quarta-feira, 23 de maio de 2012
terça-feira, 22 de maio de 2012
“Escreva, leitor, escreva. Escreva para contar uma história, para registrar pensamentos, para compreender o que sente, ou simplesmente pelo ato de escrever. Este nos ensina a organizar o pensamento, a perceber o que intuímos, o que tememos, o que sonhamos, nos permite preservar nossas vivências e, no futuro, compreendê-las. E ainda nos habilita a lidar com o fluxo constante de informações crescente do cotidiano profissional, de estudos.”
(ALVES, Terciane. Faltam escritores no Brasil. In: Metáfora. São Paulo: Segmento, ano 1, n. 8, mai./2012, p. 4, “Editorial”, excertos.)
*Enviado ao blog por Adauto Neto
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Carta de navegação de um caso que acaba
É preciso fazer um histórico, porque você sempre esquece a cronologia dos fatos, talvez por dar pouca importância ao que acontece comigo. Sejam quais tenham sido meus erros, já sofri tanto e é claro que sofri por opção. Por isso passei do estado de graça para o choque da revelação brutal: você estava casado outra vez.
Tentei me adaptar à nova situação e o consegui, sangrando. Depois você viajou, me escreveu uma carta quando fazia o percurso Havana-Praga, descreveu o avião, a noite sobre o oceano e falou que me amava -acho que foi a única vez que você teve a coragem de admitir que também me amava. No seu regresso, nos trancamos em Teresópolis, quatro dias e quatro noites de chuva, nunca ninguém foi de ninguém como você foi meu. Eu estava salva.
Aí soube que você já se casara com outra. Pensava mais nela do que em você. Vi-a na rua, dentro do seu carro. Eu vivia apavorada de que alguém viesse a saber, porque lutei para impô-lo, você foi a causa do rompimento com meu pai. Tinha um álibi e o perdi: você era apenas um homem desquitado. Sustentei a mentira para evitar uma situação que era insustentável.
Um dia, encontrei-o com sua mulher na rua. Uma mulher enganada, mas segura. Nosso amor transformou-se no apartamento na Barra da Tijuca que você alugava por mês. Até aquele chalé de Friburgo, onde eu era a sua mulher dois dias por semana, tudo diluiu-se, comecei a jogar errado, como se não tivesse mais nada a perder. Comecei a perturbar a sua tranqüilidade, a paz do seu charuto fumado todas as noites. Tentei viver a minha vida antiga, procurar amigos, sair.
Uma noite, desesperada para ficar alguns minutos com você, fiz aquela besteira e fui ao Leme. Na minha alucinação, nem reparei que você estava com outra moça. Foi o choque maior de todos. Era mais uma estranha em sua vida. O investimento novo que você havia escolhido e que eu não percebera. Nem mil anos de análise poderão me curar daquele impacto. Mas no dia seguinte você abriu o jogo. Confessando que se apaixonara por outra, estava agindo decentemente.
E agora não vejo mais sua mulher nas ruas, mas essa moça que é tão mais jovem que você, tão da minha idade. Vejo-a em todas as esquinas. Via-a dentro do seu carro, em frente ao mar. Nos sábados, a humilhação de saber que você está no mesmo apartamento, mas com outra. Talvez a mesma rotina, o café da manhã, o seu suco de laranja bem gelado, o charuto cubano depois do jantar.
Sozinha, às 8 horas me tranco no quarto para chorar em paz a minha noite vazia. Tentei reagir, sair com amigos, mas não era boa companhia para eles, carregava comigo meu pavor de ver o seu carro à minha frente, na porta de um restaurante, com gente estranha sentada no meu lugar.
Tentei me desligar de você. Aceitaria os fatos: seria sua amante e pronto. De repente, a situação em minha casa estourou pra valer. Minhas noites passadas fora, seu nome dito abertamente na hora das refeições. Mandaram que eu vivesse a minha vida -mas longe deles. Aluguei um quarto e procurei uma oportunidade para lhe comunicar. Queria apenas o seu apoio para sustentar a barra de morar sozinha, em casa de estranhos.
