quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Romaria - Elis Regina

À deriva


À Deriva, o filme recente de Heitor Dahlia que está em cartaz provocando a mente de seus espectadores é, a meu ver, o próprio nome desta coisa que é “estar à deriva”. Também para pensar nesta sensação - que é ainda um conceito - é que vale a pena assisti-lo. Por si só o filme seria bonito demais, fotograficamente falando, mas provoca tantos pensamentos que não é possível deixá-los de lado.

O filme coloca quem o vê à deriva.

Ouvi algumas pessoas perguntando o que é “deriva”. Um barco sem rumo, ou que perdeu seu porto seguro. Quando vejo um mendigo perambulando pela rua sempre penso no que nele é viajante à deriva. Quando fico diante da televisão, ou com a cabeça vazia de pensamentos, também me sinto à deriva. Fico à deriva quando minha filha viaja. Fico à deriva quando estou muito cansada e não posso mais fazer nada. Talvez seja um conceito bem importante para entender a vida que se leva nas grandes cidades, ou no mundo ligado pelos meios de comunicação, pela tv e pela internet. Estar à deriva é ter sobrado em algum lugar. Ou ter tempo sobrando e não ter o que fazer com ele. Talvez o cotidiano seja o mar onde cada um ora se acha, ora se perde.

A história da menina Felipa não serve só para tornar ainda mais problemática a descoberta da sexualidade na adolescência que se confronta com a confusão adulta entre dor e poder. As relações adultas, entre aqueles que depois de tudo o que viveram deveriam ter “amadurecido”, mostram-se infantis requerendo outras posturas de quem é mais jovem e ainda não viveu, mas, como diz Felipa, viveu o suficiente para ter visto muita coisa.

O filme é para adultos que um dia foram adolescentes. Para adolescentes que querem ser diferentes dos estereótipos inventados pelos adultos e para adultos que se tornaram cegos. Como cinema é a arte de reaprender a ver, quem sabe o filme ajude como espelho.

Eu disse que diante do enredo e das imagens que compõem o filme fica-se facilmente ”à deriva”. Isso pode ser interpretado em dois níveis pelo menos. Um deles é o do “significante”: as imagens todas buscam criar a atmosfera dos afetos que a água vem representar. Assim é que no filme, corpos flutuam na água, a água escorre, a água lava a louça; as crianças brincam na água, de brigar, de afogar. A água, seja da piscina, seja da torneira, seja do mar, é mais que pano de fundo, é atmosfera geral. E os personagens, como peixes, são os que menos sabem da água. Bom seria ler pra acompanhar o livro de Gaston Bachelard chamado A água e os Sonhos.

Lembrei de Heráclito e a idéia de que ninguém vai entrar na mesma água duas vezes.

Tramando-se na aquosidade que nos põe no âmbito estético, surge o âmbito ético do filme. O enredo conta uma história em que a descoberta pessoal da sexualidade, a perda da inocência, culminam na viagem de uma garota para fora de sua infância. Mas, sobretudo, me pareceu uma viagem que nós, espectadores temos de fazer para longe de nossas ilusões sobre a adolescência.

Assim é que me parece que o filme vai bem além da questão do alcance da sexualdiade/ perda da inocência. Dos vários momentos em que a decisão de Felipa é posta à prova, há uma de séria inflexão para a idade adulta. Refiro-me à cena em que ela tem nas mãos um revólver e mira o abismo. Lembra as pinturas do romantismo alemão do século XIX. Caspar David Friedrich, por exemplo. Lembra a filosofia de Kierkegaard para quem a angústia é a condição humana diante da escolha. A escolha é sempre abismo.

O filme mostra, neste aspecto, uma compreensão da adolescência como confronto com o abismo. Estar à deriva é, de certo modo, estar na vertigem. Para mim, esta cena descrita mostra a imagem genérica da vida de muitas pessoas que conheço, que conheci. Certamente, de tantas outras que não tive a sorte de conhecer. Pessoas que viveram a adolescência como um limiar, como um limbo, uma suspensão.

O filme é bem mais que isso. Jogo de forças entre gerações, gêneros e visões da família, do sexo, dos filhos, do marido, da mulher. É uma exploração no campo dos afetos sutis. Mas é, evidentemente, uma visão da passagem ao mundo adulto, uma visão que supõe o olhar de quem está de fora. Também esta passagem ao mundo adulto pode ter dois lugares: a ética ou a covardia. Esta última parece caracterizar muito mais a vida dos adultos.

Quando eu era jovem - bem jovem - eu prometi à minha juventude que eu nunca perderia a minha crença de que a vida não seria como querem os adultos. Eu quero ficar velha, sempre digo, mas não quero ficar antiga. Vendo este filme, descobri que quero ficar velha e permanecer jovem. Adulta realmente não está nos meus planos.


Márcia Tiburi
http://colunas.gnt.globo.com/pinkpunk/

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Conselho Nacional de Justiça vota na próxima terça relatório de inspeção no Tribunal de Justiça da PB


O Pleno do Conselho Nacional de Justiça vota na sessão da próxima terça-feira, 18, o relatório da inspeção realizada no Tribunal de Justiça da Paraíba no último mês de maio. A data foi confirmada pela corregedoria do CNJ na manhã desta sexta-feira, 14, ao WSCOM Online.

O relatório foi feito pela comissão que realizou a inspeção no TJ da Paraíba e será apreciado pelos ministros na sessão ordinária da próxima terça.

A inspeção começou a ser realizada no dia 25 de maio e mesmo antes da votação do relatório final, já surtiu efeito com a realização de um Mutirão Carcerário, já que o corregedor geral do CNJ, ministro Gilson Dipp, enfatizou que a situação era precária na Vara das Execuções Penais.

O corregedor disse ainda que tem percebido em todos os estados por o CNJ tem feito inspeções um problema tem sido constante, a falta de maior estrutura para o 1º grau em detrimento dos tribunais. “Os tribunais geralmente estão muito bem aquinhoados de funcionários, de estrutura e com menos processos e o congestionamento sempre estar no 1º grau”, disse.

Com relação ao nepotismo e ao nepotismo cruzado, Dipp disse que esse tema tem sido analisado pela equipe da corregedoria e que se identificado algum caso, o presidente do Tribunal de Justiça terá que tomar alguma providência.


Fonte:
Marcos Wéric
Wscom Online

Maconha evita enfraquecimento dos ossos em idosos


A maconha pode ajudar a combater a osteoporose por ter um efeito protetor em relação ao enfraquecimento dos ossos nos idosos, segundo um estudo da Universidade de Edimburgo (Escócia) divulgado nesta quinta-feira.

A pesquisa foi realizada com ratos e constatou que a maconha ativa uma molécula-chave que ajuda a evitar o desenvolvimento da osteoporose, uma doença que afeta 30% das mulheres e 12% dos homens mais velhos.

Outro elemento positivo que os cientistas da Universidade de Edimburgo descobriram sobre determinados elementos da maconha é que previne o acúmulo de gordura nos ossos.

