terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Michel Foucault e a invenção do homem


Michel Foucault agia como um luminoso ator do pensamento. Titular da cátedra do Collège de France de 1971 até o ano de sua morte (1984), encarnava um ritual cênico: acendia uma luminária, afastava os gravadores e começava a falar com a coerência de quem escreve. Vivia a sala de aula como palco de ebulição e idéias, apresentando em primeira mão as novidades de sua pesquisa. Nas vinte e seis horas anuais de curso, criava em público, assim como fizera Jean Hippolyte que o antecedera. Essas aulas de Foucault tornaram-se míticas. Conta-se que mais de quinhentas pessoas disputavam espaço em um anfiteatro de trezentos lugares para assistir a verdadeira performance de gênio. O que chamava atenção no teatro-Foucault era a precisão na exposição de uma vasta e corajosa investigação em curto espaço de tempo. O tamanho do gênio estava à mostra ao fazer da rotina de aulas o momento magno que anunciava a mudança dos rumos do pensamento do século XX e do século que vemos nascer.

Foucault foi um dos maiores filósofos do século XX. A grandiosidade de seu pensamento revela-se na ordem estritamente teórica de seu pensamento ao momento pragmático estabelecido nas ressonâncias de sua teoria. Este último se vê no fato a cada dia ainda experimentado por professores, alunos e estudiosos em contato com sua obra, da reunião que conseguiu estabelecer entre as diversas ciências. As ciências humanas, cuja concepção ele ajudou a forjar, tornam-se resultado dos saberes entrelaçados no tempo e dos modos como armam-se em estruturas de poder. A interrelação entre saber e poder permitirá conhecer a chamada “invenção do homem”, uma das idéias críticas do pensador que cavava nos documentos e livros mais inabituais da história a sua verdade recôndita ou mesmo oculta.

História dos Sistemas de Pensamento fora o nome sintético que aglomerou a preocupação em estabelecer pela descoberta o processo de fundação do saber ocidental. No famoso livro As Palavras e as Coisas, Foucault declarou radicalmente essa intenção de analisar o que ele chamou a “experiência nua da ordem”. Essa experiência fará a diferença entre o uso dos códigos ordenadores dentro dos quais vivemos e as reflexões sobre a ordem realizada por teóricos e que estabelecerá o projeto de uma “arqueologia do saber”, diferente de uma história das idéias ou das ciências. O projeto arqueológico – o período de trabalho de Foucault entre 1961 e 1969 – baseou-se na alteração da noção de história para além da noção de progresso rumo ao futuro ou ao passado, procurando o contexto e a fonte onde as condições de possibilidade das teorias e conhecimentos, filosofias e racionalidades, idéias e conceitos deixavam-se desenhar fundando uma noção do “homem” – como objeto e como sujeito - que marca até hoje a história e a investigação científica. Foucault pesquisava a falta, o desvio, o desconhecido procurando entender as tramas invisíveis e os silêncios da história.

A arqueologia foucaultiana propõe um método no mais adequado sentido do termo, um modo de olhar que altera a todo momento seus princípios e que, por isso, não pode valer como medida de toda a história que se impõe como busca pelo saber de qualquer objeto. A arqueologia ensina ainda hoje a olhar cada objeto respeitando a sua verdade e construindo um discurso a partir da observação. O discurso da arqueologia vem do objeto, não é o objeto que vem do discurso, sendo construído por ele. A História da Loucura, talvez o livro mais conhecido de Foucault, inaugura essa fase arqueológica – conclusa em A Arqueologia do Saber de 1969 - como experiência do pensamento do próprio Foucault, no qual a atenção ao objeto da investigação faz falar o método. O método é a exposição do olhar que se esforça por deixar de ser olhar para atingir a coisa com a palavra disponível. A filosofia de Foucault será próxima da literatura enquanto procura do silêncio contido nas palavras e na linguagem.

