.

A literatura Romântica do século 19, principalmente aquela voltada para o Fantástico, era mestra nesses começos “de arregalar os olhos”.

É verdade! Sou nervoso, muito, terrivelmente nervoso; sempre fui e sou-o ainda. Mas por que me chamam vocês de louco? A doença aguçou os meus sentidos, ao invés de destruí-los, de amortecê-los. Acima de tudo, era o meu sentido da audição o mais agudo de todos. Eu escutava todas as coisas que havia entre o céu e a terra. Escutava muitas coisas no inferno. E como, então, estarei eu louco? Esperem! E observem com que saúde mental, com que tranquilidade, eu lhes contarei minha história por inteiro.
(Edgar Allan Poe, “O Coração Revelador”, 1843, trad. minha)

Meu Deus! Meu Deus! Finalmente vou escrever o que me aconteceu! Conseguirei fazê-lo? Atrever-me-ei? É coisa tão estranha, tão inexplicável, tão incompreensível, tão louca!
(Guy de Maupassant, “Quem sabe?”, 1890, trad. Ondina Ferreira)

Aberturas assim contrastavam com os começos bucólicos das histórias rurais e os começos burocráticos dos contos urbanos. Arrebatavam o leitor numa montanha-russa de efeitos. Era o Romantismo reagindo à austeridade racional do Realismo, e abrindo o caminho para uma literatura do subjetivo que viria a ser chamada de Expressionismo, cem anos depois, e já num outro tom de voz.

Criar um mistério logo no primeiro parágrafo, contudo, é uma técnica que os seguidores de Poe e Maupassant não menosprezaram. Um deles era H. P. Lovecraft, no qual já vemos uma certa contenção descritiva, mas buscando o mesmo efeito:

Eu repito, cavalheiros, sua inquisição é infrutífera. Detenham-me aqui para sempre se quiserem, confinem-me ou me executem, se precisam de uma vítima para apaziguar a ilusão que chamam de justiça; mas eu não posso dizer nada além do que já disse. Tudo o que consigo lembrar eu já lhes contei com perfeita sinceridade. Nada foi distorcido ou ocultado, e se algo permanece vago é por causa das nuvens escuras que cobriram minha mente – dessas nuvens e da natureza nebulosa dos horrores que as atraíram sobre mim.
(H. P. Lovecraft, “O depoimento de Randolph Carter”, 1919, trad. Francisco Inocêncio)

O “gesto narrativo” é o mesmo, o gesto de agarrar o leitor como o Velho Marinheiro do poema famoso de Coleridge agarrava um transeunte, em desespero, precisando a todo custo despejar sobre alguém a história que o atormentava.

William Sloane (1906-1974) foi um obscuro professor e editor literário que nos anos 1930 produziu dois notáveis romances de terror, muito elogiados por Stephen King na introdução à edição conjunta dos dois, The Rim of Morning (New York Review Books, 2015).

Sobre o primeiro deles, To Walk the Night (1937) já escrevi aqui:


O segundo, The Edge of Running Water (1939), começa com um parágrafo que traduzo abaixo.

O homem para quem está história é narrada pode estar ou não estar vivo. Se está, não sei o seu nome, nem onde mora, nem coisa alguma a seu respeito, exceto que existe algo que é vital para mim e que preciso contar-lhe. É um método de comunicação estranho e desajeitado, este expediente de escrever um livro inteiro sem ter sequer a segurança de que ele chegará às suas mãos, e no entanto não sei de outra maneira de preveni-lo. Acho que existe uma chance razoável de dar certo. Algum dia, talvez numa livraria, talvez numa biblioteca, ele pode encontrar um exemplar desta narrativa. Ou alguém que ele conhece a mencionará distraidamente e ele se sentirá induzido a procurar e ler este livro. As pessoas sempre dão um jeito de ter acesso a coisas que são de suprema importância para sua vida e seu trabalho. O que me perturba não é a possibilidade de que ele nunca encontre esta mensagem, mas a de que o faça quando já for tarde demais.

Este é um típico começo criador de suspense sem nada revelar sobre o enredo: ele trata da importância do enredo para alguém. A história precisa ser lida por alguém que o autor desconhece. Por que? Que mensagem tão importante é esta?

Por outro lado, o autor controla essa tensão melodramática usando distanciamento. Não há súplicas, gritaria, pontos de exclamação. Ele fala com calma da importância da mensagem, sugere hipóteses, divaga um pouco sobre as circunstâncias em que o livro pode ser lido... E no final volta a aumentar a tensão ao usar esta velha e infalível fórmula verbal: a expressão “antes que seja tarde demais”.

Há outras maneiras de criar um mistério na abertura do livro. Uma delas é narrar um fato espantoso, e depois retroagir no tempo, levando o leitor junto consigo, e mostrar como foi que aquilo aconteceu.

Um exemplo clássico disto é a abertura famosa de A Judgement in Stone (1977; no Brasil, Um assassino entre nós), de Ruth Rendell:

Eunice Parchman matou a família Coverdale porque não sabia ler nem escrever.

Na primeira frase a autora descreve o episódio final e clímax do romance, no maior exemplo de “auto-spoiler” que alguém pode imaginar. Ela troca a surpresa pelo mistério, no entanto, porque a partir desta frase inicial o leitor passa a perguntar: Como é que uma coisa tão absurda pode acontecer? E o livro responde.