Stuart Ralston, professor de reumatologia desta universidade, disse que a descoberta "é um passo à frente apaixonante", mas lembrou que se trata de resultados iniciais e que são necessárias novas análises clínicas em laboratório para determinar como os efeitos da maconha diferem em função da idade.

"Devemos realizar em breve novos exames e esperamos que os resultados ajudem a desenvolver novos tratamentos valiosos na luta contra a osteoporose", afirmou Ralston.

O pesquisador esclareceu que fumar maconha misturada com cigarro é "ruim em qualquer idade" para os ossos e para a saúde em geral, e indicou que, no caso dos idosos, "os efeitos psicotrópicos" da droga "podem aumentar o risco de quedas, e portanto de quebra de ossos".

"A fórmula ideal para avançar neste terreno seria desenvolver um medicamento parecido com a maconha que não tivesse um efeito direto sobre o cérebro, mas sobre a periferia", afirmou Ralston.


Fonte:
Do Portal Uol

O Brasil é o maior consumidor de pornografia infantil


O Brasil é o maior consumidor de pornografia infantil na Internet. O maior volume de crime cibernético é cometido por esta Nação. São milhões de brasileiros, em frente ao computador, consumindo pornografia infantil. E isso não se paga com cheque, nem com duplicata, é com cartão de crédito. E palmas para os operadores de cartão de crédito, que não precisaram ser chamados. Apresentaram-se à CPI da Pedofilia com o sentimento de quem têm alma, de quem têm noção exata da necessidade de guardar nossas crianças, que são nosso futuro.

Depois de seis meses de estudo, assinamos o Termo de Ajuste de Conduta. Muito importante! Ele estabelece que, a partir de agora as autoridades brasileiras terão um cartão chamado “cartão rastreador”. E, com esse cartão rastreador, elas entrarão nos sites de relacionamento, nas salas de bate-papo denunciados como criminosos. Entrarão e terão como checar, e terão como tomar providências. Os indivíduos que compram pornografia ficarão registrados, e seu registro, de maneira automática, irá para a Polícia Federal.

(...) O Brasil é um grande abusador. O abuso de criança no Brasil passou todos os limites – se é que há limite para se tolerar qualquer tipo de crime e, muito pior, o crime de abuso de crianças.

(...) Estive em Alto Rio Novo, onde aconteceu uma coisa interessante: eu falava e trouxeram umas escolas com crianças de onze, doze anos de idade. E, no final, quando eu ensinava às famílias quem era o pedófilo, o modus operandi do pedófilo, e falava sobre bolinamento – esse novo tipo penal que criamos na CPI, que criminaliza o bolinamento –, ou seja, a manipulação do órgão genital da criança. E, quando eu dizia como o pedófilo faz para alcançar a criança e depois levar a criança para o bolinamento, ou seja, à manipulação do órgão genital – para depois levá-la ao abuso, ou seja, à conjunção carnal –, algumas crianças começaram a chorar. Olhavam uma pra outra, desconfiadas, e choravam.

No final, eu as recebi em uma sala, e a maioria daquelas crianças que estavam em Alto Rio Novo confessou o bolinamento por uma pessoa só. Uma pessoa acima de qualquer suspeita na cidade, que, inclusive, estava assistindo à minha palestra. Quando percebeu o movimento, no final, porque eu falava e mostrava algumas imagens, ele saiu muito rapidamente. Um homem religioso, um presbítero!

(...) Sr. Presidente, na quinta-feira retrasada, antes de começar o recesso, foi votado, por unanimidade, no plenário deste Senado a alteração do 244, do Estatuto da Criança e do Adolescente, que já seguiu para votação na Câmara. Onde a criança de zero a 14 anos for encontrada depois de sofgrer abuso, se dará o perdimento do bem móvel e imóvel. Isso quer dizer o seguinte: se ela for abusada num motel, o dono do motel irá perder seu imóvel. Se for encontrada uma criança de 13 ou 14 anos num posto de gasolina, o dono do posto perderá o posto. Vai perder o hotel, vai perder a pousada, vai perder o caminhão, vai perder o táxi, vai perder o imóvel, até a Igreja.

Por que estou falando em Igreja? Porque tem milhares de religiosos no Brasil abusando de crianças.
Eu tenho imagens de religiosos abusando de crianças em cima do altar! Do altar! Eu tenho imagens! A nossa mente não alcança isso. É a própria degradação da humanidade e que requer que todos estejamos juntos.

Nessa mesma lei, tornamos crime hediondo o crime de abuso de criança de 0 a 14 anos de idade. Agora, essa lei já foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira próxima passada. É lei no Brasil! Olhem só que maravilha! E o Brasil ainda não tomou conhecimento. Mudou-se o nome dos títulos dos crimes de natureza sexual para “crimes contra a dignidade sexual”, em vez de “crimes contra os costumes”. Tipifica-se o "estupro de vulnerável”: é aquele que tem como vítimas menores de 14 anos ou pessoas com deficiência mental. A pena vai variar de oito a 15 anos de reclusão.

Sabem por que estou falando isso? Porque tem um tipo de pedófilo na sociedade que só quer abusar de criança com Síndrome de Down. Há um tipo de pedófilo que só quer abusar de criança com lesão mental e na cadeira de roda, criança deficiente, criança com aspecto doentio, criança desnutrida.

Prestem atenção, tarados de plantão: definiu-se, objetivamente, que a relação com menor de 14 anos é estupro. Se houver participação de quem tenha o dever de cuidar ou proteger a criança (se houver a participação dessa pessoa), o tempo de condenação será aumentado em 50%. Ou seja: a mãe permitiu; o pai permitiu; o pai levou; a tia facilitou, então terá 50% da pena aumentada. O autor de estupro contra maiores de 14 anos e menores de 18 anos – olhem bem – será punido com oito anos a 12 anos de prisão. Atualmente, a pena varia de seis a 10 anos.

Para qualquer crime sexual que gere gravidez – lá em Roraima tinha uma menina de oito anos e outra de 12 grávidas do Procurador que tomou 259 anos de cadeia. Para esse tipo de crime a pena aumentará em 50%.

(...) Agora, eu recebi um telefonema dizendo que em Açailândia, no Maranhão, está preso o diretor de um colégio (diretor e professor do colégio mais importante da cidade) porque estuprou a netinha de três anos de idade. Então, vejam: se houver a participação de quem tem o dever de cuidar e proteger a vítima, o tempo de condenação será aumentado em 50%.

(...) Se, no ato, a vítima contrair alguma doença sexual – lá em Roraima, a menina estava com doença venérea, a que estava grávida do Procurador – haverá acréscimo de um sexto à metade do tempo de condenação. Mas a lei no Brasil não retroage; se retroagisse a pena dele iria aumentar.

Se o estupro resultar em morte... Eu tenho caso de pai preso, no meu Estado [Espírito Santo], que estuprou a filhinha de dois anos. A bichinha morreu, e ele achou pouco, enfiou um cabo de vassoura no ânus da criança, tirou a mucosa. Fui ouvir esse cara-de-pau, coloquei a foto da criança na frente dele, e ele disse: “É minha filha”. Se o estupro resultar em morte, a pena máxima, que atualmente é de 25 anos de prisão, passa para 30 anos.