A História da Loucura não é apenas uma história da psiquiatria ou de seu surgimento, mas uma investigação sobre o enclausuramento do louco, a sua reclusão em um espaço manicomial, para realizar, paradoxalmente, sua exclusão. A intenção do livro é mais que explicar uma história cronológica ou progressiva da loucura, entender a relação entre a modernidade e a loucura que continuará sendo desenvolvida no livro O Nascimento da Clínica. O que Foucault irá descobrir é que a doença mental tem menos de duzentos anos e que o louco foi patologizado pela psiquiatria apenas a partir do século XVIII, ou seja, medido a partir de uma ordem da razão da qual essa ciência recente fazia parte. A partir de A História da Loucura, tornou-se possível compreender o processo de inclusão concomitante à exclusão do louco, sua inscrição como objeto do poder da razão que separa e exclui de si o que a nega, instaurando um “outro” num gesto historicamente repetitivo que precisava ser avaliado. A História da Loucura era – pelo avesso - a história da razão, esta a medida que instaurara, já na época da Renascença, o valor real e prático de uma questão anteriormente apenas simbólica: a nau dos insensatos, narrativa das mais curiosas com a qual Foucault começa seu livro e que explica como loucos eram escorraçados de suas cidades indo parar em outras plagas até que o manicômio veio a fixar-lhe a âncora. Estes e outros temas entram na análise da produção da loucura que passa de viagem andarilha à doença mental e anormalidade a ser execrada. Este livro deixa uma brecha teórica que fundará o restante do pensamento foucaultiano.

A etapa arqueológica que investigava sobre o saber foi seguida pela genealogia - termo que Foucault empresa de Nietzsche. Se a primeira explicava “como” apareciam os saberes e suas transformações, a genealogia situava-se em torno do desvendamento do “porquê” sobre os saberes inseridos na ordem política, ou seja, pensando-os na conexão com as relações de poder. Livros como Vigiar e Punir de 1975 e a História da Sexualidade que tem seu primeiro volume A Vontade de Saber publicado em 1976, revelam esse novo tema. O poder passa a ser o eixo a partir do qual pode-se compreender o surgimento dos saberes. Poder não é uma essência ou uma unidade interpretativa da realidade, mas uma prática social que se constitui na história. Toda análise derivada de um objeto tão mutável quanto o poder deveria estar atenta à mutabilidade do próprio processo. Poder, para o filósofo, são práticas ou relações, não somente o Estado, este apenas um articulador do poder, ao lado das demais instituições. O poder se realiza na vida pragmática de uma sociedade e formula-se em técnicas de dominação. Nesse aspecto o corpo do indivíduo é o lugar especial onde o poder vai realizar-se. A história do saber ali define-se como “história dos corpos” e estes são analisados em sua submissão a uma “microfísica do poder”. Um poder exercido em escala social precisa ter sua realização concreta na produção e controle do indivíduo: ele será a disciplina exercida sobre esse indivíduo no controle de seus gestos, hábitos, comportamentos, discursos. Atomizado na sociedade e servindo, ao mesmo tempo, a um mecanismo magno que não tendia a expulsar os homens da vida social, mas antes administrar e ordenar seus cotidianos com objetivos políticos e econômicos, o poder é o nome da manipulação do corpo. O poder foi – e é - a disciplina aplicada aos corpos. Talvez toda disciplina seja sempre disciplina do corpo. Por isso, Foucault analisará o modo como seres humanos se relacionaram a seus corpos e, na História da Sexualidade, como esta foi o eixo de um poder disciplinar que produziu uma das mais curiosas reviravoltas nas concepções mais avançadas sobre sexo que talvez nem suspeitemos. Em vez de pensar o sexo segundo clichê da libertação e da revolução, na soberania da lei do sexo como produção da subjetividade livre, Foucault apresenta uma de suas idéias mais corajosas: como que um lado perverso do dispositivo social da sexualidade que nos faz crer que nela está a nossa liberação enquanto nos submete aos seus mecanismos. Nesse ponto, vemos ainda a atualidade da análise de Foucault num tempo em que pornografia e censura ainda comandam o destinos de nossa sociedade enquanto ocultam-se de nosso olhar. A teoria de Foucault, vinte anos após sua morte, causa-nos um espanto que será ainda maior quando pudermos perceber a enormidade do alcance de sua investigação como diagnóstico do que vivemos, do que somos, do que deixamos de ser, do modo como inventamos a nós mesmos.


Marcia Tiburi


Publicado no Caderno Cultura do Jornal Zero Hora de 12 de Junho de 2004. Página 8.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

"A prisão não serve para aquilo que se diz servir, não foi inventada para a ressocialização"


Foucault

Joshua Bronaugh




domingo, 8 de janeiro de 2012


Hoje, finalmente, consegui ver o documentário "O homem que engarrafava nuvens" que trata sobre a história do poeta e compositor Humberto Teixeira.

