sábado, 2 de setembro de 2017


A arte da leitura

As contas de somar e de multiplicar são o único exemplo, em todo o Universo, de uma situação em que “a ordem dos fatores não altera o produto”.  (Ok, sei que não são o único, mas é de outra coisa que vou falar, isto aqui é mero pretexto.)

Se você estuda literatura, cinema, teatro, quadrinhos, qualquer arte narrativa, você aprende que “a ordem dos fatores é a principal maneira de alterar o produto”, sendo “produto” no caso a impressão produzida na mente do público.

Ordem é tudo. Não “ordem” no sentido de “coisa organizada, toda arrumadinha, sem mexer uma pestana”. Ordem no sentido da “sucessão temporal das experiências”: a sucessão das palavras, dos sons, das imagens.

As escolas de cinema mostram aos alunos o Experimento Kulechov, de um cineasta russo. Ele pegou o mesmíssimo plano de um ator e o mostrou a três turmas. Na primeira, após a imagem do ator vinha a de um prato de comida. Na segunda, um revólver. Na terceira, uma criança brincando. Os três grupos descreveram a expressão do ator (que, aliás, tinha sido filmado sem olhar para nada específico) como de “fome”, “ameaça” e “ternura”.  (Os numerosos relatos sobre o experimento mudam sempre os exemplos – mas o princípio é o mesmo.)

Toda a teoria de montagem nasceu dessa teoria da justaposição e sequência dos planos.  Desde os pioneiros do cinema norte-americano como Griffith e Chaplin, até a vanguarda russa, o expressionismo alemão, todo o alicerce do cinema nasceu desse princípio básico.

Toda narração, e por extensão toda sequência, é uma sintaxe. O que vem antes influencia o que vem depois.

Alguem há de lembrar o famoso Capítulo XXXIII das Memórias Póstumas de Brás Cubas, onde Machado de Assis faz o seu narrador conhecer uma jovenzinha linda, Eugênia – linda e vivendo seus últimos anos de inocência, inocência da qual o valoroso Brás a ajuda a se desvencilhar. Acontece que Eugênia é coxa de uma perna, o que leva o narrador, enquanto lhe desfruta de leve os atributos, a chamá-la de “Vênus Manca”, e a se consumir em filosofias insones:

O pior é que era coxa. Uns olhos tão lúcidos, uma boca tão fresca, uma compostura tão senhoril; e coxa! Esse contraste faria suspeitar que a natureza é às vezes um imenso escárnio. Por que bonita, se coxa? por que coxa, se bonita? Tal era a pergunta que eu vinha fazendo a mim mesmo ao voltar para casa, de noite, sem atinar com a solução do enigma. 

Como sempre, a arte de Machado está na maneira de arrumar verbalmente os fatos e as idéias. “Por que bonita, se coxa? Por que coxa, se bonita?”. 

A primeira pergunta nos faz pensar: “Que diabos, por que desperdiçar beleza numa criatura que puxa duma perna? Por que a Natureza ou a Providência Divina não a fizeram logo feia, para que nós, os rapazes sedutores que vivem de rendas, sem trabalhar, não perdêssemos tempo tentar roubar-lhe um beijo, e o que vem depois do beijo?”

Mas Brás Cubas, sem conseguir pegar no sono, também pensa: “Por que coxa, se bonita?” Se a menina é bonita, a boniteza talvez lhe seja um atributo mais essencial, mais genético, do que o defeito físico. Por que então, Senhor, dar a ela essa marca de Caim, esse argueiro que impede a apreciação tranquila da beleza? Por que obrigar, com esse defeito, que o próprio Brás Cubas, tão disposto a conquistas, se demorasse nesta apenas um fim de semana?

O que vem antes influi, condiciona, impõe um viés ao que vem depois, e que será necessariamente assimilado à luz do que foi lido primeiro.

Um conhecido poema de Bertolt Brecht usa esse recursos para nos fazer pensar na contradição insolúvel entre as soluções individuais para problemas coletivos e as soluções coletivas para problemas individuais. (A tradução é minha, da versão inglesa de George Rapp).

UMA CAMA PARA PASSAR A NOITE

Ouvi dizer que em Nova York
na esquina da Rua 26 com a Broadway
há um homem que fica, durante os meses do inverno,
pedindo aos transeuntes que passam por ali
um lugar para os sem-teto dormirem.

Isso não vai mudar o mundo.
Isso não vai melhorar as relações entre os homens.
Isso não vai abreviar a era da exploração;
mas
alguns homens vão ter uma cama onde passar a noite;
naquela noite, pelo menos, o vento não vai maltratá-los,
e a neve destinada a eles vai cair na calçada vazia.

Não abaixe o livro quando ler isto, leitor.