O autor de assédio sexual a menores de 18 anos, que hoje é apenado entre um e dois anos de reclusão, terá a pena aumentada de um ano e quatro meses a dois anos e oito meses.

A nova lei também estabelece que tanto homens quanto mulheres podem ser vítimas de crime contra a liberdade e o desenvolvimento sexual. Deixa de existir o crime de atentado violento ao pudor, mas homens podem ser vítimas de estupro. Antigamente, falava-se em estupro só para mulher, só menina, não menino.
Agora, inclui-se o homem.

(...) Para o tráfico de pessoas no país a pena será de dois a seis anos de reclusão, enquanto a modalidade internacional será apenada com três a oito anos, sendo aumentada em 50% no caso de a vítima ser menor de 18 anos. Há crianças passando pela Ilha de Marajó e indo para a Guiana Francesa.

(...) As ações penais de natureza sexual passaram a ser públicas, incondicionadas e não mais privadas. Sabem o que isso quer dizer? A ação só podia ser aberta se pai e mãe fizessem a denúncia e autorizassem. Se pai e mãe não autorizassem, dissessem: “Não, eu não quero, não, porque vai expor meu filho, vai envergonhar minha família, foi acontecido na igreja, a gente não quer expor porque é o padre, não quer expor porque é o pastor. Nós vamos embora da nossa cidade, não pode fazer.” Então, ninguém fazia.

Esperava a criança fazer 18 anos e, com 18 anos, ela tinha seis meses para fazer a sua denúncia. Passados seis meses, se não houvesse denúncia, o molestador deixava de responder pelo crime. Agora não, as ações penais de natureza sexual passaram a ser públicas. Querendo ou não a família, o Ministério Público pode fazer a denúncia.

(...) O que a família precisa aprender? Primeiro, quem é o pedófilo. O pedófilo é uma sombra. Ele age no escuro. Pelo pedófilo qualquer um põe a mão no fogo. É alguém acima de qualquer suspeita. Ele não é truculento, ele é uma pessoa amável, fácil de fazer amizade. De cada dez casos, seis têm pai no meio. Pode ser um tio, pode ser o próprio avô da criança, pode ser o melhor empregado, pode ser aquele sujeito que leva as crianças para a escola, pode ser o sujeito que dirige a van, pode ser aquela pessoa do relacionamento, pode ser marido da sua melhor amiga, que fica com os seus filhos em casa para dormir enquanto você viaja, pode ser o sacerdote da sua igreja, seja qual credo for, pode ser alguém na creche, pode ser alguém na escola. Então, é preciso saber quem é ele.

(..) Como os pedófilos agem? Eles não são truculentos. O estuprador é truculento. Ele cerca uma mulher de 80 anos, joga-a no matagal, estupra-a, sacia sua lascívia, vai embora, deixa-a sangrando e chorando. Mas o que ele fez com uma de 80 faz com uma de 40, com uma de 30, com uma de 13, com uma de 20, na força, com uma faca na mão, com um 38 na mão, ameaça de morte e estupra na marra.

O pedófilo não. O pedófilo é amável, um conquistador, gosta de dar presentes, gosta de festejar, tem sempre alguma coisa na sua casa que chama a atenção da criança, um DVD, um filme infantil, um balãozinho, uma bola, um bichinho de pelúcia. É alguém que gosta de presentear, de andar com a criança no colo, se prontifica sempre a tomar conta dos seus filhos. O modus operandis deles é sigiloso. Eles operam, conquistam, oferecem, trocam a emoção, a confiança da criança por um brinquedo, por um doce, por um lanche, por um tênis.

Depois, bolinam a criança, manipulam a criança; depois, levam para o abuso definitivo. E aí impõem o império do medo sobre a cabeça da criança. E o império do medo é sempre assim: “Olha, é um segredinho nosso. Ninguém pode saber, nem seu pai, nem sua mãe. Se alguém ficar sabendo, pode acontecer uma coisa ruim”. E a criança, debaixo do império do medo, começa a sinalizar. E mãe e pai precisam aprender, perceber uma criança abusada.

Uma criança abusada dá sinais. Primeiro, volta a fazer xixi na cama; se nunca fez, vai fazer. Uma criança abusada cai em rendimento na escola; come compulsivamente porque fica nervosa, ou para de comer; fica depressiva; de noite, tem pesadelo, grita, dormindo; reclama de dor nas pernas; ou fica malcriada, mal-humorada. Era uma criança dócil, não é mais. Só quer dormir na casa da coleguinha, só quer estar na casa da tia, não quer mais dormir em casa, não quer mais ir à escola, não quer ir mais à creche.

Quando você fala na casa da vovó, ela reage porque está sendo abusada por alguém ali. Quando tem festa de família, alguns chegam, ela corre e se esconde atrás de você. Criança abusada dá sempre um sinal. E é preciso perceber. Mas a coisa mais importante é imunizar uma criança. Nós estamos vivendo abuso de criança de um ano de idade. Eu eu tenho imagens de médicos abusando de criança de vinte dias de nascida. Eu tenho imagens de criança de um ano sendo abusada. E eu tenho imagens de crianças de dois, três anos, amarrada, recebendo conjunção carnal, criança que foi brincar na casa do tio, na casa do amiguinho do lado.

Como imunizar a criança? É preciso quebrar os tabus. É pegar a criança na hora do banho – a mãe, pai não – e dizer assim: “Meu filho, isto aqui é seu órgão...”. Criança não entende o que é órgão genital. Mas falar assim: “Meu filho, isto aqui é seu piu piu”... Eu não sei como se fala nos outros Estados, mas, sei lá... “Este aqui é seu piu piu”. “Isto aqui, minha filha, é sua perereca. Aqui é seu bumbum”. É assim que tem que fazer: “Isto aqui, Papai do Céu deu para fazer xixi. Ninguém pode tocar, ninguém pode botar a boca aqui, ninguém pode colocar o dedo, ninguém pode. Carinho em criança, meu filho, faz no rosto, faz na mão, faz na testa. Quem põe a mão aqui não gosta de você, não gosta de papai, não gosta de mamãe. Ele quer ver você triste, ele quer ficar alegre e deixar você triste. Você vai crescer um homem triste, você vai crescer uma mulher triste, você vai chorar de noite, vai ter pesadelo. Meu filho, se alguém fizer isso, você corre, você grita. Se alguém lhe der um doce, der um brinquedo, der um lanche, tentar botar a mão na sua cuequinha, dentro da sua calcinha, você fala: ‘Mamãe falou que não pode, que está errado. Não é aí que faz carinho em criança’. Grita, corre, conta para mamãe”. E aproveita e pergunta logo se alguém já não isso com ela.

É preciso imunizar, com informação, os nossos filhos, porque o abuso acontece em todos os lugares.