"O homem que engarrafava nuvens é não só uma celebração da genialidade poética e musical de Humberto Teixeira, mas uma jornada de descoberta do sertão, do baião e da cultura do Brasil."

O documentário é produzido pela atriz Denise Dumont, sua filha.

Obrigado Adauto pelo presente!

A Paixão da Sua Vida

Amava a morte. Mas não era correspondido.
Tomou veneno. Atirou-se de pontes. Aspirou gás. Sempre ela o
rejeitava, recusando-lhe o abraço.
Quando finalmente desistiu da paixão entregando-se à vida, a morte, enciumada, estorou-lhe o coração.


Marina Colasanti

Eu sei, mas não devia

Eu sei que a gente se acostuma.

Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora.

A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.

Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.

A gente se acostuma para poupar a vida.

Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.


Marina Colasanti

Interlúdio

Adeus, Cheeta

Johnny Weissmuller, o melhor Tarzan de todos, era campeão de natação, o que significava que todos os seus filmes como o personagem tinham que incluir pelo menos uma cena dele nadando.

Os jacarés sabiam disso, e ficavam na espera. “Lá vêm os jacarés”, pensávamos todos, no cinema, quando Tarzan mergulhava. “Lá vem ele”, pensavam os jacarés, desanimados. E não falhava. Tarzan mergulhava, e os jacarés mergulhavam atrás dele. Sabiam que não o pegariam, que Tarzan mataria um ou dois e afugentaria o resto, mas o atacavam assim mesmo. Tarzan mergulhava sabendo que os jacarés o atacariam, os jacarés o atacavam sabendo que era inútil, e a plateia se resignava àquele ritual fatalista.

Que era uma das diferenças entre o Tarzan do cinema, pelo menos na fase Johnny Weissmuller, e o Tarzan dos livros. Nos livros Tarzan era descrito como um bom nadador, mas raramente se jogava em rios ou em lagoas, com ou sem jacarés.

Outra coisa: Sheeta, nos livros, era o nome do leopardo (Numa era o leão, Tantor o elefante). A Cheeta chipanzé é uma invenção do cinema.

A atriz que fazia a Cheeta morreu há uma semana. Teria 80 anos, o que sugere que não fosse mais a Cheeta original. Ela simbolizava como ninguém a importância de um certo tipo de coadjuvante no cinema, uma
figura que merece um estudo que ainda não foi feito. O amigo do mocinho, o fiel companheiro que oferece companhia, bom humor ou apenas um contraste desastrado com o herói perfeito, e que volta e meia
interfere decisivamente na ação.

Não foram poucas as vezes, nos filmes, em que a história só pode continuar porque a Cheeta desamarrou as mãos do Tarzan, ou foi buscar ajuda, por exemplo. Há uma longa tradição de amigos do mocinho no cinema e nos quadrinhos, passando pela relação algo suspeita do Robin com o Batman, da estranha parceria do Tonto com o Zorro que só durou tanto tempo porque eles jamais discutiram a sério a relação, do Centelha com o Tocha Humana...

Uma tradição que tem sua origem literária, claro, no Sancho Panza.

Não sei se foram ditas algumas palavras no enterro da Cheeta, lembrando sua importância na história cultural do Ocidente. Ou, vá lá, apenas na história de velhos tarzanófilos. Aqui, de longe, mandei meus respeitos.


 Luis Fernando Veríssimo

sábado, 7 de janeiro de 2012

A dama que palita os dentes

Quando eu menos esperava, alguém disse ao meu lado: “Por que você não escreve sobre a morte?”.
(…)

Pois, como escrevi e disse várias vezes, somos uma sociedade agitada, mas sem muita alegria.

Muita gritaria, pouca comunicação. Muita exibição de sensualidade, tantas vezes artificial e forçada, mas pouco amor. Muito palavrório, pouca realização.

Muitas receitas sobre como educar os filhos, por exemplo, e a meninada tantas vezes sem compustura ( e nós?, e nós?), cheia de exigências, quando deveria era reclamar por estudo melhor, mais rigoroso, mais exigente, melhores professores, mais bem pagos e mais exigidos também. Mas queremos tudo simples e simplificado, queremos logo um bom emprego, de preferência de chefe, claro, quem quer ter de subir no emprego, quem quer ter de subir na vida?

A gente quer estar logo no topo, ganhando bem, e nada de supervisor espiando por cima do ombro para ver se estamos trabalhando no computador ou entrando no face, no twitter, na pornô.