Alguns homens vão ter onde passar a noite;
naquela noite, pelo menos, o vento não vai maltratá-los,
e a neve destinada a eles vai cair na calçada vazia;
mas
isso não vai mudar o mundo.
Isso não vai melhorar as relações entre os homens.
Isso não vai abreviar a era da exploração.

Lendo isso, ficamos como os fantasmas de Tim Powers, que se deixam hipnotizar por palíndromos porque não conseguem parar de lê-los da frente pra trás e de trás pra frente.

O otimismo da solução individual (estrofe 2) nos anima, porque somos indivíduos, e quem já dormiu ao relento em noite fria porque não tinha opção sabe o quanto é importante ter um lugar quente onde dormir numa noite de inverno.


O pessimismo da ausência de solução coletiva (estrofe 4) também nos anima, porque há indivíduos que, quando conseguem finalmente um lugar quente onde dormir numa noite de inverno, deitam-se, cobrem-se com a manta, apagam a luz, aconchegam-se ao travesseiro, mas nesse instante abrem os olhos e pensam: “E os outros?”. 
 
Bráulio Tavares 
Mundo Fantasmo 


Apaixone-se por um grande homem e nunca mais voltará a chorar

Nós homens nos caracterizamos por ser o sexo forte, embora muitas vezes caiamos por debilidade. Um dia, minha irmã chorava em sua casa… Observei que meu pai chegou perto dela e perguntou o motivo de sua tristeza. Escutei-os conversando por horas, mas houve uma frase tão especial que meu pai disse naquela tarde, que até o dia de hoje ainda me recordo a cada manhã e que me enche de força. Meu pai acariciou o rosto dela e disse:

“Minha filha, apaixone-se por um grande homem e nunca mais voltará a chorar”.

Perguntei-me tantas vezes, qual era a fórmula exata para chegar a ser esse grande homem e não deixar-me vencer pelas coisas pequenas… Com o passar dos anos, descobri que se tão somente todos nós homens lutássemos por ser grandes de espírito, grandes de alma e grandes de coração, O mundo seria completamente diferente!

Aprendi que um Grande Homem não é aquele que compra tudo o que deseja, porque muitos de nós compramos com presentes a afeição e o respeito daqueles que nos cercam.

Meu pai lhe dizia:

“Não se apaixone por um homem que só fale de si mesmo, de seus problemas, sem preocupar-se com você… Enamore-se de um homem que se interesse por você, que conheça suas forças, suas ilusões, suas tristezas e que a ajude a superá-las”.

Não creia nas palavras de um homem quando seus atos dizem o oposto. Afaste de sua vida um homem que não constrói com você um mundo melhor. Ele jamais sairá do seu lado, pois você é a sua fonte de energia… Foge de um homem enfermo espiritual e emocionalmente, é como um câncer matará tudo o que há em você (emocional, mental, física, social e economicamente).

Não dê atenção a um homem que não seja capaz de expressar seus sentimentos, que não queira lhe dar amor. Não se agarre a um homem que não seja capaz de reconhecer sua beleza interior e exterior e suas qualidades morais.

Não deixe entrar em sua vida um homem a quem tenha que adivinhar o que quer, porque não é capaz de se expressar abertamente. Não se enamore de um homem que ao conhecê-lo, sua vida tenha se transformado em um problema a resolver e não em algo para desfrutar. Não se apaixone por um homem que demonstre frieza, insensibilidade, falta de atenção com você, corra léguas dele.

 Não creia em um homem que tenha carências afetivas de infância e que trata de preenchê-las com a infidelidade, culpando-a, quando o problema não está em você, e sim nele, porque não sabe o que quer da vida, nem quais são suas prioridades. Por que querer um homem que a abandonará se você não for como ele pretendia, ou se já não é mais útil? Por que querer um homem que a trocará por um cabelo ou uma cor de pele diferente, ou por uns olhos claros, ou por um corpo mais esbelto? Por que querer um homem que não saiba admirar a beleza que há em você, a verdadeira beleza… a do coração? Quantas vezes me deixei levar pela superficialidade das coisas, deixando de lado aqueles que realmente me ofereciam sua sinceridade e integridade e dando mais importância a quem não valorizava meu esforço?

Custou-me muito compreender que grande homem não é aquele que chega no topo, nem o que tem mais dinheiro, casa, automóvel, nem quem vive rodeado de mulheres, nem muito menos o mais bonito. Um grande homem é aquele ser humano transparente, que não se refugia atrás de cortinas de fumaça, é o que abre seu coração sem rejeitar a realidade, é quem admira uma mulher por seus alicerces morais e grandeza interior.

Um grande homem é o que cai e tem suficiente força para levantar-se e seguir lutando… Hoje minha irmã está casada e feliz, e esse Grande Homem com quem se casou, não era nem o mais popular, nem o mais solicitado pelas mulheres, nem o mais rico ou o mais bonito.