(Trechos do discurso pronunciado ontem pelo senador Magno Malta (PR-ES), presidente da CPI da Pedofilia)

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A Lista - Oswaldo Montenegro

Dizeres íntimos

É tão triste morrer na minha idade!
E vou ver os meus olhos, penitentes
Vestidinhos de roxo, como crentes
Do soturno convento da Saudade!

E logo vou olhar (com que ansiedade!...)
As minhas mãos esguias, languescentes,
Mãos de brancos dedos, uns bebés doentes
Que hão-de morrer em plena mocidade!

E ser-se novo é ter-se o Paraíso
É ter-se a estrada larga, ao sol, florida,
Aonde tudo é luz e graça e riso!

E os meus vinte e três anos...(Sou tão nova!)
Dizem baixinho a rir "Que linda a vida!..."
Responde a minha Dor: "Que linda a cova!"


Florbela Espanca

Charge - Néo Correia


terça-feira, 11 de agosto de 2009

Vacina de gripe suína começa a ser produzida em outubro no Brasil


A matéria-prima para produção de vacinas contra a gripe A (H1N1) acaba de chegar ao Brasil, e a vacina deve ser produzida a partir de outubro. Segundo o presidente da Fundação Butantan, Isaias Raw, responsável pela produção, o processo para produção da vacina para gripe comum é o mesmo, e será apenas preciso adaptá-la ao novo vírus.Temporão confirma 192 mortes e defenda distribuição de remédio controlada

Ele avalia que o Brasil será pressionado para atender também os países vizinhos, pois não há outra fábrica de vacinas na América Latina. O Ministério da Saúde está negociando a importação de 17 milhões de doses da vacina, além do que poderá ser produzido no Butantan.

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou nesta terça-feira (11) que a compra de vacinas no exterior está acertada, e não vão faltar recursos para os órgãos de produção de remédios, vacinas e reagentes para diagnósticos.

Segundo ele, o Brasil já registrou 192 mortes por gripe A (H1N1), a chamada gripe suína. O último boletim divulgado pelo ministério indicava 96 óbitos.

São Paulo tem 40% das mortes, seguido por Rio Grande do Sul (23%), Paraná (22%) e Rio de Janeiro (12%). Segundo o ministro, 28 gestantes morreram em decorrência da nova gripe e dessas, 30% apresentavam outros fatores de risco. Outras 107 grávidas que contraíram a doença já receberam alta e passam bem.

Durante audiência na Câmara dos Deputados, Temporão voltou a criticar o pânico criado em torno da nova gripe e disse que o governo retardou ao máximo - por 80 dias - a entrada do vírus no país. O retardamento, disse, é um marco importante.

Ele explicou que agora que o vírus já circula em território nacional, o foco do ministério é o atendimento médico-hospitalar.

O ministro afirmou ainda que há um projeto de lei sendo elaborado para aperfeiçoar a legislação para combater epidemias e que deve haver aumento do repasse de verbas a Estados e municípios para internação de pacientes graves.

Tamiflu

O ministro aproveitou a audiência para se defender da crítica de que não estaria disponibilizando à população quantidade suficiente de medicamentos contra a nova gripe. Segundo ele, não pode haver um uso indiscriminado do antiviral Tamiflu, porque o vírus pode apresentar uma mutação e casos de resistência já foram apresentados em outros países.

"Nossa política de distribuição atende com folga a demanda. Durante este mês de agosto, mais de 800 mil tratamentos estão sendo imediatamente descentralizados para distribuição nos municípios", disse.

Ao todo, o ministro diz que foram entregues 392 mil tratamentos completos, sendo 10.881 para crianças.

Temporão destacou ainda que um estudo recente aponta que os medicamentos antivirais podem causar efeito colateral e trazem apenas benefícios de curto prazo para crianças de até 12 anos de idade. "Este dado fortalece a decisão de uso racional, indicado e prescrito", disse.

Fim da epidemia

O diretor-geral do hospital Emílio Ribas e professor da USP, David Uip, também foi ouvido durante a comissão e previu o fim da epidemia da nova gripe após o inverno.

"O inverno chegará ao fim sem que sejamos atingidos com mais gravidade, e agora é preciso evitar as complicações e diminuir o número de mortos", avaliou.

A gripe comum, que atinge o mundo todo sazonalmente no inverno, matou 426 mil pessoas nos Estados Unidos nos últimos 20 anos, e, segundo Uip, a avaliação é que a nova gripe é semelhante. A estimativa é que 5% a 6% dos doentes sejam internados, dos quais 28% podem ter formas graves da doença, e apenas 10% morrem. "Os dados internacionais preveem 15% de pessoas infectadas, e até 30% nas estimativas mais catastróficas", disse.

Quebra de patente

A professora de Relações Internacionais da USP Deisy Ventura recomendou que haja cooperação internacional no combate à gripe e aproveitou a comissão para defender a quebra de patentes de medicamentos para garantir o tratamento. Segundo ela, o acesso à vacina também precisa ser igualitário.

Grávidas

Já o vice-diretor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), José Geraldo Ramos, afirmou que o Brasil deve se preparar cada vez mais para combater a gripe e dar atenção especial às mulheres grávidas.

Na opinião dele, as grávidas são quatro vezes mais suscetíveis à gripe e, por isso, é preciso dar mais atenção à elas, inclusive em relação à gripe sazonal.

Ele defendeu que as gestantes usem os remédios mais precocemente que outros grupos, que sejam retiradas dos locais de trabalho até o fim do pico da doença e que sejam vacinadas.

Dados da OMS

No mundo, o número de pacientes com a nova gripe já chega a 177.457 em mais de 170 países e as morte somam 1.462, um aumento de 308 vítimas desde a última contagem, há uma semana. Os dados constam do boletim epidemiológico da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado hoje.

A porta-voz da OMS Fadela Chaib lembrou que o número de pessoas infectadas oferecido pela organização não é representativo da realidade, já que os países não têm mais que comunicar sobre cada caso e que a grande maioria é dos pacientes apresenta sintomas leves e, portanto, não são feitos exames de laboratório para confirmar a existência do vírus.


Fonte:
Do UOL Notícias*
Em São Paulo

Com uma morte a cada cinco casos confirmados, Gripe A mata 40 vezes mais na PB do que a média nacional


O Estado da Paraíba já confirmou 10 casos da nova gripe H1N1 e vitimou duas pessoas. Com base em dados da média nacional apresentados na manhã de ontem (10) durante entrevista coletiva na Secretaria Estadual de Saúde, quando a equipe do secretario José Maria de França informou que a cada 200 casos registra-se uma morte, conclui-se que na Paraíba a nova gripe mata 40 vezes mais que no restante do Brasil.

Na região Nordeste, a Paraíba também se destaca à frente dos outros Estados. Quatro mortes já foram confirmadas na região, sendo duas no estado da Paraíba, uma em Pernambuco e outra na Bahia.

A morte de um menino de apenas 13 anos no último domingo (10), na cidade de Campina Grande, pode ser o terceiro caso fatal na Paraíba.