São “iscas” muito mais sutis e que para mim funcionam muito melhor do que os começos delirantes (mas datados – até que alguém me prove o contrário) dos antigos mestres.

Bráulio Tavares
Mundo Fantasmo

Resoluções para 2018

Falta pouco para o Brasil entrar definitivamente em 2018, porque até acabar o carnaval a pisada é essa. Acho que os brasileiros se dão um tempo, que vai do ano novo até o carnaval, para esquentarem o “trabalhômetro”. Mas não somente para trabalhar; na verdade até as resoluções feitas no final de 2017 só serão implementadas depois que Momo for embora. A esse respeito, um levantamento efetuado nas redes sociais por importante instituto de pesquisa chegou à conclusão que a resolução de ano novo mais intensa é “ir para a academia”. Em seguida vieram, pela ordem, “conseguir um novo emprego”, “parar de fumar”, “emagrecer”, “viajar” e mais um monte de outras coisas antes da resolução de “beber menos”. Notaram os meus perspicazes leitores que não é “deixar de beber”, mas sim diminuir a quantidade de hectolitros ingeridos. É mais ou menos como o sujeito que prometeu à mãe que só beberia metade do ano. Enquanto a mãe abria um enorme sorriso ele emendou: “-Vai ser dia sim, dia não”.

Zeca Pagodinho já deu entrevista afirmando que passou dezessete anos sem beber. Ante o impacto de informação, esclareceu: “- Foi no período em que eu nasci até completar dezessete anos”. Mas voltemos ao assunto, que trata das resoluções de ano novo. Humberto me disse que em 2018 quer pelo menos cumprir as resoluções de 2017 que não conseguiu adimplir. Quais eram? Ora, as de 2016 que ele deixou pra lá.

Andei pescando algumas resoluções estranhas. Por exemplo, contratar dois detetives particulares e colocar um seguindo o outro para ver no que dá. Ou entrar em um elevador lotado e solenemente dizer: “-Aposto que vocês estão se perguntando por que reuni todos aqui hoje”. Em seguida pedir para esperarem enquanto vai pegar o material, sair do elevado e nunca mais voltar.

Tem uma ótima; um conhecido meu está querendo comprar um papagaio para ensinar o bichinho e dizer a seguinte frase: “- Socorro, me transformaram em um papagaio”.

Na verdade, essas resoluções de ano novo só servem para atestar o quanto nossas promessas são falhas. Um exemplo? Resolução mais besta essa de decidir que neste ano você vai ficar milionário. Ora, você só tem três chances de ser um milionário hoje em dia; nascer milionário, casar com milionária ou conseguir um mandato para roubar feito gente grande.

Como não dá para nascer de novo, ou você casa ou se candidata neste 2018.

Marcos Pires  
Do Blog do Tião

Amei-te sem saberes

Amei-te sem saberes
No avesso das palavras
na contrária face
da minha solidão
eu te amei
e acariciei
o teu imperceptível crescer
como carne da lua
nos noturnos lábios entreabertos


E amei-te sem saberes
amei-te sem o saber
amando de te procurar
amando de te inventar


No contorno do fogo
desenhei o teu rosto
e para te reconhecer
mudei de corpo
troquei de noites
juntei crepúsculo e alvorada


Para me acostumar
à tua intermitente ausência
ensinei às timbilas


a espera do silêncio


Mia Couto

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

"A arte não salva o mundo. Mas salva o minuto". 

Matilde Campilho

Sofrimento com álibe

Jorcelino Tolentino da Gama, vice, rompeu com o prefeito de Paranaguá (PI), Avelino Lopes, e decidiu candidatar-se à prefeitura. O prefeito foi à Justiça para impugnar a candidatura, alegando que Jorcelino assumira o cargo. Até apresentou um ofício assinado por ele. Convocado pelo juiz, Jorcelino negou que a assinatura fosse sua:

- Doutor juiz, eu tenho a maior dificuldade de assinar o meu nome. Quando assino, é um sofrimento. E este ano eu não tive esse sofrimento.
 
Diário do Poder 
Os grandes homens morrem duas vezes, uma vez como homens, outra vez como grandes"

Paul Valéry

Há Justiça na guerra?

Hodiernamente estamos sob um bombardeio de iminentes situações do que é ético, censura ou conceitos previamente estabelecidos. 

O mundo respira conflitos bélicos entre vários paises por questões das mais diversas, algumas humanitárias, outras econômicas. Em ambas se invoca justiça para tais fins.

Mário Sérgio Cortela pontua bem essa questão. "De onde vem a justiça daquilo que é um horror, como é o caso de qualquer guerra?"

Bertold Brecht, que fazia oposição ao Nazismo, sentenciava que "só quem pode dizer se a guerra é justa é a mãe do soldado morto".

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018


Versiculos do dia

Encontraram-me no dia da minha calamidade; porém o Senhor se fez o meu amparo. 2 Samuel 22:19

Não vos deixeis levar em redor por doutrinas várias e estranhas, porque bom é que o coração se fortifique com graça, e não com alimentos que de nada aproveitaram aos que a eles se entregaram. Hebreus 13:9

Tempus Fugit


Para viajar basta existir.

Fernando Pessoa