Esse Grande Homem é simplesmente aquele que nunca a fez chorar… É quem no lugar de lágrimas lhe arrancou sorrisos. Sorrisos por tudo que viveram e conquistaram juntos, pelos triunfos alcançados, por suas lindas recordações e por aquelas tristes lembranças que souberam superar, por cada alegria que repartem e pelos 3 filhos que preenchem suas vidas. Esse Grande Homem ama tanto a minha irmã que daria o que fosse por ela sem pedir nada em troca… Esse Grande Homem a quer pelo que ela é, por seu coração e pelo que são quando estão juntos. Aprendamos a ser um desses Grandes Homens, para vivenciar os anos junto de uma Grande Mulher e nada, nem ninguém, nos poderá vencer.

Texto atribuído a Arnaldo Jabor

Ao longo das janelas mortas

Ao longo das janelas mortas
Meu passo bate as calçadas.
Que estranho bate!...Será
Que a minha perna é de pau?
Ah, que esta vida é automática!
Estou exausto da gravitação dos astros!
Vou dar um tiro neste poema horrível!
Vou apitar chamando os guardas, os anjos, Nosso
Senhor, as prostitutas, os mortos!
Venham ver a minha degradação,
A minha sede insaciável de não sei o quê,
As minhas rugas.
Tombai, estrelas de conta,
Lua falsa de papelão,
Manto bordado do céu!
Tombai, cobri com a santa inutilidade vossa
Esta carcaça miserável de sonho... 


Mário Quintana

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Deus se nos manifesta de fato mais naquilo que não é do que naquilo que é, e por isso as similitudes das coisas que mais se distanciam de Deus nos conduzem a uma opinião mais exata sobre Ele, para que saibamos assim que Ele está acima do que dizemos e pensamos.

Umberto Eco
A incerteza é o habitat natural da vida humana - ainda que a esperança de escapar da incerteza seja o motor de atividade de atividades humanas. Escapar da incerteza é um ingrediente fundamental presumido, de todas e quaisquer imagens compósitas da felicidade genuína, adequada e total sempre parece residir em algum lugar à frente: tal como o horizonte, que recua quando se tenta chegar mais perto dele.

Zygmunt Bauman
O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o princípio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida.

Fernando Pessoa

Uma criatura

Sei de uma criatura antiga e formidável,
Que a si mesma devora os membros e as entranhas,
Com a sofreguidão da fome insaciável.
Habita juntamente os vales e as montanhas;
E no mar, que se rasga, à maneira do abismo,
Espreguiça-se toda em convulsões estranhas.
Traz impresso na fronte o obscuro despotismo;
Cada olhar que despede, acerbo e mavioso,
Parece uma expansão de amor e egoísmo.
Friamente contempla o desespero e o gozo,
Gosta do colibri, como gosta do verme,
E cinge ao coração o belo e o monstruoso.
Para ela o chacal é, como a rola, inerme;
E caminha na terra imperturbável, como
Pelo vasto arealum vasto paquiderme.
Na árvore que rebenta o seu primeiro gomo
Vem a folha, que lento e lento se desdobra,
Depois a flor, depois o suspirado pomo.
Pois essa criatura está em toda a obra:
Cresta o seio da flor e corrompe-lhe o fruto,
E é nesse destruir que as suas forças dobra.
Ama de igual amor o poluto e o impoluto;
Começa e recomeça uma perpétua lida;
E sorrindo obedece ao divino estatuto.
Tu dirás que é a morte; eu direi que é a vida.


 Machado de Assis

Busque Amor novas artes, novo engenho,
para matar me, e novas esquivanças;
que não pode tirar me as esperanças,
que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, conquanto não pode haver desgosto
onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê.

Que dias há que n'alma me tem posto
um não sei quê, que nasce não sei onde,
vem não sei como, e dói não sei porquê.

Luís de Camões 

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Um empate com sabor de derrota



Havia algo sombrio nos céus. Prenúncio de que, naquela tarde, as coisas não seriam fáceis. Urubus revoavam as nossas cores.  

Nacional de Pombal e Nacional de Patos empataram em 1 x 1 na tarde de ontem no Estádio Municipal “O Pereirão”. Com ambas as equipes já classificadas para as quartas de finais do Certame Paraibano da 2ª Divisão, o jogo parecia ter contorno de um amistoso, mas não para o Nacional de Pombal ainda inconformado com a “lambança” patrocinada pela arbitragem na jogo de ida na cidade de Patos, o Camaleão do Sertão adotou uma postura de revanche aquele empate que lhe foi imposto injustamente nas Espinharas com repercussão nacional na imprensa desportiva.


A equipe da terra de Maringá entrou em campo numa formação indicando 4-3-3, com uma observação, havia um falso homem  fixo pelo meio (pajé) que se deslocava pelos cantos, no entanto, sem muito êxito, porque a bola não lhe chegava. 