O próprio secretário José Maria de França admitiu que, nos próximos meses, deverá haver um aumento considerável de casos de Gripe A no estado. De qualquer sorte, ele assegura que a Secretaria de Saúde do Estado está cumprindo todos os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde e que está sendo ampliada a rede de combate à doença.

Números

Segundo levantamento apresentado por José Maria de França na coletiva, a Paraíba já registrou 46 notificações, mas apenas em 10 casos foi confirmada incidência de Gripe A.

Do total de 46 notificados, 21 casos foram descartados, 15 estão em investigação e nove estão sendo acompanhados.

Atualmente, a Paraíba conta com 680 lotes de medicamento disponíveis para tratamento da doença. Segundo o secretário, em cada tratamento é necessária a utilização de um lote por pessoa.

Fonte: PBAGORA

Temendo paciente com suspeita de gripe suína, funcionários fogem de hospital em Cajazeiras

Um fato ocorrido no último final de semana, no Hospital Regional de Cajazeiras, deixou a população bastante apreensiva e temerosa quanto as condições de tratamento da gripe A na principal casa de saúde que presta assistência a cerca de 15 municípios da região.

Um paciente que não teve o nome revelado, oriundo do município de Bonito de Santa Fé, deu entrada naquela casa de saúde encaminhado por profissionais da área médica, com suspeita de ter contraído o vírus H1N1.

Segundo informações, no momento que o paciente chegou ao hospital funcionários temendo contrair o vírus da gripe partiram em retirada. Maqueiros, porteiros e até enfermeiros abandonaram a recepção.

Nem mesmo um médico apareceu para atender o paciente, que foi orientado por uma enfermeira a viajar para João Pessoa. O paciente que chegou de São Paulo recentemente estava com alguns sintomas mais não existia certeza de estar com a doença. Ele foi transferido para um hospital de João Pessoa e até o presente momento não há informações sobre seu estado de saúde, tão pouco para qual unidade hospitalar foi encaminhado.

Fonte:
PBAGORA com CZN

Tribunal de Justiça garante que todos aprovados em concurso dentro das vagas terão de ser chamados


O Superior Tribunal de Justiça (STJ) avançou na questão relativa à nomeação e posse de candidato aprovado em concurso público. Por unanimidade, a Quinta Turma garantiu o direito líquido e certo do candidato aprovado dentro do número de vagas previstas em edital, mesmo que o prazo de vigência do certame tenha expirado e não tenha ocorrido contratação precária ou temporária de terceiros durante o período de sua vigência.

O concurso em questão foi promovido pela Secretaria de Saúde do Amazonas e ofereceu 112 vagas para o cargo de cirurgião dentista. O certame foi realizado em 2005 e sua validade prorrogada até junho de 2009, período em que foram nomeados apenas 59 dos 112 aprovados.

Antes do vencimento do prazo de validade do concurso, um grupo de 10 candidatos aprovados e não nomeados acionou a Justiça para garantir o direito à posse nos cargos. O pedido foi rejeitado pelo Tribunal de Justiça do Amazonas com o argumento de que a aprovação em concurso público gera apenas expectativa de direito à nomeação, competindo à administração pública, dentro do seu poder discricionário, nomear os candidatos aprovados de acordo com sua conveniência e oportunidade, ainda que dentro do número de vagas previsto em edital.

O grupo recorreu ao Superior Tribunal de Justiça. Acompanhando o voto do relator, ministro Jorge Mussi, a Turma acolheu o mandado de segurança para reformar o acórdão recorrido e determinar a imediata nomeação dos impetrantes nos cargos para os quais foram aprovados.

Ao acompanhar o relator, o presidente da Turma, ministro Napoleão Nunes Maia, ressaltou que o Judiciário está dando um passo adiante no sentido de evitar a prática administrativa de deixar o concurso caducar sem o preenchimento das vagas que o próprio estado ofereceu em edital. Segundo o ministro, ao promover um concurso público, a administração está obrigada a nomear os aprovados dentro do número de vagas, quer contrate ou não servidores temporários durante a vigência do certame.

Em precedente relatado pelo ministro Napoleão Nunes Maia, a Turma já havia decidido que, a partir da veiculação expressa da necessidade de prover determinado número de cargos através da publicação de edital de concurso, a nomeação e posse de candidato aprovado dentro das vagas ofertadas transmuda-se de mera expectativa a direito subjetivo, sendo ilegal o ato omissivo da administração que não assegura a nomeação de candidato aprovado e classificado até o limite de vagas previstas no edital, por se tratar de ato vinculado.

Falando em nome do Ministério Público Federal, o subprocurador-geral da República Brasilino Pereira dos Santos destacou que, antes de lançar edital para a contratação de pessoal mediante concurso público, a administração está constitucionalmente obrigada a prover os recursos necessários para fazer frente a tal despesa, não podendo alegar falta de recursos financeiros para a nomeação e posse dos candidatos aprovados.


Fonte: STJ

Frase

"Eu sinto a necessidade de haver portadores de utopia e eu estou disposta a ser a portadora de uma utopia".


Senadora Marina Silva (PT-AC), convidada pelo PV para disputar a vaga de Lula

23% dos usuários têm planos insatisfatórios

Segundo a ANS, eles representam cerca de 9 milhões de clientes de operadoras que tiveram nota entre 0 e 0,39, em uma escala que vai até 1.

Cerca de 9 milhões de usuários de planos de saúde médico-hospitalares são atendidos atualmente por operadoras consideradas insatisfatórias pela própria Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão responsável pela regulação do setor. Representam 23% do total. Está na mesma situação outro 1,379 milhão de clientes de planos odontológicos (ou 18%).

Esse grupo é atendido por empresas que tiveram o Índice de Desempenho da Saúde Suplementar (IDSS) variando de 0 a 0,39 (em uma escala de 0 a 1, sendo esse o melhor patamar). Esses dados estão no Programa de Qualificação da Saúde Suplementar, referentes a 2008 e divulgados ontem pela ANS. Segundo o diretor-presidente da agência, Fausto Pereira dos Santos, são essas operadoras que terão um foco maior da fiscalização.

Santos diz que os fatores que mais pesaram para as notas ruins foram a baixa capacidade econômica da operadora para arcar com os serviços e a má gestão da assistência aos usuários. Mesmo assim, a avaliação global do setor foi positiva, porque 77% dos beneficiários são atendidos por empresas com índice acima de 0,4.


Fonte
O Estado de São Paulo
Alexandre Rodrigues

domingo, 9 de agosto de 2009

Pai - Fábio Júnior

Senhoras e senhores, respeitável público, com vocês: o mundo do circo!


Amigos do Blog, ao receber um telefonema do amigo Teófilo, relembramos juntos detalhes de um tempo que não voltará jamais; e por assim ser, volto novamente à esta página para juntos lembrarmos um pouco mais do " maior espetáculo da terra".

SENHORAS E SENHORES...RESPEITÁVEL PÚBLICO...COM VOCÊS...O MUNDO DO CIRCO!