Numa sexta-feira, consegui pegá-lo na saída do escritório. Falei o que devia, sem emoção. Depois fomos jantar, você fumou o seu precioso charuto, andando de um lado para o outro, pensando em voz alta. Abracei muito você, mas não era gratidão. A idéia de um apartamento era demais. Eu passava a ser a amante oficializada, a terceira em importância e necessidade. Aquela que não tem o encanto da namorada com que se janta, que não ganha os presentes de ocasião porque apresenta todos os meses a conta da luz e do condomínio. Pensei nisso tudo, mas assim mesmo não pude dormir aquela noite. Era alegria, alegria bruta, selvagem.
Seguiu-se o sábado mais importante da minha vida. Saímos para procurar apartamento. Falei de igual para igual com todos. Tinha de conseguir o que os outros conseguem, embora o meu passo fosse, em termos de vida, um passo para baixo. Na verdade, eu seria apenas a amante-quarto-e-sala-conjugado.
Depois falei com minha mãe. Fizemos um levantamento do que restava do meu antigo enxoval de noiva. As roupas de dormir estavam reduzidas. Usei-as com você, em quartos de hotéis. Mas sempre restavam algumas peças que eu poderia usar nas noites em que você aparecesse.
Quando você me mostrou a posição da cama no quarto, tive vontade de lhe abraçar, mas você estava muito sério. Jurei que, com a tranqüilidade que ia adquirir, você se surpreenderia com uma maturidade que não conhece -nem pode conhecer porque nunca tive oportunidade de mostrá-la.
Mas houve novamente um sábado em que quis você. Joguei errado outra vez e atrapalhei o seu programa. Finquei o pé, fiz malcriação, chorei. Ela chegou. Perguntou o que estava havendo. Você disse tudo quando respondeu: "Nada".
Nada. Deste meu nada, receba este amontoado de pranto que foi o meu amor. E por toda a vida, toma a minha vida.
Carlos Heitor Cony
Texto extraído do jornal "Folha de São Paulo", edição de 11/10/2002.
Hora do recreio
A mãe, desesperada, pergunta pro médico:
- O que houve com ela, doutor?
- Sua filha está com o clitóris igual a uma tampinha de caneta bic!
- Azul, doutor ?
- Não, todo mordido.
- O que houve com ela, doutor?
- Sua filha está com o clitóris igual a uma tampinha de caneta bic!
- Azul, doutor ?
- Não, todo mordido.
Morre o cantor Robin Gibb
O cantor Robin Gibb, do trio musical Bee Gees, morreu neste domingo (20), aos 62 anos. O músico estava internado em uma clínica particular de Londres. Ele conseguiu se recuperar de um câncer diagnosticado em 2010, mas recentemente teve de ser submetido a uma operação no intestino e descobriu um segundo câncer.
Frase
“A vida não é sobre encontrar a si mesmo. A vida é sobre criar a si mesmo."
Bernard Shaw
(Indicação de postagem do amigo Adauto Neto)
Xuxa revela ter sofrido abuso sexual na infância
Um drama que a apresentadora Xuxa Meneghel guardou durante anos foi revelado neste domingo: ela sofreu abuso sexual na infância. Como na maior parte dos casos, os agressores eram pessoas próximas: um amigo do pai, que seria seu padrinho, um homem que iria casar com sua avó e um professor.
As violências só acabaram quando Xuxa completou 13 anos. A revelação foi feita em entrevista para o quadro “O que vi da vida”, do programa “Fantástico”, da Rede Globo. Muito emocionada, Xuxa chorou durante o depoimento e explicou que o trauma a levou a lutar pelo direito das crianças:
— Nunca falei nada para ninguém porque tinha vergonha, não sabia o que fazer. Se falasse para o meu pai, ele acharia que a culpa era minha, que eu provocava. Deviam ter notado que havia algo de errado; que eu, sempre muito falante, tinha virado uma pessoa calada.
Segundo Xuxa, o pai dela, Luís Floriano Meneghel, era militar e sempre foi muito ausente e distante. A mãe, Alda Meneghel, de acordo com a apresentadora, era muito amorosa e presente, mas inocente. Tinha que cuidar de cinco filhos e não reparou
Natália Boere, O Globo
Leia mais em O Globo
domingo, 20 de maio de 2012
Foto Hugo Zanqueta
Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário?
Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?
E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura?
E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam;
E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.
Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé?
Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?
(Porque todas estas coisas os gentios procuram). De certo vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas;
Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
Não vos inquieteis, pois, pelo dia amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.
Mateus 6: 25:34
Na verdade, para a minha geração, a Internet é um complemento precioso, mas não mais do que um complemento. Há uns meses, tive que identificar um milhar de títulos franceses de filmes negros, a maioria americanos, a partir de um livro italiano. Sem o recurso a alguns sites de cinema italianos, nunca teria conseguido. Já para não dizer que nesses sites encontrei informações atualizadas e que ainda não constam dos livros sobre o mesmo tema da minha biblioteca, que remontam, pela força das coisas editoriais, ao que se sabia há três ou quatro anos. Como benefício de uma formação classicamente fundada no livro, tenho do instrumento Internet uma visão particular. Mas o que acontecerá às gerações que hão-de crescer com ela? Não sei se será melhor ou pior; sei que será diferente. Eu sirvo-me desajeitadamente destes instrumentos, mas eles fazem parte de um esquema específico e preestabelecido. (Do mesmo modo, tendo aprendido a fazer contas na época da tabuada e do cálculo mental, sou menos dependente da calculadora e também… menos rápido). Já Robert Musil dizia que “todo o progresso traz consigo uma regressão". A História mostra que nunca escapamos ao progresso útil.»
[Jacqes Bonnet, Bibliotecas Cheias de Fantasmas; trad. José Mário Silva, Quetzal / textos breves, Outubro 2010]
Tantos papéis, tantas folhas que tenho escrito! Diários, cartas que não seguiram o seu destino porque afinal, pensando bem, não valia a pena mandá-las… Papéis bordados a letra miúda que eu desconheço. Mais firme, mais igual, mais redonda. A minha letra de agora engelhou e amoleceu com a minha cara e as minhas mãos, com o meu próprio corpo de seios flácidos, de carne desbotada e só.
O cesto está cheio da minha vida. Pedaços rasgados, fragmentos, frases que alguém me dirigiu e eu já não me recordo de ter ouvido, palavras que eu disse a alguém e já esqueci. Tudo tão baralhado como as minhas recordações.»
[Maria Judite de Carvalho, Tanta Gente, Mariana; Ulisseia, Agosto de 2010; - via Nico]
sábado, 19 de maio de 2012
Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do Zodíaco.
Gabriel García Marquez
(Memórias de Minhas Putas Tristes - Pg. 74)
Via Cognitionmission
Dificilmente um homem consegue corresponder à expectativa de uma mulher, mas vê-los tentar é comovente. Alguns mandam flores, reservam quarto em hotéizinhos secretos, surpreendem com presentes, passagens aéreas, convites inusitados. São inteligentes, charmosos, ousados, corajosos, batalhadores. Disputam nosso amor como se estivessem numa guerra, e pra quê? Tudo o que recebem em troca é uma mulher que não pára de olhar pela janela, suspirando por algo que nem ela sabe direito o que é.
Perdoem esse nosso desvio cultural, rapazes. Nenhuma mulher se sente amada o suficiente.
Martha Medeiros
"Fico impressionado como o Poder Público é podre, omisso, corrompido, hipócrita e mesquinho. Não entendo e não concordo com a prática do "é dando que se recebe". Odeio a soberba e a luxúria dos ocupantes dos altos cargos da República. Abomino o clientelismo e a politicagem que corrói a alma do país. Contudo, fico impressionado com o povo idiota que elege essas autoridades e que assiste de camarote ao circo pegar fogo, mesmo ciente de que o que queima a fogueira é seu próprio fígado. Acertou quem após na letra do hino brasileiro o trecho: "deitado em berço esplêndido". O país padece de coma profundo, num "berço" que não tem nada de esplendor e que mais aparenta a um túmulo".
Eduardo Varandas Araruna
Procurador-chefe da Ministério Público do Trabalho na Paraíba
Fonte: Blog do Tião Lucena
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