A gente não quer saber de nada sério, morte é coisa de velho,porém, como dizia a Clarice, a Lispector, ” um dia, tinha se passado vinte anos.”

Um dia terão se passado quarenta anos, cinquenta, e a gente não vai nem saber que viveu, porque viveu, como continua vivendo.

” Desperdício” é uma das palavras que mais detesto na nossa língua e na nossa realidade. Desperdício de comida e dinheiro, de esforço, e de vida.

Desperdício dos afetos, quando enganamos ou traímos. Quando somos irresponsáveis feito adolescentes eternos, e não acho graça nenhuma nisso. Atitudes de criança e de adolescente são toleráveis ou até graciosas na idade devida. Depois ficam chatas, depois ficam inconvenientes, ficam burras.

Quando penso na morte, não é só como a sombra da separação, mas como esse enigma que nos espia no fundo de um espelho onde, se sorrimos, nosso reflexo pode não sorrir - e aí o que a gente faz? Aí a gente se arrepende das besteiras, das bobagens, não daquelas naturais, normais - porque não somos perfeitos, que os deuses nos livrem das pessoas exemplares - mas da grande bobagem de ter vivido sem perceber, sem curtir.

Não a curtição da bebida, da droga, da promiscuidade, mas da coisa profunda e gostosa dos bons afetos, da maravilhosa natureza. Dos trabalhos humanos que nos fizeram chegar das cavernas dos trogloditas até a mais apurada tecnologia que nos permite ver e ouvir pessoas amadas a milhares de quilômetros de distância, conhecer culturas, entender gentes, apreciar a arte, percorrer a natureza a mais remota, sem sair da mesa do computador.

O olhar da velha dama à espreita com seus olhos de gato, palitando os dentes como se não tivesse pressa, pode nos levar a mudar um pouco o mundo, sendo interessados, descentes, compassivos, leais. Isto é o que, talvez, a ideia eventual do efêmero de tudo pode nos trazer, sem drama: a consciência do nosso valor, da nossa capacidade, da nossa importância.


Lya Luft
(Veja, edição 2244 - 23/11/2011 - página 28).
Diz-se sempre que uma imagem vale mais que mil palavras, mas isso não é certo. Uma imagem tem limites, o enquadramento despreza o que dele está fora. O que não vemos numa fotografia pode ajudar a entender o que está na imagem.


José Saramago

Cérebro 'começa a declinar aos 45 anos', diz estudo

Um estudo realizado pela University College de Londres (UCL) indicou que as funções do cérebro podem começar a se deteriorar já aos 45 anos de idade.

Entre mulheres e homens com idades entre 45 e 49 anos, os cientistas perceberam um declínio no raciocínio mental de 3,6%.

As conclusões contradizem pesquisas anteriores sugerindo que o declínio cognitivo só começaria depois dos 60.

O estudo, publicado na revista científica "British Medical Journal", foi conduzido ao longo de dez anos, entre 1997 e 2007.

Os cientistas avaliaram a memória, o vocabulário e as habilidades cognitivas - de percepção ou de compreensão - de quase 5,2 mil homens e 2,2 mil mulheres entre 45 e 70 anos, todos, funcionários públicos britânicos.

Os resultados demonstraram uma piora em memória e cognição visual e auditiva, mas não em vocabulário - com um declínio mais acentuado nas pessoas mais velhas.

Entre os indivíduos entre 65 e 70 anos, eles perceberam um declínio mental foi de 9,6% entre homens e 7,4% entre mulheres da mesma idade.

Para os cientistas, isso quer dizer que a demência não é um problema exclusivo da velhice, e sim um processo que se desenrola ao longo de duas ou três décadas.

"É importante identificar os riscos cedo. Se a doença começou em um indivíduo nos seus 50 que só começa a ser tratado nos 60, como fazemos para separar causa e efeito?", questiona o professor Archana Singh-Manoux, do Centro de Pesquisas em Epidemiologia e Saúde da População, na França, que conduziu a pesquisa na instituição londrina.

"O que precisamos agora é analisar aqueles que experimentam um declínio cognitivo mais rápido que a média e saber como parar o declínio. Algum nível de prevenção definitivamente é possível", afirma.

Crise de meia-idade

Singh-Manoux argumenta que as taxas de demência devem aumentar na sociedade na medida em que as funções cognitivas estão conectadas a hábitos e estilo de vida, através de fatores como o fumo e o nível de exercício físico.