Não posso deixar de comentar que quando o circo chegava na cidade de Pombal; e era assim também em outras cidades interioranas, logo se percebia pela grande quantidade de veículos e trailers que desembarcavam toda uma parafernáfia de objetos ao chão e logo se ouvia o barulho das estacas e a colocação do mastro central para a instalação da lona; que em sua grande maioria, parecia mais uma colcha de retalhos e logo se percebia por ela, se o circo era "rico" ou "pobre"; mas, não era só isso.

Me lembro muito bem que eu via famílias inteiras morando em pequenas tendas e alguns; geralmente os donos do circo e seus parentes, em traillers que tinham inclusive o que havia de mais moderno na época: Um televisor preto e branco. Ao estender a lona; em pouco tempo já se podia ouvir um carro velho caindo aos pedaços anunciando que...O CIRCO CHEGOU...e me lembro bem que, os que tinham mais dinheiro ficavam nas cadeiras da frente e eu, sempre ficava nos "puleiros" (isso mesmo) puleiros. Sempre achava arriscado ficar sentado naquelas tábuas , mas o mais interessante é que era justamente lá...onde estava a maioria do público, onde podíamos sentir com mais emoção o calor do espetáculo...e eu me lembro bem...pois a propaganda dizia...além dos mágicos, trapezistas e gozadíssimos palhaços, tinha também as bailarinas, onde, no auge da minha puberdade por volta dos 12 anos, ví uma delas ao céu...girando...suspensa ao ar com uma corda...meu Deus!!!era ela linda!!! com um mini vestido e sapatilha vermelha...parecia um anjo em forma de mulher!!!

Ao chegar segunda na escola, lá estavam eles...o pessoal do circo distribuindo "cortesias pela metade" ou seja, era um ingresso que dava o direito de você pagar meia entrada.

Me lembro bem que a noite a lotação era geral, onde em muitos circos,quem estava dentro queria sair e quam estava fora queria entrar; isso sem esquecer o jeitinho brasileiro de entrar por debaixo da lona sem pagar; coisa que eu nunca fiz; mas muitos procuravam, dando voltas ao redor do circo , encontrar uma maneira de entrar sem pagar .

Era uma aventura arriscada e cheia de emoções. Muitos foram os circos que não me lembro agora de todos; sei que tinha o Circo Garcia, Orlando Orfei...a gente nestas horas só se lembra dos mais famosos; porém os circos que aqui passavam tinham uma infinidade de nomes, muitos deles ridículos; onde, pelos seus picadeiros já se apresentaram cantores populares da época como Valdick Soriano...Carlos Alexandre...Diana...Lindomar Castilho...e até Gretchem...cujas apresentações da "rainha do rebolado" na época, levavam os homens ao delírio e as namoradas e esposas a um ataque de ciúmes; e foi neste misto de realidade e fantasia que muitas moçoilas fugiram ou "foram embora", ou mesmo, tiveram um caso amoroso com funcionários, bailarinas e até mesmo o dono do circo; cujas mães que possuiam filhas mais "afoitas" deram muita dor de cabeça aos pais e a delegacia de polícia local.

Hoje vivemos em uma outra época...mas a magia do circo...em nossas vidas....permanecerá para sempre !!!

Dagvan Formiga

sábado, 8 de agosto de 2009

O Circo


No mundo do entretenimento, o circo ocupa uma posição privilegiada entre as formas de diversão existentes. Mesmo em tempos de rádio, TV e internet, essa antiga arte atrai a atenção de muitos espectadores. Circulando por espaços da cultura erudita e popular, a arte circense impressiona pela grande variabilidade de atrações e o rico campo de referências culturais utilizado.

O circo demorou muito tempo até chegar à forma sistematizada por nós hoje conhecida. Somente no século XVIII é que o picadeiro e as mais conhecidas atrações circenses foram se consolidando.

Na China, vários contorcionistas e equilibristas apresentavam-se para as autoridade monárquicas chinesas. Em Roma, o chamado “Circo Máximo” era o local onde as massas plebéias reuniam-se para assistir às atrações organizadas pelas autoridades imperiais.

Na idade média, vários artistas saltimbancos vagueavam pelas cidades demonstrando suas habilidades ao ar livre em troca de algumas contribuições. O primeiro a sistematizar a idéia do circo como um show de variedades assistido por um público pagante foi o inglês Philip Astley. Em 1768, ele criou um espaço onde, acompanhado por um tocador de tambor, apresentava um número de acrobacia com cavalos.

O crescimento das populações urbanas no século XVIII garantiu um bom número de espectadores ao seu espetáculo, que rapidamente se tornou uma das principais formas de entretenimento da época. Com a expansão de seu empreendimento, Astley passou a contar com vários outros artistas. Dado o sucesso de suas atrações, sua companhia passou a apresentar-se em Paris.

Ainda no século XVIII, o domador Antoine Franconi ingressou na companhia de Astley. A instabilidade causada com os arroubos da Revolução Francesa, em 1789, forçou Astley a abandonar a França. Com isso Franconi se tornou um dos maiores circenses da França. Com o passar do tempo, a tradição itinerante dos artistas circenses motivou a expansão das companhias de circo.

No século XIX, o primeiro circo atravessou o Oceano Atlântico e chegou aos Estados Unidos. O equilibrista britânico Thomas Taplin Cooke chegava com seu conjunto de artistas na cidade de Nova Iorque. Com o passar dos anos, sua companhia transformou-se em uma grande família circense que, ao longo de gerações, disseminou o circo pelos Estados Unidos.

A grande estrutura envolvendo o espetáculo circense trouxe o desenvolvimento de novas tecnologias ao mundo do circo. As constantes mudanças de cidade em cidade incentivaram a criação de técnicas logísticas que facilitavam o deslocamento dos espetáculos. Tais técnicas, devido sua grande eficiência, chegaram a despertar o interesse dos altos escalões militares que se preparavam para os conflitos da Primeira Guerra Mundial.

Na Europa, até metade do século XX, o circo sofreu um período de grande retração. As guerras mundiais, ambas protagonizadas em solo europeu, e as crises econômicas da época impuseram uma grande barreira às artes circenses.

Ao mesmo tempo, o aparecimento do rádio e da televisão também inseriu uma nova concorrência no campo do entretenimento. Mesmo com o advento das novas tecnologias, o circo ainda preserva a atenção de multidões. Reinventando antigas tradições e criando novos números, os picadeiros espalhados pelo mundo provam que a criatividade artística do homem nunca estará subordinada as fascínio exercido pelas máquinas.

Talvez por isso, podemos dizer que “o show deve continuar”.


Referências

História do Circo:
Por Rainer Gonçalves de Sousa História do Mundo

http://www.historiadomundo.com.br/curiosidades/historia-do-circo

Fases da Lua:www.neyolas.com.br

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Sondagem


O carteiro, conversador amável, não gosta de livros. Tornam pesada a carga matinal, que na sua opinião, e dado o seu nome burocrático, devia constituir-se apenas de cartas. No máximo algum jornalzinho leve, mas esses pacotes e mais pacotes que o senhor recebe, ler tudo isso deve ser de morte!