O Camaleão repetiu nesta partida o mesmo erro que vem incorrendo em todas as outras. A equipe carece de um homem de criação no meio de campo que possa distribuir bem a bola. Nesse jogo, com três homens mais a frente, isso ficou explicito demais. Haviam muitos clientes e poucos garçons. Sem colocar a bola no chão, ficou difícil para a turma lá da frente, sobretudo porque, quase sempre, a ligação da primeira com a terceira linha, da defesa para o ataque era feita por intermédio do goleiro Danilo. Um chutão que cruzava o meio para alimentar o ataque.   


Neguinho Paraíba e até Pajé vinham buscar a bola em seu próprio campo, atravancando as jogadas que deveriam ser preparadas para eles. Mesmo assim, é preciso reconhecer os seus esforços em que pese ainda a mania de prender demais a bola. Neguinho precisa jogar um pouco mais coletivamente já que individualmente não há reparos a fazer nesta partida. O esforço do Pajé foi algo inquestionável.

O Nacional de Patos, com uma razoável atuação de Ruan, conseguiu impor o jogo, ganhou o meio de campo e o Nacional de Pombal, no primeiro tempo, não chutou uma única vez ao gol. Eduardo Rato, o homem gol do Canário do Sertão, pesado e fora de forma foi uma figura apagada. O miolo de zaga do Nacional de Patos é frágil e não suportar o avanço das jogadas de meio, caso elas tivessem ocorrido. O Canário das Espinharas, em que pese não ter se apresentado com a sua força máxima, não mete medo em ninguém.  


A arbitragem da Paraíba é um capítulo à parte. A atuação do árbitro foi pífia. O pênalti marcado com a bola tocando o braço preso ao corpo do jogador do Nacional de Pombal foi algo, no mínimo, forçoso. A condescendência do árbitro central com a “manha” e a “esperteza” dos jogadores ganhando e amarrando o tempo de jogo evidenciou a sua falta de, digamos, capacidade para apitar a partida a partida nos moldes do que se exige. Entretanto, faltou também ao nosso time a figura de uma liderança em campo, um capitão, um homem experiente para fazer frente as artimanhas levadas a efeito pelo adversário e para conduzir o jogo. 


No segundo tempo o Camaleão esboçou uma reação, procurou tocar mais a bola, virar o jogo pelas laterais, mais tudo ainda timidamente, somente com a expulsão do jogador de Patos é que a equipe acertou a direção das traves do adversário e numa única bola de cabeça empatou o jogo. 

Volto a repetir, o meio campo do Camaleão não trabalha, não distribui nem alimenta os homens de frente com a bola trabalhada. Essa bola quando chegou foi rifada ou má condições de continuação da jogada. Isso precisa ser corrigido urgentemente. No mata mata não há espaços para erros.


Enfim, não foi desta vez. A vitória não veio. Vamos às quartas de finais. O próximo jogo é contra a Desportiva Guarabira. Uma equipe que, pelo que vi jogar contra o São Paulo Cristal, tem um meio campo muito forte, com especial atenção para o meia habilidoso Cleitinho, um jogador que se tiver liberdade desmancha o jogo.

Finalizo, parabenizando imensamente a nossa torcida que, mais uma vez, compareceu a campo e empurrou a nossa equipe. É uma pena que ela não possa fazer gols.


Teófilo Júnior 

"É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer, porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo".
 
 Clarice Lispector


"Danço em meio ao fogo, e o que me importa é apenas a beleza das chamas." 

Renato Broz (O Dom Quixote pós moderno)

Um lobo me disse: 
- Uma ovelha negra ainda é uma ovelha

Zack Magiezi

"Nunca me senti só. Gosto de estar comigo mesmo. Sou a melhor forma de entretenimento que eu posso encontrar.”

“As pessoas em geral são muito melhores por cartas que em carne e osso. Elas se parecem muito com os poetas”

"Bem, todos morrem um dia, é simples matemática. Nada de novo. A espera é que é um problema."

"Qualquer problema que você tiver comigo, é seu."

“Se você vai tentar, vá até o fim, caso contrário, nem comece.”

“Você tem que morrer algumas vezes antes de realmente viver.”
 
Charles Bukowski

Versiculos do dia

Não endureçais agora a vossa cerviz, como vossos pais; dai a mão ao Senhor, e vinde ao seu santuário que ele santificou para sempre, e servi ao Senhor vosso Deus, para que o ardor da sua ira se desvie de vós. 2 Crônicas 30:8

E disse o senhor ao servo: Sai pelos caminhos e valados, e força-os a entrar, para que a minha casa se encha. Lucas

Charge


terça-feira, 29 de agosto de 2017

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.
 
Cecília Meireles
A vida é cheia de obrigações que a gente cumpre por mais vontade que tenha de as infringir deslavadamente.

Machado de Assis