Para a Sociedade contra o Alzheimer, uma organização de pesquisa e lobby no combate à demência, o estudo mostra a necessidade de mais conhecimento das mudanças no cérebro que sinalizam o problema.

"O estudo não diz se qualquer dessas pessoas chegou a desenvolver demência, nem quão viável seria para o seu médico detectar essas primeiras mudanças", afirmou a gerente de Pesquisas da Alzheimer Society, Anne Corbett.

"São necessários mais estudos para estabelecer as mudanças mensuráveis no cérebro que possam nos ajudar a melhorar o diagnóstico da demência."

O diretor de Pesquisas na organização, Simon Ridley, reforçou a necessidade de conscientizar a população sobre os benefícios de ter hábitos saudáveis.

"Embora não tenhamos uma maneira infalível de prevenir a demência, sabemos que mudanças simples de hábitos - adotar uma dieta saudável, não fumar, manter o colesterol e a pressão do sangue sob controle - reduzem o risco de demência", afirmou.

"Pesquisas anteriores indicaram que a saúde na meia-idade afeta o risco de demência durante o envelhecimento, e estas conclusões nos dão mais razões para cumprir as resoluções de Ano Novo."


Da BBC Brasil
nickelsonwooster:

Todos são iguais perante a lei?

O Brasil é um país estranho.

Sérgio Buarque escreveu que o brasileiro é um homem cordial - no sentido de que age mais com o coração do que com a razão - e logo leram que o brasileiro é uma pessoa gentil, lhana, de fino trato, que é o significado mais corriqueiro e coloquial da cordialidade. Não era esse, naturalmente, o significado que Sérgio Buarque queria dar ao seu “homem cordial”.

Na semana passada, escrevi algumas observações no Twitter a respeito das declarações do novo presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Ivan Ricardo Garisio Sartori , sobre as férias de dois meses que a lei concede aos juízes.

O desembargador, para defender a lei, disse que “o legislador sempre tem uma razão” e que provavelmente ao dar dois meses de férias aos juízes estava pensando em preservar “a sanidade mental” deles.

No meu comentário eu disse estranhar que num país que de repente se descobriu tão entusiasmado defensor do igualitarismo, ainda existissem defesas tão enfáticas de privilégios de castas e classes especiais.

Todos são iguais perante a lei, reza o artigo V da Constituição, mas Orwell já advertia que alguns são mais iguais que os outros. E olha que Orwell falava da sua revolução dos bichos, não das peculiaridades da “igualdade” brasileira.

Algum motivo deve haver para que a sanidade mental dos juízes seja mais importante que a sanidade mental dos outros mortais, como os açougueiros, os artistas de cinema, os médicos, os engenheiros, os professores, os jornalistas, os pipoqueiros e todo o resto da atribulada humanidade.

Deve haver também um motivo especial para que eles ganhem mais do que os outros, para que tenham licenças-prêmio de 3 meses a cada 5 anos de trabalho, para que ocupem os prédios mais suntuosos de um país onde 11mihões de pessoas moram em favelas, barracos, palafitas ou outros buracos, para que recebam auxilio-moradia mesmo trabalhando na cidade onde moram, para que tenham tantos carros ou tantos funcionários à disposição, ou para que estejam a salvo das investigações do Conselho Nacional de Justiça, que afinal foi criado, em última instância, para evitar que abusassem do poder.

Evidente que no Twitter não há nem espaço para enumerar as últimas e polêmicas discussões que envolveram a instituição do Judiciário, deflagradas, por sinal, interna corporis, pela jurista Eliana Calmon, corregedora nacional de Justiça.

Limitei-me a comentar a estranha noção de igualdade que impera em certos círculos num País tão faminto de igualitarismo.

Recebi uma resposta de um interlocutor que contestou o meu comentário dizendo que eu fazia parte “da classe média ressentida”. Não era um interlocutor qualquer, desses que passam o dia disparando interjeições ou espalhando sabedoria pelo Twitter.

Era um juiz federal titular de uma Vara do Amazonas, professor, pós graduado, ex-Procurador Federal e ex-Advogado da União.

Cordialmente, defendia seus privilégios e os de sua classe, pairando olimpicamente acima do plebeu ressentimento da classe média, que não consegue alcançar, em sua espessa e mesquinha ignorância, a necessidade de que alguns sejam mais iguais do que os outros perante a lei.

Descobrimos, afinal, que os juízes, assim como alguns senadores, são pessoas incomuns.