Explico-lhe que não é preciso ler tudo isso, e ele muito se admira:

─ Então o senhor guarda sem ler? E como é que sabe o que tem no miolo?

─ Em primeiro lugar, Teodorico, nem sempre eu guardo. Às vezes dou aos amigos, quando há alguma coisa que possa interessar a eles.

─ Mas como sabe que pode interessar, se não leu?

Esclareço a Teodorico que não leio de ponta a ponta, mas sempre abro ao acaso, leio uma página ou umas linhas, passo os olhos no índice, e concluo.

Meu crédito diminui sensivelmente a seus olhos. Não lhe passaria pela cabeça receber qualquer coisa do correio sem ler inteirinha.

─ Mas, Teodorico, quando você compra um jornal se sente obrigado a ler tudo que está nele?

─ Aí é diferente. Eu compro o jornal para ver os crimes, o resultado do seu-talão-vale-um-milhão etc. Leio aquilo que me interessa.

─ Eu também leio aquilo que me interessa.

─ Com o devido respeito, mas quem lhe mandou o livro desejava que o senhor lesse tudinho.
─ Bem, faz-se o possível, mas...

─ Eu sei, eu sei. O senhor não tem tempo.

─ É.

─ Mas quem escreveu, coitado! Esse perdeu o seu latim, como se diz.

─ Será que perdeu? Teve satisfação em escrever, esvaziou a alma, está acabado.

A idéia de que escrever é esvaziar a alma perturbou meu carteiro, tanto quanto percebo em seu rosto magro e sulcado.

─ Não leva a mal?

─ Não levo a mal o quê?

─ Eu lhe dizer que nesse caso carece prestar mais atenção ainda nos livros, muito mais! Se um cidadão vem à sua casa e pede licença para contar um desgosto de família, uma dor forte, dor-de-cotovelo, vamos dizer assim, será que o senhor não escutava o lacrimal dele com todo o acatamento?

─ Teodorico, você está esticando demais o meu pensamento. Nem todo livro representa uma confissão do autor, ainda ontem você me trouxe uma publicação do Itamaraty sobre o desenvolvimento da OPA, * que drama de sentimento há nisso?

─ Bem, nessas condições...

─ E depois, no caso de ter uma dor moral, escrevendo o livro o camarada desabafa, entende? Pouco importa que seja lido ou não, isso é outra coisa.

Ficou pensativo; à procura de argumento? Enquanto isso, eu meditava a curiosidade de um carteiro que se queixa de carregar muitos livros e ao mesmo tempo reprova que outros não os leiam integralmente.

─ Tem razão. Não adianta mesmo escrever.

─ Como não adianta? Lava o espírito.

─ No meu fraco raciocínio, tudo é encadeado neste mundo. Ou devia ser. Uma coisa nunca acontece sozinha nem acaba sozinha. Se a pessoa, vamos dizer, eu, só para armar um exemplo, se eu escrevo um livro, deve existir um outro ─ o senhor, numa hipótese ─ para receber e ler esse livro. Mas se o senhor não liga a mínima, foi besteira eu fazer esse esforço, e isso é o que acontece com a maioria, estou vendo.

─ Teodorico! Você... escreveu um livro?

Virou o rosto.

─ De poesia, mas agora não adianta eu lhe oferecer um exemplar. Até segunda, bom domingo para o senhor.

─ Escute aqui, Teodorico...

─ Bem, já que o senhor insiste, aqui está o seu volume, não repare os defeitos, ouviu? Esvaziei bastante a alma, tudo não era possível!



[1959]

Carlos Drummond de Andrade


(ANDRADE, Carlos Drummond. Sondagem. In: Werneck, Humberto (org.). Boa Companhia: crônicas. São Paulo: Companhia das Letras, 2005, pp. 31-33.)


* Operação Pan-Americana, criada no governo Juscelino Kubitschek (1956-61), com a ambição ─ malograda ─ de congregar os países das três Américas.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Faxina na Alma


Não importa onde você parou, em que momento da vida você cansou.

Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo, é renovar as esperanças na vida e o mais importante, acreditar em você de novo.

Sofreu muito nesse período? Foi aprendizado.

Chorou muito? Foi limpeza da alma.

Ficou com raiva das pessoas? Foi para perdoá-las um dia.

Sentiu-se só por diversas vezes? É porque fechaste a porta até para os anjos.

Acreditou que tudo estava perdido?

Era o início da tua melhora. Pois é... agora é hora de reiniciar, de pensar na luz, de encontrar prazer nas coisas simples de novo. Um corte de cabelo arrojado, diferente?

Um novo curso, ou aquele velho desejo de aprender: pintar, desenhar, dominar o computador, ou qualquer outra coisa. Olha quanto desafio, quantas coisa nova, nesse mundão de meu Deus te esperando.


Carlos Drummond de Andrade

domingo, 2 de agosto de 2009

A era das pandemias e a desigualdade

Por SUELI DALLARI e DEISY VENTURA


O MUNDO está diante das primeiras "pestes globalizadas", cuja velocidade de contágio, sem precedentes, é inversamente proporcional à lentidão da política e do direito.

A aceleração do trânsito de pessoas e de mercadorias reduz os intervalos entre os fenômenos patológicos de grande extensão em número de casos graves e de países atingidos, ditos pandemias. Assim, tratar a pandemia gripal em curso como um espetáculo pontual é um grande equívoco.

As pandemias vieram para ficar e suscitam ao menos dois debates estruturais: as disfunções dos sistemas de saúde pública dos países em desenvolvimento e a inoperância da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Na ausência de quebra de patentes de medicamentos e de vacinas, perecerá um grande número de doentes que, se tratados, poderiam ser salvos. O mundo desenvolvido terá então, deliberadamente, deixado morrer milhões de pobres.

Sob fortes pressões políticas, a OMS tem divulgado c om entusiasmo doações de tratamentos e descontos aos países menos avançados na compra do oseltamivir, o famoso Tamiflu, fabricado pela Roche, até então o único tratamento eficaz contra o vírus A (H1N1). Mas essa pretensa generosidade é absolutamente insignificante diante da possível contaminação de um terço da humanidade. A apologia do Tamiflu tem levado milhares de pessoas à compra do medicamento pela internet ou a cruzar fronteiras para obtê-lo em países vizinhos. O uso indiscriminado do medicamento deve ser combatido com vigor, tanto pela probabilidade de consumo de produto falso quanto por fazer com que rapidamente o vírus se torne resistente também ao oseltamivir, o que ocorreu em casos recentes. Ainda mais grave: as constantes mutações do vírus tornam o mundo refém da indústria de medicamentos.

A OMS deve operar para que paulatinamente os Estados assumam o leme, com todos os custos que isso implica, do investimento em pesquisa ao servi ço de saúde pública.
O direito não pode ser desperdiçado: o Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio, negociado no âmbito da Organização Mundial do Comércio, criou a licença compulsória, dita quebra de patente, para, entre outros casos, os de urgência. Ora, pode ocorrer algo mais urgente do que uma pandemia?

No entanto, quebrar a patente do Tamiflu, embora imprescindível, é apenas uma ponta do iceberg. É preciso que os Estados desenvolvam as condições para produzi-lo.
O mesmo ocorre em relação à insuficiência de kits para diagnóstico: com a progressão da pandemia, é provável que não sejamos capazes sequer de contar os mortos, ou seja, aqueles que comprovadamente foram vítimas desse vírus.

A prevenção da doença traz um problema adicional, que é a pressa: os mais nefastos efeitos da vacina contra o A (H1N1) ocorrerão nos primeiros países a generalizá-la, que serão, infelizmente, os latino-americanos, até agora os mais atingidos pela doença.

Assim, a deplorável desigualdade econômica mundial distribui também desigualmente o peso das urgências sanitárias. Os pobres portam o fardo mais pesado, eis que a pandemia gripal vem juntar-se a outras doenças endêmicas, como paludismo, tuberculose e dengue, cuja subsistência deve-se às adversas condições de trabalho e de vida, sobretudo em grandes aglomerações urbanas, não raro em condições de habitação promíscuas, numa rotina que favorece largamente a contaminação.

Caso o fenômeno se agrave, novas restrições, além do controle do Tamiflu, podem ser necessárias, a exemplo da limitação de reuniões públicas e aglomerações, que já foi adotada em países próximos, como a Argentina.
A pandemia pode trazer, ainda, a estigmatização de grupos de risco ou de estrangeiros, favorecendo a cultura da insegurança, pois o medo é tão contagioso quanto a doença.

Por tudo isso, urge revisar o papel da OMS no sistema internacional e retomar o debate sobre a criação de um verdadeiro sistema de vigilância epidemiológica no Brasil, apto a regular a eventual necessidade de restrições a direitos humanos e a organizar a gestão das pandemias com a maior transparência possível.

Caso contrário, seguirá atual o que escreveu Albert Camus, em 1947, no grande romance "A Peste": "Houve no mundo tantas pestes quanto guerras. E, contudo, as pestes, como as guerras, encontram sempre as pessoas igualmente desprevenidas".


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SUELI DALLARI , 58, é professora titular da Faculdade de Saúde Pública da USP.

DEISY VENTURA , 41, é professora do Instituto de Relações Internacionais da USP.

Arte - A Pietá de Michelangelo é de admirável perfeição. Nos encanta e inquieta ao mesmo tempo.


Desculpem os internautas pela repetição, mas não me canso de publicar neste Blog essa obra de Michelângelo Buonarroti.
A Pietá de Michelângelo é a perfeita visão de anatomia humana modelada pelas mãos de nosso grandioso artista renascentista aos 23 anos de idade.

A virgem Maria segura o filho Jesus morto nos braços, uma cena trágica, porém inspirou Michelangelo em mais uma de suas importantes criações conhecida como "A Pietá de São Pedro" ou simplesmente a "Pietá de Michelângelo."

A Pietá foi esculpida no melhor mármore do mundo, o mármore de Carrara.

A polidez do mármore realça a beleza, a doçura e a jovialidade da virgem. Nenhum detalhe nesta obra fica inacabado, ela foi totalmente polida e finalizada.

O contrato da Pietá foi firmado em 1498, e a encomenda foi feita por Jean Bilhères de Lagraulas, cardeal francês no papado de Alexandre VI. Lagraulas pretendia colocar a escultura de mármore em seu memorial.

Dentro de um ano, em 1499 a Pietá foi concluída. O contrato foi cumprido fielmente em todas as suas cláusulas no que diz respeito ao prazo, perfeição e beleza da escultura.

O cardeal Lagraulas faleceu antes de ver a sua encomenda finalizada, mas, de acordo com sua vontade a escultura inicialmente foi colocada na capela dedicada a nação francesa no Vaticano(Santa Petrolina).

Em 1749 a imagem foi transferida para a capela de Nossa Senhora das Febres(velha sacristia de São Pedro).

Hoje se encontra na Basílica de São Pedro no Vaticano, no lado direito de quem entra na igreja.

Em 1972, aconteceu algo inusitado que nos separou de apreciar de perto a bela Pietá. Um louco entrou na igreja de São Pedro e golpeou com um martelo a cabeça da virgem, atingindo de cheio o olho esquerdo e a ponta do nariz da belíssima escultura.

Por causa deste ato de Vandalismo, foi colocada uma redoma de vidro inquebrável para proteger a escultura de Michelângelo.

A perfeição da Pietá encantou e ainda encanta os visitantes e inquieta os artistas.

Michelângelo compôs a imagem de Jesus dentro da limitação do corpo da virgem, de modo que este coubesse no manto e assim nos dá a idéia da ligação entre mãe e filho.

"Giorgio Vasari"(pintor e arquiteto italiano conhecido por suas biografias de artistas italianos), registrou: "É de maravilhar que, a mão do artifício, pudera divina e propriamente fazer em pouquíssimo tempo algo tão admirável."

Penso que devido a tamanha beleza e perfeição, Michelangelo autenticou a sua Pietá o que não fez com as outras obras.
"Como gênio criador e um talento universal Michelângelo foi, aos poucos, ocupando lugar de destaque entre os mais ilustres. Em 1547, foi nomeado “arquiteto da Basílica de São Pedro”, cargo que conservou até a morte. Seus últimos trabalhos se concentraram na arquitetura sendo que, no período anterior à sua morte, sua última obra foi a “Pietá Rondanini”. Michelângelo faleceu em 18 de fevereiro de 1564, aos 89 anos, sendo enterrado na Igreja de Santi Apostoli, em Roma."

Hora de rir - Cérebro masculino e Cérebro feminino

sábado, 1 de agosto de 2009

Romance de W. J. Solha enfoca Pombal e João Pessoa em tese surpreendente


Temos mais uma novidade na área literária brasileira, com especial enfoque e destaque a a cidade de Pombal e a capital da Paraíba, com personagens aqui vividos e outros criados pelo autor. W.J. Solha, acaba de lançar o romance "O Relato de Prócula", em que sustenta uma supreendente teória.

"Sempre houve um mistério na razão da defesa de Jesus feita por Pilatos ante o Sinédrio. E aí o Padre Martinho Lutero Libório – vigário da paróquia de Pombal, na caatinga paraibana – pergunta-se, depois de fazer o papel do romano na Semana Santa, na capital da Paraíba, se o motivo teria sido, mesmo, um sonho de Cláudia Prócula – mulher do praefectus de Jerusalém – ou algo bem mais poderoso, como seu vínculo com o Nazareno, agente infiltrado, judeu, mas cidadão de Roma, tal como eram Paulo de Tarso, Flávio Josefo e Filon de Alexandria.

Este romance inova com essa sua teoria e com a reprodução vívida da até então ignorada vida cultural do interior nordestino, realidade muito distante do universo retratado por obras como Vidas Secas, Fogo Morto ou Grande Sertão: Veredas."

O Livro, atualmente pode ser adquirido na Saraiva (www.livrariasaraiva.com.br) pelo preço de R$ 38,00 bem como outras livrarias do país.

Vale a pena conferir.