Sandro Vaia
Fonte: BlogdoNoblat

Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez. E.mail: svaia@uol.com.br

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O calendário de feriados de 2012 está uma alegria só para planejar suas viagens. Ao contrário de 2011, quando a maioria caiu em sábados e domingos, este ano todos caem durante a semana, com exceção de Tiradentes (21 de Abril, um sábado).

Na lista abaixo ainda sugerimos “emendas” para criar SUPERferiados: são dias úteis que você pode acrescentar à programação da viagem, geralmente no início e no fim, o que ajuda na negociação de reserva de passagens e hotéis.

Excepcionalmente, grafamos os dias da semana e meses em maiúscula, para que você possa visualizar melhor as datas. E não deixe de sonhar com as sugestões ousadas (Carnaval e Corpus Christi = 10 dias) e ousadíssima (Novembrão = 17 dias). Vamos viajar!

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. : CARNAVAL – FEVEREIRO : .

Feriadão Carnaval 2012 = 5 dias
• 18 – Sábado
• 19 – Domingo
• 20 – Segunda (emenda)
• 21 – Terça de Carnaval (feriado)
• 22 – Quarta (cinzas)

MEGAferiadão Carnaval (ousado!) = 10 dias
• De 18 (Sábado) a 26 (Domingo)
• São 4 emendas no período: Sexta 17, Segunda 20, Quinta 23 e Sexta 24

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. : SEMANA SANTA (PÁSCOA) – ABRIL : .

Feriadão Páscoa 2012 = 3 dias
• 6 – Sexta-feira Santa (feriado)
• 7 – Sábado
• 8 – Domingo de Páscoa

SUPERferiadão Páscoa 2012 = 5 dias
• De 5 (Quinta) a 9 (Segunda)
• São 2 emendas nas pontas

MEGAferiadão Semana Santa 2012 = 9 dias
• 31 de Março – Sábado
• 1 – Domingo de Ramos
• 2 a 5 – Terça a Quinta
• 6 – Sexta-feira Santa (feriado)
• 7 – Sábado
• 8 – Domingo de Páscoa
• De 31 de Março (Sábado) a 8 (Domingo de Páscoa)
• São quatro emendas no meio da Semana Santa

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. : 1º DE MAIO : .

Feriadão 1º de Maio 2012 = 4 dias
• 28 de Abril – Sábado
• 29 de Abril – Domingo
• 30 de Abril – Segunda (emenda)
• 1º de Maio – Terça, Dia do Trabalho (feriado)

SUPERferiadão 1º de Maio 2012 = 6 dias
• De 27 de Abril a 2 de Maio
• São duas emendas nas pontas

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. : CORPUS CHRISTI – JUNHO : .

Feriadão Corpus Christi 2012 = 4 dias : .
• 7 – Quinta (feriado)
• 8 – Sexta (emenda)
• 9 – Sábado
• 10 – Domingo

SUPERferiadão Corpus Christi 2012 = 6 dias
• De 6 (Quarta) a 11 (Segunda)
• São duas emendas nas pontas

MEGAferiadão Corpus Christi 2012 (ousado!) = 10 dias
• De 1 (Sexta) a 10 (Domingo)
• São quatro emendas: Sexta 1, Segunda 4, Terça 5 e Quarta 6

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. : 7 DE SETEMBRO – INDEPENDÊNCIA DO BRASIL : .

Feriadão 7 de Setembro 2012 = 3 dias
• 7 – Sexta (feriado)
• 8 – Sábado
• 9 – Domingo

SUPERferiadão 7 de Setembro 2012 = 5 dias
• De 6 (Quinta) a 10 (Segunda)
• São duas emendas nas pontas

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. : 12 DE OUTUBRO – NOSSA SENHORA APARECIDA : .

Feriadão 12 de Outubro 2012 = 3 dias
• 12 – Sexta (feriado)
• 13 – Sábado
• 14 – Domingo

SUPERferiadão 12 de Outubro 2012 = 5 dias
• De 11 (Quinta) a 15 (Segunda)
• São duas emendas nas pontas

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. : FINADOS – NOVEMBRO : .

Feriadão Finados 2012 = 3 dias
• 2 – Sexta (feriado)
• 3 – Sábado
• 4 – Domingo

SUPERferiadão Finados 2012 = 5 dias
• De 1 (Quinta) a 5 (Segunda)
• São duas emendas nas pontas

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. : 15 DE NOVEMBRO – PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA : .

Feriadão 15 de Novembro 2012 = 4 dias
• 15 – Quinta (feriado)
• 16 – Sexta (emenda)
• 17 – Sábado
• 18 – Domingo

SUPERferiadão 15 de Novembro 2012 = 6 dias
• De 14 (Quarta) a 19 (Segunda)
• São duas emendas nas pontas

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. : NOVEMBRÃO : .

MEGAferiadão Finados + 15 de Novembro 2012 (ousadíssimo!) = 17 dias
• De 2 (Sexta – feriado) a 18 (Domingo)
• São 9 emendas de dias úteis, passando pelos dois feriados

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. : NATAL – DEZEMBRO : .

Feriadão Natal 2012 = 4 dias
• 22 – Sábado
• 23 – Domingo
• 24 – Segunda
• 25 – Terça (feriado)

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. : RÉVEILLON 2013 – JANEIRO : .

Feriadão Ano novo 2013 = 4 dias
• 29 de Dezembro – Sábado
• 30 de Dezembro – Domingo
• 31 de Dezembro – Segunda
• 1 de janeiro – Terça (feriado)


Créditos para
Gabi Yamaguchi, Viajeaqui

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Cinema


Vem ai o Sherlock Holms 2
Penso que nada é mais absolutamente desprotegido que a virgindade de uma folha em branco.


Teófilo Júnior

Apelo - Antônio Zambujo


Foto Danny Santos
Muitos ventos sopram.
Dentro e fora de mim uivam
lobos que não sou.

Urhacy Faustino

Meio covarde

Eu devia ter dezesseis, dezoito anos no máximo. Teresa era uma vizinha nova e falada. Não eram necessários muitos motivos para uma moça ficar falada naqueles anos 50, mas Teresa conseguiu reunir quase todos: decote, vestido justo, batom vermelho, sardas, tempo demais na janela, marido noturno e bissexto, muito bolero no toca-discos e, motivo dos motivos, corpo em forma de violão, como se dizia. Entre a minha casa e a dela havia um muro. Na época da antiga vizinha, velha, feia, engraçada, amiga que eu visitava sempre, costumava pular nosso muro para encurtar caminho. Ela não se importava e eu era quase uma criança. Agora, olhando disfarçadamente a nova vizinha, eu ficava pensando como seria bom pular o muro outra vez. Mas para essas coisas sou meio covarde.

O muro ficava na área do tanque de lavar roupa. Do lado de lá, ela cantava com uma voz sensual, inquietante. Meu pai não gostava, sabe-se lá por quê. Minha mãe também não, pode-se imaginar por quê. Talvez os motivos dele e dela convergissem para o mesmo ponto, embora diferentes, ponto que era o meu motivo para gostar tanto daquele canto. A voz ficava equilibrando-se em cima do muro: "Meu bem, esse seu corpo parece, do jeito que ele me aquece, um amendoim torradinho". Dava para ouvir minha mãe murmurar: "Sem-vergonha". O "torradinho" era quase um gemido rouco, talvez ela cantasse de olhos fechados. De vez em quando umas calcinhas de renda eram penduradas no varal. Minha mãe não suportava aquilo. Eu tinha vontade de espiar por cima do muro para ver o que ela estava fazendo, mas para essas coisas sou meio covarde.

Não era casada - a suspeita era geral. Mulher casada procura as vizinhas, apresenta o marido, pede uma xícara de arroz emprestado. A independência de Teresa insultava a comunidade solidária de mães, avós e filhas, sempre se socorrendo com um molhozinho de couve, uma olhadinha no bebê, um trocadinho para o ônibus. Os homens tinham pouco que fazer naquele quarteirão: meninos jogando bola na rua, adolescentes trabalhando como office-boys ou balconistas de dia e estudando à noite, maridos trabalhando de dia e relaxando à noite com uma cervejinha — todos desejando Teresa. Quando eu voltava do colégio, perto da meia-noite, via-a no alto do alpendre, esperando o marido, o amante: o homem. Eu olhava, ela fumava, eu passava, ela ficava. Com a repetição Teresa já me sorria, mas eu desconfiava do ar zombeteiro dela e nunca acreditei no sorriso. Tinha vontade de enfrentá-la e perguntar, bem atrevido: está rindo de mim ou pra mim? Em casa, na frente do espelho, ensaiava o tom, mãos na cintura. Quando vinha no bonde, de volta do colégio, planejava: hoje eu falo. Mas nunca consegui. Sou meio covarde para essas coisas.

Uma noite ela assoviou. Usava-se naqueles anos um assovio de galanteio, de homem para mulher, um silvo curto logo emendado num mais longo, fui-fuiiiu, que podia ser traduzido em palavras, e até era às vezes, quando a pessoa queria ser mais discreta, ou quando estava contando que assoviaram para ela, e nesse caso a garota falava: fulano fez um fui-fuiu pra mim. As mulheres às vezes usavam o assovio para imitar com certa graça o jeito cafajeste dos homens, e foi o que Teresa fez naquela noite. Tomei coragem, voltei, abri o portão, subi as escadas, parei na sua frente no alpendre. Ela vestia um penhoar azul e sorria da minha ousadia. Eu pretendia parecer desafiador, seguro, dono da situação, mas o sorriso dela não indicava nada disso. Teresa disse com malícia que o marido estava para chegar, não seria bom encontrar-me ali. Concentrei-me no papel tantas vezes ensaiado, respondi que seria ótimo se ele chegasse, que assim eu poderia explicar que ela havia assoviado, que eu havia subido para tomar satisfações, que não sou palhaço... Não creio que a representação tenha sido muito boa: ela continuava sorrindo. Recostou-se na amurada, usando a luz do alpendre como uma atriz num palco, e sua voz quente convidou: "Ele não vem hoje. Quer entrar um pouco?" Deveria ter sido mais prudente e recusado, mas para essas coisas não sou covarde.

Entrei, conversamos sobre o meu futuro e o passado dela. Vem cá ver minhas fotos, me disse, e eu a segui até um quarto pequeno onde havia uma grande cama, um guarda-roupa, uma mesinha com um abajur. Senta, ela disse. Apanhou no guarda-roupa uma caixa e mostrou-me fotografias de quando era mocinha, cartas apaixonadas de antigos namorados, retratos deles ou de outros com declarações de amor nas costas e uns versos dedicados a ela pelo namorado atual. "Ele não é meu marido, não." Eram sonetos copiados de Camões, palavra por palavra. Amor é ferida que dói e não se sente. Busque amor, novas artes, novo engenho. Alma minha gentil que te partiste. "Eu não gosto muito dele, mas gosto que ele me ame assim. Os meus namorados sempre me amaram muito." Tive ciúmes deles e vontade de contar a ela que os sonetos eram de Camões, mas para essas coisas sou meio covarde.

A roupa que Teresa vestia nem sempre estava onde deveria estar. Conversar em cima de uma cama, recostar, mudar o braço de apoio, apanhar coisas para mostrar, buscar conforto são movimentos que podem impedir um penhoar azul de cumprir seu papel, mesmo que a pessoa não queira. Quando chegou a hora de falarmos de nós, disse-lhe que seus olhares e sorrisos me pareciam zombaria e me deixavam encabulado. Que tinha vontade de perguntar a ela "o quê que há?", em tom de briga. Que tinha só dezessete (ou dezoito?) anos. Ela falou que me achava muito sério para minha idade, muito bonitinho também, que quando ouvia barulho de bonde depois das onze corna para o alpendre para me ver e que às vezes me olhava por cima do muro. Tive vontade de contar que sonhava muito com ela. Mas para essas coisas sou meio covarde.

Quase de manhã, pulei o muro que dava para minha casa. Ela me disse que voltasse outras vezes. Era perigoso e eu deveria ter recusado. Mas para essas coisas não sou covarde.


Ivan Ângelo

Texto extraído do livro “O ladrão de sonhos e outras histórias”, Editora Ática – São Paulo, 1994, pág. 46.
"Champanhe de pobre é sonrisal".

 Filosofia de caminhão

Anvisa orienta panificadoras a produzir pão com menor teor de sal

"Com o objetivo de reduzir o consumo de sal no país, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) lançou um guia com orientações para as padarias e outras empresas de alimentação fabricarem o tradicional pãozinho com menor teor de sal.

Dados da Pesquisa de Orçamento Familiar do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2009,  mostram que o brasileiro consome pelo menos um pão francês por dia, principalmente no café da manhã ou no lanche da tarde. Uma unidade do pãozinho, tamanho habitual de 50 gramas, tem cerca de 320 miligramas (mg) de sódio (correspondente a 40% da composição do sal). A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda consumo diário de 2 mil mg, equivalente a uma colher de chá de sal ".


Da Agência Brasil